Nada como quando a Presidenta Dilma Rousseff larga de mão o pessoal do “copidesqui cervical” e fala, ela mesma, sobre os assuntos.
Provocada sobre as declarações do diplomata Eduardo Saboia que, sem ordens e sem autorização do governo boliviano, montou um comboio com militares brasileiros – um detalhe que nossa imprensa mal noticia – para tirar o senador Roger Pinto Molina do país vizinho, alegando que a nossa embaixada parecia o “Doi-Codi”,
Dilma disparou:
“Não há nenhuma similaridade. E eu estive no DOI-Codi. Eu sei o que é o DOI-Codi. E asseguro a vocês: é tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira lá em La Paz, como é distante o céu do inferno. Literalmente, isso”
A Presidenta afirmou que Saboia ”não poderia colocar em risco a vida de uma pessoa que estava sob sua guarda”:
“Lamento profundamente que um asilado brasileiro tenha sido submetido à insegurança que esse foi. Porque um Estado democrático e civilizado, a primeira coisa que faz é proteger a vida, sem qualquer outra consideração. Protegemos a vida, a segurança, e garantimos o conforto ao asilado.”
“Se nada aconteceu (com o senador) não é a questão, poderia ter acontecido”, declarou a presidente.”Um governo não negocia vidas, um governo age para proteger a vida. Não estamos em situação de exceção.”
De fato, se a gente verificar o que a Follha apresentava sobre as condições em que estava Molina, parecem ser “ligeiramente diferentes” de uma cela do Doi-Codi.
Televisão, notebook, bicicleta ergométrica, figobar, tablet…
Claro que ficar retido, seja onde for, nunca é o melhor dos mundos. Mas o senhor Molina não desconsiderava que, lá fora, 20 processos judiciais o esperavam.
Ah, mas Saboia é um herói….O que diria a mídia brasileira se um dos réus do chamado mensalão pedisse asilo na Embaixada americana e um diplomata gringo organizasse uma escolta de marines para tirá-lo do país?
Por: Fernando Brito

Ao criticar a operação que trouxe para o Brasil o senador boliviano Roger Pinto Molina, presidente rebateu a comparação feita pelo embaixador Eduardo Saboia, entre a sala onde estava Molina na embaixada do Brasil em La Paz e um DOI-Codi; "Eu sei o que é o DOI-Codi e asseguro a vocês: é tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira em La Paz como é distante o céu do inferno", disse, irritada
27 DE AGOSTO DE 2013 ÀS 14:46
Carolina Gonçalves
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A presidenta Dilma Rousseff criticou nesta terça-feira 27 a operação que trouxe para o Brasil o senador boliviano Roger Pinto Molina. Segundo ela, os países têm a obrigação de proteger seus asilados, garantido a segurança e a integridade física deles. "Lamento que um asilado brasileiro tenha sido submetido à situação que este foi. Um Estado democrático e civilizado, a primeira coisa que faz é proteger a vida e garantir a segurança dos seus asilados", afirmou.
Dilma negou que as condições em que o senador estava abrigado na Embaixada do Brasil em La Paz fossem precárias. Ao justificar a operação, o diplomata Eduardo Saboia, principal articulador da operação, alegou razões humanitários. Saboia chegou a comparar a situação do senador à da presidenta Dilma, quando esteve presa durante o regime militar.
"Garantimos conforto ao asilado", disse a presidenta, que garantiu não existir qualquer similaridade entre a sede diplomática brasileira e o Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-Codi, órgão de repressão onde ela ficou presa durante a ditadura militar. "Eu sei o que é o DOI-Codi e asseguro a vocês: é tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira em La Paz como é distante o céu do inferno", disse.
Sobre a participação de fuzileiros navais na operação que trouxe o senador boliviano ao Brasil, Dilma Rousseff disse que o ministro da Defesa, Celso Amorim, vai esclarecer ainda hoje a questão.
Depois de passar 454 dias na embaixada brasileira em La Paz, Pinto Molina chegou a Corumbá (MS) no sábado (24), depois de uma viagem de 22 horas em um carro da Embaixada do Brasil, escoltado por fuzileiros navais. O senador está agora em Brasília.
Edição: Denise Griesinger