Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 16 de março de 2015

A "Revolução" da Elite Branca




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Residente da região da avenida Paulista, onde centenas de milhares de cidadãos organizados se reuniram no último domingo (15/3) para exigir a deposição da presidente Dilma Rousseff, ao sair de casa, por volta do meio dia, para ir registrar imagens, vejo-os saindo dos condomínios ao lado daquele em que resido.

Espalhafatosos e reluzentes em suas “armaduras” verde-amarelas, deixavam imóveis que custam entre 1 e 20 milhões de reais, em média, na região.

Caminho pelas ruas limpas, servidas por coleta de lixo eficiente, por policiamento farto, por todos os serviços públicos e privados de que se possa necessitar. Misturo-me a eles, ouço o que dizem enquanto marchamos, todos, rumo à paulista.

Quando chegamos à extremidade Sul da avenida, noto que aqueles que deixavam suas residências ainda sonolentos e de cabelo molhado, ingressam no shopping que leva o nome da avenida. Vou com eles. Grande parte tinha ido comer alguma coisa antes de ir à cruzada contra o governo que abomina.

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Reflito que, se todos os que moram na região forem se manifestar, somarão centenas de milhares, pois, apesar de ser uma região pequena, a esmagadora maioria das residências é composta de edifícios de 10, 15, 20 andares. Cada condomínio abriga 100, 200 pessoas.

Mas não eram só os habitantes daquela região que vinham chegando à Paulista. Eles também brotavam do chão, vindos dos bairros servidos pelo metrô – ou seja, só os bairros centrais.

Dizem que o governo Alckmin liberou as catracas do metrô para que todos pudessem se manifestar de forma mais econômica. Quem paga? Todos os paulistas, inclusive os que discordam da manifestação.

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Volto à avenida e eles continuam chegando de suas residências nas ruas transversais ou do subsolo.

Encantam-se com um homem vestido com a bandeira norte-americana, sugerindo coisa diferente do que diziam suas roupas verde-amarelas.


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Caminho mais alguns passos e vejo uma multidão de camisas amarelas aos berros, xingando, mostrando o dedo, vaiando alguma coisa que parecia estar no céu. Espantado, ergo os olhos e vejo alguém, no alto de um prédio, agitando uma bandeira vermelha do PT.

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A caminhada até manifestação gigantesca me permite afirmar que quem se manifestou contra Dilma Rousseff foi uma classe social de uma região específica de uma cidade que tem 11 milhões de habitantes, o que agiganta qualquer aglomeração humana que for convocada com sucesso.

O Blog produziu um vídeo dessa caminhada que permite comprovar o que diz o parágrafo anterior. Assista-o, abaixo, e tire suas conclusões. Em seguida, assista ao vídeo de entrevista que este blogueiro deu à TV dos trabalhadores






 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

53% dos paulistanos acham que falta d’água é culpa de Dilma e Haddad

água capa

Na última quarta-feira (7/1), a Sabesp foi autorizada pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) a aplicar multa de 40% a 100% para quem consumir mais água neste ano no comparativo entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. A medida deve ser publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (8).

Confira, abaixo, o gráfico explicativo sobre o sistema elaborado pelo governo paulista para punir quem consumir mais água do que o permitido.
água 1

Como se vê, não será preciso que os moradores da capital paulista gastem muita água para ser multados. Na verdade, terão que gastar menos água do que costumam gastar no verão, porque a base de cálculo que será utilizada pelo governo Alckmin para punir quem ultrapassar o racionamento – que, até agora, a mídia local não chamou pelo nome – se baseia na média de 12 meses de um ano antes de o problema se agravar (2013).

Como a média de 12 meses pega outono, verão e primavera, meses em que a população consome menos água, e é aplicada no verão, a base para multar os paulistanos, que apoiaram com tanto entusiasmo o governo Alckmin nas últimas eleições, é uma trapaça: quem não reduzir o consumo que costuma ter no verão, irá pagar até o dobro pela conta de água.

Os acionistas da Sabesp agradecem. Com o perdão pela piada infame, os detentores de ações da Sabesp (percentual infinitesimal da população da cidade) irão “lavar a égua”.

Como se explica, então, que o governador Geraldo Alckmin tenha conseguido se reeleger em 1º turno com uma votação tão consagradora? Como se explica, aliás, que mesmo após o anúncio das punições para quem não DIMINUIR o consumo de água não tenha havido uma revolta na cidade?

Nesta sexta-feira, o famigerado Movimento Passe Livre irá às ruas da capital paulista contra aumento de 50 centavos no preço das passagens de ônibus, apesar de que, de acordo com a prefeitura paulistana, “Desde o último reajuste, em janeiro de 2011, a inflação acumulada foi de 27%” e “O reajuste da tarifa básica, de R$ 3,00 para R$ 3,50, ficou abaixo disso, em 16,67%.”.

Pode-se dizer, portanto, que o preço das passagens ficou mais barato para os paulistanos, nos últimos anos, pois os salários subiram em 2012, 2013 e 2014 e as passagens, não.

Aliás, o fato é que os paulistanos não estão pagando menos pelas passagens. Como a prefeitura herdou contrato com as empresas de ônibus que preveem aumentos anuais, o erário paulistano – ou seja, o povo – está pagando os aumentos do mesmo jeito, ainda que não sinta na catraca dos ônibus.

Mas o que importa mesmo é que enquanto um grupo de paulistanos vai à rua para protestar contra um pequeno aumento no preço das passagens, ninguém sai para protestar contra o descomunal aumento no preço da água justamente quando o serviço prestado pelo governo do Estado, nesse setor, piora de forma absurda, com racionamento velado e preços MUITO mais caros.

A que se deve isso? Deve-se ao fato (comprovado) de que a maioria dos moradores da capital paulista não sabe de quem é a responsabilidade pela distribuição de água, mas pensa que sabe.

Durante o primeiro turno das eleições deste ano, a população paulistana escolheu seu novo governador sem saber que o problema de água, que então já se fazia sentir, foi causado por incompetência dos governos do PSDB desde 2004.

A insuficiência do Sistema Cantareira, que abastece 47% da região metropolitana de São Paulo, é um problema que o governo paulista conhecia desde 2004. Naquele ano, a Agência Nacional de Águas (ANA), órgão federal, renovou a concessão da Sabesp para distribuir água no Estado de São Paulo. No documento de concessão da outorga dada à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 2004 para explorar por dez anos o reservatório Cantareira, o artigo 16 estipulava que a empresa deveria realizar em 30 meses “estudos e projetos que viabilizassem a redução de sua dependência do sistema”.

Passaram-se dez anos e nada foi feito.

Ainda assim, Alckmin se reelegeu com 57% dos votos válidos. Em primeiro turno. Ele e José Serra, que governaram São Paulo de 2004 até o ano passado, não cumpriram o acordo firmado naquele ano com o governo Lula e, ainda assim, a população paulistana apoia o PSDB como se estivesse fazendo um grande governo.

A explicação para isso está em uma pesquisa Datafolha publicada no dia 20 de outubro, que mostra que a população da maior cidade do país não sabe de quem é a culpa pelo sofrimento que vem passando com o racionamento velado de água – que irá piorar, porque, além desse desconforto, ainda terá que pagar mais pelo péssimo serviço da Sabesp.

A pesquisa Datafolha em questão foi divulgada pelo jornal naquele mês, mas escondeu um dado assustador: 53% dos paulistanos atribuem os problemas na distribuição de água a Dilma Rousseff e ao prefeito Fernando Haddad, ambos do PT, apesar de a responsabilidade pelo problema ser exclusivamente do governo do Estado, controlador da Sabesp.

O problema do abastecimento de água em São Paulo só começou a ser tratado com maior intensidade pela imprensa local após a eleição em primeiro turno, que Alckmin venceu com um pé nas costas. Em 20 de outubro, o problema ganha manchete de primeira página na Folha de São Paulo.

água 2

Porém, em nenhum momento o jornal publicou um destaque para esse dado impressionante de que a maioria dos paulistanos estava equivocada sobre a responsabilidade por um problema que tem torturado a população. Das quatro matérias que trataram do assunto, a informação foi dada num pé de página escondido lá no caderno “cotidiano”.

água 3

Claro que os adversários de Alckmin tentaram explicar à população paulistana que o governador que ela estava reelegendo é que tinha responsabilidade pela crise de abastecimento de água, mas essa população estava tão embriagada pelo antipetismo que nem se deu ao trabalho de assistir o horário eleitoral.

Restaria à imprensa local explicar aos zumbis que habitam a maior e mais rica cidade do país que os governos do PSDB ficaram sentados em cima do problema de abastecimento de água durante uma década (desde 2004) sem tomar providências, mas essa mesma imprensa se absteve, vergonhosamente, de tratar do assunto durante a campanha – só foi noticiar alguma coisa DEPOIS do primeiro turno.

É o pior é que, como paulistano, nem posso dizer que será bem feito o sofrimento por falta de água que estamos passando – e que deve aumentar nos próximos meses -, pois, apesar de integrar a minoria consciente que sabe por que meu Estado piorou tanto ao longo de 20 anos de governos do PSDB, também estou sofrendo com falta de água.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Choque de lodo: o mar de lama do PSDB

São Paulo vai beber lodo: Agencia Nacional de Água adverte que os derradeiros 200 bilhões de litros do volume morto da Cantareira encontram-se disponíveis em meio ao lodo; 20 anos de gestão tucana em SP não foram suficientes para obras que, em dois anos, evitariam o que se prenuncia: paulistano vai beber lodo se não chover muito nas próximas semanas

Leonardo Meirelles, dono do laboratório Laboagen, biombo para atuação do doleiro Alberto Youssef, afirma que outros políticos do PSDB, além do presidente do partido, Sergio Guerra, receberam dinheiro desviado de contratos da Petrobrás

Bola de neve: Dilma reúne 30 mil pessoas em comício em Petrolina (PE),nesta 3ª feira; 40 mil em Goiana (PE) e 50 mil no fim da tarde em Recife, no estado tido como ponta de lança de Aécio no Nordeste

Inflação em descontrole? Taxa média no 1º governo FHC, 9,4%; média no 2º mandato tucano, 8,7%; média no 1º governo Lula, 6,5%; média no 2º Lula, 5,2%; média no 1º ciclo Dilma, 6,17% (Brasil Econômico)

Não deixa de ser potencialmente devastador que quem acusa o PT de jogar o país num mar de lama, agora só tenha 200 bilhões de litros de lodo a oferecer ao povo

por: Saul Leblon

Arquivo



O depoimento do diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, nesta 3ª feira, na Assembleia Legislativa de São Paulo, caiu como uma bomba na reta final da campanha presidencial de 2014.

Ele disse aquilo que o PSDB se recusa a admitir: restam apenas 200 bilhões de litros do volume morto do sistema Cantareira, que provê boa parte da água consumida na cidade.

Outros 300 bilhões/l de um total de 500 bi/l já foram acionados.

Mas o pior de tudo: a derradeira reserva de água da cidade encontra-se disponível na forma de lodo.

Dele terá que ser separada para acudir a sede paulistana caso não chova o suficiente no próximo verão.

Ainda que isso ocorra, as chances de São Paulo ficar à mercê do lodo no inverno de 2015 são significativas.

Corta para a campanha eleitoral de Aécio Neves em que o estandarte da eficiência tucana é martelado diuturnamente como um tridente contra aquilo que se acusa de obras e planos nunca realizados por culpa da (Aécio enche a boca e escande as sílabas) ‘má go-ver-nan-ça’.

Corta de volta para um fundo de represa com 200 bilhões de litros de lodo.

Essa é a retribuição que o PSDB prepara para o colégio eleitoral em que seu candidato Aécio Neves teve a mais expressiva votação no primeiro turno da disputa de 2014.

Atribuir a ingratidão a São Pedro é um pedaço da verdade, que vale tanto mais para a inflação, por exemplo, 'acima da meta, segundo acusa o salvacionismo conservador.

Num sugestivo contorcionismo eleitoral, seu candidato minimiza o impacto da seca no custo dos alimentos, ao mesmo tempo em que apela à meteorologia para abonar o colapso em marcha em São Paulo.

Ou isso ou aquilo?

A rigor muito mais aquilo.

Estocar comida, que não grãos, caso do vilão tomate, por exemplo, está longe de ser uma opção exequível em larga escala no enfrentamento de uma seca. Mas estocar água e planejar dutos interligados a mananciais alternativos, calculados para enfrentar situações limite, mesmo que de ocorrência secular, é uma obrigação primária de quem tem a responsabilidade pelo suprimento de grandes concentrações urbanas.

O custo de não fazê-lo é o caos,

Com as consequências imprevisíveis que agora assombram o horizonte dos cerca de 20 milhões de moradores da Grande São Paulo.

Não por acaso, Nova Iorque e o seu entorno, com uma população bem inferior, de nove milhões de habitantes, nunca parou de redimensionar a rede de abastecimento de água, movida por uma regra básica de gestão na área: expansão acima e à frente do crescimento populacional.

Tubulações estendidas desde as montanhas de Catskill, situadas a cerca de 200 kms e 1200 m de altitude oferecem ao novaiorquino água pura, dispensada de tratamento e acessível direto da torneira.

Terras e mananciais distantes são periodicamente adquiridos pelos poderes públicos para garantir a qualidade e novas fontes de reforço da oferta.

O sistema de abastecimento de Nova York reúne três grandes reservatórios que captam bacias hidrográficas preservadas em uma área de quase 2.000 km2.

A adutora original foi inaugurada em 1890; em 1916 começou a funcionar outro ramal a leste da cidade; em 1945 foi concluída a obra de captação a oeste, que garante 50% do consumo atual.

Mesmo com folga na oferta e a excelente qualidade oferecida, um novo braço de 97 kms de extensão está sendo construído há 20 anos.

Para reforçar o abastecimento e prevenir colapsos em áreas de expansão prevista da metrópole.

Em 1993 foi concluída a primeira fase desse novo plano.

Em 1998 mais um trecho ficou pronto.

Em 2020, entra em operação um terceiro ramal em obras desde o final dos anos 90.Seu objetivo é dar maior pressão ao conjunto do sistema e servir como opção aos ramais de Delaware e Catskill, que estão longe de secar.

Uma quarta galeria percorrerá mais 14 kms para se superpor ao abastecimento atual do Bronx e Queens.

Tudo isso destoa de forma superlativa da esférica omissão registrada em duas décadas ininterruptas de gestão do PSDB no Estado de São Paulo, objeto de crítica até de um relatório da ONU, contestado exclamativamente pelo governador reeleito, Geraldo Alckmin.

Se em vez do mantra do choque de gestão, os sucessivos governos de Covas, Ackmin, Serra e Alckmin tivessem reconhecido o papel do planejamento público, São Paulo hoje não estaria na iminência de beber lodo.

O Brasil todo desidrata sob o maçarico de um evento climático extremo. Mas desde os alertas ambientais dos anos 90 (a Rio 92, como indica o nome, aconteceu no Brasil há 22 anos) essa é uma probabilidade que deveria estar no monitor estratégico de governantes esclarecidos.

Definitivamente não se inclui nessa categoria o tucanato brasileiro que em 2001 já havia propiciado ao país um apagão de energia elétrica pela falta de obras e renúncia deliberada ao planejamento público. Os mercados cuidariam disso com mais eficiência e menor preço.

Ademais de imprevidente, o PSDB desta vez mostrou-se mefistofelicamente oportunista na mitigação dos seus próprios erros.

Ou seja, preferiu comprometer o abastecimento futuro de 20 milhões de pessoas, a adotar um racionamento que colocaria em risco o seu quinto mandato em São Paulo.

Não conseguiria concluir a travessa sem a cumplicidade da mídia conservadora que, mais uma vez, dispensou a um descalabro tucano uma cobertura sóbria o suficiente para fingir isenção, sem colocar em risco o continuísmo no estado.

É o roteiro pronto de um filme de Costa Gavras: as interações entre o poder, a mídia, o alarme ambiental e o colapso no abastecimento de água em uma das maiores manchas urbanas do planeta.

Tudo sincronizado pelo cronômetro eleitoral da direita.

O PSDB que hoje simula chiliques com o que acusa de ‘uso político da água’, preferiu ao longo das últimas duas décadas privatizar a Sabesp, vender suas ações nas bolsas dos EUA e priorizar o pagamento de dividendos a investir em novos manaciais.

Mais um subtexto para o filme de Costa Gavras: a captura dos serviços essenciais pela lógica do capital financeiro.

Enquanto coloca em risco o abastecimento de 20 milhões de pessoas, revelando-se uma ameaça à população, a Sabesp foi eleita uma das empresas de maior valorização na bolsa de Nova Iorque.

Não sem motivo: destina ¼ de seu lucro à distribuição de dividendos à Internacional dos Acionistas, para tomar emprestado uma alegoria do governador Tarso Genro.

Como em um sistema hidráulico, o dinheiro que deveria financiar a expansão do abastecimento, vazou no ralo da captura financeira.

"Como a reserva fica no fundo, se a crise se acentuar, não haverá outra alternativa a não ser ir no lodo e tirar essa água”, confirmou o diretor presidente da agência nacional, no debate “A falta de água em São Paulo”, realizada na ALESP.

As chances de uma chuva redentora que evite o indigesto desfecho são reduzidas, segundo os serviços de meteorologia.

Mesmo que a pluviometria neste verão fique em 70% da média para a estação, o sistema Cantareira --segundo os cálculos da ANA-- ingressará no segundo trimestre de 2015 praticamente com 5% de estoque (hoje está com 3,2%).

Ou seja chegará no início da estação seca de 2015 com a metade da reserva que dispunha em abril deste ano; e muito perto da marca desesperadora vivida agora, na antessala das chuvas de verão.

O lodo que espreita as goelas paulistanas não pode ser visto como uma fatalidade.

Dois anos é o tempo médio calculado pelos especialistas para a realização de obras que poderiam tirar São Paulo da lógica do lodo. Portanto, se ao longo dos 20 anos de reinado tucano em São Paulo, o PSDB de FH e Aécio Neves, tivesse dedicado 10% do tempo a planejar a provisão de água, nada disso estaria acontecendo.

Infelizmente, deu-se o oposto. De 1980 para cá, a população de São Paulo mais que dobrou. A oferta se manteve a mesma com avanços pontuais.

O choque de gestão tucano preferiu se concentrar em mananciais de maior liquidez, digamos assim.

Entre eles, compartilhar os frutos das licitações do metrô de SP com fornecedores de trens e equipamentos. A lambança comprovada e documentada sugestivamente pela polícia suíça, até agora não gerou nenhum abate de monta no poleiro dos bicos longos.

‘Todos soltos’, como diz a presidenta Dilma.

Lubrificada pelo jeito tucano de licitar, a rede metroviária de São Paulo, embora imune a desequilíbrios climáticos, de certa forma padece da mesma incúria que hoje ameaça as caixas d’agua dos paulistanos.

O salvacionismo tucano em São Paulo não conseguiu fazer mais que 1,9 km de metrô em média por ano, reunindo assim uma rede inferior a 80 kms, a menor entre as grandes capitais do mundo.

A da cidade do México, que começou a ser construída junto com a de São Paulo, tem 210 kms.

O planejamento público que a ortodoxia abomina, ao lado do mercado interno de massa que seus colunistas desdenham, representam, na verdade, as duas grandes turbinas capazes de afrontar o contágio da estagnação mundial no Brasil.

Tudo isso tem sido solenemente ignorado, quando não demonizado, pelo salvacionismo conservador nesta campanha presidencial.

O mito da gestão tucana é o que de mais reluzente o discurso de Aécio Neves tem a esgrimir para afrontar o que caracteriza como sendo um Brasil aos cacos, após 12 anos de governo do PT.

As ironias da história podem ser demolidoras nessa reta final de campanha.

Não deixa de ser potencialmente devastador que quem acusa o PT de jogar o país num mar de lama, agora só tenha 200 bilhões de litros de lodo a oferecer à população de SP para matar a sede.

É essa a garantia de abastecimento de água na capital de um estado onde o festejado choque de gestão está no poder há 20 anos. Ininterruptos.

O legado recomenda uma recidiva da receita para todo o Brasil?

Com a palavra o discernimento popular.

Bom voto.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A covardia de uma elite doente !

Enio Barroso Filho 
Estão me pedindo para divulgar mais esse meu caso e é o que farei me valendo dos amigos Rodrigo Vianna Conceição Oliveira Luiz Carlos Azenha Eduardo Guimarães Conversa Afiada Oficial Fernando Brito Miguel Do Rosario Willians Miguel Renato Rovai e todos que acharem importante reproduzir.
Estou bem !!! Não me machucaram fisicamente !!!

Repetindo o post --->

PRECISO CONTAR DA AGRESSÃO QUE SOFRI

Quase todos aqui sabem que sou cadeirante devido ser acometido por uma doença degenerativa que me extingue aos poucos a forças musculares. Já praticamente nas as tenho mais.
Terça-feira saí de casa para participar do "Churrascão da Gente Desinformada" na Praça Roosevelt a noite e vesti minha camisa vermelha, paramenteia-a de adesivos pró Dilma acompanhados da minha velha estrelinha de metal do PT que ostento com orgulho e de cabeça erguida desde Fevereiro de 1980, data da fundação do PT.

Saltei na estação República do Metrô e como não havia nenhum elevador funcionando (muitas estações estão assim depois da eleição do 1º turno) funcionários me levaram pela escada rolante e saí pela Rua do Arouche. Estava escuro e ermo como quase todo o centro de São Paulo nas noites de hoje. Nisso um carro (acho que era Pajero) encostou na calçada e seus ocupantes começaram a me xingar pedindo que eu tirasse a camisa. Respondi que não e lhes disse

"- É Dilma !!!"
PRA QUÊ !!! Um deles disse:
"-Te conheço da internet, "petralha do ca...alho" !!! Estamos de olho !!!"
e outro anunciou:

"-Não é porque você é um aleijado comunista que não mereça uma surra pra te endireitar"
VEJAM BEM O TERMO USADO ---> "ENDIREITAR !!!".

Mandei irem à merda e os três brutamontes carecas e bombados (menos o motorista) desceram e começaram a chacoalhar a minha cadeira tentando me derrubar. Gritavam muito e um deles me deu um tapa na cabeça. Pareciam drogados, enfurecidos !!! Não tive medo já que isso não é novidade para mim. Na ditadura militar enfrentava soldados armados por quem fui preso quatro vezes mas NUNCA por civis !!! Muitas pessoas viram mas nada fizeram a não ser uma moça do outro lado da rua que gritou

"Polícia !!!".

Foi aí que eles me deixaram, entraram no carro e seguiram sem pressa.
Evidente que não pude anotar a placa devido as circunstâncias, Só notei dois adesivos no carro "chic", "AÉCIO 45" e aquele conhecido "FORA DILMA e leve o PT junto" mas os rostos dos "elementos" enfurecidos eu não esquecerei jamais !!!
Segui meu caminho na direção da Pça. Roosevelt e encontrando uma dupla de PMs contei o ocorrido.

O PIOR VEM AGORA !!! Um dos PMs disse que como não anotei a placa do veículo nada poderia fazer e me "orientou" a não andar por aí com "esse tipo de estrelinha e esse tipo de adesivo" pois isso nessas épocas "é muito perigoso".

NUNCA ME SENTI TÃO REVOLTADO !!! Tenho certeza que se fosse o contrário e eu sendo um riquinho "bem trajado" e com as cores políticas "certas" a reação dos policiais seria outra.É esse o estado em que se encontra o Estado de São Paulo, uma beligerância !!! Uma guerra tal qual as guerras de torcidas que marcam as camisas de torcedores dos times adversários para lhes cobrirem de porrada se possível até a morte !!!

A nossa sociedade está envenenada e não dividida !!! O veneno sabemos de onde vem, VEM DA MÍDIA COMERCIAL E GOLPISTA !!! Ou acabamos com ela ou ela acaba com a política e com o Brasil !!!
Tem gente que pensa que democracia é só para eles, que liberdade de expressão é só para eles. Tem gente querendo também a "liberdade de espancamento" !!! Nazistas na Alemanha e agentes do Apartheid na

África do Sul faziam assim. Deu no que deu.

Não há notícias de agressão partindo de petistas (a não ser uma ou outra bolinha de papel) mas do lado de lá a baba de ódio escorre pela boca como cachoeira !!!

Queria escrever mais mas meu dedo cansou... MAS EU NÃO !!!

É DILMA 13 CADA VEZ MAIS CONVICTO !!!

É MAIS PT NELES !!!

É TRABALHADOR NO PODER !!!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A CARA DA ELITE BRASILEIRA


Mensagem de Feliz Dois mil e 13 a um "passageiro" da VIDA e deste "Trem"


Ricardo Santis

O Sr. esteve neste meu blog "PTrem das Treze" no dia 29 de outubro de 2012 onde postou às 19:35 h. o seguinte "comentário":



" Velho... deus sabe o que faz.... te deixou manco por tanta merda que fala ! O pior é seu discurso de idiota puxa saco de plantão... espero que morra logo !"



conforme este link:  AQUI

Te esclareço que NÃO SOU "MANCO". Sou sim cadeirante e não ando já há 4 anos devido ser eu acometido de Distrofia Muscular Progressiva, doença degenerativa e sem cura ou tratamento que tornou-se para mim a minha melhor amiga, apesar de saber que ela me levará SIM à morte mais cedo do que eu poderia esperar. Mas EU SEI da minha doença e pelo conteúdo do teu comentário, você não sabe da tua. 
Vivemos uma democracia onde é livre o pensar. Tenho o direito de fazer minhas escolhas políticas assim como você tem o direito E O DEVER de ter as tuas. Isso não me faz desejoso da tua "morte", ao contrário, eu me considero antes de tudo um humanista, amante da VIDA a qual desejo em plenitude a TODOS os meus semelhantes. Principalmente para aqueles que por um motivo ou por outro se "atrasaram" em subir a ladeira da evolução humana. A esses eu espero... e lhes estendo a mão. Assim, creio eu, chegaremos juntos e abraçados ao destino final de nossa passagem por aqui. 
A VIDA É UMA ESCOLA E NÃO UM JOGO !!! Devemos aprender sempre sem esperar "diplomas" ou "certificados de conclusão" e não podemos fazer dela, A VIDA, um jogo onde se deva vencer a qualquer preço posto que para que um vença, sempre haverá quem deva perder. Eu não quero "vencer na vida". Acredito em um mundo coletivista em que não precisemos de MUITO, mas apenas UNS DOS OUTROS !!! 
Só quem descobre cedo que vai morrer é que pode valorizar e amar tanto a VIDA como eu procuro sempre fazer. 
Te escrevo essa mensagem para que os teus familiares e amigos das redes sociais possam saber o que andas escrevendo na internet. Vou enviar também para o site e a página da empresa na qual você trabalha. Assim todos nós JUNTOS poderemos, não tenho dúvidas, ajudar-te no tratamento e tentar a cura da tua grave doença: A INTOLERÂNCIA !!!
Tenho fé de que sigas FELIZ !!!

Abraço

Enio Barroso Filho

Ricardo Santis

Twitter: @ricardosantis


Depois de detonar a CPMF para financiar o SUS, Huck diz sonhar com saúde pública 'decente'


Deixando de lado o erro de português de Luciano Huck (escreveu "descente" em vez de decente), e o elitismo do 247 para cima da Sabrina Sato, que nem fez nenhuma declaração indevida, o pior são as atitudes incoerentes do apresentador tucano.

Hoje Huck se apresenta como "bonzinho", com compaixão pelos usuários do SUS, mas em 2007 ele se engajou ferozmente na campanha neoliberal demotucana para retirar R$ 40 bilhões por ano do orçamento do SUS, detonando a CPMF.

Huck seria o apresentador voluntário do show gratuito promovido pela FIESP em São Paulo contra a CPMF. Com nomes de cantores famosos, esperava atrair um público de 2 milhões de pessoas. O público foi só 7 mil pessoas. Com esse público pífio, Huck cancelou sua participação de última hora, alegando "problemas de agenda".

Mesmo assim a bancada demotucana no senado, com ajuda do PSOL, conseguiu detonar a CPMF. O empresário Luciano Huck ficou mais rico ao embolsar para o si o dinheiro que pagava de CPMF e era usado para financiar o SUS. A saúde pública ficou mais pobre do que deveria, apesar dos esforços do governo Lula e Dilma para repor e aumentar as verbas.

Ah... E o Plano de Saúde do banco que Huck é garoto propaganda se deu bem, pois enquanto a saúde pública tiver má fama, o cidadão se sacrificará, enquanto puder, para pagar plano de saúde privado.

Mas deixa o Huck prá lá. O SUS, apesar de sabotado, vai se tornar um sistema cada vez mais decente, pelos esforços:

- do governo federal para aumentar as verbas e melhorar a gestão;

- dos bons prefeitos e governadores para fazer funcionar bem as unidades de saúde;

- para combater os desvios que ocorrem onde há maus prefeitos, governadores e maus gestores;

- de conscientização do cidadão brasileiro trabalhador de classe média, ao tomar conhecimento de que pode ser muito melhor atendido, com mais qualidade, por melhores profissionais de saúde, e atendimento mais humanizado, se todos contribuírem para financiar a saúde pública, de acordo com a renda de cada um, pagando de "imposto" muito menos do que as mensalidades de planos de saúde privados. Como ocorre no Canadá e em muitos países da Europa.

domingo, 21 de outubro de 2012

SONINHA , O PALAVRÃO E A DERIVA DA CIVILIZAÇÃO


*Cem mil ingleses protestam nas ruas de Londres contra o arrocho neoliberal 


Soninha Francine espetou um palavrão em seu blog ao final do debate desta semana entre Fernando Haddad e Serra. O disparo dirigido ao petista, a quem se referiu como 'filho da puta',  foi um grito de fracasso de quem sentiu a corda comprimir o costado, num duelo que o tucano tinha a obrigação de vencer. Soninha é responsável por aquilo  em que se transformou. Mas o que deixou de ser envolve questões mais sérias do que a irrelevância do seu palavrão.  Soninhas,  Gabeiras e equivalentes  emergem no cenário político de forma recorrente. Chegam associados (nem sempre de verdade) ao ideário geracional resumido no tripé "jovem, idealista & libertário", um renovado esforço de buscar harmonia entre valores, modo de vida e ação política. Existe um prazo de validade para isso se reverter em uma travessia consequente, de longo curso. O prazo de Soninha esgotou. Carta Maior recomenda a leitura do manifesto 'Em Defesa da Civilização' (nesta pág). Repousa ali a prova de que o leque de escolhas da juventude pode ser maior do que o labirinto abafado no qual  Soninha encerrou a sua. (LEIA MAIS AQUI)

 



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Não desista de São Paulo

Na noite de quinta-feira publiquei crônica cheia de ironia em que disse que se realmente a foto com Maluf for motivo para enterrar a candidatura Haddad será melhor os paulistanos que pensam votarmos em Serra – pelo menos ficaríamos com uma desgraça conhecida.
Pouco depois, no Twitter, disse que esperava apanhar muito pelo que escrevi, o que seria sinal de que a militância não desistiu, ainda, de livrar São Paulo do pesadelo obscurantista em que está mergulhado. Valeu a pena esperar. Apanhei que nem gente grande.
Essa é uma das estratégias que proponho à campanha de Fernando Haddad: é preciso fazer as pessoas pensarem. Elas têm que refletir sobre o amanhã em vez de sobre idiossincrasias momentâneas.
Diante da constatação de que a militância não está morta exorto a você que com razão sentiu-se mal com a foto desastrada com Maluf a que não desista – não de Fernando Haddad, não de Lula, não do PT, mas de São Paulo.
Dizia ontem no Twitter, também, que quem quiser saber a desgraça que se abateu sobre a capital paulista que vá, por exemplo, ao Largo São Francisco no fim da tarde e veja a maré humana que vai chegando e ajeitando, no meio da rua, suas “camas” de papelão ou seus cobertores imundos.
Kassab (e Serra) fecharam todos os abrigos no centro expandido de São Paulo e os reabriram na periferia na esperança de empurrar para as franjas da cidade aqueles “indesejáveis”. Como resultado – já que a vida deles e seu ganha-pão estão no centro -, passaram a dormir nas ruas.
Agora, Kassab acha que vai expulsar essa população de rua tirando seus meios de se alimentar. Proibiu entidades privadas de servirem “Sopão” nos locais em que estão os que dele precisam. Sem cama, sem comida, esses mortos-vivos seriam, finalmente, defenestrados.
Kassab é um idiota.
A cidade está tomada pela população de rua. Desorientada, suja, drogada, surrada, desalentada, revoltada…
Não, eu não desisto de São Paulo. Não desisto da política porque alguém vai ganhar a eleição e vai governar. E vai influir na minha vida. Desistir de Haddad por aquela foto idiota significa desistir de São Paulo, de uma candidatura que poderia resgatar a cidade.
Se você for paulistano e estiver se sentindo assim, pense bem. Analise as alternativas. Se você pretendia lutar pela candidatura Haddad e desistiu pela foto com Maluf não está punindo o petista, mas a você mesmo e à sua família.
Alguém como você é capaz de perceber o estado em que está a cidade e como isso representa até perigos impensáveis para todos nós. Será que você tem o direito de tomar uma decisão como essa sem ao menos refletir um pouco mais?
Agora, se você não for daqui, por favor, tenha piedade de nós, paulistanos. Nem se Haddad tivesse tirado foto com o capeta valeria a pena entregar os pontos para os que estão demolindo São Paulo pedra por pedra. Se vencerem a eleição, vão continuar.
*
Abaixo, a provocação que escrevi. Os comentários publicados até por volta de 23 horas de quinta-feira mostram que muita gente não desistiu. Desceram o sarrafo em mim. Ainda bem
Se Haddad estiver “morto”
Publicado em 28 de junho às 18:02 hs.
Pesquisa Datafolha que acaba de ser divulgada não chega a ser promissora para a candidatura Fernando Haddad – caso a pesquisa seja verdadeira, claro. Mais ainda, os números sugerem que o candidato do PT pode ter sofrido um golpe mortal – a foto (e não o fato) de sua aliança com o “dono” do PP paulistano, Paulo Maluf.
Para piorar, a pesquisa também mostra que uma parcela muito pequena do eleitorado malufista se dispõe a acatar sua indicação de voto para prefeito da capital paulista. E, para coroar tudo, o fato de que essa “rebeldia” do eleitorado malufista se deve a que este, como o petista, considera inaceitável essa aliança específica entre PT e PP.
Ou seja: os pruridos “éticos” vicejam dos dois lados. Talvez até mais no PP do que no PT. O eleitorado petista ou o malufista consideram que não há justificativa em São Paulo para aliança que já existe em nível federal porque, aqui, Maluf e Haddad estarão se misturando com o inimigo de uma vida.
O eleitorado malufista, porém, sabe que não perde nada se não votar em Haddad – no dia seguinte à eleição Maluf estará compondo com o eleito, seja José Serra, Celso Russomano ou Gabriel Chalita, que, pela ordem, são os mais bem colocados na pré-disputa eleitoral.
Todavia, essa é uma pesquisa meio esquisita. A margem de erro é a maior estrela. Os três pontos são margem muito alta, pouco usual em um município, onde o campo da pesquisa é menor.
Haddad perdeu dois pontos percentuais, Russomano ganhou três e Serra subiu um, todos dentro da margem de erro da pesquisa. Esquisito, hein…
Poderia ser manipulação? Bem, não seria a primeira vez. Para quem não sabe, em 2010 a Procuradoria-Geral Eleitoral, a pedido do Movimento dos Sem Mídia, mandou a Polícia Federal abrir inquérito para investigar possíveis fraudes nos institutos Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi.
Detalhe: o inquérito está correndo…
Mas digamos que o Datafolha tenha captado uma tendência. Se essa pesquisa for verdadeira, se não for só uma manipulação da margem de erro, Haddad está na UTI com chances não muito generosas de sobreviver.
Se assim for, vale a pena refletir que talvez seja mais seguro para uma metrópole combalida como São Paulo não deixar que Russomano ou Chalita se elejam. A situação está muito feia em minha cidade. Talvez seja melhor deixar quem a governa continuar governando do que pôr no lugar as alternativas.
Haddad é um candidato extremamente bem preparado. Tem propostas concretas para reverter a maquiagem da Cracolândia, para acabar com o vergonhoso dormitório a céu aberto em que as ruas do centro velho de São Paulo se transformam no finzinho da tarde, tem propostas para o transporte público, para o trânsito caótico, para as enchentes…
Haddad é um profissional da administração pública. Serra é tarimbado, também, e sabe tudo sobre São Paulo, ainda que suas idéias sejam horrorosas porque é hoje um despachante da elite paulista. Mas Russomano e Chalita são curiosos. Podem piorar o que já está ruim.
Para quem não vive em São Paulo, tanto faz. A derrota de Serra seria saborosa. Um ex-governador e ex-candidato a presidente por duas vezes perder uma eleição municipal para um dos políticos quase amadores que o enfrentarão será de fazer petista ir ao delírio, mas só se não viver nesta cidade.
Não sei da aliança com Maluf. Disse e repito que foi uma burrada, mas, agora, não há reversão possível. Se o PT romper a aliança ficará com o prejuízo de imagem e ainda perderá o tempo de televisão e rádio. Quero pensar, portanto, no Day After .
A eleição de Haddad é – ou era – a esperança de reerguer isto aqui, mas, pelo que vi entre a militância petista, somando com os indícios (nada mais do que indícios) do Datafolha, não me parece demais dizer que o petista pode estar eleitoralmente morto. Sendo assim, talvez seja melhor votar na desgraça conhecida.

Mais do que nunca, hoje mais atual do que sempre.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Spike Lee a uma negra: por que não virar a mesa ?

Lee ficou com a impressão certa dos negros brasileiros ?


Spike Lee, diretor de “Faça a coisa certa” (1989), esteve com a Presidenta Dilma – clique aqui para ver no Blog do Planalto – para falar de seu próximo filme “Go Brazil go!”.

Lee entrevistou Matilde Ribeiro e perguntou por que havia tão poucos negros no Governo.

Ribeiro foi por cinco anos Ministra da Igualdade Racial, com o presidente Lula.

Ribeiro tratou das diferenças entre a situação dos negros no Brasil e nos Estados Unidos e lembrou que só agora os americanos escolheram um presidente negro.

Lee quis saber se uma brasileira poderia vir a ser Presidenta.

Ela disse: “temos que almejar o máximo”.

Embora, no Brasil, o processo político seja mais lento.

Ribeiro ficou com a impressão de que Lee acha os negros brasileiros uns frouxos.

Lee disse que a Abolição dos escravos nos EUA ocorreu apenas vinte anos antes da brasileira, e os negros americanos avançaram muito mais.

Lee perguntou: por que vocês não viram a mesa ?

Em tempo: depois de uma entrevista à BBC, Ribeiro disse que quem tem memória do açoite não tem obrigação de amar quem açoitou. Antes, ela tinha dito que existe racismo no Brasil e só uma ação coletiva  de negros e brancos poderia superá-lo. Por causa da frase sobre o açoite, a senadora Katia Abreu processou Matilde Ribeiro por racismo. Depois de dois anos de luta judicial, o Ministério Público mandou Katia Abreu lamber sabão. Ela queria que Ribeiro fosse a primeira negra condenada por racismo contra negros, no Brasil.

Em tempo2: esse post é uma singela homenagem a Ali Kamel e Heraldo Pereira, responsáveis, entre outros, pela defesa exposta em “Gilmar, Kamel e Heraldo – como PHA se defendeu”.


Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Ricardo Boechat: São Paulo, a Justiça e o escárnio da reintegração de posse na favela do Pinheirinho


Wálter Maierovitch: A juíza e o último escárnio no Pinheirinho

por Wálter Fanganielo Maierovitch, em seu blog  no Terra Magazine via VIOMUNDO
Nos EUA, cerca de 40 estados-federados escolhem, pelo voto, os seus magistrados e os seus promotores de justiça.
Os juízes federais e os procuradores federais norte-americanos são escolhidos pelo presidente da República e entram em função depois de aprovação pelo Senado. Idem com relação aos procuradores.
O sistema tem a lógica democrática, pois o juiz é órgão do poder, cujo detentor é o povo. O sistema Europeu, que me parece melhor, mistura magistrados concursados publicamente e jurados leigos.
No Brasil, os juízes são concursados, exceção aos que ingressam pelo chamado quinto-constitucional (advogados de notório saber e reputação ilibada e membros do Ministério Público), os escolhidos para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e os participantes do Tribunal do Júri, que julgam apenas os crimes dolosos contra a vida.
Mas, uma coisa é certa e incontestável. Qualquer que seja o sistema — americano, europeu ou brasileiro –, um juiz, ao julgar ou dar liminares, atua como representante do povo.
Ontem, um espetáculo grotesco e inusitado foi protagonizado pelo Judiciário no chamado bairro do Pinheirinho. A juíza que concedeu reintegração – com precipitação pois não exauriu a via conciliatória e nem exigiu dos poderes públicos uma responsável solução para alojar os despojados das suas residências –, recebeu, no local e solenemente, o mandado cumprido pela tropa de choque da Polícia Militar.
Essa sua conduta é inusitada, no Judiciário. Como regra, os mandados judiciais cumpridos são comunicados, por ofício protocolado no Fórum. E os juízes os recebem pela mão do escrivão ou já juntados em autos processuais.
Faltou, lógico, um fundo musical. Com a banda Legião Urbana a perguntar: Que país é esse ?
Sim, que país e esse que a Justiça, que decide em nome do cidadão, joga o povo ao léu.
Com efeito. Ontem foi concluída a reintegração na posse, determinada por ordem judicial da 6ª.Vara da comarca de São José dos Campos,  no chamado bairro Pinheirinho, com 1,3 milhão de m2 de área e que foi ocupado por  cerca  6 mil moradores a partir de 2004.
A reintegração deu-se em favor da massa falida da Selecta Comércio e Indústria S/A, uma holding administrada, até a quebra em 2004, pelo mega-especulador Naji Nahas.
Naji Nahas jamais foi condenado pela Justiça brasileira. A propósito de alguns escândalos noticiados pela imprensa, Nahas não foi responsabilizado criminalmente quando acusado de quase quebrar a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Preso preventivamente, beneficiou-se da liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes em favor do banqueiro Daniel Dantas. Também, beneficiou-se da decisão, ainda não definitiva,  do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que anulou a Operação Satiagraha: a anulação foi fundada na canhestra conclusão da participação, ainda que burocrática, de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Contra essa decisão anulatória votaram os ministros Gilson Dipp e Laurita Vaz.
Com a reintegração de posse concluída, restará prejudicado, pela perda de objetivo, o pedido feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) de suspensão  da operação militar conduzida pela tropa de choque da Polícia Militar de São Paulo e com cerca de 1.500  famílias sem ter onde ir.
Como se nota, não houve tempo oportuno para ser apreciado, em sede liminar e pelo STF, o pedido de suspensão da reintegração. Em São Paulo, a decisão foi mantida e o ministro presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), já acusado de assédio moral a estagiário e de fazer lobby para garantir uma cadeira no STJ para a sua cunhada, entendeu não ter da Justiça federal a competência para suspender a reintegração. Essa decisão de Ari Pargendler foi dada liminarmente, quando a Polícia Militar desalojava, com bombas, balas de borracha e cães, os moradores do Pinheirinho.
Junto com a ação da Polícia Militar, máquinas cuidaram da derrubada de casas de alvenaria e de madeira que abrigaram os antigos moradores e residentes há mais de 8 anos na área.
Num grotesco espetáculo mostrado pelas televisões, a juíza responsável pela decisão de reintegração compareceu ao Pinheirinho para receber, solenemente, a notícia do cumprimento do mandado judicial.
Agora, a área estará pronta para ser vendida e a sobra irá para o bolso dos sócios da Selecta, ou seja, de Naji Nahas. Os créditos trabalhistas, que podem já ter sido negociados por valor irrisódio, serão quitados. Idem os especiais, que irão para os cofres da Prefeitura de São José dos Campos.
O prefeito de São José dos Campos, cuja insensibilidade chegou ao ponto de não se preocupar em alojar as famílias tiradas violentamentemente do Pinheirinho, vai ter um bom caixa para promover o populismo.
Enquanto isso, com o ritmo de “lesma reumática”, o governador Geraldo Alckmin afirma que cuidará de verbas para a locação de casas aos expulsos do Pinheirinho, pois não tem casas populares disponíveis.
Os radicais do PSTU, que apostavam numa tragédia maior, devem estar a contabilizar futuros ganhos eleitorais.
Pano rápido. “QUE PAÍS É ESSE ?”

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Qual preconceito mais te incomoda?

Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

Amo São Paulo. Por isso mesmo dói ouvir certas aberrações da boca dos meus conterrâneos.

Todos os criados neste caldo e que não foram devidamente conscientizados para o contrário não estão imunes a propagar preconceitos. Acreditem, é um trabalho diário, do qual não me excluo, para garantir que nossa boca não seja mais instrumento de opressão. Pois essas frases não são coisas inofensivas ou engraçadinhas, mas ajudam a renovar a segregação.



Preconceito existe em todo o lugar, não é monopólio paulistano. Mas em cada região, há ódios que se sobressaem mais do que outros. Com a ajuda de amigos jornalistas e baseado também nos comentários dos posts deste blog – fonte inesgotável de posições bisonhas – elencamos frases carregadas de ódio, arrogância e inversão de valores que, vira e mexe, são ouvidas ou lidas na Paulicéia.

O “paulistanismo”, o nacionalismo paulista, funciona como uma espécie de seita radical para os seus adeptos. Mesmo as pessoas mais calmas viram feras, libertando uma fúria bandeirante que parecia, historicamente, reprimida dentro do peito quando se vêem diante de críticas à cidade (reflexão é algo que não faz muito sucesso por aqui). Bandeirantes, aquele pessoal que virou nome de avenida, escola, praça, escultura, Palácio de Governo, homenageados por terem dizimado gente. O fato de São Paulo tê-los escolhido como heróis diz muito sobre o espírito do nosso estado.

Neste 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, uma pergunta: somos capazes de nos desconectar do passado e construir um futuro mais justo ou vamos fica repetindo idéias e frases que carregam em si uma visão ridícula de mundo?

Qual preconceito paulistano mais te incomoda?

- É pobre, mas tem caráter. Nunca sumiu nada lá de casa

- Vagabundo que faz greve deveria ser demitido

- É tudo "baianada"

- São Paulo sustenta esse país.

- Tá com dó [de dependente químico ou sem-teto]? Leva para casa

- Agora ele vai pro hospital e a moto tem seguro. Mas quem paga meu espelho?

- Meu, o Centro agora tá cheio desse "povo da flautinha"

- Tinha que ser preto!

- Mano, cê é bicha?

- Adoro esse shopping que só tem gente bonita e selecionada

- Tire as mãos do meu carro

- Manifestantes? E minha liberdade de ir e vir? Olha o trânsito!

- Criança tinha que trabalhar para não fazer arruaça

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Situação na Cracolândia saiu de controle a partir de 2005

Pesquisa efetuada pelo blog nos arquivos do jornal Folha de São Paulo revela que a atual estratégia da polícia de São Paulo para a região da cidade conhecida como Cracolândia foi usada em 2000. Já naquela época, a tática de dispersão dos usuários de crack provocou o mesmo problema de sua “pulverização” pela cidade.
O arquivo que o jornal mantém sobre o assunto – e que pode ser acessado pela internet – também mostra que a situação fugiu ao controle do Estado a partir de 2005, primeiro ano da gestão de José Serra na prefeitura  da capital paulista.
O número de matérias que o jornal publicou sobre a Cracolândia desde 2000 mostra quando o problema começou a adquirir a proporção que se vê hoje. Busca da palavra “Cracolândia” no arquivo apresenta 559 resultados, sendo 143 matérias no período que vai de 2000 a 2005 (quase seis anos) e 416 matérias entre 2005 e hoje (quase sete anos).
O número de matérias sobre a Cracolândia aumentou quase 300% a partir de 2005 porque foi a partir de então que o problema se agravou até chegar ao ponto em que está hoje. E o teor dessas matérias, como se verá a seguir, permite inferir que a polícia paulista – e, obviamente, quem manda nela, ou seja, o governo do Estado – e a prefeitura são os grandes responsáveis pelo problema.
O noticiário sobre a Cracolândia acessível nos arquivos da Folha começa em 2000, em plena campanha eleitoral à prefeitura de São Paulo, quando Paulo Maluf e Marta Suplicy disputavam a sucessão de Celso Pitta.
Em 1º de agosto daquele ano, Maluf anunciou que levaria à Cracolândia o ex-comissário de polícia de Nova York Willian Bratton, que, segundo a assessoria do candidato, trabalhara no programa Tolerância Zero, que reduzira a criminalidade na cidade norte-americana, e de quem o candidato pretendia buscar “consultoria” para combater o problema.
Ocorreu, então, um fato um tanto quanto cômico. O medo da violência levou o candidato Maluf a desistir de apresentar a Cracolândia ao ex-comissário de Segurança de Nova York, que viera ao Brasil para isso, e a restringir a programação com ele a “eventos mais seguros”.
Um mês depois, ainda durante a campanha eleitoral em que Marta derrotaria Maluf e se tornaria prefeita de São Paulo, o governador Mario Covas desencadearia uma operação policial na Cracolândia que pretendia ser uma resposta às críticas do adversário de seu candidato, o então vice-governador Geraldo Alckmin, que substituiria Covas no ano seguinte, quando seu câncer se agravaria.
A matéria sobre a primeira “operação sufoco”, levada a cabo há quase 12 anos causa um déjà vu. Se tirarmos datas, nomes das autoridades e dos órgãos, parecerá que foi escrita hoje e que se refere à atual operação do governo do Estado que está sendo levada a cabo na Cracolândia.
Leia e julgue por si mesmo.
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FOLHA DE SÃO PAULO
03/09/2000
Repressão policial pulveriza a cracolândia
KARLA MONTEIRO
Na esquina escura da rua dos Protestantes com a rua dos Gusmões, centro de São Paulo, dois garotos conversam apressadamente, olhando para os lados. Um deles tira do bolso um pequeno embrulho em papel laminado e entrega ao outro. Feita a transação, o mais velho da dupla nem pestaneja: corre.
“A gente não pode mais dar bobeira. Os pauladas (policiais à paisana) estão por aí. Na semana passada, quebraram meus dentes”, diz o mais novo, mostrando o sorriso desfalcado enquanto caminha rapidamente na direção contrária à do companheiro.
A cena aconteceu na cracolândia, região onde comércio e consumo de crack eram práticas livres desde o início dos anos 90, quando a droga invadiu São Paulo. Ou, pelo menos, práticas toleradas pelas autoridades.
Nos últimos meses, o cenário mudou. Desde setembro do ano passado, o Denarc (Departamento de Narcóticos) vem promovendo repressão ostensiva no local a fim de “erradicar” a cracolândia, o que forçou a dispersão dos viciados e traficantes para outras regiões da cidade.
O resultado da investida do Denarc já pode ser medido em números: 38 hotéis e pensões usados como pontos de tráfico e de uso de crack foram fechados (e depois reabertos por decisões judiciais), 19 foragidos da Justiça voltaram para a cadeia e 176 suspeitos de tráfico, entre eles 12 menores, foram pegos em flagrante. A polícia ainda apreendeu 15 quilos de cocaína, 1.116 pedras de crack e 191 gramas de maconha.
“A ordem do secretário (estadual da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi) foi erradicar a cracolândia. Era uma vergonha ter uma Amsterdã ao lado do prédio do Denarc”, explica o delegado Ubiracy Pires da Silva, diretor da Divisão de Investigação.
O prédio está incrustado no ex-território dos usuários de crack. Segundo ele, policiais à paisana mantêm vigília 24 horas na área limitada pelas avenidas Rio Branco, Duque de Caxias, Cásper Líbero, Ipiranga e rua Mauá.
O departamento de repressão ao uso de drogas está mantendo também a rotina de uma batida policial a cada 15 dias, e rondas policiais permanentes. Quando a repressão era mais leve, viciados sentavam-se nas calçadas para partilhar cachimbos com a pedra de crack -droga barata que, segundo especialistas, vicia quase imediatamente.
“A barra pesou. Agora a gente vem aqui, compra a pedra e vai fumar escondido em outro lugar”, afirmou um usuário, que disse ter 16 anos. A reportagem da Folha acompanhou uma ronda na noite de segunda-feira (29). As ruas imundas, malcheirosas e mal iluminadas, antes entulhadas de viciados, estavam limpas. É cada vez mais difícil encontrar um dependente com cachimbo em punho perambulando pela região.
Não existem pesquisas que quantifiquem o número de dependentes que circulavam pela cracolândia. De acordo com o Denarc, 20% dos usuários seriam menores. O SOS Criança estima que cerca de 2.000 crianças e adolescentes morem ou passem o dia no centro da cidade. Deste total, 70% usam ou já usaram crack. Isso corresponde a aproximadamente 1.400 crianças e adolescentes viciados só na região central.
Com a ação do Denarc, 15 menores em média são encaminhados diariamente ao SOS, que tem capacidade de abrigar apenas 400. “Mais de 50% desses adolescentes voltam para a rua”, diz Alda Pizzini Sanchez, coordenadora do projeto Farol Não É Casa, mantido pela entidade.
O delegado reconhece que a repressão na cracolândia tem efeito pulverizador e não soluciona o problema dos viciados. Os dependentes só estão migrando para áreas periféricas do centro e bairros de classe média. Não formam mais grandes aglomerações, mas continuam consumindo crack.
Em pequenos grupos, eles espalham-se pelo Brás, Baixada do Glicério, vale do Anhangabaú, praça da República, praça da Sé, alameda Nothmann e ruas adjacentes. “Vamos começar uma investigação para saber se os usuários estão se concentrando em outro lugar”, informa.
Nas imediações do Ceagesp, região conhecida como “nova cracolândia”, os viciados também desapareceram. Segundo um feirante que preferiu não se identificar, os viciados sumiram desde a retirada, de lá, da favela conhecida como Portão Seis. “A polícia andou dando umas batidas por aqui e a meninada caiu fora. Fica um ou outro por aí ainda.”
Em São Miguel Paulista, na zona leste, outro ponto de concentração de usuários, uma obra na linha do trem expulsou os que ficavam no muro que cerca o local. “Está todo mundo por aí, pulando de mocó em mocó. Quando a polícia for embora, todo mundo volta”, comenta R.S.S., 22, usuária de crack há seis anos.
Segundo ela, está mais difícil conseguir a pedra, mas os “nóias”, como se autodenominam os dependentes, sabem onde encontrar a droga. “A boca do lixo não acabou. Só está mais sossegada. Eu não saio daqui. É a minha casa. Vim para cá com 8 anos”, diz, escondendo entre as mãos um cachimbo e um isqueiro.
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Como o problema, à época, era infinitamente menor do que hoje, quatro meses após Marta assumir a prefeitura parecia que a região do Parque da Luz e entorno passariam a viver novos tempos.
Em 29 de abril de 2001, matéria do mesmo jornal dava conta de ações da prefeitura que vinham revitalizando o centro de São Paulo após uma ação do governo do Estado que, se não funcionara completamente, devido a um problema menos grave e à ação integrada entre a administração municipal e Estadual estavam devolvendo o bairro à população.
Este trecho da matéria ilustra bem isso:
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“(…) Depois dos viciados da Cracolândia, chegou a vez das “meninas” do quase bicentenário parque da Luz, o ponto de prostituição mais antigo da cidade. O parque vem passando por sucessivas mudanças desde o ano passado. As touceiras (moitas) que davam aspecto de mata fechada foram remanejadas, tornando-o mais limpo. Para completar, foi implantado no local um circuito fechado de TV.
A segurança atraiu outras iniciativas, como a da vizinha Pinacoteca do Estado, que abriu as portas dos fundos ao parque e distribuiu diversas esculturas importantes em seus canteiros. Ao mesmo tempo, a população começou a redescobrir o espaço, repleto de peças históricas, como o ponto do bonde, a casa de chá, o coreto, e o casarão da administração, construído em 1901 (…)”
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No fim de 2001, começou a ficar clara a razão de a região da Cracolândia ter chegado ao ponto que chegara no ano anterior, o que obrigara o governo do Estado a realizar operação análoga à que está em curso hoje. Matéria da mesma Folha mostrou que policiais integravam a rede que explorava o tráfico de drogas na região.
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FOLHA DE SÃO PAULO
13/12/2001
Policiais são flagrados com traficantes
O Ministério Público flagrou cinco policiais do Denarc em situações suspeitas na cracolândia, região no centro de São Paulo conhecida por concentrar dependentes e traficantes de crack.
Durante 20 dias, os promotores gravaram imagens de integrantes do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) na região. O material foi veiculado ontem à noite no “Jornal Nacional”, da Rede Globo.
O tráfico na cracolândia, segundo o Ministério Público, é dominado atualmente por dois grupos do Denarc, um liderado por Hélio Carlo Barba e outro pelo investigador José Carlos de Castilho.
Nas imagens, aparece Barba com outro policial, identificado apenas como Henrique, abordando um casal. O investigador Alessandro Ramos da Silva seria o terceiro integrante do grupo.
Em outra imagem, um homem algemado sai do carro da polícia, parado na cracolândia, é solto por Castilho, de quem recebe ainda um aperto de mãos.
Cena parecida se repete com outros dois criminosos. Castilho e o investigador Mauro César Bartolomeu soltam os homens e, depois, os cumprimentam. Um deles foi identificado na reportagem como Adilson Francisco Rocha, indiciado por tentativa de homicídio, tráfico de droga, formação de quadrilha e roubo.
Segundo depoimento de um ex-integrante do grupo de Castilho, para atuar na cracolândia é necessário pagar taxa de R$ 200, por semana, aos policiais, que cobram ainda entre R$ 1.200 e R$ 5.000 para libertar criminosos.
Segundo esse ex-integrante, o grupo de Barba vende crack embalado em plástico verde. O grupo de Castilho, em plástico branco.
Ontem à tarde, os promotores que fizeram as gravações -membros do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado)- pediram a prisão temporária dos policiais identificados a partir das imagens.
À noite, após a veiculação da reportagem do “Jornal Nacional”, eles não deram entrevistas aos outros órgãos de imprensa.
Corregedoria
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, as gravações foram mostradas ontem ao corregedor da Polícia Civil, Rui Estanislau Silveira Mello, pouco antes do pedido de prisão. O corregedor, que já investigava os policiais, segundo a secretaria, determinou que fossem imediatamente afastados.
O delegado Marco Antonio Ribeiro de Campos, que dirige o Denarc, disse ao “Jornal Nacional” que está “envergonhado”.
Os cinco policiais -todos investigadores, segundo a secretaria- devem ser acusados por tráfico de drogas, abuso de poder, extorsão e formação de quadrilha.
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Parece piada, um déjà vu macabro. O mesmo Geraldo Alckmin que anda elogiando a desastrada operação na região que seu governo destruiu, há mais de uma década já usava do seu bom e velho “embromation” ao negar a responsabilidade das desastrosas administrações tucanas que degradaram São Paulo ao ponto que se vê atualmente.
Matéria da Folha do dia seguinte à que mostrava o escândalo na polícia paulista informava que o governador “negava” a corrupção na polícia que comandava e que, tragicamente, continua comandando até hoje graças à mesma Folha e a outros veículos da imprensa paulista.
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FOLHA DE SÃO PAULO
14/12/2001
Alckmin nega existência de “banda podre” na polícia de SP
Mesmo dizendo sentir-se envergonhado por conta das denúncias envolvendo cinco investigadores do Denarc, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) negou ontem a existência de uma “banda podre” na polícia de São Paulo.
“Não tem “banda podre” em São Paulo. Essa expressão foi lá no Rio de Janeiro. Se tiver policial corrupto aqui, vai para a rua e para a cadeia”, afirmou.
Para ele, trata-se de um caso isolado. “Infelizmente, alguém erra, e não há nenhuma conivência com isso. Ao ser comprovado, é cadeia”, disse. Ele afirmou ainda que existe “gente séria” na polícia.
O secretário estadual da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi, também disse que estava decepcionado. Segundo ele, a secretaria está tomando medidas para identificar policiais envolvidos com o crime. “Essa é uma luta permanente. Eu acabo de dizer aqui que não é um sistema perfeito, não há nada que não possa ser melhorado ou aprimorado.”
O secretário afirmou ainda que, neste ano, quase 300 policiais “que praticaram atos mais ou menos graves” do que os da cracolândia foram afastados.
Segundo Petrelluzzi, a divulgação do caso mostra que o controle da polícia é eficaz. “A polícia é a instituição mais vigiada deste país, pelo menos a de São Paulo.”
Pela manhã, Alckmin disse que esperava que os cinco policiais fossem presos ainda ontem. “Se a Justiça conceder, serão imediatamente presos.”
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O escândalo de corrupção na polícia paulista não deu em nada. A oposição petista ao governo do Estado pediu uma CPI, mas, como vêm fazendo desde 1994, o governo tucano do Estado, com a maioria parlamentar que a desorientada população paulista lhe deu, engavetaria mais uma investigação.
Em 2002, mais escândalos abalariam a cúpula do Denarc, que deveria combater a Cracolândia. Era o terceiro escândalo em menos de seis meses. A prisão em flagrante do policial Francisco Marcondes Romeiro Neto por tráfico internacional de drogas provocou a queda do delegado divisionário Ubiracyr Pires da Silva, segundo homem na hierarquia do Denarc na área de repressão ao tráfico.
Nada abalava a corrupção policial que ia erigindo, em São Paulo, a situação que se vê hoje. O governo do Estado não permitia maiores investigações e a imprensa dava uma ou outra notinha, mas não pressionava. Dessa maneira, a cidade foi sendo tomada pelo tráfico.
Todavia, ao passo que o governo do Estado se ocupava de esconder o que acontecia na polícia, a prefeitura, com Marta à frente, fazia a sua parte e o centro de São Paulo começava a mudar. As ações sociais estavam funcionando, pouco se ouvia falar na Cracolândia, o arquivo da Folha mostra que o noticiário sobre o assunto era escasso.
Matéria do insuspeito colunista Gilberto Dimenstein publicada pela Folha ao fim do segundo ano da gestão Marta Suplicy comprova que se a prefeitura não tivesse sido entregue pela população zumbi de São Paulo a José Serra e depois a Gilberto Kassab, a situação não teria se agravado e talvez hoje a Cracolândia nem existisse.
Veja:
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FOLHA DE SÃO PAULO
01/12/2002
São Paulo vai ser refundada
GILBERTO DIMENSTEIN
Quase ninguém acredita -e, por muito tempo, não vai acreditar-, mas um dos principais laboratórios de recuperação social no Brasil está num dos mais visíveis focos de decadência do país: o centro da cidade de São Paulo.
Não se acredita porque, em primeiro lugar, uma das modas nacionais é afirmar que o país está metido em uma pasmaceira social e que nada acontece. Pouco se conhece das articulações comunitárias e das políticas públicas inovadoras.
Em segundo lugar, os moradores de São Paulo acham, no geral, que a cidade não tem mais jeito e está condenada à degradação.
Pela primeira vez, São Paulo está alterando a forma como se expandiu desde seu nascimento, em 1554, quando se limitava a uma escola de jesuítas que ensinava indígenas no topo de uma colina.
(…)
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As ações sociais e urbanísticas da prefeitura estavam revolucionando a cidade, mas a imprensa tucana dava duro combate a Marta ao criticar tudo e reconhecer nada. A matéria de Dimenstein foi uma das raras exceções.
As matérias sobre a Cracolândia iam escasseando, o problema estava sob controle, ainda que existisse. Havia, sim, um ou outro usuário na rua, mas não havia o consumo e tráfico ostensivo da droga que se fez hoje. A partir de meados de 2005, porém, o noticiário sobre a Cracolândia foi aumentando em progressão geométrica.
Ao fim da gestão Serra, em 2006, quando o tucano rompeu o compromisso que assumira com a população (por escrito) de permanecer à frente da prefeitura até o fim de seu mandato por pretender se candidatar ao governo do Estado, já não era possível ao cidadão atravessar a Cracolândia sem correr risco de vida.
Os arquivos dos jornais, com a história cotidiana que contam, são verdadeiras minas de ouro em termos de conteúdo capaz de mostrar como o povo de São Paulo cavou com as próprias mãos a situação de penúria em que mergulhou seu Estado e, sobretudo, a capital paulista. E o pior é que esse povo não melhorou nada, desde então.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Correspondente do Globo ataca pai da Dilma. Mas poupa a mãe


O alvo do Globo é o da direita. Por enquanto

Saiu na pág. 12 do Globo, reportagem da notória Deborah Berlinck, enviada especial à Bulgária, para acompanhar e envilecer a família e a Presidenta Dilma Rousseff.

Trata-se de “Três versões e um mistério – política, finanças e aventura envolvem a vinda de pai de Dilma (para o Brasil)”.

A correspondente militante reproduz trechos de um livro sobre a Presidenta, de autoria de um jornalista búlgaro e de outro, brasileiro, que milita no Estadão, Jamil Chade.

Correspondente na Europa, Chade sistematicamente tenta desmoralizar o Brasil.

Agora, ao que parece, entra no campo pessoal: o pai da Dilma.

Berlinck não diz nada sobre a mãe.

A Berlinck, essa, o amigo navegante conhece.

É aquela correspondente/militante que se indignou com a concessão do Prêmio da Sciences Po francesa ao Nunca Dantes.

A imprensa argentina, no Página 12,  se indignou com o comportamento dela.

Aqui, o PiG (*) se calou.

Talvez porque concorde com as restrições preconceituosas da notável militante correspondente.

O PiG (*) parece numa escalada.

Aonde chegará ?, pergunta-se o amigo navegante.

Chegará ao ponto em que o Paulo Bernardo permitir.

Ele, Bernardo, que não tira a Ley de Medios do Franklin da gaveta.

E não passa perto do controle remoto, para não haver o perigo de tirar da Globo.

Porque, se a Ley de Medios estivesse na agenda do país, a Berlinck e o Chade talvez se contivessem.

Mas, viva o Brasil !

Sim, porque a Berlinck e o Chade, esses não têm a menor importância.

O problema é o patrão deles.


Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.