Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Partidos à esquerda do PT têm que pôr o rancor de lado


Apesar de o fim dos protestos da última quarta-feira (14) em São Paulo ter visto ocorrer um problema que já se tornou marca de todo e qualquer ato público ao longo dos últimos meses, o problema da depredação e da consequente violência sem causa e sem juízo, deu gosto ver como os jovens manifestantes se organizam.  Juventude engajada é linda.
O tema do protesto foi justo, havia foco, uma causa real por que bradar. Qual seja, a causa da situação caótica no transporte por trens suburbanos e por metrô na capital paulista. Afinal, o que se quer é investigação séria, punição de culpados, ressarcimento do Erário e novas – e melhores – políticas públicas para o setor.
Não houve protesto genérico “contra a corrupção”, como se fosse necessário reafirmar que um crime é crime. Há um caso escabroso de corrupção sendo desvendado e que corre o sério risco de não dar em nada, em um cenário em que o Brasil é, ainda, o único país em que os carteis compostos pelas europeias Siemens e Alstom não geraram consequência alguma.
E a manifestação não foi pequena. Do meio para o fim do protesto, milhares de pessoas protestavam, com imensa visibilidade, pelo Centro Velho de São Paulo. O paulistano finalmente viu um questionamento real ao grupo que está encastelado no governo paulista há quase vinte anos e que fez do Estado sua propriedade particular.
Contudo, aquele movimento foi à rua dividido e, se não fosse assim, poderia ter sido muito maior.
O veto à presença formal de partidos e sindicatos em particular feito justamente por partidos e sindicatos que se fizeram representar no protesto constitui um dos fatos que referendam o adágio de que a esquerda só se une na cadeia.
Aliás, vale informar que Erik Bouzan, secretário municipal de juventude do PT, postou comentário neste Blog afirmando que no protesto contra Alckmin na última quarta-feira não teria havido “veto” ao PT ou à CUT pela organização do evento.
Abaixo, o comunicado que postou
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Erik Bouzan
Enviado em 15/08/2013 as 13:18
Eduardo,
Eu, como secretário municipal de juventude do PT preciso esclarecer que não houve nenhum tipo de veto à participação da CUT no Ato realizado ontem. Sem dúvida, há uma disputa colocada nos rumos dos atos e um conjunto de organizações que não fazem questão de nossa participação, isso faz parte, creio, da disputa existente nesse tipo de ação. Mas há setores ligados, direta ou indiretamente, participando desta construção e nossa participação ontem (estávamos em torno de 50 pessoas lá) foi boa, sem nenhuma provocação, muito menos veto. Estávamos junto aos setores da CUT, da UJS e do Levante Popular da Juventude que estavam presentes.
Aliás, desde as Jornadas de Junho a JPT vem participando junto ao MPL e outras organizações de esquerda, da construção dos atos, apesar das críticas ao nosso partido e governos, legítimas e importante, apesar dos excessos.
Me coloco a disposição para dar mais informações caso queira.
Abraços!!
—–
Infelizmente, o que constatei durante o protesto foi bem diferente. Quase 20 pessoas afirmaram o contrário, que PT e CUT estavam vetados oficialmente no ato. Ou seja: não puderam levar bandeiras.
Inclusive, presenciei o “pedido” dos manifestantes a pessoa que portava bandeira do PT para que a guardasse. Se não houvesse veto, PT e CUT estariam lá com suas bandeiras e teriam levado um bom número de manifestantes.
Isso não ocorreu.
O Movimento Passe Livre, o PSOL, o PSTU, o PCO e outras entidades fizeram um belo ato, mas é uma pena que não tenham conseguido impedir o vandalismo e a violência e, também, que estejam recaindo no erro absurdo de considerarem que o PT é igual ao PSDB.
Vamos falar sério: o PT é igual ao PSDB?!
Estive no Pinheirinho para ajudar as vítimas do fascismo tucano que jogou milhares de famílias em depósitos imundos, insalubres após destruir suas casas, seus bens de consumo durável, muitas vezes sem deixar que pegassem até as próprias roupas e documentos antes de serem expulsos de seus lares. Que partidos e sindicatos estavam lá para ajudar? PT, PSTU, PSOL, PCO, CUT etc.
O governo federal do PT tirou dezenas de milhões de brasileiros da miséria e promoveu a maior redistribuição de renda da história do Brasil. Colocou negros e pobres na universidade como nunca aconteceu em 500 anos de história do país. Reduziu o lucro dos bancos, reduziu o preço da energia elétrica. Enfim, foi um governo de esquerda, sim.
Claro que se fez concessões ao capital, mas o viés de esquerda é inegável
São Paulo é um dos últimos grandes redutos da pior direita que este país já viu. É reduto dos golpistas de 1964, do racismo de um setor microscópico, porém extremamente abastado da sociedade. É reduto da xenofobia absurda contra nordestinos, oriunda de uma elite igualmente pequena, mas que tem uma voz tonitruante na mídia, como se representasse o grosso da população.
Tirar essa direita do governo de São Paulo seria um salto gigantesco para o país. O conservadorismo, o reacionarismo, o preconceito, a apropriação desbragada do Estado por grupos econômicos nacionais e estrangeiros sofreria um golpe que, se não fosse fatal, seria debilitante a um ponto em que mudanças reais poderiam ocorrer no país.
Ocorre que esses partidos à esquerda do PT fingem não entender que não existe alternativa de poder fora do binômio PT-PSDB. Ano que vem, o Brasil terá que escolher entre dois candidatos a presidente, um de cada partido desse binômio. Recusar-se a enxergar isso é, inclusive, falta de responsabilidade.
Alguém consegue imaginar o que aconteceria se os que lutam furiosamente contra todos os avanços sociais que o Brasil logrou retornassem ao poder? Alguém consegue imaginar o que seria o Brasil ser governado por um Aécio Neves? Possivelmente Serra seria menos nefasto, ainda que um governo dele correspondesse a atraso sem precedentes no país.
Os partidos à esquerda do PT sabem que não há alternativa. Sabem que jamais ganhariam a eleição presidencial do ano que vem e que muito menos conseguiriam uma bancada maior do que meia dúzia no Congresso. E sabem muito mais que jamais ganharão o governo de São Paulo.
Qual o sentido, então, de escreverem faixas e cartazes também contra o PT e, ainda por cima, vetarem a presença oficial do partido nos protestos?
Uma das faixas da manifestação de quarta-feira que atacava Alckmin dizia, também, que “Haddad e PT não são a saída”. Ah, é? Então qual é a saída? O PSTU? O PSOL? Alguém imagina esses partidos ganhando a eleição? Melhor fariam se tivessem se unido à campanha de Haddad e vencido junto com ele.
Hoje, teríamos secretário de Estado do PSOL, do PSTU e esses partidos estariam puxando o governo mais para a esquerda, pois abandonar a luta por dentro só fez reforçar a direita tanto no governo de São Paulo quanto no governo federal, entre outros.
A população percebe o sectarismo desses partidos à esquerda do PT e, assim, nega-lhes votos. E é uma pena, porque é evidente que propostas de partidos como PSOL, PSTU e PCO são mais do que justas e urgentes. Mas falta quem as defenda em um governo como o de Dilma ou como o de Haddad porque essa oposição à esquerda não quer nem papo.
Ao longo dos anos, estive ao lado dessa gente na rua várias vezes. E não só na rua. Sei como pensa. E sei que, apesar de acreditarmos em valores muito próximos, essa costela dissidente do PT só tem um projeto: fazer o PT perder o poder por puro e simples desejo de vingança, que esses partidos sobrepõem ao interesse da maioria.
O resultado dessa divisão da esquerda é que o país vai tombando à direita. O conservadorismo só tem feito aumentar, nos últimos anos. Questões como aborto, Estado laico, direitos dos homossexuais e das mulheres, tudo isso tem sofrido revés.
Recentemente, vimos uma religião se apropriar dos recursos públicos como nenhuma outra consegue. Tudo graças à aliança com meios de comunicação, que jogariam a fé do povo contra os políticos que ousassem lembrar que a Constituição impede que uma religião específica se torne religião oficial e tenha esse acesso descabido ao Erário.
A esquerda, pois, precisa se unir para impedir que este pais tombe à direita. Se é ruim com o PT – como querem PSOL, PSTU, PCO –, eles que esperem o PSDB voltar ao poder para ver como será o diálogo.
Não levar esse fato em conta não é nem mais burrice, é uma irresponsabilidade contra o país.
Espera-se, portanto, que os protestos com causa como esse contra a máfia dos transportes e contra tanto mais em São Paulo ou em qualquer parte do Brasil consigam fugir da armadilha do vandalismo e, ainda mais, do sectarismo rancoroso que não leva a lugar algum e que ameaça o nosso país com a volta de uma direita sem alma ao poder.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

AS MANIFESTAÇÕES E A HIPOCRISIA DA GLOBO (E DO PIG) Imagina na Copa !, bradou a âncora do Mau Dia Brasil ! Como diz o Mino …

Bessinha aproveitou para tratar da prisão inexplicável do neolibelês argentino, o Menem


Foi um dos momentos sublimes do Jornalismo Contemporâneo Brasileiro:

“Imagina na Copa !” – foi a reação estupefata de uma âncora (?) do Mau Dia Brasil, ao fim de uma reportagem sobre as manifestações na cidade de São Paulo, na noite de quinta-feira.

Imagina na Copa !

Tomara que o circo pegue fogo de vez !

O comportamento do PiG (*) e, especialmente da Globo, é a hipocrisia que simula o serviço público.

Funciona assim.

Vamos dar máxima cobertura à manifestações.

Vamos informar o nosso distinto público.

Vamos ser fiéis aos contratos de concessão que deram aos nossos patrões o direito – provisório – de explorar o espectro magnético que pertence ao povo brasileiro.

E vamos aproveitar para adensar a crise, fomentar a crise, espalhar a crise nacionalmente, com a nossa velha tecnogolpia e construir uma Primavera Árabe.

Temos que transformar São Paulo numa Istambul.

Botar o circo para arder.

Sangue !

Desconstruir o prefeito petista, e com ele, no mesmo desmoronamento, soterrar a Dilma.

Simples assim.

Por que o Mau Dia Brasil voltou ao vivo, tantas vezes, nesta manha de sexta-feira, para os lugares da cidade onde, naquele momento não acontecia absolutamente nada ?

Para rememorar, repisar as cenas da noite anterior, interminavelmente.

É a mão de gato do PiG (*).

E da Globo.

Imagina na Copa !

Em tempo: amigo navegante liga consternado para falar de uma repórter da Folha (**) que foi atingida por uma bala de borracha abaixo do olho direito. Observou ele: a repórter deveria acionar judicialmente a própria Folha. Na véspera, num editorial, a Folha disse: 

- a reivindicação não passa de um pretexto;
- pretexto dos mais vis;
- o irrealismo da bandeira tem a intenção oculta de vandalizar;
- é um grupelho;
- manifestantes são marginais e sectários;
- é hora de por um ponto final nisso !


Parece um daqueles editoriais da Folha da Tarde, nos bons tempos do “seu” Frias.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

VIOLÊNCIA LEVA PM DE VOLTA AOS TEMPOS DE ERASMÃO

O ponto final das manifestações contra o preço das passagens


Administrações de partidos tão distintos quanto PSDB, PT e PMDB nos níveis federal, estadual e municipal, uniram-se em um só discurso para enfrentar manifestações contra o aumento do preço das passagens do transporte público nas capitais.
Em São Paulo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad adotaram um discurso único, sempre negando qualquer possibilidade de capitulação frente aos protestos.
Enquanto isso, a mídia adotou um discurso razoavelmente equilibrado em relação a governos de todos os partidos, inclusive do PT.
Os conflitos entre polícia e manifestantes se espalharam por várias cidades de distintas regiões do país na última quinta-feira. E, apesar de os manifestantes terem reduzido o nível de depredações nesta última rodada de ações, a polícia aumentou a violência da repressão.
Aparentemente, a imagem de um policial ferido por manifestantes em São Paulo predispôs as polícias, sobretudo desse Estado, a agirem com maior violência e, nesta quinta-feira, a repressão foi exponencialmente mais dura.
Nesse processo, impressiona o número de jornalistas vitimados por aparatos como bombas de efeito moral, balas de borracha etc.
A cena de uma jornalista com um olho ferido, sentada no chão, correu a internet e provocou manifestações de sindicatos de jornalistas e até da Anistia Internacional, que condenou a violência dos manifestantes mas fez exortações às autoridades brasileiras para que moderem a repressão.
As redes sociais, por sua vez, induzem percepção que está fazendo militantes e expoentes dos partidos ligados ao movimento insurrecional exultarem. Contudo, podem ser manifestações equivocadas, iludidas por correntes na internet que não traduzem o sentimento popular.
No início do ato de São Paulo, o ex-candidato a presidente pelo PSOL Plínio Arruda Sampaio foi um dos raros políticos que se misturaram aos manifestantes, sendo recebido por estes com com ovações. Contudo, os manifestantes não podem ser confundidos com a coletividade.
Saindo do universo dos partidos de esquerda nas redes sociais e do caudaloso braço deles que está nas ruas tentando paralisar capitais, o que se vê nas ruas se coaduna com a percepção dos diversos níveis de governo que se deram as mãos contra os protestos.
Que ninguém se engane: a postura de políticos de variadas tendências de rejeitar capitulação diante dos protestos se coaduna com o desejo da maioria, que está assustada. Do contrário, já teriam cedido.
Entre cidadãos menos engajados – que são a grande maioria –, o que mais se ouve nas ruas são opiniões de que “Há algo estranho em tudo isso” e queixas contra os protestos, ainda que com ressalvas quanto à justeza da causa brandida pelos manifestantes.
A visão dessa maioria silenciosa, amedrontada com as cenas de guerra que se espalharam pelas cidades, portanto, reflete-se nas posturas homogêneas de políticos tão distintos quanto José Eduardo Cardozo, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad.
Vale notar que quem está acostumado com as redes sociais percebe que, entre os defensores dos protestos, não há apenas militantes de partidos que estão insuflando as manifestações – PSOL, PSTU e PCO.
Há muitos militantes petistas irmanados a militantes dos partidos que pretensamente estariam se beneficiando politicamente dos confrontos e que, com estes, tecem duras críticas, por exemplo, ao prefeito Fernando Haddad.
O governador do Rio e o de São Paulo, o prefeito da capital paulista e o ministro da Justiça, entre outras autoridades, não estão adotando um discurso tão homogêneo à toa. É certeza absoluta que não estão se suicidando politicamente.
Correm especulações de que esses políticos teriam dados que comprovam que a maioria se voltou contra um movimento que, inicialmente, desfrutou de grande apoio.
Apesar disso, a situação dos governadores e prefeitos das capitais atingidas pelos protestos, é delicada. As forças de repressão começam a demonstrar que estão psicologicamente afetadas pelo caráter interminável dos confrontos.
E estamos falando de forças armadas até os dentes…
Por outro lado, governos estaduais, municipais e até a união vão se vendo em um impasse, pois o movimento insurrecional não parece disposto a parar, denotando organização centralizada.
Já os governos, não têm mais como retroagir. Reduzir o preço das passagens iria desmoralizá-los, retirando o apoio que parecem acreditar ter entre a maioria silenciosa e amedrontada.
E apesar de governadores, prefeitos e até o ministro da Justiça estarem atribuindo caráter político ao movimento, até aqui não há certeza ou provas. E mesmo que a PF, que está entrando no caso, identifique motivações políticas, é inegável que há uma massa de manobra agindo de boa-fé.
Há o temor, portanto, de que o movimento insurrecional esteja almejando um desfecho muito específico e que teria o condão de converter uma imagem que acabou ficando negativa em imagem positiva.
Vai se solidificando, assim, uma certeza: é questão de tempo para que surja a primeira vítima fatal desses confrontos. Surgindo, o movimento insurrecional será beneficiado e os governos que resistem a ceder se verão fragilizados.
Com toda a carga dramática que a premissa encerra, a certeza é uma só: o que certamente reduzirá o preço das passagens, a esta altura do campeonato, será um cadáver, o qual, instantaneamente, transformar-se-á em mártir.