Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

“Chutonomia”, a ciência econômica do jornalismo-urubu

valetudo

A composição das matérias acima é só um pequeno exemplo da péssima qualidade e da irresponsabilidade do jornalismo econômico do nosso país.
Não é economia, é “chutonomia”, onde os fatos são “ajeitados” para chegar a uma conclusão pré-determinada.
Não raro, uma conclusão pessimista ou, até, apavorante.
A onda de calor e seca são um prato feito para isso.
Na Folha, a consultoria LCA prevê um aquecimento da economia, com o crescimento das vendas de produtos e serviços ligados ao calor.
O Globo, curiosamente, ouve a mesma consultoria, mas o que dizem só vai lá para o finalzinho da matéria, não sendo considerado para rebater o argumento econômico de imensa profundidade do professor Jose Julio Senna, diretor do BC no governo Sarney, que afirma:
“Há uma deterioração do balanço de pagamentos e uma inflação alta. Os agentes já acham que o governo não toma as medidas necessárias para contornar esses problemas. O verão tórrido acaba exacerbando a falta de confiança”.
Como assim, professor? O pessoal fica de mau-humor? Não tem ar condicionado nos centros de comércio do Mercado?
Ora, é obvio que se chegasse a haver um racionamento ou se houvesse o que não é possível dizer até agora, uma quebra da safra agrícola, certo.
Mas tudo é possível para dizer que o Brasil não vai crescer.
E – aí sim – entra em ação uma regra subjetiva da economia: a das profecias auto-realizáveis, que depende não do sol e da chuva, mas do comportamento dos agentes econômicos: quando só se espera coisas ruins, elas acabam por acontecer.
Não se iluda, caro leitor.
A campanha eleitoral, até junho, está mais no caderno de economia que no de política.

terça-feira, 20 de março de 2012

A “surpresa” todos sabiam, menos o jornal

 

Quando a gente fala aqui do péssimo nível do jornalismo econômico brasileiro não está se referindo, em geral, à qualidade dos jornalistas, mas à transformação das editorias em máquinas de propaganda política.
Escrevi no Tijolaço, o quanto era ridículo dizer que o Banco Central estava “pressionado” a baixar juros.
Como é evidente que o BC, em nome do Estado brasileiro, é quem define quanto o Estado brasileiro vai pagar de juros, ser “pressionado” a pagar menos é um paradoxo.
Se fosse “inflação em alta pressiona BC a aumentar juros”, bem. Mas o contrário?
Ontem foi O Globo que, além de repetir a dose, cria um curioso – e revelador – clima conspiratório em torno da redução dos juros.
“Um dia após a divulgação de que a economia brasileira cresceu só 2,7% em 2011, o Comitê de Política Monetária (Copom) aprovou uma redução de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, que ficou agora em 9,75%. Mas a decisão não foi unânime. A medida foi aprovada por cinco votos a dois. Os dissidentes queriam cortar apenas 0,5 ponto, como apostava a maior parte dos analistas econômicos.”
“Os dissidentes”, observem só…Parece que são pobres perseguidos dos países da antiga Cortina de Ferro, não é? Lutando, em nome dos princípios do liberalismo contra uma feroz ditadura, os dissidentes queriam garantir a liberdade de uma taxa completamente diferente: 0,25%!!
E depois, diz que “a maior parte dos analistas econômicos” previa um corte de 0,5%… Que maior parte? Onde? Há dias, e até mesmo neste modesto blog aqui,  antecipava-se corte de 0,75%. Todos os jornais fizeram o mesmo e os mercados futuros de juros já tinham essa projeção…
O mercado sabia, apenas não queria, e já por diversas vezes se apontou aqui que as “projeções” das instituições financeiras – diretamente interessadas em que estes índices fiquem o mais alto possível – são eivadas de parcialidade. Tanto que, em qualquer análise séria, não há como explicar que se “pagasse o mico” de prever no dia 2 de março  um Índice de Preços ao Consumidor da Fipe de 0,45%, quando os resultados semanais que a instituição publicava há mais de um mês não chegavam a isso e, pior, caíam fortemente.
Todos eles sabem que a inflação de fevereiro virá abaixo das “previsões” oficiais de 0,46% que espelham no Boletim Focus, para o qual o Banco Central coleta as “previsões” do mercado.
Mas, hoje, teremos uma nova “surpresa”…

Por: Fernando Brito

terça-feira, 10 de maio de 2011

SENTINELA DO CAOS


Clique aqui para ver o especial Fome e Desordem Financeira Mundial
Para medir a consistência das avaliações de José Serra sobre a "crise" da economia brasileira -- listadas na estréia de seu blog, convém analisar a acurácia de previsões anteriores do luminar tucano. Em 2009, numa reunião do PSDB, o então governador de SP previa nada menos que o esfarelamento do país sob o tsunami do colapso financeiro mundial. E criticava as medidas tomadas pelo Presidente Lula que, como se sabe, fizeram o Brasil fechar 2010 com a criação de 15 milhões de empregos em oito anos de governo petista. Ah, sim, Serra perdeu a eleição para Dilma, perdeu o chão no PSDB, perdeu credibilidade junto à direita, perdeu o discurso e virou um blogueiro a torcer pelo caos para recuperar  algum espaço no PSDB e na política brasileira. CONFIRA AQUI.    
(Carta Maior; 3º feira, 10/05/ 2011)