Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Um golpe dos donos de escravos no Brasil? A revista americana The Nation destaca que entre os grupos que buscam promover o golpe, há um pouco discutido: o das empresas que lucram com a escravidão.

Um golpe dos donos de escravos no Brasil?

A revista americana The Nation destaca que entre os grupos que buscam promover o golpe, há um pouco discutido: o das empresas que lucram com a escravidão.

Greg Grandin - The Nation
Nilson Bastian / Câmara dos Deputados
carta maior
The Nation, a revista mais antiga dos Estados Unidos, fundada em 1865, e uma das mais bem conceituadas por sua seriedade, publica artigo devastador sobre interesses por trás do golpe em curso no Brasil.
 
Um golpe dos donos de escravos no Brasil?
  
Entre os opositores da combatida – e ameaçada de perder o cargo – presidente do Brasil, Dilma Rousseff, existe um grupo com interesses comuns que se pensava haver perdido seu poder político há cerca de um século: os donos de escravos. Há alguns dias um artigo no The New York Times, que documentou os muitos crimes dos políticos envolvidos no processo de impeachment, disse o seguinte acerca de Beto Mansur, um ardoroso deputado em sua oposição ao Partido dos Trabalhadores (ou PT): “Ele é acusado de manter 46 trabalhadores em suas fazendas de soja no Estado de Goiás em condições tão deploráveis que os investigadores disseram serem eles tratados como escravos modernos.”
 
A escravidão não é, claro, o principal eixo de conflito entre o governo do PT e seus opositores. Outros – incluindo Mark Weisbrot, Glenn Greenwald, David Mirada, Andrew Fishman, Gianpaolo Baiocchi, Ben Norton e Dave Zirin – documentaram os muitos e diferentes interesses de classe e de status que se aliaram, usando o bordão da “anti-corrupção” tanto para desviar a atenção de sua própria venalidade como para começar a reversão das políticas levemente redistribucionistas do PT, que vem governando o Brasil desde 2003 . Quando se menciona a escravidão, isto é geralmente feito como uma herança. O Brasil importou mais africanos escravizados que qualquer outra nação americana, e foi o último país do hemisfério a abolir a instituição, em 1888. Como é o caso das nações historicamente fundadas sobre o colonialismo e a escravidão, a política econômica federal do PT, orientada para o alívio da pobreza e redução da desigualdade, tem um viés racial. Isto era verdade em 1964 quando um governo levemente reformista foi derrubado em um golpe (como minha colega da MYU, Barbara Weinstein, escreve em seu maravilhoso novo livro The Color of Modernity: São Paolo and the Making of Race and Nation in Brazil - A Cor da Modernidade: São Paulo e a Formação da Raça e da Nação no Brasil). E é verdade hoje, 56 anos depois. 
 
Mas, na verdade, a escravidão ainda existe no Brasil, na Amazônia (como escrevi emFordlândia, com base nesta investigação da Bloomberg), e cada vez mais nas plantações de soja do interior. A escravidão moderna é, como um funcionário do Ministério do Trabalho o declara, uma "parte essencial da economia globalizada, orientada para a exportação, sobre a qual o Brasil prospera." Os trabalhadores são coagidos quer por meios violentos, quer por força de seus débitos a fornecer trabalho sem compensação e forçados a suportar as condições mais desumanas. Eles forjam ferro-gusa para alimentar a indústria de aço do Brasil, colhem soja, derrubam florestas tropicais, cortam cana-de-açúcar e servem como empregadas domésticas. 
 
Uma das primeiras coisas que o governo do PT fez quando assumiu em 2003, depois que Luiz Inácio Lula da Silva alcançou a presidência, foi criar uma “lista suja” de “centenas empresas e empregadores individuais que foram investigados por fiscais trabalhistas e descobertos como usuários de escravos. Os empregadores nesta lista estão impedidos de receber empréstimos do governo e têm restrições colocadas sobre as vendas de seus produtos." O PT também intensificou os esforços para "emancipar "os escravos modernos:" Em 2003, um plano nacional de erradicação do trabalho escravo atualizou a legislação e introduziu um sistema de procuradores e juízes do trabalho. "Entre 2003 e 2015," o governo resgatou 44.483 trabalhadores do que chama "condições análogas à escravidão."
 
A "lista suja", juntamente com outras iniciativas abolicionistas do PT, provocou uma reação por parte daqueles interesses econômicos que lucram com a escravidão moderna. No final de 2014, a Suprema Corte do país, que tem apoiado decididamente os que desejam o impeachment da Dilma, emitiu uma liminar contra o Ministério do Trabalho para que este suspendesse o lançamento de uma nova lista de donos de escravos. A decisão foi tomada para favorecer a associação dos proprietários e construtoras do Brasil. E muitos desses interesses, incluindo políticos ruralistas como Beto Mansur, encontram-se entre aqueles que pressionam para a queda de Dilma e a destruição do PT. O principal grupo de lobby da agro-indústria brasileira, a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, que apoia a derrubada de Dilma, tem se oposto à "lista suja" há anos. Uma investigação feita pelo Repórter Brasil, uma ONG que combate o trabalho forçado, revela que os partidos políticos por trás do impeachment (incluindo o Partido do Movimento Democrático do Brasil, o partido de Eduardo Cunha, o líder do Congresso da Câmara dos Deputados do Brasil e que organizou o impeachment) são aqueles que receberam a maior parte das doações políticas de empresas que lucraram com o trabalho escravo. 
 
Os lucros produzidos pelo trabalho escravo no Brasil são relativamente insignificantes se comparados à riqueza dos principais promotores da crise política: as elites ligadas às finanças, à energia, à mídia e à industria. Mas a luta em torno da escravidão no Brasil revela o que em última análise está em jogo no conflito. Muitos dos políticos agora que procuram derrubar Dilma ficaram espetacularmente ricos ou representam outros que se enriqueceram espetacularmente durante os bons tempos da primeira década dos mandatos do PT, aproximadamente de 2003 a 2013, durante os dois termos de Lula e o primeiro da Dilma. No entanto, eles jamais aceitaram a ideia de que deveriam subordinar seus interesses particulares ao projeto maior do PT, a despeito do fato de que foi este projeto – incluindo uma leve redistribuição – que impulsionou o consumo interno e os tornou espetacularmente ricos. A exportação de soja explodiu sob o governo do PT, dando origem a toda uma classe de barões no interior, alguns dos quais, incluindo homens como Mansur detêm assentos no Congresso. E apesar dos esforços agressivos do PT para erradicar a escravidão moderna, o trabalho forçado na verdade aumentou sob seu governo, na medida em que cresceram as indústrias que utilizaram trabalho forçado, entre as quais eles a da soja, a do etanol e a do açúcar.
 
A escravidão, conquanto relativamente pequena frente ao quadro maior do mercado de trabalho do Brasil, representa a fina borda de um princípio mais amplo: o direito das elites brasileiras de explorarem os seres humanos e a natureza tão implacavelmente quanto o desejarem. Como já está amplamente divulgado, a presidente eleita duas vezes no Brasil está hoje prestes a ser afastada do cargo, o que pode acontecer logo na primeira semana de maio. Sua destituição pode ser chamada de muitas coisas, entre elas um golpe da mídia e um golpe constitucional. Pelo menos em parte, ela é também um golpe dos donos de escravos.
 
Veja o texto original em inglês:
(http://www.thenation.com/article/a-slavers-coup-in-brazil)
 
Traduzido por Anivaldo Padilha
Créditos da foto: Nilson Bastian / Câmara dos Deputados

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Menos 500 mil crianças trabalhando no Brasil. Mas ainda há 1,6 milhão para serem resgatadas


trabinf

Relatório divulgado hoje pela  Organização Internacional do Trabalho aponta o número de crianças que trabalham em todo mundo caiu um terço desde 2000, de 246 milhões para 168 milhões. No entanto, a própria OIT admite que a diminuição não é suficiente para alcançar o objetivo de eliminar as piores formas de trabalho infantil  - os mais penosos e danosos à saúde, que abrangem metade deste total, até 2016.

A boa notícia é que cerca de 500 mil crianças deixaram de trabalhar no Brasil em apenas três anos, um progresso que  Organização Internacional do Trabalho destaca como um modelo que deve ser seguido em outras economias.
A má notícia é que, segundo os dados divulgados  pela entidade o número de crianças em atividades de trabalho caiu de 2,1 milhões para 1,6 milhão, entre 2008 e 2011. Portanto, ainda estamos negando a 1,6 milhão de crianças o direito de serem crianças e de se formarem no tempo certo para o mundo do trabalho.
Neste assunto, eu ando na contra-mão de alguns setores do governo, que são flexíveis às pressões empresariais e concordam com a Lei de Aprendizagem, criada no Governo Fernando Henrique, prevendo o o início do trabalho, como aprendiz, aos 14 anos.
Se todo o controle e honradez nos processos de aprendizagem fossem seguidos, até não seria sempre desastroso. Mas as empresas querem simplesmente enfiar estes menores no trabalho, exercendo funções produtivas e sem os direitos trabalhistas dos adultos.
Uma coisa é auxilio em tarefas do trabalho das famílias, sobretudo na agricultura familiar. Outra, bem diferente, é estender isso para empresas comerciais e industriais. Aí, a idade deve passar para 15 ou 16 anos. Não falta jovem para trabalhar, mas falta empresa que queira, sinceramente, participar de sua formação e não apenas usá-los como mão de obra barata.
Por: Fernando Brito



coxmedic


O Dr. Coxinha tinha razão. Não faltam médicos em 


Trindade. Só falta o CRM

Vocês lembram do Dr. Rogério Perillo, aquele que se faz passar de “vítima” dos cubanos,anunciando ter sido demitido de seu emprego em Trindade, Goiás, para dar lugar a um agente de Fidel?
Pois chegaram os “cubanos” que iam tomar o lugar dele.
Chamam-se  Welma Domingues, Adriano Raiter, Técio Rodrigues, Raquel Crespo e Ueslei Rodrigues.
Dos cinco “cubanos”, quatro nasceram no Brasil e uma, Raquel, é espanhola, nascida em Madrid.
Os cinco “cubanos” do Dr. Coxinha se conhecem desde os tempos em que eram estudantes na “fraca” Universidad Complutense de Madrid, uma universidade pública espanhola com “apenas” 504 anos de fundação.
Como eles são uns “despreparados”, também têm uma pós-graduação na Universidade de Coimbra.
A trajetória do grupo é semelhante: depois de formados na Espanha, foram trabalhar em Portugal. Eles contam que estavam empregados, com salários maiores do que os R$ 10 mil líquidos, mais a ajuda de custo mensal de R$ 2 mil, que receberão do Mais Médicos. Todos têm filhos pequenos e dizem que quiseram voltar ao Brasil para ficar perto da família. A crise econômica em Portugal e Espanha também pesou:
— A crise ajudou a pensarmos no futuro dos nossos filhos — disse o médico gaúcho Luís Adriano Raiter, de 39 anos.
Casado com uma médica nascida em Tocantins e também formada na Espanha, na cidade de Cádiz, Luís Adriano tem dois filhos, de 3 e 5 anos. A mulher dele é outra que virá para Trindade na próxima leva de profissionais do Mais Médicos.
Que coisa, Dr. Coxinha, a “invasão cubana” não acabou! Virão mais destes “comunistas de Fidel”!
Mas os “cubanos” de Trindade têm um problema.
O CRM não lhes deu o registro necessário para que possam trabalhar.
Para fazer aquilo que o Dr. Coxinha acha difícil, e eles não.
Para cuidar de pessoas que eles acham que são a razão de ser da medicina, e o Dr. Coxinha, não.
Porque os “cinco cubanos” de Trindade podem depender de um papel para exercer a medicina. Mas não dependem de papel nenhum para serem médicos de verdade.
O Dr. Coxinha tem razão no cartaz com que posou de “vítima”.
Não faltam médicos em Trindade.
Agora, não.
Por: Fernando Brito

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Câmara pune trabalho escravo. Alô, alô, Ali Kamel !



A deputada Jandira Feghalli (PC do B – RJ) telefona ao Miro para comemorar uma vitoria também dela, de dez anos de luta:

Saiu na Agencia Brasil:

Câmara aprova PEC do Trabalho Escravo

Iolando Lourenço

Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Câmara dos Deputados acaba de aprovar, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo por 360 votos favoráveis, 29 contrários e 25 abstenções. A matéria volta, agora, ao Senado Federal, para nova rodada de votações em dois turnos.

A PEC foi à votação depois de dez anos tramitando no Congresso. A votação em primeiro turno ocorreu em agosto de 2004. A pressão em favor do texto é grande e conta com a participação de organizações não governamentais ligadas à defesa dos direitos humanos, de centrais sindicais e do próprio governo, que estão se mobilizando desde o ano passado para garantir a aprovação.

Edição: Fábio Massalli


Essa votação na Câmara é uma singela homenagem ao Gilberto Freire com ï”, (*), o Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da Globo, que escreveu um livro – “Não somos racistas”, um retumbante best-seller – em que assegura: com o fim da Escravidão, em 1888 – em 1888 ! – , não havia mais obstáculo para o negro brasileiro vencer na vida.
Um jenio !
Convém recordar também que o primeiro entrevero entre o Ministro Joaquim Barbosa e o ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo – aquele do Demóstenes ao Cachoeira, “o Gilmar mandou buscar !” – se deu por conta da aplicação da Lei contra quem empregava trabalha o escravo.
Não é difícil, amigo navegante, imaginar quem estava do lado do cabo do chicote e quem estava na ponta do chicote, para usar imagem de Machado de Assis, que entendia de Escravidão e fazia de conta que não entendia.
Clique aqui para ler “Gilmar, Kamel e Heraldo, como o PHA se defendeu”.
(*) Conta-se que D. Madalena, um dia, em Apipucos, virou-se para o marido e disse: Gilberto, essa carta está em cima da tua mesa há mais de um mês e você não abre. Não posso abrir, disse o Mestre. Não é para mim, é para um Gilberto Freire, com “ï”.
Paulo Henrique Amorim

Filho da Kátia Abreu e mais 54 votam contra PEC do Trabalho Escravo, mas perdem

A Câmara dos deputados aprovou na terça-feira (22), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438/01, que permite a expropriação de imóveis rurais e urbanos onde a houver exploração de trabalho escravo.

Esses imóveis serão destinados à reforma agrária ou a programas de habitação popular.

A proposta é oriunda do Senado e, como foi modificada na Câmara, volta para exame dos senadores.

Foram 360 votos a favor. Para aprovar eram necessários 308 votos.

Votaram contra 55 deputados (soma de Não + abstenção + obstrução), entre eles o deputado Irajá Abreu (PSD-TO), filho da senadora Kátia Abreu (PSD-TO).

Dois tucanos e dois pedetistas votaram contra.

Total de parlamentares por partido que votaram contrários a acabar com o trabalho escravo:

PSD: 15
PMDB: 15
DEM: 6
PP: 5
PR: 4
PTB: 3
PSDB: 2
PDT: 2
PSC: 2
PHS: 1

Nome aos bois:

Eis a lista de quem votou contra acabar com o trabalho escravo:



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ITÁLIA ENGASGA ENTRE O ARROCHO E A FALÊNCIA.----- 81% DOS ESCRAVOS DE HOJE SÃO NEGROS, CONFIRA ABAIXO

Depois de admitir o fracasso do 'ajuste' imposto à Grécia; das divergências sobre quem pagará o custo da crise , sobretudo, quanto os bancos  vão assumir desse fardo,  a cúpula do euro desta 4ª feira  tromba com um novo desafio emergencial. A Itália de Silvio Berlusconi está engasgada entre um vencimento de dívida no valor de 297 bilhões de euros, em 2012, e a dificudade para  cumprir planos de arrocho que injetem confiança nos credores desse mega-passivo. A prometida  elevação da idade mínima para a aposentadoria, dos 65 anos para 67, é um dos caroços. Berlusconi logrou fechar um acordo provisório com seus aliados, mas eles próprios não escondem a hesitação diante da impopularidade da medida. É oportuno lembrar que nas manifestações globais do dia 15 de outubro, Roma foi palco de protestos massivos, talvez os maiores daquela jornada. A Itália é a 3ª economia do euro; sua dívida total é de 1,8 trilhão de euros; cerca de 800 bilhões estão colocados fora do país --bancos alemães e franceses arcam com um pedaço expressivo do mico. Mas a maior parte da batata quente arde nas carteiras de empresas e instituições italianas. Se o país
se tornar a bola da vez da crise será difícil evitar uma fuga em massa de credores,
alimentando o incêndio na interligação das finanças públicas e privadas. A crise sistêmico do euro, pelo visto, escavou mais uma porta de entrada, sem que os líderes da UE tenham conseguido fechar as anteriores. Esse é o cenário da cúpula de hoje.
(Carta Maior; 4ª feira, 26/10/ 2011)
 
Interessante: como o Kamel explica que os escravos não sejam brancos ?

Saiu do Globo, extraído do Blog do Nassif:
Cabe observar que os escravocratas do Brasil do Século XXI são sudestinos.

Viva a elite do Brasil!

Ou, como dizia a Evita Peron, “los oligarcas de mierda”.

O perfil dos escravistas


Do Globo.com


Fazendeiros acusados de trabalho escravo são do Sudeste, com boa formação e ligados a partidos políticos


BRASÍLIA -A pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que pela primeira vez traçou o perfil das vítimas de trabalho escravo no Brasil, mostra quem são os fazendeiros acusados de explorar os trabalhadores nessas condições. Com base na Lista Suja do Ministério do Trabalho, entrevistas com 12 dos 66 contactados pelo organismo permitiram concluir que a maioria deles nasceu no Sudeste, mas mora nas regiões próximas às lavouras (Norte, Nordeste e Centro-Oeste). Eles têm curso superior e declararam como profissões pecuarista, agricultor, veterinário, comerciante, gerente, consultor e parlamentar. São filiados ao PMDB, PSDB e PR.


Os aliciadores (gatos) têm baixa escolaridade, idade média de 45,8 anos, são na maior parte nordestinos e vivem nas regiões Norte e Centro-Oeste.


A pesquisa, chamada “Perfil dos principais atores envolvidos no trabalho escravo rural no Brasil”, mostra ainda que Maranhão, Paraíba e Piauí são exportadores desse tipo de mão-de-obra. Segundo o levantamento, realizado a partir de depoimentos de 121 pessoas libertadas pela fiscalização do governo, entre 2006 e 2007, esses três estados foram as principais origens dos trabalhadores resgatados em Goiás (88%) e Pará (47%). No Mato Grosso e na Bahia, 95% deles eram procedentes da região.


Segundo a OIT, a agropecuária continua sendo o setor de maior concentração de trabalho escravo, sobretudo nas fazendas de cana-de-açúcar e produção de álcool, como é o caso do Pará; plantações de arroz (Mato Grosso); culturas de café, algodão e soja (Bahia); lavoura de tomate e cana (Tocantins e Maranhão).


O coordenador do projeto de combate ao trabalho escravo da OIT no Brasil, Luiz Antonio Machado, disse que a pesquisa mostrou que a dinâmica do trabalho escravo no país tem se mantido, tanto nos estados com maior ocorrência, quanto nas atividades econômicas. Ele destacou, porém, que o governo aumentou também a fiscalização nas regiões Sul e Sudeste.


O levantamento também mostrou que as desigualdades de renda e raça se reproduzem entre as vítimas do trabalho escravo: 81% são negros, oriundos das regiões Norte e Nordeste, com renda média de 1,3 salário mínimo. Do universo entrevistado, 18,3% são analfabetos e 45% têm menos de cinco anos de estudo, sendo considerados analfabetos funcionais.


Entre as recomendações para tornar as políticas de combate ao trabalho escravo mais efetivas, a OIT sugere programas de qualificação profissional e elevação da escolaridade dos trabalhadores nas áreas de maior concentração, associados ao benefício do Bolsa Família; criação de empregos nos municípios de origem e residência dos trabalhadores; e realização de programas de reforma agrária, com apoio à agricultura familiar.


Bolsa família não barra trabalho escravo


O estudo da OIT revela ainda que o benefício do Bolsa Família não tem sido suficiente evitar a ocorrência do problema. O levantamento, realizado a partir de depoimento de 121 pessoas, revela que em 67% das famílias de trabalhadores libertados, existem crianças e adolescentes, sendo que 28% delas são beneficiárias do programa.


O levantamento concluiu também que quase 60% dos trabalhadores resgatados são reincidentes e que a fiscalização do governo conseguiu libertar apenas 12,6% deles – o que revela a pouca efetividade das políticas de combate ao trabalho escravo no Brasil.


Segundo Luiz Antonio Machado, coordenador do projeto da OIT de combate ao trabalho escravo no país, o Bolsa Família ajuda a reduzir a vulnerabilidade dos trabalhadores porque melhora a alimentação das famílias, mas por si só, não evita que os chefes dessas famílias se submetam a condições degradantes de trabalho, com cerceamento de liberdade.


- O Bolsa Família é insuficiente para impedir que os trabalhadores sejam vítimas de trabalho escravo – disse Machado, defendendo que o governo desenvolva outros programas associados, como criar empregos nas localidades onde residem esses trabalhadores, ofertando cursos de qualificação.


Entre trabalhadores libertos, 85% têm baixa escolaridade


A pesquisa revelou que 85% dos trabalhadores libertados, além de baixíssima escolaridade (analfabetos e com menos de quatro anos de estudo), nunca fizeram um curso de qualificação. No entanto, 81,2% deles declararam que gostariam de fazer algum curso, principalmente os mais jovens: 95,2% dos que têm menos de 30 anos disseram ter preferência nas áreas de mecânica de automóveis, operação de máquinas, construção civil (pedreiro, encanador, pintor) e computação.


Segundo Machado, o alto índice de recorrência se deve à falta de alternativas, sobrando nas áreas rurais apenas a “empreitada”. Ele disse que além da equipe de fiscalização não conseguir cobrir todo o país, é preciso que haja maior conscientização. Na maioria das vezes, o trabalhador não denuncia. Em alguns casos, eles conseguem fugir ou, depois que a empreitada acaba, são liberados sem receber pelo serviço.


A pesquisa revelou também problemas no combate ao trabalho infantil: 92,6% dos entrevistados começaram a trabalhar antes dos 16 anos de idade, em média aos 11,4 anos. Os trabalhadores foram ouvidos entre outubro de 2006 e julho de 2007. Eles foram libertados de fazendas no Pará, Bahia, Mato Grosso e Goiás.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Os imigrantes, órfãos da globalização



A situação dos trabalhadores imigrantes é das mais significativas do mundo contemporâneo. A desregulamentação promovida pelo neoliberalismo permitiu o deslocamento dos capitais para qualquer parte do mundo que, por sua vez, pôde engajar força de trabalho nas melhores condições para eles.

Para tomar casos concretos de países que mais exportam mão-de-obra no nosso continente, El Salvador e Equador dolarizaram suas moedas, com as correspondentes consequências dramáticas que introduziram. Seguiram as indicações do FMI e se tornaram vitimas privilegiadas do livre comércio. Suas economias foram abertas, sua economia dolarizada, com um empobrecimento acelerado de toda a população e imigração maciça dos seus trabalhadores, buscando emprego e fontes de renda para envio às suas famílias.

El Salvador exportou maciçamente mão-de-obra para os EUA, o Equador para a Espanha. Trabalhadores que passaram a ser submetidos à superexploração da sua força de trabalho, seja por estar em condições de absoluta ilegalidade ou sem possibilidades de acolher-se às proteções possíveis do trabalho: legislação do trabalho, Justiça do Trabalho, sindicatos.

Eles se tornaram chave do ponto de vista econômico, porque as taxas de exploração da sua força de trabalho alimentam fortemente o processo de acumulação de capital. No caso dos EUA, se concentram – junto aos mexicanos e a outros imigrantes latino-americanos – no setor de serviços, que ganhou peso cada vez maior nesse país, conforme a estrutura produtiva foi em parte deslocada para outros países, com mão de obra muito mais barata – como México, China, entre outros.

No caso da Espanha, os trabalhadores equatorianos – junto a outros latino-americanos – alimentaram o boom da construção civil, motor do ciclo expansivo que explodiu recentemente por suas fragilidades na expansão do crédito, de forma similar ao que aconteceu nos EUA -, assim como se concentram nos trabalhos domésticos. Como sempre, trabalhos desqualificados, que não interessam aos trabalhadores espanhóis.

Esses trabalhadores são os mais fragilizados do ponto de vista da garantia dos seus direitos, em primeiro lugar, do emprego. Quando chegou a crise, foram os primeiros a perder seus postos de trabalho, com todas as consequências, antes de tudo a suspensão do envio de recursos para suas famílias nos seus países originários. Eles compõem o grosso das enormes taxas de desemprego nesses países – mais de 20% na Espanha e de mais de 45% entre os jovens, mesmo se uma parte deles não está computada, por estar em condições de absoluta informalidade.

Além da dimensão econômica do fenômeno, há as dimensões sociais e culturais. São submetidos a formas de marginalização, são discriminados, quando não diretamente criminalizados. Concentram assim os trabalhadores imigrantes alguns dos principais problemas do mundo contemporâneo.

Mas um caso ainda mais grave tornou-se um dos exemplos mais escandalosos de catástrofe humanitária. Se os trabalhadores latinoamericanos são aceitos em um país como a Espanha, mesmo com todas as limitações apontadas e outras mais, os africanos nem sequer conseguem chegar ao país. Fazem todos os esforços para tratar de chegar às costas espanholas, mas são simplesmente rejeitados. Semanalmente chegam nos mais diferentes tipos de embarcação, o que faz com que uma proporção alta não resista à travessia. Os outros são presos e devolvidos para os países de onde saíram. 

Não há sequer estatísticas confiáveis sobre sua quantidade, mas são vários milhares, rejeitados ou mortos. Não existem como cidadãos, ninguém os representa, não possuem nenhum direito, são invisíveis. Os espanhóis se acostumaram a pequenas notas nos jornais sobre mais uma embarcação apreendida e o numero de prováveis mortos. Mesmo dispostos a trabalhar em quaisquer condições, nem sequer quando a economia espanhola crescia eram aceitos, menos ainda agora que o país tem uma economia literalmente falida.

São todos órfãos da globalização neoliberal. No caso dos africanos, os casos mais extremos, mais graves, mais desamparados. O livre comércio vale para as mercadorias e os serviços, mas não para os trabalhadores, os seres humanos. 
Postado por Emir Sader às 02:27