Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
Mostrando postagens com marcador neo nazi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador neo nazi. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O humanismo triunfará, ao final

Vivemos dias difíceis para o senso de humanidade, diriam muitos, pois exemplos de selvageria e de insensibilidade de homens contra homens se alastram como centelha em folhas secas. O novo milênio, assim, parece assistir a um revival do que poder-se-ia chamar “desumanismo”, ou perda da capacidade de se solidarizar com a dor alheia.
Ora, não vimos impérios inconquistáveis despejaram toda a sua fúria sobre mulheres, crianças e velhos em pleno alvorecer do século XXI enquanto entoavam discursos sobre “democracia”, “justiça” e “coragem”? E não fizeram isso com orgulho, com o peito estufado e sob o aplauso de multidões catárticas?
Por que nos espantamos, então, quando o Estado brasileiro pisoteia outros desvalidos de composição análoga à dos povos orientais enquanto é ovacionado pelas mesmas multidões tomadas por perversão análoga à necrofilia? Se o homem é capaz de fazer o que os Estados Unidos fizeram no Oriente Médio, por que não faria o que estão fazendo com os flagelados do Pinheirinho e congêneres?
A desumanidade parece poderosa, vigorosa e vencedora, pois não? Olhando do ponto de vista histórico, porém, a resposta é negativa. A impiedade humana não diminuiu através dos séculos, mas a cada dia é mais repudiada, o que torna o mundo contemporâneo muito menos desumano do que era há um século, por exemplo.
Tortura ou castigos físicos já foram políticas de Estado. Hoje, apesar de existirem, são ilegais. Os direitos à moradia digna, à instrução, à liberdade de expressão, entre outros, podem não ser realidade, mas ao menos existem como dogmas, quando, em outros tempos, jamais se cogitaria defendê-los publicamente.
Em outros tempos, o Brasil chacinaria a população do Pinheirinho assim como os Estados Unidos chacinaram a população do Iraque e ninguém ligaria muito. Hoje, atender completamente aos instintos bestiais dos desumanos seria um escândalo sem precedentes e teria conseqüências, ao menos em termos de ampla reprovação pública.
A má notícia, entretanto, é a de que o senso de humanidade da nossa espécie evolui tão lentamente que provavelmente essas pessoas que degustam o sofrimento dos mais indefesos entre os indefesos terminarão as suas vidas inúteis sem ao menos o opróbrio da sociedade.
Mas há uma boa notícia: ao lutar contra a desumanidade, planta-se um futuro que muito provavelmente não veremos, mas que certamente terá tornado motivo de vergonha alguém apoiar um massacre social ou literal enquanto de seus lábios brotam conceitos como “democracia”, “justiça”, “estado de direito” ou “coragem”.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Paulo Maldos: “Você volta e manda sua presidenta falar comigo”



Depoimento parcial de Paulo Maldos, secretário nacional de Articulação Social, durante audiência pública na Câmara Municipal de São José dos Campos sobre a desocupação violenta do Pinheirinho
Transcrição publicada no blog Partido da Imprensa Golpista, sugerido pelo professor3f
Boa noite. Eu queria esclarecer que a minha presença naquela manhã se deu devido a um acordo da Presidência da República porque entendemos que haveria um tempo de 15 dias de estudar uma solução.
Como havia este tempo, a partir daquele final de semana iríamos trabalhar já a partir daquele momento. Trabalhavamos junto ao prefeito, ao governador. Eu fiquei incumbido de falar com a comunidade. Procurar as alternativas. Construir casas. Procurar terrenos. Solucionar. Eu vim numa missão de escuta. Tinha marcado nove da manhã, ainda por celular soube que havia um cerco na comunidade.
Não quis acreditar por conta do pacto. Eu não entendi como poderia estar cercado militarmente aquela comunidade. Eu cheguei e me deparei com uma situação bastante crítica. Um cerco militar com escudos escrito choque.
Eu quis acessar o comando. Me dirigi até o grupo de soldados, quando cheguei até uns oito metros. E fui advertido que parasse e vi armas em minha direção.
Dei a volta e fiquei a uns vinte metros de distância. E conversando com a população, de repente sem mais nem menos, eu senti um ferimento, eu recebi uma bala na perna esquerda. Procurei me esconder. Esta tropa veio atacando a população.
Eu fiquei por nove horas no bairro. Sofremos ondas de ataque. Haviam cercado o Pinheirinho. Pude perceber ataques cada vez mais prolongados. Jogando bombas. Notícias de senhoras sendo espancadas. Por volta de onze da manhã, tentei acessar o comando da operação.
Voltei fiquei falando com os jornalistas. Fomos chamados por um grupo de oficiais. Eu tentei ir junto, mas fui barrado. Apresentei meu cartão da Presidência da República. Com brasão. Secretaria Nacional. Ele leu e falou que eu não entrava. Ele falou você : você volta e manda sua presidenta falar comigo (murmuros).
Leia também:
“Parecendo um porco para abater amanhã”

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fina e gentil dama de nossa sociedade é solidária, esclarecida e progressista

sonuazinha

Todo o charme, a desenvoltura, a evolução e a 'joie de vivre' de nossa musa ex-saia, afilhada de Dom José, o Venturoso, o-mais-preparado
Excelentíssimos e Liberais Senhores da TFP , Opus, Tea P.  & KKK,
Um exemplo para as novas gerações é o comportamento independente, solidário e porque não dizer, nacionalista de uma das mais finas damas da sociedade paulistana e da política, ao não aceitar a provocação de um intrometido marxista britânico e rechaçar suas ilações sobre o comportamento de baderneiros, comunistas e malfeitores que dominavam as terras do bom homem quase branco Nagi Nahas, o benemérito financista e especulador que legitimamente tem a propriedade e os direitos sobre as terras invadidas pela turba vermelha, chamada de Pinheirinho pelos jornais.
O blog sujo e chapa branca, conhecido pela alcunha de  Conexão Brasília Maranhão, trata a boa moça, das boas causas, as vezes até sem calças pela causa bicicletal, como uma morta de fome, uma sem terra qualquer, uma relés do populacho fétido, como se não fosse uma das nossas, neotucana de penas raras.
Esse blog, que recomendo em nenhuma hipótese clicar em cima do nome, em vez de louvar as boas cousas do Maranhão, como as bondosas e altruístas famílias de Ribas Mares, Lobos Grandes, de máquinas de fazer Café, digo Cafeteiras, etc. que tanto fizeram por este estado, de altíssimo IDH alavancado  pela chegada desses ao pudê, cujos políticos do bem troixeram tanto progresso e rentabilidade com negociatas, quero dizer negócios, os quais prosperaram, fica esse blog petralha a deitar calúnias e aleivosias contra boas mulheres do bem, como nossa querida Soninha, a rival, uma injustiçada, que sequer foi chamada a participar dos educativos reality’s shows da excelente e cultural mídia televisiva da Terra de Vera Cruz, a-melhor-TV-do-mundo, como dizem na Venus.
Em certo ponto diz o blog sujo:
A jornalista e ex-vereadora paulistana Soninha Francine disse no seu Twitter (imagem abaixo), na noite desta quinta-feira (26) que os moradores de Pinheirinhos que apareceram em fotos – há cerca de duas semanas – portando escudos e pedaços de madeira para resistir ao iminente despejo que a Polícia Militar promoveria são “criminosos tirando vantagem da situação, não gente comum defendendo sua terra”.
A afirmação foi postada em inglês, em resposta ao consultor inglês Jimmy Greer, que atua com temas de meio ambiente. Greer divulgou a imagem dos moradores de Pinheirinho em “barricada”, que considerou “just unreal”, algo mais ou menos equivalente a “surreal” na gíria brasileira.”
Twitter

Uma mulher de coragem repele o comuna inglês e diz o que pensa

Este vídeo prova cabalmente a agressão do fortemente armado e perigoso criminoso, tirando vantagem da situação, contra corajosos e destemidos agentes do bem da polícia do Geraldo, que desarmados e tentando o diálogo, não arredaram pé.
Alvíssaras irmãos em fé,
Sig, Heil!
Sig, Heil, Herr Geraaldo!
Sig, Heil, Herr Imperator Pelusiano!
Sig, Heil Fraulen S. Francine!

Juíza de Pinheirinho, uma especialista. Esse Machado de Assis …

Como diria o Machado – “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, Cap. II – , uma ideia pendurou-se no trapézio que tinha no cérebro e me levou da notável entrevista da Juiza Marcia Loureiro, de São José dos Campos, a Hannah Arendt.

A Juíza é aquela que decidiu dar reintegração de posse ao grande “financista” Naji Nahas  – como diz o Elio Gaspari, colonista (*) da Folha (**) e do Globo.

(A dois pernambucanos, o Globo deu outro tratamento, neste domingo.)

A Juíza Marcia Loureiro demonstrou ser uma exemplar técnica do Direito.

Seus argumentos dentro e fora dos autos são irretocáveis.

Breve, com certeza, chegará a desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo.

É uma especialista em Direito.

O trapézio foi, voltou, foi e o ansioso blogueiro pousou na página 274 do portentoso livro “Eichmann em Jerusalém – relato sobre a banalidade do mal”, de Hannah Arendt, edição da Companhia das Letras, São Paulo, 2000.

Trata-se da versão ampliada da reportagem que fez para a revista The New Yorker sobre o julgamento do carrasco nazista em Jerusalém.

Arendt reproduz os últimos momentos de Eichmann e o que ele diz, depois de tomar meio copo de vinho tinto, que tinha pedido:

“Dentro de pouco tempo, senhores, iremos encontrar-nos de novo. Esse é o destino de todos os homens. Viva a Alemanha, viva a Argentina, viva a Áustria. Não as esquecerei.”

“Diante da morte” – continua Arendt – “encontrou o clichê usado na oratória fúnebre. No cadafalso, sua memória lhe aplicou um último golpe: ele estava ‘animado’, esqueceu-se de que aquele era seu próprio funeral.”

“Foi como se naqueles últimos minutos estivesse resumindo a lição que este longo curso de maldade humana nos ensinou – a lição da temível banalidade do mal, que desafia as palavras e os pensamentos.”

“Banalidade do mal” – Arent pagou caro por essa expressão.

Muitos intérpretes consideraram que o mal praticado por Eichmann não era banal.

Mas, Eichmann era.

Banal.

A epígrafe do livro é devastadora:

“Ó Alemanha …
Ouvindo as falas que vêm da tua casa, rimos.
Mas quem te vê corre a pegar a faca.”
Bertolt Brecht

O mesmo trapézio machadiano continuou a balançar e conduziu, agora, o ansioso blogueiro, ao filme “The Specialist”- “o extraordinário julgamento de um assustador homem comum”.

O filme é de Eyval Sivan e Rony Brauman, a que o ansioso blogueiro assistiu no templo do Film Forum, na rua Houston, a oeste da Sexta Avenida, em Nova York.

O filme é apenas a edição das imagens oficiais do julgamento, em que Eichmann aparece o tempo todo dentro de uma jaula de vidro.

O trecho em que dá vontade de pegar uma faca é quando ele descreve os cálculos que fez  – ele se dizia engenheiro e não era – oh !, maldita coincidência ! – para acomodar o maior número de judeus num único vagão da composição que levava aos campos de Pinheirinho, digo, aos campos de extermínio.

Ele reproduziu os cálculos.

Tantos centímetros quadrados por judeu de pé.

Quantas malas, de qual cubagem e a área disponível em cada vagão.

(Dependia do tipo do vagão, de quantas malas deixava transportar.)

O trapézio levou o ansioso blogueiro de novo a Machado:

“Na sociedade, como a criaram, as peças têm que ficar onde estão, bispo é bispo, cavalo é cavalo.” (“Bolas de estalo”, 30 de novembro de 1885, segundo Raymundo Faoro, em “Machado de Assis: A pirâmide e o trapézio”, Editora Globo.

Maldito trapézio !


Paulo Henrique Amorim


(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Qual preconceito mais te incomoda?

Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

Amo São Paulo. Por isso mesmo dói ouvir certas aberrações da boca dos meus conterrâneos.

Todos os criados neste caldo e que não foram devidamente conscientizados para o contrário não estão imunes a propagar preconceitos. Acreditem, é um trabalho diário, do qual não me excluo, para garantir que nossa boca não seja mais instrumento de opressão. Pois essas frases não são coisas inofensivas ou engraçadinhas, mas ajudam a renovar a segregação.



Preconceito existe em todo o lugar, não é monopólio paulistano. Mas em cada região, há ódios que se sobressaem mais do que outros. Com a ajuda de amigos jornalistas e baseado também nos comentários dos posts deste blog – fonte inesgotável de posições bisonhas – elencamos frases carregadas de ódio, arrogância e inversão de valores que, vira e mexe, são ouvidas ou lidas na Paulicéia.

O “paulistanismo”, o nacionalismo paulista, funciona como uma espécie de seita radical para os seus adeptos. Mesmo as pessoas mais calmas viram feras, libertando uma fúria bandeirante que parecia, historicamente, reprimida dentro do peito quando se vêem diante de críticas à cidade (reflexão é algo que não faz muito sucesso por aqui). Bandeirantes, aquele pessoal que virou nome de avenida, escola, praça, escultura, Palácio de Governo, homenageados por terem dizimado gente. O fato de São Paulo tê-los escolhido como heróis diz muito sobre o espírito do nosso estado.

Neste 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, uma pergunta: somos capazes de nos desconectar do passado e construir um futuro mais justo ou vamos fica repetindo idéias e frases que carregam em si uma visão ridícula de mundo?

Qual preconceito paulistano mais te incomoda?

- É pobre, mas tem caráter. Nunca sumiu nada lá de casa

- Vagabundo que faz greve deveria ser demitido

- É tudo "baianada"

- São Paulo sustenta esse país.

- Tá com dó [de dependente químico ou sem-teto]? Leva para casa

- Agora ele vai pro hospital e a moto tem seguro. Mas quem paga meu espelho?

- Meu, o Centro agora tá cheio desse "povo da flautinha"

- Tinha que ser preto!

- Mano, cê é bicha?

- Adoro esse shopping que só tem gente bonita e selecionada

- Tire as mãos do meu carro

- Manifestantes? E minha liberdade de ir e vir? Olha o trânsito!

- Criança tinha que trabalhar para não fazer arruaça

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O sociopata mora ao lado


Sabe aquele internauta que o deixou horrorizado com o comentário desumano que fez sobre aquele assunto triste? Lembra-se de como se chocou com comemoração que o viu fazer quando foi divulgada a doença ou a morte de alguma figura pública? Você já refletiu se aquela pessoa – provavelmente anônima – não pode ser seu vizinho, parente ou colega de trabalho?
Ainda está sendo avaliada a interminável revelação que a internet vai fazendo sobre a natureza humana, para o bem ou para o mal. Estudiosos vêm se surpreendendo com a quantidade de sociopatas clássicos que existe por aí. Estão descobrindo que essa é uma ameaça maior do que se imaginava.
Essa é a tese, por exemplo, de um membro da Associação Brasileira de Psiquiatra, o doutor Helio Laudar, que afirma que “A internet favorece o engano em qualquer situação” por ser “Um mundo paralelo, distorcido da realidade, no qual o sujeito está livre para assumir qualquer identidade e escolher as suas vítimas”.
Isso, porém, não significa que a tecnologia crie psicopatas – ela apenas os faz sair das sombras.
Estimativas sobre a incidência de sociopatia, assim, vêm sendo revistas, por mais que seja difícil mensurar que percentual da humanidade tende ao comportamento sociopata, que nada mais é do que um estágio do comportamento psicótico clássico, ainda que o psicopata em potencial nem sempre acabe sendo tomado pela doença.
Vai ganhando força, pois, a teoria de que todos devem ter algum sociopata fazendo parte de suas vidas, independentemente do grau de relação social. Pode ser um colega de trabalho, seu chefe, seu subordinado, um cunhado, um primo, um vizinho e até um irmão, pai ou mãe. Você pode ter relação próxima com ele sem imaginar que aquele comportamento reprovável que exibe de vez em quando é mais do que mera falha de caráter.
O que isso muda nas relações sociais? Elas mudam para pior porque as pessoas estão sendo obrigadas a refletir cada vez mais sobre os cuidados que se deve ter não só com estranhos, mas com seu próprio entorno social.
Todavia, outra tese que vai ganhando força serve de alento. A internet pode estar funcionando como uma válvula de escape para a necessidade do sociopata de praticar o mal contra aqueles que lhe despertam a fúria pelas próprias idéias, pela aparência física, pela etnia ou até pela sexualidade. Fartando-se na internet, portanto, pode diminuir a pressão para agir no mundo real.
Recentemente, com a exposição da doença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os comentários de leitores sobre as matérias que trataram do assunto nos portais de internet, em blogs, sites ou nas redes sociais deixaram ver um nível de ódio inexplicável por ser dirigido a quem a quase totalidade de tais comentaristas jamais viu de perto.
O nível de ódio que o ex-presidente desperta, assim, não se deve exatamente ao indivíduo Lula. É ódio a uma classe social ou até a pessoas específicas do entorno social do sociopata. Há uma transferência de ódios reais, portanto.
Contudo, sempre é bom esclarecer que sociopatia não tem ideologia, religião, preferência sexual ou política. Eventual doença ou o sofrimento da antítese de Lula, que hoje é José Serra, possivelmente despertaria reações análogas. A compulsão do sociopata é a de tripudiar contra aquele objeto de ódio imaginário em um momento em que imagina que pode lhe infligir maior sofrimento ao demonstrar insensibilidade.
Por que, então, é importante abordar a sociopatia latente da sociedade? Não porque esteja crescendo, mas por ir se mostrando mais comum do que se supunha e pelo efetivo potencial que tem de provocar tragédias ou dramas sociais terríveis.
É assustador imaginar que exista tanta gente por aí que extrai prazer de provocar sofrimento, e que essa ânsia por fazer sofrer muitas vezes não se contenta com o sofrimento emocional.
Mas o aspecto mais aterrador do sociopata pode nem ser esse. O que o torna perigoso é o seu egoísmo psicótico e a total ignorância da própria doença. Essas pessoas nem sonham que estão doentes e estão convencidas de que buscar o próprio bem-estar e prazer em detrimento de qualquer valor humanista, é perfeitamente justificável.
E é nesse ponto que a internet vem contribuindo para desnudar o comportamento sociopata devido ao seu poder de unir os que pensam da mesma forma. Estimulados por assistirem congêneres dando vazão aos mais baixos sentimentos, outros sociopatas perdem os últimos freios e se entregam ao vício na maldade.
Vai passando da hora, pois, de o Estado se aprofundar na questão criando grupos de trabalho para planejarem políticas públicas que estimulem o sociopata a buscar tratamento. Poderiam ser feitas campanhas de conscientização daquele que está doente, campanhas que demonstrassem que extrair prazer ao agir das formas aqui descritas, não é normal.
Assim, os crimes de ódio e intolerância que vêm ocorrendo mais amiúde, com agressões a homossexuais e a nordestinos, entre outras minorias, decorrem da banalização do comportamento sociopata que a internet vem expondo e que estimula os mentalmente enfermos a “sair do armário”, por assim dizer.
Seria impróprio, no entanto, afirmar que a sociedade brasileira está doente. Mas é mais do que apropriado dizer que a doença que aflige qualquer sociedade ameaça sair do controle no Brasil. Não só pela banalização desses comportamentos semipsicóticos que se vê na internet cada vez mais amiúde, mas por não haver uma  ampla reprovação pública a eles.
Nesse aspecto, meios de comunicação e classe política só colaboram para o agravamento do surto de sociopatia que vem ocorrendo, pois, no calor das disputas políticas e ideológicas, aquele que agride inimigos políticos e ideológicos torna-se aliado dos que não odeiam e que apenas têm objetivos que se vêem favorecidos pelo fanatismo.
Fanatismo político, ideológico, sexual, étnico ou de classe social, portanto, é apenas um pretexto para aqueles que têm necessidade de agredir os semelhantes de uma ou de todas as formas possíveis e imagináveis. Dessa maneira, enquanto não surge uma política pública para enfrentar esse problema é bom que você se cuide, pois o sociopata mora ao lado.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Mulher denuncia que foi à delegacia registrar acidente, apanhou e foi presa. A POLICÍA PPP DE SÃO PAULO

Prezado Luiz Carlos Azenha,
Como internauta frequentador de sua importante página na Internet (Blog), gostaria de encaminhar importante denúncia pelo que tem de grave contra a cidadania, e reveladora do atual sistema de serviços prestados por nossas autoridades policiais, em São Paulo.
Minha irmã, AMS (nome completo preservado pelo Viomundo), ontem, ao deixar a casa do pai de seu filho, teve um pequeno incidente de trânsito na Av. Pacaembu, quando foi acusada de raspar numa moto.
Ao parar para observar a ocorrência de danos, o motoqueiro, agindo agressivamente, passou a xingá-la e retirou as chaves do contato do carro dela.
Ao ser interpelado pelos maus modos o jovem passou a agredí-la fisicamente com empurrões e socos, quando minha irmã caiu ao chão.
E disse na frente de testemunhas que se chamava Adolf Hitler e que detestava pobres, pretos, gays e nordestinos (minha irmã é de Fortaleza/CE)
Passados os momentos de agressão, minha irmã, tentando se recompor, procurou ir a uma delegacia, mas pelo seu estado emocional, foi-lhe impossível dirigir, tendo que abandonar o carro e procurar a ajuda de um táxi.
Como já é vítima de sintomas de pânico, fazendo inclusive tratamento clínico para o problema, tomou um comprimido de clamante, provavelmente diazepan, e chegou à delegacia sob efeito desse medicamento.
Ao ter péssimo atendimento e reclamar por isso junto ao delegado plantonista, sob efeito de calmante, foi confundida com uma pessoa drogada e recebeu um tratamento inadmissível ao ser chamada de filha da puta.
Retrucou à altura e levou um tapa na cara do delegado!
Foi presa sob acusação de desacato, algemada e colocada numa cela com outras detentas.
Protestou, pediu para ligar para o seu advogado, o que não lhe foi permitido, pois tomaram sua bolsa com seu telefone celular.
Ficou detida numa cela até pouco antes do amanhecer quando foi solta.
No momento em que fazia este relato, estava agora há pouco na Corregedoria de polícia civil para oficializar a denúncia.
Gostaria de solicitar-lhe a gentileza de denunciar o caso em seu blog assim que tivermos uma cópia da denúncia oficial à Corregedoria como prova do fato.
Repercussões através de blogs e canais alternativos, como redes sociais e outros, têm trazido bons resultados ao combate a esse tipo inaceitável de ocorrências no Brasil.
Por favor, ajude-nos.
Atenciosamente,
Luiz Carlos de Moares e Silva
PS do Viomundo: Conversei por telefone com o irmão da vítima. Há 22 anos ele é servidor da Justiça Federal em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A irmã já denunciou o caso à Corregedoria da Polícia em São Paulo. O advogado dela é Luiz Eduardo Greenhalgh. Foram abertos dois procedimentos para investigação, um operacional e outro criminal. Conversei também com AMS, por telefone. Ela é produtora musical em São Paulo. Confirmou a denúncia do irmão, disse que também foi chamada de ‘vagabunda’ e que ficou numa cela com uma traficante de crack.  O boletim de ocorrências foi registrado às 7h30m da manhã, “para que não ficasse provado que passei a madrugada na cela”.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quem está por trás da ascensão do ultraconservador Tea Party?

“A hora do chá.” Esta frase costumava evocar mansões inglesas, reuniões de britânicos distintos ao redor de uma mesa de chá servido em xícaras de porcelana por um mordomo seguramente chamado James. Agora não.
Agora surge na mente o Tea Party, o setor ultradireitista dos EUA, com um think tank que difunde pensamentos muito antigos. Denomina-se Liberty Central (LC) e, para honrar seu nome, promove com orgulho a intolerância, o racismo, a rejeição ao aborto e aos casamentos gays.
É dirigido por Ginni Thomas, esposa do juiz Clarence Thomas, membro da Suprema Corte, e abriga 54 “agrupamentos amigos”, entre eles a ultracatólica Tradição, Família e Propriedade (TFP), uma réplica independente da TFP fundada em 1960 em São Paulo (Brasil) pelo político, jornalista e escritor Plínio Correa de Oliveira.
Plínio odiava a Revolução Francesa, o protestantismo, o catolicismo liberal, o marxismo, claro, e acreditava que a Inquisição espanhola foi a “mais bela página da história da Igreja” porque, enquanto durou, “a Igreja Católica foi expurgada de hereges”.
A TFP americana não fica atrás: em sua lista de amigos figuram proprietários de armas dos EUA, organização que insiste em que cada cidadão estadunidense deve ter sua metralhadora ou ao menos um revólver; Projeto de Soberania de Missouri, que propugna a insurreição armada para derrubar o governo; e 52 outros aderentes. Sempre esteve vinculada com a direita mais radical, incluindo a Fundação Internacional pela Liberdade (IFF, na sigla em inglês).
A IFF foi criada nos anos Reagan e é conhecida, sobretudo, pelo apoio ao regime de apartheid na África do Sul. Mas seu ativismo ocupou outras frentes. Segundo o pesquisador Richard Bartholomew, “a TFP teve um papel no golpe de estado brasileiro de 1964 e há indícios de que, no Uruguai, recebeu explosivos do agregado militar da embaixada do Brasil para atacar lugares onde os comunistas se reuniam. O diretor da revista chilena da TFP, Jaime Guzmán, se tornou um dos ideólogos do regime de Pinochet” (barthnotes.wordpress.com, 25-2-08). A homônima argentina foi criada por Mario Amadeo e seu líder mais famoso foi Cosme Beccar Varela.
A TFP/EUA se dedica, entre outras coisas, a recrutar jovens mediante práticas curiosas como as militares da Idade Média. Em julho passado promoveu um “chamado à fidalguia cavalheiresca” em um acampamento na Louisiana. Segundo a página eletrônica do grupo, “foram ensinadas algumas técnicas novas como o uso da lança e a arqueria medieval.
Os combates com espadas de utilería tiveram grande êxito, assim como as simulações de guerra no bosque tropical que rodeia a propriedade (www.tfpstudentaction.org, 18-7-10). Não fica claro se estes exercícios são brutais nem se especifica o número de braços e pernas quebrados durante sua realização.
O Tea Party se apresenta como um movimento popular, mas não se conheceria seu súbito sucesso sem as fortunas do bilionário do petróleo David H. Koch ou de Rupert Murdoch, dono do extenso império midiático News Corporation, que controla o grupo de canais Fox e Sky, os jornais diários The Wall Street Journal, The Sun, Times e apoiaram a uns 150 candidatos de extrema direita na recente eleição americana.
Todos eles se opõem ao aborto, alguns até em casos de estupro. Querem, sobretudo, uma política mais dura em todos os planos, mais liberdade de mercado, menos impostos, diminuição dos poderes do governo e do orçamento federal. Sharron Angle, uma dessas candidatas, exigiu a extinção do Departamento de Educação (como se chama o Ministério de Educação nos EUA) e do Organismo de Proteção Ambiental.
O apoio do Tea Party aos candidatos não foi só midiático. Koch, dono de uma fortuna pessoal de US$3,6 bilhões e dono com seu irmão Charles do megapolio Koch Industries, com faturamento anual estimado em US$100 bilhões (www. newyorker.com, 30-8-10), destinou enormes somas de dinheiro, por intermédio da fundação Americans for Prosperity, que preside, e da Freedom Works que financia, para alimentar as campanhas eleitorais dos candidatos do Tea Party. Todos estão sob a bandeira republicana e pode-se imaginar que fazem parte de uma luta interna pelo controle do partido.
O ex-juiz e pastor da igreja New Millenium de Little Rock, Wendell Griffen, definiu assim a ideologia do Tea Party: “Seu patriotismo consiste em um ataque constante à ideia de que os EUA acolham pessoas de qualquer nacionalidade, crença e origem étnica; seu supremacismo branco subliminar é um velho câncer do país, nunca eliminado porque em todas as épocas da história dos EUA os políticos o usaram para ganhar o apoio da maioria branca” (ethicsdaily.com, 1-11-10). As crises econômicas dão origem, às vezes, a expressões de movimentos populistas e nem todos são de esquerda.
Juan Gelman, poeta e jornalista argentino, no Página 12.
Tradução: José Carlos Ruy
No Vermelho

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Você sabia? PSDB e DEM não elegem candidatos para a bancada negra no Congresso


Segundo matéria publicada no site Congresso em Foco em 28 de Outubro de 2010 sobre o balanço das eleições legislativa de 3 de outubro, a maioria dos negros eleitos para o Senado e para a Câmara dos Deputados é do PT, PSB, PCdoB e PSol, entre outras legendas progressistas. O PSDB e o DEM não tiveram nenhum candidato negro eleito.

Na avaliação do diretor da ONG Educafro, frei David dos Santos, não se trata de mera coincidência. "Os partidos de direita não investiram financeiramente em qualquer campanha de povo negro, todos os eleitos são de esquerda ou centro-esquerda. Os partidos que não amam o negro apenas o usam", comenta.

O ativista também denuncia casos de falsas promessas a lideranças negras. "Alguns partidos vão à periferia, formam lideranças, prometem muito dinheiro para campanha, mas esse dinheiro nunca aparece e os candidatos acabam tendo de bancar, do próprio bolso, suas candidaturas. No fim, não conseguem o número mínimo de votos para se eleger, por terem feito campanha fraca", explica.

Mas o número de votos recebidos pelos candidatos negros mostra que, impulsionado principalmente pela mobilização de suas bases populares, o movimento aumenta, aos poucos, sua relevância na sociedade. Com base em informações do Instituto de Política, Gestão Pública e Empresarial e Tecnologias Apropriadas (Ipogetec) de Brasília, 22 milhões de pessoas votaram em candidatos negros, 19,86% do total de votos computados e 21,74% do total de votos válidos.

"Segundo o IBGE, 51,3% da população brasileira é afro-descendente, somos maioria, porém sub-representados na Câmara e no Senado Federal.

A Educafro pretende conversar com dirigentes do DEM e do PSDB, para viabilizar a participação do negro no processo eleitoral. "Não queremos mais ser usados como massa para captar votos e depois eleger sempre os mesmo caciques dos partidos. O eleitor tem que ver o partido em que está votando. Se elegeu negro e índio, é um partido sério. Se só elegeu branco, é partido que discrimina", diz frei David.

Para o Congresso em Foco, "não se pode esquecer que o DEM tem questionamentos graves no Supremo Tribunal Federal sobre a política de cotas, o ProUni e as terras destinadas às comunidades quilombolas no Brasil".

Ao ser procurada, a assessoria do PSDB disse desconhecer a fonte de consulta que declara a raça dos candidatos.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Quais são as vidas que valem mais?



 Bin Laden provocou a morte de cerca de duas mil e seiscentas pessoas nos EUA, audácia que foi punida com seu assassinato. O sérvio Radko Mladic ordenou a morte de oito mil europeus brancos e será julgado no Tribunal Penal Internacional. Bernard Munyagishari, um dos líderes do genocídio de Ruanda (foto), levou a cabo a execução de 800 mil negros africanos, numa das mais tristes tragédias do século XX. De sua captura nem se ouviu falar. Atentados no solo da potência hegemônica, genocídio de brancos na Europa e genocídio de negros na África são crimes muito diferentes? Quais são as vidas que valem mais? O artigo é de Larissa Ramina.
Por ocasião do assassinato de Bin Laden, muitas declarações de autoridades ao redor do globo atestaram que a justiça fora feita. Evidente inverdade. Não se trata de defender o terrorismo, a Al Qaeda ou o próprio Bin Laden. Por óbvio, ninguém poderá ser insensível à tragédia de 11 de setembro, nem tampouco desejar que os culpados não sejam julgados e condenados. Entretanto, para condenar é necessário julgar.

Não é possível falar em justiça quando um homem é assassinado por um comando em um país estrangeiro ao seu, ainda que seja um terrorista do calibre de Bin Laden. Trata-se da aplicação da Lei de Talião: olho por olho, dente por dente, ou em outras palavras, vingança. Ao contrário da justiça, a vingança não impõe uma investigação que confronte os fatos, a produção de provas, o trabalho de advogados e promotores, com respeito ao princípio da legalidade, da ampla defesa e do contraditório. A vingança não exige uma condenação com circunstâncias atenuantes ou agravantes, e uma pena dela resultante. Assassinar um terrorista não é, portanto, fazer justiça. É assassinato. Podemos ponderar que mesmo o julgamento de Nuremberg seria mais legítimo do que a morte de Bin Laden.

A operação norte-americana que assassinou o terrorista em Abbottabad faz lembrar a tentativa de resgate dos reféns da Embaixada dos EUA em Teerã, por ocasião da Revolução Islâmica comandada pelo Aiatolá Khomeini em 1979. Jimmy Carter, na época, orquestrou uma operação militar audaciosa que foi mal-sucedida, fazendo com que perdesse a reeleição para Ronald Reagan. Provavelmente Obama não amargará sorte semelhante, apesar de ter violado a soberania do Paquistão e princípios fundamentais do direito internacional e dos direitos humanos.

Poucos dias depois da operação em Abbottabad, a Sérvia anunciou a prisão de Radko Mladic, que será levado a julgamento perante o Tribunal Penal Internacional sediado em Haia. Provavelmente a localização de Bin Laden fez com que a Sérvia, que pretende abrir caminho para uma futura adesão à União Europeia, perdesse argumentos para continuar acobertando o “Açougueiro da Bósnia” ou o “Átila dos Balcãs”.

Mladic é responsabilizado pelo massacre de Srebrenica de julho de 1995, o pior extermínio étnico perpetrado em solo europeu após a 2ª Guerra Mundial. Oito mil homens e meninos bósnios-muçulmanos foram exterminados num campo de refugiados sob proteção de trezentos soldados das Nações Unidas. Falha inexplicável, agravada pela lentidão da reação ocidental, que veio somente após três dias de matança.

Nesse mesmo dia, foi anunciada a prisão no Congo de Bernard Munyagishari, líder da milícia hutu Interahamwe e um dos responsáveis pelo genocídio de Ruanda, em 1994. Na ocasião, oitocentos mil tutsis e hutus moderados foram assassinados, e milhares de mulheres tutsis foram estupradas sob os olhos inertes da comunidade internacional. O acusado será julgado no Tribunal Penal Internacional para a Ruanda, com sede na Tanzânia, mas a notícia não mereceu a devida atenção da mídia ocidental.

Quais são as razões para tratamentos tão diferentes? Bin Laden provocou a morte de cerca de duas mil e seiscentas pessoas em solo norte-americano, audácia que foi punida com seu assassinato. Mladic ordenou a morte de oito mil europeus brancos, será julgado no Tribunal Penal Internacional, e sua captura foi festejada no Ocidente como o fim do isolamento internacional da Sérvia. Munyagishari, um dos líderes do genocídio na Ruanda, levou a cabo a execução de oitocentos mil negros africanos, numa das mais tristes tragédias do século XX. De sua captura nem se ouviu falar. Atentados no solo da potência hegemônica, genocídio de brancos na Europa e genocídio de negros na África são crimes muito diferentes? Quais são as vidas que valem mais?

(*) Doutora em Direito Internacional pela USP, Professora da UniBrasil e do UniCuritiba.