Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

domingo, 27 de março de 2016

Dessa vez, o sangue vai jorrar! Ali Kamel não é o Golbery nem o Gaspari é o Rubem Fonseca

bessinha maquinista
Quer dizer que os Golpistas acham que vão dar o Golpe.

Um Golpe de Estado com base num impeachment sem crime de responsabilidade da Presidenta!

E a galera vai aceitar!

Ninguém vai reclamar.

Vai ver a Dilma ser deposta no jornazional…

E fica tudo… normal.

Quem vai liderar o Golpe?

O FHC Brasif; o Padim Pade Cerra, uma das maiores fortunas da América Latina e, agora, finalmente, inscrito na Lista da Odebrecht; o Aecím Liechenstín, mais delatado que o Pedro Corrêa, e salvo pela sóbria administração do Dr Janot; o empresário Gilmar, que também despacha no Supremo, quando não é enxotado de Lisboa; a Globo de Paraty; o Moro, os delegados aecistas, que a Conceição Lemes descreve com pena implacável; e os procuradores que morrem de medo da delação do Marcelo Odebrecht!

Esses é que vão dar o Golpe!

E a galera vai aceitar.

Vão dar o Golpe para entregar o poder ao Temer ou ao Cunha!

E a galera vai aceitar!

Vão dar o Golpe para o Temer e o Cunha, na Presidência da República, aplicarem o Consenso de Washington Diaraque.

Aqui já se aplicou o Domínio do Fato Diaraque.

Agora, o Temer quer aplicar o Consenso de Washington Diaraque, redigido pelo Wellington Moreira Franco, que não resiste a um grito de “pega ladrão !”, do Paulo Dote.

Segundo o Estadão, em comatoso estado, o programa do Golpe é assim, conforme descrito nesse domingo 27/03:

- cortar o dinheiro do Bolsa Família;

- revisão da abrangência de todos os programas sociais;

- revisão da CLT;

- cortar os programas ProUni e Fies;

- tornar o SUS mais eficiente, ou seja, mandar os pobres de volta para a sarjeta;

- abertura comercial desenfreada, ou seja, deixar os produtos americanos entrarem à vontade;

- e a joia da coroa: privataria forte.

Ou seja, entregar a Petrobrax à Chevron do Cerra!

E a galera vai aceitar!

Um programa como essa “Ponte para o Futuro” do Wellington, na verdade, é uma ponte para os Estados Unidos.

Tentar repetir 1964, quando o Governo americano mandou uma frota descer o Atlântico para dar apoio ao Golpe contra Goulart.

É essa a ponte do Wellington!

Chamar o Governo Obama (ou Trump) para o Golpe!

(Esse Mino, esse Mino… Não é ele quem suspeita que o Moro seja da CIA?)

E a galera vai aceitar!

Que pretensão: o Wellington deve pensar que é o Wellington!

Quá, quá, quá!

E a galera vai aceitar!

E o que o ex-piauiense Wellington faz com o Nordeste?

Lança ao mar?

Todos os governadores do Nordeste já disseram NÃO ao Golpe.

Se preciso for, põem a Polícia Militar na rua para garantir a Democracia.

Como é que faz, Moreirinha, gato angorá dos militares?

O Golpe só vale em São Paulo e em Diamantino?

Quero ver o Requião deixar ter Golpe em Curitiba!

Os brizolistas deixarem ter Golpe em Porto Alegre!

A Jandira deixar ter Golpe no Rio!

Ainda bem que o Rui Falcão, presidente do PT, advertiu seus simpatizantes, num texto na internet: “queremos a paz, mas não tememos a guerra”.

Mino Carta sempre disse que esse pais só toma jeito quando houver um banho de sangue.

É o jeito que ele pode vir a tomar.

Os golpistas acordaram o legalismo do brasileiro.

Um legalismo que ultrapassa e transcende o próprio PT.

Os metalúrgicos da Ford e da Volkswagen no ABC já estão de olho na ponte do Moreirinha.

Uma das lendas urbanas, como disse o Ministro Aragão na Carta Capital, é que o povo não está nem aí.

Faz parte do cardápio dos historialistas do Globo e da Companhia das Letras supor que você pode dar Golpe à vontade, que a galera vai aceitar, numa boa.

Que o Feiticeiro, o Golbery, e o Bestalhao, o Geisel, Fundadores da Democracia, botaram e tiraram a ditadura quando bem entenderam e o povo… nem aí!

2016 não é 1964.

Ali Kamel não é Golbery, nem o Historialista é Rubem Fonseca!

Dilma não é Jango.

Lula está vivo!

Em 1964 não tinha internet nem blogueiro sujo!

E a galera não vai aceitar.

Em tempo: Mino está excepcionalmente otimista. Acha que, antes do derramamento de sangue, mais próximo do que nunca, ele admite, mas antes disso o Golpe se estrumbicará.

Como essa composição do genial Bessinha!

Em tempo2: no livro "O Quarto Poder", que se vale do excelente trabalho "1964- A Conquista do Estado", de René Armand Dreifuss, há pormenorizada descrição do papel do general Golbery e de seu escriba de preferência, Rubem Fonseca, no IPES, organização financiada pelos americanos para derrubar Jango. Hoje há vários IPES por aí afora, a começar por Curitiba.


Paulo Henrique Amorim

DE CUBA, VIA STONES, VEM O RECADO: ‘NÃO VAI TER GOLPE’

sexta-feira, 25 de março de 2016

LULA: COM CAPA FANTASIOSA, VEJA É MICO INTERNACIONAL

Um dia depois de vazamento, PMDB carioca puxa o tapete de Dilma; milhares cercam o prédio da Globo em São Paulo; PSOL repete PCB e diz que emissora mentiu

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Da Redação
Multidão estimada entre 17 e 30 mil pessoas marchou ontem à noite em São Paulo entre o Largo da Batata e a sede da TV Globo, apontada como símbolo “de um golpe que está sendo arquitetado”.
A marcha foi organizada pela Frente Povo Sem Medo e encontrou a sede da emissora protegida por barreiras de metal e ao menos uma centena de policiais.
Não houve incidentes. O protesto aconteceu no dia em que o PMDB do Rio de Janeiro, espinha dorsal do apoio do partido ao governo Dilma, deu sinais de que pretende desembarcar da coalizão.
As lideranças cariocas do partido estão abaladas depois do vazamento das planilhas de financiamento da empreiteira Odebrecht.
As planilhas vazaram — da Polícia Federal ou da Justiça Federal de Curitiba — para o repórter Fernando Rodrigues.
Depois que já estavam disseminados, o juiz Sergio Moro decretou sigilo do material, já que muitos dos citados têm foro privilegiado.
Jornal Nacional, da TV Globo, de maneira escandalosa recusou-se a informar que na lista, além de lideranças do PMDB, estão alguns dos maiores líderes da campanha pelo impeachment — dentre eles os senadores Aécio Neves e José Agripino, presidentes do PSDB e do Democratas.
Em vez disso, o telejornal apresentou uma sopa de letras em que igualou o PSOL ao PMDB, o PCB ao PSDB.
Os dois partidos de esquerda desmentiram que tenham sido financiados pela Odebrecht (ver nota do PSOL abaixo eaqui, a do PCB).
Em círculos políticos, este movimento em pinça da frente que reúne a Força Tarefa da Lava Jato e a TV Globo foi interpretado como um sinal para o PMDB carioca.
Derrubado o governo Dilma e preso Lula, a ala governista do partido poderia ser poupada ao menos do noticiário.
Muito próximo da Odebrecht e da TV Globo, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, conhecido na empreiteira comoNervosinho, hospeda as Olimpíadas em alguns meses, um evento em que a emissora tem grande interesse comercial.
O juiz Sérgio Moro, que atua com extrema precisão política, parece ter seguido mais uma vez a cartilha que escreveu analisando a operação Mãos Limpas na Itália.
O objetivo é demolir o sistema político brasileiro. Mira preferencialmente no PT, da mesma forma que na Itália o alvo preferencial foi o Partido Socialista. Se o governo Dilma, que respira por aparelhos, não resistir, é possível que haja um embate entre setores conservadores da política e do STF e o juiz de primeira instância, que conta com grande apoio popular.
Contra a Globo, Moro tem o fato de que uma herdeira da emissora e o ex-marido dela estão envolvidos com a Mossack & Fonseca, escritório panamenho especializado em criar empresas de fachada para sonegar impostos e lidar com dinheiro de origem duvidosa.
Apesar do levantamento do sigilo de centenas de páginas de documentos apreendidos na sede paulistana da empresa — que envolvem escritórios de advogados, empresários e laranjas especializados em esconder dinheiro — a velha mídia simplesmente desconheceu o assunto, tratado de forma exclusiva pelo Viomundo.
Sem crime de responsabilidade atribuído à presidente Dilma, o processo de impeachment avança no Congresso conduzido pelo presidente da Câmara, que é reu no STF por corrupção.
Veja o que disseram participantes do protesto diante da Globo:
“Estamos aqui para defender os direitos dos trabalhadores e contra o ajuste fiscal. O processo de impeachment está sendo tocado por um delinquente que deveria estar preso: Eduardo Cunha”. Ivan Valente, deputado federal, PSOL
O objetivo do protesto é “deter uma ameaça à democracia e às garantias constitucionais”. Guilherme Boulos, dirigente do Movimento dos Trabalhadores sem Teto
“A importância desse movimento é que as pessoas entendam que elas não estão sozinhas. Às vezes, nas redes sociais, quem pensa diferente pode achar que está sozinho. Não, agora, com essa manifestação quem está contra o golpe vai poder encontrar os seus iguais”. Larte Coutinho, cartunista
“O impeachment significa um retrocesso, a imposição de uma pauta neoliberal, com a precarização do trabalho, arrocho. Não haverá estabilidade com impeachment”. Rui Falcão, presidente do PT
Vídeo do Jornalistas Livres, vídeo e fotos da página do MTST no Facebook
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GLOBO MENTE: o PSOL não recebeu dinheiro da Odebrecht ou de qualquer empreiteira
Os estatutos do PSOL não permitem que nossos candidatos recebam recursos de empreiteiras, multinacionais ou bancos.
Nossos candidatos declaram o que receberam e todos sabem que nossas campanhas primam pela austeridade financeira, típica de um partido genuinamente de esquerda.
Fomos surpreendidos pela citação no Jornal Nacional, na noite desta quarta-feira (23), de que o PSOL consta em lista de supostos valores recebidos da empreiteira Odebrecht por mais de 200 nomes de parlamentares e candidatos de diversos partidos.
Defendemos a mais rigorosa apuração de todas as evidências apuradas pela Operação.
Coerentes com nossa crítica à seletividade que vem ocorrendo, nossa posição é de que todos devem ter suas campanhas investigadas.
Certamente muitos próceres da política nacional terão muito o que explicar à Justiça, caso a mesma resolva investigar todos e não somente alguns.
Repudiamos a forma da veiculação por parte da Rede Globo.
A reportagem parte da divulgação de informações sem qualquer comprovação para tentar vincular o PSOL a uma prática que, como todos sabem, combatemos.
A emissora, como já fez outras vezes com nosso partido, manipula as informações para passar a mensagem de que todos os partidos são iguais e metidos nas falcatruas investigadas pela Lava Jato.
Quer, principalmente, lançar uma cortina de fumaça naqueles que são protegidos pela grande imprensa e impedir o surgimento de uma real alternativa de esquerda no país.
Luiz Araújo
Presidente Nacional do PSOL
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Aecím se protege com sonegador preso

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De Telma Christiane, no twitter
No Tijolaço:

Empresa que Aécio usa para se justificar na “lista marrom” é fachada de sonegador já preso

Não vou pedir aos pobres dos blogueiros, porque nós já estamos insones com o combate político contra o golpismo.

Mas as redações de jornais e tevês, com dúzias de repórteres, bem que poderiam se interessar em saber quem é a empresa Leroy de Caxias que Aécio Neves usou como explicação para dizer improcedente a sua aparição na “lista marrom” da Odebrecht.

Eu, como sou legal com os coleguinhas, já dou o caminho.

A Leyroz mudou de nome.

Agora é Rof  Comercial Impex  EIRELI ou ainda E-Ouro Gestão e Participação EIRELI (empreendimento individual), com capital de mais de R$ 800 milhões. A sucessão da Leyroz pode ser comprovada aqui, no processo  Nº AIRR-61500/2014-131-17-00.3 do TRT-17.

Pertence – ou está em nome – a um senhor chamado Roberto Luis Ramos Fontes Lopes.

Cidadão que, em 2014, estava preso por sonegação fiscal contra a União e o Estado de São Paulo, sendo solto apenas por irregularidades formais no processo.

Dele se diz, no julgamento do habeas corpus que o libertou, porque teria havido quebra de sigilo não autorizada:

É que, da análise dos autos se percebe que além da suposta prática de crimes contra a ordem tributária, o órgão ministerial também busca investigar a possível prática do delito de formação de organização criminosa voltada a sonegação de tributos porque “constatou o Fisco Estadual que o que ocorre de fato é a coordenação entre fabricação e distribuição, com Walter Faria à frente do negócio, tendo Roberto Luis Lopes, que figura no quadro social da Leyroz, como”testa de ferro”na atividade de distribuição” … “é citada como evidência de conluio entre a CP-Boituva e distribuidoras para sonegação o fato de a fabricação e distribuição fazerem parte de um mesmo ente econômico” e, ainda, que o relatório “traz considerações sobre a configuração de organização criminosa, com referência a conclusão semelhante por parte da Polícia Federal – fls.36⁄39 do relatório” (fls. 61⁄63).

Pronto, coleguinhas, aí está o roteiro da reportagem, bem interessante, não é?

Ou como é com Aécio “não vem ao caso”?

quinta-feira, 24 de março de 2016

O País tem direito à lista e à delação da Odebrecht

:
Quando divulgou a conversa ilegalmente grampeada entre Lula e Dilma, o juiz Sergio Moro alegou  “interesse público” no assunto.  Acrescentou que os governados têm o direito de saber o que fazem (inclusive na intimidade) os governantes.  Os mesmos argumentos , e muitos outros, podem ser invocados pela sociedade  para exigir a divulgação da “lista da Odebrecht”, contendo mais de 300 nomes de políticos que receberam “capilés” da empreiteira, logo posta sob sigilo por Moro.  Por que nela há pessoas “com foro” ou porque ela não atende a seuis critérios de seletividade?  Da mesma forma, a sociedade tem direito de exigir do Ministério Público que aceite a proposta da construtora para uma “colaboração definitiva”, afastando a suspeita de que a recusa se relaciona com a amplitude do esquema de financiamento partidário-eleitoral que a Odebrecht planejava desnudar.
O desinteresse de Moro  e dos procuradores pelas revelações da construtora  transpareceu já na noite de terça-feira, conforme registrou este blog. O Jornal Nacional , ao noticiar a Operação Xepa, que fez buscas e apreensões em várias unidades da Odebrecht, destacou trechos da nota pública da empresa,  passando ligeiramente sobre o trecho em que afirma não ter a construtora “responsabilidade dominante” pelos fatos apurados e pela existência de “um sistema ilegítimo e ilegal de financiamento do sistema partidário-eleitoral”.  A seguir, William Bonner informa que “nossos repórteres” ouviram do  Ministério Público que tal acordo não havia sido assinado e que seria analisado segundo as prioridades da Operação Lava Jato.  O desinteresse do Ministério Público confirmou-se nesta quarta-feira logo que começaram a ser divulgados nomes da oposição que figuram na lista da Odebrecht, tais como Aécio Neves, José Serra, Rodrigo Maia e Eduardo Cunha, para ficar só em quatro importantes lanceiros do impeachment.  Moro colocou o material sob sigilo e os procuradores praticamente descartaram a delação da Odebrecht.
A sociedade  tem o direito de conhecer este “sistema ilegal e ilegítimo” de financiamento do conjunto de partidos que a representa.  Quando diz que não tem  “responsabilidade dominante”  por sua existência, a Odebrecht diz implicitamente que não o criou sozinha,  que  ele não nasceu agora, nos governos do PT, que ele envolve um conjunto de empresas e partidos, enfim, que este é o sistema político-eleitoral que temos, fomentador da corrupção.   A lista contém informações que remontam aos anos 1980.   Se o objetivo é passar o país a limpo, tal sistema precisa ser conhecido  para ser desmontado e substituído.  Moro, em seu já muito citado artigo sobre a Operação Mãos Limpas da Itália, refere-se  à necessidade de “deslegitimação” do sistema partidário que lá estava fortemente associado à corrupção. Já a Lava Jato parece querer deslegitimar apenas uma parte do sistema partidário,  composta pelo PT e partidos aliados.
A divulgação da lista iluminaria uma parte do porão. Mas a “colaboração definitiva”, expressão cunhada pela Odebrecht para indicar a disposição de seus dirigentes de falar tudo o que sabem, e certamente sobre todos, é fundamental para o completo desvelamento do esquema. Na colaboração eles não apenas citariam nomes mas apontariam mecanismos operacionais ainda não de todo conhecidos.   A parte ainda lúcida da sociedade, que não se deixou cegar pelo ódio, que mesmo não gostando do PT percebe a seletividade do processo, tem o direito de conhecer a lista e as revelações da Odebrecht. Depois do desgaste com as ilegalidades cometidas contra Lula, Dilma e outros políticos grampeados, a Lava Jato faria bem em afastar as evidências de que seu propósito não é uma faxina mas sim uma chacina política.

Veja como seria a nossa reportagem para substituir a sopa de letras do Jornal Nacional: Odebrecht lista 17 “parceiros históricos” da empreiteira na política, 11 são do PMDB

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Entre o Jornal Nacional e a madrugada na GloboNews, o PSDB sumiu!
Da Redação
Foi mais uma noite histórica do Jornal Nacional. Por “falta de tempo” ele simplesmente desistiu de fazer jornalismo.
A “incerteza” calou a Globo.
Logo ela, que reproduziu ipsis literis as transcrições de conversas do ex-presidente Lula como se fossem verdades definitivas.
A Globo que nos trouxe o depoimento de um porteiro sobre o triplex do Guarujá e condenou Lula por palestras, pedalinhos e pelo barquinho de lata. O Jornal Nacional que foi a Las Vegas observar o laranjal da Mossack&Fonseca mas não descobriu uma certa Vaincre LLC, dona de uma certa mansão.
Na noite desta quarta-feira o Jornal Nacional simplesmente trocou o jornalismo por uma sopa de letras. Imaginem só, a Globo com suas centenas de produtores, repórteres e editores simplesmente fugiu da pauta.
Ao colocar no ar um emaranhado de siglas, a Globo deu mais um show de manipulação: igualou o PSOL ao PMDB, e passou longe da fina flor do impeachment na contabilidade da empreiteira. Igualou o PCB, que já desmentiu a emissora, ao PT e ao PSDB.
Enquanto isso, um simples blogueiro sujo imprimiu os documentos, pôs-se a analisá-los e, em algumas horas, produziu uma versão que acredita estar razoavelmente próxima da verdade factual: a Odebrecht é dona do PMDB.
Talvez isso explique o motivo de o JN refugar: enterrar o PMDB, agora, atrapalha a agenda do impeachment. Mas, vamos à reportagem para a qual certamente não faltaria tempo:
Apresentador do JN: Trezentos e dezesseis políticos de vinte e quatro partidos aparecem na contabilidade de doações de empresas ligadas à empreiteira Odebrecht nas eleições de 2010, 2012 e 2014.
Apresentadora do JN: Nomes e valores constam de papéis apreendidos no apartamento do executivo Benedicto Barbosa Silva Junior, presidente da Odebrecht Infraestrutura.
Repórter: Os nomes e valores que aparecem nas planilhas demonstram que a empreiteira irrigou todo o sistema político brasileiro nas três últimas eleições. Não é de hoje.
As listas mencionam políticos que a Odebrecht considera “parceiros históricos”.
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Nesta categoria aparecem o ex-presidente da República José Sarney, o atual presidente do Senado Renan Calheiros, o atual presidente da Câmara Eduardo Cunha e os senadores Romero Jucá e Henrique Alves, todos do PMDB. A empresa também considera “parceiros históricos” o atual governador e um ex-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão e Sergio Cabral e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Jorge Picciani.
No Rio de Janeiro a Odebrecht toca importantes obras de infraestrutura, como o Porto Maravilha e uma linha do Metrô.
Outros parceiros “históricos”mencionados nas planilhas são o senador Cássio Cunha Lima e o ex-governador Teotonio Vilela Filho, ambos do PSDB; José Agripino, presidente do Democratas, os senadores Garibaldi Alves Filho (PMDB), Eunício Oliveira (PMDB), Francisco Dornelles (PP) e Lindbergh Farias (PT) e os deputados estaduais cariocas Paulo Melo (PMDB) e André Correa (PSD).
Dos 17 “parceiros históricos”, 11 são do PMDB.
As empreiteiras lideram o ranking de doações na política brasileira.
Entrevistado: Pedro Campos, autor de A ditadura dos empreiteiros
[Na construção de Brasília] reuniram-se empreiteiras de vários Estados e começaram a manter contato, se organizar politicamente. Depois, passaram pelo planejamento da tomada de poder dos militares e pautaram as políticas públicas do país. Cresceram exponencialmente no regime militar. Todos os indícios são de que a corrupção não aumentou. O que a gente tem hoje é uma série de mecanismos de fiscalização que expõe mais, bem maior do que havia antes. Na ditadura não tinha muitos mecanismos fiscalizadores, e que o havia era limitado.
Repórter: O que pode ser a contabilidade paralela da Odebrecht foi apreeendida numa fase da Operação Lava Jato.
Alguns políticos receberam codinomes.
O atual chefe do Gabinete Pessoal da presidente da República, Jacques Wagner, do PT, aparece como Passivo. O governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, é o Caseiro. O senador Randolfe Rodrigues, que era do PSOL, é Múmia. Raul Jungmann, do PPS, Bruto. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, do PMDB, Nervosinho. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, Caranguejo.
Entrevistado: Eduardo Cunha, presidente da Câmara
Não sei o que quiseram dizer com isso, quem apelidou é quem tem que dizer. Eu só recebo doação de caixa 1, não recebi diretamente da Odebrecht na minha conta, mas efetivamente a Odebrecht doou para o PMDB, alocada em outras campanhas do PMDB, e provavelmente parte a meu pedido.
Nas eleições de 2010, Eduardo Cunha aparece como beneficiário de três doações de empresas ligadas à Odebrecht, totalizando R$ 5 milhões. Uma das doações é destinada ao PMDB, mas as duas outras foram, segundo os papéis, para o Diretório Nacional do Partido Social Cristão, o PSC, e para o Partido da República, PR.
É um indício de que a empreiteira fazia doações a pedido.
Em 2010, o prefeito do Rio Eduardo Paes não participou de eleições. Mesmo assim, aparece nas planilhas como beneficiário de nove doações com o codinome Nervosinho. De acordo com as anotações, Paes destinou um milhão e oitocentos mil reais ao PMDB, ao PTB, ao PDT e a candidatos ao Congresso, como o vereador carioca Luiz Carlos Ramos, o Homem do Chapéu, que tentou se eleger deputado federal.
Candidato a governador de São Paulo em 2010, o atual ministro Aluizio Mercadante aparece como beneficiário de doações feitas ao PTB e ao PRP de São Paulo, partidos que se aliaram ao PT naquela disputa. Também foi contemplado o candidato a senador Ciro Moura, do Partido Trabalhista Cristão, o PTC.  Segundo as planilhas, foram ao todo 200 mil reais. As alianças políticas são importantes para definir o tempo de televisão das coalizões.
Há pelo menos uma tabela comparando a doação feita pela empresa com o desempenho do candidato: no primeiro turno da eleição municipal de 2012, o tucano José Serra aparece na lista com doação de R$ 3,2 milhões, mas teve apenas 30,8% dos votos, contra 29% do petista Fernando Haddad na disputa pela Prefeitura de São Paulo.
Naquela eleição, segundo os documentos, a Odebrecht doou para candidatos do PT em 17 estados. Os que mais receberam foram Patrus Ananias (Belo Horizonte), Nelson Pelegrino (Salvador) e Gleisi Hoffmann (Curitiba) — R$ 1,5 milhão cada. O nome dela aparece associado ao do então ministro Paulo Bernardo. Fernando Haddad, candidato em São Paulo, segundo os papéis recebeu R$ 1 milhão.
A Odebrecht investiu em regiões onde tinha interesses econômicos diretos.
Sempre de acordo com os documentos, no entorno do Comperj, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, a empresa destinou 200 mil reais a candidatos indicados pelo deputado estadual André Correa; doou $ 1 milhão ao candidato a prefeito de Macaé, Dr. Aluizio, do PV, outro milhão à candidata do PR à Prefeitura de Campos, Rosinha Garotinho. Investiu em candidatos a prefeito e vereador nas cidades de Mirante do Paranapanema e Teodoro Sampaio, em São Paulo; Euclides da Cunha, na Bahia; Mineiros, Perolandia e Cachoeira Alta, em Goiás.
A empreiteira não faz discriminação ideológica. De acordo com os papéis, em 2012 doou 300 mil à candidata do PCdoB à Prefeitura de Porto Alegre, Manuela DÁvila, que recebeu o codinome de Avião, e 500 mil cada aos candidatos do PRB e do PDT à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomano e Paulinho da Força.
O atual prefeito do Rio, cogitado para ser candidato do PMDB ao Planalto em 2018, é quem mais aparece na documentação. De acordo com as planilhas, ele também recebeu a maior doação individual, de R$ 3 milhões.
Iintegrantes da tropa de choque do impeachment no Congresso aparecem na contabilidade da Odebrecht: Roberto Freire, do PPS; Jutahy Magalhães Junior e Raul Jungmann, do PSDB; Rodrigo Maia, Mendonça Filho e José Carlos Aleluia, todos do Democratas.
Os prefeitos de Belo Horizonte e Salvador, Márcio Lacerda (PSB) e ACM Neto (DEM) também aparecem na lista.
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, é descrito como beneficário de um repasse de R$ 120 mil e Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, segundo a lista recebeu doação de R$ 400 mil. O nome da presidente Dilma não aparece nos papéis.
A Polícia Federal vai investigar se todos os valores que constam dos documentos foram repassados legalmente.
Apresentador do JN: Deixamos de apresentar esta reportagem porque a corrupção foi introduzida no Brasil pelo PT, os papéis provavelmente são falsos e não podemos neste momento nevrálgico comprometer os que se empenham na derrubada do governo Dilma e na prisão do Lula. Boa noite!
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