Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

sábado, 1 de dezembro de 2012

DILMA: 100% DOS ROYALTIES PARA A EDUCAÇÃO


 *Resposta de Israel à vitória palestina na ONU: mais tres mil colonos assentados na Csjordânia.

**80% dos britânicos apóiam a criação de um órgão regulador para a mídia.

A POLÍTICA NÃO É O PASTO DA FATALIDADE

O mal que  desaba sem que se saiba de onde vem nem como evitá-lo e que se multiplica quanto maior  é o  esforço para domá-lo chama-se tragédia. Os gregos entendiam de fatalidade. A política não é uma fatalidade --não deveria ser. A política deveria ser justamente o espaço da liberdade, sobretudo  dos que nunca tiveram espaço, nem liberdade, para se emancipar enquanto indivíduos e como classe. A subordinação da política aos desígnios dos mercados sanciona uma rendição que nega o seu apanágio. Ao confundir cordura com submissão, pragmatismo com desistência, a política se transforma no pasto do cavalo xucro que deveria  domar;  submete-se ao mal que não tem cura em si: é a tragédia econômica. Pior que isso. A dissipação das referências históricas desencadeia  um processo impessoal autoimune que tritura consciências e valores , assumindo vida própria para subverter a meta e o método que o originou. De novo, a tragédia. O antídoto à fatalidade convoca  a força da consciência e a consciência de que só a força da mudança pode evitá-la.  Há aqui uma boa dose de simplificação, mas estamos falando dos dias que correm e das horas que rugem. (LEIA MAIS AQUI)


A fragilidade da base aliada


A entrevista que o vice-presidente da CPI do Cachoeira, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), concedeu ao Blog na quinta-feira, exige reflexão. Aqui ou em qualquer outra página em que a entrevista foi reproduzida – como no Blog do Nassif ou no Brasil 247 – os comentários foram, esmagadoramente, críticos. Aliás, melhor seria dizer que foram comentários furiosos.
As reações foram da ampla satisfação dos comentaristas de viés tucano à mais ampla rejeição dos de viés petista. Ninguém aceita as justificativas para o recuo do relator da Comissão, Odair Cunha (PT-MG), no sentido de retirar de seu texto os pedidos de indiciamento do jornalista Policarpo Jr. e do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Particularmente, fiquei dividido. Ao mesmo tempo em que, como todos sabem, apoio posições mais corajosas do PT e do próprio governo Dilma para enfrentar os ataques tucano-midiáticos, reflito sobre as condições efetivas de êxito que tanto um quanto outro possam ter tido…
Analisando o que o deputado Paulo Teixeira disse ao Blog, torna-se óbvio que a base aliada se esfacelou – ao menos no âmbito da CPI. Ora, a base aliada controla a presidência, a vice-presidência e a relatoria da Comissão, mas não conseguiu aprovar nada mais do que a oposição.
Se a base aliada convocou – ou convidou – um governador como Marconi Perillo – que, na verdade, é o foco da investigação por seu envolvimento escandaloso com o bicheiro Carlos Cachoeira –, a oposição conseguiu convocar o governador petista Agnelo Queiroz, contra quem não pesa nem um grama do que pesa contra seu homólogo tucano.
E se a base aliada convocou Paulo Preto, a oposição convocou Luiz Antonio Pagot…
O equilíbrio de forças oposicionistas e situacionistas na CPI mostra, portanto, que grande parte da base aliada ao governo Dilma atua ora como governista, ora como oposicionista. Não se sabe ao certo, portanto, qual é a verdadeira base aliada do governo Dilma, mas pode-se inferir que, à exceção do PC do B, não exista nenhum outro aliado confiável.
Em uma situação assim, fica mais fácil entender o temor do governo Dilma e do próprio PT. Com uma base de apoio tão volátil – e, frequentemente, tão desleal –, o governo se expõe, no limite, até a revoltas parlamentares como a que deu origem ao impeachment do ex-presidente Fernando “aquilo roxo” Collor de Mello.
Não é brincadeira…
Isso sem falar que Dilma tem como vice ninguém mais, ninguém menos do que Michel Temer, que já foi aliado “fiel” dos tucanos e que, dizem, está por trás da hesitação da presidente em relação à imprensa.  O governo deve temer Temer. E muito. Se Dilma sofrer queda de popularidade, ele salta do barco antes que você, leitor, possa proferir a palavra fisiologia.
Vejo-me obrigado, portanto, a refletir sobre a expressão “governo de coalizão”. Boa parte da militância petista não leva em conta algo que escrevi há alguns meses aqui, sobre que o PT chegou ao governo, sim, mas não chegou ao poder.
O fato é que a imprensa, apesar de não conseguir mais eleger quem quer por estrita falta de colaboração desse ente que trata sempre como detalhe nas escolhas que o país faz, ou seja, o povo, ainda  tem um poder político praticamente inacreditável. Isso porque se impõe em quase todos os partidos, para não dizer em todos.
A situação se torna estarrecedora quando se reflete que, mesmo no único partido em que a mídia não deveria ter influência, ela tem. Todos sabem muito bem quais são os petistas que vivem aos beijos e abraços com o Partido da Imprensa Golpista enquanto este faz tudo o que pode e que não pode para destruir o partido deles.
Como já expliquei em post anterior, isso se deve ao fato de que essa coisa de que a mídia não influi mais em eleições pode até ser verdade em eleições mais disputadas, nas quais o PT joga com a “bomba atômica” Lula e com o peso – e o dinheiro – que sua nova configuração ideológica lhe propiciou a partir de 2002. Mas não é verdade no varejo.
É óbvio que parlamentares, prefeitos de cidades menores e até governadores continuam sendo eleitos por influência da mídia – e são esses que até aderem, fisiologicamente, ao partido que está no poder, mas só para mamar, pois, na hora do vamos ver, os integrantes desses partidos “aliados” são liberados pelos dirigentes para agirem como quiserem.
Um bom exemplo é São Paulo. Enquanto Orestes Quércia estava vivo o PMDB era o maior aliado do PSDB por aqui, apesar de dividir o governo federal com o PT. É óbvio, portanto, que os interesses que um PMDB representa em São Paulo acabam interferindo na atuação da bancada federal do partido. E esse é só um exemplo.
Você, eleitor ou simpatizante do PT, pode ficar contrariado com o partido. Pode dizer que é covarde, pode xingá-lo quanto quiser. Mas uma coisa é certa: o PSDB só não está no poder porque o PT aceitou essas regras do jogo. O que há para decidir, portanto, é se queremos o PT no poder, mas sem poder falar grosso, ou falando grosso, mas na oposição.


Pelo texto da medida provisória, o governo destina toda receita dos royalties da União, dos Estados e dos municípios para educação. Com isso, a presidente Dilma Rousseff viabiliza a proposta de investir no setor 10% do PIB (Produto Interno Bruto), que havia sido alterada pela Câmara.


Saiu na Folha:

GOVERNO VAI DESTINAR 100% DE VERBA DOS ROYALTIES DE NOVOS CAMPOS PARA EDUCAÇÃO


Ao anunciar nesta sexta-feira o veto ao artigo da lei aprovado pelo Congresso que previa redistribuição mais igualitária dos royalties do petróleo, o governo confirmou que vai destinar 100% dos royalties dos novos campos para a área de educação.

A obrigatoriedade deve constar na medida provisória que será enviada ao Congresso, conforme afirmou hoje o ministro Aloizio Mercadante (Educação). 

Pelo texto da medida provisória, o governo destina toda receita dos royalties da União, dos Estados e dos municípios para educação. Com isso, a presidente Dilma Rousseff viabiliza a proposta de investir no setor 10% do PIB (Produto Interno Bruto), que havia sido alterada pela Câmara.

A Medida Provisória também muda o destino dos recursos do Fundo Social, criado para garantir investimentos dos recursos do pré-sal em diferentes áreas do governo federal.

Pela nova regra, 50% vai obrigatoriamente para a educação e o restante será usado em projetos de saúde, meio ambiente. 

(…)

DELATOR ESCLARECE. FOLHA (*) ESCONDE

Até um delator de propósitos ambíguos como Cyonil (ele esperou 11 meses pela 2ª parcela da propina, só então entregou o jogo e a 1ª à PF) tem a decência de contextualizar o sentido dessa menção
  

Saiu na carta Maior:

‘FOLHA DE S. PAULO’: O DELATOR ESCLARECE; O JORNAL ESCONDE


A Folha voltou à carga na edição desta 5ª feira. Não para admitir que um dia antes induzira seu leitor a enxergar no ex-ministro José Dirceu um dos integrantes do esquema de corrupção investigado na Operação Porto Seguro. ( Leia ao final desse texto o post ‘Mídia & togas: a confraria do domínio do fato’) 

Não, o que o jornal tenta agora é produzir uma declaração que confirme a sua pressuposição editorial. 

Foi o que fez em 2009 também quando passou meses tentando provar que era verdadeira uma ficha falsa do DOPS sobre a então ministra Dilma Rousseff. A falsificação rudimentar, publicada como documento na 1ª página do jornal em 5 de abril daquele ano, já era parte da campanha eleitoral do eterno candidato derrotado à Presidência, José Serra. 

Desta vez, o jornal foi buscar a confirmação do que já havia consagrado em uma entrevista com o delator da Operação Porto Seguro, Cyonil Borges. Não deu certo.

No pingue pongue de 768 palavras publicado na edição de hoje, 29-11 (leia ao final desse texto: ‘Não sou santo, mas não sou corrupto, diz delator do esquema’), o diário pergunta se o nome do ministro foi mencionado nos contatos que manteve com o esquema de corrupção dos irmãos Vieira. 

A resposta de Cyonil: ” O nome do ex-ministro, pelo que tudo indica, foi usado pelo Paulo (Vieira).” 

A explicação parece pertinente em relação ao pano de fundo. O nome de Dirceu foi jogado na praça pelo linchamento midiático a que vem sendo submetido há meses. Tornou-se um ‘genérico’ de uso encorajador para qualquer fim. Um corrupto se vale disso para encorpar o alcance de um esquema golpista. 

Até um delator de propósitos ambíguos como Cyonil (ele esperou 11 meses pela 2ª parcela da propina, só então entregou o jogo e a 1ª à PF) tem a decência de contextualizar o sentido dessa menção.

O que faz a Folha de posse desse desmentido em relação ao publicado? Nada.

Ou melhor, faz tudo ao contrário do que ocorreu na 4ª feira, quando o editor e o jornal agiram como os corruptos. Usaram o ‘genérico’ em ilações na manchete e nos destaques para encorpar uma pressuposição e atingir o objetivo editorial de denegrir adicionalmente o PT. 

Ou seja, como Cyonil decepcionou, o jornal manipularia o leitor pela segunda vez.

A pergunta que a ombudsman da Folha deveria encaminhar à Secretaria de Redação é: ’se o delator tivesse confirmado a pauta, a resposta seria mantida no mesmo socavão espertamente reservado ao desmentido?’. A ver.

Leia aqui a entrevista publicada na Folha de S. Paulo em 29-11

‘Não sou santo, mas não sou corrupto’, diz delator do esquema’ 

Não sou santo, mas não sou corrupto”. É esse mantra que Cyonil Borges, 37, repete quando é acusado de ter recebido R$ 100 mil do grupo que foi alvo da Operação Porto Seguro, acusado de tráfico de influência no governo. 
Cyonil é um personagem nada linear: ele entregou os R$ 100 mil à Polícia Federal, virou delator e forneceu as informações que nortearam as investigações. 
Autor de livros jurídicos, professor de cursinhos preparatórios para concursos, ele atuou na investigação da Unifesp em 2008 que culminou com a queda do reitor. 
Em entrevista à Folha, ele diz que nunca tocou no dinheiro para não caracterizar o crime de corrupção. Afirma que só cometeu um “pecado” no caso: ter deixado Paulo Rodrigues Vieira, preso pela PF, se aproximar dele. 

*Folha – Uma procuradora disse que o sr. é um corrupto que não recebeu o combinado. 
Cyonil Borges – Respeito a procuradora, mas ela está desestimulando as pessoas de bem a denunciar. 
Mas o sr. recebeu dinheiro? O inquérito diz que deixaram R$ 50 mil na sua portaria e o sr. recebeu mais R$ 50 mil dentro de um táxi. Foi assim? 
Não aceitei o dinheiro. Há e-mails que mostram que ele liga em casa dizendo que queria me presentear. Eu disse: “Esquece”. Fiquei angustiado. Quem não ficaria com os nomes que Paulo citava? 
O sr. ouviu o nome do ex-ministro José Dirceu? 
O nome do ex-ministro, pelo que tudo indica, foi usado pelo Paulo. O Paulo falou em dois momentos o nome do ex-ministro José Dirceu. Num momento, ele disse que o processo no TCU [sobre a Tecondi, empresa de contêineres] era de interesse do Zé Dirceu. 
Paulo citava outros nomes? 
Um nome que ele citava, indevidamente, foi o do ministro José Múcio, do TCU. Mas o ministro recusou o processo, alegando foro íntimo. Isso mostra a idoneidade do Múcio. Como ele não conseguiu no TCU, foi para a AGU. 
O sr. disse que não recebeu dinheiro, mas os pacotes ficaram na sua casa. 
Quem pegou o pacote na portaria foi um rapaz do lava-jato. O Paulo interfonou, às 8h da manhã de um sábado: “Tô aqui com a família. Posso subir?” “Não, não pode”. 
Quando foi isso? 
Em abril de 2010, mais ou menos. Desci do meu apartamento com roupa para correr e o porteiro disse: “Deixaram aqui…”. Pego o carro, saio. Peço para o rapaz do lava-jato lavar meu carro e pegar o pacote. Não toquei no dinheiro. 
Por que não tocou? 
Não sou bandido. Isso poderia caracterizar crime de corrupção passiva. 
Você ficou incomodado de ter R$ 100 mil em casa? 
Não tinha incômodo. Daí a minha mulher descobre. Ela ficou chateada e pensou outras coisas. Queria depositar. Falei: “Não, isso é dinheiro de cursinho preparatório”. 
Tipo caixa dois? 
Eu não sou santo. Tenho meus pecados, mas não sou corrupto. Alguns cursinhos pagam em dinheiro, por fora. 
Algumas pessoas o descrevem como corrupto arrependido. 
Para se arrepender, você tem de aceitar. Eu nunca aceitei nada. Eu posso ter o pecado de, num primeiro momento, ter deixado o cara [Paulo] se aproximar. Quando ele passou o dinheiro, eu falei: “Você tá retardado? O que você bebeu, cara?” Ele: “Mas esse dinheiro é particular”. Eu falei: “Brother, isso é corrupção”. Ele: “Então eu compro isso aqui [R$ 100 mil] em seus livros”. Eu falei: “Não tenho livro para isso”. 
Mas o sr. escreveu um segundo parecer que, aparentemente, atendia à Tecondi. 
O primeiro parecer foi totalmente contrário. Aí tem um e-mail em que ele fala sobre o meu parecer, o segundo: “Isso não atende o interesse do grupo”. Ele queria que o contrato de arrendamento da área [da Tecondi] fosse renovado. Mas isso era inviável. 
Mas o seu parecer abre uma porta para a Tecondi ser beneficiada no TCU, segundo a PF. O sr. diz que houve investimento e o rompimento geraria insegurança jurídica. 
Isso não era o que o Paulo queria. O parecer de 2010 era totalmente contrário, mas houve um investimento de cerca de R$ 270 milhões. 
O sr. nunca escreveu um parecer por encomenda de Paulo? 
Ele pediu que eu lesse um parecer do advogado da Codesp. Falei: “Tá bem escrito”. 
Por que você recebeu o dinheiro em abril de 2010 e só foi à polícia em fevereiro de 2011? 
Eu queria reunir provas. Imagina você chegar na polícia com um pacote de dinheiro e falar: “Entregaram isso na minha portaria”. Eu seria preso. Nunca tive mácula na administração pública. Fiz a investigação dos cartões corporativos da Unifesp. 

—————————-
(leia a seguir a postagem da 4ª feira sobre o caso)

Mídia & togas: a confraria do ‘domínio do fato’

A Suprema Corte do país acaba de se avocar mais uma prerrogativa: a de violar a lógica da história democrática brasileira.

Roberto Jefferson, que dispensa apresentações, pivô das denúncias que levaram à montagem daquilo recebeu o nome de fantasia de ‘mensalão’, foi objetivamente liberado pelas togas do STF nesta 4ª feira. 

A pena que lhe foi atribuída, sete anos e 14 dias, tem a precisão do relojoeiro esperto; coisa feita para encher os olhos mas aliviar o ônus. Permitir-lhe-á ficar longe de qualquer instituição prisional para exercer livremente aquilo que sempre fez e sabe fazer.

A mesma condescendência já havia sido dispensada antes ao deputado do PR, Waldemar da Costa Neto, outro cuja folha de bons serviços à nação brasileira é conhecida, embora menos festejada.

A contrapelo desse indulto sugestivo, mas em tom de júbilo incontido,o Globo da 3ª feira espocou em manchete faiscante: “Tremembé, cidade do interior paulista, à espera de mensaleiros’.

Quais? 

O texto é claro no alvo da mira: ‘ (…) Cidade pequena encravada na região do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, Tremembé já vive as expectativas de ser o provável destino dos mensaleiros, como está sendo chamada a turma liderada pelo ex-ministro José Dirceu (…) Enquanto José Dirceu e seus companheiros não chegam, Tremembé segue sua rotina”, garante-se o jornal, como se iniciasse a cobrança regressiva do grande dia.

Devemos à Suprema Corte sob a batuta do agora presidente Joaquim Barbosa esse conjunto de uma harmonia desconcertante: Jefferson e Waldemar, livres; e José Dirceu, condenado sem provas, cuja vida foi posta na ponta da baioneta da ditadura militar por lutar pela democracia, vai para Tremembé – pelo menos assim o Globo prefixou. Em se tratando do Judiciário que aprendemos a conhecer em sua fina sensibilidade aos holofotes, significa um passo e tanto.

A reportagem do Globo pode ser encarada como um recado às togas: estamos aqui, ministros. Equipes e câmeras de prontidão no aquecimento para o grande dia. Um símbolo do PT será emoldurado pelas grades, em cena e horário naturalmente desfrutáveis pelo Jornal Nacional, como o foram todos os capítulos da Ação 470.

O empenho do dispositivo midiático é manter acesa a chama. 

Cercá-la de cuidados para que contradições flagrantes, como a que foi reiterada hoje, na absolvição daquilo que avulta como o paradigma de um escroque, não empalideçam a demonização arduamente construída ao longo da novela.

Para tanto, o símbolo representado por José Dirceu deve ser regularmente aspergido de lama até que o desfecho se materialize na escalada do JN e no jogral das manchetes do dia seguinte.

É disso que cuida a cobertura jornalística nos dias que correm. Trata-se de 
convencer a opinião pública de que repousa nas entranhas da Operação Porto Seguro a ‘chave do porão’.Aquela capaz de escancarar o quarto escuro dentro do qual Lula, Dirceu e todos os corruptos do país, que naturalmente serão sempre do PT, debatem novos e velhos golpes. 

Na busca sôfrega das pistas para confirmar as manchetes a lógica muitas vezes atrapalha. Demita-se a lógica. 

Os supremos juízes da Suprema Corte não revogaram a história da luta democrática brasileira? Não redesenharam um país em que Roberto Jefferson merece condescendência e José Dirceu é bandido? 

As togas da suprema instância não demitiram os fatos? Por que o jornalismo há de se ater a eles? O país e a mídia vivem agora sob o império das ilações.Eis aí uma contribuição inesperada, porém marcante da Corte ao aperfeiçoamento das instituições democráticas e do currículo das escolas de jornalismo. 

Virtuoses no ramo, na verdade, já praticam com impressionante desembaraço o cânone da notícia inspirado na assertiva das togas que se dispensaram do elemento essencial de uma sentença: provas.

Na edição impressa da quarta- feira, 28-22, o jornal Folha de S. Paulo deu aula-magna de como aplicar a jurisprudência à estrutura de um texto, para dissimular um editorial em notícia. 

O procedimento não é novo, mas o jornalismo à la ‘domínio dos fatos’ desfruta agora do exemplo inapelável que vem de cima. As togas fizeram escola. 

Acompanhe como funciona o verdadeiro manual de redação nessa tentativa de afirmar, sem provar, os vínculos entre o ex-ministro José Dirceu e a ‘Operação Porto Seguro’. Siga: 

No título, antecipa-se a criminalização, assim: “Procuradora e denunciante citam Dirceu”.

No destaque, abaixo do título, reforça-se a indução reiterativa: 

“O nome do ex-ministro José Dirceu foi duplamente envolvido no caso apurado pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal”.

No corpo da matéria, as ‘provas’ que sustentam a manchete:

1) “A procuradora federal Suzana Fairbanks afirma que Dirceu era procurado para resolver questões como se ainda fosse ministro: “[Era] Uma pessoa que tinha poder de decisão lá dentro [do governo]“; 

2) Em seguida, o texto incorpora a entrevista ao “Jornal Nacional” do delator do esquema, o ex-auditor do TCU, Cyonil da Cunha Borge (veja aqui, outro primor do gênero ‘jornalismo à la Supremo’) 

Trecho incorporado pela pela matéria da Folha: ” Cyonil disse que Paulo Rodrigues Vieira, tido como um dos cabeças do esquema, o convidou para participar de um aniversário de Dirceu e citou o nome do petista ao oferecer a propina”. 

Por fim, escondidos no artigo, sem peso nem influencia na manchete, os fatos: 

1) (…) “Fairbanks afirma que não há troca direta de mensagens entre a ex-assessora (Rosemary Noronha) e Dirceu”;

2) Também não há o nome de Lula: “Conversa dela com o Lula não existe”, diz. “Nem áudio, nem emails.” 

3) Sobre o delator, a promotora afirmou(…) “É um corrupto que sofreu um golpe. Levou um calote. Não recebeu o pagamento todo, como tinham combinado, e resolveu entregar o esquema todo’ .

No arremate, seis linhas para o famoso ‘o outro lado’, em nome do qual avoca-se o direito de fazer qualquer coisa.

Leia a seguir a íntegra da matéria. 

Procuradora e denunciante citam Dirceu 
Folha de São Paulo 28-11-2012

O ex-ministro da Casa Civil era uma das autoridades a quem a ex-chefe de gabinete da Presidência sempre recorria 

Auditor que entregou o caso afirma que suborno foi oferecido em nome do petista; Dirceu diz que é ‘improcedente’ 

DE SÃO PAULO 

O nome do ex-ministro José Dirceu foi duplamente envolvido no caso apurado pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal. 

A procuradora federal Suzana Fairbanks diz que Dirceu era uma das autoridades do governo federal a quem Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, recorria para atender interesses do grupo desarticulado pela PF. 

Rosemary, segundo investigação da PF e do Ministério Público Federal, costumava citá-lo como “JD”. 

Fairbanks afirma que Dirceu era procurado para resolver questões como se ainda fosse ministro: “[Era] Uma pessoa que tinha poder de decisão lá dentro [do governo].” 

Ainda ontem, o petista também teve o nome envolvido no caso pelo delator do esquema, o ex-auditor do TCU (Tribunal de Contas da União) Cyonil da Cunha Borges. 

Em entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, Cyonil disse que Paulo Rodrigues Vieira, tido como um dos cabeças do esquema, o convidou para participar de um aniversário de Dirceu e citou o nome do petista ao oferecer a propina. 

Cyonil disse ter recebido uma oferta de R$ 300 mil de Vieira para fazer um relatório favorável à Tecondi, empresa que opera em Santos. 

“Na ocasião, ele [Vieira] escreveu que o processo era de suposto interesse de José Dirceu e escreveu R$ 300 mil no papel”, disse ao “JN”. 

PRISÃO 
A procuradora Fairbanks disse ainda que não está descartado o pedido de prisão de Rosemary Noronha. 

Segundo ela, Rose procurava a cúpula do governo para “agendamento de reuniões de políticos, nomeação de cargos”, para atender o grupo. “A influência dela era constante”, diz, tanto no governo do ex-presidente Lula quanto no de Dilma Rousseff. 

Fairbanks afirma que não há troca direta de mensagens entre a ex-assessora e Dirceu. Também não há o nome de Lula. “Conversa dela com o Lula não existe”, diz. “Nem áudio, nem emails.” 

Sobre Cyonil, o delator, Fairbanks afirmou que ele entregou o esquema porque foi traído. “É um corrupto que sofreu um golpe. Levou um calote. Não recebeu o pagamento todo, como tinham combinado, e resolveu entregar o esquema todo”, disse. 

OUTRO LADO 
Em nota, Dirceu afirmou que é improcedente a informação de que tenha relação pessoal ou profissional com Paulo Vieira. “Se Vieira usou o meu nome em conversas com terceiros, o fez de maneira indevida. Também não tenho nenhum interesse nas atividades da empresa Tecondi”, disse o ex-ministro. 

O petista afirmou que estuda com os advogados tomadas medidas judiciais. “Considero-me vítima de calúnias com as menções feita.” 

O advogado de Cyonil, Rodrigo Selberg, afirmou que a avaliação da procuradora sobre seu cliente é “precipitada”. “O histórico [de Cyonil] comprova que ele não é corrupto”, afirmou.

Postado por Saul Leblon às 20:06


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.








sexta-feira, 30 de novembro de 2012

FOLHA: O DELATOR ESCLARECE; O JORNAL ESCONDE


 *Palestina ingressa na ONU com apoio de 138 nações em votação histórica que isolou os EUA e Israel: assento como Estado observador  legitima direito às fronteiras ocupadas por Israel em 1967 ( leia mais nesta pág).


A Folha voltou à carga na edição desta 5ª feira, 29-11. Não para admitir que um dia antes induzira indevidamente o leitor a enxergar no ex-ministro José Dirceu um integrante do esquema de corrupção investigado na Operação Porto Seguro. Não, o que o jornal tenta desta vez é produzir uma declaração que confirme a sua pressuposição editorial. Não deu certo. Afirmação do delator  Cyonil Borges na entrevista publicada agora pelo jornal: " O nome do ex-ministro, pelo que tudo indica, foi usado pelo Paulo (Vieira)".  A resposta é esclarecedora. No clima de linchamento dos últimos meses, o nome 'Dirceu' tornou-se um 'genérico' de uso encorajador para qualquer fim. Um corrupto se vale disso para encorpar o alcance de um esquema golpista.O que faz a Folha de posse desse desmentido em relação ao publicado? Nada. Ou melhor, tudo ao contrário do que ocorreu na 4ª feira, quando o editor e o jornal agiram como os corruptos . Usaram o 'genérico' em ilações para encorpar uma denúncia  e desse modo atingir o objetivo de denegrir adicionalmente o PT.  A pergunta ao ombudsman da Folha é: se Cyonil tivesse confirmado a pauta, a resposta seria mantida no mesmo socavão espertamente reservado ao desmentido? (LEIA MAIS AQUI)

Vice-presidente da CPI: “Questão de Policarpo não está resolvida”


O vice-presidente da CPI do Cachoeira, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), concedeu hoje (29.11) entrevista ao Blog sobre o relatório final da investigação. Segundo Teixeira, ao menos a questão do jornalista Policarpo Jr., da revista Veja, “Não está resolvida”. Ele fala, ainda, sobre a posição do partido em relação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e explica as razões para o recuo do relator. Leia, abaixo, a entrevista.
*
Blog da Cidadania – Deputado Paulo Teixeira, sobre a posição do relator da CPI, deputado Odair Cunha, de retroceder no indiciamento do procurador-geral da República e do jornalista da Veja Policarpo Jr., o que o senhor diz sobre isso? É uma posição do PT? Dizem que o PT ficou com medo da mídia, outros dizem que foi o Palácio do Planalto que pediu… Qual é a posição que levou a esse acontecimento?
Paulo Teixeira – Do relatório do deputado Odair Cunha constavam pedido de investigação do procurador-geral, tendo em vista que não há explicação sobre os procedimentos que ele adotou – ou a falta de procedimentos adotados –, e pedido de indiciamento do jornalista Policarpo Jr. Mas poucos partidos homologavam o relatório nesses termos. Havia uma ampla maioria contrária ao relatório.
Nessa ampla maioria há vários interesses. Tem o interesse que não quer o indiciamento do Marconi Perillo, tem o interesse daqueles que defendem o dono da Delta, o Fernando Cavendish, e tem o interesse dos que não querem que esteja no relatório qualquer menção ao procurador e qualquer menção ao Policarpo. Com isso, o relator entendeu que, para pelo menos ele ler o relatório a fim de construir maioria, devesse retirar o jornalista Policarpo.
Havia, entre nós, um consenso de que devesse retirar ao menos o procurador-geral, pois o objetivo principal da CPI, o foco da investigação, era o governador de Goiás e o seu aparente envolvimento com o esquema de Cachoeira.
Blog da Cidadania – Entre nós, quem, deputado?
Paulo Teixeira – No PT, o nosso consenso era de que ele devesse retirar o procurador-geral. Mas a bancada do PT quis dar ao relator Odair Cunha condições de ele tocar o relatório de tal sorte que ele pudesse, ao menos, lê-lo para votação. Então ele achou por bem retirar o jornalista Policarpo Jr.
Blog da Cidadania – Mas deputado, o PT entende que não há uma certa gravidade no fato de o procurador-geral da República ter engavetado a Operação Vegas? Ele sabia do Demóstenes Torres, sabia de tudo aquilo… O PT não entende que a conduta dele foi estranha?
Paulo Teixeira – Nós consideramos que a postura do procurador-geral foi uma postura estranha, tanto que a proposição inicial do relatório foi de um pedido de investigação. O problema, como eu te disse, ali, foi que se criou uma frente de diversos interesses que impedia sequer a leitura do relatório. Aí, o PT decidiu que, mesmo pedindo a investigação no relatório inicial, nós tiraríamos esse pedido de investigação com o objetivo de facilitar sua aprovação.
Blog da Cidadania – O PT, por si, pediria os indiciamentos do Policarpo e do Roberto Gurgel?
Paulo Teixeira – O PT proporia o indiciamento do jornalista Policarpo Jr. e isso fez parte do relatório de Odair Cunha. Mas havia debates internos, no PT, sobre o procurador-geral, sobre essa questão do indiciamento ou não, se deveria ser tocada adiante. Mas, em relação ao jornalista Policarpo, o PT é unânime. Em relação à retirada de seu nome, isso foi uma circunstância que se criou para o relator e ele percebeu que, sem isso, o relatório não seria sequer lido.
Blog da Cidadania – Agora, deputado, não seria o caso, ao menos, de a Polícia Federal abrir uma investigação sobre o Policarpo?
Paulo Teixeira – Olha, na verdade, essa questão não termina com o relatório. Qualquer deputado pode pedir, ao final, que questões que não entraram no relatório possam ser investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público…
Blog da Cidadania – Qualquer deputado da CPI?
Paulo Teixeira – Da CPI… Essa questão do Policarpo, na minha opinião, não está resolvida.
Blog da Cidadania – Não está resolvida… O senhor acha que pode ter algum desdobramento. E quanto ao procurador, alguma possibilidade de investigação?
Paulo Teixeira – Então… Todas as questões postas vão ficar ou dentro do relatório ou para posteriores procedimentos e providências. Isso eu não vou te adiantar. Em relação ao procurador, não saberia dizer.
Blog da Cidadania – Deputado, uma última pergunta: cogita-se que tenha havido uma interferência do Palácio do Planalto nessa decisão. O senhor confirma ou nega esse fato?
Paulo Teixeira – Não, não creio que tenha havido interferência do Planalto.






quinta-feira, 29 de novembro de 2012

MÍDIA & TOGA: A CONFRARIA DO DOMÍNIO DO FATO


* ONU reconhece o Estado  palestino nesta 5ª feira, mas ainda sem direito a voto

 **leia nesta pág. as entrevistas de Katarina Peixoto com Jamal Juma e  Ronnie Kasrils, sobre o apartheid no Oriente Médio

**IBGE: Brasil é hoje o país menos desigual dos últimos 30 anos; a elite acha que é o mais corrupto.

Leia:'A virtude e o porteiro de Lula.(Aqui)    


Os supremos juízes da Suprema Corte não revogaram a história da luta democrática brasileira? Não redesenharam um país em que Roberto Jefferson merece condescendência e José Dirceu é bandido? As togas da suprema instância não demitiram os fatos? Por que o jornalismo há de se  ater a eles? O país e a mídia vivem agora sob o império das ilações.Eis aí uma contribuição inesperada, porém marcante da Corte ao aperfeiçoamento das instituições democráticas e do currículo das escolas de jornalismo. Na verdade, virtuoses no ramo já praticam com impressionante desembaraço o cânone da notícia inspirado na assertiva das togas que se dispensaram do elemento essencial de uma sentença: provas.Na edição impressa da quarta- feira, 28-22, o jornal Folha de S. Paulo deu aula de como aplicar a jurisprudência à estrutura de um texto, para dissimular um editorial em notícia. Vale a pena acompanhar esse processamento, que não é novo, mas desfruta agora do exemplo inapelável que vem de cima. As togas fizeram escola. Oremos. (LEIA MAIS AQUI)


MERVAL, AGORA SIM, UM IMORTAL !

O Conversa Afiada se alia ao esforço do Mino para conferir, enfim, o reconhecimento público que o notável colonista merece, e informa que o Ataulfo passa a integrar a “Galeria de Honra Daniel Dantas”.

Ataulfo é o da direita, na turma de baixo
Assim como Nelson Johnbim, Ataulfo Merval de Paiva (*) deu-se agora para re-escrever a Constituição


Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
§ 2º – Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.


Clique aqui para ler “Quem cassa o mandato do Genoíno é a Câmara”.


Disse no Globo o Ataulfo:

Outro caso delicado é o da perda de mandato dos deputados condenados. Para tanto, o Supremo deve cassar os direitos políticos dos deputados, o que levará à cassação automática, bastando apenas que a Mesa da Câmara comunique a decisão do Supremo.

O ansioso blogueiro não se surpreenderá se o Supremo se der o Direito de soterrar o Legislativo e cassar o Genoíno.
Depois de absolver o Thomas Jefferson e transformar a “teoria do domínio do fato” no turbante da Carmen Miranda, o ansioso blogueiro espera de tudo.
O Ataulfo deve dispor de assento privilegiado – ainda que imaterial – na bancada do Supremo.
Ele erra pouco.
Na verdade, ele não só prevê como prescreve.
Ajuda a acertar o relógio do ex (ufa !) Presidente Ayres Britto, ajuda a escalar quem pode e não pode votar, aplica a dosimetria com precisão matemática e, agora, se dá o Direito de cassar o Genoíno.
Antes mesmo que o Supremo corrobore suas explícitas intenções.
O Ataulfo Merval é a biruta do Golpe.
Suas colonas (**) se tornaram o trilho por onde o Golpe passará.
Porque, como se sabe, a Globo não ganha eleição.
A Globo dá Golpe.
Este ano, por exemplo, a única vitória eleitoral da Globo foi a que o deputado Miro Teixeira lhe outorgou: impediu o Caneta de ser indiciado pelo amarelo Odair – clique aqui para ler “Lewandowski sabe que o Jefferson não é esse Herói todo”.
Amigo navegante, leia o Ataulfo com essa luneta: para aonde ele soprar, é por ali que vem.
Às vezes, é difícil compreender o roteiro exato, porque o estilo dele lembra muito o de seu ídolo, o Farol de Alexandria: é um estilo que, na Columbia University e no New York Times (de onde o FHC foi sumariamente dispensado) se chama de “bloated”, “gorduroso”, carregado de colesterol.
Mas, é assim se constrói a imortalidade nO Brasil (revisor, por favor, deixe a caixa alta em paz. Obrigado.).
Mino Carta acaba de confirmar que, em fevereiro de 2013 em São Paulo e, em março, no Rio, a Editora Record vai lançar seu romance “O Brasil”.
Trata-se de um “roman à clef”, mas o leitor facilmente identificará o Ataulfo Merval e outros da mesma nobre estirpe nas páginas imortais do Mino.
Será um passo irreversível em direção à verdadeira consagração.
Conversa Afiada se alia ao esforço do Mino para conferir, enfim, o reconhecimento público que o notável colonista merece, e informa que o Ataulfo passa a integrar a “Galeria de Honra Daniel Dantas”.
Aquela que reúne os que processam o ansioso blogueiro, a começar por Daniel Dantas, personagem, entre outras “brilhantes” atividades, de uma trama de perseguição a uma Juíza honesta, no Rio.
Como se sabe, processam o ansioso blogueiro representantes de dois núcleos: a Globo, nas figuras do Ataulfo e do Ali Kamel (e outros de imperceptível notoriedade); e do núcleo “Daniel Dantas e assemelhados”, como o Gilmar Dantas (***) e o Naji Nahas, e Heráclito Fortes, de saudosa memória.
Com a entrada do Ataulfo na honrosa Galeria, num processo por Crime, o ansioso blogueiro reafirma: diz-me quem te processa e dir-te-ei quem és.
Recentemente numa colona (**), o Ataulfo fez acusação gravíssima ao Nassif (segundo o testemunho do Gilmar Dantas (***) e a blogueiros em geral:
A condenação do ex-ministro José Dirceu a uma pena que implica regime de prisão fechada desencadeou uma onda de protestos por parte dos seus seguidores que está revelando os instintos mais perversos de um grupo político radicalizado, que se vê de repente atingido por uma mancha moral de que dificilmente se livrará na História.
Além do território da internet, onde tudo é permitido e muitos espaços pagos para uma propaganda política ignóbil,
Primeiro, amigo navegante, sabe-se que, no Globo (contra o PT), “tudo é permitido”.
E, além disso, diz o Ataulfo, blogueiro pode ser pago para fazer propaganda ignóbil.
Aliás, o Boris (não mexer, revisor, por favor. Obrigado.) Mainardi já fez isso, e por isso pagou muito caro.
Seria interessante que ele desse nome aos bois, não é isso, amigo navegante ?: quem se vende e quem compra.




Clique aqui para ler a aba ‘Não me Calarão’.


Paulo Henrique Amorim


(*) Aos novos leitores do Conversa Afiada convém esclarecer que Ataulfo de Paiva foi o mais medíocre – até certa altura – dos membros da Academia. A tal ponto que seu sucessor, o romancista José Lins do Rego quebrou a tradição e espinafrou o antecessor, no discurso de posse. Daí, Merval merecer aqui o epíteto honroso de “Ataulfo Merval de Paiva”, por seus notórios méritos jornalísticos,  estilísticos, e acadêmicos, em suma. Registre-se, em sua homenagem, que os filhos de Roberto Marinho perceberam isso e não o fizeram diretor de redação nem do Globo nem da TV Globo. Ofereceram-lhe à Academia. Ao Mino.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.

(***) Clique aqui para ver como eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas ? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo…

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O custo da popularidade de Dilma


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O recuo anunciado do relator da CPI do Cachoeira, o petista Odair Cunha, no sentido de desistir dos indiciamentos do editor da revista Veja Policarpo Jr. e do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tem significado forte. Resta, contudo, descobrir qual é.
O PT “amarelou”? Se sim, a pergunta que decorre é uma só: por quê? Medo, dirão. Mas medo de quê? O que a mídia poderia fazer a mais do que já está fazendo?
E a questão é a mídia, pois o PSDB, sem ela, não tem força alguma. Não tem militância para além de meia dúzia de bate-paus que escrevem cartinhas contra o PT a jornais e que passam o dia comentando em blogs simpatizantes do governo a fim de insultar blogueiros.
Bem, se a causa do anunciado recuo petista na CPI é a mídia, só pode ser dela que o PT supostamente tem medo. Só não se entende como ela poderia aumentar ainda mais os ataques ao partido, pois o dia só tem 24 horas…
Surge, então, a reflexão sobre por que o PT se empenha tão pouco em reagir aos ataques que sofre. E, aliás, sobre por que o partido do governo não usa as armas que tem como essa que a CPI lhe pôs no colo.
Qualquer investigação sobre o envolvimento de Policarpo Jr. com Cachoeira revelará muito mais do que a “mera relação entre repórter e fonte”. Fontes não escolhem onde o veículo do repórter deve publicar notícias e tampouco escolhem que notícias esse veículo irá publicar, e as escutas das conversas entre “Poli” e “Cachô” mostram exatamente isso.
Sem falar na declaração de ré do esquema, da mulher de Cachoeira, que disse a um juiz, em audiência oficial, que Policarpo era “empregado” do marido. E que ameaçou usar a revista em que o jornalista trabalha para difamar a autoridade que a interrogava.
Quanto ao procurador-geral da República, o caso é ainda mais grave. Não surgiu ainda uma explicação para o arquivamento das investigações contra Cachoeira e o acobertamento de Demóstenes Torres. No mínimo, deveria ser aberta uma investigação da Polícia Federal
Sobre Policarpo, Veja e Gurgel, portanto, espanta que o PT não se empenhe em usar armas como essas. Talvez esteja apenas atendendo ao Palácio do Planalto, mesmo que a contragosto. Afinal, Dilma nada em popularidade e não lhe interessa fazer marola.
Pela popularidade que a presidente tema perder, há, portanto, que quantificar seu preço. Enquanto o governo opta por apanhar sem reagir porque a surra não lhe reduz a popularidade, membros do partido desse governo – inclusive o mais importante, que o elegeu – vão sendo pisoteados pela mídia, alguns pagando altas penas de privação de liberdade…
Mas o governo segue forte. Dificilmente Dilma terá sua popularidade afetada por campanhas denuncistas. O povo vota com o bolso. Pelo menos até que a economia sofra algum revés. Então veremos o custo de o PT se deixar carimbar como inventor da corrupção no Brasil.

Um relatório (da OCDE), diferentes pesos e manchetes

O relatório da Organização para o Crescimento Econômico e Desenvolvimento (OCDE) sobre a situação econômica mundial é é amplamente favorável ao Brasil e sua política, ainda que peça o que se poderia chamar de “correção de rumos” na direção do liberalismo econômico. A boa posição do Brasil fica mais evidente levando em conta fatores comparativos com outras economias também abordadas no relatório. Para o mundo, prevê-se um crescimento econômico de 1,4% em 2013 e 2,3% em 2014. O artigo é de Flávio Aguiar, direto de Berlim.



A referência desse artigo está nas manchetes citadas no Blog das frases do companheiro e amigo Saul Leblon, acima nesta página da Carta Maior. Três manchetes, três realidade distintas sobre o relatório da Organização para o Crescimento Econômico e o Desenvolvimento, sobre o estado da arte no mundo e no Brasil.

Não esqueçamos que o relatório segue, como seria óbvio esperar, um “design” completamente liberal para discutir a economia mundial – e a nossa brasileira também. Apesar disso, ele é amplamente favorável ao Brasil e sua política, ainda que peça o que se poderia chamar de “correção de rumos” naquela direção do liberalismo econômico. Deixei o texto original em inglês, devido à complexidade da terminologia técnica, e ofereço abaixo uma tentativa de tradução. Cito também, no original, a tabela de indicadores econômicos oferecida pelo relatório, em que se prevê uma retomada do crescimento numa taixa de 4 % ao ano, a partir do ano que vem. 

The effects of strong monetary and fiscal stimulus are gradually lifting the economy out of below-trend growth. Forward-looking confidence indicators look promising and unemployment is low. Inflation has declined and stabilised, albeit somewhat above the midpoint of the target range. 

Growth is projected to pick up to about potential rates as stronger global growth, the depreciated real and recent measures to address the supply-side factors behind weak performance benefit investment and exports. Growth would be supported by further reducing the tax burden and tax complexity, containing labour costs, deepening long-term financial markets and improving infrastructure. The recently adopted trade protection measures, in contrast, could slow down productivity growth.


[Os efeitos de estímulos monetários e fiscais robustos estão levantando gradualmente a economia de uma tendência a ficar num nível abaixo do esperado. Os indicadores de uma confiança quando se foca o futuro parecem promissores e o desemprego é baixo. A inflação caiu e se estabilizou, embora um pouco acima da média almejada.

Projeta-se uma elevação do crescimento até uma taxa potencialmente tão robusta quanto a do crescimento global, o real desvalorizado e medidas recentes dirigidas a fatores de insumo que estão por trás de um desempenho fraco beneficiam o investimento e a exportação. O crescimento seria favorecido por uma maior redução do peso e da complexidade dos impostos, da contenção do custo do trabalho, do aprofundamento dos mercados financeiros de longo prazo e da melhora na infra-estrutura. As recentes medidas de proteção comercial, no entanto, podem retardar o crescimento da produtividade]. 


A boa posição do Brasil fica mais evidente levando em conta fatores comparativos com outras economias também abordadas no relatório. Para o mundo, prevê-se um crescimento econômico de 1,4% em 2013 e 2,3% em 2014. Os respectivos números para estes anos são, conforme o país abordado:

Japão, 0,7% e 0,8%; Zona do Euro, - 0,1% e + 1,3%; Alemanha, 0,5% e 2%, mas com crescimento do desemprego em 2013; Reino Unido, 1,1% e 1,8%; Estados Unidos, em que o relatório afirma estar a economia e a taxa de emprego em recuperação lenta, 2,2% e 3,2%; França, 0,3% e 1,3%.

Enfim, os dados completos do relatório podem ser consultados em

http://www.oecd.org/eco/economicoutlook.htm

lembrando que em inglês a sigla da OCDE é OECD.

A posição favorável do Brasil fica mais evidente ainda levando-se em conta o comentário do Secretário Geral da Organização, Ángel Gurría: “Os governos devem atuar decisivamente, usando todos os meios à sua disposição para reerguer a confiança e dar impulso ao crescimento nos Estados Unidos, na Europa e em toda a parte” (“Governments must act decisively using all the tools at their disposal to turn confidence around and boost growth and jobs in the USA, in Europe and elsewhere”), frase que não deixa de conter um “granum salis” de crítica à obsessão com a “austeridade” que assola a Europa.

De resto, o relatório aponta com fatores mais preocupantes e ameaçadores, nessa ordem, a recessão Européia e o “despenhadeiro” (ou, “paredão de rocha”, “cliff”) fiscal norte-americano, embora ressalte que neste último caso se deva evitar um corte exagerado, precipitado ou indiscriminado nas despesas públicas para não comprometer aquela lenta recuperação.

Como se vê, SMJ, não há razão para se privilegiar apenas um ponto negativo em relação ao Brasil. Durma-se com uma mídia dessas!


A praga da liderança Prozac


Do inevitável Bergman ao movimento Dogma 95, e além… O cinema escandinavo sempre ofereceu alternativas aos interessados em fugir do entediante escapismo hollywoodiano. A Arte do Pensamento Negativo é uma comédia de humor negro norueguesa, realizada em 2006. O filme, escrito e dirigido por Bård Breien, foi apresentado na 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2010. A história gira em torno de Geirr, um homem de 33 anos que ficou paraplégico após um acidente de automóvel. O protagonista vive em uma casa de campo, na companhia de sua bela e dedicada esposa, Ingvild. Passa o tempo bebendo, fumando maconha e assistindo a filmes sobre a Guerra do Vietnã.

Preocupada com o marido, Ingvild o inscreve em um grupo de autoajuda, formado por pessoas com diferentes deficiências. O grupo é liderado por Tori, uma entusiasta da autoajuda. Ela, que não tem nenhuma deficiência, proíbe os membros do grupo de dizer qualquer coisa negativa sobre seus problemas e os estimula com clichês e frases de efeito. “Focar em nossas fraquezas nos apequena, mas, se focarmos em nosso potencial, nós podemos nos tornar gigantes”, proclama Tori em uma reunião para deleite do grupo.
O choque entre Tori e Geirr é inevitável. Tori tenta estimular Geirr a pensar positivamente e “concentrar-se nas soluções, não nos problemas”. Geirr, iconoclasta e irreverente, rebela-se contra a visão idílica de Tori e, de crise em crise, conquista o grupo para sua visão crítica e niilista da realidade. Aos poucos, o faz de conta induzido por Tori perde força, os membros do grupo vão se abrindo para seus próprios problemas e encontram algum consolo na honestidade e na solidariedade que começam a surgir.
O filme norueguês trata cinicamente da “cultura de autoajuda”, praga contemporânea que cruzou fronteiras nas últimas décadas e avança sobre os mais diversos domínios da sociedade, da Escandinávia aos trópicos. Sintomaticamente, a mídia popular brasileira está hoje impregnada pela lógica e pelo discurso da autoajuda. Em muitos países, a autoajuda se transformou em uma indústria milionária: palestras, livros, revistas, vídeos, treinamento, consultoria etc.
O mundo corporativo foi domínio no qual a autoajuda encontrou terreno propício, com as portas escancaradas pelas deslumbradas áreas de recursos humanos. Nas empresas, o culto do pensamento positivo fomenta o otimismo, encoraja o estabelecimento de metas ambiciosas e celebra o sucesso. Contudo, sob os efeitos especiais de powerpoints apresentados em reuniões, as metas são manipuladas, o sucesso tem pés de barro.
David Collinson, professor da Escola de Negócios da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, publicou recentemente um texto no jornal britânico Financial Times, com o sugestivo título “O lado negativo da liderança positiva”. Segundo Collinson, no coração da crise em muitas nações ocidentais, encontra-se uma abordagem específica de liderança, da qual foi extirpado o pensamento crítico em favor do pensamento positivo e da propensão ao risco. O autor denomina o fenômeno de “liderança Prozac”, mal que afeta a sociedade e as empresas e causa vício em uma positividade excessiva e artificial.
Os líderes Prozac fazem discursos delirantes, acreditam em suas próprias palavras e desencorajam visões alternativas e críticas. Alguns são carismáticos e nutrem fiéis seguidores: eles ignoram problemas e tornam suas organizações menos preparadas para enfrentar crises. Quando encontram terreno propício, criam uma “cultura positiva”, que pune ou aliena funcionários não praticantes.
Candidatos a líderes Prozac são fáceis de identificar. Eles aguardam ansiosamente as palestras promovidas pela HSM, empresa especializada em eventos de autoajuda empresarial, e discutem avidamente as pérolas ouvidas dos “grandes nomes do management”. Circulam entusiasticamente vídeos das conferências TED (Technology, Entertainment and Design), cujo grande objetivo parece ser atrair cientistas e pensadores, misturá-los com caçadores de novidades e transformar todos em celebridades de auditório.
Collinson observa que o pensamento positivo, base da liderança Prozac, pode ter certo poder de transformação, facilitando inovações e processos de mudança. Porém, o otimismo excessivo pode estimular o cinismo, erodir a confiança e provocar o afastamento da realidade. Mais sábio seria combinar doses adequadas de pensamento positivo e pensamento crítico, de forma a enfrentar realidades complexas. O ilusionismo, bem sabemos, é competência essencial nas organizações, públicas e privadas, grandes e pequenas. Porém, convém não exagerar.
Últimos artigos de Thomaz Wood Jr.:
A arte do tempo
Anjo caído

A VIRTUDE E O PORTEIRO DE LULA


*Uma notícia em três manchetes:

 a) Agencia EFE: 'OCDE prevê que Brasil cresça 4% em 2013, depois do 1,5% de 2012' 

**b) Estadão: 'Brasil terá pior taxa de crescimento dos Brics em 2012, segundo OCDE'

**Folha: 'Brasil terá menor crescimento entre emergentes em 2012, diz OCDE 



Danuza Leão, que  foi esposa de Samuel Wainer, criador do  Última Hora - o principal veículo de resistência ao cerco udenista contra Vargas nos anos 50, lamenta a ascensão do consumo de massa no Brasil. Não por  ter restrições ao consumo. Mas porque ficou difícil  'ser especial'  nesses tempos em que  'todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais', explica na coluna que assina na Folha. Musicais na Broadway perderam a graça, afirma, não pelo gosto duvidoso do que se oferece ali. "Por R$ 50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir", lamenta-se. O desencanto algo patológico com o Brasil de Lula inclui outras versões de apelo não tão exclusivista. O porteiro do prédio  neste caso é a 'corrupção de massa' que o PT teria promovido, segundo os críticos, num aparelho de Estado antes depenado com elegância pelos donos do país. A virtude que se cobra da esquerda não é um dote imanente a porteiros que viajam a prestação ou a governantes eleitos pelos pobres. Virtuosas devem ser as instituições. Mas o partido que pretende mudar a sociedade tem a obrigação de associar à luta econômica o combate por ideias emancipadoras que ampliem o horizonte subjetivo para além do consumismo. (LEIA MAIS AQUI)