Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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domingo, 11 de janeiro de 2015

Black Blocs, o retorno

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Blogcidadania 
Se existia dúvida de que o famigerado Movimento Passe Livre apoia e utiliza a violência da massa de manobra que consegue reunir, o que ocorreu na manifestação que levou a cabo na última sexta-feira dirime essa dúvida.
Desde o fim da Copa do Mundo de 2014 que não se via atos de vandalismo como os que ocorreram no recentíssimo protesto contra o reajuste das passagens de ônibus e metrô em São Paulo. Foi só o MPL convocar um ato para que Black Blocs, punks, skinheads e outros bichos dessem as caras.
Reportagem do G1 desmente as alegações do MPL de que a violência que se viu em São Paulo derivou de repressão policial. Vídeo divulgado pelo portal mostra vândalos depredando estabelecimentos comerciais sem presença da polícia.
Confira o vídeo, abaixo.

Como se vê, sem presença da polícia e sem causa aparente os manifestantes passam a promover destruição de patrimônio público e privado, reeditando o que fizeram em 2013.
Mais uma vez, o MPL recorre a todo lixo social disponível para se promover entre esse público descabeçado que se presta a participar desse tipo de violência contra a sociedade e que, como subproduto, faz a direita se fortalecer no Brasil como tem sido visto.
E o pior é que aqueles que esse movimento vigarista diz defender nem mesmo concordam com esse tipo de ação. Esse movimento nasceu e cresceu entre estudantes universitários de classe média alta, gente que, muitas vezes, se tomou ônibus meia dúzia de vezes na vida, será muito.
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O pior de tudo isso é que o preço das passagens de ônibus e metrô é o menor problema da população brasileira, hoje. Sobretudo da população paulistana. O grande problema do transporte urbano, no país, é a qualidade.
Só que, sem investimentos públicos, não será possível melhorar a qualidade.
No caso de São Paulo, única cidade do país em que o MPL conseguiu juntar bastante gente (número de manifestantes varia de 2 mil, segundo a PM, a 30 mil, segundo o MPL), o sucesso relativo desse protesto se deve ao antipetismo que infecta os paulistanos.
Por outro lado, a população que assiste a tudo isso sente medo e identifica esses protestos como obra petista, razão pela qual o ódio ao partido se instalou tão profundamente na alma paulistana, dando uma vitória consagradora a Geraldo Alckmin, ano passado, por ter reprimido os protestos com a violência costumeira da sua PM.
Enquanto um bando de desmiolados e/ou demagogos toca o terror na cidade, o principal problema do momento, a falta de água e o encarecimento de seu preço, não sofre protestos desses revolucionários de araque.
É por essas e por outras que o PT deveria conversar com suas lideranças jovens para que parem de se misturar com essa gente. Apesar de essas manifestações proibirem bandeiras do PT e até camisetas vermelhas, havendo petistas no meio a conta dos desatinos vai para o partido.
O preço das passagens de ônibus estava congelados desde 2011. Com reajuste de 16%, com certeza os salários cresceram mais do que o preço das passagens, eis que a remuneração assalariada vem crescendo acima da inflação no país.
Por outro lado, se a prefeitura tiver que abrir mão de repassar esse aumento, sua situação financeira e capacidade de investimento no transporte público irá diminuir ainda mais, quando é do interesse da população que esses investimentos no transporte público aconteçam.
Tudo aumentou no país, inclusive tarifas públicas. Aumentaram água, luz, gás, até impostos. E, claro, os salários. Impedir administrações municipais de aumentar a tarifa do transporte público não irá melhorá-lo, irá piorá-lo devido à falta de investimentos gerada pelo caixa baixo.
E o pior é que, como já foi dito mil vezes aqui, conforme informações do prefeito Fernando Haddad, o erário paulistano paga o reajuste às empresas de ônibus – ou seja, o povo paga de qualquer jeito, mesmo sem sentir.
A violência vem desmoralizando manifestações legítimas e fortalecendo a direita, que, nas últimas eleições, colheu os frutos dos desatinos dessa pseudo esquerda de que a direita gosta tanto e com a qual conta para se fortalecer.
A reestreia dos black blocs junto com a do MPL denuncia a tática do movimento de se valer de todo lixo social disponível para inflar suas manifestações descabidas. A da última sexta-feira, em São Paulo, comprovou isso.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

53% dos paulistanos acham que falta d’água é culpa de Dilma e Haddad

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Na última quarta-feira (7/1), a Sabesp foi autorizada pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) a aplicar multa de 40% a 100% para quem consumir mais água neste ano no comparativo entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. A medida deve ser publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (8).

Confira, abaixo, o gráfico explicativo sobre o sistema elaborado pelo governo paulista para punir quem consumir mais água do que o permitido.
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Como se vê, não será preciso que os moradores da capital paulista gastem muita água para ser multados. Na verdade, terão que gastar menos água do que costumam gastar no verão, porque a base de cálculo que será utilizada pelo governo Alckmin para punir quem ultrapassar o racionamento – que, até agora, a mídia local não chamou pelo nome – se baseia na média de 12 meses de um ano antes de o problema se agravar (2013).

Como a média de 12 meses pega outono, verão e primavera, meses em que a população consome menos água, e é aplicada no verão, a base para multar os paulistanos, que apoiaram com tanto entusiasmo o governo Alckmin nas últimas eleições, é uma trapaça: quem não reduzir o consumo que costuma ter no verão, irá pagar até o dobro pela conta de água.

Os acionistas da Sabesp agradecem. Com o perdão pela piada infame, os detentores de ações da Sabesp (percentual infinitesimal da população da cidade) irão “lavar a égua”.

Como se explica, então, que o governador Geraldo Alckmin tenha conseguido se reeleger em 1º turno com uma votação tão consagradora? Como se explica, aliás, que mesmo após o anúncio das punições para quem não DIMINUIR o consumo de água não tenha havido uma revolta na cidade?

Nesta sexta-feira, o famigerado Movimento Passe Livre irá às ruas da capital paulista contra aumento de 50 centavos no preço das passagens de ônibus, apesar de que, de acordo com a prefeitura paulistana, “Desde o último reajuste, em janeiro de 2011, a inflação acumulada foi de 27%” e “O reajuste da tarifa básica, de R$ 3,00 para R$ 3,50, ficou abaixo disso, em 16,67%.”.

Pode-se dizer, portanto, que o preço das passagens ficou mais barato para os paulistanos, nos últimos anos, pois os salários subiram em 2012, 2013 e 2014 e as passagens, não.

Aliás, o fato é que os paulistanos não estão pagando menos pelas passagens. Como a prefeitura herdou contrato com as empresas de ônibus que preveem aumentos anuais, o erário paulistano – ou seja, o povo – está pagando os aumentos do mesmo jeito, ainda que não sinta na catraca dos ônibus.

Mas o que importa mesmo é que enquanto um grupo de paulistanos vai à rua para protestar contra um pequeno aumento no preço das passagens, ninguém sai para protestar contra o descomunal aumento no preço da água justamente quando o serviço prestado pelo governo do Estado, nesse setor, piora de forma absurda, com racionamento velado e preços MUITO mais caros.

A que se deve isso? Deve-se ao fato (comprovado) de que a maioria dos moradores da capital paulista não sabe de quem é a responsabilidade pela distribuição de água, mas pensa que sabe.

Durante o primeiro turno das eleições deste ano, a população paulistana escolheu seu novo governador sem saber que o problema de água, que então já se fazia sentir, foi causado por incompetência dos governos do PSDB desde 2004.

A insuficiência do Sistema Cantareira, que abastece 47% da região metropolitana de São Paulo, é um problema que o governo paulista conhecia desde 2004. Naquele ano, a Agência Nacional de Águas (ANA), órgão federal, renovou a concessão da Sabesp para distribuir água no Estado de São Paulo. No documento de concessão da outorga dada à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 2004 para explorar por dez anos o reservatório Cantareira, o artigo 16 estipulava que a empresa deveria realizar em 30 meses “estudos e projetos que viabilizassem a redução de sua dependência do sistema”.

Passaram-se dez anos e nada foi feito.

Ainda assim, Alckmin se reelegeu com 57% dos votos válidos. Em primeiro turno. Ele e José Serra, que governaram São Paulo de 2004 até o ano passado, não cumpriram o acordo firmado naquele ano com o governo Lula e, ainda assim, a população paulistana apoia o PSDB como se estivesse fazendo um grande governo.

A explicação para isso está em uma pesquisa Datafolha publicada no dia 20 de outubro, que mostra que a população da maior cidade do país não sabe de quem é a culpa pelo sofrimento que vem passando com o racionamento velado de água – que irá piorar, porque, além desse desconforto, ainda terá que pagar mais pelo péssimo serviço da Sabesp.

A pesquisa Datafolha em questão foi divulgada pelo jornal naquele mês, mas escondeu um dado assustador: 53% dos paulistanos atribuem os problemas na distribuição de água a Dilma Rousseff e ao prefeito Fernando Haddad, ambos do PT, apesar de a responsabilidade pelo problema ser exclusivamente do governo do Estado, controlador da Sabesp.

O problema do abastecimento de água em São Paulo só começou a ser tratado com maior intensidade pela imprensa local após a eleição em primeiro turno, que Alckmin venceu com um pé nas costas. Em 20 de outubro, o problema ganha manchete de primeira página na Folha de São Paulo.

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Porém, em nenhum momento o jornal publicou um destaque para esse dado impressionante de que a maioria dos paulistanos estava equivocada sobre a responsabilidade por um problema que tem torturado a população. Das quatro matérias que trataram do assunto, a informação foi dada num pé de página escondido lá no caderno “cotidiano”.

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Claro que os adversários de Alckmin tentaram explicar à população paulistana que o governador que ela estava reelegendo é que tinha responsabilidade pela crise de abastecimento de água, mas essa população estava tão embriagada pelo antipetismo que nem se deu ao trabalho de assistir o horário eleitoral.

Restaria à imprensa local explicar aos zumbis que habitam a maior e mais rica cidade do país que os governos do PSDB ficaram sentados em cima do problema de abastecimento de água durante uma década (desde 2004) sem tomar providências, mas essa mesma imprensa se absteve, vergonhosamente, de tratar do assunto durante a campanha – só foi noticiar alguma coisa DEPOIS do primeiro turno.

É o pior é que, como paulistano, nem posso dizer que será bem feito o sofrimento por falta de água que estamos passando – e que deve aumentar nos próximos meses -, pois, apesar de integrar a minoria consciente que sabe por que meu Estado piorou tanto ao longo de 20 anos de governos do PSDB, também estou sofrendo com falta de água.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Quem vai fazer o serviço?

A sedimentação da agenda conservadora para 2014 envolve a adesão de um pedaço da esquerda e o silencio desfrutável de outro. O padrão é o cerco ao IPTU em SP.

por: Saul Leblon 

Arquivo













Quem vai fazer o serviço?

A sedimentação da agenda conservadora para 2014 envolve a adesão de um pedaço da esquerda e o silencio desfrutável de outro.

O padrão foi testado e bem sucedido no cerco ao reajuste do IPTU em São Paulo. 

Os interesses atingidos só tiveram sucesso em sabotar  a medida graças à omissão dos que sabiam o que estava em jogo, mas preferiram silenciar.

É essa capacitação ao exercício da cumplicidade que a emissão conservadora  opera de forma explícita nos dias que correm.

Colunistas e editores espetam sinais  para ordenar o fluxo na direção almejada: a seringa do piquete onde se conta o rebanho.

Quantas cabeças  teremos para oferecer aos mercados?

Nas manchetes e fotos, mais que nos textos, espetam-se os ferros com as iniciais do dono.

O ponto de encontro tem data e local  definidos: 12 de junho de 2014, 17 hs, estádio do Itaquerão, onde o Brasil abre a Copa do Mundo diante da Croácia.

Durante um mês, até 13 de julho, novas oportunidades  se abrem: há jogos distribuídos nas principais  capitais do país.

Alguém duvida que a tabela será explorada na emissão conservadora como ponto de encontro de gente ansiosa para mostrar o seu valor a fotógrafos e cinegrafistas generosos?

Textos gordurosos como os autores, tortuosos como seus valores,  arregimentam as adversativas do léxico para  assegurar  o verniz ‘jornalístico’ à panfletagem.

Não importa o  tema da coluna.

O objetivo predefinido é dar suporte a logos,  títulos e manchetes que disseminem  ordem unida.

‘Em 2014, vem prá rua você também’, convocava-se na Folha no dia de Natal;  ou o soberbo, ‘Não vai ter Copa’, abraçado neste domingo por um vulgarizador do mercadismo  no mesmo  veículo.

À falta de projeto defensável à luz do dia – arrochar 70% do país para lubrificar  30% só rende votos em saraus elegantes--  escava-se o vazio em busca de chão firme.

De joelhos e com as unhas, se preciso for para satisfazer os sinais vindos das  direções de redação.

O tesouro cobiçado  é tanger multidões  à frente única em curso para enfrentar Dilma em outubro próximo. 

Procura-se, em suma, alguém que  faça o serviço que os cabedais do conservadorismo, sozinhos, são incapazes de entregar.

É esse vazio adicionado de urgência que reduz  colunistas à função rastaquera de insuflar a indignação sem explicar a fórmula do elixir  que vai contemplá-la.

Se quiser,  o público alvo –as organizações com capacidade de mobilização - tem elementos para confrontar  o aceno dos charlatães com os ingredientes da gororoba historicamente  despejada por eles na goela do país – não raro com funil e camisa e força. 

A sedimentação golpista de uma parte da opinião pública brasileira não ocorreu por acaso nos últimos anos.

Trata-se de obra deliberada de gente bem paga --e eficiente, diga-se, na arte de popularizar generais redentores, santificar consensos neoliberais, incensar  janios, collors, demóstenes , carlinhos cachoeira, joaquins, serras  e assemelhados.

O florescimento desse acervo não prosperaria sem o trabalho prestimoso dos que esculpem o seu busto em bronze de credibilidade e veneração.

É um equívoco  dissolver  essa assinatura numa edulcorada predisposição da sociedade ou de parte dela para ser canalha ou 'egoísta'.

Ainda que exista a receptividade estrutural em certas camadas, é  indispensável o fermento que transforme o instinto em história.

Incensar  os joaquins e  Demóstenes; satanizar os lulas e respectivas agendas é uma parte do bicarbonato  requerido  na receita. 

Sem ele a  massa não cresce.

Antecedentes  referenciais  testemunham o notável  desempenho da emissão conservadora  na tarefa de sovar a massa.

Escondidas até agora nos arquivos da Unicamp, para onde foram exiladas pelo próprio Ibope,  pesquisas de opinião feitas às vésperas do golpe de 1964 mostram, todavia, que o labor midiático sozinho não leva a receita ao ponto.

Os dados dissecadas em entrevista recente do pesquisador Luiz Antônio Dias à revista Carta Capital, transcrita no blog de Luis Nassif ,  detalham o paradoxo:

- em junho de 1963, Jango tinha 66% de aprovação em SP;

- em março de 1964, caso fosse candidato no ano seguinte, ele teria mais da metade das intenções de voto na maioria das capitais;

- o apoio  à reforma agrária, então satanizada pelas elites, era superior a 70% em algumas capitais;

- na semana anterior ao golpe, as pesquisas mostravam que Jango tinha 72% de aprovação popular  –entre os mais pobres, o índice chegava a 86%.

O mesmo conservadorismo que  hoje torce por  protestos na Copa colocaria então milhares de pessoas  nas ruas de São Paulo, em 19 de março de 1964,  na Marcha da Família Com Deus pela Liberdade.

O movimento  ecoado na mídia como a evidência cabal do isolamento (inexistente) do governo  não saltou espontaneamente das páginas da imprensa para o asfalto.

Foi preciso organizá-lo meticulosamente.

A mídia cumpriu a sua parte, como o faz hoje, legitimando a ‘revolta da sociedade e da família contra o desgverno’.

Mas coube a Igreja e às ligas de senhoras católicas, com forte participação de esposas de empresários, botar a mão na massa.

Senhoras da elite  usaram sua ascendência para intimar  famílias operárias, sobretudo as mulheres, a integrarem  e divulgar o movimento.

Quase 50 anos depois, a regressão conservadora não dispõe mais da estrutura capilar de mobilização de que lançou mão às vésperas do golpe de Estado que prendeu, torturou, matou, decretou a censura à imprensa e às artes e colocou os partidos e sindicatos  na ilegalidade.

Escribas do jornalismo isento sugerem que podem superar as mais dilatadas expectativas no esforço para reeditar o mutirão cinquentenário na presente  intersecção entre a Copa do Mundo e as eleições presidenciais de outubro.

Para que ele signifique alguma coisa de equivalente ao papel legitimador desempenhado pela Marcha da Família, quando  Jango  tinha  mais da metade das intenções de votos –como Dilma as tem-- alguém terá que puxar o cordão.

A coalizão conservadora espera que cada um cumpra o seu dever.

Ou seja, que um pedaço dos setores progressistas  insatisfeitos com o governo  acenda o forno a 180º  e reforce a levedura na massa.

Uma vez pronto o bolo, vá para casa, e deixe a coisa com quem entende de comer o Brasil.

A ver.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

NY vai cobrar o cafezinho sabotado em SP

Novo prefeito de NY, Bill Blasio, prometeu taxar os endinheirados à razão de um cafezinho com leite no Starbucks por dia (US$ 3) para melhorar a vida dos pobres

por: Saul Leblon 

Arquivo














Endinheirados nativos adoram elogiar os ares cosmopolitas de NY - embora  se sintam espiritualmente melhor em Miami.

A mídia irradia preferências semelhantes.

O democrata Bill de Blasio, recém empossado prefeito de NY, ganha espaços e confetes  por aqui  pela ecumênica trajetória pessoal.

Blasio, um progressista à esquerda de Obama, e cuja eleição teve o apoio do Partido da Família Trabalhadora, que se autodefine como uma espécie de PT dos EUA, é casado com uma poetiza negra.

Chirlane não escondeu na campanha a adesão ao lesbianismo nos anos 70.

A cerimonia de casamento entre ela e Blasio foi oficiada por pastores gays.

Filhos afrodescendentes, Dante e Chiara, fizeram do candidato, que apoiou a causa sandinista na juventude e escolheu a América Latina como objeto de estudo acadêmico,  um símbolo de afirmação dos valores multirraciais.

A cabeleira black power exuberante de Dante tornou-se uma espécie de certificado de garantia dos compromissos progressistas do pai.

O conjunto galvanizou a Nova Iorque.

Formada por 26% de latinos e 25% de negros, a metrópole de 8,7 milhões de habitantes está cindida em duas cidades pela linha da desigualdade.

Blasio prometeu acabar com o conto dickensiano de um povo repartido em dois pelo dinheiro e o urbanismo excludente.

Artistas de seriados famosos trabalharam com afinco para arrastar votos de um pedaço da classe média branca e  dar a esse projeto  o apoio esmagador de 73% do eleitorado.

Não é pouca coisa.

Desde 1993  a população de NY não entregava a prefeitura a um democrata.

Temas como o mergulho de Blasio no alcoolismo --após o suicídio do pai, ademais de vídeos da filha discutindo abertamente a questão das drogas, reforçaram o apelo contemporâneo da candidatura.

Mas não só.

Tido como bom administrador, seu antecessor, o bilionário Bloomberg, provou que é possível ser eficiente na gestão sem alterar o apartheid de uma metrópole.

Há cinco anos ele se alarga em NY e em toda a sociedade norte-americana mergulhada na pior crise do capitalismo desde 1929.

A relação da Forbes de 2013, que atualiza o ranking dos 400 norte-americanos mais ricos do país, ilustra a expansão do fosso.

A riqueza total dos ‘400’ aumentou quase 20% sobre 2012.

Passou de US$ 1,7 trilhão para US$ 2,02 trilhões de dólares em dezembro último.

Equivale ao valor do  PIB da Rússia.

Estamos falando de apenas  400 cidadãos e uma fortuna equiparável à oitava economia do globo, ou 15% do PIB dos EUA.

Mas a coisa é pior que isso.

Em 2012, pela primeira vez desde 1917, os 10% mais ricos passaram a abocanhar mais da metade de toda a renda norte-americana (50,4% , segundo pesquisa feita pela Universidade de Berkeley).

Só há dois precedentes históricos no gênero: antes da Depressão de 1929; e antes da falência do Lehman Brothers, em 2007, gatilho da presente crise mundial.

A política de injeção de liquidez de Obama –lapidada pelos interditos do Tea Party— paradoxalmente ajudou a consumar esse feito.

A renda média nos EUA cresceu 6% no triênio finalizado em 2012.

Dentro dessa média, os ganhos do 1% mais rico aumentaram mais de 31% no período (recuperando assim quase completamente as perdas decorrentes da crise, da ordem de 35%).

Os demais 99% tiveram um ganho de apenas 0,4% em três anos. Estão hoje 12% abaixo da soleira em que se encontravam antes do colapso neoliberal.

O Ocuppy Wall Street tinha razão.

Não surpreende que muitos de seus integrantes tenham se engajado na vitória a Blasi, que emerge assim como uma segunda aposta, mais à esquerda, depois do fiasco de Obama.

O cabelo black power de Dante deu confiabilidade a quem batia forte na tirania do 1% sobre os 99%.

Mas Blasio não foi eleito apenas pela fiança familiar.

Para investir em escolas e serviços destinados aos subúrbios –que empobreceram adicionalmente desde 2007, ele a prometeu elevar o imposto sobre os ricos que lucraram com a crise.

Quem ganha entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão pagará um adicional em taxas municipais de US$ 973 por ano em sua gestão.

Significa menos que US$ 3 por dia – ‘um cafezinho com leite no Starbucks’, alfinetou o novo prefeito.

Não há como não enxergar nessa aritmética um espelho do que se passa na São Paulo dirigida pelo prefeito  Fernando Haddad.

Financiar a tarifa congelada dos ônibus na capital, modernizar  o transporte coletivo com 150 kms de corredores exclusivos (as faixas já passam de 290 kms) e investir em educação e saúde exigiriam um aumento do IPTU com atualização de valores venais defasados pela supervalorizados nos últimos anos.

Aqui como lá os ricos arcariam com a maior fatia do adicional arrecadado.

1/3 dos moradores mais pobres  não pagariam nada, conforme a proposta original de Haddad.

Os demais, em média, contribuiriam com  um adicional de R$ 15,00 ao mês.

Cinquenta centavos ao dia.

Para somar o preço de um café com leite no Starbuscks em São Paulo ( R$ 3,90 no Shopping Eldorado, na capital), seriam necessários quase o equivalente a  oito dias de  IPTU.

O prefeito Haddad foi ao STF solicitar apoio a uma contribuição 12 vezes inferior a de NY, vetada aqui pelo matrimônio de interesses que uniu a  Fiesp, a mídia, endinheirados, senhorios e o PSDB.

Ao contrário da cumplicidade selada entre afrodescedentes e Blasio, Haddad encontrou na Suprema Corte alguém que age e pensa aqui como aqueles que, em passado sombrio, destinaram a seus semelhantes a senzala e a chibata.

E depois delas, as periferias  conflagradas das grandes metrópoles.

Cerca de R$ 100 milhões arrecadados com o novo IPTU iriam financiar a construção de creches nos bairros mais pobres de SP, onde 150 mil crianças aguardam na fila.

Continuarão a aguardar enquanto os endinheirados, seus ventríloquos e serviçais tomam seu cafezinho no Starbucks.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

São Paulo quer que Haddad faça milagre


Quem escreve este texto não é o blogueiro, mas o cidadão. E, mais do que um texto, isto é um compungido lamento.  Um lamento pela prova inconteste da própria estupidez que vem sendo dada pelo povo da cidade em que nasceram meus tetravós, meus bisavós, meus avós, meus pais, eu, meus filhos, meus netos e todos os que amo.
E pouco consola que não seja todo o povo de São Paulo que esteja demonstrando um comportamento infantil e irresponsável, mas que também decorre, em larga medida, da forma como os políticos brasileiros conduzem suas campanhas eleitorais, ou seja, mostrando realizações que sabem que custarão a se materializar, caso se materializem algum dia.
Contudo, um povo à altura da importância que São Paulo tem no cenário nacional deveria ter um pouquinho mais de maturidade. Ou será tão difícil entender que o que todos os candidatos apresentam em suas campanhas é marketing e que mesmo o mais bem-intencionado prefeito não tem como fazer tais melhorias acontecerem rapidamente?
O prefeito Fernando Haddad venceu há pouco mais de um ano a eleição que o guindou ao cargo que ocupa, mas não completou nem um ano de governo e, apesar de todo munícipe paulistano saber da situação que herdou, passou a exigir-lhe o que só seria cabível talvez ao fim deste seu mandato. Mas não é só – como se fosse pouco…
O mais impressionante é que a cobrança extremada que fazem ao prefeito começou quando ele ainda mal tinha “tomado pé” de sua administração. Após o QUINTO mês de governo, a cidade se inflamava exigindo que, pela primeira vez na história recente, a prefeitura arcasse sozinha com os reajustes dos contratos com o setor privado para o transporte público.
Endividada até o pescoço, suja, violenta, crescentemente congestionada por uma enxurrada de novos veículos que a indústria automobilística despeja a cada dia em suas ruas, só Jesus Cristo poderia operar o milagre de resolver os problemas de São Paulo em tão pouco tempo.
Com efeito, Haddad não prometeu nenhum milagre. O marketing político que TODOS os candidatos a TODOS os cargos eletivos usam não pode ser levado ao pé-da-letra por pessoas minimamente racionais. E o que é pior: esse povo cobra milagres de alguns governantes e não cobra de outros.
O paulistano, pois, não sabe valorizar nem o seu próprio bem-estar. Age como criança.
Ora, o PSDB está há praticamente vinte anos governando o Estado. Ao longo desse tempo, a mesma capital paulista que, em boa parte, tem sido capaz de comprar acusações ao atual prefeito por corrupção ocorrida no governo anterior demonstra ignorar quanto de culpa pela situação é do governo estadual.
E, como se não bastasse, o paulistano tem tido uma tolerância com os escândalos envolvendo o governo do Estado que só Freud explica. Ou a teoria da “Síndrome de Estocolmo”…
O fato, pois, é que o tesouro de São Paulo perdeu alguma coisa próxima a 600 milhões de reais por estar tendo que arcar sozinho com os vinte centavos que a população não quis pagar a mais pela passagem de ônibus. Então, o governo elabora um plano para cobrar mais IPTU de quem tem mais – e menos de quem tem menos – a fim de recuperar o orçamento desmontado.
E o que faz o povo? Diz que não paga.
Desse modo, se “as ruas” comeram uma quantidade tão expressiva de recursos vitais a uma administração tão endividada, a Justiça, novamente com os olhos no “clamor público”, impede o prefeito de tirar de algum lugar os recursos que impedem o orçamento da cidade de “fechar”.
O povo de São Paulo parece embriagado. Tira recursos da prefeitura e quer aumentar suas despesas. É como um condomínio em que os moradores exigem melhorias enquanto se recusam a pagar para que sejam feitas. E ainda retiram recursos do caixa desse condomínio. Ou seja, São Paulo quer que Haddad faça milagre.

Tocar fogo em SP: meta do conservadorismo em 2014

Haddad lidera reformas indispensáveis para tirar a cidade do caos. A velocidade dos ônibus já deu um salto de 45%. Mas o dinheiro grosso barra novos avanços.

por: Saul Leblon 

Divulgação















A velocidade dos ônibus em São Paulo registou um salto de 45% em 2013 (de 14,2 kms/h para 20,6 kms /h).

Três milhões de pessoas ganharam 38 minutos por dia fora das latas de sardinha, que agora pelo menos andam.

Embora a maioria ainda desperdice mais de duas horas diárias em deslocamentos pela cidade, é quase uma revolução quando se verifica a curva antecedente.

Ninguém pagou mais por isso: as tarifas estão congeladas desde junho sob a pressão de protestos legítimos liderados  pelo Movimento Passe Livre.

Financiar a tarifa e modernizar  o sistema com 150 kms de corredores exclusivos (as faixas já passam de 290 kms) , seria a tarefa do aumento progressivo do IPTU previsto pelo prefeito Fernando Haddad.

A coerência entre os meios e os fins  é irretocável.

1/3 dos moradores mais pobres de SP não pagariam nada de IPTU em 2014; os demais, em média, contribuiriam com  um adicional de R$ 15,00 ao mês. Os boletos dos mais ricos, naturalmente, transitariam acima da média.

O matrimônio de interesses expresso na aliança entre Fiesp, PSDB e a toga colérica  implodiu esse reajuste.

Como Nero, eles querem ver São Paulo pegar  fogo para culpar os adversários (os cristãos, no caso do imperador).

Em meio às labaredas emergiria o palanque conservador como a escada Magirus  que  os reconduziria com segurança  ao Bandeirantes e, quem sabe, ao Planalto.

O dinheiro grosso fornece a gasolina; o tucanato fino de Higienópolis entra com o maçarico.

‘Bum!’, diz a mídia obsequiosa que estampa a foto de Haddad com a legenda: o culpado é o oxigênio.

Depois de subtrair  R$ 40 bi por ano do sistema público de saúde, ao extinguir a CPMF, eles não hesitam agora em usar o sofrimento da população como recheio do seu pastel de vento eleitoral.
  
É o de sempre, ataca Haddad: a coalizão da casa-grande contra a senzala.

Eles retrucam estalando o chicote da mídia.

A rede de ônibus da capital (linha e fretados)  transporta 68% das população e ocupa somente 8% das vias urbanas.

A frota de automóveis transporta 28% e ocupa cerca de 80% do espaço das vias.

A informação é da urbanista Raquel Rolnik, em artigo reproduzido no Viomundo.

A rigor, portanto, a mobilidade melhorou  para a maioria dos habitantes da cidade, com uma redistribuição pontual do uso do espaço  viário.

Mas a emissão conservadora atiça o fim de ano da classe média com bordão do caos no trânsito –por culpa do privilégio concedido  aos ônibus.

Na edição de sábado (21/12), o jornal Folha de SP estampa a manchete  capciosa em seis colunas, no caderno  Cotidiano: ‘Trânsito piora, e ônibus anda mais rápido’.

No manual de redação dos Frias , trânsito é sinônimo de transporte individual.

Há um traço comum  entre esse entendimento do que seja interesse coletivo e individual   e o belicismo conservador  contra o programa ‘Mais Médicos’.

O programa  subverteu a lógica protelatória e alocou médicos estrangeiros, cubanos em sua maioria, ali onde os profissionais locais não querem trabalhar: periferias conflagradas e socavões distantes.

Produz-se assim uma mudança instantânea na vida de 16 milhões de brasileiros  até então desassistidos.

Quantos não morreriam  à espera do longo amanhecer incremental preconizado pelo conservadorismo?

A dimensão estrutural desse  antagonismo perpassa a luta pelo desenvolvimento brasileiro desde Getúlio.

Reformas de base ou a delegação do futuro da economia e do destino da sociedade aos mercados?

Em 1964 o pelourinho midiático, a Fiesp e o tucanismo, na versão udenista, resolveram a pendência da forma sabida.

Meio século depois, São Paulo reproduz  em ponto pequeno a mesma confluência de interesses que se reivindica o direito consuetudinário de tocar fogo no canavial e estalar o açoite para fazer a moenda girar.

Primeiro, a garapa; resto a gente conversa depois.

Com a tigrada guardada nas senzalas.

Ou imobilizada em ônibus-jaula.

A gestão Haddad precisa modular o timming de suas ações para discuti-las antes com a população.

Tem agora um inédito conselho de participação popular para isso.

Mas é indiscutível que o prefeito lidera hoje um conjunto de reformas  imperativas, as reformas de base da São Paulo do século XXI.

Sem elas a cidade afundará no destino que lhe reservou a elite brasileira branca e plutocrática: ser um exemplo de viabilidade  de uma das mais iníquas versões do capitalismo no planeta.

Esse é o embate dos dias que correm na metrópole.

Diante dele, o silêncio de quem liderou  os protestos de junho chega a ser desconcertante.

Mas não é inédito.

Há inúmeros antecedentes gravados na história com os predicados de cada época .
E nenhum deles é inocência.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

HADDAD: QUEM DERRUBOU A CPMF NÃO QUER AS CRECHES FHC, PSDB, Johhny Saad, Skaf é tudo a mesma sopa


Saiu no Globo:

PREFEITURA DE SP ENTRA NO STF PARA MANTER AUMENTO NO IPTU


Pedido será analisado pelo presidente do Supremo, Joaquim Barbosa.
Presidente do STJ decidiu manter decisão que barrou aumento do imposto.

(…)

“Eu cumpri meu dever de garantir mais recursos para a saúde e a educação, que levam mais de 50% do IPTU da cidade. Saúde e educação estão precisando de recursos. E nós procuramos demonstrar para o presidente do STF o impacto que teria nas áreas mais sensíveis da cidade, que são transporte público, saúde, educação e moradia. Trouxemos um arrazoado, uma revisão da planta genérica de valores. Não é aumento de tributo. A alíquota está sendo reduzida. Não aumentada. Estamos diluindo isso em 4 anos para que fique leve para todo mundo. Trata-se de um aumento médio de R$ 15 por mês apenas. “

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, autor da ação em São Paulo que barrou o aumento, também se reuniu com Joaquim Barbosa nesta tarde para pedir que seja mantida a liminar do TJ.


Na mesma entrevista em que anunciou que a Prefeitura de São Paulo passará a ter uma capacidade de investimento que não tem há uma década,Haddad demonstrou que:
- o aumento do IPTU recai sobre os ricos e alivia os pobres;
- o aumento do IPTU é uma obrigação legal;
- que o Cerra e o Kassab aumentaram o IPTU muito mais que ele e o PSDB e a FIE P (*) não fizeram nada;
(É como o MPL, o movimento dos acometidos da doença infantil do transportismo: só reclamaram de aumento de ônibus de prefeito trabalhista.)
- se não puder cumprir a lei e aumentar o IPTU, ele vai ter que cortar creches:http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/144444-haddad-diz-que-sem-subir-iptu-cortara-gasto-social.shtml
Quem é contra o aumento do IPTU – além dos corvos do record de emprego ?
O Johnny Saad, da Bandeirantes, grande proprietário urbano de São Paulo, que ameaça o Haddad nas rádios e tevês (que não têm audiência).
A FIE P e o PSDB
Esses dois, a FIE P e o PSDB , são responsáveis por uma obra que as criancinhas e os velhinhos do Brasil não se cansam de agradecer.
Eles acabaram com a CPMF.
Aquele imposto do Dr Adib Jatene, aplicado no Governo do Principe da Privataria, que, além de levar dinheiro para as crianças e os velhinhos, permitia rastrear o Caixa Dois.
O PSDB e a FIE P, sob a liderança de Arthur Virgílio Cardoso e Fernando Henrique Cardoso, derrubaram a CPMF no Senado com o argumento de que os preços iam cair .
Quá, quá, quá !
Não caiu um único preço por causa da queda da CPMF.
Como diz o Lula, eles queriam atingir o Lula.
O Lula saiu do Governo com 88% de aprovação popular.
O Skaf não se elege vereador na Avenida Paulista e o Fernando Henrique, em Higienópolis.
E a Saúde padece de crônica falta de dinheiro (que o pré-sal vai minorar).
É tudo a mesma sopa, diria o Mino Carta: Skaf, Arthur Virgílio, FHC, Johnny Saad.
São os que querem impedir o Haddad de construir creches.
Clique aqui para ler “Haddad diz que Fiesp prejudicou saúde no Brasil”.
Paulo Henrique Amorim
(*) FIE P é a FIESP, para o Conversa Afiada. Desde a extinção da CPMF, o Conversa Afiada preferiu retirar o S de “$” da FIE P. É que o fim da CPMF significou o perdão ao caixa dois, ao “$”, que, em São Paulo e, talvez, na FIE P, se chama de “bahani”. E o Skaf é candidato a governador pelo PMDB ! Viva o Brasil !

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Só o PT pode eleger ou derrotar o PT


Chegamos ao estertor do ano pré-eleitoral de 2013 com o país indo bem, superando uma crise internacional que colocou o Primeiro Mundo de joelhos, com a economia se preparando para um salto, com a pobreza e a desigualdade caindo, com pleno emprego, com salários subindo…
Em tese, um país com a trajetória em que segue o nosso dificilmente sofrerá mudança de governo a não ser que seu eleitorado seja ludibriado ou que o partido desse governo ou ele mesmo cometam algum erro colossal.
Como em toda eleição desde 2002, sempre aparecem candidatos a governar o Brasil enxergando um “sentimento de mudança”, mas tudo isso não passa de balela. Só se quer mudar o que está indo mal. Esse desejo de “mudança”, pois, não é do povo, mas de uma parcela que já deseja o mesmo há muito tempo e que vem se mostrando minoritária.
Burra, desinformada, ignorante, conformista, seja lá como queiram chamar a maioria que elegeu o atual grupo político em 2002 e não parou mais de reeleger, o fato é que essa gente sabe muito bem por que tem feito tal opção política.
Só quem não sabe é quem acha que essa maioria não sabe o que faz ou por que faz.
O que pode derrotar o PT, então, no ano que vem?
Em primeiro lugar, a sua forma de lidar com as críticas construtivas, justas e bem-intencionadas. Claro que o partido sofre críticas injustas demais e, assim, seus expoentes e seus anônimos vivem na defensiva, mas não são todas as críticas.
Sem entender isso, não só o PT como qualquer um estará semeando o fracasso.
Há problemas com o PT, por exemplo, no que diz respeito à política. O partido, em suas alas majoritárias, parece que abdicou por um bom tempo de fazer política, talvez achando ser possível coexistir com as forças políticas extrapartidárias que o combatem, como a mídia.
Esse tipo de erro de avaliação ficou patente durante recente entrevista de que participei com o prefeito Fernando Haddad. Ele mostrou certa surpresa diante dos ataques que passou a receber da mídia após o “aumento” do IPTU ou após a investigação da corrupção na gestão anterior.
Altos petistas instalados no Poder Executivo, portanto, precisam saber separar as críticas construtivas das destrutivas e oportunistas. Frequentemente, governantes desse partido tem sido intolerantes com as primeiras e tolerantes com as segundas.
Não é o caso do prefeito Fernando Haddad, vale dizer. Na entrevista que mencionei acima ele se mostrou surpreendentemente aberto a críticas de blogueiros que vêm questionando sua administração no que tange a políticas de comunicação.
Haddad admitiu com tranquilidade que não está conseguindo se comunicar com aqueles que elegeu por não saber como furar o bloqueio da mídia, que vem tratando de confundir o eleitorado acusando seu governo daquilo pelo que não tem a menor responsabilidade.
Mas essa não é a realidade do governo federal, que, após a saída de Lula, passou a ver os movimentos na internet que o apoiam como um constrangimento, mas só até o ponto em que percebeu que sem esses movimentos a mídia estaria agindo sem contraponto, ainda que tal contraponto seja pífio diante do poder midiático.
Ou nem tanto…
É claro que blogs e redes sociais não têm a força da televisão, mas vão disseminando informações que, se forem corretas e justas, acabam encontrando eco entre formadores de opinião que passam difundi-las.
Ou seja: esqueçamos do público submisso a um meio de comunicação. O público, hoje, é crítico, é formulador inclusive de correntes opinativas. Pode contrariar grandes grupos de mídia, governos, qualquer cacique que o queira conduzir como gado.
Nesse aspecto, a forma de governantes petistas lidarem com críticas precisa ser muito bem pensada. As críticas mal-intencionadas têm que ser rebatidas sem a menor hesitação, pois quem cala, consente. Mas é das críticas bem-intencionadas que os governos petistas podem tirar reflexões vitais.
Na segunda-feira, deixava a prefeitura de São Paulo e, a alguns metros do edifício que lhe serve de sede, vi duas mulheres de aparência humilde, cheias de sacolas, criticando com fúria o governo da cidade, que não tem nem um ano.
Provavelmente residem na periferia, de forma que deverão ser beneficiadas por um novo modelo de IPTU que vai reduzir o imposto para quem vive nas franjas da cidade. Contudo, diziam que essa era mais uma artimanha petista para roubar o povo pobre…
Fiquei estarrecido. Como essa gente pode não saber que será beneficiada?
Francamente, não sei como o governo Haddad ou mesmo o governo Dilma podem enfrentar uma campanha midiática desse tamanho, mas também é verdade quem em São Paulo a situação é diferente da do resto do país. Sempre foi e, pelo visto, continuará sendo.
Mas o governo pode, sim, encontrar fórmulas se estiver disposto a ter uma política vigorosa de comunicação. E, para falar a verdade, acho que já começa a se preocupar com isso. Ano eleitoral faz milagre no desejo dos políticos de entrarem em sintonia com o povo.
Um bom sinal, porém, foi a reação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, à tentativa da mídia e do PSDB de jogarem no seu colo a culpa pela roubalheira dos trens em São Paulo. Foi uma reação forte e que fez os tucanos e a mídia baixarem a bola.
Foi na medida certa.
Contudo, a militância petista tem que sair do choque que se produziu a partir do linchamento dos condenados do mensalão e começar a entender que não se pode reagir com intolerância a críticas, pois não existe governo perfeito, partido perfeito ou um único ser vivo perfeito.
Essa postura da base do petismo, porém, reflete problemas de liderança da cúpula, ainda que esta pareça estar encontrando um caminho.
A militância, pois, tem que se preparar para, ano que vem, discutir com paciência as queixas sinceras que possam surgir. Será um trabalho de formiguinha. Muitas vezes, se se conversar pacientemente com alguém que tem uma ideia pré-concebida é possível fazê-lo ver os fatos pelo ângulo correto – contanto, é claro, que exista tal ângulo a ser mostrado.
Estamos, pois, chegando a uma encruzilhada. O caminho que o PT escolher e que precisará ser indicado às suas bases terá que primar por uma sintonia fina do enfrentamento do debate político.
Se o cidadão comum sentir que é possível dialogar com o PT em relação às suas queixas, sentirá confiança em que o partido, se eleger de novo o governo, irá levá-lo a sério. Por outro lado, se a cúpula do PT abandonar a militância à própria sorte, provocará um desânimo fatal.
Ataques descabidos como sofreu recentemente o prefeito Fernando Haddad têm que ser rebatidos com dureza e com a indignação dos justos. Calar ante tais ataques confiando em que a economia tudo proverá será um erro fatal de avaliação.
Por fim, peço desculpas se estiver parecendo que tenho a fórmula da Coca-Cola da comunicação. Ninguém tem essa fórmula. Se alguém tiver, ficará muito rico. Mas certas fórmulas não precisam se igualar à do refrigerante hegemônico no mundo para vingar.
Um primeiro passo para achar tais fórmulas é sempre ouvir, pesquisar fundo sobre o que se ouviu e nunca, jamais, deixar que cresçam problemas detectados. Afinal, quando você for ver descobrirá que  cresceram tanto que já não são mais problemas, mas tragédias.