Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Folha reconhece que imprensa é golpista


No último sábado, o jornal Folha de São Paulo reconheceu, publicamente, que pessoas como a maioria das que escrevem neste blog têm razão quando dizem que a grande imprensa brasileira é golpista. A partir desse momento histórico, portanto, espera-se que mesmo os seus simpatizantes mais exaltados parem de contestar o que ela mesma reconhece.
Reproduzo, abaixo, essa matéria da Folha que me foi mostrada pelo radialista Colibri, da Rádio Brasil Atual, durante entrevista sobre os 90 anos do jornal que gravei nos estúdios dessa rádio ontem e que foi ao ar na manhã desta quarta-feira. Em seguida, mais alguns comentários.
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Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o “Estado”, mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais.
Confrontado por manifestações de rua e pela deflagração de guerrilhas urbanas, o regime endureceu ainda mais em dezembro de 1968, com a decretação do AI-5. O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o “Estado”, a revista “Veja” e o carioca “Jornal do Brasil”, que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores.
As tensões características dos chamados “anos de chumbo” marcaram esta fase do Grupo Folha. A partir de 1969, a “Folha da Tarde” alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.
A entrega da Redação da “Folha da Tarde” a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (vários deles eram policiais) foi uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella, um dos ‘terroristas’ mais procurados do país, morto em São Paulo no final de 1969.
Em 1971, a ALN incendiou três veículos do jornal e ameaçou assassinar seus proprietários. Os atentados seriam uma reação ao apoio da “Folha da Tarde” à repressão contra a luta armada.
Segundo relato depois divulgado por militantes presos na época, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros. A direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins.
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Segundo relato de Colibri, ele trabalhava na Folha na época em que ela não apenas entregou a redação aos militares, mas ajudou-os a prender seus funcionários dentro de suas instalações, o que lhe valeu a piada de que era o jornal de maior “tiragem” do Brasil, pois vivia cheio de “tiras”. E o radialista nega que houvesse algum movimento organizado dentro do jornal.
Mas vejam só que coisa: a Folha diz que sua redação estava cheia de militantes da ALN e que, por isso, permitiu aos militares que fossem prendê-los dentro de suas instalações em vez de demiti-los, por exemplo. Essa era a visão do jornal sobre liberdade de imprensa, então. Isso mostra o quanto é vazio o seu discurso atual sobre o assunto.
A parte mais divertida da nota é a que afirma que “a direção da Folha não tinha conhecimento” de que seus carros eram usados para esse fim, como se fosse possível um empresário não ter conhecimento do que seus funcionários fazem com a sua frota de veículos. Sugere, aliás, que meros motoristas se apropriavam dos veículos para servirem à ditadura.
E um detalhe importante: notem que o jornal não diz que seus carros não foram usados para esse fim, mas que não tinha conhecimento desse uso.
Diante de tudo isso, penso que é plenamente justificável que as pessoas se indignem por os três poderes da República terem ido prestigiar uma empresa que tanto mal causou ao Brasil ao atuar de forma tão ativa em prol da censura e da supressão das liberdades democráticas, castigos a este povo que duraram duas décadas.
Contudo, o desalento com a rendição da República a esse jornal criminoso não altera o fato de que ninguém tem opção de desistir de apoiar este governo ou de deixar de militar em blogs como este. O editor deste blog não tem como desistir nem de uma coisa, nem de outra. É preciso muita “coragem” para desistir. Não sou tão corajoso.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os Herois e os Cúmplices


Folha de S. Paulo, abril de 1964: apoio de primeira hora à ditadura
A sórdida campanha da grande mídia em torno do processo movido pela ditadura militar contra a presidente eleita Dilma Rousseff tenta criminalizar as ações armadas de guerrilheiros contra a tirania “da mesma forma como a Coroa portuguesa atribuiu como criminosa a insurgência política de Tiradentes”, como bem lembrou o jornalista Paulo Henrique Amorim. “E lá estavam as velhas conhecidas familias Marinho, Frias, Mesquita e Civita, da velha mídia, engajadas em demonizar os guerrilheiros, em entusiasmados editorais, colunas e na deturpação do noticiário. Hoje, coerentes com o passado em prol da ditadura, fazem o mesmo ao colocaram suas mãos sujas no processo de Dilma, vilipendiando a verdade”, diz Amorim.
Aqueles que pegaram em armas contra o regime criminoso de 1964, mesmo se estavam politicamente equivocados, foram herois, como herois foram os integrantes da resistência francesa, italiana e iugoslava ao nazismo na Europa. Já os donos dos jornalões foram cúmplices do regime criminoso, o qual eles não apenas apoiaram como – no caso da Folha de S. Paulo – emprestaram veículos impressos e rodantes para ajudar os torcionários. Para estes, a ditadura só podia ser “ditabranda”.
Dos 339 militantes assassinados pela ditadura militar, destaco três, cuja morte completa 40 anos este ano. São eles: Mário Alves, dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Joaquim Câmara Ferreira (Toledo), dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN) e Eduardo Collen Leite (Bacuri), também da ALN – ambos mortos pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury.


Mário Alves (1923-1970) Baiano, filho de latifundiários, participou da União Nacional dos Estudantes (UNE) durante o Estado Novo. Ingressou no Partido Comunista do Brasil (PCB) em 1939 e foi um dos líderes do movimento antifascista em Salvador. Dirigiu os jornais comunistas Novos Rumos e Voz Operária. Com o golpe de 1964, foi preso mas libertado um ano depois em função de um habeas corpus. Crítico da linha moderada do PCB, foi afastado em 1967 junto com outros dirigentes, como Carlos Marighella, Joaquim Câmara Ferreira, Jacob Gorender, Apolonio de Carvalho e outros. Junto com Gorender e Apolonio fundou o PCBR. Foi preso em 16 de janeiro de 1970 pelo DOI-CODI do Rio de Janeiro. Morreu sob torturas no dia seguinte, tendo sido barbaramente seviciado.
Joaquim Câmara Ferreira (“Toledo” – 1913-1970) Paulistano, era jornalista e dedicou sua vida à militância. Ingressou no PCB em 1933 e dirigiu diversos jornais do partido. Liderou o trabalho clandestino no setor ferroviário. Preso e torturado no DOPS durante o Estado Novo, elegeu-se vereador em Jaboticabal (SP) pelo PCB. Perdeu o mandato em 1947, com a cassação do registro do PCB. Foi para a URSS realizar estudos políticos. Em 1967, rompeu com o PCB pela esquerda e, junto com Carlos Marighella, fundou a Ação Nacional Libertadora (ALN). Participou do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrik em setembro de 1969, que foi trocado por 15 presos políticos. Preso em São Paulo em 23 de setembro, Toledo foi levado para um sítio clandestino e torturado pela equipe do delegado Sérgio Fleury, onde morreria em consequência dos ferimentos. Segundo as informações oficiais, ele morreu no dia 23 de outubro, mas essa foi uma armação da repressão para justificar outro assassinato, o de Bacuri.
Eduardo Collen Leite (“Bacuri” – 1945-1970) Mineiro, começou na Política Operária (Polop), vinculando-se posteriormente à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), da qual se retirou para fundar a Resistência Democrática (Rede) e, em 1969, ingressar na ALN. Participou de diversas ações armadas e foi protagonista de dois sequestros de diplomatas. Preso em 21 de agosto de 1970 no Rio de Janeiro pela equipe do delegado Fleury, Bacuri foi levado para um cárcere privado e depois ao Cenimar (serviço secreto da Marinha) e ao DOI-CODI. Bacuri foi barbaramente torturado durante 109 dias em diversas dependências policiais e militares. Em outubro foi removido para o DOPS de São Paulo. Em 25 de outubro, os jornais divulgaram que Bacuri tinha sido levado para identifcar Toledo e tinha conseguido fugir. Enquanto isso, ele continuava sendo submetido a torturas no DOPS, conforme testemunhas de 50 presos políticos da época, que inclusive realizaram um panelaço para protestar contra a farsa. Uma das mais torpes manchetes da época foi a da Folha da Tarde, de propriedade da Folha da Manhã, que também editava a Folha de S. Paulo: ” METRALHADO E MORTO OUTRO FACÍNORA”.
Bacuri foi retirado da cela com o corpo cheio de hematomas e queimaduras em 27 de outubro de 1970. Nunca mais foi visto.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sader: Folha (*) acredita em torturador


Tortura ? É com a Folha mesmo


Conversa Afiada republica texto de Emir Sader sobre a “vitória” da Folha (*), que abriu no STM o inquérito contra a Dilma, no regime militar.

Sader: Quanto vale a palavra de torturadores?


por Emir Sader, no seu blog em Carta Maior


O Superior Tribunal Militar abriu o processo da Presidenta eleita, Dilma Rousseff, que um órgão da imprensa – aquele cuja executiva disse que a mídia é o partido político da oposição – buscava afoitamente na reta final da campanha eleitoral.


O que teremos nesse processo? A versão que os torturadores davam das suas vítimas, dos torturados. Essa mesma imprensa que reclamava, com razão, da censura, vai agora acreditar no que os verdugos diziam do crime monstruoso da tortura, que praticavam? E do comportamento das vitimas indefesas desse crime hediondo?


É como se levassem a sério o que os censores devem ter escrito sobre as publicações que censuravam e os jornalistas. Nós nunca os tomaríamos a sério, utilizamos os documentos da censura para denunciar ainda mais o obscurantismo da ditadura.


O processo tem que ser mais um instrumento de denúncia da tortura – crime imprescritível – e não instrumento de manipulação política justo do jornal que emprestou carros para que a órgãos da ditadura, disfarçados de jornalistas, cometessem suas atrocidades. O mesmo órgão que considerou que não tivemos uma ditadura, mas uma “ditabranda”.


O processo é um testemunho dos agentes do terror, daqueles que assaltaram pela força o Estado, destruíram a democracia e se apropriaram dos bens públicos para transformá-los em instrumentos dos crimes hediondos que cometeram – em nome da “democracia”.


Nas mãos de democratas, se transformará em mais uma prova da brutalidade dos crimes cometidos pela ditadura militar contra seus opositores. Nas mãos dos que foram complacentes e se beneficiaram da ditadura, será instrumento político torpe. A mídia que acreditar no que diziam os torturadores, será conivente com eles, ao invés de denunciar os crimes que eles cometeram.


Para os que se sujaram com a ditadura é insuportável que houve gente que se comportou com heroismo e dignidade. Querem enlamear a todos, porque se houve tanta gente que resistiu à ditadura, mesmo em condições limites, havia alternativa que não a conciliação e a conivência com a ditadura.



Clique aqui para ler também “O que a Folha quer com o inquérito da Dilma ?”.


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O que a Folha quer com a ficha da Dilma ?

Na foto, o que a Folha quer fazer da Dilma

Navalha
Primeiro, o que a Folha (*) queria ?
A Folha queria abrir o passado da Dilma durante a campanha presidencial e ajudar o Serra e o índio a pendurar nas costas da Dilma o estigma de matar adultos, além de matar criancinhas.
O capítulo das criancinhas foi aberto pela Grande Estadista chileno-brasileira Mônica Serra.
O STM não deixou a Folha ajudar o Serra nesse aspecto.
Com a surra que a Dilma aplicou no Serra – 56% a 44% – o que a Folha agora quer ?
Primeiro, ir à forra da ficha falsa.
A Folha publicou uma ficha falsa da Dilma, que se tornou uma das notáveis “barrigas” da Imprensa Mundial.
A Folha vai tentar demonstrar que a ficha falsa é verdadeira.
Segundo, a Folha quer pegar a Dilma na mentira.
A Dilma e inúmeros colegas de militância asseguram que a Dilma não participou de nenhuma ação armada.
A Folha vai querer mostrar que a Dilma pegou em armas, roubou o cofre do Ademar, matou criancinhas, e derrubou as Torres Gêmeas.
Terceiro, a Folha quer desmoralizar a Dilma e reproduzir declarações e situações nascidas no processo de tortura.
Quarto, a Folha quer dar legitimidade a uma máquina repressiva e judicial construída no regime militar.
Quinto, a Folha quer re-instalar o regime militar e seus mecanismos no regime democrático que a Dilma respeitou e no qual se tornou vitoriosa.
Sexto, a Folha quer reestabelecer a legitimidade das práticas do regime militar a que ela, a Folha, serviu com devoção e fidelidade.
Serviu de diversas maneiras.
Serviu quando cedeu os carros de reportagem para transportar torturadores e vítimas de torturadores.
Serviu ao transformar seus jornais em instrumentos da repressão e da ocultação de crimes hediondos.
Sétimo, a Folha quer constranger a Dilma.
A Folha quer fazer o que o senador Agripino Maia não conseguiu: transformar o Regime Militar num regime constitucional inglês e a Dilma numa terrorista.
Oitavo, a Folha avisa à presidente eleita que a combaterá sem tréguas.
Nono, a Folha quer impedir que a Dilma faça uma Ley de Medios.
Décimo, para a Folha, a Dilma é o Marighella, que será abatido num cruzamento dos Jardins, entre a Avenida Paulista e a Rua Estados Unidos.


Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

A confissão da Dra. Gasparian

A mulher da foto acima é a Dra. Tais Gasparian, advogada da Folha de São Paulo. Curiosamente, a tela para a qual aponta contém um pensamento que vai de encontro ao que disse ontem ao saber que o Superior Tribunal Militar liberara o recurso do jornal para ter acesso ao processo que levou Dilma Rousseff à prisão em 1970, durante a ditadura:
A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma – artigo 21 do Código Civil”.
Quanta diferença entre o que a Dra. Gasparian defendia quando a foto foi tirada e o que defendeu na última terça-feira, quando afirmou ser “Lamentável que o pedido [da Folha ao STM] tenha sido deferido após as eleições”.
O relator do caso no STM, ministro Marcos Torres, foi o único a votar contra o acesso do jornal aos autos. Ele entendeu que tal acesso feriria o direito à privacidade da presidente eleita. Segundo o ministro, não houve pedido de autorização a Dilma para ter acesso ao processo, como a Dra. Gasparian pregava que deveria ser no passado para que a privacidade de alguém fosse violada.
Já o ministro do STM José Coêlho Ferreira, em seu voto, afirmou que “Uma pessoa que deseja servir a Pátria como homem ou mulher pública não pode desejar que fatos históricos relacionados à sua vida sejam subtraídos da informação do povo. Assim como não pode subtrair do público fatos personalíssimos de sua vida, como a saúde”.
Provavelmente por fazer parte da estrutura que mantém criminosos da ditadura protegidos, este ministro não leva em conta que o que há, naquele processo, é nada mais, nada menos do que um amontoado de ilegalidades, pois a presidente eleita da República, àquela época, foi vítima de uma prisão forjada de forma a permitir que fosse interrogada sob tortura.
O mais escandaloso nessa decisão do STM está contido no voto da ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha. Ela sugeriu que fosse mantido o sigilo de apenas 3 trechos dos 15 volumes do processo a fim de “Preservar relatos degradantes de torturas sofridas pelos envolvidos”.
Ou seja, serão ocultados apenas os trechos que revelariam toda a ilegalidade, a violência e a desumanidade da grande farsa criada pela ditadura contra aquela que governará este país pelos próximos quatro anos.
Mas a cereja do bolo é o voto do ministro do STM Cerqueira Filho, para quem “A imprensa deve utilizar as informações do processo com responsabilidade”, pois, “no momento, a solicitação tem relevância política e os impetrantes terão o discernimento de não atingir a honra e a imagem das pessoas”.
Não parece ridículo esperar que os impetrantes não tentem atingir a honra de Dilma Rousseff através justamente daquilo que o inocente juiz pede que não seja usado quando a advogada desses mesmos impetrantes lamenta que não tenham podido fazer uso político das acusações forjadas pela ditadura de forma a interferir no processo eleitoral?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A CANALHICE DA FOSSA, (OP'S) FOLHA SE SÃO PAULO




Folha X STM

Foi disponibilizado hoje o despacho da Ministra Carmen Lúcia, do STF, nos autos da Ação Cautelar 2727, distribuída anteontem (petição inicial abaixo), 25 de outubro de 2010, pela EMPRESA FOLHA DA MANHÃ S/A (jornal FOLHA DE SÃO PAULO) contra o SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR através da qual o jornalão paulista, que contribuiu como pôde com a ditadura militar brasileira, tenta ter acesso aos autos da Ação Penal 366/70 - que envolve Dilma Rousseff. O jornal já havia tentado o mesmo através de Mandado de Segurança, não tendo obtido êxito.
Os argumentos do jornal são patéticos e bem demonstram a serviço de quem está.
Alega o jornal não ter obtido a liminar requerida no Mandado de Segurança, embora se contasse com a “presença dos seus pressupostos...”. Segundo a FOLHA, seu pedido (no Mandado de Segurança) tinha utilidade pública definida no tempo, pois seria de "interesse público (os) dados constantes da mencionada ação penal, (a fim de que) possa divulgá-los a tempo de serem úteis à plena informação e formação de convicção dos cidadãos acerca da atual candidata à Presidência da República".
Teria havido, na dicção da Autora, extensão do "julgamento ...e, para violentar, em definitivo, as prerrogativas constitucionais da impetrante, novamente suspendeu a tramitação do feito...com a concessão irregular de vista do processo à Advocacia Geral da União, por força de requerimento desta desprovido de fundamento...Passados mais de cinquenta dias da impetração, o Colendo Superior Tribunal Militar nega à ora requerente a prestação jurisdicional".
Daí ter ela interposto Recurso Extraordinário "da decisão que lhe negou a prestação jurisdicional, argüindo a contrariedade aos citados dispositivos dos arts. 5º, IV, IX, XIV, XXXIII e art. 220 da Constituição Federal e a relevância social da questão suscitada".
Observa, ainda, que com a Ação Cautelar pretende "a um só tempo...o suprimento da utilidade da prestação jurisdicional buscado pela autora e a ela negada pelo Pleno do C. Superior Tribunal Militar e a antecipação da tutela recursal prevista no art. 527, III, do Cód. de Proc. Civil, com as observações ... de que: a) elas estão inseridas, de modo natural, no poder de cautela do juiz...b) a norma específica do art. 527, III, do Cód. de Proc. Civil, que prevê a antecipação da tutela recursal nos agravos tirados de decisão interlocutória, é por todos os motivos aplicável no caso desta ação cautelar...".
Afirma a FOLHA serem descabidos os fundamentos apresentados para o que considera o seu direito de ter acesso aos documentos, já que não poderiam ter sido considerados privados, pois dizem respeito à vida pública da ora candidata à Presidência da República, nem poderiam estar em tal estado de precariedade que impediria a sua apresentação aos interessados.
Com base no que expõe pede "liminar inaudita altera pars (...)" (sem a oitiva do SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR), "(...) para que seja determinado ao Superior Tribunal Militar que possibilite o imediato acesso e a extração de cópia reprográfica do processo referido”, asseverando patentear-se, no caso, o perigo da demora em razão da urgência das informações para a sua divulgação jornalística, faltando poucos dias para o segundo turno das eleições presidenciais, para o que buscaria os dados a fim de informá-los aos eleitores.
Notem a canalhice!
O despacho da Ministra está, na íntegra, abaixo.
A FOLHA corre contra o tempo.
A Ministra também.
Hoje mesmo, às 12h19min, o Ministro do Superior Tribunal Militar se manifestou sobre o despacho (petição com a manifestação, imediatamente abaixo da imagem do despacho). A FOLHA também o fez, através de petição eletrônica com certificação digital, às 18h50min (petição com a manifestação, imediatamente abaixo da imagem da manifestação do STM).
Agora há pouco, antes das 19h, o processo foi remetido ao gabineta da Ministra Carmen Lúcia. Deve sair, ainda hoje, no máximo amanhã, a decisão sobre o pedido. Advoga para a FOLHA a advogada Taís Borja Gasparian, e para o STM o Advogado-Geral da União.
Daqui, estou de olho e trarei novidades assim que as tiver.
By: Buteco do Edu