Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A mais nova prova histórica das armações da imprensa contra Lula

folha lula
 eduguim
A grandiloquência da manchete principal de primeira página da edição da Folha de São Paulo de 16 de outubro de 2015 sugeriu ao leitor uma grande revelação sobre o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, a matéria era mentirosa. A manchete, falsa. Uma “bala de festim”. E não, não é um “petralha” quem diz isso.
A ombudsman da Folha de São Paulo, Vera Guimarães Martins, criticou, na última edição dominical desse veículo, matéria que noticiou menção de delator da Lava Jato ao ex-presidente.
Vera criticou o destaque dado a uma declaração do tal “Fernando Baiano”. A ombudsman disse, simplesmente, que o jornal distorceu a declaração do delator. Mas o que a fez condenar a Folha ainda mais foi ter elevado uma declaração inconclusiva ao patamar de notícia bombástica.
Para entender por que, há que fazer uma comparação. Não há diferença alguma entre a declaração desse delator sobre Lula e outra dada pelo doleiro Alberto Yousseff sobre Aécio Neves.
O delator “Fernando Baiano” diz ter repassado dinheiro ilegal ao empresário José Carlos Bumlai, que teria pedido a quantia em nome de uma das noras de Lula. O doleiro Alberto Youssef afirmou que o ex-deputado José Janene e o presidente da empresa Bauruense, Airton Daré, acusaram Aécio Neves e a irmã dele de usarem a empresa Furnas para arrecadar propinas.
Qual é a diferença entre as duas acusações? Zero.
Qual a diferença entre o destaque dado pela imprensa à acusação de “Fernando Baiano” e o que foi dado à acusação contra Yousseff? Enorme.
A acusação contra Lula ganhou manchetes principais de primeira página. Mas e contra Aécio, houve celeuma igual? Claro que não. Todos sabem que não.
Qual é a diferença de importância entre Lula e Aécio? Neste momento, nenhuma. Um é o maior líder político dos governistas e o outro é o maior líder político dos oposicionistas. Fazer bombar a acusação contra um e minimizar a acusação contra o outro, pois, é partidarismo descarado.
Não existe um único jornalista responsável que seja capaz de negar esse fato.
Aliás, por que a acusação contra Lula está sendo investigada e a acusação contra Aécio, não? Além da imprensa, Ministério Público, Polícia Federal e Justiça tampouco conseguirão explicar uma diferença tão grande de tratamento a casos praticamente iguais.
Apesar do texto curto, as palavras da ombudsman da Folha são demolidoras para o jornal. Ela simplesmente o acusa de ter mentido sobre o que disse o delator “Fernando Baiano” sobre Lula e sua família.
Vejamos.
folha lula 1

Duas outras ponderações da ombudsman valem a pena ser comentadas.
Primeiro, quando ela acusa a Folha de transformar “títulos esquentados” em manchete principal de primeira página. Sabe o que é um “título esquentado”? É uma manchete sensacionalista e que, segundo diz a ombudsman, não condiz com a reportagem a que essa manchete remete.
Trocando em miúdos: a ombudsman acusou a Folha de fazer seu leitor de palhaço. Simples assim.
A segunda ponderação da ombudsman que deve ser destacada de seu texto curtíssimo sobre o caso é a explicação da Folha para ter feito o que fez. Segundo a Redação do jornal, “As declarações [de “Fernando Baiano”] foram prestadas à Justiça em um acordo de delação premiada”. O jornal diz que não acha “justo”, portanto, dizer que a matéria é “disse-me-disse”.
Vamos falar do que é justo, então. A matéria (linkada acima) sobre acusação quase idêntica contra Aécio quando era governador de Minas Gerais – acusação que veio à tona recentemente – foi feita, também, em um acordo de delação premiada entre o delator Alberto Yousseff e a Justiça. Por que a Folha tratou aquele caso de forma diferente?
Eis que o Blog resolveu verificar de que forma a Folha tratou a acusação de Yousseff contra Aécio. Abaixo, resultado da busca feita no site do jornal.
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Ou seja: acusação contra Lula ganha a manchete mais destacada possível e a acusação contra Aécio não ganha manchete nenhuma. Nem com pouco destaque.
Como a “Redação” explica isso? Não explica. Nunca explicou. E, se for instada a explicar, não o fará.
Por que? Porque ninguém vai dar (voluntariamente) uma explicação que o comprometa. E a explicação para esse comportamento do jornal é a de que ele atua com viés político-partidário, o que não poderia comprometer mais um veículo que tenta passar ao público a imagem de “isento”.
Apesar de ser triste comprovar, mais uma vez, o nível transbordante de má fé que permeia o jornalismo corporativo no Brasil, a coluna da ombudsman acima reproduzida servirá como registro histórico de grande eloquência.
No futuro, os historiadores concluirão que, além de os grandes meios de imprensa brasileiros desta época serem partidarizados, atuavam com dose cavalar de cinismo, de desfaçatez, de verdadeiro deboche, pois chegavam a reconhecer que seu jornalismo era antiético, mas, apesar disso, não mudavam de comportamento.

Contra o golpe fiscal na democracia brasileira

O senador José Serra, fundamentado em dados técnicos completamente equivocados, propõe um projeto antinacional sem qualquer debate público.

Marcos Oliveira / Agência Senado













Um projeto de resolução do Senado Federal (PRS nº 84/2007), da maior gravidade para a democracia brasileira, pode ser aprovado brevemente, sem qualquer debate público. O senador José Serra é o responsável por emenda a esse projeto que pretende definir limites draconianos para a dívida pública da União, de modo a forçar a obtenção de superávit fiscais primários em torno de 3% do PIB por vários anos.

Assine aqui o manifesto contrário ao projeto

A manobra regulamenta a Lei de Responsabilidade Fiscal sem discussão pública e passa por cima das leis orçamentárias futuras, inutilizando o debate democrático sobre o valor dos recursos que devem ser transferidos dos impostos dos brasileiros para os portadores da dívida pública. Tais credores assegurariam, por pelo menos os próximos quinze anos, uma política econômica caracterizada por uma austeridade ainda mais profunda do que a realizada em 2015.

As consequências sobre o crescimento econômico, a justiça social e a própria arrecadação de impostos são deletérias. Significaria perenizar a crise econômica por que hoje passamos.

O próprio impacto recessivo da austeridade atual já obrigou a uma mudança no projeto de resolução. Há apenas um mês, propôs-se a definição de um limite muito menor para a dívida pública do que o valor verificado atualmente: uma razão de 4 vezes entre a Dívida Consolidada Bruta e a Receita Corrente Líquida, que estava, em julho de 2015, em cerca de 5,6 vezes. A diferença exigiria, considerando o valor da arrecadação tributária atual, a realização de um esforço fiscal de R$ 1,05 trilhão (um pouco mais de um trilhão e cinquenta bilhões de reais) ou 18% do PIB!

Assine aqui o manifesto contrário ao projeto

Em 15 de outubro, o projeto passou a admitir que a razão entre a Dívida Consolidada Bruta e a Receita Corrente Líquida deve subir a 7,1 nos próximos cinco anos. No entanto, exige que se reduza a 4,4 nos dez anos seguintes até 2030. Apenas para dar uma ideia do esforço em valores atuais, a redução envolveria cerca de 30% do PIB em apenas dez anos!

A enormidade desse valor representaria um peso insuportável para a política fiscal e para a própria economia: a elevação abrupta da meta de superávit primário impediria o crescimento econômico. De nada adianta diluir o esforço fiscal em 15 ou 10 anos como propõe o projeto. Um esforço fiscal bastante inferior a esse valor foi planejado para 2015, o que agravou a recessão e levou a uma queda da arrecadação tributária em termos reais.

O pior é que o projeto se fundamenta em argumentos tecnicamente equivocados. O projeto acusa o Banco Central de financiar o déficit público, cometendo crime de responsabilidade através de uma “pedalada” proibida pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso supostamente ocorreria através das operações compromissadas realizadas pelo Banco Central para garantir o alcance da meta para os juros SELIC definida pelo Comitê de Política Monetária, o COPOM.

Assine aqui o manifesto contrário ao projeto

Isso é uma acusação grave, que repete equívoco de estudo feito pela Tendências Consultoria em 2013, já cabalmente refutado em nota pública do Banco Central. Se a justificativa técnica envolve uma denúncia de crime de responsabilidade, ela não deveria estar melhor fundamentada tecnicamente e envolver amplas audiências públicas sobre o tema?

Como o projeto inclui os títulos públicos usados pela política monetária e pela política de aquisição de reservas cambiais na definição do limite da dívida pública, sua aprovação forçaria o Banco Central a resgatar os títulos públicos com emissão de moeda, e vender reservas cambiais, com consequências tenebrosas sobre a inflação e a taxa de câmbio.

Em suma, o projeto engessaria as políticas fiscal, monetária e cambial do país, a partir de uma compreensão tecnicamente equivocada das relações entre o Tesouro Nacional e o Banco Central. Muito provavelmente engessaria o crescimento econômico necessário não apenas para gerar os empregos de que a sociedade brasileira carece, mas até mesmo para pagar a dívida pública.

Tamanha irresponsabilidade não pode resultar de um simples projeto de resolução que não será discutido pela Câmara dos Deputados nem poderá ser vetado pela Presidência da República, e que não foi sequer debatido pela sociedade brasileira. É urgente realizar esse debate para evitar a tragédia anunciada.

Assine aqui o manifesto contrário ao projeto
Maria da Conceição Tavares – UNICAMP/UFRJ
Carlos Lessa - Economista - UFRJ
Vagner Freitas - Presidente da CUT
Paul Israel Singer - Economista - USP
Marcio Pochmann – Economista - UNICAMP, Presidente da Fundação Perseu Abramo e membro do Fórum21
Niemeyer Almeida Filho – UFU – Presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) 
Pedro Paulo Zahluth Bastos – Economista - UNICAMP e membro do Fórum 21 
Ricardo Bielschowsky - Economista - UFRJ
Eduardo Fagnani - Economista - UNICAMP e membro do Fórum21
Ceci Vieira Juruá – Economista e membro do Fórum21
Pedro Rossi – UNICAMP e membro do Fórum21
Carlos Pinkusfeld Monteiro Bastos Economista – UFRJ
Mayra Juruá - Economista e membro do Fórum21
Paulo Kliass – Economista - EPPGG e membro do Fórum21
Julio Gomes de Almeida – Economista - UNICAMP 
Raul Pont - Economista e membro do Fórum 21
Hildete Pereira de Melo – Economista - UFF
Celia de Andrade Lessa Kerstenetzky - Economista - UFF
Jaques Kerstenetzky - Economista  - UFRJ
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – Economista - UNB
Esther Bemerguy de Albuquerque - Economista e membro do Fórum21
Francisco Lopreato - Economista - UNICAMP
Fernando Monteiro Rugitsky - Economista - USP
Carlos Aguiar de Medeiros - Economista - UFRJ 
Lena Lavinas - Economista - UFRJ
Valéria Moraes - economista e Jornal Brasil Popular
Rodrigo Octávio Orair - Economista e pesquisador do IPEA e PNUD
Alfredo Saad Filho – Economista - SOAS – Universidade de Londres
João Sicsú - Economista - UFRJ
José Carlos de Assis - Economista UFRJ
Ladislau Dowbor - Economista - PUC/SP e membro do Fórum21
Jorge Mattoso - Economista - Unicam
Róber Itturiet Ávila - Economista - UNISINOS/RS e membro do Fórum21
José Luís Fiori - Cientista Político, Pesquisador e Professor - UFRJ
Venicio A. de Lima - UNB e CEBRAS-UFMG e membro do Fórum21
José Gomes Temporão - Médico sanitarista - Ex-Ministro da Saúde do Governo Lula
Fernando Morais - Escritor e jornalista
José Carvalho de Noronha - Médico Sanitarista, consultor do CEBES - RJ
Alfredo Bosi - Universidade de São Paulo 
Marilena Chauí - Universidade de São Paulo
Celso Amorim - Embaixador
Andre Singer - USP
Maria Victoria de Mesquita Benevides - Socióloga e professora da USP
Saturnino Braga - Presidente do Centro Celso Furtado
Rosa Furtado - Diretora do Centro Celso Furtado
Tarso Genro - Ex-governador RS e membro do Fórum 21
Samuel Pinheiro Guimarães - Embaixador e membro do Fórum 21
Anivaldo Padilha – Presidente do Fórum 21 
Altamiro Borges – Jornalista e Secretario Geral do Fórum 21 
Joaquim Ernesto Palhares - Advogado e Secretario Geral do Fórum 21 
Wagner Nabuco – Jornalista e membro do Fórum 21 
Francisco Fonseca - Professor da FGV-SP e PUC-SP
Lincoln Secco - Professor de História da USP
Reginaldo Nasser - Departamento de Relações Internacionais da PUC/SP
Ricardo Musse - Sociólogo da Universidade de São Paulo
Gilberto Bercovici - advogado - USP  
Jacques Távora Alfonsin - Advogado - UNISINOS/RS
Sebastiao Velasco e Cruz – UNICAMP e membro do Fórum21
Juarez Tavares - Professor Titular da UERJ, Professor Visitante de Frankfurt e Subprocurador-Geral da República
Reginaldo Moraes - Filosofia na Universidade de São Paulo
Francisco Carlos Teixeira da Silva - Professor titular da UFRJ
Walquíria Leão Rego - UNICAMP - e membro do Fórum21
Rubem Murilo Leão Rego - UNICAMP e membro do Fórum21
Leonardo Avritzer - Cientista Social - Universidade Federal de Minas Gerais 
Antonio Lassance – Cientista Político, pesquisador do IPEA e DIEST e membro do Fórum21
Igor Felippe – Jornalista e membro do Fórum21
Luis Nassif - Jornalista
José Luiz Del Roio - Militante Político e membro do Fórum21
Laurindo Leal Filho - USP e membro do Fórum21
Rodrigo Vianna - Jornalista e membro do Fórum21 
Flavio Wolf Aguiar - escritor, jornalista e professor da USP
Guilherme Boulos - MTST
Maria Inês Nassif - Jornalista e membro do Fórum21
Breno Altman - Jornalista
Fábio Sá e Silva - Advogado e membro do Fórum21
Gonzalo Berrón - Cientista Político e membro do Fórum21
Laymert Garcia dos Santos - Comunicação - Universidade de São Paulo
Kiko Nogueira - Jornalista
Ricardo Maciel Kobaiachi - Ativista de Direitos Humanos e membro do Fórum21
Ana Melo Moraes - Coordenadora Nacional do MST e membro do Fórum21
Beto Almeida - TV Cidade Livre, Jornal Brasil Popular
José Augusto Valente - Engenheiro, Jornal Brasil Popular e membro do Fórum21
Osvaldo Maneschy - Jornalista, Jornal Brasil Popular
Elton Faxina - Jornalista - UFPR e Jornal Brasil Popular
Maria Auxiliadora César - Assistente Social e socióloga - Jornal Brasil Popular
Romário Schettino - Jornalista, Jornal Brasil Popular e membro do Fórum21
Jacy Afonso de Melo - Federação dos Bancários e membro do Fórum21
Valter Xéu - Jornalista, diretor e editor de Pátria Latina
Maria Luiza Franco Busse - Instituto Casa Grande
Maria Rita Loureiro - Professora da FEA e FGV/SP e membro do Fórum21
Helena Iono - Editora e produtora de TV
Erick Vargas da Silva - Historiador
Joaquim Soriano - Diretor da Fundação Perseu Abramo
Laura Carvalho - Economista
Pedro Estevam Serrano - PUC/SP
Rosa Maria Marques - Economista - PUC/SP e membro do Fórum21
Marcos Dantas - Comunicação URFJ
Gilberto Maringoni - Professor de Relações Internacionais da UFABC
Tania Bacelar - Cientista Social - Universidade de Paris I
Bernardo Cotrim - Secretário de Formação do PT/RJ e membro do Fórum21
Laura Tavares - Clacso Brasil e membro do Fórum 21

domingo, 18 de outubro de 2015

VEJA AINDA BLINDA CUNHA E PREVÊ ABRAÇO DE AFOGADOS

Trapalhadas, trapalhadas, trapalhadas

Os reacionários viram na emergência das classes menos abastadas, ao ocuparem postos melhores na hierarquia social brasileira, a ameaça ao poder de mando.

José Carlos Peliano
Marcelo Camargo / ABr



A vida política brasileira vive momentos auspiciosos de trapalhadas. Seria cômico se não fosse sério. Festival de besteiras que assola o país, lembrando o mote do carioca inigualável Stanislaw Ponte Preta, o saudoso Sérgio Porto.
 
Trapalhadas, aliás bagunças, embrulhadas, barafundas e confusões. Bate cabeças, mandos e desmandos, despautérios. Tudo isso junto e misturado num saco só. Sem tirar nem por. Nós dados e pontas escondidas.
 
E está tudo dominado. Assim desse jeito. Sede famélica pelo poder daqueles derrotados que mereceram imerecidamente os votos de pouco menos da metade dos eleitores brasileiros na última campanha presidencial.
 
Mereceram porque votaram neles os que queriam se ver livres das 3 últimas administrações federais. Razões objetivas não haviam. Subjetivas aos montes: desde, segundo eles, incompetência até incapacidade de governar. Discursos vazios dos capitães do mato, dignos de motivação de uma massa disposta à manobras eleitoreiras. O dito pelo não dito.
 
Imerecidamente uma vez que não trariam nada de novo à administração federal ao que fizeram outros de seu partido duas vezes antes das 3 últimas administrações. Ou o que fez seu presidente nacional em Minas Gerais como governador. Os eleitores esqueceram ou não se importaram, mesmo assim, de recordar que o país esteve pior naqueles dois mandatos federais e estaduais. 
 
Resultados e números da administração federal para mostrar não faltam. Reconhecidos e saudados por organizações multilaterais e governos estrangeiros. Mas o que importa? Para os eleitores dos perdedores o que valia era o preconceito, a ira, a gana de derrubar quem incomodava aos olhos e ouvidos e fazia incomodar olhos e ouvidos. 
 
Incomodar como? Aeroportos cheios de gente de classes menos abastadas, praias e resorts idem, shoppings idem, carros nas ruas idem, idem, idem, idem. A melhoria social e econômica atingida era um tiro no peito dos conservadores, reacionários, nobres sem nobreza. Não queriam e não querem gente assim ao redor, infestando, incomodando.
 
Esse movimento de indignação politicamente vazia, rebeldia sem causa, sem razão, pegou carona em manifestação objetiva pelo aumento de passagem de ônibus em São Paulo e se alastrou país afora com sua bandeira sem cara. Os insufladores já eram elementos da oposição incomodada e se multiplicaram após a encampação da iniciativa com tiroteios posteriores para quaisquer direções.
 
Essas trapalhadas de orientação política, da cidadania despida de cidadania, do quanto pior melhor, tomaram corpo e redundaram nos votos de milhões que acreditaram na oposição e a reforçaram para derrubar o governo. Continuaram nas manifestações seguintes do mesmo jeito ou piores.
 
As trapalhadas hoje beiram a total falta de ética, moral e bons costumes, termos de referência que valem muito para eles mesmos, conservadores, reacionários, donos das casas grandes. E das empresas e bancos também grandes.
 
Viram na emergência das classes menos abastadas, ao ocuparem postos melhores na hierarquia social brasileira, a ameaça ao poder de mando, às ordens para o progresso, a manutenção do status quo, onde a oposição e eles seriam e são os que se consideram os verdadeiros representantes da pátria.
 
As trapalhadas continuaram com eles. Chegaram às tentativas de derrubarem o governo eleito democraticamente de qualquer maneira. No grito ou em expedientes paraguaios. Enquanto manifestações de abastados tomavam as ruas, a oposição deitava falação e inventava estratagemas políticos e jurídicos.
 
Mas talvez a grande trapalhada tenha sido mesmo ficarem representantes da oposição, de janeiro a outubro deste ano, por conta da preparação do golpe. Este o maior blefe escamoteado de seus eleitores e afinal jogado abertamente sobre todos nós que acreditamos e apoiamos a democracia.
 
Pior, lançando torpedos de críticas infundadas, deturpadas, inventadas, atrapalhadas. Gerando um clima de instabilidade políticas sem precedentes. Afetando até mesmo a administração federal por se sentir ameaçada e sem condições normais de governar.
 
Dez meses seguidos e inteiros sem representar condignamente seus eleitores e honrar o Congresso brasileiro no papel que lhes cabem como parlamentares. Ao invés disso gastaram a maior parte de seu tempo pago por todos nós, como políticos profissionais, intentando derrubar o governo eleito. Semeando a discórdia e a balbúrdia.
 
Se deram mal até agora. Suas trapalhadas partidárias, políticas e jurídicas pararam por enquanto nos despachos de dois ministros do STF, Teori Zavascki e Rosa Weber, que impediram que o golpe paraguaio tomasse corpo e forma legislativos na Câmara dos Deputados. Golpe bloqueado.
 
Queriam com quórum qualificado em primeira instância e com qualquer quórum em segunda instância declarar impedida a Presidenta de continuar a governar o país. Rebelião sufocada.
 
E as trapalhadas perdem força, energia e momento políticos porque alguns de seus membros estão enrolados com denúncias formalizadas no STF. Eduardo Cunha por contas secretas na Suíça e Paulo Pereira da Silva da Força Sindical e Agripino Maia do DEM por corrupção. 
 
Outras denúncias não formalizadas, mas sabidas por terem vazado para as redes sociais, não divulgadas pela grande mídia, envolvem mais gente da oposição indignada. Seu presidente nacional é um deles.
 
A situação política do país está menos tensa, mas ainda não apaziguada. Há muitas trapalhadas ainda pela frente para serem aproveitadas à disposição da oposição. A sede ao pote desta continua presente em estado crônico. Ela ainda estuda alternativas e expedientes para conseguir seu intento.
 
Entre eles tentar ainda levar ao plenário do Congresso um pedido de impedimento que consiga 342 votos favoráveis. Esses votos seriam responsáveis sim por afastar a Presidenta, mas também por provocar ondas intermináveis de protestos país afora. Imprevisíveis.
 
O risco de uma convulsão social não é pequeno. Os eleitores da Presidenta não ficariam acomodados, partiriam para as ruas para defender a validade democrática de seus votos. Levando consigo sonhos e esperanças arruinados por uma manobra política indigna.  
 
Seria a última trapalhada da oposição ao brincar com fogo, com cabras da peste, com manos, com muitos outros Brothers, e com mineiros, aqueles que dão um boi para não entrar numa briga, mas uma boiada para não sair. 
 
E com milhões de representantes e membros de minorias que conseguiram espaço e voz no governo federal nas últimas administrações. Enfim, o povo não atrapalhado em suas convições, mas atrapalhado pelas trapalhadas que assolam o país.
 
*colaborador da Carta Maior

sábado, 17 de outubro de 2015

Prisão de Cunha é imperativo suprapartidário e civilizatório

cunha capa
 eduguim
Acabou, não é mesmo? A gota d’água acaba de pingar no copo. Senão, vejamos.
Autoridades do governo da Suíça enviaram à Procuradoria Geral da República cópias do passaporte, a assinatura e os dados pessoais do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Os documentos materializam a existência de contas bancárias dele no exterior.
Os documentos, como se sabe, foram exibidos pelo “Jornal Hoje”, da TV Globo, na tarde desta sexta-feira (16). São milhões e milhões de francos suíços, dólares, euros etc. Uma fortuna que não tem origem explicável.
No mesmo dia, a imprensa noticia que Cunha é dono de carrões caríssimos, e os demais detalhes de sua vida faustosa pipocam por toda parte. E escandalizam ainda mais diante da imagem pública de arauto do impeachment de Dilma Rousseff que ele construiu junto a grupos que dizem “lutar contra a corrupção”.
Diz a imprensa corporativa que o PT não quer confrontar Cunha. Em menor intensidade, reconhece que o PSDB também não quer.  Os petistas porque buscariam um acordo para todos se salvarem e os tucanos porque veem nele o único que pode derrubar Dilma.
Não creio que todos os petistas e todos os tucanos pensem assim, mas é possível que boa parte de cada grupo tenha as ideias que lhes atribuem sobre a salvação de Cunha.
Fico me perguntando, porém, se algum dos lados tem poder para salvar Cunha. Será que o PT ou o governo Dilma ou o PSDB ou Aécio Neves controlam o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal?
Os petistas dirão que o PSDB controla e os tucanos dirão o mesmo sobre o PT. Não digo que a Justiça ou o MP não tenham seus interesses e seus vieses políticos. Seria uma bobagem. Mas digo que eles têm critérios políticos próprios e não tenho certeza se aliviar para Cunha seria um deles.
Por que? Simplesmente porque há muita prova contra Cunha. Muita prova. Uma quantidade de provas que tornará sua absolvição um escândalo de proporções imprevisíveis e incontroláveis. Sobretudo se ele continuar presidindo uma das Casas Legislativas do Brasil.
Notem bem que as provas contra Cunha estão vindo do exterior. As notícias sobre essa montanha de provas materiais de que o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil é corrupto estão se espalhando pelo mundo rapidamente.
Pelo que conheço do STF – e conheço pouco, mas conheço um pouco – aqueles ministros não quererão ficar associados ao escândalo internacional que seria Cunha se safar dessa sem passar uns bons anos vendo o sol nascer quadrado.
E muito menos eles querem ser responsabilizados pelo vexame que seria ele ter sido deixado comandando uma das Casas Legislativas do país. O STF tem o dever constitucional, ético e moral de tirar Eduardo Cunha do cargo, até para parar de atrapalhar as investigações.
O STF está conspurcando sua imagem ao não fazê-lo. Pelo que sei, a Corte já começa a ficar incomodada com a repercussão dessa vergonha…
Em tempo: a mesma premissa sobre preocupação com imagem vale para o Ministério Público, que se revela bafejado pelo culto à própria imagem – o que não é de todo mau, apesar de facilmente poder vir a ser ruim.
Seja como for, porém, o fato é que tirar Cunha do palco vai se tornando uma questão suprapartidária. E não estou nem me referindo a ética, mas a interesses políticos. Afinal, a sociedade logo estará cobrando em um nível insuportável que ele seja responsabilizado.
As correntes anti Cunha na internet já mobilizam centenas de milhares de pessoas em um único post em blogs ou no Facebook. E a efervescência contra o presidente da Câmara deve crescer geometricamente após a publicidade de sua assinatura nas fichas de contas bancárias que ele afirmara não ter.
Tucanos, petistas e até peemedebistas vão querer suas imagens associadas a Eduardo Cunha quando as imprensas alternativa ou corporativa acabarem acusando este ou aquele de estar ao lado dele?
Duvido.
Além de tudo isso, resta a questão civilizatória. Uma sociedade civilizada não pode permitir que ladrões façam suas leis. Ora, o que é que faz a Câmara dos Deputados? Leis. E quem comanda a Câmara dos Deputados? Alguém sob suspeita (com provas) de ser ladrão.
Daí que…
Por essas e outras, creio que, não tarda, Eduardo Cunha será atirado ao mar por gregos e troianos. Nesse momento, alguns vão correr feito loucos às portas da Justiça para exigir que certas imagens, como a que encima este texto, sejam retiradas da internet.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Dilma não se mantém com liminar, Gilmar Mendes, mas com a Constituição

GILMAR
 eduguim
Gilmar Mendes é fonte caudalosa de constrangimento para o Supremo Tribunal Federal. Toda vez que ele aparece na mídia suarento e vociferando exclusivamente contra o PT – subvertendo, assim, a imagem de um magistrado, que deve exalar equidistância de paixões – seus pares olham para o lado, assoviam, fazem cara de paisagem.
Gilmar, porém, vive testando o colegiado que integra. Recentemente, deu declarações sobre o fim do financiamento de campanhas eleitorais por empresas que se constituíram em bofetadas nos seus pares que tiveram entendimento diferente do seu.
Ao segurar o processo em sua gaveta por mais de um ano e meio sob a alegação de precisar de mais tempo para “estudá-lo”, fez pouco dos ministros que já haviam decidido. Ele insultou a inteligência daquela Corte e de todo o país, pois não houve quem não soubesse que se tratava de uma manobra protelatória.
Protelar para quê? Ora, para que o poder econômico pudesse se esbaldar mais uma vez, ou seja, nas eleições de 2014. Ele pediu vista do processo em 2013. Se a votação tivesse sido concluída, empresas não teriam podido fazer doações eleitorais no ano passado.
Agora, Gilmar volta à carga. Como o único ministro do STF que se dispõe a dar declarações bombásticas e partidarizadas, ironizou, nesta quinta-feira (15), as dificuldades do Palácio do Planalto em reunir apoio em sua própria base aliada contra um movimento a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso.
Gilmar disse à imprensa que “ninguém se mantém no cargo com liminar do Supremo”, em referência ás decisões provisórias (liminares) dos colegas Teori Zavascki e Rosa Weber que suspenderam o rito estabelecido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para a tramitação de um eventual processo de impedimento da petista.
Ora, ora… Quer dizer que o que manteve Dilma no cargo foi uma liminar, é? Mas que papo é esse, Gilmar Mendes? O que preservou a presidente da República de ser afastada do cargo por uma manobra ILEGAL não foi a liminar que dois de seus pares concederam – antecipando o que deverá ocorrer com julgamento da medida em Plenário –, foi a Constituição Federal.
“Lição que aprendi da época do Collor, […] é que se o presidente não tiver 171 votos [para barrar o impeachment], não pode mais ficar no cargo. Ninguém se mantém no cargo com liminar do Supremo”, afirmou Gilmar.
Então ele não aprendeu nada, pois o rito processual que o STF acaba de derrubar não requeria que Dilma tivesse 171 votos para se manter no cargo, como manda a Constituição; exigia que ela tivesse 257 votos, porque Eduardo Cunha pretendia atropelar o quórum exigível para abrir o processo de impeachment, entre outras manobras inconstitucionais.
A declaração de Gilmar Mendes tem mero objetivo político. Não se coaduna com a postura que deve ter um ministro do Supremo. Aliás, ele é o único, naquela Corte, que se porta dessa forma lamentável, histriônica, vexatória.
Sua declaração tenta iludir o público. Tenta fazer os menos informados e instruídos acreditarem que Dilma tenta adiar o inevitável. Muito pelo contrário. A decisão do STF não impede abertura do processo de impeachment. Apenas obriga a Câmara a cumprir a Constituição.
Se Eduardo Cunha e o PSDB conseguirem 342 votos para abrir o processo, ele será aberto. Quem não está conseguindo apoio parlamentar para suas pretensões políticas, portanto, não é Dilma Rousseff. Quem não tem os votos necessários para abrir o processo de impeachment é Aécio Neves, é Eduardo Cunha, é o PSDB, é o DEM. E a mídia.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Globo deve US$ 1 bilhão em eventos

A crise é na e da Globo!
bessinha globo cada dia mais preta
A Globo deve US$ 1 bilhão de dólares em compras de eventos esportivos.

A Copa do Mundo da Rússia.

A Copa do Mundo do Qatar.

As Olimpíadas.

E a Fórmula 1, a que só a família do Felipe Massa ainda assiste.

(E a Petrobras banca...)

Com o dólar a R$ 4, a audiência da Globo não paga as contas.

R$ 4 bilhões, só sequestrando o caixa do BNDES!

E tem mais: amigo navegante, preste atenção à lista de patrocinadores do Brasileirinho, esse campeonato que simboliza a eficiência do conglomerado Globo-CBF-J. Hawilla.

A lista vai mudar, porque tem patrocinador que quer cair fora.

Mesmo depois de a Globo "flexibilizar" a tabela.

O precioso informante do Conversa Afiada, o Valdir Macedo, diante desses números assustadores, voltou a dizer: não se interessa pela Globo.

Porque a audiência não paga as contas.



Como se sabe, a RBS, a Globo do Sul, foi para o saco, como demonstrou o Luiz Claudio Cunha.

O ansioso blogueiro soube - e não foi o Valdir Macedo quem contou ... - que a família controladora da RBS deve sair do negocio.

A família não estaria disposta a botar a mão no bolso para cobrir os problemas da empresa.

A saída é vender a RBS para se dedicar ao mercado imobiliário, que, hoje, já é o maior interesse empresarial dos herdeiros.

Na verdade, o jornal Zero Hora - pior não existe na face da Terra...- se presta hoje a compartilhar dos interesses imobiliários da família.

E amigo navegante gaúcho chama a atenção para circunstância sinistra: o falido governador do Rio Grande anunciou que vai vender a companhia de energia, a CEEE!

Para a felicidade da RBS.

Porque a CEEE tem terrenos maravilhosos em Porto Alegre!

Viva o Brasil!

É o que pode acontecer aos filhos do Roberto Marinho - eles não têm nome próprio.

Passam o negócio e vão viver de seu principal interesse, já hoje: jatinhos particulares.

Se o rolezinho do impítim fracassar...

Paulo Henrique Amorim

ENTRE KANT E MAQUIAVEL, OPOSIÇÃO VÊ GOLPE AFUNDAR