Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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domingo, 11 de setembro de 2016

Enquanto Lula for elegível, o golpe não estará consumado


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O anúncio da reforma trabalhista do governo Temer – que prevê aumento da jornada de trabalho de 8 para 12 horas – serviu para começar a despertar a sociedade. A proposta caiu como uma bomba e, como de costume, apesar de as medidas terem sido anunciadas pelo ministro do Trabalho, sobreveio desmentido do governo.

Porém, todos sabemos que o ministro falou demais e antes da hora, mas que ele apenas externou os planos do governo.

O anúncio dos planos do governo de piorar as condições de trabalho dos brasileiros, em pleno processo eleitoral, deixou-me bastante surpreso. Não esperava o anúncio das previsíveis medidas de retirada de direitos antes do fim da campanha eleitoral. É por isso que sobreveio o desmentido.

Mas bastou o anúncio da enormidade de aumentar de 8 para 12 horas a jornada de trabalho (sem contrapartida do aumento dos salários) para eclodir forte mobilização dos trabalhadores. Na mesma sexta-feira em que o ministro do Trabalho deu a declaração bombástica foi convocada mobilização com o presidente Lula, com o prefeito Fernando e com a CUT.

O evento ocorreu na quadra de esportes do Sindicato dos Bancários de São Paulo e este blogueiro esteve presente.

Ao chegar à quadra dos bancários, encontro o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Alexandre Padilha, que me levou para conversar com Lula, quem encontrei em um camarim com mais umas sete ou oito pessoas, preparando-se para ir ao palco montado na quadra, onde centenas e centenas de pessoas o aguardavam.

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Conversei com o “presidente” Lula por uns 15 ou 20 minutos e, após a conversa, tive certeza de que a única chance de escaparmos da farsa montada para devolver o poder à direita é evitar que ele seja alvo de uma manobra criminosa para inviabilizá-lo eleitoralmente, de modo a impedir que o povo o reconduza ao poder.

E, com efeito, apesar de todo massacre que Lula continua sofrendo, ele ainda é o único político de esquerda, atualmente, capaz de enfrentar a direita e vencê-la, como mostra a última pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial de 2018.

lula-2Na conversa com o ex-presidente, ele me relatou sua percepção sobre a campanha empreendida por autoridades, partidos de direita e pela mídia para impedir que participe da eleição de 2018.

Lula afirma, de forma convincente, que não haverá como condená-lo definitivamente pelas razões alegadas pelos seus inimigos, mas acha que poderá sofrer condenação em primeira instância com vistas a enquadrá-lo na Lei da Ficha Limpa, de forma a impedir que dispute a eleição presidencial daqui a dois anos.

Vendo Lula em ação nessa oportunidade, foi fácil entender por que a direita o teme tanto. Gravei os momentos iniciais da apresentação dele na quadra dos bancários. Fui convidado a ficar com ele no palco e, assim, gravei a entrada de seu grupo em cena e os primeiros momentos de sua apresentação.






Diante do que vi e do que ouvi de Lula, e refletindo muito, cheguei à conclusão de qual deve ser o plano principal para a esquerda até 2018 e esse plano tem que ser centrado exclusivamente nele, naquele que uma parte imensa dos brasileiros quer hoje que volte ao poder.

Após dois anos de governo Temer, Lula conseguirá se eleger com um pé nas costas.
Os setores democráticos e pensantes da sociedade têm que assumir defesa intransigente de Lula. É preciso iniciar uma onda de manifestações a favor dele, ou melhor, em defesa do ex-presidente, pois a direita irá tentar prendê-lo ou impedi-lo de disputar eleições sob alguma desculpa.

Todos sabem desses planos, mas, neste momento, ninguém está se mexendo em defesa de Lula sendo que é ele o principal alvo dos golpistas e dos setores partidarizados do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e da mídia.

Há que iniciar uma campanha nacional em defesa de Lula. Essa campanha, aliás, deve chegar ao exterior. Missões devem ser enviadas a outras nações, Lula deve ocupar a mídia internacional e denunciar que está sendo alvo de uma tentativa ditatorial de prendê-lo ou condená-lo judicialmente para tirá-lo da disputa política.

Enquanto Lula estiver livre e elegível, o golpe não estará consumado.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

ANTIPETISMO AVANÇA EM INSTITUIÇÕES DE ESTADO

Lula João Santana
Três fatos recentes, desenrolados no coração judicial e repressivo do poder público, desnudam a natureza classista e degenerada do Estado oligárquico.
O primeiro destes eventos foi a prisão preventiva do tesoureiro petista, João Vaccari Neto, por ordem do juiz Sérgio Moro, no curso da Operação Lava Jato.
Além de desnecessária, pois o réu jamais se furtou a atender demandas do inquérito ou obstaculizou seu trâmite, revela-se discricionária. Medidas desse naipe não afetaram a nenhum dos demais tesoureiros de grandes partidos, embora tenham arrecadado doações de valores semelhantes com as mesmas empresas.
O segundo episódio é a investigação tramada pelo Ministério Público do Distrito Federal contra o ex-presidente Lula, em caso de suposto tráfico internacional de influência.
Como é de praxe, a apuração não apresenta qualquer elemento concreto, mas já está difundida por setores da imprensa como fato notório e sabido, em mais uma realização da parceria entre jornalismo de oposição e frações do sistema judicial.
O terceiro capítulo é a suspeição da Polícia Federal sobre pagamentos recebidos oficialmente pelo jornalista João Santana Filho, em contrapartida a serviços prestados na campanha presidencial em Angola.
Apesar da ampla documentação apresentada pelo investigado, profissional responsável pelo marketing na reeleição da presidente Dilma Rousseff, dissemina-se especulação de que seriam verbas de companhias brasileiras envolvidas no escândalo da Petrobrás e destinadas ao pagamento de despesas eleitorais do atual prefeito paulistano, Fernando Haddad.
Estas três situações são apenas retratos atualizados da perversão alojada no Estado.
O Ministério Público, a Polícia Federal, parte da magistratura e outros espaços estão se convertendo em bunkers contra o PT, marcados por abuso de poder e autoritarismo, atropelando leis e direitos constitucionais, a serviço de determinados objetivos políticos.
O que é pior: sob as barbas do próprio partido governante.
Os governos de Lula e  Dilma, em nome de apresentar imagem republicana e evitar críticas de aparelhamento, preveniram quase exclusivamente exageros que seu próprio campo político poderia cometer, concedendo cotas cada vez maiores de autonomia a fortalezas historicamente controladas pelas velhas classes dominantes, sem alterar suas características antidemocráticas.
Afinal, a lógica da conciliação, predominante desde 2003, alimentada por situação parlamentar desfavorável, impunha que a mudança social e econômica não fosse acompanhada pela tentativa de reforma radical das instituições e a substituição de seu comando.
Os inimigos do petismo, beneficiados por este pacto de mão única, tiveram caminho franqueado para abocanhar fatias crescentes dos aparatos de justiça e segurança, assanhadamente partidarizados e coadjuvando estratégia de desestabilização patrocinada por forças conservadoras.
O combate à corrupção, sob a presidência de Lula e Dilma, alcançou patamares jamais vistos na história brasileira, com amplo portfólio de providências legais, administrativas e orçamentárias.
Mas a facilidade de movimento dos grupos reacionários, no interior dos sistemas de coerção, acabou por permitir que se apropriassem deste avanço civilizatório para fabricar campanha permanente contra o PT e seus dirigentes, sempre tabelando com parceiros na mídia corporativa.
Ao não se libertar desta armadilha, o governo silencia diante de malfeito à democracia, agredida por terrorismo judicial nascido nas entranhas do Estado.
A impunidade de policiais federais que faziam abertamente campanha por Aécio Neves, por exemplo, ao mesmo tempo em que lideravam investigações da Operação Lava Jato, serve de estímulo a outros malversadores da função pública.
Talvez o cenário não seja propício a decisões práticas e imediatas que revertam a anomalia. O mínimo que se pode esperar, porém, é que o governo, através do ministro da Justiça, desmascare publicamente manobras que violam preceitos republicanos e ofendem a Constituição.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Setubal (Itaú), que apoia Marina: “Brasil está perdido”

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No veículo do grupo Abril para o mercado financeiro, presidente do Itaú ataca outra vez a política econômica; “Nos últimos anos, o Brasil esteve completamente perdido”, disse Roberto Setubal à revista Exame; banqueiro acelera em campanha por Marina Silva, do PSB; irmã Neca Setubal cotada para ser superministra se candidata bater a presidente Dilma Rousseff; engajamento, porém, despertou irritação na maior acionista individual do Itaú, socialite Milú Vilela; ela considera que banqueiro enveredou pelo perigoso caminho da partidarização e pode, com isso, enfraquecer o banco da família; imagem da instituição sofre com memes nas redes sociais e nas ruas; jogada de alto risco

247 – O presidente do banco Itaú, Roberto Setubal, acelerou no seu engajamento à candidatura de Marina Silva, do PSB. Ele aproveitou o espaço de capa da revista Exame, porta-voz do grupo Abril para o

mercado financeiro, para bater duro, mais uma vez, na política econômica:

- Os investidores gostam de ver um país caminhar na direção certa, disse Setubal, cuja frase foi escolhida para abrir a reportagem de capa que, segundo a própria revista, ouviu 500 empresários na sua confecção.

- E, nos últimos anos, o Brasil esteve completamente perdido.

Desde o aniversário de fundação do Unibanco, no final de agosto, quando Setubal fez um discurso de franca oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff simpatia à Marina, o Itaú posicionou-se inteiramente ao lado da candidata do PSB. A irmã de Setubal e herdeira da instituição, Neca Setubal, reafirmou-se como principal assessora de Marina e candidata a ser uma superministra, a partir da pasta da Educação, num eventual governo dela.

Apesar dos cuidados que deve tomar quem está à frente de uma máquina de fazer dinheiro que administra mais de R$ 500 bilhões em ativos, Setubal vai se comportando na campanha como um militante declarado, disposto a dar pitaco em tudo, desde que em benefício do projeto da oposição:

- O funcionamento da nossa democracia não está bom, inicia ele, num dos quadros de destaque da reportagem da Exame.

- As negociações para obter o apoio de partidos pequenos geram ineficiência na administração da máquina pública porque a governabilidade depende de um número grande demais de concessões a muitos partidos, estendeu-se, reproduzindo, palavra por palavra, um dos pilares do discurso de Marina.

O problema, para Setubal, é que não está escrito nas estrelas que Marina vai, necessariamente, vencer a eleição. Na hipótese positiva, o presidente do Itaú acredita que terá no governo um aliado para um salto de crescimento do Itaú, uma vez identificado com a nova ordem econômica. Pode sonhar, ainda, com a simpatia da nova administração ao perdão da multa fiscal de R$ 18 bilhões que o Itaú sofreu pelo não recolhimento de impostos, segundo decisão do Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf). O banca está recorrendo e força política, nessas horas, nunca é ruim.

No verso dessa moeda de aposta, porém, os problemas já começam a aparecer. Entre os mais próximos, a socialite Milú Vilela, maior acionista individual do Itaú, já não esconde sua irritação pela postura de Setubal. Para os negócios, a derrota de Marina trará consequências de isolamento político para o Itaú, o que, da mesma maneira, sempre é ruim para os negócios.

O certo é que, ou com discursos longos e entusiasmados, como na festança pelos 90 anos do Unibanco, na qual fez sua profissão de fé em Marina e contra Dilma, ou por frases em publicações escolhidas, Roberto Setubal e o Itaú viraram uma grande atração dessa eleição. Uma exposição que pode custar caro se o plano perfeito do banqueiro der errado.