Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

segunda-feira, 11 de julho de 2016

PT aumentou emprego e salário por 12 anos sem eliminar um só direito

emprego capa

No último sábado, esta página publicou matéria que provou, por A mais B, que é balela do Michel Temer e do presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, que, na França, a jornada de trabalho tenha passado de 35 horas semanais (e não 36, como esses golpistas afirmaram) para (como disseram primeiro) 80 ou 60 horas (como retificaram depois).

A matéria em tela reproduziu dados da legislação francesa sobre o tema. Esses dados mostram que o que ocorreu naquele país é ter sido autorizada a mera possibilidade de os trabalhadores franceses trabalharem mais horas dos que as 35 que a lei prevê, mas só em condições excepcionais como, por exemplo, em caso de catástrofe (natural ou não) ou para uma distribuição emergencial de medicamentos.

Temer e o presidente da CNI tentaram vender ao público que a França estaria aumentando a carga horária semanal dos trabalhadores, o que, como mostrou a matéria supracitada, é uma tremenda farsa.

Contudo, essa não é a primeira e, provavelmente, nem terá sido a última vez em que os golpistas tentarão vender aos brasileiros a premissa revoltante, criminosa de que é preciso exterminar direitos e benefícios dos trabalhadores para gerar mais empregos no país.

Algumas semanas antes do estarrecedor episódio das “80 horas de trabalho semanais”, o ministro-chefe da Casa Civil interino, Eliseu Padilha, criticou a legislação trabalhista estabelecida em 1946 durante almoço com grupo de líderes empresariais em São Paulo.

Padilha disse reconhecer que “a CLT foi necessária na época de sua criação”, mas “a década de 40 já ficou para trás há muito tempo”. E propôs, para delírio do patronato: “nós temos que olhar rumo ao amanhã e fazer reforma trabalhista”.

Por “reforma trabalhista”, o ministro-chefe dos golpistas quis dizer eliminação de direitos, aumento da jornada de trabalho, com diminuição de salários, e outras barbaridades.
A organização anfitriã – Grupo de Líderes Empresariais – foi criada pelo pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, João Doria, que estava na mesa durante o discurso de Padilha.
Veja o vídeo:



br /> Só quem é muito estúpido e desinformado ou muito mau-caráter e cínico não reconhece que o governo Temer, se vier a ocorrer – por enquanto, é mera ameaça que pode virar realidade –, terá como prioridade tirar dos brasileiros tudo que ganharam com os governos do PT entre 2003 e 2014 – a partir de 2015, os golpistas conseguiram sabotar o Brasil e fizeram tudo piorar.

Temer e sua gangue tentam vender aos brasileiros a premissa ridiculamente frágil de que, para recuperarmos o nível de emprego – de melhora dos salários os golpistas não falam –, será preciso reduzir direitos trabalhistas esculpidos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Uma simples pesquisa na internet revela quão absurda é essa teoria. Os dados que a desmontam estão disponíveis a qualquer um que quiser a verdade. Cumpre a este Blog, portanto, divulgá-los para que todos entendam que a gangue golpista que usurpou o poder (por sorte, ainda interinamente) tem o objetivo único de roubar do povo brasileiro tudo de bom que os governos do PT propiciaram.
Vamos lá.

Em primeiro lugar, tratemos da criação de empregos com carteira assinada – o tipo de emprego que verdadeiramente interessa aos brasileiros.

Para quem não sabe, o número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 59,6% no Brasil em 12 anos, segundo o IBGE. Percentual médio de trabalhadores com emprego formal no setor privado foi de 50,8% em 2014; em 2003, era de 39,7%.

O percentual médio de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado em relação à população ocupada passou de 50,3% (11,6 milhões) em 2013, para 50,8% (11,7 milhões) em 2014. Em 2003 essa proporção era de 39,7% (7,3 milhões).

Em 12 anos esse contingente cresceu 59,6% (ou mais 4,4 milhões), de acordo com dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada nesta quinta-feira (29), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em dezembro de 2014, havia 11,807 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, apresentando estabilidade no mês e no ano.

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

A publicação completa está em:

www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/
 
A publicação da Retrospectiva do Mercado de Trabalho 2003-2014 está em:

www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/estudos_retrospectiva.shtm

Fonte: Portal Brasil com informações do IBGE
 
Mas isso nem é o mais impressionante, porque decorre de outro fenômeno criado pelos governos petistas: a contínua e forte geração de empregos no país, ou as políticas públicas que, por mais de uma década, fizeram o desemprego cair sem parar, como demonstra gráfico do IBGE abaixo reproduzido.

emprego 1
Como o leitor pode constatar, o desemprego no Brasil caiu de 12,6% no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso (2002) para 9,9% no último ano do primeiro governo Lula (2006), 6,7% no último ano do segundo governo Lula (2010) e para 4,8% no último ano do governo Dilma Rousseff (2014).

Nenhum direito foi tirado dos trabalhadores durante esses 12 anos. E sem mexer nos direitos trabalhistas que o governo ilegítimo do golpista Michel Temer quer retirar, os governos petistas conseguiram um outro feito tão importante quanto o de aumentar muito o nível de emprego com carteira assinada: aumentaram fortemente o valor dos salários.

Para quem não sabe, renda real do trabalhador cresceu mais de 33% desde 2003. Renda média anual passou de R$ 1.581,31 para R$ 2.104,16 em 12 anos. Serviços domésticos tiveram maior aumento, com avanço de 69,9% no período.

A média anual da renda da população ocupada do País, descontada a inflação, cresceu 33,1%, entre 2003 e 2014, passando de R$ 1.581,31 para R$ 2.104,16, o que significa acréscimo de R$ 522,85, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apenas em 2014, a média anual do rendimento habitual real da população ocupada (R$ 2.104,16) cresceu 2,7% em relação a 2013 (R$ 2.049,35). A população ocupada compreende as pessoas que tinham trabalho na semana anterior à realização da pesquisa, ou seja, os indivíduos que tinham um patrão, os que exploravam seu próprio negócio e os que trabalhavam sem remuneração em ajuda a membros da família.
Fonte: Portal Brasil com informações do IBGE

O que é mais importante em tudo isso nem são os números, mas o fato de que os bons governos petistas fizeram a vida da maioria avassaladora dos brasileiros melhorar contínua e fortemente durante mais de uma década. Foram 12 anos – DOZE ANOS!! – de melhora ininterrupta.

Os fatos acima elencados mostram outro dado muito importante: o PSDB e o PMDB não aprenderam nada durante a era petista. Tucanos, peemedebistas e pefelês (hoje demos) chegaram ao poder em 1995 e conseguiram ficar 8 anos no poder com ajuda de uma imprensa, de um Ministério Público e de uma Polícia Federal que serviam aos donos eventuais do poder. Mas foi pouco tempo, se compararmos com o que conseguiu o PT.

Enquanto a direita fascista conseguiu 2 mandatos presidenciais, os governos progressistas conseguiram 4 e poderiam ter conseguido 6, 8 ou 10, se não fosse a crise econômica internacional, a Lava Jato partidarizada e a maioria reacionária de ultradireita que se formou no Congresso na eleição de 2014 graças a erros da própria esquerda (junho de 2013).

Como sempre, a direita subestima o povo. Subestimou durante a era FHC achando que poderia vender o Brasil a preço de banana e eliminar direitos trabalhistas – esse discurso de Eliseu Padilha sobre tirar direitos para criar empregos, que você viu no vídeo acima, era comum na vez anterior em que tucanos, pefelês e peemedebês estiveram no poder (1995 – 2002).

Por tudo isso, de alguma forma seria bom para o Brasil que Temer conseguisse governar até 2018. Claro que a democracia seria conspurcada – e isso é muito grave, é até inaceitável –, mas os brasileiros provariam desse remédio amargo que é a direita governar e em 2018 voltariam correndo para a esquerda, implorando a volta de Lula.

O grande desafio das pessoas racionais e informadas é mostrar os dados acima ao povo brasileiro para que entenda quão absurda e criminosa é a “proposta” do governo de Temer, de sua gangue demo-tucano-peemedebê e da mídia golpista no sentido de que seria preciso eliminar direitos dos trabalhadores e deprimir salários para gerar empregos no Brasil.

sábado, 9 de julho de 2016

Pela jornada de 80 horas para quem vestiu camiseta amarela


escravidão capa

EDUGUIM 

 O lado obscuro da alma do blogueiro sente uma satisfação mórbida quando se materializam desgraças que os que sabiam que o golpe era golpe avisaram que sobreviriam. Apesar de que estar certo, nesse caso, significa que você também vai se dar mal, é analgésico saber que as hordas de imbecis que se fantasiaram com camisetas amarelas também pagarão alto preço.

Claro que muitos dos fascistas que inundaram as ruas pedindo golpe contra Dilma Rousseff serão, sim, beneficiados por medidas contra os trabalhadores que decorrerão da derrubada do governo eleito em 2014. São os que têm motivos para apoiar o golpe por serem beneficiários de medidas contra trabalhadores que o golpista Michel Temer já anunciou que tomará.

Porém, quase todos os camisas-amarelas que ajudaram a jogar o Brasil nesse buraco vão se dar tão mal quanto quem não queria o golpe, porque a quase totalidade dessas hordas de descerebrados é empregada de alguém, por mais que ocupe cargos mais altos nas empresas.

Os camisas-amarelas ajudaram a colocar no poder um grupo político identificado com grandes empresários que têm forte interesse na piora das condições de trabalho dos assalariados. Essa gente começou a se animar a pregar suas sandices durante o ano eleitoral de 2014.

Benjamin Steinbruch, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), diretor-presidente da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e do Grupo Vicunha, participou do programa de web TV Poder e Política, da Folha e do “UOL”, conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues. A gravação ocorreu em 25.set.2014 no estúdio do UOL em São Paulo.

Para resumir as loucuras que aquele sujeito pregou, basta um trecho de sua entrevista:

Fernando Rodrigues – O problema do custo do empregado para o empregador está relacionado diretamente aos direitos que os empregados têm. Como é possível reduzir o valor que se paga para ter empregado sem reduzir os direitos que lhe tem hoje?

Benjamin Steinbruch – Por exemplo, se você vai hoje em uma empresa nos Estados Unidos, aqui a gente tem uma hora de almoço, normalmente não precisa de uma hora do almoço, porque o cara não almoça em uma hora. Você vai nos Estados Unidos você vê o cara almoçando com a mão esquerda e operando… comendo o sanduíche com a mão esquerda e operando a máquina com a direita, e tem 15 minutos para o almoço, entendeu? E eu acho que se o empregado se sente confortável em poder, eventualmente, diminuir esse tempo, porque a lei obriga que tenha que ter esse tempo?

É óbvio que isso não existe. Não é desse jeito que acontece. E mesmo que fosse verdade, nos EUA a jornada de trabalho é menor e os salários são muito maiores. Mas, como o leitor irá conferir adiante, esses dementes dessas entidades ligadas à indústria pegam uma exceção em países ricos que oferecem excelentes condições de trabalho e a transformam em regra.

Na imagem abaixo, cena das mais de duas horas de reunião na última sexta-feira entre o presidente interino Michel Temer e cerca de 100 empresários da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ao lado de Temer, Robson Braga de Andrade, presidente da entidade. Temer e Braga de Andrade concordaram em adotar “mudanças duras” tanto na Previdência Social quanto nas leis trabalhistas.
 escravidão

—– escravidão

Uma das “mudanças duras” discutidas pelos dois filhos das respectivas mães diz respeito à jornada de trabalho dos brasileiros. O presidente da CNI sugeriu que o Brasil adote iniciativas similares às que teriam sido adotadas pelo governo francês, que, sem aval do Parlamento, teria conseguido aprovar jornada laboral de até 80 horas semanais e/ou 12 horas diárias.

Abaixo, a pregação textual de Braga de Andrade, da CNI. Vale informar que antes de jogar a bomba na praça, o presidente daquela entidade empresarial discutiu o assunto com o presidente interino da República.

“Vimos agora o governo francês, sem enviar ao Congresso Nacional, tomar decisões com relação às questões trabalhistas. No Brasil, temos 44 horas de trabalho semanal. As centrais sindicais tentam passar esse número para 40. A França, que tem 36 passou, para a possibilidade de até 80 horas de trabalho semanal e até 12 horas diárias de trabalho. A razão disso é muito simples. A França perdeu a competitividade de sua indústria com relação aos demais países da Europa. Agora, está revertendo e revendo suas medidas, para criar competitividade. O mundo é assim e temos de estar aberto para fazer essas mudanças. Ficamos ansiosos para que essas mudanças sejam apresentadas no menor tempo possível”

A proposta caiu como uma bomba, na sexta-feira. Como sempre ocorre nas redes sociais, a loucura proposta pelos dois “presidentes” (da CNI e da República) acabou virando piada, já que não havia meio de discutir seriamente o verdadeiro genocídio social que está em gestação.
 escravidão 2

—- escravidão 2

O mais engraçado é que, apesar de a declaração do presidente da CNI – que, não se esqueça, foi acordada com Temer – jamais ter sido omitida, diante da repercussão estrondosa e do surto de indignação que sobreveio, a CNI entendeu que divulgando a íntegra daquela declaração alguma coisa mudaria.
Confira a nota da CNI divulgada para “negar” a proposta clara de aumento drástico da jornada de trabalho dos brasileiros.
 escravidão 3


—– escravidão 3

Parece brincadeira, mas é sério. O que a nota de “esclarecimento” da CNI mudou? Não está claro que o presidente da entidade acha que é aceitável um aumento tão drástico da jornada de trabalho dos brasileiros?
O mais preocupante, porém, é que Michel Temer e o tal Robson Braga de Andrade estão absolutamente equivocados. Não houve mudança alguma na jornada de trabalho dos franceses. O que houve foi uma autorização do governo francês para que, em situações muito especiais (que serão descritas a seguir), a jornada de trabalho possa chegar a 60 horas, não a 80.

Em primeiro lugar, vale informar que a legislação trabalhista francesa estabelece jornadas de trabalho 35 horas semanais, e não 36 – no Brasil são 44 horas semanais.

Sites que se dedicam a apurar informações incorretas divulgaram que o que a nova lei trabalhista francesa estipula é que, apenas em casos de emergência e após negociação com sindicato, as horas extras poderão chegar às tais 12 horas (oito horas, com quatro horas extras pagas em cinco dias da semana; isto é, 60 horas).

Caso contrário, continua valendo o máximo de 10 horas (oito horas, com, no máximo, duas horas extras, no mesmo período). No Brasil, a soma dessas horas é semelhante.

A nova legislação francesa também reafirma que, “durante a mesma semana, a duração máxima do trabalho é de 48 horas” e que “o tempo de trabalho semanal calculado ao longo de 12 semanas consecutivas não deve exceder 48 horas”, exceto em casos de exceção previstos na lei.

José Carlos de Carvalho Baboin, mestre em direito do trabalho pela Sorbonne e pesquisador do tema na USP (Universidade de São Paulo), explica que a jornada máxima a ser permitida passa a 60 horas semanais, porém essas horas extras são exceções previstas em decretos e aplicáveis apenas em circunstâncias excepcionais.

“São casos extremos nos quais o governo francês vai permitir 12 horas semanais. Por exemplo: acontece uma grande nevasca e a empresa responsável por limpar as estradas cheias de neve precisa que os trabalhos excedam as 10 horas. Ou desabastecimento de algum remédio ou em caso de surto epidêmico”, explica.
Isso significa que, para poder demandar essa jornada de 60 horas, o empregador vai precisar de autorização de uma autoridade administrativa responsável pela inspeção do trabalho, que concederá essa permissão com base em condições determinadas pelo Conselho de Estado da França. Essas 60 horas não podem ser usadas por uma empresa que fechou um contrato com um cliente e precisa aumentar a produção, por exemplo.

O decreto em questão, no entanto, ainda não foi expedido, então não se sabe como funcionará de fato a regulamentação. Já as alterações na lei devem entrar em vigor apenas no fim deste mês, portanto não há dimensão factual do seu impacto.

O texto original do projeto de lei francês pode ser conferido aqui e a discussão legislativa aqui. Reproduzimos, abaixo, os trechos em questão, incluindo as exceções previstas na legislação.​

Art. L. 3121-17. – La durée quotidienne du travail effectif par salariéne peut excéder dix heures, sauf:
1° En cas de dérogation accordée par l’autorité administrative dans des conditions déterminées par décret ;

2° En cas d’urgence, dans des conditions déterminées par décret ;
3° Dans les cas prévus à l’article L. 3121-18.

Art. L. 3121-18. – Une convention ou un accord d’entreprise ou d’établissement, ou, à défaut, un accord de branche peut prévoir le dépassement de la durée maximale quotidienne de travail, en cas d’activité accrue ou pour des motifs liés à l’organisation de l’entreprise, à condition que ce dépassement n’ait pas pour effet de porter cette durée à plus de douze heures.

Art. L. 3121-19. – Au cours d’une même semaine, la durée maximale hebdomadaire de travail est de quarante-huit heures.

Art. L. 3121-20. – En cas de circonstances exceptionnelles et pour la durée de celles-ci, le dépassement de la durée maximale définie à l’article L. 3121-19 peut être autorisé par l’autorité administrative dans des conditions déterminées par décret en Conseil d’État, dans la limite de soixante heures.

Art. L. 3121-21. – La durée hebdomadaire de travail calculée sur une période quelconque de douze semaines consécutives ne peut dépasser quarante-quatre heures, sauf dans les cas prévus aux articles L. 3121-22 à L. 3121-24.

Aliás, vale informar ao distinto leitor que em nenhum lugar do mundo essa jornada de trabalho é praticada. Conforme aponta estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país onde mais se trabalha no mundo é o México, com 9,54 horas diárias; em segundo lugar vem o Japão, com 9 horas diárias.

As médias de jornada revelam, inclusive, a quantidade além da imposta pela legislação trabalhista dos países. Isso porque a Organização Internacional do Trabalho classifica como “insalubre” qualquer jornada que exceda a 48 horas semanais.

Segundo a Organização em seu estudo Duração do trabalho em todo o mundo: tendências de jornadas de trabalho, legislação e políticas numa perspectiva global comparada, a preservação da saúde dos trabalhadores foi um ponto primordial para a adoção de um teto global de 48 horas no início do Século XX.
Durante as últimas cinco décadas houve uma mudança global para um limite de 40 horas. A evidência mais recente, em um estudo de 2005 da OIT, mostra que esse limite é o patamar predominante no mundo.

“O limite de 40 horas, no entanto, não tem sido visto apenas como um estímulo para a geração de empregos, mas tem sido reconhecido como contribuição para um conjunto maior de objetivos, inclusive, em anos recentes, o aprimoramento do equilíbrio trabalho-vida” – apontou a organização no relatório.
Segundo a Organização, a extensão da jornada de trabalho está intrinsecamente ligada à baixa produtividade e baixos salários, uma vez que os trabalhadores precisam se utilizar de horas-extras para aumentar os rendimentos.

Leia o relatório completo da OIT.

Enfim, esse episódio mostra o nível de desinformação dessas entidades empresariais, os planos maléficos e antipopulares desses pilantras e, o que é pior, a mentalidade assustadora do grupo político que governa o Brasil.

Diante dessa situação alarmante em que os grupos antipetistas jogaram o Brasil, bem que as pessoas que perceberam aonde tudo aquilo ia dar poderiam ficar isentas das medidas “temerárias” dos golpistas. Que tal criarem um movimento que exija que só quem defendeu o impeachment seja submetido às loucuras de Temer?

Poderiam criar um regime de trabalho especial para quem quis colocar Temer no poder. Os camisas-amarelas trabalhariam 80 horas semanais e os cidadãos normais continuariam trabalhando 44.

Olhando a foto dos palhaços que foram endeusar os empresários que querem a volta da escravidão, é difícil conter o riso. Aquele pato para o qual os camisas-amarelas fizeram culto diante da Fiesp é, ou não, o símbolo perfeito para aquelas hordas de imbecis que jogaram o país nas mãos de psicopatas como Michel Temer?

O golpe visto de fora

:

Emir Sader
No começo da crise, a mídia internacional simplesmente reproduzia o que dizia a imprensa brasileira. Era uma espécie de continuidade da operação de desconstrução da imagem do Brasil de Lula, iniciada com as manifestações de 2013. Por ela, o Brasil deixava de ser o país que combatia radicalmente a fome e a desigualdade para ser o país da corrupção. O país deixava de ter modelo de desenvolvimento econômico com distribuição de renda factível e virtuoso para ser um país inviável economicamente e caótico. 

Comandavam essa operação alguns dos órgãos conservadores de maios peso na formação da opinião pública internacional, entre eles The Economist, Wall Street Journal, El País, Financial Times.

Era preciso destruir a imagem do Brasil como modelo internacionalmente reconhecido de alternativa ao neoliberalismo. A imagem de Lula como o mais importante líder político no combate à fome, como "o cara", deveria ser substituída pela de um líder de um projeto falido e sua imagem esquecida.

A crise, segundo grande parte da mídia internacional, no seu início, era uma continuidade da interpretação dela simplesmente como um estágio final da esgotamento dos governos do PT, corroído por sua própria corrupção. Era a versão da mídia brasileira reproduzida mecanicamente fora do Brasil.

Quando a crise se tornou aguda, os principais meios de comunicação de todo o mundo mandaram seus correspondentes para acompanhar seu desenlace, conforme anunciada pela mídia. Ao chegar, logo se deram conta que se tratava exatamente do contrário: são os corruptos, com Eduardo Cunha e Michel Temer à cabeça, os que tratam de derrubar uma presidenta honesta, que não havia cometido nenhum crime de responsabilidade que permitisse a aplicação do impeachment e que se trata efetivamente de um golpe político dos setores mais conservadores do país, para bloquear um modelo vitorioso quatro vezes nas urnas e cuja imagem é o prestígio vigente do próprio Lula, sobre quem nenhuma acusação de corrupção foi comprovada.

Gerou-se então uma impressionante unanimidade internacional, maior do que em qualquer outro momento, inclusive durante a ditadura militar, de condenação do golpe e de ilegitimidade do governo que surge daí. Mesmos os órgãos mais neoliberais, que se entusiasmam com os planos privatizadores de Henrique Meirelles, se dão conta da fragilidade política do governo e de como ele está composto por um bando dos políticos mais corruptos do Brasil

sexta-feira, 8 de julho de 2016

O mundo de Temer: sem SUS, com jornada de 80 horas e aposentadoria aos 75



 :
O jornalista Gustavo Gindre sintetizou as três propostas mais esdrúxulas que surgiram durante a interinidade de Michel Temer: uma idade mínima de aposentadoria superior à expectativa de vida em vários estados do País, a privatização da saúde pública e, agora, uma jornada de trabalho duas vezes maior do que a atualPor 

Gustavo Gindre, em seu Facebook
 
Imagine um mundo onde não haja SUS, as pessoas tenham que trabalhar 11 horas por dia, sete dias por semana (as tais 80 horas), e que só possam se aposentar aos 75 anos de idade, independente de terem começado a trabalhar aos 14.
Imaginou?

Pois, o Temer imaginou!!!

 Tijolaço ironiza proposta de 80 horas da CNI: chamem a princesa Isabel!
 
 :


"A escravidão acabou há mais de um século, mas o pensamento escravocrata está por aí…", diz Fernando Brito, sobre a proposta levada por Robson Andrade, da CNI, sobre uma jornada de trabalho de 80 horas semanais; "Agora, com Temer no Governo, esta gente está alvoroçada… Claro que não vão ter peito de propor 80 horas, mas vão achar um jeito de deixar que a jornada possa ser livremente negociada entre patrões e empregados", completa 
 
Por Fernando Brito, editor do Tijolaço 

 Depois de um encontro com o presidente em exercício, Michel Temer, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade ficou tão animado que resolveu propor uma jornada de trabalho de “apenas” 80 horas semanais para o trabalhador brasileiro.

-“Vimos agora o governo francês, sem enviar ao Congresso Nacional, tomar decisões com relação às questões trabalhistas. No Brasil, temos 44 horas de trabalho semanal. As centrais sindicais tentam passar esse número para 40. A França, que tem 36 passou, para a possibilidade de até 80 horas de trabalho semanal e até 12 horas diárias de trabalho.

Não é conversam inha, não, Está no site da EBC que, cumprindo o seu dever de se ajustar ao que diz a grande mídia, mudou o título que reproduzi acima por outro, menos chocante.
Uma jornada de 80 horas, para ficar mais fácil de entender seriam 14:30 horas nos dias de semana e mais 7:30 aos sábados, “meio-expediente”

O camarada entra às 7 da manhã e sai às 9:30 da noite, se segunda a sexta, isso se não tirar hora do almoço ou do jantar. Com mais uma hora (no barato) para ir e outra para voltar, sai de casa às seis e chega 22:30h.
Que beleza!

A escravidão acabou há mais de um século, mas o pensamento escravocrata está por aí…
Escravocrata e mentiroso, porque é evidente que a França não adotou as 80 horas semanais e as mudanças na legislação, que é de 35 horas semanais, tem de passa no Legislativo e por conta disso os franceses estão quebrando o pau por lá há dois meses.

Agora, com Temer no Governo, esta gente está alvoroçada… Claro que não vão ter peito de propor 80 horas, mas vão achar um jeito de deixar que a jornada possa ser livremente negociada entre patrões e empregados.

Com tanta animação, dá para achar que os tais 13% de popularidade que deram a Temer na pesquisa encomendada pela CNI já são meio esquisitos…
Lerê, Lerê…




Financista prevê: Temer terá um fim ainda pior que o de Cunha

Beto Barata/ Presidência da República:

Em artigo publicado no Diário do Centro do Mundo, o economista Carlos Fernandes diz que "a única coisa mais afrontosa que Eduardo Cunha na presidência da Câmara é, sem dúvidas, Michel Temer na presidência da República"; "Se ainda resta a Cunha o discurso de ter chegado à presidência da Câmara pela via dos votos, nem isso Temer pode alegar. A ilegalidade de sua presidência é ainda mais aviltante e se aprofunda à medida que se aprofunda a ruína de quem deu início a tudo isso", afirma 

247 – Em um artigo publicado no Diário do Centro do Mundo, o economista Carlos Fernandes prevê que o presidente interino, Michel Temer, terá um fim ainda pior que o de Eduardo Cunha, que anunciou ontem sua renúncia à presidência da Câmara. "A única coisa mais afrontosa que Eduardo Cunha na presidência da Câmara é, sem dúvidas, Michel Temer na presidência da República", diz ele.

Para Fernandes, "se ainda resta a Cunha o discurso de ter chegado à presidência da Câmara pela via dos votos, nem isso Temer pode alegar. A ilegalidade de sua presidência é ainda mais aviltante e se aprofunda à medida que se aprofunda a ruína de quem deu início a tudo isso".

"Humilhado, Eduardo Cunha saiu da presidência que tanto sonhou através de uma carta de renúncia ridícula que nada mais fez do que retratar toda a tragédia que foi a sua gestão. Michel Temer terá, independente do que aconteça no Senado, um desfecho ainda pior", conclui.

Leia aqui a íntegra.

“Se houve acordo Temer-Cunha, é hora de por fim à farsa do impeachment”

:

Senador Roberto Requião (PMDB-RJ) diz ser "inaceitável" a possibilidade de que o presidente interino, Michel Temer, tenha ido "compor" com o agora ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), "para manobrar sua absolvição"; "Se realmente o governo interino avalizou o acordo na Câmara com Cunha é chegada a hora de por fim a farsa do impeachment", afirma o peemedebista, que é defensor da ideia de um plebiscito sobre novas eleições; "Este acordo, ou tentativa de acordo na Câmara, deixa clara a necessidade de acabarmos com a novela de impeachment e pensarmos no Brasil", reforça; Requião diz ainda que a presidente Dilma "seguramente" tem os votos para barrar o impeachment no Senado 


Paraná 247 – O senador Roberto Requião (PMDB-PR) protestou nesta manhã, pelo Twitter, sobre a possibilidade de o presidente interino, Michel Temer, ter ajudado o agora ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a "manobrar sua absolvição" com um acordo que resultaria na renúncia do deputado.

"Não vejo problema em Temer conversar com Cunha, mas compor com ele para manobrar sua absolvição é inaceitável. Claro e simples assim", protesta Requião, que é do mesmo partido de Temer e Cunha, mas grande crítico do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Em meio a renúncia de Cunha, anunciada nesta quinta-feira 7, cresceram os rumores de que foi um ato combinado com Temer. O interino recebeu o deputado afastado no Palácio do Jaburu num domingo à noite há cerca de duas semanas e nos últimos dias recebeu um telefonema de Cunha, segundo o colunista José Casado.

Ontem, o jornal O Globo confirmou, em uma reportagem publicada após o anúncio do afastamento de Cunha, que o acordão pela renúncia contou com a participação direta do Palácio do Planalto. O acordo previa que o processo de cassação de Cunha voltaria da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para o Conselho de Ética na Câmara, dando sobrevida ao parlamentar.

"Este acordo, ou tentativa de acordo na Câmara, deixa clara a necessidade de acabarmos com a novela de impeachment e pensarmos no Brasil", protestou ainda Requião. "Se realmente o governo interino avalizou o acordo na Câmara com Cunha é chegada a hora de por fim a farsa do impeachment", reforçou.

Requião diz ainda que a presidente Dilma Rousseff "seguramente" tem os votos para barrar o impeachment no Senado em agosto. "Partindo de 22 votos e um universo de 57 senadores para conversar e dizer o que pretende, Dilma terá os 6 votos para o terço seguramente", postou

quinta-feira, 7 de julho de 2016

“Pixuleko” contra Lewandowski e Janot não pode, mas contra Dilma pode?!


pixuleco capa

EDUGUIM

Desde o primeiro boneco inflável difamatório (contra Lula) que foi levado às manifestações de rua fascistas, o que ocorreu em agosto do ano passado, muitos se perguntam como é possível que grupos financiados por fontes obscuras promovam esses ataques à honra de cidadãos que, mesmo sendo pessoas públicas, não perderam seus direitos constitucionais.

No protesto de 16 de agosto de 2015 contra Dilma Rousseff apareceu o boneco inflável do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em menos de 48 horas desde sua primeira aparição, durante ato em Brasília, o personagem com roupa de presidiário já estava em São Paulo.

A alegoria de plástico foi batizada de Pixuleko –referência ao termo atribuído pela Lava Jato ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para se referir a propina.
Em poucos dias, o boneco de 300 quilos e 12 metros de altura foi transportado de lá para cá pelo país. Os custos para essa operação não são pequenos, haja vista que para inflar e manter inflado tal aparato é preciso levar geradores pesados e outros equipamentos.

Não demorou e um boneco das mesmas dimensões foi feito contra a presidente Dilma Rousseff. Em poucas semanas, vários desses bonecos eram vistos pelo país. Todos atacando a honra dos alvos. Alguns deles, atacando a presidente da República.

Até hoje não se sabe de onde vem todo esse dinheiro que financiou essas manifestações. E nunca houve interesse das autoridades de procurarem se informar. Tampouco nunca houve uma reação da Justiça ou das polícias a um crime contra a honra de autoridade como Dilma Rousseff e até contra a instituição Presidência da República.

Lula foi autor de notícia-crime que virou inquérito na 17ª Delegacia de Polícia do Ipiranga, em São Paulo. No dia 4 de setembro, o alvo das reclamações de Lula foi o Pixuleko, boneco inflável.

Na notícia-crime, Lula diz que tomou conhecimento “da exibição em via pública de um boneco inflável de 12 metros de altura elaborado a sua semelhança portando vestes de presidiário e com os pés presos a uma bola de ferro constando ainda os números 13 e 171 no peito do boneco”.

O ex-presidente disse que a repercussão do boneco nos meios de comunicação teria causado “eventuais crimes de calúnia, difamação e injúria”, o que é mais do que óbvio. Dilma Rousseff não tomou nenhuma medida contra o boneco difamatório contra si, mas, como é óbvio, caberia à Procuradoria Geral da República ter tomado uma atitude.

Nesta quinta-feira, porém, o Brasil foi surpreendido pela notícia de que, após tantos abusos contra a presidente da República e até contra cidadãos comuns como é hoje o ex-presidente Lula, foi só os fascistas se meterem com o Judiciário e com o Ministério Público para que providências fossem tomadas.
O Supremo Tribunal Federal enviou à Polícia Federal um pedido para que seja aberta investigação para apurar os responsáveis por levar a manifestação na avenida Paulista bonecos do presidente do Tribunal, Ricardo Lewandowski, e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Um oficio assinado pelo secretário de Segurança do Supremo, Murilo Herz, afirma que os dois bonecos da linha “pixuleko” representam “grave ameaça à ordem pública e inaceitável atentado à credibilidade” do Judiciário” e “ultrapassam a liberdade de expressão”.


No dia 19 de junho, segundo o Supremo, manifestantes do grupo Nas Ruas levaram para a avenida Paulista, em frente ao Masp, dois bonecos em alusão ao presidente do STF e ao procurador-geral.
Lewandowski aparecia de terno, gravata vermelha, estrela vermelha com a sigla PT no peito, e foi chamado de Petralovski. O outro boneco mostrava a figura de Janot como um arquivo, também com gravata e estrelas vermelhas, e ainda a grafia Petralhas. Ele foi apelidado de Enganô.

A Secretaria de Segurança, ligada à presidência, pede que seja investigado se o ato caracterizou crime de difamação, que tem como punição prevista detenção, de três meses a um ano, e multa.
De acordo com o Supremo, “foi identificada, como suposta líder da manifestação, Carla Zambelli Salgado”, que no ano passado se acorrentou na Câmara dos Deputados para defender o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Carla, que costumava ser alvo de processos de cobrança judicial, assim como outros líderes de movimentos anti Dilma, Lula e PT, nos últimos tempos fez fama e fortuna sob a desculpa de militância política. Ela resolveu seus problemas financeiros criando impressionantes 43 movimentos antipetistas.

A calúnia e a difamação viraram um próspero negócio. Desde que praticados contra as pessoas “certas”, autoridades ou não, esses crimes contra a honra têm salvado muito picareta de problemas com a Justiça.
Renan Antônio Ferreira dos Santos, por exemplo, um dos três coordenadores nacionais do MBL (Movimento Brasil Livre), entidade civil criada em 2014 sob pretexto de “combater a corrupção e lutar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff”, está envolvido em muitos problemas com a Justiça. É réu em pelo menos 16 ações cíveis e mais de 45 processos trabalhistas, incluindo os que estão em seu nome e o das empresas de que é sócio.

O dinheiro que a militância política rendeu a essa gente a está tirando de problemas financeiros que a estavam levando à falência.

A Justiça não se mexeu na difamação dos bonecos contra Lula, mas alguns poderiam argumentar que ele não é autoridade como Lewandowski ou Janot. Mas Dilma foi alvo desses ataques de bonecos difamatórios e ela, tal qual Lewandowski, é presidente de um Poder. Cadê a iniciativa da PGR ou do STF em defesa da instituição Presidência da República?

A medida do STF contra os bonecos difamatórios de Lewandowski e Janot é vergonhosa. Não por seus motivos, que são absolutamente plausíveis, mas porque mostra que a Justiça usa dois pesos e duas medidas de acordo com a situação política dos cidadãos, das autoridades e das instituições. Se não punirem os pixulekos contra Dilma e Lula, que não punam contra ninguém.

Juntos pelos cassinos: Cachoeira pediu ajuda a Temer para regularizar; hoje, núcleo duro do interino trabalha para aprovar a lei

temer e cachoeira
 
Cachoeira pediu para Temer encaminhar regularização de jogos de azar
  
por Cíntia Alves, no Jornal GGN, em 06/07/2016

Jornal GGN – Março de 2012. O ex-senador Demóstenes Torres, que chegara a estampar reportagens de Veja como um “mosqueteiro da ética”, vira o centro das atenções após cair em grampos da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, que investigava o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Na edição do dia 31 daquele mês e ano, Folha de S. Paulo publicou um diálogo entre Demóstenes e Cachoeira, no qual o bicheiro pediu que Michel Temer (PMDB) encaminhasse um projeto de lei que regulariza os jogos de azar.

O diálogo foi usado na reportagem “Gravações revelam favores de senador para empresário”. A conversa se deu no dia 24 de abril de 2009, quando Temer era deputado e presidente da Câmara.



Cachoeira diz: “Aquele negócio que eu pedi pra você olhar lá. Já chegaram lá? Aquela lei do Maguito?”

Demóstenes responde: “Já chegaram lá. Ela está na Câmara…”

Cachoeira: Pois é, você tinha que trabalhar isso aí com o Michel [Temer], né? Para por em votação…

Demóstenes: Lá isso passa por votação simbólica. Como passou no Senado.

O trecho foi usado para acusar Demóstenes de usar o mandato em nome dos interesses de Cachoeira, que foi preso recentemente na Lava Jato.

A regularização dos jogos de azar é um assunto que volta e meia entra em pauta, sempre que o governo está em crise e busca fontes de receita.

Na época do Cachoeiragate, Demóstenes apareceu alertando que trechos do projeto de regularização de jogos discutido no passado prejudicavam as atividades do bicheiro.

Hoje na presidência em virtude o impeachment de Dilma Rousseff (PT), Temer permite que o núcleo duro do governo trabalhe para aprovar o projeto de lei do Senado (PLS) 186/2014, que consta na Agenda Brasil – conjunto de propostas que o PMDB diz ter apresentado para tirar o País da crise. Geddel Vieira Lima e Henrique Alves, por exemplo, foram citados em reportagem apontando que o PLS seria uma fonte de receita conveniente em meio à situação econômica atual.

O PLS está inserido na ordem do dia, com previsão de ser votado no Senado nesta quarta (6).
Nas contas do governo, a liberação de cassinos e regularização de bingos e caça-níqueis, entre outros pontos, renderia à União uma receita anual de R$ 15 bilhões.

No passado, Temer, enquanto vice-presidente, fez lobby pela regularização. Um jornalista ligado a Cachoeira chegou a publicar que Temer usava um assessor pessoal pra fazer interface com o então presidente da Abrabin (Associação Brasileira do s Bingos).

No governo Lula e início do governo Dilma, o projeto foi ofuscado por escândalos de corrupção envolvendo Cachoeira.

Na CPI de 2012, instaurada na Câmara e Senado após as revelações da Monte Carlo contra Demóstenes e o bicheiro, Temer apareceu novamente. Dessa vez, como um dos membros da cúpula do PMDB – incluindo Eduardo Cunha – que trabalharam duro para evitar a convocação de Fernando Cavendish – também preso na Lava Jato – para depor na CPI. Cavendish era sócio oculto de Cachoeira e dirigente da Delta. A empreiteira, àquela época, era a que mais atuava junto ao governo federal em obras do PAC.

Artigo do jornalista Leandro Fortes, em CartaCapital de maio de 2012, mostrou envolvimento de Temer para impedir, inclusive, que a CPI do Cachoeira avançasse contra jornalistas.

Fortes escreveu: “Desde o início de maio, Temer tornou-se uma espécie de mensageiro da família Marinho. O vice de Dilma tem ouvido e repassado os recados do grupo que comanda a Globo ao governo e aos integrantes da CPI do Cachoeira. E que pode ser resumido em um ponto: a mídia não pode virar alvo na CPI. Isso inclui deixar de fora a mais explícita das relações do bando de Cachoeira com os meios de comunicação: aquela estabelecida com a revista Veja.”

O jornalista referia-se a outra descoberta da Operação Monte Carlo: a de que Cachoeira teria fortes relações com repórter de Veja, Policarpo Junior, a ponto de decidir quando emplacar matérias contra seus adversários na revista semanal.

No final, o time de Temer teve sucesso: a CPI do Cachoeira – que também recebeu ajuda do PT para ser freada – entregou um relatório de uma página e meia, sem indiciar ninguém, muito menos jornalistas. O caso foi sumindo do noticiário tão logo o julgamento do mensalão foi tomando conta daquele segundo semestre de 2012.

Artigo da jornalista Helena Chagas, publicado no portal Os Divergentes, nesta quarta, mostra que o governo Temer tem sofrido pressão para aprovar o projeto de regularização dos jogos.

“O Planalto tem se mantido à distância da discussão porque o assunto é uma bola dividida, mas o governo, nos bastidores, apóia a aprovação do projeto que legaliza os jogos de azar, que será votado hoje pelo Senado. (…) Aliados vêm tratando do assunto na surdina já foram procurados por grandes grupos hoteleiros internacionais interessados em implantar no Brasil resorts com cassinos – modalidade prevista pelo projeto em discussão”, escreveu.

A ideia, contudo, sofre forte resistência de setores que consideram os jogos de azar uma forma de lavagem de dinheiro para criminosos de colarinho branco e traficantes.

“E é por isso que o governo não saiu ainda na defesa aberta do projeto. Michel Temer não quer, por enquanto, comprar briga com setores como o Ministério Público. (…) Há também problemas com a bancada evangélica.”

Leia também:
 

Esmael sabe o que Lula e Requião fazem Quem será o presidente no Natal? - Delfim Netto

LulaRequiao.jpg
 
 
Reprodução: Esmael Moraes.

No Blog do Esmael:
 
Durante jantar, Lula e Requião comemoraram derrota de Temer na Câmara

Horas depois de a mídia partidária e golpista tecer loas à “inquebrantabilidade” do interino Michel Temer (PMDB) no Congresso, eis que o interino sofreu uma dura derrota na noite desta quarta (6) na Câmara.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva jantava no apartamento funcional do senador Roberto Requião (PMDB-PR), na Superquadra Sul, em Brasília, quando soube da 1ª derrota do golpista no parlamento.

Temer precisa de maioria simples (257 votos) para aprovar regime de urgência para a tramitação do projeto sobre a renegociação das dívidas dos estados. Ele obteve apenas 253 votos favoráveis, perdendo assim a maioria e a capacidade de governar o país

Horas antes, a mídia golpista fazia uma torcida pró-Temer acerca do impeachment no Senado. Entretanto, a realidade concreta foi bem outra e pode ser conferida na casa de Requião, transformada em bunker antigolpe de Estado.

De acordo com informações obtidas pelo Blog do Esmael, seis novos senadores se somaram ao G-30, grupo inicial de trinta senadores éticos e desenvolvimentistas que são contrários ao impeachment desde que seja convocado um plebiscito para antecipar a eleição presidencial.

Agora pode-se falar que o grupo é G-30 + 6, ou, como alguns preferem, G-36.

Conforme o Blog do Esmael havia adiantado na semana passada, Requião decidiu reduzir e fragmentar a quantidade de reuniões com os senadores para confundir a militância da mídia golpista e do Palácio Alvorada.

Portanto, a tática de Requião de reunir-se com senadores em menores grupos afeta a capacidade analítica dos abutres da velha mídia golpista. Vide o exemplo de ontem, que, horas antes, os veículos pró-Temer diziam sobre a infalibilidade do golpe no Congresso. Mas o Brasil e o mundo viram outra coisa: derrota acachapante dos golpistas.

O senador Roberto Requião não quis declinar os nomes dos senadores que estiveram ontem à noite com ele e Lula.

Toledo: calendário incerto de Temer explica o discurso evasivo

:

"Enquanto setembro não chega, Temer tem que receber pessoalmente Eduardo Cunha e achar bacana. Tem que esperar ministro pego com a boca na botija pedir demissão porque não tem autonomia nem para demiti-lo. Tem que nomear quem lhe encomendam sem reclamar – e não nomear substitutos para os ex-ministros porque eles ainda acalentam a esperança de voltar. E dar aumentos, e liberar verbas, e bajular senadores e adular governadores. Às pencas", diz o colunista José Roberto de Toledo 

247 - Para José Roberto de Toledo, Michel Temer age como titular, mas sofre como interino. “Ajuste fiscal? Equilíbrio orçamentário? Medidas impopulares? Um dia, talvez, quem sabe? O calendário incerto de Temer explica o discurso evasivo. Subjaz a questão: como exigir de mim, um interino, a força de um titular?”, diz.
golpe, impeache 

"Enquanto setembro não chega, Temer tem que receber pessoalmente Eduardo Cunha e achar bacana. Tem que esperar ministro pego com a boca na botija pedir demissão porque não tem autonomia nem para demiti-lo. Tem que nomear quem lhe encomendam sem reclamar – e não nomear substitutos para os ex-ministros porque eles ainda acalentam a esperança de voltar. E dar aumentos, e liberar verbas, e bajular senadores e adular governadores. Às pencas", ressalta.

Segundo ele, seu teste de popularidade como titular ocorrerá em agosto, na abertura das Olimpíadas (leia aqui).

terça-feira, 5 de julho de 2016

Humor: PF diz que saída de delegados da Lava Jato é “para oxigenar”

pf capa

Sempre que vejo acusarem Lula, Dilma e o PT de terem, deliberadamente, montado governos corruptos, pergunto-me como é possível que pessoas que tiveram tanta competência política para chegar ao poder e nele se manter por mais de uma década poderiam ser tão incompetentes, caso seu objetivo fosse mesmo roubar.

Tome-se o que os governos petistas fizeram na Polícia Federal, por exemplo. E para entender o que fizeram basta ver o perfil dos delegados da Operação Lava Jato exposto em matéria recente deste Blog.
Não é novidade para ninguém que a Polícia Federal foi aparelhada durante os governos do PT, mas esse aparelhamento não se deu no sentido de favorecer quem dispunha de todos os poderes para moldar a instituição policial como quisesse; a PF foi aparelhada pelos inimigos de quem tinha poder sobre ela, ou seja, foi aparelhada por antipetistas.

A citada matéria anterior do Blog (linkada acima) retrata uma Polícia Federal cujos delegados assumem publicamente posições políticas contra o PT desde muito antes do aprofundamento da Lava Jato. A quase totalidade dos delegados da PF que atuam nessa investigação fez campanha para Aécio Neves ou contra a reeleição de Dilma, sem falar nas persistentes postagens de cunho político antipetista desses policiais.
A pergunta que não quer calar – e que já fiz milhões de vezes, mas que nunca algum antipetista respondeu – é muito simples: por que um grupo político que chega ao poder pretendendo “roubar”, e que controla as instituições que poderão investigá-lo, simplesmente não fez o que o ministro da Justiça de Temer pregou, aparelhar órgãos de controle do Estado?

Observação: por “órgãos de controle”, entenda-se Polícia Federal, Ministério Público, Controladoria Geral da União etc.

Na última segunda-feira, no Jornal Nacional, em 28 segundos foi lida uma nota pra lá de esquisita e que se conecta com esse caráter antipetista da Polícia Federal. Segundo uma apresentadora “interina”, “Dois delegados da Polícia Federal que cuidam de inquéritos ligados ao ex-presidente Lula estavam deixando a Operação Lava Jato.

O telejornal citou o delgado Eduardo Mauat, dizendo que ele iria “voltar para a unidade de origem dele, no Rio Grande do Sul” e o delegado Luciano Flores, que “interrogou Lula quando o ex-presidente foi levado para depor” e que, agora, iria “trabalhar na coordenação da Olimpíada”.

No post “Delegados anti Lula afastados da Lava Jato por suspeita de vazamento (?)” (4/7, linkado acima), o Blog divulgou algumas das várias versões que circulam por aí para essas mudanças na “força-tarefa” da Polícia Federal que atua na Operação Lava Jato. Para alguns, os dois delegados afastados teriam sido identificados como autores dos reiterados vazamentos dessa investigação.

Há outras explicações pela rede. Uma delas, bem interessante, é a de que, como o nome dos delegados recém-afastados não consta da reportagem de Julia Dualibi, que o Estadão publicou em 13 de novembro de 2014 e mostrava grupo de delegados da PF que divulgava no Facebook que Lula era “a anta” e Aécio era “o cara”, eles foram afastados por NÃO serem antipetistas.

A versão teria lá sua lógica, já que o chefe dos delegados federais na Lava Jato, Igor Romário de Paula, aparecia na matéria do Estadão de 2014, supracitada, e é ele quem comanda a força-tarefa da PF na Lava Jato. Para De Paula, Aécio é “o cara” e Lula é “anta”.

Aquela matéria mostrava que havia cinco delegados dedicados a fazer campanha para Aécio e a desqualificar os petistas. O grupo tinha o propósito de denunciar que “o comunismo e o socialismo são um mal que ameaça a sociedade”.

A turma se intitulava “Organização de Combate à Corrupção”. O símbolo era uma caricatura de Dilma com dois dentões, com uma faixa vermelha onde se lia: “Fora PT”.

A constatação oferecida pela reportagem era óbvia: parte importante da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba assumia uma postura explicitamente tucana e antiPT. Não só era tucana como fazia militância declarada, mesmo que entre eles, pela internet.

O que aconteceu com esse pessoal? Nada. O delegado Igor Romário de Paula, chefão da PF na Lava Jato, que achava Aécio o cara, é o mesmo que anunciou agora o desligamento não de dois, mas de três colegas. A outra versão que circula por aí, portanto, é a de que ele afastou esses três delegados para colocar outros ainda mais antipetistas na investigação.

Essa informação não faz sentido. Dois dos três delegados afastados Por De Paula são conhecidos por atuarem politicamente contra o PT. Um por fazer postagens no Facebook exaltando protestos contra o PT e outro por ter montado uma operação midiática e ilegal que levou Lula à força para depor em um aeroporto.
A informação que o Blog obteve de fonte que já mostrou que sabe das coisas em mais de uma oportunidade é a de que os policiais afastados teriam se envolvido em divulgação de operações da Lava Jato para grupos de mídia de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Na verdade, De Paula anunciou, em março, que abriria investigação para esclarecer vazamento da 24ª fase da Lava Jato, operação que este Blog denunciou por ter sido vazada antecipadamente para grupos de mídia. A notícia se conecta com a informação de que ele afastou delegados que possam ter se envolvido nessa ação de vazamento

Só o que não dá para dar crédito é nova explicação das organizações Globo para essa medida inexplicável do comando da força-tarefa da PF na Lava Jato. Matéria publicada pela sucursal do G1 no Paraná diz que os três delegados foram afastados para “oxigenar” e “dar novo fôlego” à investigação. Confira a matéria, abaixo, que volto em seguida.

pf 1

Façamos as perguntas óbvias, já que vivemos em um tempo em que há´que dizer o óbvio:

1 – Por que só três membros de uma equipe de oito “oxigenariam” os trabalhos dessa equipe?
2 – O que significa “oxigenar” e “dar novo fôlego”? Os policiais afastados estavam desmotivados, não estavam trabalhando, não tinham interesse ou tinham interesse incompatível com a investigação ou com o que se pretende que ela faça?
3 – Qual é a diferença fundamental entre os que saem e os que entram?
Há muitas outras questões, mas a resposta a essas três já seria um bom começo, o que, obviamente, não vai acontecer, pois as declarações do comando da PF conseguem não apenas não esclarecer nada como ainda deixam tudo ainda mais turvo.

De qualquer forma, os vazamentos da Lava Jato continuam ocorrendo de forma sistemática, ilegal e escancarada. E ninguém da PF fala em investigar. E muito menos em punir quem vaza. Só se falou nisso quando, de forma ridícula, um delegado da PF ameaçou um Blog por ter divulgado que o rei estava nu.

Papelão: Governo Temer manda delegação inexpressiva para encontro da ONU sobre HIV/Aids e deputados fazem turismo em vez de participar


Captura de Tela 2016-07-05 às 12.06.04 


por Conceição Lemes

Em setembro de 2015, chefes de Estado e de Governo, reunidos na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), aprovaram por consenso a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

São 17 objetivos e 169 metas.


O objetivo 3: assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
Uma de suas metas:

Até 2030, acabar com as epidemias de AIDS, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas, e combater a hepatite, doenças transmitidas pela água, e outras doenças transmissíveis.

Justamente para decidir o que fazer, aconteceu de 8 a 10 de junho de 2016, também em Nova York, a Reunião de Alto Nível da ONU sobre HIV/AIDS.

Participaram líderes mundiais, representantes de governo, técnicos, implementadores de programas de HIV e organizações da sociedade civil do mundo inteiro.

O Brasil, que sempre teve protagonismo na área, passou vexame internacional.

De lá, o coletivo Defend Democracy in Brazil (DDB) denunciou:

VERGONHA! Brasil ausente do Encontro de Alto Nível da ONU sobre HIV/AIDS (documento na íntegra, ao final, em português e inglês).

Pela primeira vez em mais de 30 anos da epidemia de HIV/AIDS o Governo do Brasil não mandou uma delegação de alto nível para um evento internacional das Nações Unidas. Foi anunciada a presença do Ministro das Relações Exteriores e ex-Ministro da Saúde do Governo Fernando Henrique Cardoso, José Serra, mas sua viagem foi cancelada.
O sucesso das políticas públicas de combate à AIDS no Brasil é internacionalmente reconhecido. Repetidamente a UNAIDS cita em seus documentos o Brasil como um país de sucesso em prevenção e atenção.
(…)
Nos 31 anos de existência formal da resposta brasileira à epidemia de AIDS esta é a primeira vez que não haverá participação dos técnicos do Departamento em um fórum desta relevância.
A ausência da vibrante participação do Brasil neste tipo de evento é uma vergonha e é uma perda irreparável para a comunidade internacional. 

REPRESENTAÇÃO DE POUCO NÍVEL PARA ENCONTRO DE ALTO NÍVEL

Inicialmente, o Ministério da Saúde não pretendia enviar ninguém.

Na penúltima semana de maio, Antônio Nardi, secretário-executivo da pasta, despachou um documento proibindo a participação no encontro de diretor, funcionário, consultor ou colaborador do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais (DDAHV) do Ministério da Saúde.

O então diretor do Departamento, o médico Fábio Mesquita, denunciou o absurdo e se demitiu.
Em carta aberta,  ele saiu atirando em Nardi e no ministro interino da Saúde, o engenheiro Ricardo Barros.
Uma delegação foi montada às pressas. Ela seria composta por três pessoas do DDAHV, o ministro Ricardo Barros e talvez o interino de Relações Exteriores, José Serra.

Ao final, nenhum ministro compareceu, e a delegação acabou tendo cinco pessoas. Chefiou-a o médico Alexandre Fonseca dos Santos, em nome da Secretaria-Executiva do ministério, dirigida por Antônio Nardi, braço direito de Ricardo Barros.

Alexandre dos Santos formou-se em Medicina pela Universidade de Taubaté (Unitau), em 1995.
Em 2000, fez pós-graduação em Medicina do Trabalho, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa de São Paulo. Em 2015, concluiu mestrado em Saúde Coletiva na Universidade de Brasília (UnB).
De 13 de junho a 13 julho, ele foi nomeado interinamente chefe da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), onde era chefe de gabinete Antônio Nardi.

Na área de HIV/AIDS, o mais próximo que Alexandre chegou foi uma suplência na Comissão Nacional de DST/AIDS, representando o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), onde trabalhava como assessor técnico.

“A incorporação de três técnicos do DDAHV na delegação do Brasil só aconteceu devido à mobilização social frente às denúncias anteriores”, observa  Fábio Mesquita, ex-diretor do Ministério da Saúde. “Uma vitória.”

“Porém, a não ida de nenhum ministro a um encontro tão importante e a delegação ter sido chefiada por um profissional Júnior em Gestões Públicas de HIV comprometeram a participação do Brasil, que foi de baixa estatura política”, critica. “Pegou muito mal.”

Fábio Mesquita é taxativo: “Pela primeira vez na história, o nosso País perdeu a capacidade de influir na pauta de maneira significativa”, lamenta Fábio Mesquita, que atua na área de HIV/AIDS há mais de 30 anos.

Mesquita coordenou os programas municipais de DST/Aids das cidades de Santos, São Vicente (litoral paulista) e São Paulo. Na década de 1990, chefiou as unidades de Prevenção e Direitos Humanos do então Programa Nacional de Aids do Ministério da Saúde. Em 2013, antes de ele assumir a direção do Departamento de AIDS, era membro do corpo técnico da OMS. Atuava no escritório do Vietnã, com base em Hanoi.

Não por acaso sua expertise e o seu longo comprometimento com a questão são mencionados no documento-denúncia do Defend Democracy in Brazil.

Captura de Tela 2016-07-05 às 12.10.03
DEFEND DEMOCRACY IN BRAZIL: ESCRACHOS EM NOVA YORK PARA DENUNCIAR O GOLPE

“O nosso coletivo visa denunciar à comunidade internacional o golpe parlamentar-midiático-jurídico, as políticas de arrocho, os ataques aos direitos humanos e o desmonte dos programas sociais pelo governo ilegítimo”, explica um dos seus membros, Eduardo Vianna, professor de Psicologia na New York City University.

Uma das estratégias é promover escrachos em grandes eventos internacionais, especialmente naqueles em que o Brasil participa.

Já organizaram vários atos lá. O maior – durou três dias – foi no Congresso da Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA). O protesto de intelectuais fez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fugir da sessão de abertura.



No domingo passado, 26 de junho, o DDB saiu junto com o ACT UP (importantíssimo grupo ativista que luta contra a Aids nos EUA desde 1987) na Parada Gay de Nova York, que acontece desde 1970.

“Procuramos nos articular com setores progressistas americanos que lutam por contra as forças neoliberais, para angariar apoio e esclarecer como o golpe no Brasil se insere nesse contexto geopolítico”, justifica Vianna.

O manifesto VERGONHA! faz parte dessa estratégia.

Ele foi divulgado na manhã de 8 de junho, primeiro dia da Reunião de Alto Nível sobre HIV/AIDS a líderes governamentais e técnicos do mundo, bem como a burocratas da ONU e ONGs.

“Na passagem dos participantes, nós colocamos cartazes grandes e, ainda, fizemos um rolezinho de 8 às 10, em frente à sede da ONU, na Rua 45 com a Primeira Avenida, em Manhattan”, conta Myriam Marques, também membro do DDB e da Rede de Mulheres em Comunicação no Brasil.

Deu certo. Muitos participantes de Alemanha, Itália, África do Sul, Zimbabue e Angola, entre outros países, pararam para conversar com o grupo para entender o que está se passando no Brasil e lamentar a quase ausência do País no encontro.

DELEGAÇÃO DE PARLAMENTARES PREFERIU FAZER TURISMO EM NOVA YORK
Para completar o vexame, a “cereja do bolo” ficou com a delegação de parlamentares que foi a Nova York, em missão oficial, para participar do encontro.

Com base no Portal da Transparência da Câmara Federal, o Grupo Brasileiro da União

Interparlamentar (UIP) informou ao Viomundo:

“A delegação da UIP, conforme consta no portal da transparência da Câmara dos Deputados, foi composta por 4 Deputados. Nenhum Senador participou da Reunião”.

deputados 2-001

Fernando Monteiro (PP-PE) é empresário.

Iracema Portella (PP-I) é empresária e esposa do senador Ciro Nogueira, presidente do PP.

Hugo Motta (PMDB-PB), formado em Medicina,  integra a tropa de choque do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A publicitária Danielle Dytz da Cunha Doctorovich, filha do presidente afastado da Câmara e investigada na Lava Jato, já foi sua assessora de marketing.

Em 2016, pelo segundo ano consecutivo, Danielle passou a semana de festejos de São João de Patos,  considerada a capital do forró do sertão da Paraíba. Ela hospedou-se na casa da mãe do deputado, dona Chica Motta, que é prefeita do município.

Irajá de Abreu (PSD-TO) é empresário, produtor rural e filho da senadora Kátia Abreu.
Iracema e Fernando são do mesmo partido do ministro interino Ricardo Barros.
Apesar de registrados para participar da Reunião da ONU, temos a informação de que só a  deputada Iracema Portella apareceu por lá fugazmente. O tempo suficiente para sentar numa das cadeiras e tirar fotos.

Diz o Portal da Transparência sobre as viagens em missão oficial:

Deputados e deputadas viajam, em missão oficial, para o cumprimento dos deveres inerentes ao mandato (…)
Assim como as viagens nacionais e internacionais podem ser essenciais para que Parlamentares exerçam na plenitude, o mandato em nome do povo brasileiro, também é a devida à sociedade a comprovação do interesse público inerente a essas missões oficiais (…)

Afinal de contas, que deveres?

Por que não participaram efetivamente do evento para o qual viajaram?

Cadê o interesse público?

Será que se essa Reunião de Alto Nível sobre HIV/AIDS fosse na Etiópia, eles teriam interesse em ir e, ainda, ficar quatro, cinco dias lá, como fizeram em Nova York?

Tudo indica que foi mais uma excursão parlamentar com dinheiro público.

Tal como fez o engenheiro Ricardo Moraes na penúltima semana de maio, em sua primeira viagem ao exterior como ministro interino da Saúde.

Ele tirou técnicos da comitiva oficial à Assembleia Mundial da Saúde, da OMS, em Genebra, na Suíça, para levar a esposa Cida Borghetti (PP), vice-governadora do Paraná.
Ambos entendem zero de saúde.

Abaixo o documento do Defense Democracy in Brazil/NYC, sobre a Reunião de Alto Nível sobre HIV/AIDS da ONU e a sua tradução em português

DDB 1 - Cópia
VERGONHA! Brasil ausente do Encontro de Alto Nível da ONU sobre HIV/AIDS
Nova York, EUA, 8 a 10 de Junho

Pela primeira vez em mais de 30 anos da epidemia de HIV/AIDS o Governo do Brasil não mandou uma delegação de alto nível para um evento internacional das Nações Unidas. Foi anunciada a presença do Ministro das Relações Exteriores e ex Ministro da Saúde do Governo Fernando Henrique Cardoso, José Serra, mas sua viagem foi cancelada.

O sucesso das políticas publicas de combate à AIDS no Brasil é internacionalmente reconhecido.

Repetidamente a UNAIDS cita em seus documentos o Brasil como um país de sucesso em prevenção e atenção.

A política pública seguida pelo Ministério da Saúde através do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais é baseada em um intenso envolvimento de organizações governa e não governamentais.

O Brasil também é famoso por ter por ter removido as patentes dos medicamentos de AIDS nos anos 90 e pela sua produção nacional de medicamentos genéricos, contribuindo assim para o acesso das pessoas vivendo com HIV à medicamentos em todo o mundo.

A Comunidade que defende a democracia no Brasil está hoje aqui para denunciar que todos estes anos de trabalho exemplar no campo da saúde publica está ameaçado por um golpe na democracia que afastou a Presidenta Dilma Rousseff em 12 de Maio.

O novo Ministro da Saúde, Ricardo Barros, conectado com setores interessados em privatizar nosso Sistema Único de Saúde que garante acesso universal, levou uma série de profissionais de alto nível a pedir demissão, incluindo o Diretor do Departamento de HIV/AIDS de Fábio Mesquita – com expertise e comprometimento com o campo de longo tempo.

Apesar de Epidemias importantes de Zyka, Dengue, Chicungunha, H1N1 e HIV não há nenhum Secretário, nem mesmo o de Vigilância em Saúde foi nomeado até o momento , que seria o responsável para controlar estas epidemias.

A última novidade foi um documento da SVS proibindo a participação do Diretor ou de qualquer técnico ou consultor do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais no High Level Meeting da ONU sobre HIV/AIDS de 8 a 10 de junho em NYC. Nos 31 anos de existência formal da resposta brasileira a epidemia de AIDS está é a primeira vez que não haverá participação dos técnicos do Departamento em um fórum desta relevâncias.

A ausência da vibrante participação do Brasil nestetipo de evento é uma vergonha e é uma perda irreparável para a comunidade internacional.

#Parem o golpe no Brasil! Fora Temer.
Não à privatização do setor saúde no Brasil
Não ao fim do Programa Brasileiro de AIDS
#defenda a democracia no Brasil, nós resistiremos ao golpe no Brasil em 2016

Leia também:
Altamiro Borges: Libra, que doou a Temer, fez negócio com mulher de Eduardo Cunha