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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Marcelo Zero: 2016, o ano em que o Brasil “chutou a escada” do futuro de país desenvolvido

viralatismo

2016: o Ano do Vira-Lata
por Marcelo Zero
Normalmente, países costumam ser destruídos por guerras. Sejam intestinas ou agressões eternas, as guerras deixam um rastro terrível de destruição que pode retroceder o desenvolvimento de um país em décadas. A destruição é ainda maior quando o Estado Nação fica muito fragilizado e o país se torna presa fácil de interesses externos.
Os recentes casos de países do Grande Oriente Médio, como Iraque e Líbia, são emblemáticos. Hoje, tais países não passam de territórios controlados por diferentes grupos armados, abertos à “predação” internacional sem controle.
Mas há casos em que países são destruídos ou fragilizados por meios pacíficos e sutis. Sem sangue. Sem que seja necessário disparar um tiro.
É o caso do Brasil. Com efeito, o ano de 2016 ficará conhecido como o ano em que o Brasil se autoimplodiu. O ano em que “chutamos a escada” do nosso próprio desenvolvimento.
Tudo começou com a implosão da nossa democracia, com o álibi inventado das “pedaladas fiscais” e a desculpa esfarrapada do “combate à corrupção”.
Isso permitiu que a presidenta honesta fosse afastada para dar lugar à amálgama política canhestra da hipercorrupta “turma da sangria” com os interesses do capital internacionalizado e “financeirizado” e da mídia oligárquica.
Mesmo sem nenhuma legitimidade e nenhum voto, esse “Frankenstein” político do golpe tomou rapidamente decisões estruturantes que reverterão todo o progresso social e econômico obtido em anos recentes e comprometerão, talvez de forma definitiva, a possibilidade de o Brasil se converter num país plenamente desenvolvido.
Tais decisões, explicitadas na “Pinguela para o Passado”, de fato implodirão todos os vetores, recursos e mecanismos que o Brasil dispõe para alavancar seu desenvolvimento econômico e social.
Não se trata apenas de promover um óbvio retrocesso social, em nome da redução dos custos do trabalho e do nosso incipiente Estado do Bem Estar, mas de limar a possibilidade do país promover um ciclo de autêntico desenvolvimento, em nome de aposta insana num modelo econômico ultraneoliberal, concentrador, excludente e antinacional.
O primeiro mecanismo a ser abatido por esse modelo fracassado, que não tem mais apoio nem mesmo no FMI, é o do mercado interno.
Ao contrário do que se diz, os extraordinários progressos que o Brasil fez no início deste século não se basearam, de modo decisivo, nas exportações e no “boom das commodities”.
O crescimento substancial das exportações foi vital para superação da vulnerabilidade externa da economia e para o acúmulo de grandes reservas internacionais, que nos transformou de devedor em credor externo.  Mas o eixo estratégico do nosso ciclo de desenvolvimento recente foi a dinamização do mercado interno de consumo de massa.
A contribuição das exportações para o crescimento do PIB só foi significativa no período de 2001 a 2005, durante o qual elas se igualaram ao consumo das famílias, no estímulo a atividade econômica.
Já no período 2006- 2010, para um crescimento de médio de 4,51% ao ano, o consumo das famílias contribuiu com 2,66 pontos percentuais, ao passo que as exportações contribuíram com somente 0,22 pontos percentuais, abaixo também da formação bruta de capital (1,07 p.p.) e do consumo do governo (0,55 p.p.).
E, no período 2011 a 2015, para um crescimento médio de 1,05% (por causa da queda em 2015), o consumo das famílias respondeu por 0,95 pontos percentuais, ao passo que as exportações responderam por apenas 0,25 pontos percentuais.
O Brasil, um país continental com mais de 200 milhões de habitantes, não pode se desenvolver plenamente sem a dinamização desse mercado, ainda mais numa conjuntura de estagnação do comércio internacional.
Nos períodos mencionados, a dinamização do mercado interno de consumo se deu por quatro vertentes: as políticas sociais distributivas, com programas como o Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada, o aumento real do salário mínimo em mais de 70%, a substancial geração de mais de 20 milhões de empregos formais e a forte expansão do crédito popular, graças à atuação dos bancos públicos.
Em virtude desses fatores, o volume do comércio varejista aumentou mais de 100%, em apenas 8 anos.
Ora, o modelo ultraneoliberal do golpe está fazendo o oposto.
Pretende diminuir substancialmente o alcance das políticas sociais, acabar com a política de valorização do salário mínimo, desvincular o salário mínimo de benefícios previdenciários e assistenciais, restringir o crédito pela amputação ou privatização dos bancos públicos e implementar, como regra, a precarização das relações trabalhistas.
Com efeito, todas as medidas aprovadas ou anunciadas até agora, a PEC 55, a PEC da Previdência e as novas normas trabalhistas, conduzem à desconstrução massiva dos direitos sociais e trabalhistas assegurados na Constituição 88 e na CLT.
É que o golpe trabalha com a lógica de que é preciso diminuir os custos previdenciários, sociais e trabalhistas para que o Brasil possa crescer.O golpe aposta no retorno da desigualdade, da pobreza e da precariedade laboral como elementos indutores do investimento privado.
Trata-se do oposto ao que fizemos no início deste século e do que uma parte dos países desenvolvidos, com o apoio do FMI, tenta fazer agora.
Assim, com o modelo ultraneoliberal do golpe, a redução da demanda interna, que hoje é apenas conjuntural, se tornará estrutural.
Dentro desse modelo, poderemos ter até espasmos de crescimento, “voos de galinha”, mas jamais um ciclo de desenvolvimento sustentado que promova o bem-estar de todos os brasileiros.
Outro vetor importante para o nosso desenvolvimento que o golpe vai destruir é o do Estado como estimulador da atividade econômica.
A PEC 55, em particular, impedirá novos investimentos estatais em educação, saúde, infraestrutura, ciência e tecnologia, defesa nacional, etc. por longos 20 anos, mas não impedirá o pagamento dos maiores juros do mundo aos abonados rentistas, bem como a oferta desinteressada de presentinhos modestos a amigos, como os R$ 100 bilhões às teles, e a compra necessária de mimos inocentes com sabor a Häagen-Dazs.
Além disso, haverá a “privatização de tudo o que for possível”, isto é, de tudo, mesmo. Petrobras, pré-sal, Banco do Brasil, Caixa Econômica, terras e tudo o mais entrarão, mais cedo ou mais tarde, fatiados ou não, no grande balcão de negócios do golpe. Com isso, o Brasil perderá instrumentos insubstituíveis para a alavancagem de seu desenvolvimento.
Aliás, a substancial redução do papel do BNDES como banco de desenvolvimento e a destruição da cadeia de petróleo e gás, inclusive da política de conteúdo nacional, já retiram do Estado brasileiro mecanismos vitais para o estímulo à atividade econômica.
Não há país que tenha se desenvolvido sem um forte estímulo estatal à atividade econômica. O Brasil não será exceção.
Mas a redução estrutural do mercado interno e a destruição dos mecanismos estatais de indução ao desenvolvimento não são os fatores decisivos para a fragilização do nosso Estado Nação.
O fator realmente decisivo é externo.
O golpe tem uma agenda geopolítica implícita.
Trata-se de extinguir diretrizes vitais da antiga política externa altiva e ativa, como a da integração regional via Mercosul, a da cooperação Sul-Sul, a das alianças estratégicas com os BRICS, a da reaproximação à África e ao Oriente Médio, etc.
Essas diretrizes nos transformaram de país frágil e periférico da década de 1990 em ator internacional de primeira grandeza, com espaço de relevo assegurado em todos os foros internacionais e com interesses próprios e independentes bem definidos.
Na realidade, o objetivo maior do golpe é reinserir o Brasil na órbita dos interesses geoestratégicos dos EUA e aliados e abrir nossa economia às necessidades do capital financeiro globalizado e das “cadeias mundiais de valor”.
Isso não é teoria de conspiração. É somente a dura realidade da implacável e óbvia luta geopolítica que se desenvolve hoje no mundo. Quem não consegue entender isso, não conseguirá entender nada.
O fato concreto é que o golpe vem apequenando o Brasil em todos os sentidos.
O pior, contudo, é que esse processo de fragilização do nosso Estado Nação não foi imposto pela força. Foi alegremente assumido por setores importantes das nossas “elites”.
Em particular, os procuradores e juízes da Lava Jato deram contribuição substancial para tanto, ao destruírem, em nome da cooperação internacional no combate à corrupção, o braço empresarial da nossa política externa, que exportava serviços para o mundo, abrindo portas dos mercados para produtos brasileiros, e a base empresarial da indústria da defesa, inclusive à que tange à construção do nosso submarino nuclear. De quebra, submeteram a Petrobras a investigações externas.
Messiânicos, cooperando à margem da autoridade central prevista em acordos, julgam-se heróis de um mundo kantiano de interesses universais comuns. Na verdade, não passam de instrumentos cegos da luta “clausewitziana” que rege a geopolítica mundial.
Como a maior parte das nossas classes dirigentes e empresariais e de vastos setores da classe média, acreditam numa suposta superioridade intelectual, cultural e moral dos países hoje desenvolvidos.
Com aliados internos desse calibre, os interesses externos podem aqui se tornar hegemônicos, sem necessidade de bombas e grupos armados.
Vira-latas se autoimplodem. Não precisam de disciplinamento. Ante quaisquer gestos de aceitação, de cooperação, abanam os rabos para seus donos.
O ano de 2016 foi o ano em que, além de toda a tragédia política e social, o Brasil se autoimplodiu. Implodiu seu futuro de país plenamente desenvolvido.
O ano de 2016 foi o ano do vira-lata.
Marcelo Zero é  sociólogo, especialista em Relações Internacionais e membro do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI).
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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Abertura do pré-sal, só se o povo autorizar

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Federação Única dos Petroleiros protocolou nesta terça-feira 30 na Câmara dos Deputados projeto que sugere plebiscito para decidir o futuro do pré-sal; plano de José Serra, autor do projeto de abertura do pré-sal que foi aprovado no Senado, e Pedro Parente, presidente da Petrobras, pode agora ter que depender da opinião popular; pedido protocolado pelos petroleiros foi assinado por 174 parlamentares, sendo vários da bancada do PT; "Queremos que o povo brasileiro seja consultado sobre o futuro", defende Henrique Fontana (PT-RS) 

247 - A Federação Única dos Petroleiros (FUP) protocolou nesta terça-feira 30 na Câmara dos Deputados um projeto que sugere a realização de um plebiscito para decidir o futuro do pré-sal. A proposta é assinada por 174 parlamentares, entre os quais vários deputados do PT, como Henrique Fontana (RS), Carlos Zarattini (SP), Wadih Damous (RJ), Paulo Teixeira (SP), Chico D'Ângelo (RJ), entre outros.

"O que queremos? Queremos que o povo brasileiro seja consultado sobre o futuro. Por isso, propusemos um plebiscito. Se querem mudar a lei do pré-sal, consultem o povo brasileiro. Se o povo brasileiro aceitar, mudem, mas, se o povo que é o real proprietário desta grande riqueza futura do País não aceitar, então eles não podem mudar", explicou Henrique Fontana (PT-RS).

"Você concorda com a manutenção na Lei 12.351/10 que assegura à Petrobras a exclusividade na condução e execução de todas as atividades de exploração e produção do pré-sal e das áreas estratégicas de petróleo e gás?", diz a única pergunta contida no PDC do plebiscito do pré-sal. "A sociedade brasileira deve ser chamada a se manifestar sobre se é de interesse nacional flexibilizar a participação da Petrobras na exploração do pré-sal, a maior reserva de petróleo do mundo", aponta a justificativa do texto.
A iniciativa surgiu após a comissão especial sobre o tema ter aprovado o projeto de lei (PL 4567/16), de autoria do senador José Serra (PSDB), que retira da Petrobras a obrigatoriedade de participação na exploração de todas as bacias do pré-sal.

Para o coordenador da FUP, José Maria Rangel, o plebiscito será uma grande oportunidade de desconstruir a narrativa negativa da grande imprensa sobre a Petrobras. "Precisamos ultrapassar as barreiras que estão colocadas pela grande mídia, no sentido de só mostrar coisas ruins da Petrobras. Nós temos - com essa proposta de plebiscito – que ampliar o debate, coisa que não está sendo feita", frisou. "Nós estamos sendo cerceados de fazer esse debate com a população e demonstrar o que representa o pré-sal na vida dos cidadãos brasileiros", acrescentou.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Bendine não vai entregar o ouro (aos bandidos) O Golpe da Globo fracassou: a partilha não muda !



Em entrevista ao PiG cheiroso (ver no ABC do C Af), o novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine deixou claro:

- a venda de participação da estatal em blocos de exploração da camada do pré-sal e mesmo da camada pós-sal está descartada;

- a grande geração de valor para a Petrobras é o aumento da sua produção;

- o aumento da exploração é o coração da empresa, é o que dá resultado;

- “Vou entregar o ouro ?”


Portanto, todo o trabalho Golpista do PiG resultou em nada.

Não haverá revisão do regime de partilha.

Porque é isso o que o Golpe da Globo e seus instrumentos na Presidência da Câmara e no PSDB querem: meter a mão no pré-sal.

Não vem que não tem.

Enquanto os trabalhistas governarem o Brasil.



Em tempo: depois de dar duas entrevistas à Globo (jn e Valor), o novo presidente da Petrobras poderia dar uma coletiva aos míseros leitores, espectadores e internautas de outras órgãos de imprensa …

A própria preservação do regime de partilha é um indício forte de que a Globo (ainda) não governa o Brasil.

Apesar da Bolsa PiG, dos dribles na vaca nos blogueiros sujos, do BV e de outros subsídios (na Receita) sem os quais ela não sobrevive …


Paulo Henrique Amorim


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Petrobras, Globo, Folha ou Estadão. QUE AÇÃO VOCÊ COMPRARIA????

Saiu no Valor, pág D5, entrevista de Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, sobre o plano de negócios que acabou de anunciar.

É um plano estratégico de US$ 225 bilhões.

Explica Gabrielli (que admite se candidatar a governador da Bahia em 2014):

- é o maior plano de investimentos em curso no mundo;

- é  dez anos de investimento da NASA;

- maior que o Plano Marshall;

- até 2020, com o pré-sal, a produção vai passar de 2 bilhões para 5 bilhões de barris;

- a Petrobras vai encomendar 65 sondas de perfuração acima de 2 mil metros de lâmina d’água (a frota mundial, hoje, é de 70);

- até 2015, a empresa vai encomendar (no Brasil) 658 embarcações, como o petroleiro “João Cândido”, o Almirante Negro, o primeiro a sair de Suape.

Como se sabe, o esporte preferido do PiG (*), desde Assis Chateaubriand e o Dr. Roberto, é boicotar a Petrobras.
Os colonistas (**) do PiG não sabem , mas são, apenas , a versão contemporânea, medíocre, de Roberto Campos que, quando presidia a UNE, o Cerra devia chamar de Bob Fields.
Bib Fields atacava diariamente a Petrobras em todos os jornais do PiG.
Chamava-a de “Petrossauro”.
Queria ver ele dizer isso, hoje, em Pernambuco.
No Globo, por exemplo,uma contrafação do Bob anunciou recentemente uma mudança radical nos quadros da Petrobras.
Nem o cabineiro do elevador da diretoria do Gabrielli seria mantido na reforma do Globo.
Amigo navegante, você, se tivesse um dinheirinho, compraria ações do Globo ?
Da Folha, que vai fechar o capital, em nome da transparência ?
Ou do Estadão, que a família Mesquita terceirizou aos credores ?
Ou do “Petrossauro” ?

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A face da esperança

BRIZOLA NETO
Oito anos atrás, eu tinha 23 anos. Mesmo vivendo em meio a política, e aquela altura já com o convívio diário por anos com meu avô Leonel Brizola, minha compreensão sobre a realidade era menor do que é hoje.
Naquela eleição, porém percebia que, mesmo com as concessões que Lula fazia ao status quo com a sua “Carta aos Brasileiros”, era nossa chance de interromper o processo vergonhoso de entrega do patrimônio público e de alienação das riquezas deste país que o governo Fernando Henrique implantou e que pretendia se eternizar através de José Serra.
De fato, os primeiros anos do governo Lula tiveram, essencialmente, a característica da vertigem de crise em que uma década de políticas neoliberais haviam lançado este país.
Necessário, importante, uma pré-condição para o início de um tempo novo. Mas não o tempo novo.
O tempo novo viria, porém, no segundo mandato.
Ali, foi a lucidez da população que fez com que o governo Lula assumisse as características que tem hoje.
Vocês se recordam? Houve uma manipulação dos meios de comunicação tão ou mais intensa do que há hoje. Nós próprios, do campo progressista, muitas vezes não tivemos a consciência do embate em que se travava e, por frações, acabamos por permitir que a eleição fosse a um segundo turno.
E aí, o povo brasileiro, na sua simplicidade, fez aparecer com clareza a decisão que se deveria tomar.
Quando se tornou evidente que a candidatura Alckmin era um instrumento da privatização, da entrega, da dominação colonial deste país, as massas populares arrastaram esse candidato a uma votação – pasmem os que não se lembrarem – menor a que obtivera no primeiro turno.
No processo eleitoral que estamos vivendo agora, está evidente que – muito mais do que qualquer palavra que pronunciemos ou do que qualquer proposta que apresentemos – é a ação feroz, vil, sórdida da direita aquilo
está ajudando a tornar lúcidas e esclarecidas milhões de consciências brasileiras.
Contingentes cada vez maiores da população tomam consciência de que a direita brasileira vive um conflito insanável com a ideia de democracia.
Não pode ser democrática porque é excludente, má, desumana, e porque não lhe toca o coração ver milhões de seres humanos saindo da pobreza.
Não pode. porque não lhes amolece a alma ver que as pessoas comem, que as pessoas podem ter o “luxo” de uma geladeira, de uma casinha humilde, de comprar um doce para seus filhos.
Não é democrática, porque não respeita a liberdade de consciência do povo brasileiro. Porque acha que essa população merecer servir de vítima de suas jogadas, de manipulações, das manobras mais perversas, com o uso e o abuso dos meios de comunicação que controlam, e que por isso não exerçam, na plenitude, sua liberdade de consciência.
A direita brasileira, agora e nunca, sequer é patriótica. Não vê outro país se não aquele que entrega seu povo, seu território, suas riquezas para que lhe deixe, como intermediária, algumas das migalhas que caem do saque colonial desta nação. Não consegue percebero Brasil senão como servo, porque ela própria é servil e bajuladora, porque entende o mundo como uma relação entre vassalos e amos.
Tudo tornou-se extrememante agudo e grave, e não foi por nosso desejo.
Quisemos – e queremos – desde o início uma disputa sadia, limpa, aberta. Desbravamos o território livre da internet para trazer a informação, o debate, a discussão. Enquanto a grande mídia vivia apregoando que havia um favorito, lá em cima nas pesquisas de opinião, nós dizíamos aqui: não é verdade.
A mídia, porém, nos chamava de “trogloditas”, “cães da internet”, “turma da kombi”. Desqualificam a informação livre e o debate instantâneo do que dizem simplesmente porque não podem conviver com o contraditório, e muito menos com a verdade.
Oito anos se passaram daquele primeiro embate, onde tudo era uma esperança nebulosa. Quatro anos se foram da segunda batalha, onde os campos mais claramente começaram a se definir.
Agora, meus irmãos e minha irmãs, estamos no limiar de uma nova era da existência desse país.
Não há uma revolução, não há ameaças a liberdade de quem quer que seja. Não há ninguém que vá, neste país, ser privado de qualquer um dos seus direitos civis e humanos.
O que há, de verdade, é uma tomada de consciência por parte do povo brasileiro, que agora se vê como ser humano, como uma coletividade que tem direito a um destino próprio e a felicidade que todo ser humano almeja.
Este povo viu a face da esperança e não vai, façam o que fizerem, protelem o quanto protelarem, mintam o quanto mentirem, afastar seus olhos do brilho luminoso do futuro que o Brasil sabe agora ter ao alcance de suas mãos.