Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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domingo, 22 de janeiro de 2012

Governo e Justiça de SP têm que ser denunciados à OEA e à ONU



Na manhã de domingo, recebo telefonema de um amigo que me estarrece. A Polícia Militar, ignorando decisão da Justiça Federal, invadiu o bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos. Há relatos de mortes e prisões de moradores.
Incêndios em favelas, violações de direitos humanos na Cracolândia e, agora, genocídio de famílias pobres para devolver um terreno a uma empresa.
Usam um efetivo de quase 2 mil policiais, blindados, helicópteros. A PM fechou todas as ruas do entorno do Pinheirinho para impedir a saída dos moradores. Parte da imprensa foi recebida a bombas.
Os movimentos sociais, sindicatos, OAB e o Ministério Público (que já investiga o governo tucano de São José dos Campos por inviabilizar negociações no Pinheirinho) têm que se unir e denunciar o Brasil à OEA e à ONU contra a ditadura paulista.
Mas o maior responsável é o governador Geraldo Alckmin, que permitiu que a PM agisse dessa forma. As mortes que vierem a ocorrer são de exclusiva responsabilidade dele e da Justiça estadual de São Paulo.
O que está ocorrendo é um crime de lesa-humanidade, um genocídio contra mulheres, crianças e velhos, além dos pais de família que estão tombando em defesa de suas famílias. Não podemos aceitar mais isso.
Declaro que este blog e o Movimento dos Sem Mídia estão à disposição das vítimas da ditadura paulista no Pinheirinho e me proponho a integrar qualquer ação que vise denunciar o Brasil aos organismos internacionais

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Juliana Machado: Varrendo os pobres do centro de São Paulo.‘Extermínio a céu aberto’

Conceição Lemes
Juliana Machado tem 28 anos, é formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), faz mestrado em Sociologia na USP,  integra o coletivo DAR (Desentorpecendo a Razão) e apóia movimentos por moradia.
Na última quarta feira, 11 de janeiro, ela e a colega Dulce Sampaio voltavam para casa por volta de 23h30, quando, passando pela rua Conselheiro Brotero, na Barra Funda, perceberam três viaturas em frente ao número 215.
Pararam. Umas 20 pessoas (uma grávida de quase 9 meses) retiravam seus pertences (móveis e roupas) de dentro da casa, seis eram crianças (de 2 e 8 anos), algumas deitadas no colchão estendido na calçada. Estavam ali há oito dias, vindos da favela do Moinho, após o incêndio que arrasou parte dos barracos.
“Infelizmente, quando chegamos já não havia muito o que fazer – os  ocupantes já estavam do lado de fora do imóvel – nem eles tinham condições de resistir”,  contou-me Juliana.  “Eu e minha colega, como observadora, ficamos para tentar garantir que não haveria a costumeira violência policial neste tipo de ação, e também mediar uma solução coletiva para aquele momento.”
“Sem opção para morar, aguardavam definição da Prefeitura da cidade de São Paulo sobre a promessa de receberem bolsa aluguel de 450 reais por 10 meses, ‘talvez’ a partir de fevereiro”, contaram-lhe. “A casa ocupada estava abandonada há muito tempo. Antes de eles entrarem na casa, um grupo de usuários de crack utilizava o imóvel.”
Juliana permaneceu ali, com eles, até 3h30. Pesquisadora de remoções forçadas,  foi a primeira vez que esse tipo de tragédia urbana bateu à sua porta:
A MAIOR PARTE TINHA SAÍDO PARA TOMAR BANHO QUANDO A POLÍCIA CHEGOU
“As pessoas estavam desesperadas. Àquela hora da noite não sabiam para onde ir e como levar suas coisas, pois não havia carroças/catadores para ajudar. Elas tinham sido avisadas um pouco antes pela PM que teriam que deixar o local, pois o proprietário havia solicitado a desocupação.
A maior parte deles tinha saído para tomar banho quando a polícia chegou. Não houve possibilidade de resistir. Retiraram os móveis pacificamente. A PM alegou que a casa havia sido interditada pela Defesa Civil
Só que, passando por ali diariamente, percebi a colocação de placas de concreto apenas dois dias antes da ação da PM. Havia também três representantes do proprietário. Segundo eles, o imóvel tinha sido comprado recentemente e seria demolido. O que se apresentou como advogado “negociava” com os ocupantes, o pagamento de um carreto para levar as coisas de volta ao Moinho, onde eles ficariam na calçada, embaixo da lona.
Os ocupantes ficaram divididos. Parte queria buscar outro imóvel para o cupar e dormir aquela madrugada. Parte queria voltar ao Moinho. Mas ninguém sabia ao certo como sair daquele impasse, pois naquele horário nem as ocupações no centro os receberiam.
Não houve violência na ação da PM, porém ficou óbvio que estava ali para a defesa dos interesses do proprietário, sem qualquer preocupação com a situação dos ocupantes.
Como um dos prepostos do dono do imóvel, que se identificou como “Pedro”, se recusava a dialogar com os ocupantes, tratando-os como criminosos, a PM passou a mediar a negociação.
Logo um caminhão de lixo da Prefeitura encostou, para carregar os pertences daquelas pessoas e levá-los para a calçada e viaduto entorno do Moinho.
Numa estratégia clara de dividi-los, o representante do proprietário passou a oferecer dinheiro a cada um, separadamente. A uma mulher ofereceu trabalho, a outra pagou R$ 40. Ao final, deu R$ 200 para serem divididos entre as 15 pessoas restantes.
A estratégia de dar alguns merréis funcionou. Não permitiu uma decisão coletiva por parte deles, que arriscaram o pouco oferecido para não sair sem nada”.
SEM ORDEM JUDICIAL NEM CONDIÇÕES DE RESISTIR
“Em diversos momentos, chamei a atenção da PM e dos ocupantes para o fato daquela ação poderia ter acontecido durante o dia e não naquela hora. Só que, na cidade de São Paulo, é praxe a expulsão durante a madrugada, quando , quando já não havia qualquer possibilidade de buscar acolhimento e ajuda.
Não havia ordem judicial para a reintegração de posse, tampouco a PM apresentou o laudo de interdição da defesa civil.
Se a desocupação foi difícil? Não.  A maioria dos ocupantes havia saído do para tomar banho, e os poucos que estavam no imóvel não resistiram ao assédio da polícia”.
INCÊNDIO “CRIMINOSO”, COMO VÁRIOS OUTROS
“Até então, o que eu sabia da favela do Moinho é que a comunidade havia vencido a primeira batalha judicial. Ação do escritório modelo da PUC conseguiu-lhes, em 1ª instância, o usucapião coletivo.  Na prática, essa decisão suspende qualquer possibilidade de reintegração de posse, despejo, remoção por parte da Prefeitura, já que o caso está sub judice.
Só que – de novo, o só que — , no apagar das luzes de 2011, época de Natal/Ano Novo, ocorreu ali um “incêndio”.
Espalhou-se a versão de que uma usuária de crack havia sido a responsável. Em tempos de operação sufoco, é incrível a facilidade de se culpar o lúmpen  do lúmpen, o cidadão   de segunda categoria de tão estigmatizado e rechaçado…
Não acredito nessa versão. Para mim, foi um incêndio “criminoso”, como vários outros que tem ocorrido em favelas de São Paulo nos últimos anos. É curioso verificar que aqui acontecem incêndios quase mensais em favelas, enquanto no Rio de Jane iro, onde tem mais favelas, quase não há registro de incêndios.
Seja como for, o incêndio facilita a retirada gradual dos moradores do Moinho, pois parte deles, sem ter para onde ir, acaba aceitando a bolsa-aluguel de R$ 450 ou o cadastramento em algum programa habitacional. Em ambos os casos em bairros distantes dali. O valor da bolsa não contempla um aluguel para uma família no centro. Um quarto em cortiço, para uma família inteira morar, costuma custar cerca de R$ 800″.
ESTRATÉGIA HIGIENISTA, SIM!
“Vendo a ação policial na Cracolândia, o incêndio no Moinho, as ameaças constantes de despejo das ocupações e cortiços na região central, a presença ostensiva da PM nesses bairros e o grande pretexto da vez – as drogas – são táticas que fazem parte de uma mesma estratégia higienista.
Ou seja,  varrer do centro de São Paulo a população mais pobre e abrir caminho para um projeto de transformação urbana (Nova Luz) que vai beneficiar o grande capital imobiliário, colocando a coisa pública (serviços, transporte, infraestrutura e localização privilegiada) a serviço de interesses privados, em conluio com a Prefeitura da capital e o governo do Estado de São Paulo.
A reurbanização (também chamada revitalização) do projeto Nova Luz pressupõe que não há vida naquele local. Porém, sabemos que os bairros da região são pulsantes de vida, comercio, circulação de pessoas, serviços e equipamentos públicos.  Só que foram abandonados pelos governos da cidade, que deixaram de realizar a zeladoria urbana”.
MAIS UMA FORMA DE EXTERMÍNIO
“Se esse projeto de cidade se concretizar na Luz, pode significar um precedente perigoso e ser aplicado em toda a cidade.
Da mesma forma, o tratamento que está sendo dado aos usuários de crack da região pode, por sua vez, significar o recrudescimento da política de repressão e encarceramento dos usuários de drogas, começando pelos párias que não têm interesse nenhum para o capital. É mais uma forma de extermínio, primeiro a céu aberto, depois em instituições manicomiais.
Na verdade, ação policial na Cracolândia, incêndio no Moinho e despejos de ocupações na região central de São Paulo são formas de extermínio a céu aberto.
Daí a necessidade de articulação rápida entre movimentos de moradia da região central, usuários de drogas, defensores de direitos humanos, entidades, movimentos sociais, etc.  Essa articulação pode ser a trincheira de resistência para disputar este projeto, que já está sendo implementado.Talvez a mobilização social, devidamente unificada, consiga minimizar os estragos que virão”.
Leia também:
Fátima Oliveira: A polêmica da internação compulsória

sábado, 25 de setembro de 2010

O incêndio na Favela do Real Parque


Por Vera
Nassif,
Peço sua ajuda para divulgar. Falei com uma pessoa do Coletivo Favela Atitude que disse o seguinte:
"os bombeiros chegaram com mangueira rasgada e sem água. Ficaram assistindo. O primeiro foco conseguimos apagar, mas o segundo tomou rapidamente tudo. EStamos precisando de coisas para bebês (fraldas, roupinhas, mamadeiras...), cobertor, comida, camisetas, roupas. Muita gente perdeu tudo."
CINE BIJOU SERÁ PONTO DE ARRECADAÇÃO DE DOAÇÕES PARA VÍTIMAS DO INCÊNDIO DA FAVELA REAL PARQUE
Vamos ver como podemos ajudar.
Situação dramática na Favela Real Parque
(Zona Sul de São Paulo)
Na manhã de hoje (24 de setembro) um incêndio devastou
centenas de barracos, da Favela Real Parque
deixando centenas de famílias desabrigadas e debaixo de chuva.
Precisamos de
comida básica,
cobertores e colchões,
roupa de criança.
Ou é possível também entregar na sede do
Coletivo Favela Atitude,
na rua Bourroul, 377.
 

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Isso é Serra e Alckmin: moradora tem seu lar improvisado em favela, incendiado pela 3ª vez em 1 ano




Um incêndio tomou conta da favela da Rocinha em São Paulo, no Parque do Jabaquara, na manhã desta quarta-feira.

Pelo menos 70 barracos e cerca de 300 pessoas foram atingidas, segundo Ailton Araújo Brandão, subprefeito de Santo Amaro.

A moradora Tatiana Regina da Silva, assistia seu barraco em chamas, e contava que perde sua moradia pela terceira vez ao longo de um ano.

Tatiana morava com seus dois filhos e marido há sete anos no mesmo local. Segundo ela, "só deu para salvar as coisas mais importantes como documentos, cobertor e algumas roupas".

Ela morava ali do outro lado da favela, quando o fogo destruiu tudo pela primeira vez.

Nada da turma de Serra, Alckmin e Kassab darem um jeito de reconstruir a área destruída com algum programa de habitação popular.

Então, ela veio para esse barraco. Há oito meses pegou fogo na metade dele. Salvou o que deu, mas teve que continuar morando nele com o que sobrou e refazendo as paredes de madeira que queimaram, porque nada da turma de Serra, Alckmin e Kassab fazerem moradias populares.

Agora perdeu o barraco inteiro de novo, vítima do 3º incêndio.

Os moradores estavam reivindicando uma política de habitação para a favela que existe a mais de 50 anos.

A favela fica próxima ao aeroporto de Congonhas. Serra e Alckmin fazem campanha eleitoral, dizendo sua opção preferencial para melhorar o conforto nos Aeroportos. Ok que os aeroportos que precisam de reforma e expansão sejam atendidos, mas seria bom que São Paulo tivesse um governo que também desse atenção para viabilizar moradias populares no lugar das favelas abandonadas à própria sorte. (com informações do portal Terra)