Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Lava Jato: demissões, que, no Globo, viram detalhe

:

Os efeitos práticos da Operação Lava Jato começam a ser sentidos na economia e na vida real da população brasileira; ontem, trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, que estão com os salários atrasados, fecharam a ponte Rio-Niterói, e protestaram diante da Petrobras; na cobertura do jornal 'O Globo', a ponte se tornou 'refém de um protesto', que não teria sido devidamente reprimido; tom adotado pelo Globo é previsível; irmãos Marinho defendem o fim da política de conteúdo nacional e até a quebra das empreiteiras brasileiras; em artigo publicado na revista Fórum, o jornalista Renato Rovai defende a urgência de que a Petrobras trave a batalha da comunicação em defesa dos empregos; "Optar pelo não enfrentamento e deixar a Petrobras ao bel prazer da narrativa da mídia tradicional, que bate na companhia há um ano, é abrir mão não apenas da disputa política, mas deixar que se desconstrua toda uma estratégia de Estado erguida há anos", diz ele 

Rio 247 - A população do Rio de Janeiro sentiu, ontem, os efeitos práticos da Operação Lava Jato. Funcionários que trabalham nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, fecharam a ponte Rio-Niterói, em protesto contra os salários atrasados. O motivo: uma das empreiteiras envolvidas, a Alumini, foi atingida pela Lava Jato, perdeu o crédito na praça e entrou em recuperação judicial.
Assim como a Alumini, diversas outras empreiteiras, em especial as que tiveram executivos presos (de forma preventiva há três meses), como a OAS, entraram em grave crise financeira e estão demitindo seus funcionários. Estimativas do setor privado apontam que a Lava Jato poderá retirar um ponto percentual do PIB brasileiro em 2015, num ano já tomado por perspectivas sombrias.

Diante do quadro, a narrativa da mídia tradicional tem fechado os olhos para a crise que se avizinha – ou melhor, em alguns casos, até a estimula.

O exemplo mais emblemático é o do Grupo Globo. No fim de semana, os procuradores que conduzem a Lava Jato ao lado do juiz Sergio Moro foram tratados como heróis, em Época (leia aqui). Nesta quarta-feira, a ponte Rio-Niterói, no jornal 'O Globo', se tornou 'refém de um protesto', que, segundo o jornal, deveria ter sido duramente reprimido pela polícia. Eis a chamada de primeira página:

"Sem repressão de agendas da Polícia Rodoviária Federal, cerca de 200 funcionários do Comperj, sem salários desde dezembro, fecharam por duas horas a ponte Rio-Niterói. Milhares de pessoas ficaram presas em engarrafamentos e até ambulâncias não puderam passar na via. Para especialistas, direito de ir e vir foi ignorado."

Para o Globo, o direito dos trabalhadores ao salário, ou dos executivos presos às garantias individuais que garantem a possibilidade de se defender em liberdade, é menos relevante do que o de transitar na ponte. Por trás disso, há também uma batalha ideológica. Os irmãos Marinho, que controlam o Grupo Globo, defendem o fim da política de conteúdo nacional nas encomendas da Petrobras, a abertura do pré-sal a empresas estrangeiras, a substituição de empreiteiras nacionais por firmas internacionais e até a privatização da estatal – objetivos que podem vir a ser alcançados, a depender dos desdobramentos da Lava Jato.

Nesse contexto, é natural que o emprego e o salário do trabalhador brasileiro se transforme em apenas um detalhe. Um incômodo que atrapalha o trânsito.

Batalha da comunicação

Diante de um ano com perspectivas já sombrias para a economia brasileira, o que de pior poderia aconteceria seria a contaminação das expectativas empresariais por demissões em massa no setor empresarial, em especial na indústria naval e do setor de óleo e gás. Em razão disso, 247 republica artigo de Renato Rovai, da revista Fórum, que defende a batalha da comunicação em defesa dos empregos e do interesse nacional:

A Petrobras perde na comunicação. E o Brasil pode perder empregos

Por Renato Rovai

Fórum participou na noite desta segunda-feira (9) de um bate-papo informal promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé com o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Da conversa, que teve pouco mais de duas horas, foi possível colher informações sobre a atual situação da maior empresa brasileira e também uma certeza: a Petrobras está perdendo feio a batalha da comunicação.
Não, o ex-mandatário da companhia não disse isso, mas observando seus argumentos a respeito da crise que ronda a empresa e que é alvo principal da batalha político-midiática que ameaça o governo Dilma, é fácil chegar a essa constatação. Gabrielli discorre com facilidade a respeito de boa parte da pauta repisada por parte da mídia desde o ano passado contra a Petrobras. Não nega que haja problemas, e muitos, mas reivindica que sejam reconhecidos os avanços obtidos nos últimos anos, e pede que não se confunda a instituição com os malfeitores.

Invocou a lembrança da reorientação na direção da companhia no primeiro governo Lula, quando não só houve uma mudança na tendência ao fatiamento da empresa, que rumava em um norte privatista, como também um direcionamento para que a petrolífera passasse a fazer parte integrante das políticas públicas estratégicas do governo, fomentando, por exemplo, o renascimento da indústria naval brasileira.

O renascimento se deu com a instituição da política de conteúdo nacional. Ao invés de encomendar plataformas e outros equipamentos fora do país, a empresa passou a fazer encomendas dentro do país. Política que, agora, se encontra em risco em função da ameaça aos contratos firmados que envolvem a geração de empregos como o que estabelece a construção de 29 sondas com a Sete Brasil, empresa responsável por um programa de 25,7 bilhões de dólares. Como em três dos cinco principais estaleiros e em cinco das oito operadoras de sondas as sócias são empreiteiras envolvidas na Lava Jato, a execução do programa, que teve uma proposta de financiamento adiada pelo BNDES na última sexta-feira (6), está em risco. Estima-se em 149 mil os empregos diretos e indiretos envolvidos na construção das sondas (ver mais detalhes em matéria aqui).

O fato, reforçado por Gabrielli, mas não só por ele, é que o impacto da redução dos investimentos da Petrobras sobre a economia em 2015 pode ser um aumento do desemprego e a redução do PIB brasileiro. A médio prazo, a política de conteúdo nacional fica comprometida. Combinando-se uma política de contenção fiscal e elevação de taxa de juros, o resultado certo é uma recessão durante o ano.

E um dos grandes problemas, e isso é conclusão de quem escreve, é que o governo não tem a clareza para se expressar a respeito da Petrobras e do que ela representa com a limpidez que faz o ex-presidente da companhia em um bate-papo. Ele, aliás, foi o responsável pela montagem do Fatos e Dados, blogue da Petrobras que, no passado, desmoralizou parte da mídia tradicional ao fazer o enfrentamento não só na área da comunicação, mas também o embate político para desmentir o que revistas e jornais costumavam falar sem a devida contra-argumentação. No ano passado, em entrevista a blogueiros, o ex-presidente Lula chegou a questionar: onde está o blogue da Petrobras? Até hoje a pergunta está no ar.

Optar pelo não enfrentamento e deixar a Petrobras ao bel prazer da narrativa da mídia tradicional, que bate na companhia há um ano, é abrir mão não apenas da disputa política, mas deixar que se desconstrua toda uma estratégia de Estado erguida há anos. Ainda há tempo para reagir, mas, hoje, mais um 7 a 1 se desenha.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A “continha” da Globo e dos sonegadores daria para muitos “padrões Fifa”

soneg


Os Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional anuncia que vai estacionar, hoje, diante do Congresso, um caminhão com um painel onde se poderá ver o “Sonegômetro”, um painel onde ser mede o que perde o Brasil com a sonegação de impostos.
O valor, hoje mais cedo, já passava, este ano, de R$ 304 bilhões. Como se vê, aquele um bilhão do processo “sumido” da Globo não está só, está e muito mal acompanhado.
Zerar a sonegação de impostos é uma utopia – embora nisso, como em tudo na vida, devamos sempre perseguir as utopias – mas é possível ver o que uma redução neste ralo fiscal pode produzir para o país.
A discussão, porém, é boa e essencial para o país, porque vai muito além do moralismo e tem a ver com a necessidade de financiar necessidades imensas com os recursos gerados por uma economia que precisa, para isso, crescer sem parar.
Porque  você  sempre lê e ouve falar que a carga tributária do Brasil é uma das mais altas do mundo, mas isso não se reflete em serviços públicos de qualidade – padrão FIFA, para usar o mote das recentes manifestações.
carga
Mentira, verdade?
Ambas.
Na imagem ao lado você vê o ranking dos países em matéria de peso dos impostos sobre a economia.
Estamos, sim, acima de muitos países em desenvolvimento e não muito distantes de outros, desenvolvidos.
E, como somos a sexta ou sétima economia do mundo – dependendo dos critérios de medição – 34,4% disso é muito dinheiro, certamente.
Com que critérios e se há justiça tributária na distribuição deste sacrifício pelas diversas camadas sociais  – e não há, porque um estudo do IPEA comprova que a carga para os mais pobres chega a 54% da renda, enquanto os que ganham mais de 30 salários-mínimos ficam com 29% – é outra discussão, que vamos travar em mais adiante.
O que vai se fazer agora é um raciocínio simples, embora raramente visto na imprensa.
É o quanto por habitante isso representa, na hora de provê-los de serviços públicos essenciais.
Se somos a sexta economia, logo à frente do Reino Unido, ambas com PIB girando em torno de US$ 2,4 trilhões, a coisa muda completamente de figura quando se divide essa riqueza pelo numero de habitantes.
Nos números do Fundo Monetário Internacional, enquanto os britânicos ficam em 22lugar, com US$ 38,6 mil por cabeça, nós despencamos para a posição com US$ 12,8 mil. Considerada a paridade de poder de compra, ou o valor  corrigido pelos preços internos, baixamos ainda mais, para 78o  lugar.
Se aplicarmos a percentagem da carga tributária sobre este “PIB dividido” igualmente, teremos o seguinte:
Um britânico “paga” aos seus governos (nacional, estadual e municipal) 39% de seu PIB de US$ 38,6 mil. Paga, portanto, US$ 15 mil para ter hospitais, policia, escolas, estradas, etc…
Já o brasileiro, como 34,4% de carga tributária sobre um PIB de US$ 12,8 mil, “paga”, pelos mesmos serviços, US$ 4,4 mil.
Menos de um terço, portanto.
E se considerarmos que o Brasil ainda é um pais onde há muito por fazer, por conta de nosso atraso histórico, enquanto os ingleses já têm um pais “pronto”, a diferença se torna muito maior.
É claro que eficiência no uso do dinheiro público, combate à corrupção e, sobretudo, à sonegação de impostos podem contribuir em muito para otimizar a aplicação dos recursos coletados em impostos que, como vimos, podem ser altos no valor absoluto, mas modestos em relação ao per capita de outros países.
Mas o essencial, no Brasil, é que não se abandone nunca o foco em que, para destinarmos mais recursos para os serviços essenciais, não se pode deixar o país descarrilar de dois trilhos: crescimento econômico e justiça social.
Sem o desenvolvimento, não há como ter justiça na pobreza.
Com pobreza, não existe possibilidade de crescer, e a história já demonstrou isso.
Por: Fernando Brito

segunda-feira, 29 de julho de 2013

'FOLHA' E O AGENDAMENTO CONSERVADOR DO PAÍS.


*Tarso Genro: o centrão está vencendo a agenda pós-protestos.

* Santayana: Papa rejeita desqualificação da política festejada pelo conservadorismo.


 Editorial da Folha deste domingo, ‘Mitos das Redes Sociais',  exercita o malabarismo dissimulatório típico de um poder declinante, que pretende estender a vida útil cerceando o curso da história. No caso, trata-se de desqualificar ‘a forma de  jornalismo' praticado nas redes  sociais -- "mais sujeita a falhas do que as já frequentes no jornalismo profissional", diz o texto, com o intuito de induzir cerceamentos no Marco Civil da Internet, a ser votado em agosto. É forçoso lembrar. Trata-se do editorial de um veículo que, em 2009, deu veracidade a uma ordinária falsificação de documento da polícia política da ditadura, de modo a atingir a então pré-candidata, Dilma Rousseff. Não foi um ponto fora da curva (confira-se nesta pág, a manipulação grosseira de indicadores de pesquisa eleitoral em manchetes recentes da UOL/Folha). Se o interesse é assegurar a formação do discernimento crítico da sociedade, não serve a disjuntiva que  respinga do editorial, centrada na suposta supremacia de um modelo de mídia que pressupõe o monopólio da informação. O que está em disputa, na verdade, é uma questão política de relevância decisiva dos dias que correm e naqueles que virão:  o agendamento político do país. Aquilo sobre o que o Brasil deve e não deve discutir; pode e não pode cogitar. Hoje,  meia dúzia de corporações determinam os limites desse gradiente.(LEIA MAIS AQUI)




BERZOINI CRITICA BLINDAGEM DA FOLHA A ALCKMIN






quinta-feira, 5 de julho de 2012

COLONISTA AMESTRADO E FARSANTE



MERVAL IMORTALIZADO PELA FARSA
Já que está tão indignado com a crise das alianças, “que explicita uma maneira de fazer política que não tem barreiras morais e contagiou toda a política partidária, deteriorando o que já era podre”, MERDAL Pedreira poderia expor os bastidores da campanha que o levaram a ser um “imortal” da Academia Brasileira de Letras (ABL), desbancando ninguém menos do que o talentoso e de respeito internacional, escritor baiano ANTONIO TORRES. Ou será que a “poderosa” REDE GLOBO não se meteu nesta eleição? O QUE A GLOBO OFERECEU À ABL? Como se justifica esta autêntica “FARSA HISTÓRICA” com um COLONISTA AMESTRADO que escreveu dois “livros”, um a QUATRO MÃOS com outros da mesma escória, e outro com ENTULHO DE EDITORIAIS encomendados pelos MARINHOS enaltecendo a DITADURA, A PRIVATARIA, esculhambando, denegrindo e achincalhando o ex-presidente LULA e a campeã de popularidade, DILMA?
Pensem numa cena do SARNENTO Ribamar que “derrotou” MARIO QUINTANA - uma das maiores expressões literárias da língua portuguesa – entregando a espada para MERDAL PAULEIRA, que conseguiu mais votos do que o mundialmente festejado ANTONIO TORRES ?!
Onde será que o ‘COLONISTA AMESTRADO DA GLOBO enfiou a espada oferecida pelo SARNENTO MORIBUNDO DE FOGO do Maranhão, Estado mais pobre e vilipendiado do BRASIL?
Fonte: Blog JenipapoNews

@@@@@@

Merval Pereira, “COLONISTA AMESTRADO” dos Marinhos, tão preocupado com a política de alianças nos últimos anos, só não consegue explicar porque o LULA, com a sua “SUCESSÃO DE ERROS”, conseguiu se ELEGER e REELEGER presidente e ainda garantiu a VITÓRIA de sua SUCESSORA, Dilma Rousseff. Isto apesar de toda a campanha de satanização da CACHOEIRA da mídia de ESGOTO DO PIG, a quem ele presta serviços de REPORCAGENS ENCOMENDADAS. (Blog do Miro)

LEIA MAIS: ATURDIDO, NERVAL CANSEIRA SEU ÍDOLO DEMÓSTENES A ALEGAR QUE É DOIDO !

Pensem numa cena do SARNENTO Ribamar que “derrotou” MARIO QUINTANA - uma das maiores expressões literárias da língua portuguesa – entregando a espada para MERDAL PAULEIRA, que conseguiu mais votos do que o mundialmente festejado e respeitado ANTONIO TORRES ?! Onde será que o COLONISTA AMESTRADO DA GLOBO enfiou a espada oferecida pelo SARNENTO MORIBUNDO DE FOGO do Maranhão, Estado mais pobre e vilipendiado (pelo Sarnento) do BRASIL?
“JORNALISTA BANDIDO, BANDIDO É” (Delegado da PF Protógenes Queiroz)


Internet supera a TV no Brasil

 


BRASILEIROS DEDICAM CADA VEZ MAIS TEMPO À REDE E MENOS À PROGRAMAÇÃO DAS EMISSORAS DE TELEVISÃO; FENÔMENO SÓ AINDA NÃO FOI PERCEBIDO PELOS ANUNCIANTES, QUE CONCENTRAM INVESTIMENTOS NA TV ABERTA, ONDE RECEBEM PARTE DO DINHEIRO GASTO DE VOLTA, COMO BONIFICAÇÃO.

 

Um estudo inédito feito pela IAB Brasil em parceria com a Score.com revela que a internet já é a mídia mais consumida no país, hoje com 80 milhões de internautas e crescendo a cada dia.
Segundo o levantamento "Brasil Conectado – Hábitos de Consumo de Mídia", que investigou a importância crescente da web na rotina dos brasileiros, mostra que a internet é considerado o meio mais importante para 82% dos 2.075 entrevistados. As pessoas ouvidas pelo instituto são usuárias da rede, têm entre 15 e 55 anos - 51% homens e 49% mulheres.
Segundo dados do Interactive Advertising Bureau (IAB), mais de 40% dos entrevistados passam, pelo menos, duas horas por dia navegando na internet (por vários dispositivos digitais), enquanto apenas 25% gastam o mesmo tempo assistindo TV.
A internet aparece como a atividade preferida por todas as faixas etárias, de renda, gênero e região quando se tem pouco tempo livre, somando 62%. Em casa, a web é mais acessada em casa pela manhã quando 69% se conectam, 78% também acessam à tarde e 73% à noite. E também é a mídia mais popular em todos os demais lugares como trabalho, escola, restaurantes, shoppings e na casa de amigos.
“Todos os dados confirmam a expansão do mercado, que tende a se acentuar com as iniciativas de ampliação do acesso a banda larga e também ao aumento da base de smartphones. Estamos apenas no limiar de uma grande transformação”, disse Fabio Coelho, presidente do IAB.

O embaixador do golpismo

Bem, com tanta gente sofrendo de insônia, quem sabe agora a Globo não encontre um nicho com o programa da Fátima.— Zhungarian Alatau

 Rubens Barbosa, não por acaso ex-representante tucano em Washington, hoje arranchado em 'consultoria' na Fiesp,é o porta-voz da frente regional pró-golpe paraguaio e a garganta mais ativa pró-livres mercados na região**ao lado de Serra, fez da Fiesp um bunker anti-ingresso da Venezuela no Mercosul**falando pelos cotovelos, vocaliza interesses conservadores locais e americanos e ataca o governo argentino, em conexão com a direita portenha** o Itamaraty silencia. 

Venezuela no Mercosul:
Mujica não é bobo

“O Uruguai não podia vetar o eventual ingresso da Venezuela”, disse Mujica.

Saiu na Folha (*):

Mujica admite que política pesou mais na decisão sobre a Venezuela


“O presidente uruguaio José Mujica disse que “elementos políticos” pesaram mais que “elementos jurídicos” na decisão de aprovar o ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul.

(…)

“Eu sou o responsável [pela posição do Uruguai na reunião do Mercosul] e não o chanceler.

(…)

Em relação ao imbróglio do Mercosul, Mujica disse que, durante a reunião reservada entre os três dirigentes –Dilma Rousseff, Cristina Kirchner (Argentina) e ele– surgiram “novos elementos políticos” que levaram à decisão de aprovar o ingresso da Venezuela.

(…)

Mujica reservou suas palavras mais duras para o Senado paraguaio, que votou pela destituição de Fernando Lugo no final de junho.

“Esse mesmo Senado que há cinco anos (…) [nega] o ingresso da Venezuela ao Mercosul com argumentos imorais e triviais, agora destitui um presidente, o substitui como quem troca de camisa, e desconhece o pedido de mais de uma dezena de chanceleres”, afirmou.

A declaração faz referência à comissão de representantes diplomáticos que procurou se reunir com parlamentares paraguaios antes do julgamento político.

A Venezuela, declarou, “é muito mais que um governo, é uma nação irmã exportadora de energia e compradora de comida. E ficamos muitos anos mendigando ao Senado paraguaio para que permita o ingresso no Mercosul”, acrescentou.

“Em virtude disso, o Uruguai não podia vetar o eventual ingresso da Venezuela, quando foi o parlamento uruguaio que decidiu aprovar sua incorporação”, concluiu.



Sobre a (diria a Folha (*)) alegada crise criada pelo PiG (**) brasileiro em torno da entrada da Venezuela no Mercosul, leia a entrevista de Marco Aurélio Garcia ao ansioso blogueiro.


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

O Zé e o BIS


ANTONIO DELFIM NETTO

Meu compadre Zé, sujeito arretado, trabalhador honesto e temente a Deus, ganha com seu trabalho duro cerca de R$ 1.200 por mês. Pagava R$ 200 de aluguel. Cuidadoso, não tinha qualquer dívida. Não constava nas estatísticas dos bancos e muito menos na de devedores duvidosos.

Foi tentado pelo Diabo. Comprou uma residência no programa Minha Casa, Minha Vida e hoje paga R$ 200 de prestação. De acordo com a mistificação estatística a que todos somos sujeitos, o Zé está agora altamente endividado! Num fechar de olhos, passou de virtuoso não devedor a um suspeito inadimplente potencial que deve 20% da sua renda! Pobre do Zé. Quem mandou ser ambicioso!

Isso não é uma parábola. Há milhares de Zés "exagerando" no crédito porque essa é a sua "riqueza"! Isso impressionou alguns economistas locais e acabou sendo ouvido em Basileia. Foi expresso no relatório anual do Bank of International Settlements, o famoso BIS.

O assunto causou comoção. Os economistas do BIS contam-se entre os mais bem apetrechados do mundo. E justamente. Sempre mantiveram distância da vertigem cientificista. De fato, em 2005/2006, seus trabalhos deixavam claro que a aparente calmaria que o Fed atribuía às virtudes da sua política monetária escondia perigos insuspeitados.

Eles e mais meia dúzia de bons profissionais alertaram para a crise que se construía num sistema financeiro cuidadosamente desregulado em nome de uma suposta "ciência". É preciso, portanto, ouvi-los quando falam.

O aumento do endividamento das famílias no Brasil é mencionado ligeiramente nas págs. 26 a 30 do relatório, sempre com muito cuidado. Não há qualquer observação com conotação negativa. Aliás, a comparação das taxas de crescimento da relação crédito/PIB é tratada corretamente: "O rápido crescimento do crédito não é necessariamente ruim. Os sistemas financeiros de alguns países emergentes ainda são relativamente subdesenvolvidos e muitas famílias e empresas estão fora deles. Assim, o rápido crescimento do crédito pode refletir tanto um desenvolvimento financeiro quanto um excesso" (pág. 28).

Como deveria ser óbvio, o aumento da relação crédito/PIB de 25% para 50% em poucos anos no Brasil não pode e não deve ser considerado um "excesso", porque ainda temos uma das menores bancarizações do mundo. E como aumentá-la senão fazendo o crédito crescer mais do que o PIB?

Houve, seguramente, algum excesso no setor de automóveis que foi agravado pela imbecilidade que atingiu o sistema de leasing. O que ninguém falou é que na pág. 30 do relatório (gráfico III.7) o BIS mostra a higidez do sistema bancário brasileiro.


 
 

segunda-feira, 19 de março de 2012

COLUNISTA ANALFABETA DE ZERO HORA TRIPUDIA SOBRE ERRO NO DIÁRIO OFICIAL


Editora de “Política” e colunista do tabloide venal Zero Hora, do Grupo RBS, Rosane de Oliveira não perde a oportunidade de espicaçar os governos do PT, em qualquer esfera. Moça de recados da direita magoada, ela não se peja de lançar mão de todo tipo de picuinhas e remoques para desgastar as administrações petistas. Nada que lembre aquela jornalista adocicada dos tempos da ré tucana Yeda Crusius, quando praticava um jornalismo hiperglicêmico, de textos xaroposos e laudatórios.
Pois, nesta quarta-feira, a mélea profissional da imprensa gaudéria fez a festa por causa de uma bobagem publicada no Diário Oficial da União, como se vê na imagem acima. A notícia passou o dia inteiro em destaque na capa da edição eletrônica da gazetinha, com espaço aberto à manifestação de leitores selecionados.
O tosco e ocasional equívoco do D.O.U, no entanto, não chega aos pés do besteirol diário produzido pela "mais importante jornalista de política do RS". Se o conteúdo de seus pitéus jornalísticos é invariavelmente caracterizado pela má-fé, a forma como ela os difunde nos veículos em que atua não deixa dúvidas quanto ao apreço que ela tem pela língua-mater. Seu perfil no Twitter, por exemplo, é sério candidato ao Troféu Muar de Gramática Normativa. Veja:
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Sua coluna Página 10 em Zero Hora não foge à regra, como demonstrou o blog Café & Aspirinas nesta postagem

terça-feira, 15 de novembro de 2011

*Polícia dos EUA ataca indignados em todo o país e desaloja o 'Occupy Wall Street' em Nova Iorque (ao vivo: http://occupystreams.org/item/occupy-wall-street-nyc ) ** " Europa vive momentos históricos; podemos regredir 150 anos ou voltar a ter revoluções populares" (Costas Isychos, dirigente da esquerda grega, ao enviado especial a Atenas, Eduardo Febbro, nesta pág)

EUROPA: ORTODOXIA QUEIMA AS CARAVELAS  
Sob intervenção dos mercados financeiros, o programa de austeridade da Itália inclui a demissão de 300 mil funcionários públicos até 2014. Na Grécia, o preposto da banca, Lucas Papademos, deve anunciar em breve o corte de 30 mil empregos, de um lote total de 350 mil demissões no setor público prometidas aos credores. Portugal vive um atoleiro recessivo agravado pelo programa de arrocho do governo direitista que, entre outras extravagâncias, decretou um  aumento unilateral da carga de trabalho dos assalariados, sem remuneração equivalente. A Espanha, nesta 2ª feira, pagou as maiores taxas de juros desde 1979 para conseguir vender títulos públicos aos mercados.Domingo tem eleições para renovar o congresso e escolher o sucessor de Zapatero: o extremismo neoliberal ensaia uma vitória esmagadora, com ampla maioria parlamentar para aplicar um duro programa de arrocho  num país que já acumula cinco milhões de desempregados.

Crise na zona do euro se espalha

Após a Grécia, a Itália passou a ser a bola da vez. Ela é grande demais para ser resgatada pelos mecanismos convencionais. É o maior devedor do bloco, com compromissos de € 1,9 trilhão - valor superior à soma das dívidas de Espanha, Portugal, Irlanda e Grécia - está sendo rapidamente abandonada pelos investidores. Caso não surja rapidamente uma solução para a dívida italiana pode-se prever o esfacelamento da zona do euro e uma crise bancária global. O artigo é de Amir Khair.

A deterioração da situação da zona do euro ganhou dinâmica própria devido ao atraso nas decisões de equacionamento dos problemas enfrentados pelas economias com maiores dificuldades. A Alemanha e outros países mais ricos acham que Grécia, Portugal e Itália gastaram mais do que podiam, e temem que um resgate concedido logo vá reduzir a pressão sobre eles para que mudem de comportamento. Os países devedores, por sua vez, julgam que há um desequilíbrio em toda a zona do euro e que os países mais ricos deveriam consumir mais e exportar menos, para se voltar ao equilíbrio.

Fato é que os governos dos países mais ricos acabaram por deixar que a crise chegasse ao coração da zona do euro e terão agora de encontrar uma resposta imediata sobre se haverá mais recursos para sustentar os países em dificuldades e de onde eles virão.

A solução dos problemas está cada vez mais difícil. O veto da Alemanha de que o Fundo de Estabilização Financeira conte com linhas auxiliares do Banco Central Europeu (BCE) e a negativa de garantias adicionais para elevar os recursos disponíveis deixaram imobilizadas as fontes encarregadas de resgatar títulos soberanos e capitalizar bancos.

Após a Grécia, a Itália passou a ser a bola da vez. Ela é grande demais para ser resgatada pelos mecanismos convencionais. É o maior devedor do bloco, com compromissos de € 1,9 trilhão - valor superior à soma das dívidas de Espanha, Portugal, Irlanda e Grécia - está sendo rapidamente abandonada pelos investidores. O rendimento dos bônus de dez anos do Tesouro italiano subiu para níveis recordes. O terceiro maior emissor de bônus do mundo ultrapassou o limiar já rompido por Grécia, Portugal e Irlanda, e caminha para o mesmo fim. A Itália terá de pagar um preço insustentável para rolar sua dívida e corre o risco de não encontrar compradores para seus títulos, mesmo com alta remuneração.

Caso não surja rapidamente uma solução para a dívida italiana pode-se prever o esfacelamento da zona do euro e uma crise bancária global. Os bancos franceses, bastante expostos à Grécia, têm US$ 366 bilhões em títulos da dívida italiana. A Espanha, cujos papéis também estão sob pressão, provavelmente seria arrastada e com ela, mais créditos de bancos franceses (US$ 118 bilhões).

Diante desses fatos a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, advertiu dia 9 em Pequim sobre o “risco de espiral de instabilidade financeira mundial” se as economias do planeta não reagirem conjuntamente à crise. “Estamos todos no mesmo barco e nosso destino será crescer ou cair juntos”.

Fato é que a crise na zona do euro começa a se espalhar pelo mundo. O primeiro reflexo disso se dá nas bolsas de valores, que vem caindo há algum tempo, pois os investidores estão fugindo do risco procurando aplicações que rendam menos, mas que apresentam condições de resgate favoráveis. O passo seguinte será a crise bancária uma vez que os bancos estão abarrotados de títulos soberanos dos países que já sentem a recessão devido aos pacotes de austeridade impostos pelo FMI, BCE e União Europeia.

Esses pacotes impõem barreiras ao crescimento e sem crescimento econômico não há geração de receita nesses países para poder honrar o pagamento da dívida e o calote é inevitável podendo gerar a quebra dos bancos mais expostos aos títulos soberanos.

Segundo o Financial Times de 4 de agosto, os 90 bancos que fizeram parte do teste de estresse realizado neste ano pela Autoridade Bancária Europeia - considerado brando demais - terão de refinanciar US$ 5,4 trilhões em dívida nos próximos dois anos, ou o equivalente a 45% do Produto Interno Bruto da União Europeia.

A exposição às dívidas soberanas eleva os riscos aos empréstimos interbancários e isso reduz a liquidez do mercado. No dia 7 o BCE tinha US$ 400 bilhões de instituições financeiras que preferem ser mal remuneradas a realizar empréstimos.

A consequência é a retração progressiva dos bancos europeus em seus negócios pelo mundo, já que correm perigo em seus mercados de origem. Isso já ocorreu nos EUA, onde o Fed (banco central americano) detectou que 23% das instituições europeias tornaram mais rígidos os requisitos para emprestar no terceiro trimestre. Isso gera desconfiança e dois terços dos bancos americanos racionaram créditos para bancos europeus e para companhias que têm negócios significativos na zona do euro.

Para os países emergentes, a ameaça é que o financiamento europeu sofra interrupção, o que ainda não ocorreu. Na Ásia, os empréstimos dos bancos da zona do euro suprem 21% do financiamento externo total de US$ 2,5 trilhões. Segundo o Financial Times do dia 8, alguns países são muito dependentes desses recursos, que compõem 52% do funding da Coreia do Sul e 75% do da Indonésia. No Brasil, os ativos das instituições da união monetária correspondem a 73% do total de ativos de instituições estrangeiras, segundo dados do Banco de Compensações Internacionais (Bank for International Settlements) BIS para o segundo trimestre deste ano.

Em sequência à redução dos financiamentos se dá a obstrução do comércio internacional. Devido ao encolhimento das atividades econômicas na zona do euro, o contágio já ocorre. As exportações da China para a União Europeia perderam velocidade e no caso da Itália caíram 18%.

Por outro lado, se não houver uma quebradeira generalizada de bancos europeus, eles terão de fazer negócios com os poucos países que estão crescendo no mundo, os emergentes, já que Europa e EUA perderam o dinamismo e o Japão está estagnado há vários anos. A rolagem dos bônus brasileiros deixou de ser integral, um efeito ainda suave de turbulências que podem ser muito mais destrutivas. As exportações ainda não sentiram o baque, mas isso será apenas uma questão de tempo. A redução do superávit comercial é inevitável, embora não necessariamente drástica.

Não se sabe com que intensidade a transmissão da crise europeia pelos dois canais – comercial e bancário - atingirá o Brasil. A interrupção dos canais de crédito, como em 2008, jogou rapidamente a economia brasileira em recessão. Vínhamos crescendo na média de 4,8% ao ano no período 2004 a 2008 e amargamos uma recessão de 0,6% em 2009, ou seja, o PIB foi derrubado em 5,4 pontos. Para evitar que se repita isso é fundamental estimular fortemente a economia e, nesse sentido o novo salário mínimo e o ano de eleições vão contribuir. O governo acabou de reduzir uma parte da trava ao crédito feito pelas medidas macroprudenciais no final do ano passado e isso também poderá ajudar. Mas são necessários mais estímulos.
(*) Mestre em Finanças Públicas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), consultor.

"Veremos lutas históricas na Europa"

Costas Isychos, membro da Secretaria Política de Synaspismos, partido da esquerda grega, evoca nesta entrevista a tragédia social que vive a Grécia, o temor das pessoas de que se repita aqui a hecatombe argentina e desenvolve a ideia segundo a qual a Grécia está sendo uma espécie de laboratório neoliberal no sul da Europa. "Creio que veremos lutas históricas na Europa. A experiência argentina deixou uma lição positiva: o povo pode derrotar governos que estejam ao serviço do capital financeiro".

Os comunistas e a coalizão da esquerda radical grega não deram voto de confiança para o novo primeiro ministro grego, o banqueiro Lukas Papademos. O Partido Comunista e a Synaspismos são os únicos partidos com representação parlamentar que de modo algum pactuaram com esse OVNI político que tem a forma de um Executivo sob o mando de um banqueiro que jamais competiu nas urnas e no qual o partido da extrema direita grega, LAOS, com apenas 15 cadeiras, entrou com um ministro, dois secretários de Estado e um vice-ministro.

Costas Isychos, membro da Secretaria Política de Synaspismos, evoca nesta entrevista a tragédia social que vive a Grécia, o temor das pessoas de que se repita aqui a hecatombe argentina e desenvolve a ideia segundo a qual a Grécia está sendo uma espécie de laboratório neoliberal no sul da Europa.

Estamos no quarto país da Europa que perde um governo eleito, atingido pela crise, e onde organizam outro governo dirigido por banqueiros. Um mal comum que desembocou em cada caso em uma resposta similar.

Hoje estamos escutando na boca de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy que as eleições são perigosas. Essas coisas eram ouvidas nas décadas de 70 e 80 na América Latina, mas escutá-las na Europa em 2012 é outra coisa. Em resumo, a receita é comum em toda a Europa: Estados mais autoritários, mais selvagens, pacotes de austeridade que condenam ao desemprego e à fome a grande parte dos povos.

Estão nos condenando a uma vida que se parece muito mais a da Europa do século XIX: 14 horas de trabalho diário, um salário mínimo que não ultrapassa os 500 euros, o que é uma miséria porque é preciso levar em conta que, na Grécia, um litro de leite custa três euros. Por isso temos cifras alarmantes, que se parecem com aquelas da Argentina na década dos 90: 20% de desemprego, 48% de desemprego entre os jovens com menos de 35 anos e 9% dos jovens querendo sair do país.

Estamos em uma crise profunda e perigosa. Os aposentados, os empregados, perderam quase 50% de seus ganhos em função das leis votadas pelo governo socialista do Pasok. O ex-primeiro ministro Yorgos Papandreu implementou uma política de austeridade selvagem.

A Grécia é um país sob intervenção do FMI, do Banco Central Europeu, da União Europeia e também de responsáveis políticos que se mostraram muito agressivos, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy. Essa dupla já tem um apelido na Europa: Merkozy.

Sim. Merkozy é atualmente o núcleo político que está ditando todas as políticas neoliberais que estão sendo aplicadas na periferia da Europa, nos chamados Estados PIGS, ou seja, Portugal, Itália, Grécia e Irlanda. Por outro lado, creio que outros países vão se somar a esses, incluindo a França. Mas o concreto é que, neste momento, a Grécia é o laboratório ultra-liberal no canto da Europa.

Nosso novo primeiro-ministro, Lukas Papademos, é uma pessoa que em toda a sua vida cumpriu com seus deveres de servir ao capital financeiro especulativo. Não tem nenhum programa conhecido. A única coisa que diz é que a Grécia tem que seguir por este caminho ultra-liberal. É preciso levar em conta que estamos vivendo momentos históricos nos quais podemos voltar 150 anos ou voltar a ter revoluções populares, muito parecidas com a que ocorreu no Norte da África. As pessoas não querem que a vida mude de uma maneira tão brutal.

Creio que veremos lutas históricas na Europa. Na Grécia, as pessoas têm medo de que se repita aqui a experiência neoliberal da Argentina dos anos 90 com todas aquelas políticas neoliberais que levaram ao abismo e à destruição da Argentina. Mas dessa experiência argentina também ficou uma lição positiva: as pessoas sabem que o povo pode derrotar governos que estejam ao serviço do capital financeiro. Por isso, em muitas das manifestações que ocorrem hoje na Grécia, as pessoas saem na rua com bandeiras argentinas. O povo grego sabe que pode derrubar este mundo selvagem e neoliberal que nos aterroriza.

Por fim, se olhamos os casos da Grã-Bretanha, Espanha e Grécia, constatamos que o socialismo europeu foi mais liberal que os próprios liberais.

É verdade. Temos uma mutação ideológica e política da social-democracia europeia. É importante saber que o ex-primeiro ministro Yorgos Papandreu segue sendo o presidente da Internacional Socialista! A social-democracia europeia passou por um caminho ultra-liberal com privatizações e baixa de salários dos trabalhadores. Tudo o que tem a ver com Estado, com as políticas públicas, as políticas sociais, a saúde pública, a educação, está desaparecendo do mapa ideológico, político e programático da social-democracia grega e europeia. Mas estou convencido de que, com tudo o que aconteceu na Grécia, aqui nascerá um movimento sólido, anti-liberal e progressista que será capaz de mudar as coisas neste país.

Tradução: Katarina Peixoto






(Carta Maior; 3ª feira, 15/11/ 2011)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Bandido de farda?

Em  depoimento, a PF no  dia 5 de abril de 2010 no decorrer da Operação Shaolin, ele afirmou que  seus vencimentos mensais, disse, eram de R$ 15 mil.
No momento em que o ministro Orlando Silva era ouvido na Câmara, o PM João Dias Ferreira reuniu-se com integrantes da oposição, na liderança do PSDB no Senado, para, segundo ele, "pedir proteção de vida". Ferreira afirmou estar sendo ameaçado há dois anos, mas não identificou os autores.

Mais cedo, o PM não havia recusado depor na Polícia Federal, alegando problemas de saúde. Após o encontro com senadores e deputados do PSDB, DEM e PPS,

O PM já responde a um inquérito - que corre em segredo de Justiça - na superintendência regional do Distrito Federal, também por suspeita de desvios de recursos do Ministério do Esporte. A PF informou que o soldado falará sobre as denúncias que fez e não sobre fatos anteriores.

E quais são os fatos anteriores?

O soldado da PM João Dias Ferreira, 39, disse que construiu seu patrimônio com o salário na corporação, ganhos com aulas de defesa pessoal e de artes marciais. Acredite se quiser!

Ele é proprietário de uma mansão em Sobradinho (DF), de carros e de três academias de ginástica. (foto)

Em  depoimento, a PF no  dia 5 de abril de 2010 no decorrer da Operação Shaolin, ele afirmou que  seus vencimentos mensais, disse, eram de R$ 15 mil. Quanto  vale  essa mansão?

Amigo dos tucanos 

Uma das transações imobiliárias que ele relatou foi a troca de uma academia -segundo ele, avaliada em R$ 560 mil- "por quatro apartamentos no Edifício El Shaday em Sobradinho pertencentes ao ex-deputado federal Ronivon Santiago".

Em 1997, Santiago foi pivô do escândalo da compra de votos para aprovar emenda que garantiu a possibilidade de reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Coincidentemente, ontem o João Dias Ferreira reuniu-se com a oposição. o ex-deputado federal Ronivon Santiago , também  foi acusado de envolvimento na máfia dos Sanguessugas. Aquela das ambulâncias dos tucanos

Os podres do PM

Federação chefiada por João Dias é investigada por recebimento de verba pública sem prestação de contas

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) investiga o apoio financeiro concedido pela então Secretaria de Estado de Esporte e Lazer à Federação Brasiliense de Kung-Fu - chefiada pelo militar João Dias Ferreira,, para a realização do projeto "Esporte sem Fronteiras - A Saúde em Primeiro Lugar". Em setembro de 2002, foram repassados R$ 95 mil

À época, a entidade tentou comprovar a execução do projeto, apresentando uma prestação de contas dos recursos recebidos, mas a documentação foi considerada incompleta. Não havia demonstração do pagamento da única nota fiscal apresentada e também não foram entregues o extrato bancário para demonstrar a movimentação dos recursos nem os documentos confirmando a realização do projeto.

O TCDF imputou a responsabilidade pelo prejuízo causado aos cofres públicos do Distrito Federal, de forma solidária, à Federação Brasiliense de Kung-Fu e ao presidente João Dias Ferreira. Também foram considerados responsáveis pelo prejuízo, a então Diretora de Apoio Operacional da SEL, o então Chefe de Gabinete da SEL e o então secretário, por terem autorizado a emissão de nota de empenho, efetuado o pagamento e ratificado a inexigibilidade de licitação em favor da federação.

A Corte determinou a citação dos responsáveis para que apresentem defesa num prazo de 30 dias ou recolham o débito (atualizado monetariamente) aos cofres públicos.

Portas fechadas para combinar derrubar o ministro

João Dias reuniu-se, ontem, a portas fechadas com parlamentares da oposição no Congresso . Logo depois, em entrevista coletiva, repetiu a versão de que o ministro estaria envolvido num esquema de corrupção na pasta.

A reunião com membros da oposição aconteceu no horário em que Dias daria depoimento à PF.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Dirceu: Congresso é que vai promover a Ley de Medios

Cardozo, Dirceu e Bernardo são do PT

O ex-Ministro José Dirceu deu uma entrevista a este ansioso blogueiro, que vai ao ar nesta terça-feira, na Record News, às 22h15, logo depois do programa do Heródoto Barbeiro.

Dirceu tratou da invasão de domicílio praticada pela revista Veja e das providências que pretende tomar.

Este ansioso blogueiro contrastou a decisão do Congresso do PT, que defendeu uma Ley de Medios, com o acelerado recuo do Ministro Bernardo, que evita passar perto do controle remoto para não tirar da Globo.

José Dirceu disse e repetiu que a discussão e a decisão se travarão no Congresso Nacional.

Dirceu enfatizou: a batalha se travará no Congresso.

Este ansioso blogueiro desconfia que José Dirceu não é do tipo de acender fósforo sem charuto (de preferência cubano).

O que ele diz costuma ter variadas camadas geológicas.

Lá embaixo, na antepenúltima camada geológica, este ansioso blogueiro recolheu a seguinte suspeita:

Quem não aguenta mais a ditadura da Globo e os crimes da Veja é o Congresso.

E no Congresso é que a cobra vai fumar.

Em tempo: o ansioso blogueiro perguntou a Dirceu se o Zé Cardozo – clique aqui para ler por que o tratam como Zé – e o Bernardo são do PT.

Já que o Cardozo não se coçou quando a Veja invadiu o domicílio do José Dirceu no hotel Naoum.

Nos dois casos, a resposta de Dirceu foi afirmativa.

- Cardozo e Bernardo são, sim, sem dúvida, do PT !


Paulo Henrique Amorim

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Como aguentamos não fazer nada?

Duas coisas com as quais não me conformo: escrever sem trema e ter que assistir a este país ser esbofeteado por verdadeiras quadrilhas que, com dinheiro do povo doado pela ditadura militar, auferiram meios de manipular a vontade eleitoral dos brasileiros e as próprias instituições, para tanto se valendo de farsas como a que a revista Veja publicou em sua última edição.
Sinto-me um parvo tendo que me limitar a espernear neste blog. A cada nova farsa político-partidária das quatro famílias que controlam a mídia, percebo que só fazem isso porque ninguém toma atitudes além da de protestar na internet. Fico pensando se essa passividade dos que entendemos o que elas pretendem (reverter o processo de redistribuição de renda em curso no Brasil) não permitirá que tenham êxito.
A conduta da Veja é uma bofetada na sociedade brasileira. Uma farsa tão escandalosa como a que tentou tirar da cartola um escândalo baseado apenas em opiniões de uma empresa não deve ser avaliada pelo alvo, o ex-ministro José Dirceu, mas pelo que representa: uma corporação fabricar uma “realidade” a seu bel prazer e ao arrepio da lei.
Vejam bem: a questão não é Dirceu ou não Dirceu, mas o ato praticado contra ele. Até porque, não prejudicou só ao ex-ministro. Os hóspedes do hotel Naoum e até os proprietários do estabelecimento foram expostos aos métodos da Veja. Cada um de nós poderia estar entre essas pessoas.
Não sei como agüentamos não fazer nada além de cobrar de políticos covardes que tomem uma atitude e proponham leis para a comunicação que existem em todos os países civilizados mesmo sabendo que nada farão porque se borram de medo do poder que a ditadura militar concedeu a essas famílias midiáticas.
Sabem o que irá decorrer desse caso envolvendo a Veja e José Dirceu? Nada. O processo irá se arrastar na Justiça por anos a fio e o governo continuará fugindo da obrigação de dotar o país de uma legislação que impeça que um dono de um império de comunicação viole os direitos das pessoas, agindo como se tivesse mais direitos do que o resto da coletividade.
Não dá para aceitar mais que esse tipo de coisa continue acontecendo em um país que pretende se tornar uma potência social, econômica, cultural e até tecnológica. Enfim, um player global e uma terra de justiça e igualdade.
A covardia vai se consolidando como uma característica deste povo. Sempre estamos empurrando a terceiros as nossas responsabilidades. É muito bonito bradar contra aquilo que está errado, mas é patético fazer isso exclusivamente sentado diante de um computador.
E para quem, como este blogueiro, sabe como nossos vizinhos latino-americanos são corajosos e determinados, a situação é ainda mais intolerável.
Estou analisando caminhos para uma reação. Pode não dar certo, pois certamente será necessário que bastante gente se engaje e é justamente aí que a porca torce o rabo. Mas há que tentar. Sempre, mesmo correndo o risco de fracassar. Há que falar e escrever muito, sim, mas é imperativo tentar agir concretamente. Isso é exercício da cidadania.
Não podemos aceitar passivamente que essa gente, além de tudo, também se organize em movimentos para defender nas ruas os crimes das famílias midiáticas. Além de ter todos os grandes meios de comunicação, a direita midiática agora está se organizando para fazer sem causa o que deixamos de fazer tendo a melhor das causas.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Bom mesmo foi o BNDES pagar pela privataria tucana


Você que acreditou na lorota de que o BNDES se associar à fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour equivaleria a “dar” dinheiro ao bilionário Abílio Diniz, tem que saber de uma coisa: a mídia que bombardeou a tentativa do governo de impedir que o setor supermercadista caísse nas mãos do Walmart e que tal setor passasse a ser inteiramente controlado por estrangeiros é a mesma que apoiou que o mesmo BNDES financiasse a privataria tucana.
No caso do setor elétrico, o aporte do BNDES foi de 100% e a compradora AES, por exemplo, não pagou em dia nem a primeira prestação. Ao longo dos oito anos de mandato de Fernando Henrique Cardoso, as privatizações somaram 78,61 bilhões de dólares e os investidores estrangeiros contribuíram com míseros 53% do total. Essa revoltante privataria feita com dinheiro público ainda atingiu o sistema Telebrás e a mineradora Vale do Rio Doce.
Enquanto a mídia alegava que as negociatas eram sinônimos de “modernidade”, tratava de aproveitar a moleza tucana comprando o que era privatizado. O Estadão, por exemplo, comprou parte da operadora de celulares BCP,  hoje Claro, valendo-se do BNDES, é claro. Alguém consegue imaginar maior falta de ética do que um órgão de imprensa defender furiosamente política pública que o beneficiava alegando agir em nome do “interesse público”?
De qualquer forma, agora é tarde. O negócio foi para o brejo. O Walmart deve comprar o Carrefour e, assim, controlará ao menos 40% do setor supermercadista. E o que é melhor – para os americanos: sem que o Estado brasileiro ou qualquer grupo privado nacional possam interferir nas compras, que serão direcionadas a produtos estrangeiros em detrimento da indústria nacional, sem falar nos lucros de setor tão dinâmico que voarão para o exterior.
O prejuízo para o país é incalculável. Sobretudo para o trabalhador do setor, porque todos sabem como a mega transnacional Walmart trata seus empregados. E, como noticiou o portal Terra, o Walmart já anunciou que, a partir do ano que vem, tratará de comprar o que resta da concorrência de peso, o que fará surgir um gigantesco oligopólio que materializará as previsões sombrias daqueles que embarcaram na lorota da direita midiática.
Blog Cidadania-Eduguim

quinta-feira, 17 de março de 2011

O espectro Lula


16/03/2011

O anticomunismo é o ultimo refúgio das elites brasileiras em pânico. Cada vez que vêem seus interesses e seus privilégios em perigo, apelam para o expediente do “espectro do comunismo”. Foi em seu nome que se fizeram as piores coisas na história brasileira, incluído o golpe de 1964, perpetrado pelo suposto risco que o comunismo traria para a democracia, para instaurar a pior ditadura que o Brasil já conheceu.


Por que se apela de novo para o “espectro do comunismo”? Porque essas mesmas elites passaram do desespero ao desalento, ao verem seus candidatos serem derrotados pela terceira vez em seguida e se darem conta que o país – que sempre consideraram deles – escapar entre seus dedos.

O fantasma que assusta as elites dominantes se chama Lula. Conseguiram contorná-lo por muito tempo, até que o fracasso do presidente dos seus sonhos – FHC – acabou abrindo espaço para que Lula fosse eleito, em 2002.

Lula começou sob os olhares confiantes dos que consideravam que ele não seria capaz de controlar uma herança econômica de depressão profunda e prolongada, além de descontrole inflacionário, endividamento alto, déficits da balança comercial e de pagamentos, reservas baixas e cartas de compromisso assinadas com o FMI que comprometiam a soberania nacional e a possibilidade de fortalecer o Estado e desenvolver politicas sociais.

Em seguida, quando se deram contra das precauções com que o Lula assumia, passaram a atacá-lo por supostamente tomar de assalto o aparelho de Estado pelos partidos de esquerda, pelos sindicatos. Tentaram a derrubada do governo em 2005, mas ao temer as reações populares, trataram de deixá-lo sangrar até ser derrotado nas eleições de 2006.

Derrotados, o editor chefe de um dos jornais da direita dava murros na mesa enquanto andava, raivoso, em torno dela, na reunião do comitê de redação da empresa, gritando: “Onde é que nós erramos. Onde é que nós erramos?” (O mesmo personagem que tinha interpelado Lula em almoço na redação da sua empresa sobre como ele pensava governar o Brasil, se não sabia falar inglês?)

Tiveram que conviver com o Lula por dois mandatos e, pior (para eles), um presidente que foi recebendo apoios populares de forma crescente e inédita, na mesma medida em que a velha mídia perdia credibilidade e audiência. E passava a diminuir, pela primeira vez, a desigualdade que as elites tinham produzido como característica marcante do Brasil, rompendo com todos os dogmas que essa mesma elite jurava que eram inalteráveis.

O espectro que assusta as elites dominantes hoje, no Brasil, não é outro, senão o espectro Lula. O das camadas populares que passaram a ter seus direitos minimamente garantidos, que passam a ter consciência que um deles pode chegar a governar o Brasil e o faz de maneira incomparavelmente superior do que todos os anteriores representantes daquelas elites.

Lula tira o sono das elites e dos seus ventríloquos na velha mídia. Acreditaram nas pesquisas e se jogaram por inteiro atrás do seu candidato contra Dilma, até que tiveram que se ater à realidade de que o Brasil mudou - apesar deles. Resta-lhes acenar velhos fantasmas como o “espectro do comunismo”, quando o medo deles é do Lula, é medo do povo, é medo da democracia, é medo do Brasil.
Postado por Emir Sader às 11:35