Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Quem ouviu a Empiricus no fim de janeiro, deixou de ganhar 50% com Petrobras. Autor: Fernando Brito

empiricus
Há seis dias, sob o escárnio de alguns “entendidos” em Bolsa, escrevi aqui que não era coisa de um ou dois pregões a alta da Petrobras.


Neste momento, a ação, que começou o ano a R$ 9, marcava pouco mais de R$ 12,56 na Bovespa.

Ou 39% a mais.

Naquele dia, o crescimento era de 20%.

Considerado o pior valor deste ano, o do dia 30 de janeiro (R$ 8,04), o ganho foi de mais de 50% para quem comprou a esta cotação.

E os espertos compraram, porque só os bobos se entregam ao terrorismo dos urubus do mercado.

Quer ver o que o “sabichão” da Empiricus, cuja onipresente propaganda polui 11 entre cada dez paginas de Internet, dizia no dia seguinte àquele 30 de janeiro? Está no G1:

“Para Felipe Miranda, analista da Empiricus Research, a tendência é que o valor das ações da Petrobras caia ainda mais, e que a empresa emita mais ações para cobrir o “rombo”: “o petróleo cai, cria ambiente de estrangulamento financeiro, e isso implica mais queda”, diz. Para ele, não é uma boa comprar ações da estatal, mas sim de vender, e o quanto antes, melhor.”

Os clientes que seguiram seus conselhos devem estar “morrendo de felicidade”, não é?

Ninguém “adivinha” cotação de Bolsa, mas pode, sim, entender tendências de médio prazo.

E a ação da Petrobras está muito desvalorizada e por isso há investidores que não apenas estão mantendo o que compraram barato como aproveitando a pressão de venda dos pequenos, atemorizada com as perdas que sofreram.

Ninguém pode “cravar” a quanto e em que prazo irá a ação e a empresa está sujeita, ainda, a muita turbulência política.

E o cenário mundial do petróleo é recessivo, ainda que poucos acreditem que isso chegue ao final do ano.

Nada seria mais estúpido do que apontar um cenário ufanista para a Petrobras, a não ser pintar, como fazem, um cenário de destruição.

A recuperação da Petrobras no mercado de ações será lenta, terá altos e baixos, mas vai ocorrer.

Porque a Petrobras é uma das maiores e mais capazes empresas do mundo do petróleo e está sentada sobre reservas que ficaram imensas, após o pré-sal.

E é essa, e nenhuma outra, a razão pela qual a querem paralisar.

Para entregar.





RESUMINDO. IMPIRICUS CUS , COM O CU DOS OUTROS É MOLEZA !! (OPEDEUTA)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O Bolsa Imprensa e a mídia do dinheiro fácil

bolsaimprensa
Ontem, logo após a entrevista da Presidenta Dilma Rousseff, postei aqui minha sugestão que o tão desejado corte nas despesas públicas comece pela mídia.

Hoje, tenho a ótima companhia de Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo que aprofunda e quantifica o que chama de “Bolsa Imprensa” que os governos brasileiros sempre concederam ao baronato de uma mídia decadente – em qualidade e controle da comunicação – neste país.

Ninguém está sugerindo que se pare de veicular publicidade nos veículos privados, ou que para isso eles apoiem o governo.

Mas há medidas de austeridade a tomar.

É muito “bonito” criticar o gasto de R$ 1 bilhão em obras públicas e receber R$ 1 bilhão (só no 1° turno, R$ 839 milhões), sem esforço algum, pela veiculação do horário eleitoral em suas concessões públicas de rádio e televisão, sem que para isso gaste um ceitil ou deixe de faturar outros, porque não me consta – e duvido e faço pouco – que suas tabelas de preço baseadas em grade de programação tivessem sido canceladas. Ou alguém viu a novela sem comerciais, já que o seu horário normal do pago pelos cofres públicos.

Gastar menos e gastar melhor.

Porque não faz sentido que a televisão – leia-se:a Globo – tenha a mesma parcela nas verbas se não tem, faz muito tempo, a mesma participação na comunicação.

Idem o da escolha de perfis de público, que é parte de uma “mídia técnica” e não um fator estranho a ela.
Ou será que um anúncio da Petrobras,  publicado num blog de política e economia, será menos eficiente do que um anúncio na Contigo?

Dinheiro de publicidade é gasto público, tanto quanto qualquer outro. Deve seguir o princípio da economicidade, da eficiência.

Fazer o que se pretende – informar ou promover empresas públicas, comportamentos e atitudes – com o menor gasto possível.

A mídia não quer que o governo mexa no ‘Bolsa Imprensa’

Paulo Nogueira

“O PT  busca golpear as receitas publicitárias dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle de conteúdo pelo governo.”
Está na Veja, e raras vezes ficou tão clara a dependência financeira e mental que as grandes corporações jornalísticas têm do dinheiro público expresso em publicidade federal.

Havia, naquela frase, uma alusão à decisão do governo de deixar de veicular propaganda estatal na Veja, em consequência da capa criminosa que a revista publicou às vésperas das eleições.

Era o mínimo que se poderia fazer diante da tentativa de golpe branco da Abril contra a democracia.

Mas a revista fala em “golpear as receitas publicitárias” da mídia corporativa.

A primeira pergunta é: as empresas consideram direito adquirido o ‘Bolsa Imprensa’, o torrencial dinheiro público que há muitos anos as enriquece – e a seus donos – na forma de anúncios governamentais?

Outras perguntas decorrem desta primeira.

Que capitalismo é este defendido pelas empresas jornalísticas em que existe tamanha dependência do Estado e do dinheiro público?

Elas não se batem pelo Estado mínimo? Ou querem, como sempre tiveram, um Estado-babá?

Os manuais básicos de administração ensinam que você nunca deve depender de uma única coisa para a sobrevivência de seu negócio.

E no entanto as grandes empresas de comunicação simplesmente quebrariam, ou virariam uma fração do que são, se o governo federal deixasse de anunciar nelas.

Tamanha dependência explica o pânico que as assalta a cada eleição presidencial, e também ajuda a entender as manobras que fazem para eleger um candidato amigo.

Essa festa com o dinheiro público tem que acabar, e famílias como os Marinhos e os Civitas têm que enfrentar um choque de capitalismo: aprender a andar sem as muletas do dinheiro público.

Ou, caso não tenham competência para sobreviver num universo sem favorecimentos, que quebrem. O mercado as substituirá por empresas mais competitivas.

Não são apenas anúncios: são financiamentos a juros maternais em bancos públicos, são compras de lotes de assinaturas de jornais e revistas, são aquisições enormes de livros da Abril, da Globo etc.

Numa entrevista a quatro jornais, ontem, Dilma disse que o novo governo vai olhar com “lupa” as despesas, para equilibrar as contas e manter sob controle a inflação.

Não é necessária uma lupa para examinar as despesas com publicidade.

Entre 2003 e 2012, elas quase dobraram, segundo dados do Secom. De cerca de 1 bilhão de reais, foram para as imediações de 2 bilhões ao ano.

Apenas a Globo – com audiência em franca queda por causa da internet – recebeu 600 milhões de reais em 2012.

Um orçamento base zero, como os livros de gestão recomendam, evitaria a inércia dos aumentos anuais do governo com esse tipo de despesa.

Murdoch, em seu império mundial de mídia, tem dependência zero de publicidade de governos.

Banco estatal nenhum financia seus empreendimentos, e por isso ele quase quebrou na década de 1990 quando não conseguiu honrar os empréstimos para ingressar na área de tevê por satélite.

Foi obrigado a se juntar a um rival em tevê por satélite. Só agora Murdoch teve os meios para tentar comprar a outra parte, mas o governo inglês negou por conta do escândalo do News of the World.

Ele se bate pelo capitalismo, e pratica o capitalismo.

As empresas jornalísticas brasileiras pregam o capitalismo, mas gostam mesmo é de cartório.

E julgam, pelo que escreveu a Veja, que até o final dos tempos estão aptas a receber o Bolsa Imprensa.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Mercado ainda compra o fim do Brasil na 2ª feira

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Irracionalidade prevalece no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo a quatro dias da eleição; aumento das chances de Dilma Rousseff, estimadas agora em 70% para vencer no 2º turno, segundo a consultoria Eurasia, derruba pregão; baixa em setembro somou 11%, e outubro começou com queda de 1%; Petrobras abriu dia perdendo 3%, bancos também; candidatura do PT anunciou o que o mercado quis ouvir, como aumento dos combustíveis até o fim do ano e mudança da equipe econômica; birra impede reconhecimento de pleno emprego e inflação sob controle; disputa contra vontade política da população mostra que investidores não aceitam a realidade de carências e necessidades da sociedade; companhias de capital aberto apresentam resultados sustentados, mas o que conta são os números das pesquisas; fundamentos ignorados em benefício da opção partidária 

247 – O mercado financeiro está rompido com a realidade de carências e necessidades da sociedade brasileira. O discurso de atenção aos pobres, por meio da ampliação de programas sociais e condução de uma política econômica anticíclica que fecha os quatro anos do governo da presidente Dilma Rousseff com pleno emprego e inflação, apesar das predições negativa, dentro da meta, não combina com a voracidade dos investidores e especuladores. Nesta quarta-feira 1, após a divulgação, na véspera, de duas pesquisas importantes – Datafolha e Ibope -, a Bolsa manteve o movimento de queda e caiu, logo na abertura, mais 1%.

Com todas as baixas ocorridas no mês de setembro, as perdas chegam a 12% nos últimos 31 dias. O dólar, no mesmo passo atrás, valorizou-se 9% sobre o real nas últimas quatro semanas. Há quem, na Bovespa, projete os próximos pregões abaixo dos 45 mil pontos, em novas e fortes depressões. Hoje, o mercado abriu aos 53.333 pontos, mil a menos que no dia anterior.

O motivo para a entrada no buraco está num único fato: o mercado comprou a ideia de que a reeleição da presidente Dilma Rousseff vai provocar algo como o fim da economia brasileira. Sabe-se no entanto, por tudo o que a candidata disse em campanha e, especialmente, pelo que entrega de realizações do governo, que essa projeção não faz nenhum sentido.

É certo que Dilma pode encerrar a eleição, em primeiro turno, já no domingo 5, ou partir para 2º turno com prognósticos de 70% de vitórias sobre qualquer que seja seu adversário, Marina Silva, do PSB, o Aécio Neves, do PSDB. Mas isso não significa que a vontade política da população, a ser expressa nas urnas, aponte para o pior cenário imaginado pelos mais pessimista dos agentes do mercado.

Dilma entrega o governo, nem que seja para ela mesma, com uma situação de pleno emprego e, mesmo perto do teto, a inflação dentro da meta. O dólar, em razão de sucessivas intervenções do Banco Central, vinha estabilizado em cerca de R$ 2,40, mas disparou, nitidamente, por questões políticas desde que a mesma Dilma aumentou suas chances de vitória.

Na Bovespa, que até o ano passado se comportava em linha com as demais bolsas do mundo, os fundamentos das companhias abertas passaram a ser, desde o início de 2014, jogados de lado para trazer os números das pesquisas ao centro da cena. Nada a ver com a racionalidade que, de tempos em tempos, a própria direção da Bovespa diz existir como forma de atrair pessoas físicas para participar do pregão. Não é por menos que que o cidadão comum, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos e em países nos quais o capitalismo está mais avançado, foge desses apelos pontuais. O mercado pertence mesmo aos tubarões e os tigres.

PETROBRAS CRESCE SOB ATAQUES - Nos ataques promovidos contra o valor de companhias como a Petrobras, as maiores empresas do País e todo os gandes bancos, privados e públicos, o mercado e sua aposta no caos não conseguem se explicar. Por mais que a estatal de petróleo tenha sido sacudida por denúncias de corrupção, o que o mercado também sabe é que a Petrobras foi a única grande petrolífera do mundo a aumentar, nos últimos seis anos, suas marcas de extração de petróleo.
Enquanto o pré-sal bate recordes, a companhia voltou a disputar a posição de maior companhia da América Latina, permanecendo nos últimos meses entre as três primeiras posições. Num pedido nítido do mercado, o governo afirmou que, sim, haverá um aumento nos preços dos combustíveis ao público até o fim do ano.

Não era exatamente o que se queria?

A equipe econômica, alvo das críticas mais duras dos últimos 20 anos, apesar dos resultados no campo do emprego, será outra, já disse a presidente Dilma por mais de uma vez nesta campanha. Igualmente, essa não é a vontade dos chamados investidores?

RESULTADOS DE BANCOS IGNORADOS - Como explicar, tecnicamente, por outro lado, como os bancos brasileiros podem somar perdas em suas ações de quase 6% apenas nos três primeiros dias desta semana? Até os arcos da entrada da Bovespa sabem que os resultados das instituições financeiras têm sido espetaculares, com quebras de recordes a cada divulgação de balanço trimestral. Os próximos balanços, num consenso entre diferentes analistas, deverão ser ainda mais fortes. E, entretanto, a diferença política do mercado com as pesquisas de intenção de votos os penaliza.

A irracionalidade dos investidores terá, necessariamente, de ser corrigida quando os resultados eleitorais aconteceram. Até lá, a sangria está contratada. Depois, o fim do Brasil e do mundo prometidos terão de ser adaptados à realidade – essa que insiste em fazer o sol se levantar todos os dias. A acomodação terá de acontecer, ainda que não se admita.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Maior que Libra, cessão onerosa é só da Petrobras. É o horror para o mercado

cessao


Em plena Copa, uma notícia passa sem o impacto que deveria ter na mídia.
Talvez porque seja uma das melhores notícias que se pudesse dar.

Como este blog havia informado em novembro do ano passado, o Governo entregou à Petrobrás, como estava autorizado pelas leis que aprovaram o regime de partilha, aprovadas no final do Governo Lula, quatro das seis áreas de cessão onerosa utilizadas como garantia no processo de capitalização da empresa.

Concentradas no campo de Franco, agora chamado de Búzios, tem entre 10 e 14 bilhões de barris de petróleo recuperáveis, quase o mesmo que as reservas provadas do nosso país.  Algo como 25% mais do que Libra, o maior campo de petróleo descoberto no mundo neste milênio.

Além de Búzios, foram entregues as áreas do entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi, que provavelmente serão  unitizados (reunidos, em linguagem do setor) em uma só área de exploração.
Fora as receitas de impostos, só de lucro líquido para o país – que fica com três quartos do lucro, cabendo um quarto à Petrobras – o campo renderá à educação é a saúde brasileiras algo como 700 bilhões de reais, a preços de hoje.

É uma área capaz de, ao longo de 30 anos de produção, permitir uma extração média de 1,3 milhão de barris diários, ou metade do que tudo o que é produzido hoje no país.

E, curiosamente, a reação do mercado, na negociação das ações da Petrobras, derrubou o valor dos papéis da empresa.

É que isso irá, nos próximos anos, fazer a Petrobras ter de investir – e quase tudo dentro do Brasil – cerca de R$ 500 bilhões.

Ou, para os que gostam de comparações, 20 vezes tudo o que se chama de “gastos” com a Copa. Ou 120 vezes o valor dos empréstimos do BNDES para a construção de estádios.
São pelo menos 20 navios-plataforma, dezenas de sondas, centenas de barcos de apoio e instalações em terra.

Uma imensa máquina de distribuir receita, impostos, indústrias e serviços da cadeia de suprimento necessária.

Aos que estranharam a posição deste blog quando se tratou de leiloar o campo de Libra, à procura de parceiros capazes de injetar capital na exploração do campo de Libra, aí está a resposta do porque.
Era preciso “guardar” a capacidade da Petrobras de explorar estes campos ainda maiores.
E fazê-lo de forma a proteger o patrimônio nacional das tentativas, que não terminam, de entregar essa riqueza ao capital estrangeiro.

No final de 2016, início de 2017, Búzios produzirá seu primeiro óleo comercial e, nos dois anos seguintes, sua produção vai começar a pagar parte deste volume de investimentos.
Em um período de sete ou oito anos depois disso, a extração alcançará o limite de 5 bilhões de barris contratados, em condições mais favoráveis à Petrobras, pois passam a vigir as regras mais pesadas acertadas hoje com o Governo.

Até lá, este dinheiro vai remunerar o crescimento da participação governamental no aumento de capital da empresa, o que tornou possível recuperar parte do pedaço da Petrobras entregue por Fernando Henrique

Cardoso, ao vender suas ações na bolsa de Nova York.

Hoje, este assunto se resumirá em pequenas e ácidas matérias nas páginas de economia dos jornais.
Em 20 anos, talvez, meus netos aprendam nos livros de escola sobre esta segunda independência – a econômica – do Brasil.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dilma das pesquisas vence Dilma que mídia mostra

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Presidente segue soberana nas pesquisa de opinião, acima dos rumores sobre uma suposta perda de pontos; explicação para a manutenção da popularidade de Dilma, apesar de todas as apostas em contrário dos chamados formadores de opinão espalhados pela mídia familiar e tradicional, está nela mesma; o que soa como falta de habilidade política e administrativa nas notícias da imprensa está chegando ao público como sinceridade e objetivo; a cada levantamento publicado desde o início de seu governo a presidente Dilma Rousseff mostra que é bem mais difícil de derrotar do que sugerem tantos comentaristas

20 de Março de 2014 às 20:21
Marco Damiani _ 247 – Com 43% de intenções de votos, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira 20 pelo instituto Ibope, e indicações de sobra para, além de ganhar em primeiro turno, bater qualquer outro adversário num forjado segundo turno, a presidente Dilma Rousseff parece ser duas.
Uma Dilma é, exatamente, a líder popular que jamais perdeu a liderança nas pesquisas desde que assumiu seu mandato, em janeiro de 2011. A figura que, mesmo após as manifestações de junho do ano passado, o máximo que permitiu de esperança aos adversários foi uma remota possibilidade de segundo turno. Nunca uma ultrapassagem. Aquela que o público identifica como patrocinadora de políticas sociais compensatórias e inclusivas, co-responsável pela retirada de 40 milhões de brasileiros da linha da pobreza.
A presidente Dilma Rousseff, enfim, que segue tranquila – de acordo com a ciência das pesquisas, frise-se – para a reeleição.
Outra Dilma é a que surge ao público, diariamente, pela ótica dos veículos da mídia familiar e tradicional. A presidente que não gosta ou não saber fazer política partidária (1); não se entende com o Congresso (2); perde aliados por tratá-los de maneira espartana (3); pilota uma política econômica que sobe juros e é leniente com a inflação (4); confunde e desanima empresários (5); não sabe o que fazer com a crise no setor elétrico (6); ignora assuntos internacionais polêmicos (7); etc etc.
Uma Dilma, portanto, que, de acordo com análises publicadas aos borbotões, estaria cada vez mais isolada no Palácio do Planalto.
Mas à hipotética pergunta 'qual Dilma você considera a verdadeira', a mais recente pesquisa Ibope indica que o público vê muito mais a presidente competente do que a executiva enrolada em dificuldades. A ponto de demonstrar, nas 43% de intenções de voto, que quer mantê-la já em primeiro turno no cargo.
Desta vez, a novidade da pesquisa foi exatamente a de não ter novidade. Nos boatos que cercaram a sua divulgação, capazes de mexer forte no desempenho das empresas estatais na bolsa de valores de São Paulo, a pesquisa Ibope iria mostrar uma queda nas intenções de voto da presidente. Não seria de estranhar. Afinal, o levantamento de campo se deu na semana passada, depois que os pré-candidatos da oposição puderam fazer todas as críticas que bem entenderam ao desempenho da economia no ano passado. E também ao comportamento político da própria presidente. Como se viu pelos 43% dados a Dilma na pesquisa Ibope, porém, nada dessa especulação foi verdade. 
Nem mesmo os reflexos do julgamento do chamado mensalão, o agravamento da violência urbana, a estiagem no Sudeste ou as enchentes no Sul foram capazes de abalar o desempenho de Dilma.  
MOSTRA A CARA - Uma das explicações para a manutenção na popularidade da presidente está em seu estilo. Dilma, como se diz popularmente, dá a cara para bater. Em discursos nos palanques de inaugurações, nas redes nacionais convocadas para pronunciamentos oficiais e na maneira de agir nos bastidores, a presidente vai-se notabilizando por enfrentar os problemas sem subterfúgios. Especialmente aqueles que, em tese, serviriam para proteger sua imagem.
Nesta semana, cujos fatos não influenciaram a pesquisa, fechada anteriormente, a presidente mostrou bem como gosta de agir. Ela respondeu pessoalmente a acusações em off – sem identificação da fonte de informação – publicadas nos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Os jornais alegaram ter obtido de diretores da Petrobras informações segundo as quais Dilma teria tido todas as informações necessárias para, em 2006, barrar a compra, pela estatal, da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.
Fiel ao seu estilo de não deixar para depois o que pode responder agora, Dilma divulgou uma nota garantindo que o parecer que orientou o conselho de administração da Petrobras foi "omisso" quanto a pontos do contrato, notadamente a cláusula de compra obrigatória em caso de litígio entre sócios, e "juridicamente falho".
Não é a primeira vez que Dilma encara de frente uma questão grave. No início de sua gestão, ela demitiu ministros por suspeitas de malfeitos. Por menos que isso, no oitavo mês de governo, mandou o então ministro da Defesa interromper viagem à Amazônia e voltar imediatamente para ser demitido do cargo. Motivo: em entrevista, ele haia criticado duas das mais próximas auxiliares da presidente, a atual ministra Ideli Salvatti e a ex Gleisi Hoffman.
Não é comum, no Brasil, que os políticos façam o que de melhor se espera deles. Explicações objetivas sobre situações de suspeita ou atitudes diretas para casos de disciplina quase sempre são trocados por pronunciamentos obtusos e posições dúbias. A conciliação é a regra acima do enfrentamento.
Residem no estilo tratoral que Dilma cultiva para si própria – e na suprema realização deu seu governo até aqui, a criação de 4,8 milhões de empregos desde janeiro de 2011 – as explicações para a perfomance superior da presidente sobre seus adversários. A presidente vem ocupando redes de rádio e televisão para falar até mesmo sobre o Dia da Mulher, como fez em 8 de março. Para a oposição, isso é uso do cargo para fins eleitorais. Mas além dos tribunais já terem recusado essa tese, não aceitando nem mesmo a imposição de pequenas multas à presidente, o que mais sobressai é que o povo não indica estar vendo nenhum problema nisso.
A julgar pelos números atuais, o povo gosta sim da Dilma que a mídia não costuma mostrar.