Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Regime instalado pelo golpe já age como ditadura

ditadores

Este post se divide em duas partes para mostrar a você, leitor, como o arbítrio, a violência estatal tomou país. De São Paulo a Brasília, o Estado ataca cidadãos humildes pisoteando as leis e o Estado de Direito.
A primeira parte se refere à barbaridade que acaba de ocorrer na capital paulista, prova de que o país vive uma ditadura
Três pessoas ficaram feridas na tarde da última terça (23) durante ação determinada pelo prefeito de São Paulo, João Doria, para demolir imóveis na região da cracolândia, no centro de São Paulo. As vítimas foram levadas a hospitais da região com ferimentos.
Uma escavadeira da prefeitura deu início à demolição de uma pensão da alameda Dino Bueno, em Santa Cecília, por volta das 14h, com moradores ainda dentro.
O Blog da Cidadania esteve na região no dia seguinte para conferir a afirmação maluca do prefeito João Doria de que teria conseguido “acabar com a Cracolândia” só porque mandou a PM e a Guarda Civil Metropolitana maltratarem aqueles pobres coitados.
Na verdade, é uma falácia de Doria. Quando Gilberto Kassab foi prefeito de São Paulo ele fez a mesma coisa que Doria. Mandou bater nos dependentes de Crack e fazê-los caminhar pelo centro velho de São Paulo. A PM chamou aquele ato de selvageria de “operação dor e sofrimento”, que pretendia impor às vítimas do crack. Foi em janeiro de 2012.
Como se não bastasse, Doria expulsou pequenos comerciantes pagadores de impostos sem nenhum aviso prévio, o que, aliás, segundo um promotor do Ministério Público é ilegal.
O promotor da área da saúde, Arthur Pinto Filho, vinha conversando com a gestão João Doria (PSDB) nos últimos dois meses sobre a formatação do atendimento aos viciados da cracolândia. Ele diz ter sido surpreendido no domingo (21) com uma operação totalmente diferente do combinado.
O membro do Ministério Público classificou a ação como uma “tragédia” e “selvageria” e afirmou que Doria será acusado por “improbidade administrativa”.
Mas alguém acredita que uma ditadura vai punir atos de violência dos seus esbirros?
Assista o vídeo e confira como Doria enganou – ou tentou enganar – os paulistanos com uma decisão irresponsável como aquela. E, mais do que isso, como esse esbirro da ditadura usa violência para resolver tudo.
Já o “presidente” Michel Temer  convocou tropas das Forças Armadas para manterem Brasília sequestrada até o próximo dia 31. Na prática, a medida institui estado de sítio na capital do país.
Temer, como se sabe, é investigado no Supremo Tribunal Federal por obstrução da Justiça, corrupção e organização criminosa. Uma das acusações contra ele é de ter silenciado diante da confissão de crimes pelo empresário Joesley Batista.
Nada disso o impediu de atiçar seus brucutus contra cidadãos que exerciam o direito de manifestação.
Mas isso não é o mais grave: manifestantes flagraram agentes da PM infiltrados entre os manifestantes. Suspeita-se de que podem ter promovido atos de vandalismo como incêndios para dar desculpa à PM para atacar os manifestantes.
Assista ao vídeo.
O país começa a perceber que o golpe foi golpe e que golpes invariavelmente são sucedidos por ditaduras.
O STF, a imprensa e até comandantes das Forças Armadas já se assustam com o ímpeto ditatorial dos golpistas disfarçados de chefes do Poder Executivo. Em um cenário como esse, só eleições diretas podem resgatar a imagem do país diante de seu povo e do mundo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Para ajudar Temer, PM e Datafolha não apuram tamanho do protesto em SP

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A principal diferença do mega protesto contra Temer que aconteceu ontem em São Paulo para os protestos de esquerda ou de direita que vêm ocorrendo na avenida Paulista nos últimos anos é a ausência de divulgação do público que lá esteve.

Desde 15 de março do ano passado a Polícia Militar e o instituto Datafolha promoveram uma guerra de público entre os protestos pró e anti Dilma. No último domingo, porém, tudo mudou. Não só a PM não divulgou estimativa de público como o Datafolha nem deu as caras no protesto.

Mas as omissões na estimativa de público – adotadas pela PM e pela Folha com o óbvio intuito de não complicar a vida de Temer após ele ter qualificado como “mínimos” e “feitos por 40 pessoas” os protestos contra si –, infelizmente, não se resumiram ao tamanho da manifestação de domingo.

Em 4 de setembro de 2016 o golpe tomou outro rumo. Além da censura nas tevês, jornais e portais de internet ligados aos impérios de mídia, que fizeram malabarismos incontáveis para esconder o tamanho incrível da manifestação – que tomou parte da avenida Paulista, parte da avenida Rebouças e parte da avenida Faria Lima –, o ataque gratuito da PM aos manifestantes coloca a situação política do país em outro patamar.

Antes de prosseguir, assista a vídeos que mostram a situação explosiva que a ditadura Temer está construindo no país. Os ataques sem razão aos manifestantes escancaram o caráter ditatorial do grupo político que usurpou o poder no Brasil.

Eu e meu grupo já deixávamos a manifestação quando as bombas começaram a cair. Felizmente, já estávamos longe.




Senador Lindbergh Farias, o professor Roberto Amaral (77 anos) e o deputado Paulo Teixeira foram atacados pela PM


A grande diferença dessa manifestação para as anteriores, portanto, não é só o tamanho – jamais a esquerda tinha conseguido manifestação tão grande e absolutamente espontânea desde o início da crise política –, mas clara tentativa da PM de anular direitos garantidos pelo artigo 5º da Constituição Federal, o direito de reunião e manifestação.

O primeiro passo, pois, está sendo tomado pelo Senador Lindbergh. Hoje, será divulgado à imprensa denúncia que será feita à Organização dos Estados Americanos contra o regime temerário. Confira convocação de coletiva convocada para esta segunda-feira.

DEPUTADO PAULO TEIXEIRA E SENADOR LINDBERGH FARIAS CONVOCAM PARA COLETIVA SOBRE REPRESSÃO À MANIFESTAÇÃO DESTE DOMINGO
Alvejados com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo disparadas pela Polícia Militar no Largo da Batata, os parlamentares do PT falarão à imprensa no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo nesta segunda-feira às 12h.
O Sindicato fica na Rua Rego Freitas, 530, República.
Os manifestantes já haviam encerrado seu percurso quando policiais militares passaram a lançar bombas sobre a multidão. “É uma vergonha essa Polícia Militar. Nós vamos denunciar o governador Geraldo Alckmin à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA”, disse o senador Lindbergh.
“O ato foi extremamente pacífico, mas eles querem acabar com essa cena como que para dar um recado para as pessoas não virem; e elas virão cada vez mais para esses atos. A polícia está despreparada para sua função e para sua missão”, afirmou o deputado Paulo Teixeira. Aos 76 anos, o professor Roberto Amaral, ex-presidente nacional do PSB, foi atingido por estilhaços. “É uma provocação estúpida, desumana, covarde, fascista”, disse Amaral.
A denúncia a organismos internacionais é vital, já que as instituições estão controladas pelos golpistas. Ainda assim, não se pode deixar de considerar medidas junto ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria Geral da República, já que há suspeita contra o Judiciário Paulista, aparelhado pelo PSDB.

Outro passo importantíssimo é a melhor organização das manifestações, com a formação de grupos para identificar e expulsar infiltrados que possam quebrar alguma janela, dando desculpas à PM para atacar, mutilar e eventualmente matar manifestantes, como já começa a acontecer.

Não nos enganemos: golpes geram ditaduras, e o golpe parlamentar recém-desfechado já gerou a sua. Precisamos nos organizar de acordo. É preciso montar equipes para registrar os abusos das forças de repressão de forma a embasar a denunciação do regime aos organismos internacionais.

Após o que aconteceu no último domingo em São Paulo, não há mais dúvidas. Resta agora combatermos em todas as frentes. Além das atuações nas instâncias supracitadas, é preciso, também, disputar eleitoralmente com os golpistas. Nesse aspecto, a eleição municipal na capital paulista reveste-se de grande importância.

Eis por que sou candidato a vereador de São Paulo. Apesar de saber que é muito difícil alguém se eleger pela primeira vez, sem praticamente dinheiro nenhum e sem nem ser suficientemente conhecido, candidatar-me é outro serviço que presto à sociedade, pois estou ajudando a barrar a ascensão do fascismo na maior metrópole brasileira, onde a luta pela democracia é mais renhida.

Diante disso, concluo a matéria aludindo a essa questão. No domingo, durante os protestos, o presidente da CUT, Wagner Freitas, e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) também manifestaram apoio à minha candidatura. Confira os vídeos.

Brasileiros reagem a Temer e enchem página do G20 com #ForaTemer





temer china
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Nos últimos dias, Michel Temer vem atacando os manifestantes que protestam com seu governo, contrastando com a forma respeitosa com que Dilma Rousseff tratava os que discordavam dela quando ainda estava na Presidência.
 
Forma de Temer encarar protestos contra si

temer china 1
Forma de Dilma encarar protestos contra si
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A atitude de Temer não apenas choca pela falta de respeito com as manifestações populares – o que mostra a diferença de espírito democrático entre a presidente derrubada e o usurpador que tomou seu lugar –, mas por seu alheamento da realidade, haja vista que as manifestações contra si estão longe de ser pequenas e, além disso, estão crescendo em público a cada dia.

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Porém, essas manifestações de desrespeito podem lhe custar caro. Na página do Facebook do encontro do G20 na China, por exemplo, milhares e milhares de brasileiros estão colocando comentários em cada post com palavras de ordem e memes contra Temer.

temer china 4

Mas o pior (para o golpista-mor) não é isso. Ele deu essas declarações (inaceitáveis para um democrata e um homem público) sobre os protestos contra si na véspera de um ato dominical na avenida Paulista que, inclusive, o governo do Estado de São Paulo tentou impedir.


Pode até ser que muitos dos que estão revoltados com Temer deixem passar a provocação, mas nenhum político inteligente insultaria parcela da população que talvez possa a ser minoritária, mas que está longe de ser pequena. Neste domingo veremos.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Protesto em velório de ex-presidente do PT decreta falência moral do país

selvageria

Próximo do funeral do ex-presidente do PT José Eduardo Dutra, em Belo Horizonte, um carro passou rápido e jogou papéis criticando o PT; um dos panfletos diz ‘petista bom é petista morto’, e, em um outro, a frase ‘só faz cagada’ sobre foto de Dilma sentada em um vaso sanitário.
Fonte do Blog diz que a chapa do veículo foi anotada.
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Além disso, as pessoas da foto acima foram ao velório do petista agredir Lula.
Não se pode atribuir a grupos isolados esse horror. Essas pessoas só fazem o que fazem porque o país vem condescendendo com esse tipo de comportamento.
Um criminoso perigoso ser alvo de um ataque como esse já seria uma selvageria porque ele mesmo, morto, não seria vitimado. Os agredidos seriam seus familiares, mesmo que nada tivessem que ver com as atitudes do falecido.
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Essa falta de limites é culpa de todos nós que vimos tolerando esse tipo de gente sem reação.
A continuar a tolerância com esse tipo de fera humana, a violência moral e retórica logo se transformará em violência física. Não que está já não ocorra, mas ainda é isolada. Porém, a continuidade da impunidade dessa gente a tornará generalizada.
Os facínoras que cometeram esse ato vil, desumano, chocante, tiveram suas imagens registradas. Se a família de Dutra não os processar e se a Justiça não os condenar, um limite perigoso terá sido ultrapassado.
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Nenhum outro tipo de violência poderá ser descartado após um ato como esse. E a pregação de que “petista bom é petista morto” é apologia a violência sem a menor sombra de dúvida.
Querem saber de quem é a culpa por isso? Horas depois da morte de José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, da BR Distribuidora e do PT, Veja o acusou de participar da concepção do chamado ‘petrolão’ (confiraaqui).
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A acusação foi feita com base numa suposta delação do político Pedro Corrêa, no momento em que Dutra não está mais aqui para se defender.
Eis o ovo da serpente.
PS: se este fosse um país civilizado, a ação penal contra esses vermes deveria ser de iniciativa do Ministério Público.
PS 2: assino embaixo da opinião do leitor e acadêmico Marcos Dantas via Twitter: “Si vis pacem, para bellum”. Tradução: se queres paz, prepara-te para a guerra
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PS 3: A polícia militar de Minas Gerais diz que vai investigar quem são os responsáveis pelos panfletos, a partir da identificação do veículo usado no ato de hostilidade

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Lava Jato: demissões, que, no Globo, viram detalhe

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Os efeitos práticos da Operação Lava Jato começam a ser sentidos na economia e na vida real da população brasileira; ontem, trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, que estão com os salários atrasados, fecharam a ponte Rio-Niterói, e protestaram diante da Petrobras; na cobertura do jornal 'O Globo', a ponte se tornou 'refém de um protesto', que não teria sido devidamente reprimido; tom adotado pelo Globo é previsível; irmãos Marinho defendem o fim da política de conteúdo nacional e até a quebra das empreiteiras brasileiras; em artigo publicado na revista Fórum, o jornalista Renato Rovai defende a urgência de que a Petrobras trave a batalha da comunicação em defesa dos empregos; "Optar pelo não enfrentamento e deixar a Petrobras ao bel prazer da narrativa da mídia tradicional, que bate na companhia há um ano, é abrir mão não apenas da disputa política, mas deixar que se desconstrua toda uma estratégia de Estado erguida há anos", diz ele 

Rio 247 - A população do Rio de Janeiro sentiu, ontem, os efeitos práticos da Operação Lava Jato. Funcionários que trabalham nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, fecharam a ponte Rio-Niterói, em protesto contra os salários atrasados. O motivo: uma das empreiteiras envolvidas, a Alumini, foi atingida pela Lava Jato, perdeu o crédito na praça e entrou em recuperação judicial.
Assim como a Alumini, diversas outras empreiteiras, em especial as que tiveram executivos presos (de forma preventiva há três meses), como a OAS, entraram em grave crise financeira e estão demitindo seus funcionários. Estimativas do setor privado apontam que a Lava Jato poderá retirar um ponto percentual do PIB brasileiro em 2015, num ano já tomado por perspectivas sombrias.

Diante do quadro, a narrativa da mídia tradicional tem fechado os olhos para a crise que se avizinha – ou melhor, em alguns casos, até a estimula.

O exemplo mais emblemático é o do Grupo Globo. No fim de semana, os procuradores que conduzem a Lava Jato ao lado do juiz Sergio Moro foram tratados como heróis, em Época (leia aqui). Nesta quarta-feira, a ponte Rio-Niterói, no jornal 'O Globo', se tornou 'refém de um protesto', que, segundo o jornal, deveria ter sido duramente reprimido pela polícia. Eis a chamada de primeira página:

"Sem repressão de agendas da Polícia Rodoviária Federal, cerca de 200 funcionários do Comperj, sem salários desde dezembro, fecharam por duas horas a ponte Rio-Niterói. Milhares de pessoas ficaram presas em engarrafamentos e até ambulâncias não puderam passar na via. Para especialistas, direito de ir e vir foi ignorado."

Para o Globo, o direito dos trabalhadores ao salário, ou dos executivos presos às garantias individuais que garantem a possibilidade de se defender em liberdade, é menos relevante do que o de transitar na ponte. Por trás disso, há também uma batalha ideológica. Os irmãos Marinho, que controlam o Grupo Globo, defendem o fim da política de conteúdo nacional nas encomendas da Petrobras, a abertura do pré-sal a empresas estrangeiras, a substituição de empreiteiras nacionais por firmas internacionais e até a privatização da estatal – objetivos que podem vir a ser alcançados, a depender dos desdobramentos da Lava Jato.

Nesse contexto, é natural que o emprego e o salário do trabalhador brasileiro se transforme em apenas um detalhe. Um incômodo que atrapalha o trânsito.

Batalha da comunicação

Diante de um ano com perspectivas já sombrias para a economia brasileira, o que de pior poderia aconteceria seria a contaminação das expectativas empresariais por demissões em massa no setor empresarial, em especial na indústria naval e do setor de óleo e gás. Em razão disso, 247 republica artigo de Renato Rovai, da revista Fórum, que defende a batalha da comunicação em defesa dos empregos e do interesse nacional:

A Petrobras perde na comunicação. E o Brasil pode perder empregos

Por Renato Rovai

Fórum participou na noite desta segunda-feira (9) de um bate-papo informal promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé com o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Da conversa, que teve pouco mais de duas horas, foi possível colher informações sobre a atual situação da maior empresa brasileira e também uma certeza: a Petrobras está perdendo feio a batalha da comunicação.
Não, o ex-mandatário da companhia não disse isso, mas observando seus argumentos a respeito da crise que ronda a empresa e que é alvo principal da batalha político-midiática que ameaça o governo Dilma, é fácil chegar a essa constatação. Gabrielli discorre com facilidade a respeito de boa parte da pauta repisada por parte da mídia desde o ano passado contra a Petrobras. Não nega que haja problemas, e muitos, mas reivindica que sejam reconhecidos os avanços obtidos nos últimos anos, e pede que não se confunda a instituição com os malfeitores.

Invocou a lembrança da reorientação na direção da companhia no primeiro governo Lula, quando não só houve uma mudança na tendência ao fatiamento da empresa, que rumava em um norte privatista, como também um direcionamento para que a petrolífera passasse a fazer parte integrante das políticas públicas estratégicas do governo, fomentando, por exemplo, o renascimento da indústria naval brasileira.

O renascimento se deu com a instituição da política de conteúdo nacional. Ao invés de encomendar plataformas e outros equipamentos fora do país, a empresa passou a fazer encomendas dentro do país. Política que, agora, se encontra em risco em função da ameaça aos contratos firmados que envolvem a geração de empregos como o que estabelece a construção de 29 sondas com a Sete Brasil, empresa responsável por um programa de 25,7 bilhões de dólares. Como em três dos cinco principais estaleiros e em cinco das oito operadoras de sondas as sócias são empreiteiras envolvidas na Lava Jato, a execução do programa, que teve uma proposta de financiamento adiada pelo BNDES na última sexta-feira (6), está em risco. Estima-se em 149 mil os empregos diretos e indiretos envolvidos na construção das sondas (ver mais detalhes em matéria aqui).

O fato, reforçado por Gabrielli, mas não só por ele, é que o impacto da redução dos investimentos da Petrobras sobre a economia em 2015 pode ser um aumento do desemprego e a redução do PIB brasileiro. A médio prazo, a política de conteúdo nacional fica comprometida. Combinando-se uma política de contenção fiscal e elevação de taxa de juros, o resultado certo é uma recessão durante o ano.

E um dos grandes problemas, e isso é conclusão de quem escreve, é que o governo não tem a clareza para se expressar a respeito da Petrobras e do que ela representa com a limpidez que faz o ex-presidente da companhia em um bate-papo. Ele, aliás, foi o responsável pela montagem do Fatos e Dados, blogue da Petrobras que, no passado, desmoralizou parte da mídia tradicional ao fazer o enfrentamento não só na área da comunicação, mas também o embate político para desmentir o que revistas e jornais costumavam falar sem a devida contra-argumentação. No ano passado, em entrevista a blogueiros, o ex-presidente Lula chegou a questionar: onde está o blogue da Petrobras? Até hoje a pergunta está no ar.

Optar pelo não enfrentamento e deixar a Petrobras ao bel prazer da narrativa da mídia tradicional, que bate na companhia há um ano, é abrir mão não apenas da disputa política, mas deixar que se desconstrua toda uma estratégia de Estado erguida há anos. Ainda há tempo para reagir, mas, hoje, mais um 7 a 1 se desenha.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Complexo de vira-latas: zagueiro dos EUA defende o Brasil de sua mídia

 Autor: Fernando Brito

lalas
É surrealista o que acontece com a Copa no Brasil, na visão da mídia.
Tanto que hoje o ex-zagueiro – e bom zagueiro – da seleção dos EUA Alexi Lalas, um dos destaques da  Copa de 1994, ridiculariza a imprensa nacional com sua cobertura sobre a Copa.
Lalas agora é comentarista de futebol e chegou hoje ao Rio.
Está no UOL.
“Em sua conta no Twitter, Lalas falou bem do aeroporto e ainda brincou com a imagem de violência que ficou ligada ao Brasil nos últimos anos. “Dia 1 no Rio. Eu não fui roubado e meus órgãos não foram arrancados”, disse o ex-jogador. Para Lalas, o serviço de desembarque no aeroporto do Rio de Janeiro foi muito bom. “O aeroporto do Rio foi mais rápido e fácil do que qualquer um nos Estados Unidos. Nós pousamos, passamos pela alfândega e pegamos nossas bagagens em 32 minutos”.
Mesmo assim, a idiotice midiática acrescente um “ainda” ao “não foram roubados”.
Lalas dá uma espanada em O Globo, ao replicar ao jornal: “Desculpe. I was just pointing out how perception isn’t always reality. And a World Cup can help change that.”
“Eu estou apenas expondo como a percepção nem sempre é a realidade. E a Copa do Mundo pode ajudar a mudar isto”
Ah, Lalas, vai falando.
A coxinhagem que frequenta o site do UOL já está chamando você de petista e pedindo que espere o segundo dia…
Nem em inglês eles entendem…

É muita viralatice !
Carcuro respondeu que (...) considera tudo uma campanha do terror que passa a impressão que, por exemplo, o Rio estaria tomado por tropas. Viu um Rio normal e lindo e disse que 40.000 chilenos estão chegando.
E o mais importante: que essa campanha pró terror dói muito nele como Sul Americano e Chileno, um povo irmão e muito amigo do Brasil. Genial. Melhor ainda ver a cara de decepção do Back em não encontrar o eco que esperava.


Agora pouco, no FOX SPORTS, Benjamim Back tentou cooptar o jornalista chileno Pedro Carcuro da FOX SPORTS CHILE na ideia que infelizmente, de acordo com ele, tinha lido em jornais da Inglaterra e Alemanha que era perigoso vir ao Brasil para a Copa por causa da violência e manifestações, coisa que ele concordava. Carcuro respondeu que tinha lido sobre isso e considera tudo uma campanha do terror que passa a impressão que, por exemplo, o Rio estaria tomado por tropas. Viu um Rio normal e lindo e disse que 40.000 chilenos estão chegando.
E o mais importante: que essa campanha pró terror dói muito nele como Sul Americano e Chileno, um povo irmão e muito amigo do Brasil. Genial. Melhor ainda ver a cara de decepção do Back em não encontrar o eco que esperava.
/Dica Roberto Petralha Urbano - https://www.facebook.com/roberto.urbano.5?fref=ufi

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

ATO CONTRA CARTEL PEDE PUNIÇÃO A CORRUPTOS

quarta-feira, 31 de julho de 2013

PROTESTO 'FORA, ALCKMIN' TERMINA EM CONFRONTO

segunda-feira, 24 de junho de 2013

DILMA QUER PLEBISCITO POR CONSTITUINTE EXCLUSIVA

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Autores de enquete anti Lula já fizeram passeatas fracassadas


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Uma notícia se espalhou pelos mais importantes veículos da grande imprensa brasileira no fim de semana: enquete de um Movimento que se intitula “31 de julho” – segundo o site, o nome vem do dia e mês do primeiro ato público do “movimento”, em 2011 – promoveu no Facebook enquete que resultou em “vitória” de Lula para o “Troféu Algemas de Ouro”.
A enquete foi intensamente divulgada por grandes meios de comunicação tais como O GloboCBNFolha de São Paulo e por sites de grupos de interesse político como o site do PSDB e o do ex-governador Anthony Garotinho
Desde o início, um nome liderou a votação: o do ex-presidente Lula, contra quem não pesa ação alguma na Justiça, mas que, na visão dos autores da “enquete” e dos que dela participaram, seria mais “corrupto” do que o ex-senador do DEM Demóstenes Torres, recentemente cassado pela Câmara dos Deputados e que está prestes a ser expulso do Ministério Público Federal de Goiás.
Tucanos como Eduardo Azeredo, acusado principal do inquérito do “mensalão do PSDB”, tiveram votações pífias.
Como se podia prever, a “enquete” redundou na “vitória” de Lula como “o político mais corrupto de 2012”. E, como ocorreu durante a coleta de votos, a iniciativa recebeu grande divulgação da mídia, tendo ido parar até em comentário da CBN que você pode conferir logo abaixo.
O que esses veículos não informaram é que o tal “Movimento 31 de Julho” é o mesmo que, ao longo do ano passado e do anterior, convocou várias passeatas no Rio de Janeiro sob a mesma campanha de divulgação da grande mídia, tendo conseguido reunir na Cinelândia, em 2011, cerca de 2,5 mil pessoas (segundo o site do PSDB – link não funciona, página foi apagada) para protestarem “contra a corrupção”.
No ambiente virtual, porém, o tal “31 de julho” conseguiu um resultado menos ruim que na rua, tendo, segundo seus organizadores, obtido cerca de 14 mil votos no total, 10 mil dos quais teriam ido para Lula. Contudo, esse resultado foi obtido após os organizadores da enquete terem expurgado milhares de votos que disseram que tinham sido falsificados contra o PSDB.
Não houve, porém, qualquer auditoria nem maiores informações da imprensa sobre quem são os organizadores, se os milhares de perfis no Facebook que participaram da enquete são mais reais do que os dos votantes que foram expurgados ou se estes realmente eram falsos.
Seja como for, os fatos acima falam por si. Houve coordenação entre grupos de mídia e o PSDB para divulgar a enquete e, depois, o seu resultado. O site do “Movimento 31 de Julho” praticamente só noticia fatos contra Lula, o PT e “mensaleiros” e a favor de juízes do STF que condenaram os réus da AP470.
Ou seja: quem fez a enquete indicou quem deveria ser o mais votado.
Enquetes assim existem às milhares na internet. Muitas com resultados bem mais expressivos. Aqui mesmo neste blog, um desagravo ao ministro Ricardo Lewandowski alcançou 15 mil manifestações de apoio no Facebook e um desagravo a Lula alcançou 4 mil. E sem uma única menção de grandes veículos da imprensa escrita e muito menos da eletrônica.
É legítimo fazer manifestações contra ou a favor de quem quer que seja. Todavia, quem não conhece o viés político da grande imprensa brasileira não entende por que uma enquete obviamente dirigida como essa ganhou tanta cobertura (de nível nacional), tendo ido parar até na mídia eletrônica. Mas você que lê este blog entende muito bem.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Significado para a democracia, das manifestações populares

ATENÇÃO:
O artigo abaixo não é nenhuma Brastemp, mas, pelo menos, o pessoal da Universidade lááááá, em Port Elizabeth, láááááá na África do Sul, ESTÁ TRABALHANDO na internet, distribuindo pensamento aproveitável, né-não?!

Bert Olivier é professor de filosofia na Universidade Metropolitana Nelson Mandela, em Port Elizabeth, África do Sul

Há alguma justiça histórica em a revista TIME ter escolhido, como “Pessoa do Ano de 2011: O Que Protesta (com subtítulo: “da Primavera Árabe a Atenas, de Occupy Wall Street a Moscou”). O que o editor Richard Stengel escreve, à página 7 da edição de 26/12/2011-2/1/2012), faz eco ao que disse Albert Camus (para todos há um ponto, a partir do qual alguém se rebela e começa a resistir). Stengel escreveu:
“Em todo o mundo, houve protestos em países onde, se se somam as populações, vivem 3 bilhões de pessoas; e a palavra “protesto” apareceu com frequência jamais vista, impressa e online, mais lida em 2011 do que jamais antes em qualquer tempo da história. Haverá um ponto extremo da frustração global? Em todos os cantos, parece, as pessoas dizem “Basta!”. Em todas as reuniões e manifestações estava presente a palavra “democracia”. “Democracia” é palavra derivada de “povo”. Na democracia, o povo governa. E não há dúvidas de que, nas manifestações populares, o povo governou: não pelas urnas, mas diretamente das ruas. Os EUA somos nação que nasceu, que foi concebida, em movimentos de protesto. E os movimentos de protesto são, em vários sentidos, o código fonte da democracia – tanto quanto são prova de que as democracias podem falhar” [TIMES, 14/12/2011, em http://www.time.com/time/specials/packages/article/0,28804,2101745_2102139_2102380,00.html].
Se se lembra o que Hardt e Negri escreveram em Multidão (2005, Rio de Janeiro: Editora Record), pode-se dizer que os protestos que irromperam em 2011 já estavam em formação há algum tempo. Naquele livro, Hardt e Negri listaram e discutiram várias “demandas globais por democracia” no mundo contemporâneo.

Para aqueles autores, as queixas e reclamações que já naqueles anos estavam crescendo e começando a tornar-se visíveis, eram dirigidas às autoridades dos governos e às corporações transnacionais, na tentativa de comunicar várias demandas, todas aplicadas a pontos em que a democracia mostrava-se emperrada – o que, por estranha via, a revista TIME também destaca, mais de dez anos depois da reflexão de Negri e Hardt.

Para Negri e Hardt, em 2005, os protestos que já então se viam em todo o mundo, contra o sistema político e econômico global, podiam ser entendidos como um sinal de que “a democracia não pode ser feita nem imposta de cima para baixo”.

Hardt e Negri listaram três principais queixas e as correspondentes demandas que, para eles estariam mais diretamente relacionadas à democracia e que já em 2005 apareciam recorrentes no quadro das queixas e correspondentes demandas globais em todo o mundo: “queixas contra as formas existentes de representação; queixas contra a miséria; e queixas contra a guerra.” O que aconteceu em 2011 e continua a acontecer parece continuar muito próximo dessas queixas, posições e demandas (mais das duas primeiras).

Deve-se ter em mente também que os tropeços da democracia, para Hardt e Negri, estão inseparavelmente conectados ao que aqueles autores apresentam como conceitos e vocabulário políticos cada dia mais obsoletos, forjados no nascimento da modernidade, e que se tornaram insuficientes para manifestar ou dar forma às novas exigências democráticas no mundo pós-moderno globalizado.
Traçando um paralelo entre o significado social e político dos mais de 40 mil cahiers de doléances (listas de queixas) compilados por todo o território da França e entregues a Luis 14 pouco antes da Revolução Francesa de 1789, e as listas acumuladas de queixas repetidas por muitos – das mais locais às mais “elevadas”, dirigidas aos mais altos níveis do governo, Hardt e Negri observam, em 2005:
“Talvez se possam ver àquela mesma luz os atuais protestos contra a atual forma da globalização; e talvez se possa ler nesses protestos a figura potencial de uma nova sociedade global.”
Creio que a mais recente série de protestos – que sacudiram o mundo em 2011 e envolvem questões políticas e questões econômicas –, confirmam as observações de Hardt e Negri publicadas em 2005 e o acerto daquele insight profundo e certeiro: faz falta ainda um novo vocabulário para os conceitos das lutas políticas hoje renovadas. Esse novo vocabulário é necessário para dar conta das novas queixas e demandas, em tempos que já não falam a língua da modernidade.
O novo livro daqueles autores, Commonwealth (2009), parece antecipar ainda mais claramente e mais diretamente os grandes movimentos populares de protesto iniciados em todo o mundo em 2011 – movimentos que já evidenciam muito claramente a necessidade de um novo vocabulário político, de que Hardt e Negri falavam em 2005.

Para Hardt e Negri em Commonwealth, a noção de que qualquer revolução tenha de ser entendida a partir das forças imanentes da própria revolução, sem que se tenha de ‘ancorar’ as revoluções em princípios transcendentes, já aparecia bem clara nos trabalhos de Adorno e Horkheimer; mas esses teóricos da teoria crítica não conseguiram romper o plano “escolástico” e não extraíram de sua reflexão a conclusão mais radical: não há revolução sem ativismo e ação militantes, propriamente, nas ruas. Para Hardt e Negri, essa teorização radicalmente orientada pela prática apareceria, sim, mas no pensamento de Mario Tronti e de Cornelius Castoriades.

O “novo vocabulário político” que dê conta dos conceitos das lutas políticas hoje renovadas só pode surgir, portanto, no exato ponto no qual se encontrem e se cruzem as teorias revolucionárias e a ação dos movimentos – exatamente o que o mundo viu na Praça Tahrir, no início de 2011.

Em 2009, Hardt e Negri escreveram em Commonwealth:
“A análise tem de mergulhar nas lutas dos humilhados e explorados, porque as lutas são a matriz de todo e qualquer relacionamento institucional e de qualquer figura da organização social (...). A reflexão e a pesquisa revolucionárias têm de seguir as novas formas dos movimentos sociais; a reflexão e a pesquisa revolucionárias têm de ser redefinidas pelas novas formas dos movimentos sociais.”
Todos temos portanto pleno direito de esperar que teóricos e pensadores da filosofia política comecem a deixar-se penetrar pelas lições que nos chegam das revoluções populares em curso em todo o mundo, em todos os pontos onde multidões protestam contra a miséria política e econômica.

Creio firmemente que se pode alcançar compreensão tanto melhor de como a democracia deve ser e deve funcionar no mundo global transformado de hoje, quanto mais sejamos capazes de ver e de analisar o modo como as pessoas estão pessoalmente e individualmente envolvidas nos movimentos de protestos que continuam a alastrar-se pelo mundo.