Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Alô, PF! Não vai prender os autores do boato sobre confisco da poupança?

caixa

Não estou entre os que fazem tiro ao alvo contra o ministro da Justiça, mas, às vezes, tenho vontade de me juntar a eles. O que este post relata só ocorre por inação das autoridades.
Veja só, leitor, na imagem acima, o boato que a turma que quer ditadura ou impeachment anda espalhando via Facebook.
Essa vergonha passou a sexta-feira inteirinha no ar e, até a noite de sexta, não havia um comunicado oficial da Caixa, nenhum desmentido oficial.
Senhor ministro, não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece. Até hoje estamos esperando os culpados pelo boato de que o Bolsa Família seria extinto…
Você dirá que é uma fraude evidente. Quem elaborou essa farsa é, claramente, um analfabeto funcional. Mas ser ignorante não atenua culpa.
Quantas pessoas humildes essa farsa enganou? Eis a questão.
Pode ter certeza, leitor, de que, a esta altura, há muita gente humilde preocupada. Sabe como é o Facebook, o que postam lá espalha-se como fogo. Principalmente se for lixo.
Semana que vem, essas pessoas que toparam com a farsa e se deixaram enganar provavelmente vão correr à Caixa para sacar suas economias.
Por qualquer critério, trata-se de um crime contra o sistema financeiro. Quem promoveu a farsa tem que responder pelo que fez. Penalmente. Sem complacência.
A página que promoveu essa farsa foi removida. Chama-se – ou chamava-se – “Eu odeio Dilma”. Foi criada no Paraná. O link está abaixo.
As autoridades competentes têm que responsabilizar o autor disso de modo a evitar que a impunidade anime outros a promover pânico.
Não se sabe se foram muitos ou poucos que caíram nessa farsa, mas, seguramente, haverá gente prejudicada.
No limite, um boato como esse poderia gerar pânico, sofrimento e inclusive prejuízos à instituição financeira vitimada pelos bandidos.
É essa gente que quer o impeachment de Dilma, que quer a volta da ditadura militar. É gente que não presta. Quem anda com gente assim vai descobrir que se meteu em uma fria.
Aguarda-se providências das autoridades competentes.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Poupança bate recorde e desmoraliza o PiG (*)


A poupança mudou, o rendimento caiu, o juros em geral caíram e o PIG, para variar, se desmoralizou.


Saiu no G1:

Captação da poupança beira R$ 15 bilhões no semestre e bate recorde

Somente em junho, depósitos superaram retiradas em R$ 5,11 bilhões.
Foi o segundo melhor resultado para junho desde 1995, diz BC.

A caderneta de poupança bateu novo recorde no primeiro semestre deste ano, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Banco Central: no período, os depósitos superaram as retiradas em R$ 14,85 bilhões, o maior valor para um primeiro semestre.

Até o momento, o recorde de captação líquida era o registrado nos primeiros seis meses de 2010, de R$ 12,24 bilhões. A série históricado BC para a poupança tem início em 1995.

O ingresso líquido de recursos na caderneta de poupança no primeiro semestre superou, inclusive, o resultado de todo o ano passado – quando a mais tradicional modalidade de investimentos dos país captou R$ 14,18 bilhões.

(…)



Como se sabe, o PIG (*) previu o desmanche da poupança depois das modificações que permitiram a queda da taxa de juros.
A poupança mudou, o rendimento caiu, o juros em geral caíram e o PIG, para variar, se desmoralizou.
Quem se desmoralizou também foi o Raul Jungmann do PPS, aquele partido que aderiu à Carta de Vinhos do Fernando Henrique.
Jungmann usou o horário eleitoral gratuito para dizer que o Lula e a Dilma iam fazer o confisco da poupança.
Como se sabe, o eleitor de Pernambuco desempregou o supra citado agitador.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Esperado Não de Hollande a Berlim - Juros encabrestados

 
 
 
 
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O Esperado Não de Hollande a Berlim
 
Mauro Santayana
 
A senhora Ângela Merkel, tenha disso consciência ou não, age de acordo com a velha arrogância prussiana, ao convidar François Hollande a visitar Berlim, no próximo dia 16 – logo depois de empossado. Foi quase uma convocação. Ela deixou claro, ao cumprimentar o novo presidente, que podem falar de tudo, menos do essencial: da “austeridade” orçamentária. Austeridade, na visão germânica da política européia, significa seguir o caminho percorrido até agora, com os bancos recebendo bilhões e bilhões de euros, emitidos sem lastro, e os usando para as especulações de seu interesse e para encalacrar ainda mais os países meridionais. Os bancos receberam o dinheiro do Banco Central Europeu a 1% ao ano e os repassam, ao estados em crise a juros de 6 a 9% ao ano. Um “spread” escorchante.
Se François Hollande, fatigado pela campanha e pelos festejos da vitória, não estivesse desatento, poderia ter sugerido que o encontro se fizesse em Bruxelas, sede da União Européia, e não em Berlim. Se ela pretende discutir o desenvolvimento econômico continental, o lugar do encontro não poderia ser outro que não Bruxelas, a menos que ela, em gesto de boa diplomacia, houvesse proposto visitar Paris.
A senhora Merkel faz lembrar um de seus antecessores na Chancelaria do Reich, que convocou a Munique os primeiros ministros da França (Daladier), da Itália (Mussolini) e da Inglaterra (Chamberlain) a fim de lhes impor sua vontade, a de apoderar-se de grande parte do território tchecoslovaco. O fantasma de Hitler está sob o portal de Brandenburgo.
Hollande só conseguirá reaver-se do descuidado “oui”, que deve ter soado aos ouvidos de Ângela Merkel como um obediente “jawohl!”, se – diante da imposição alemã – se mantiver firme, em seu propósito de aliviar os sacrifícios impostos aos trabalhadores europeus, com a chamada “austeridade”. A Europa será devolvida aos seus cidadãos, ou continuará dirigida e saqueada pelos banqueiros do Goldman Sachs e associados menores, que hoje exercem o poder de fato no continente, e disso retiram seu proveito.
Para os observadores desinformados e irônicos, o encontro – antes mesmo que Hollande se sinta em seu gabinete presidencial – poderá ser entendido como uma audiência para o recebimento de normas e instruções.
Atenas pode não ter a importância – e não tem – de Paris, mas é um símbolo do poder e da razão política bem mais antigo.
A derrota da coligação que se encontrava no governo (só se obtiveram as cadeiras no parlamento, pela legislação que lhe assegurou 50 vagas a mais do que os escrutínios), e a vitória da esquerda, eram esperadas. Não se contava com a atrevida emersão do partido neonazista, sob o nome inocente de “Aurora Dourada” e a suástica, redesenhada, como seu símbolo. Começou bem, já com tropa de assalto formada, exigindo dos jornalistas que se levantassem para receber o líder, e expulsando da sala os que se recusaram ao “gesto de respeito” para com o novo palhaço, louco e racista. Seu primeiro projeto é o de minar as fronteiras gregas, a fim de impedir a entrada de estrangeiros.
Uma vez que a coligação que se encontrava no poder não conseguiu formar o novo governo, caberá à esquerda faze-lo, e nas próximas 48 horas. Espera-se que as lições européias dos anos 30 inspirem os democratas gregos, e que eles estabeleçam uma aliança de centro, capaz de vencer as pressões externas com habilidade, e reendereçar a economia do país mediante o fortalecimento do Estado e uma política de desenvolvimento social em busca do pleno emprego.
Hollande lembrou o new deal de Roosevelt em sua campanha. Foi bom que o fizesse. Há oito décadas, em 1932, diante de uma recessão que alguns consideram menor do que a de hoje, o Estado foi compelido, à esquerda e à direita, a intervir diretamente na economia. Na Alemanha, a resposta foi a do nazismo, com a eleição de Hitler; na Itália, a do Instituto de Reconstrução Industrial – criado por Alberto Beneduce – que interveio fortemente nas atividades produtivas, política mantida depois da vitória aliada, até o neoliberalismo dos anos 80 e 90, que jogou a Europa na crise atual.
Roosevelt conseguiu impor o seu programa de recuperação industrial, ao encoleirar os banqueiros e intervir, sem vacilação, em todos os aspectos da economia e da cultura de seu país, levando-o à vitória na Segunda Guerra Mundial, que se celebra exatamente hoje. Hollande tem razão: projeto semelhante ao de Roosevelt pode salvar a Europa.
É preciso impedir que o atrevimento do novo nazismo atinja, de igual forma, a Itália, a Espanha e a Alemanha – como o de Hitler nos anos 30. A França de Hollande deve resistir ao Diktat alemão, o que a França de Pétain não foi capaz de fazer diante de Hitler.
 

Juros encabrestados

Mauro Santayana

A presidente teve a coragem de enfrentar a bancada da Febraban e os famosos analistas econômicos dos grandes jornais, tão interessados em defender as corporações financeiras, e tão pouco empenhados em defender o desenvolvimento econômico do país.

Não há melhor definição da importância e da perversão dos bancos do que a de um comitê de intelectuais – entre eles editores de jornais – que se reuniu em março de 1829, na cidade de Filadélfia. Depois de uma semana de discussão, o comitê redigiu sua conclusão sobre o sistema financeiro, por unanimidade. O sumo do documento foi publicado por The Free Advocate em sua edição semanal de 9 a 16 de maio do mesmo ano:

“Que os bancos sejam úteis como instituições de depósito e transferências, nós podemos admitir prontamente, mas não podemos concordar que esses benefícios sejam tão grandes como para compensar os males que produzem, ao criar artificial desigualdade de riquezas e, dessa forma, artificial desigualdade de poder. Se o atual sistema bancário e de papel moeda ampliar-se e perpetuar-se, os trabalhadores devem abandonar todas as esperanças de adquirir qualquer propriedade”.

Do Comitê participavam dois economistas destacados e editores de jornais, William Gouge, da Philadelphia Gazette, e Condy Raguet, do Free Trade Advocate; William Dune, velho jornalista jefersoniano; o filantropo Robert Vaux, Ruben Whitney, ex-diretor do Banco e os líderes sindicais William English e James Ronaldson. O encontro foi registrado por Arthur M. Schlesinger, Jr. em seu estudo clássico sobre o período, “The Age of Jackson”, publicado em 1945.

O formato atual do sistema se iniciou durante o mercantilismo europeu, com o surgimento de agentes financeiros, que emitiam notas de câmbio descontadas por seus correspondentes nas principais praças comerciais do continente, e se desenvolveu a partir do Renascimento, com as casas bancárias de Veneza e Florença, no Sul, e de Hamburgo e Amsterdã, no Norte.

O acúmulo de recursos lhes permitiu envolver-se com a política, no financiamento dos estados nacionais, como ocorreu na Guerra dos Cem Anos, quando banqueiros florentinos, os Bardi e os Peruzzi, emprestaram um milhão e duzentos mil florins de ouro a Eduardo III, a fim de custear o início da Guerra dos Cem Anos, no século 14.

Os Fugger da Alemanha, os maiores capitalistas do século seguinte, foram banqueiros dos papas, encarregando-se de recolher e administrar o dinheiro das indulgências vendidas pelo Vaticano e dos impostos cobrados pelos estados pontifícios.

O libelo dos cidadãos de Filadélfia continua atual. Os bancos não só patrocinam a desigualdade social, ao destinar os recursos dos estados e do povo aos próprios negócios, e no financiamento aos milionários, mas também os utilizam para eleger seus delegados aos parlamentos e, assim, frequentemente corromper e controlar o poder político. Assim, os governantes atuam em sua defesa, como ocorreu em nosso país com o Proer e a entrega de bancos nacionais aos estrangeiros por preços simbólicos, como ocorreu na “venda” do Bamerindus, do Banespa e de outras instituições. O Santander é um exemplo: seu último balanço exibe resultados superiores a duas vezes os seus ativos no país.

Na Europa, como sabemos, os governos emitiram um trilhão de euros e os entregaram ao BCE, para recuperar a economia continental. Em lugar de fazê-lo, a instituição os repassa aos bancos privados a juros de 1% ao ano, a fim de que estes emprestem aos estados em dificuldades - mas a taxas de 6 a 8,5% ao ano. Para honrar esses juros, os governos cortam na saúde, na educação, nos investimentos produtivos, levando o desemprego ao paroxismo, e multiplicando a miséria, como está ocorrendo na Espanha, na Grécia e em Portugal.

No Brasil, a audácia dos banqueiros privados vai além de toda a cautela. Os juros cobrados dos mais pobres – os que são compelidos a valer-se dos empréstimos de curto prazo, mediante o cheque especial, e do refinanciamento das faturas dos cartões de crédito – são infernais: 238% ao ano, no caso dos cartões, e de 185% nos cheques especiais.

Para que tenhamos uma idéia do assalto: na Grã Bretanha, com as dificuldades conhecidas, os juros sobre as faturas não saldadas dos cartões de crédito não ultrapassam 30% ao ano, ou seja, são de cerca de 1/8 das taxas cobradas em nosso país.

A presidente teve a coragem de enfrentar a bancada da Febraban e os famosos analistas econômicos dos grandes jornais, tão interessados em defender as corporações financeiras, e tão pouco empenhados em defender o desenvolvimento econômico do país. Suas providências técnicas, como a da redução dos juros pagos às cadernetas de poupança – em proporção insignificante, mas suficiente para empurrar as taxas de remuneração das aplicações financeiras para baixo, não prejudicam os clientes dos bancos, mas impõem uma sensível redução do spread. Enfim, encabresta os agiotas do sistema bancário, tão danosos ao país quanto a organização de Carlos Cachoeira.

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dilma dribla crise da poupança e a oposição


 

Para os atuais investidores vale o escrito

Saiu no Globo:


Mantega confirma rendimento da poupança em 70% da Selic mais TR


RIO E BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou que os novos depósitos na caderneta de poupança serão remunerados em 70% da Selic, sempre que a taxa básica de juros do país atingir o valor de 8,5% ano ano ou menos. A medida só vale para os novos depósitos, realizados a partir desta sexta-feira, 4 de maio, quando a mudança entra em vigor.


Hoje, a taxa Selic está em 9% ao ano, mas poderá cair novamente na próxima reunião do Comitê de Política Monterária (Copom) marcada para os dias 29 e 30 deste mês.


-Se o Copom decidir baixar a Selic para 8% ao exemplo, o rendimento será de 70% deste valor, ou seja, 5,6% ao ano, mais a TR – explicou o ministro. Pelas regras atuais, a caderneta rende 6% ao ano mais a TR.


Segundo Mantega, as mudanças são mínimas e não afetam os interesses e benefícios dos correntistas


- Não há rompimento de contrato, usurpação da renda, nem prejuízos – destacou.


O ministro também enfatizou que não há mudanças imediatas, que rentabilidade continuará diária e a poupança continua isenta de Imposto de Renda. Hoje, o país tem 100 milhões de cadernetas, com um depósito total de R$ 431 bilhõe


- No presente momento não haverá alteração nem na velha poupança e nem na nova, porque a Selic está em 9% – destacou.


A mudança abre espaço para que o Banco Central (BC) continue reduzindo as taxas de juros no país sem gerar desequilíbrios no mercado. No formato em que está, a poupança tem uma remuneração garantida de TR mais 6% ao ano. Já outras aplicações, como fundos de investimentos, dão ganhos que variam de acordo com a Selic.


Por isso, se os juros continuarem caindo no país, existe o risco de a poupança passar a render mais que os fundos. Com isso, ela poderia passar a ter uma captação excessiva, retirando investidores de outras aplicações. Como 65% dos depósitos na poupança precisam ser aplicados em habitação, haveria dinheiro demais para esse tipo de operação e de menos para outros. Além disso, como os fundos são compostos em boa parte dos títulos públicos, uma saída deles poderia acabar prejudicando a gestão da dívida pública.


Centrais sindicais gostam da proposta


As duas principais centrais sindicais – CUT e Força Sindical – saíram da reunião com a presidente Dilma Rousseff, dizendo que a proposta do governo é positiva, porque não mexe nos depósitos atuais. A Força Sindical, segundo seu presidente, o deputado Paulo Pereira da Silva, vai apoiar a proposta como um todo. Já o presidente da CUT, Artur Henrique, afirmou que a central precisa debater a proposta antes de manifestar sua posição.


- A gente achou que não mexer nas atuais poupanças é positivo. Seria ruim para nós se o governo mexesse nos atuais poupadores. Daqui para frente quem vai poupar pode decidir se vai por na poupança ou em outros fundos que existem. Mas o ministro Guido Mantega disse que os outros fundos terão um rendimento muito parecidos ao da poupança. Do nosso lado, a gente acha que essas mudanças não teriam impacto na vida das pessoas que estão hoje poupando. Como não mexe com as atuais, as pessoas não terão direitos feridos, a Força Sindical tende a apoiar – disse o presidente da Força Sindical.


Segundo Artur Henrique, a CUT vai fazer reuniões internas para debater o tema.


- A CUT vai analisar e depois anunciar seu posicionamento. É uma medida que precisa ser analisada com cautela. Não mexe com os atuais, isso é positivo. Vamos debater com mais cautela o impacto da medida nos demais fundos – disse o presidente da CUT.


As centrais tentaram incluir na discussão a pauta de reivindicações do movimento sindical, especialmente o fim do fator previdenciário e a isenção de Imposto de Renda da participação nos lucros e resultados (PLR), mas a presidente não deu espaço para outros temas. Dilma prometeu tratar desses dois assuntos em outra reunião.


- Tentamos discutir com a presidente, mas ela não quis discutir isso hoje. O Artur falou do fim do fator previdenciário e isenção do Imposto de Renda na PLR, mas ela não recebeu muito bem. Depois de muito insistirmos, ela disse que vai discutir nas próximas reuniões, mas que nós temos de entender o momento que o Brasil passa e o momento que ela está passando – afirmou o presidente da Força Sindical.


Ele disse que as centrais não tentaram condicionar o apoio à proposta às reivindicações do movimento sindical:


- Queremos resolver a nossa pauta, mas não condicionamos. O clima não estava bom.


“Não há guerra contra bancos”, afirma Gilberto Carvalho


O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, confirmou que a presidente deve anunciar as mudanças ainda nesta quinta-feira. Apesar de o discurso da presidente ter voltado a criticar as altas taxas praticadas pelos bancos, o ministro negou que haja uma guerra contra as instituições financeiras. Segundo o ministro, o que existe é um “movimento para estimular a queda dos juros”.


O ministro não quis antecipar qualquer alteração, mas disse que a presidente deve comunicar as mudanças primeiro nas reunião que terá com o Conselho Político, depois com as centrais sindicais e com os empresários


Carvalho disse também que as mudanças no recolhimento do imposto de renda sobre a distribuição de lucros das empresas, pois ainda não estariam sacramentadas. Há decisão de fazer as alterações, mais ainda não definição sobre quais serão as mudanças, disse.




O PPS é o partido dos comunistas que aderiram à Carta de Vinhos do Fernando Henrique Cardoso.
Um dos ilustres parlamentares do PPS, Raul Jungmann, expoente da CPI dos Amigos do Dantas, foi para o horário eleitoral dizer que o Lula ia expropriar a poupança.
É porque a Dilma agiu rápido, senão, o PIG (*) embarcava numa campanha para aterrorizar os 11 milhões de poupadores em caderneta.
A solução anunciada reduz os juros e desvaloriza o real.
Preserva os direitos adquiridos e cria uma regra compatível com o país que quer ter taxas de juros de padrão internacional.
O Jungmann foi devidamente rejeitado pelo eleitor de Pernambuco.
E o PIG, pelo leitor.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Dilma desarma poupança e previdência. Urubologia em crise

A Presidenta Dilma Roussef tinha em mãos um desafio saboroso: continuar a derrubar as taxas de juros.

Para isso, ela chamou os bancos privados na chincha, apesar da furiosa resistência do PiG (*), que defendeu os bancos antes da Associação que os reúne, a Febraban.

E, para continuar a reduzir os juros com jeito de  “de primeiro mundo”, como ela diz, seria preciso alterar a regra da poupança.

A poupança remunera à base da TR (taxa referencial) mais juros de 6,17% ao ano.

Tornou-se uma barreira de resistencia à queda dos juros.

Isso vai mudar.

Segundo o Valor, os NOVOS poupadores serão remunerados à base de 70% da Selic e por degraus – poupador mais pobre recebe mais; mais rico, menos.

Essa providencia significa que os juros continuarão a cair; se os juros caem, o dinheiro estrangeiro da “ciranda” virá em menor quantidade; e o Real se desvalorizará, para a felicidade dos exportadores brasileiros.

Como já aconteceu nesta-quarta feira: o dolar chegou a R$ 1,92, o valor mais alto desde julho de 2009.

Que horror !

Os urubólogos estão de luto.

E, além disso, a Dilma desarmou outra encrenca, também estrutural.

Sancionou nesta quarta-feira o novo regime de previdência do funcionalismo público – e aliviou as contas da previdência para o futuro.

Desarmou uma bomba que países ditos “desenvolvidos” não conseguiram, ainda.

Compatibilizar a crescente expectativa de vida com a saúde dos fundos de previdência estatal.

A França, a Inglaterra, os Estados Unidos estão a dizer … essa Dilma …

Os Urubólogos estão de luto, de novo.

Essa Dilma…

Acompanhe, agora, amigo navegante, os textos do PiG (*) sobre a Dilma.

É uma espécie de elogio funebre do colonismo (**) piguento:

Poupança deve ter rentabilidade igual a 70% da Selic


Por Claudia Safatle, João Villaverde e Monica Izaguirre

De Brasília


Após cinco horas de reunião com a presidente Dilma Rousseff, ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega voltou ao seu gabinete para terminar o novo modelo de remuneração das cadernetas de poupança que o governo anuncia hoje. A base da proposta do Executivo, que será encaminhada por medida provisória para o Congresso, é garantir à caderneta uma rentabilidade equivalente a 70% da taxa Selic. Discutia-se, ainda, a possibilidade de se fazer uma escala conforme o valor dos depósitos. Até determinada faixa (R$ 50 mil ou R$ 70 mil, por exemplo), o poupador receberia 80% da Selic e acima desse valor, 70%. Para as aplicações já existentes não deve haver qualquer modificação.


A divulgação da medida, que originalmente seria feita ontem, foi adiada para hoje. A presidente terá, à tarde, vários encontros para obter apoio político à alteração das regras da poupança. Primeiro, com o Conselho Político e, em seguida, com as centrais sindicais e empresários. Antes, porém, deverá ter uma nova discussão com Mantega para fechar o texto final.


Tratada com extrema cautela pela presidente, pelo impacto político que pode gerar a alteração na rentabilidade da principal aplicação do pequeno poupador, a caderneta acabou tornando-se um entrave para a queda da taxa básica de juros, a Selic.


Dilma sanciona lei da previdência do funcionalismo


DE BRASÍLIA


A presidente Dilma Rousseff sancionou com três vetos a lei que institui as Fundações de Previdência Complementar do Servidor Público (Funpresp). O novo regime é uma tentativa para reduzir o deficit da Previdência do funcionalismo federal, em torno de R$ 60 bilhões por ano.


O Ministério da Previdência calcula que as fundações poderão contabilizar R$ 160 bilhões nos próximos 25 anos, valor semelhante ao registrado pela Previ, fundo dos funcionários do Banco do Brasil.


“Considero um passo importante para reforma da Previdência e para tranquilidade daqueles que viam a sangria dos recursos da Previdência”, disse o ministro da Previdência, Garibaldi Alves.


A lei modifica o regime de contribuição somente para futuros servidores federais, que forem nomeados após a aprovação da criação dos fundos pela Previc, órgão que regula o setor de fundos de pensão no Brasil. O Funpresp não atingirá servidores antigos.


Os servidores só terão aposentadoria garantida até o teto de R$ 3.916,20 mensais aplicado hoje pelo INSS, que atende os trabalhadores da iniciativa privada. Para receber mais, eles terão de contribuir para as fundações. O governo também contribuirá para os fundos, empatando o índice aplicado pelo funcionário até o limite de 8,5%.


Previdência urbana registrou em março o melhor superávit da história


Stênio Ribeiro

Repórter da Agência Brasil


Brasília – A Previdência urbana registrou arrecadação de R$ 21,78 bilhões no mês de março e desembolsou R$ 18,59 bilhões com o pagamento de 16,8 milhões de benefícios. Há portanto, um saldo de R$ 3,19 bilhões, que se constitui no melhor superávit de toda a série histórica, sem contar os meses de dezembro, quando a arrecadação quase dobra por causa do décimo terceiro salário.


A informação foi dada, hoje (2), pelo ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, ao apresentar relatório sobre o desempenho do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) no mês passado. O resultado de março reverteu o déficit de R$ 97 milhões em fevereiro último e o saldo de março aumentou 169,8% comparado a R$ 1,18 bilhão em igual mês do ano passado.


Segundo Garibaldi, o valor leva em conta o pagamento de sentenças judiciais e a Compensação Previdenciária (Comprev) entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os regimes próprios de Previdência Social (RPPS) de estados e municípios. Ele explicou que a arrecadação líquida de março cresceu 17,9% sobre fevereiro e 17,7% sobre março de 2011, especialmente por causa da prorrogação do pagamento dos tributos do Simples Nacional, cujo vencimento foi transferido de janeiro para até 12 de março.


Pelas contas do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), a Previdência urbana arrecadou R$ 59,58 bilhões de janeiro a março, com aumento de 8,9% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. As despesas com o pagamento de benefícios também cresceram, mas em volume proporcionalmente menor. Aumentaram de R$ 51,43 bilhões, em 2011, para R$ 54,70 bilhões neste ano, deixando saldo acumulado de R$ 4,885 bilhões no trimestre.



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O exterminador do futuro (II): o PSDB e o governo Collor


A não ser por Covas, o PSDB estava pronto a uma adesão total a Fernando Collor. Fernando Henrique, na posse, ofereceu sua imagem televisiva aos milhões de telespectadores brasileiros no lugar de honra junto ao empossado. Covas segurou a barra, praticamente sozinho. Não me consta, da época, uma única palavra de Serra contra o plano ou contra Collor. Falo do tempo em que Collor estava politicamente forte, não quando milhões se apresentaram nas ruas para depô-lo. Em razão disso, quando denuncia Dilma por receber o apoio passivo de Collor e Sarney, e se vangloria de ter o apoio de Fernando Henrique e Itamar, Serra apela para um simbolismo vulgar e se esquece da verdadeira política ativa que ele apoiou. O artigo é de J.Carlos de Assis
Fui o primeiro economista brasileiro a deixar registrado em artigos – tinha uma coluna diária de economia política em “O Globo” – a inevitabilidade do fracasso do Plano Collor. Como era também assessor da presidência da CNI, tentei convencer o presidente, Senador Albano Franco, a mobilizar a cúpula empresarial para consertar o que me parecia o lado mais estúpido do plano, a saber, o congelamento da moeda circulante junto com a poupança. Era difícil fazer isso sem desmontar o plano inteiro, mas era, a meu ver, a única alternativa para salvá-lo.

Albano não conseguiu convencer seus pares. Ao contrário, o então presidente da Fiesp, Mário Amato, intimidado pela demonstração de poder que Collor exalava por todos os poros, chefiou uma comitiva de empresários ao Planalto para um beija-mão vergonhoso ao recém-empossado. A propósito, como haviam dito que o plano era contra os ricos e a favor dos pobres, a caravana empresarial de Amato foi ao Planalto de ônibus, para não parecer que seus participantes eram ricos. Este é o Brasil real, um Brasil que apenas uns poucos conhecem!

Havia um outro caminho: convencer o PSDB a emendar o plano na direção que havia sugerido. Junto com Raphael de Almeida Magalhães e Carlos Lessa, procuramos os próceres do PSDB (então nosso partido) no Congresso, para tentar articular uma emenda. O único que ficou realmente impressionado com nossas ponderações foi Mário Covas. Fez um discurso dramático apontando as falhas do plano. Estava programada uma reunião da bancada do partido na Câmara, e Covas cuidou para que me dessem a palavra, embora, obviamente, eu não fosse parlamentar. 

Fiz uma exposição exaltada, talvez mais do que devesse, para chamar a atenção sobre a fragilidade do plano. Paulo Renato falou em seguida, e defendeu a tese oposta: o plano, a seu ver, era muito bom, e o PSDB deveria aprová-lo como estava, sem emendas. José Serra não esteve nessa reunião, pelo menos durante o tempo em que permaneci nela. Mas Raphael foi procurá-lo pessoalmente, e sua posição foi exatamente a de Paulo Renato. Não havia muita saída, mas assim mesmo insisti: fui encontrar-me com Bresser Pereira, único economista integrante da Executiva.

Consegui tirar Bresser da reunião da Executiva para uma conversa rápida. Repetindo o que havia proposto em artigo, disse a Bresser que, já que era inevitável o congelamento do meio circulante junto com a poupança, que se fizesse a restauração da circulação monetária liberando depósitos segundo as folhas de pagamento das empresas. Isso não era nenhuma novidade. Em 1948, acontecera na Alemanha e no Japão. Bresser me respondeu que não podia, porque a folha salarial correspondia a 36% do PIB, e isso estouraria com o plano. Aliás, a ministra Zélia ou alguém de sua assessoria fizera a mesma alegação em face da minha sugestão.

“Bresser, argumentei, 36% do PIB é a acumulação anual de um fluxo mensal de, no máximo, 3%”. “Ah é, redargüiu Bresser. Então a gente propõe liberar 1,5%”. “Mas por que, Bresser, não os 3%”. “Porque é mais fácil para a equipe econômica aceitar”. Claro que não houve liberação de nada, nem de 3% nem de 1,5%, e em dois ou três meses o plano tinha ido para o espaço, determinando uma contração da economia no ano de mais de 4%, com imenso desconforto social por causa do congelamento – algo que, a meu ver, seria uma motivação decisiva no movimento do impeachment.

Essa longa história é para dizer que, a não ser por Covas, o PSDB estava pronto a uma adesão total a Fernando Collor. Fernando Henrique, na posse, ofereceu sua imagem televisiva aos milhões de telespectadores brasileiros no lugar de honra junto ao empossado. Covas segurou a barra, praticamente sozinho. Não me consta, da época, uma única palavra de Serra contra o plano ou contra Collor. Falo do tempo em que Collor estava politicamente forte, não quando milhões se apresentaram nas ruas para depô-lo. Em razão disso, quando denuncia Dilma por receber o apoio passivo de Collor e Sarney, e se vangloria de ter o apoio de Fernando Henrique e Itamar, Serra apela para um simbolismo vulgar e se esquece da verdadeira política ativa que ele apoiou.

É bom dizer que não tenho nada pessoalmente contra Serra. Ao contrário, acho que é um político honrado e limpo, e um administrador público eficiente. A razão porque temo sua eleição é estritamente política: em matéria de política econômica, ele tem certezas erradas. Além disso, se tem havido desvios éticos graves na “turma” do PT, houve desvios ainda piores no PSDB, inclusive em relação a um programa de privatização nefasto aos interesses nacionais e de favorecimento aberto aos amigos do rei, conduzido por pessoas controversas como Ricardo Sérgio de Oliveira, Luís Carlos Mendonça de Barros (demitidos) e – às vezes fora, às vezes dentro da máquina pública – André Lara Resende, todos eles do círculo íntimo de Serra.

Relativamente ao programa de privatização conduzido por Serra no governo FHC, devo dizer que nunca tive uma posição doutrinária ou ideológica contrária a ele. Critique sobretudo a forma, desde Collor. A privatização fatiada da siderurgia foi uma estupidez. A privatização da Telebrás era desnecessária: bastava liberar suas tarifas, como se fez para os privados que a compraram. A privatização de distribuidora elétricas, desde Itamar, sem prévia regulação do mercado, foi um acinte ao consumidor. A privatização da Vale privou o setor público de um agente estratégico do desenvolvimento (coisa que os chilenos não fizeram com seu cobre). Por tudo isso Serra, junto com FHC, pode ser associado a um exterminador do patrimônio público. É impossível tirar dele esse rótulo para a história. Mas que não seja um exterminador do futuro.

(*) Jornalista, economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPA, autor de mais de 20 livros sobre Economia Política brasileira e mundial, entre os quais “A Chave do Tesouro” e “Os Mandarins da República”, e, mais recentemente, “A Crise da Globalização”, sobre a crise mundial em curso.