MALAFAIA É ALVO DA PF EM OPERAÇÃO CONTRA FRAUDES EM ROYALTIES DE MINERAÇÃO
Polícia Federal deflagrou operação em 11 Estados e no Distrito Federal contra um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral que teve a Vale entre as empresas prejudicadas; esquema envolvia um diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) que oferecia os serviços de advocacia e de consultoria a municípios com créditos junto a empresas de exploração mineral para participação na fraude; Justiça determinou bloqueio judicial que pode alcançar R$ 70 milhões; dentre os investigados, está o pastor evangélico Silas Malafaia, que foi alvo de condução coercitiva, suspeito de usar contas correntes da igreja para ocultar a origem ilícita dos valores
Reuters - A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira operação em 11 Estados e no Distrito Federal contra um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral, que, segundo uma fonte da PF, teve a Vale entre as empresas prejudicadas.
De acordo com a PF, o esquema envolvia a participação de um diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM)detentor de informações privilegiadas a respeito de dívidas de royalties. O suspeito oferecia os serviços de escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria a municípios com créditos junto a empresas de exploração mineral para participação na fraude.
A Justiça determinou bloqueio judicial de valores depositados que podem alcançar 70 milhões de reais, segundo a PF.
A chamada operação Timóteo foi iniciada em 2015, depois que a Controladoria-Geral da União (CGU) enviou à PF uma sindicância que apontava incompatibilidade na evolução patrimonial de um diretor do DNPM, que pode ter recebido valores que ultrapassam 7 milhões de reais, de acordo com a PF.
Policiais Federais cumprem 16 mandados de prisão e 29 conduções coercitivas, além de mandados de busca e apreensão em 52 endereços relacionados à suposta organização criminosa, nos Estados de Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins, além do Distrito Federal.
Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa investigada se dividia em ao menos quatro grandes núcleos: captador, operacional, político e colaborador, este último com envolvimento de uma liderança religiosa.
Entre um dos investigados, segundo a PF, está uma liderança religiosa que teria recebido valores do principal escritório de advocacia responsável pelo esquema. Uma fonte da PF disse que o líder religioso em questão seria o pastor evangélico Silas Malafaia, suspeito de ter usado contas correntes de uma instituição religiosa com a intenção de ocultar a origem ilícita dos valores.
O nome Timóteo dado à operação se refere ao livro bíblico de Timóteo, segundo a PF.
A melhor indicação de que o Brasil está sob um regime autoritário é a onda de perseguições políticas desencadeada após o golpe que derrubou o governo Dilma Rousseff. Demissões em massa em órgãos públicos por conta da posição política dos servidores, porém, não foram as únicas investidas dos golpistas.
Estranhas ações na Justiça, denúncias do Ministério Público feitas contra servidores ainda podem ser “justificadas” com acusações de envolvimento mesmo que os perseguidos sejam pessoas que jamais participariam de esquemas por serem simples servidores de 4º, 5º escalões – ou ainda mais baixos.
O que assusta é uma onda de demissões em meios de comunicação e empresas em geral fomentada por ideologia e que ainda vai ser condignamente denunciada nesta página e em outras, a partir do momento que os demitidos criarem coragem de falar.
Este blogueiro, porém, nunca teve medo e não é agora que começará a ter.
No momento em que escrevo, retorno de reunião com empresa que me contratou durante anos e anos e que, subitamente, sem explicação, não renovou o contrato. Este ano ocorreram outros casos, mas, até então, eu vinha atribuindo esse problema à crise econômica.
Desta feita, porém, algo mudou. Após a reunião com a direção da empresa, alguém veio se solidarizar comigo. Fomos tomar um café e, durante a conversa, ouvi um aviso bastante preocupante:
— Eduardo, você não vai ter problema só aqui. Você sabe que tá na lista de “petralhas perigosos” feita por aquele Rodrigo Constantino, que trabalhava na Veja?
Obviamente que sei. Sei até que militantes de esquerda criaram uma página no Facebook pedindo para ingressar nessa lista. Figuro na posição 214. Clique aqui para ver a lista de “petralhas perigosos” feita pelo ex-colunista de Veja.
Não é a primeira vez. Em 2012, outro colunista da Veja – desta vez, um que continua trabalhando lá – fez outra lista negra de “petralhas” na qual fui incluído.
Já havia recebido outros relatos sobre o uso dessas listas para promover perseguições políticas na hora em que o governo petista fosse derrubado – essas listas foram feitas com alguma finalidade; ninguém faz uma lista de pessoas se não for necessária para beneficiar ou prejudicar os que nela figuram.
Assim sendo, declaro-me alvo de perseguição política e acuso os autores dessas listas de serem responsáveis por isso e por tudo o mais que possa ocorrer com os alvos dessa iniciativa criminosa, levada a cabo para prejudicar pessoas por conta de suas opiniões políticas, como acontece em toda ditadura.
MT reuniu os aliados no Palácio para discutir as perspectivas de seu governo diante das mais recentes revelações da delação da empreiteira e da acachapante reprovação nas pesquisas.
O bunker golpista entrou em pânico. O estrondo da pesquisa Datafolha já se fazia ouvir de longe na semana passada, dias antes da divulgação.
Na quinta-feira 9/12, a Folha de São Paulo publica na primeira página que delatores da Lava Jato acusam a Odebrecht de ter “pago caixa 2 a Alckmin”, ou seja, propina.
Poucas horas depois, vem a contrapartida: Lula é denunciado pelo MPF por “tráfico de influência”
Três dias depois, na segunda-feira 12 – estranhamente, não no domingo, quando costumam ser publicadas pesquisas sobre eleições –, a Folha de São Paulo publica pesquisa Datafolha que mostra disparada de Lula na preferência do eleitorado para eleição presidencial de 2018.
Poucas horas depois, mais uma contrapartida. A Polícia Federal anuncia que está indiciando Lula, Palocci e outras cinco pessoas na Lava Jato.
O mais interessante é que uma enxurrada de leitores perguntou no dia seguinte ao jornal, em sua sessão de leitores, por que sua manchete principal de primeira página do dia anterior contradisse a lógica e estampou que Marina Silva venceria em todos os cenários de segundo turno sendo que Lula vence em todos os cenários de primeiro turno e reduziu drasticamente a diferença para a adversária no segundo turno, de mais de 30 pontos para 9, além de, agora, vencer todos os outros adversários nessa possível segunda rodada da eleição de 2018.
Confira, abaixo, cartas de leitores do jornal reclamando da manobra.
Não é só. Aparentando dar notícia negativa contra Temer, o UOL dá uma — lula 1
Não é só. Aparentando dar notícia negativa contra Temer, o UOL dá uma notícia para contrabalançar a subida de Lula no Datafolha. Diz que “Rejeição de Temer salta de 29% para 45% e empata com a de Lula”, que seria de 44%.
O jornal só se esqueceu de dizer que em março deste ano, pouco antes de a Lava Jato ter prendido Lula por algumas horas para levá-lo à força para depor no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ele tinha 57% de rejeição; que, um mês depois, essa rejeição caiu para 53%; que, em julho, a rejeição de Lula já havia despencado para 46%, segundo o mesmo Datafolha; e que neste mês de dezembro, caiu de novo, agora para 44%, ao mesmo tempo em que o petista passa a vencer todos os tucanos em primeiro e segundo turno, além de ter encostado em Marina Silva.
É neste ponto que sobressai uma pergunta: por quê e como? Por que e como Lula sobe na preferência do eleitorado, apesar dessas manipulações da mídia e da clara operação de guerra do Estado brasileiro contra ele, através do uso da “lei”?
A resposta parece evidente, à luz dos fatos supracitados. Está na cara que a população vai percebendo que há uma evidente manipulação de fatos contra Lula e, mais do que isso, essa mesma população parece estar chegando às conclusões óbvias a que este Blog disse tantas vezes que chegaria.
Essa conclusão é muito simples de entender: a manipulação grosseira que você viu acima está fazendo cada vez mais gente ficar desconfiada do processo que tirou Dilma Rousseff do poder e que fez milhões de brasileiros se voltarem contra um grupo político e um líder que durante mais de uma década melhoraram profundamente suas vidas.
Além disso, há um outro fator. As pessoas gostam de acreditar em soluções mágicas. Pelos menos a maioria das pessoas. Desse modo, acharam que tirar Dilma valeria aceitar tudo. Aceitaram sabotagem do governo dela e aceitaram mentiras toscas que negaram a melhora de vida inédita que os brasileiros tiveram ao longo de mais de dez anos de governos petistas.
Tudo em prol de promessas veladas que os golpistas fizeram no sentido de que tirando Dilma tudo voltaria ao que era. Como tantas vezes se disse aqui, o povo tirou o PT do poder para obter de volta tudo aquilo que quem lhe deu foi o PT.
Como era óbvio, os golpistas não teriam como entregar o que prometeram sem prometer, deixando subentendido. Se tivessem dito claramente que mesmo tirando Dilma os problemas prosseguiriam, talvez tivessem encompridado o prazo de tolerância, ainda que seja difícil tolerância para quem vê seus direitos trabalhistas e previdenciários e os serviços públicos afundando.
A erosão precoce do governo Temer – do qual o PSDB se tornou protagonista imaginando que o ódio ao PT seria suficiente para todo mundo aceitar piorar drasticamente de vida –, então, inaugura uma nova agenda.
Ao contrário do que se pensava, porém, o Datafolha mostra que não está acontecendo no país aquilo que as manifestações dos patos verde-amarelos na avenida Paulista e em Copacabana sugeriam. Não é a direita que está sendo beneficiada com o naufrágio ultrarrápido do governo tucano-peemedebê, é a esquerda. E, mais do que isso, de forma impensável, Lula é que está ganhando. De novo.
No começo deste ano, Lula tinha virado uma marolinha eleitoral. A campanha midiático-estatal contra ele tinha surtido bons efeitos, ainda que muito menores do que se esperava. Apesar de tudo, quase 40% do eleitorado (segundo o Datafolha) continuava a considerar Lula o melhor presidente que o Brasil já teve.
Desesperados, os dois maiores lulofóbicos do país, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, surtaram ao reconhecerem que o ex-presidente começa a recuperar sua força eleitoral à revelia dos ataques da Lava Jato e da mídia.
Contudo, concordo com Azevedo. Acusações de “corrupção” como forma de combater Lula, Dilma e o PT fracassaram incontáveis vezes. Não foi por isso que grande parte do povo apoiou o golpe. É a economia, reaças estúpidos. Foi ela que fez o povo se voltar contra o PT.
Porém, como eu disse um bilhão de vezes neste Blog e nas rede sociais, o fator “recall” iria começar a se fortalecer conforme o povo fosse percebendo quanto piorou de vida após ter passado mais de dez anos de sua vida melhorando por obra e graça de quem mesmo…?
Enfim, é isso. Agora, a marolinha Lula + eleição direta para presidente ameaça virar uma tsunami devido ao mesmo fenômeno que fez grande parte do eleitorado pobre ou remediado (que é a ampla maioria) se voltar contra Lula, Dilma e o PT.
Os brasileiros começam a ver em Lula a possibilidade de obter de volta o que foi ele quem lhes deu durante mais de uma década. E para terem Lula de novo, querem eleição direta.
Prender Lula torna-se um imperativo. Os principais colunistas dos grandes meios já bradam que a única chance de impedir a volta dele é prendê-lo. Estão errados. O povo não votará no PSDB porque Lula está preso, votará na coisa mais próxima de Lula que estiver disponível, se quiser muito que ele volte.
A pesquisa Datafolha divulgada nesta semana revela que a população começa a se dar conta do papel destrutivo que o PSDB desempenhou no golpe contra a democracia brasileira, que produziu a maior recessão de todos os tempos no País; entre março e dezembro, o senador Aécio Neves caiu de 19% a 11%, enquanto Geraldo Alckmin foi de 11% a 8% e José Serra de 13% a 9%; nenhum dos três passaria para o segundo turno e todos estão citados nas delações da Odebrecht; Aécio é acusado de ser bancado pelo marqueteiro, Alckmin de receber R$ 2 milhões por meio do cunhado e Serra de ter levado R$ 23 milhões na Suíça; se isso não bastasse, os três também se associaram, em maior ou menor grau, ao maior desastre da história do Brasil, que é o governo Temer
247 – O PSDB fez um péssimo negócio ao abraçar a política do 'quanto pior, melhor' para golpear a democracia, derrubar a presidente Dilma Rousseff e instalar Michel Temer na presidência da República.
Os resultados dessa aposta estão no Datafolha desta semana, que apontou crescimento e liderança do ex-presidente Lula em todos os cenários.
No primeiro, Lula foi de 17% a 25%, entre março e dezembro, enquanto Aécio Neves (PSDB-MG), personificação do golpe, caiu de 19% a 11%. O tucano ficaria fora do segundo turno, atrás de Marina Silva, que recuou de 21% a 15%.
No segundo cenário, Lula foi de 17% a 26%, enquanto Geraldo Alckmin caiu de 11% a 8%. O governador paulista também ficaria fora do segundo turno, disputando a quarta posição com Jair Bolsonaro.
No terceiro cenário, Lula foi de 17% a 25%, enquanto José Serra caiu de 13% a 9%. O chanceler também ficaria fora do segundo turno, disputando a quarta posição com Bolsonaro.
Além disso, todos estão citados nas delações da Odebrecht. Aécio é acusado de ser bancado pelo marqueteiro (aqui), Alckmin de receber R$ 2 milhões por meio do cunhado (aqui) e Serra de ter levado R$ 23 milhões na Suíça (aqui).
Se isso não bastasse, os três também se associaram, em maior ou menor grau, ao maior desastre da história do Brasil, que é o governo Temer.
Delegado militante acusa Lula por apartamento e terreno que não são dele Delegado, que fez postagem no Facebook chamando Lula de Anta e defendendo Aécio Neves na campanha presidencial de 2014, acusa Lula por apartamento que ele aluga e por terreno que jamais foi seu e onde jamais funcionou o Instituto Lula.
O Instituto Lula respondeu em nota que “o delegado Márcio Anselmo e a Operação Lava-Jato, perderam hoje qualquer pudor ou senso de ridículo ao apresentar um relatório com acusações sem qualquer base”.
O indiciamento se deve a dois inquéritos: um sobre a compra de um terreno em São Paulo para o Instituto Lula que nunca ocorreu e outro sobre a compra de um apartamento em frente ao que o ex-presidente mora, em São Bernardo do Campo (SP), que na verdade ele apenas aluga.
O delegado Márcio Anselmo e a Operação Lava-Jato, perderam hoje qualquer pudor ou senso de ridículo ao apresentar um relatório com acusações sem qualquer base contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua esposa Marisa Letícia, seu advogado Roberto Teixeira, entre outras pessoas.
As acusações tratam do apartamento vizinho ao do ex-presidente, o qual ele paga aluguel, e um terreno que jamais foi e onde jamais funcionou o Instituto Lula, que tem uma única sede, adquirida em 1990 pelo Instituto de Pesquisas e Estudos do Trabalhador (IPET), entidade que antecedeu o Instituto Cidadania e o Instituto Lula.
Perguntas foram encaminhadas pela Polícia Federal ao ex-presidente apenas na última quarta-feira, com prazo de dois dias para respostas, que foram enviadas às 20:30 de sexta-feira. E hoje, o delegado, que já emitiu ataques ao ex-presidente no Facebook dizendo que "alguém precisa parar essa anta", e defendeu o candidato Aécio Neves, ao invés de se declarar suspeito para atuar nos casos envolvendo o ex-Presidente, apresenta um relatório sem qualquer base factual e legal ou fundamento lógico.
O relatório sai no mesmo dia em que pesquisas revelam que Lula lidera a corrida presidencial, e quando outro processo fútil da Lava Jato, sobre um tríplex do Guarujá que tentam atribuir a propriedade ao ex-presidente e alguma relação com desvios da Petrobras, tem suas testemunhas afirmando que Lula e sua família jamais tiveram as chaves do tal apartamento ou sua propriedade.
As práticas contra Lula consistem em mais um exemplo de "lawfare" e foram denunciadas por seus advogados perante o Alto Comissariado de Diretos Humanos das Nações Unidas. O governo brasileiro tem até o dia 27 de janeiro para responder contra os abusos de autoridade cometidos com fins políticos contra o ex-presidente da República.
Depois de apoiar um impeachment sem crime de responsabilidade – ou seja, um golpe – que colocou Michel Temer no poder, o grupo Globo pressente a queda da "pinguela" e defende que, neste cenário, não ocorram eleições diretas no Brasil; em editorial publicado nesta terça-feira, o jornal O Globo, de João Roberto Marinho, que se aliou a Eduardo Cunha durante o impeachment, diz que "não há motivos para jeitinhos"; no entanto, pesquisas mostram que 63% querem a renúncia imediata de Temer e 91% são contra eleições indiretas, com um novo presidente eleito por um Congresso com mais de 200 parlamentares investigados; contra a vontade popular, Globo defende a eleição indireta e comenta-se que seus candidatos seriam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia; numa pesquisa Datafolha sobre eleições diretas, Lula cresceu e lidera em todos os cenários
247 – A Globo, que apoiou o golpe militar de 1964 e só pediu desculpas 50 anos depois, também foi peça decisiva no golpe parlamentar de 2016, que afastou a presidente Dilma Rousseff sem crime de responsabilidade e instalou Michel Temer no poder.
Agora, a Globo já pressente a inevitável queda de Michel Temer, mas prepara o chamado "golpe dentro do golpe" – ou seja, a eleição de um presidente biônico por um Congresso em que mais de 200 parlamentares são investigados.
Em editorial publicado nesta terça-feira, O Globo explicita sua posição: é contra eleições diretas em caso de queda da "pinguela". Ou seja: o jornal da família Marinho não quer que você vote para presidente, embora 63% dos brasileiros, segundo o Datafolha, defendam a renúncia imediata de Temer com eleições diretas (leia aqui). Num levantamento Paraná Pesquisas, 91% são contra a escolha de um presidente pelo Congresso (leia aqui).
Especula-se, em Brasília, que a Globo tenha dois possíveis candidatos para a eleição indireta: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia. Numa escolha pelo voto, Lula desponta em primeiro em todos os cenários (leia aqui).
O senador Roberto Requião afirmou nesta segunda-feira (12), no plenário, que as últimas delações das empreiteiras envolvidas em esquemas de corrupção tornam o Senado suspeito e retira da Casa qualquer legitimidade para aprovar a PEC 55, a securitização da dívida pública e a reforma da Previdência.
Segundo o senador, da mesma forma que as empreiteiras compravam Medidas Provisórias é legítimo suspeitar que o mercado financeiro e as empresas de previdência privada negociem hoje a aprovação de projetos de seu interesse.
Requião revelou ainda os resultados de uma pesquisa que fez com as dezenas de milhares de brasileiros que o seguem o twitter, comprovando o desgaste das instituições públicas.
Acima o vídeo do discurso.
Abaixo o texto:
Congresso e Presidência não têm moral para impor pela goela mais austeridade ao povo, aos aposentados e trabalhadores
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado A seguir, vídeo e texto do discurso.
Roberto Requião[1]
Mais uma vez, em outra grave circunstância da vida nacional, não pretendo me ater aos salamaleques da boa convivência, aos rapapés e mesuras que o cerimonial recomenda.
Nem por isso, considero-me um lírio no pântano, um homem sem pecados. Longe de mim a pretensão à santidade.
No entanto, senhoras e senhores, não dá para entrar nesta Casa, subir à tribuna e discursar como se nada aconteceu. Não dá para vir aqui e votar uma emenda constitucional que beneficia tão-somente o mercado financeiro e ferra canalhamente os brasileiros sem que se levantem suspeitas sobre nós.
As mesmas suspeitas com que o delator da Odebrecht carimbou a aprovação de algumas Medidas Provisórias neste plenário.
Como é possível, senhoras senadores, senhores senadores, como é possível que, depois das revelações que há dias inundam o noticiário, venhamos aqui e votemos favoravelmente à PEC 55, cem por cento dirigida a beneficiar os donos da dívida pública e prejudicar os cidadãos comuns?
Como é possível, senhoras senadoras, senhores senadores, como é possível depois da detalhada denúncia do operador da Odebrecht no Congresso, como é possível aprovar a securitização das dívidas de estados e municípios, também uma medida ajustada aos interesses do mercado financeiro?
Como é possível, depois do testemunho do senhor Cláudio Melo Filho sobre os jabutis apensados às Medidas Provisórias, jabutis gordamente remunerados, como é possível votar a favor de uma reforma da Previdência elaborada a quatro mãos com os bancos e com a previdência privada e que, como a PEC 55, sacrifica obscenamente os trabalhadores?
Cui prodest?
A quem interessa a PEC 55, a reforma da Previdências e a securitização da dívida pública?
Quem é que pode garantir que não se reproduza aqui o mesmo processo corrompido que pendurou esses quelônios nas Medidas Provisórias?
Esta Casa se lembra, e se lembra muito bem, das tantas e tantas vezes que debatemos aqui Medidas Provisórias contaminadas por emendas escandalosas, vergonhosas, malcheirosas.
De novo, senadoras e senadores bem-intencionados, corretos não estão sendo usados pelos Justiça, pelos Índio, pelos Caju, pelos Caranguejo, pelos Mineirinho, pelos Kafta?
“As doações promoviam a privatização do Congresso”, declarou o primeiro dos 77 delatores da Odebrecht. “As doações promoviam a privatização do Congresso”!
O que vão declarar os 76 delatores restantes? Quantos codinomes ridículos ainda vamos ficar conhecendo?
Os argumentos para que aprovemos a PEC 55, a securitização das dívidas e a reforma da Previdências são os mesmos argumentos usados para que aprovássemos as jabotas dependuradas nas MPs e nos projetos de lei que beneficiaram à larga as empreiteiras, os bancos, as petrolíferas multinacionais.
E sempre, e sempre e sempre os tais dos interesses nacionais, o tal do bem-estar do povo, o bem do Brasil, o tal do desenvolvimento como pretextos para a aprovação da maracutaia.
Hoje pela manhã, com o faço amiúde, fiz um a pesquisa entre as dezenas de milhares de brasileiros que me seguem no twitter. Queria saber o grau de confiança desses brasileiros no Parlamento.
A resposta foi arrasadora, deprimente: cem por cento (100%) dos consultados disseram não confiar no Congresso Nacional.
Qualquer pesquisa feita nesta segunda-feira, depois das revelações parciais do primeiro dos 77 delatores da Odebrecht, certamente apresentaria resultado semelhante.
O melhor a fazer é o reconhecimento de que esta Casa está sob suspeição e não tem condições de votar medidas de extrema gravidade e que vão lanhar ainda mais o lombo já retalhado dos brasileiros mais pobres.
Esta Casa, nós os senadores, não podemos ser tão insensíveis assim à realidade nacional.
Não podemos ser indiferentes às denúncias que atingem a Presidência da República, boa parte do Ministério, lideranças partidárias e nomes expressivos, influentes deste Senado e da Câmara dos Deputados.
Da mesma forma, não podemos ser insensíveis aos efeitos danosos, destruidores da PEC 55, que torna o Brasil um país para poucos e à reforma da Previdência que torna a proteção do Estado um privilégio para poucos.
A pergunta que o Brasil não quer calar é: que moral tem a Presidência da República e o seu Ministério para propor qualquer medida de austeridade, qualquer sacrifício para o povo? Igualmente, que moral tem o Congresso para aprovar uma emenda constitucional que preserva intactos os ganhos do capital financeiro enquanto reduz à esqualidez as conquistas e direitos populares?
Não que tenhamos avançado tanto, nos últimos tempos, em direção de uma sociedade mais equilibrada e justa. Não. Mas ainda assim, encurralam e aboiam o povo em direção da senzala.
O que a Presidência da República e seu Ministério e o que o Congresso deveriam fazer diante da perda inquestionável da autoridade para governar e legislar?
O que fazer diante da perda total de legitimidade?
Esta Casa deve tão simplesmente abster-se de votar medidas antipopulares, antidemocráticas e antinacionais. É o que proponho: o cancelamento das votações da PEC 55, da securitização da dívida pública e da reforma da Previdência.
Além de estarmos sob suspeição, precisamos abrir prazo para debater medidas e reformas que sejam do interesse do povo, da democracia e da Nação Brasileira.
Em relação à Presidência da República, deslegitimada tanto pelas denúncias de corrupção como pelas infelizes e erráticas medidas de austeridade e pelo forte impulso entreguista que distingue o núcleo central do poder, não há outro caminho que a convocação de novas eleições diretas para o comando do Brasil.
Não há outra saída. A não ser que a maioria desta Casa e a Presidência da República decidam correr o risco de enfrentar o povo na rua.
Pesquisa feita ao vivo, pelo 247 no Facebook, aponta que 93,6% dos internautas defendem a renúncia imediata de Michel Temer, permitindo que o Brasil realize eleições diretas para presidente; outros 3,7% defendem que ele seja afastado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2017, com a cassação da chapa Dilma-Temer – nesta hipótese, haveria eleições indiretas; os que defendem a permanência de Temer até 2018 são apenas 2,6%; no domingo, pesquisa Datafolha apontou que 63% dos brasileiros querem a saída imediata de Temer, mas o levantamento foi realizado antes da divulgação da primeira delação da Odebrecht, que aponta Temer como operador de interesses da empreiteira na Câmara; Temer foi também acusado de pedir e receber uma doação de R$ 10 milhões, que saíram pelo departamento de propinas da construtora
247 – Uma pesquisa feita ao vivo, pelo 247 no Facebook, aponta que 93,6% dos internautas defendem a renúncia imediata de Michel Temer, permitindo que o Brasil realize eleições diretas para presidente.
Outros 3,7% defendem que ele seja afastado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2017 – nesta hipótese, haveria eleições indiretas.
Os que defendem a permanência de Temer até 2018 são apenas 2,6%.
No domingo, pesquisa Datafolha apontou que 63% dos brasileiros querem a saída imediata de Temer (leia aqui), mas o levantamento foi realizado antes da divulgação da primeira delação da Odebrecht, que aponta Temer como operador de interesses da empreiteira na Câmara.
Temer foi também acusado de pedir e receber uma doação de R$ 10 milhões, que saíram pelo departamento de propinas da construtora (leia aqui).
O senso comum sobre o rumo político do país diz que ele está dando uma forte guinada à direita e que, se houvesse uma eleição presidencial neste momento, haveria risco até de uma ameaça ambulante como o proto-nazista Jair Bolsonaro (PSC-RJ) virar presidente.
Porém, não é o que diz pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira.
O mais evidente, o óbvio ululante (perdoe o trocadilho, leitor), é constatar o fortalecimento de Lula justamente em um momento em que operação de extração tucana dita “Lava Jato” e a mídia de direita o fustigam com ímpeto redobrado.
Apesar de, a esta altura, o gráfico abaixo estar publicado em milhares de páginas na internet e em todos os grandes portais, vale a pena dar mais uma olhada pela imagem impressionante que revela em relação ao ex-presidente petista, mas não só.
Salta aos olhos como Lula se fortaleceu após a condução coercitiva ilegal que a Lava Jato lhe impôs em março deste ano. Como este blog vem dizendo, com o tempo as pessoas vão comparar como a vida melhorou sob os governos do PT (sobretudo de Lula) e como tirar Dilma do poder sob uma farsa piorou a vida dos brasileiros.
Antes de prosseguir, porém, vale rever (você já deve estar cansado de ver esses gráficos) os gráficos sobre o segundo turno.
Vamos às conclusões, então.
Em primeiro lugar, ainda sobre Lula, vale PROVAR que ele vem se fortalecendo. Em julho deste ano, ele perdia para TODOS os adversários no segundo turno. Agora, só perde para Marina e a margem nem é tão grande – 9 pontos percentuais podem ser facilmente revertidos no calor de uma campanha; bastaria Lula crescer 5 pontos percentuais.
O que deixa mais evidente o fortalecimento de Lula após a prisão ilegal e a campanha de destruição movida contra ele é que, em novembro de 2015, ele perdia para TODOS os adversários tanto no primeiro quanto no segundo turno e hoje, no primeiro turno, vence todos com folga e, no segundo, perde (por pouco) de Marina.
Contudo, há vários fatores que podem tirar Lula da disputa de 2018. O mais óbvio é a pretensão nefasta dos fascistas do Judiciário, do MP, da PF, da mídia, da elite branca e dos seus partidos de direita de prenderem Lula para que ele não possa voltar ao poder pela vontade do povo.
Ocorre, porém, que, após a ONU aceitar monitorar os processos contra Lula, ficou muito mais complicado – talvez, impossível – prendê-lo ou condená-lo só à base de “convicções”. E o fortalecimento político dele torna ainda mais difícil condená-lo sem provas cem por cento irrefutáveis.
Porém, mesmo que Lula esteja em condições de disputar a próxima eleição presidencial, suspeito de que ele, a pedido de sua família, pode não concorrer – a família do ex-presidente pede para ele deixar a política desde que ele deixou o poder, em 2011.
Então, sem Lula, o país está à mercê da direita? Negativo. A pesquisa Datafolha mostra exatamente o contrário. Tanto no primeiro quanto no segundo turno, a esquerda mostra ter muito mais votos do que a direita. É só fazer as contas.
Fiquemos no último cenário do primeiro turno, onde é possível comparar os votos de praticamente todos os candidatos ditos viáveis.
No cenário 1, os supostos candidatos de esquerda (Lula, Marina, Ciro e Luciana Genro) somam 47% das intenções de voto, enquanto que os supostos candidatos de direita (Aécio, Bolsonaro, Temer, Ronaldo Caiado e Eduardo Jorge) somam 27%.
No cenário 2, os supostos candidatos de esquerda (Lula, Marina, Ciro e Luciana Genro) somam 51% das intenções de voto, enquanto que os supostos candidatos de direita (Alckmin, Bolsonaro, Temer, Ronaldo Caiado e Eduardo Jorge) somam 23%.
No cenário 3, os supostos candidatos de esquerda (Lula, Marina, Ciro e Luciana Genro) somam 49% das intenções de voto, enquanto que os supostos candidatos de direita (Serra, Bolsonaro, Temer, Ronaldo Caiado e Eduardo Jorge) somam 25%.
No cenário 4, os supostos candidatos de esquerda (Lula, Marina, Ciro e Luciana Genro) somam 41% das intenções de voto, enquanto que os supostos candidatos de direita (Aécio, Alckmin, Serra, Bolsonaro, Sergio Moro, Roberto Justus, Temer, Ronaldo Caiado e Eduardo Jorge) somam 40%.
Apesar de no cenário 4 direita e esquerda estarem empatadas, é um cenário para lá de improvável. Colocaram até Roberto Justus na equação e todos os tucanos de uma vez só – parece ser uma piada – e nem assim a direita consegue supremacia.
Esses cenários contradizem fortemente a crença largamente difundida de que a direita está se fortalecendo tanto. As manifestações de direita e a estridência de movimentos fascistas como O MBL ou Vem pra Rua fazem parecer que a esquerda está mais forte do que realmente está.
O que a direitona se esquece é de que voto na urna é outra coisa. Aí quem fala é aquele sujeito que mora na periferia ou no campo e que não faz estardalhaço de suas opiniões políticas, mas que ali, sozinho diante da urna, a cada quatro anos dá seu recado tonitruante.
A notícia que essa pesquisa Datafolha traz é altamente alvissareira, com exceção de uma reflexão mais do que necessária: esse quadro de enfraquecimento da direita deve se aprofundar ainda mais, com o passar do tempo.
Quanto mais a direita se enfraquecer, portanto, maiores serão as tentações da direita de não permitir que o povo escolha livremente em 2018, caso a tendência for fazer uma escolha que desagrade aos “donos do poder” tão bem descritos na obra imortal de Raymundo Faoro.
A grande luta democrática dos próximos anos, portanto, não será tirar Michel Temer do cargo ou antecipar as eleições presidenciais. Será garantir que o Brasil possa escolher livremente seu próximo presidente em 2018.
O povo brasileiro – não aqueles nazistas de verde-amarelo, mas o povo mesmo –, agora escaldado por seus erros monumentais em 2015 e 2016, certamente fará uma boa escolha quando finalmente se pronunciar de novo sobre os rumos do país.
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PS: fanáticos de direita e de esquerda costumam pôr em dúvida minhas análises dizendo que “não acerto uma”. Porém, os fatos são outros. Prognostiquei que as “jornadas de junho de 2013″ terminariam em golpe, prognostiquei que a derrubada de Dilma não melhoraria a crise política ou a econômica e prognostiquei que a esquerda iria se fortalecendo conforme o povo fosse experimentando as “delícias” de ser governado pela direita. Não tenho bola de cristal, foi apenas o exercício da boa e velha lógica.