De acordo com o Ministério Público Federal, Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha, dois dos políticos mais próximos a Michel Temer, faziam parte de uma mesma organização criminosa: enquanto um liberava empréstimos da Caixa Econômica Federal, o outro cobrava a propina; o MPF, no entanto, não fez qualquer especulação sobre como Geddel se tornou vice-presidente do banco; amigo de Temer há mais de duas décadas, ele chegou lá em março de 2011 na cota pessoal do então vice-presidente da República e foi demitido pela presidente eleita Dilma Rousseff em dezembro de 2013; diante disso, a questão é: Temer não sabia como Cunha e Geddel operavam na Caixa?
247 – Alvo de uma operação da Polícia Federal nesta sexta-feira 13, o ex-ministro Geddel Vieira Lima foi apontado como integrante de uma integração criminosa, pelo Ministério Público Federal, da qual também faria parte o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
O jogo entre os dois funcionava mais ou menos assim: como vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Geddel liberava empréstimos para grandes empresas e, em seguida, Cunha entrava em cena para cobrar propinas ou doações eleitorais ao PMDB de Michel Temer (leia mais aqui).
Segundo o Ministério Público Federal, Cunha e Geddel faziam parte de uma quadrilha, assim com os demais investigados. "A fundamentação apresentada pela autoridade policial é bastante consistente, sendo os fatos narrados na representação indicativos de que os investigados Geddel Quadro Vieira Lima, Marcos Roberto Vasconcelos, José Henrique Marques da Cruz, e Marcos Antonio Molina dos Santos faziam parte de uma verdadeira organização criminosa", afirma no documento o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes.
Uma questão, no entanto, não foi colocada: como Geddel, que havia sido derrotado na disputa para o governo da Bahia em 2010, se tornou vice-presidente da Caixa Econômica Federal?
A resposta é simples: Michel Temer. Como vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, foi ele quem exigiu do ex-ministro Antonio Palocci, então chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, a nomeação – o que se confirmou em março de 2011 (leia mais aqui). Como o PMDB era peça importante da coalizão governista, Dilma se viu forçada a aturá-lo durante pouco mais de dois anos. Acabou demitindo-o em dezembro de 2013, quando já eram fortes os rumores do seu modus operandi (leia mais aqui).
Temer e Geddel atuam juntos há quase três décadas e consta que Temer chorou quando teve que demiti-lo após o caso Marcelo Calero – o ex-ministro da Cultura que revelou como o político baiano usava o cargo em busca de benefícios pessoais, no caso da torre La Vue.
Se foi Temer quem exigiu de Palocci a vice-presidência corporativa da Caixa Econômica Federal, a grande questão é: ele nem desconfiava de como seu pupilo atuava?
Num vídeo viral na internet, Temer diz que entregava missões impossíveis a Eduardo Cunha. Geddel, ao que tudo indica, era também uma peça importante dessa engrenagem.
Não estou entre os que fazem tiro ao alvo contra o ministro da Justiça, mas, às vezes, tenho vontade de me juntar a eles. O que este post relata só ocorre por inação das autoridades.
Veja só, leitor, na imagem acima, o boato que a turma que quer ditadura ou impeachment anda espalhando via Facebook.
Essa vergonha passou a sexta-feira inteirinha no ar e, até a noite de sexta, não havia um comunicado oficial da Caixa, nenhum desmentido oficial.
Senhor ministro, não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece. Até hoje estamos esperando os culpados pelo boato de que o Bolsa Família seria extinto…
Você dirá que é uma fraude evidente. Quem elaborou essa farsa é, claramente, um analfabeto funcional. Mas ser ignorante não atenua culpa.
Quantas pessoas humildes essa farsa enganou? Eis a questão.
Pode ter certeza, leitor, de que, a esta altura, há muita gente humilde preocupada. Sabe como é o Facebook, o que postam lá espalha-se como fogo. Principalmente se for lixo.
Semana que vem, essas pessoas que toparam com a farsa e se deixaram enganar provavelmente vão correr à Caixa para sacar suas economias.
Por qualquer critério, trata-se de um crime contra o sistema financeiro. Quem promoveu a farsa tem que responder pelo que fez. Penalmente. Sem complacência.
A página que promoveu essa farsa foi removida. Chama-se – ou chamava-se – “Eu odeio Dilma”. Foi criada no Paraná. O link está abaixo.
As autoridades competentes têm que responsabilizar o autor disso de modo a evitar que a impunidade anime outros a promover pânico.
Não se sabe se foram muitos ou poucos que caíram nessa farsa, mas, seguramente, haverá gente prejudicada.
No limite, um boato como esse poderia gerar pânico, sofrimento e inclusive prejuízos à instituição financeira vitimada pelos bandidos.
É essa gente que quer o impeachment de Dilma, que quer a volta da ditadura militar. É gente que não presta. Quem anda com gente assim vai descobrir que se meteu em uma fria.
Aguarda-se providências das autoridades competentes.
Neste universo, pequeníssimo, quando a gente pensa em tudo o que
envolve uma Presidência da República, dá uma mostra dos compromissos do
mineiro com a transparência e a tal “meritocracia”.
Desde seu tempos de Diretor de Loterias da Caixa Econômica – pelo
“mérito” de ser neto de Tancredo e primo do então Ministro da Fazenda,
Francisco Dornelles, até suas ligações atuais com Zezé Pérrella e José
Maria Marin, transparência e meritocracia tomam de sete a zero com ele.
Em matéria de manter as piores práticas e reunir as piores companhias, Aécim também é assim.
Uma bola fora.
Aécio Neves pediu a seu eleitor Ronaldo Fenômeno que tentasse uma
aproximação com o pessoal do Bom Senso FC. Ao mesmo tempo, telefonou
para José Maria Marin, outro eleitor dele, em Pequim, desejando-lhe
sorte antes do jogo contra a Argentina e, depois, parabenizando-o pelo
resultado, segundo a CBF divulgou.
Na reinauguração do Mineirão, em abril do ano passado, Marin
participou das homenagens a Aécio e o sítio da CBF também noticiou com
destaque, coisa que o político escondeu em sua página ao ocultar tanto a
foto quanto o nome do cartola.
Atitudes que fazem parte do jeito dele de ser, mineiro, maneiro e, agora, marineiro.
Quando tinha apenas 25 anos, Aécio foi nomeado diretor de Loterias da Caixa Econômica Federal. Era ministro da Fazenda, no governo Sarney, seu parente, Francisco Dornelles.
Havia três anos que a revista “Placar” denunciara o caso que
ficou conhecido como o da “Máfia da Loteria Esportiva” e o presidente da
CEF, ex-senador por Pernambuco, Marcos Freire, determinou que o banco,
até então nada colaborativo nas investigações, não ocultasse coisa
alguma, até para tentar restabelecer a credibilidade da Loteca.
Aécio fez que atenderia, mas não atendeu, apesar de publicamente
lembrado do compromisso pelo diretor da revista num programa, na rádio
Globo, comandado por Osmar Santos.
Em 2001 quando Aécio já era presidente da Câmara dos Deputados, uma nova simulação. Corria um processo de cassação do mandato do deputado Eurico
Miranda, presidente do Vasco da Gama, e do mesmo partido de Francisco
Dornelles, o Partido Popular.
A cassação era dada como certa até que, no dia da decisão, sob a
justificativa de comparecer ao enterro da mãe de Dornelles, Aécio se
ausentou e o processo acabou arquivado pela mesa diretora da Câmara.
Aécio deixou uma carta a favor da abertura do processo, sem qualquer valor prático. E deixou de votar, o que teria consequência.
Conselheiro do Cruzeiro, foi Aécio quem fez do ex-presidente do
clube, Zezé Perrela, o suplente de Itamar Franco, eleito senador, aos 80
anos, em 2010, e falecido já no ano seguinte.
Tudo isso, e apenas no que diz respeito, direta ou indiretamente, ao futebol brasileiro, revela um estilo, um modo de ser.
Que não mudará, caso seja eleito presidente da República, o
futebol brasileiro, como Marin, aliás, acha que não tem mesmo de mudar.
É razoável supor que a candidatura
de Dilma Rousseff enfrente resistência em São Paulo num grupo bem
específico: eleitores de inclinação religiosa evangélica – na maioria
pentecostais – e da Classe C.
O Brasil é um país assolado pela cocaína e o crack, e vizinho de produtores e comerciantes de drogas.
Não se pode correr o risco de ter um Presidente que foi usuário de drogas.
Só um exame público, na Fundação Oswaldo Cruz, diante das câmeras da Globo – e do Conversa Afiada – com médicos especializados, escolhidos pelas duas campanhas – poderá esclarecer essa dúvida cruel.
Que não é só do Conversa Afiada,
mas de toda a família Perrella e do respeitado jornalista Fernando
Barros e Silva, hoje na revista piauí, e que militou na Fel-lha (no ABC do C Af), com destaque, por muitos anos.
Reveja
os trechos do programa Roda Morta em que Barros e Silva, de forma
corajosa, apesar do âncora (…), trata da “questão moral”, a partir da
confissão do próprio candidato tucano de que já consumiu maconha:
O senhor foi usuário de cocaína ?
É uma pergunta que todo brasileiro tem o direito de fazer !
E
que, indiretamente, fez, como lembra Barros e Silva, o ardoroso
defensor da candidatura Aécio, o agora eleito senador Padim Pade Cerra.
Num
artigo na Fel-lha de São Paulo, em 15 de dezembro de 2013, Cerra, que
ainda disputava a candidatura a Presidente pelo PSDB, exigiu que o
debate sobre o consumo de cocaína fizesse parte das questões eleitorais
em 2014.
Todos se lembram de um dos capítulos dessa sangrenta
disputa entre Cerra e Aécio, num sábado, no Estadão, quando um redator
da turma do Cerra escreveu celebre artigo “Pó pará, governador”, para
se referir a Aécio.
(É constrangedor assistir, hoje, a cenas em
que o Padim Pade Cerra se posta ao lado de Aecioporto, candidato a
Presidente. Não se distingue quem demonstra odiar mais o outro…)
-
Aécio completamente alcoolizado, mal se equilibra nas pernas, entra num
botequim da zona Sul do Rio, à noite, e recompensa um garçom com gorda
gorjeta;
- depois, numa reportagem da Globo (da Globo !!!), se vê que a carteira de motorista dele está vencida;
- e que ele se recusa a fazer o teste do bafômetro: “preferiu não se submeter ao bafômetro”, diz o BO.
Quer
dizer, então, amigo navegante evangélico, que corremos o risco de, numa
emergência, numa crise que acabe de estourar, o Presidente da República
poderá estar alcoolizado, sem poder andar – nem se dirigir à Nação ?
Quer dizer, então, amigo navegante evangélico, que o candidato da Moralidade se recusou a fazer o teste do bafômetro ?
Como
diz aquele amigo navegante, se ele não respeita o teste do bafômetro,
obrigação mínima, elementar de todo cidadão civilizado, quem garante que
ele, Presidente, respeitará a Constituição ?
Quem garante que ele não feche TODOS os blogs ?
Inclusive este ?
Ou as igrejas evangélicas que não sigam o Malafaia e o Pastor Everaldo ?.
Em tempo: amigo navegante lembra de outro assunto que o PT poderia explorar, não fosse o Partido da Tremedeira:
A lista relacionaria as pessoas beneficiadas pelo caixa de campanha de Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas Gerais
A
ação penal no 1.274 da Procuradoria Geral da República – o chamado
“mensalão tucano” – traz elementos contundentes sobre a participação do
ex-governador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB) no desvio de 4,5 milhões de
reais (valores da época) de três estatais mineiras – Copasa, Cemig e
BEMGE – para sua campanha eleitoral.
Mas traz informações
esclarecedoras sobre a tal “Lista de Furnas”, que relacionaria as
pessoas beneficiadas pelo caixa de campanha. Há uma discussão permanente
sobre a veracidade ou não da lista.
Nomeado ministro da Fazenda por Aécio Neves, caso o tucano seja eleito presidente, ex-presidente do Banco Central defende "correção de rumo" na área dos bancos públicos no Brasil; "Não estou advogando aqui fechar o BNDES", ressalta ele; "Mas não sei muito bem o que vai sobrar no final da linha, talvez não muito"; segundo Armínio Fraga, modelo com três grandes públicos brasileiros, BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica, "não é favorável ao crescimento"
247 -Já nomeado ministro da Fazenda em um eventual governo de Aécio Neves (PSDB), Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, defende a redução do papel dos bancos públicos na economia brasileira. Em um áudio divulgado peloblog O Cafezinho, ele chega a dizer que não sabe bem "o que vai sobrar no final da linha, talvez não muito".
No trecho da apresentação, Armínio afirma que o modelo brasileiro formado por "três grandes bancos públicos em atuação", BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, "não é um modelo favorável ao crescimento, ao desenvolvimento" do País. "Sabemos, da nossa própria história e da história universal dos bancos públicos", justifica.
Leia abaixo o post do Cafezinho e ouça o áudio:
Armínio Fraga defende redução dos bancos públicos
Por Miguel do Rosário
Arminio Fraga defende redução dos bancos públicos
Tem apenas 1 minuto.
Escute o áudio de Armínio Fraga, já "nomeado" por Aécio Neves como seu eventual ministro da Fazenda, defendendo redução do papel dos bancos públicos. Ao final, uma frase com reverberações sinistras: "não sei bem o que vai sobrar ao final da linha, talvez não muito".
É importante destacar que Fraga mente ao falar da "história" do crescimento.
Todos os países desenvolvidos cresceram com enormes investimentos públicos. E hoje, os países que mais crescem, são os que tem bancos públicos fortes, como China.
E os bancos privados são justamente os principais responsáveis pelas periódicas crises financeiras que vem drenando recursos do Estado para mãos de algumas instituições bancárias.
A acusação de que os bancos públicos são capturados por interesses "públicos e privados" é inconsequente, porque finge ignorar que o mesmo acontece, numa escala infinitamente superior, com os bancos privados.
Os bancos públicos são a salvaguarda da nossa soberania econômica e, portanto, também política.
Os bancos públicos são o único instrumento do povo para reduzir o spread bancário e os juros reais, coisas com as quais Fraga não se preocupa.
O Brasil já conhece Armínio Fraga. Ele foi presidente do Banco Central, e sua primeira medida foi elevar os juros para 45%.
Armínio Fraga foi um dos braços direitos de George Soros, apelidado de o "destruidor de países".
É, meus amigos e amigas, os abutres estão vindo para cá.
PS:
Assistam a esse vídeo, onde Armínio fala que o salário mínimo subiu demais.
O argumento de Armínio, de que é preciso guardar relação entre a produtividade e o salário, é uma falácia, porque o aumento do salário estimula, justamente, o aumento da produtividade do trabalhador. Não é culpa do mesmo se o empresário não investe em tecnologias que elevem a produtividade da firma.
Ao contrário, salários historicamente baixos sempre fizeram os empresários preferirem contratar "escravos" a investir em criatividade e inovação.
Resolvi traduzir em fatos, ao longo dos próximos dias, qual é o
significado das tais “medidas impopulares” que Aécio Neves, com Fernando
Henrique e Armínio Fraga a tiracolo, andou prometendo para a fina flor
do capital, a fim de “recuperar” a economia.
E começo com uma das que , com certeza, está no topo da lista: o
esfriamento dos empréstimos concedidos para a compra da casa própria.
Os números espantosos sobre financiamento imobiliário no Brasil – ou
sobre a falta dele, antes de Lula e Dilma – dispensam maiores
explicações.
Num único ano do governo Dilma são contraídos mais financiamentos
para casa própria em número muito maior do que cada um dos governos de
Fernando Henrique.
Na Caixa, 68,5%, e nos bancos privados.
O deficit habitacional brasileiro caiu de 12 milhões de moradias para 5,6 milhões, 2 milhões delas no Nordeste.
Note lá no gráfico que a maioria (54%) dos tomadores de crédito, este ano, são pessoas jovens, com menos de 35 anos de idade.
Que, ao contrário de nós, estão tendo como chegar ao sonho da casa própria ainda bem novos.
E o que tem a ver isso com as tais prometidas “medidas impopulares”?
Isso aconteceu porque o Governo capitalizou, com recursos do Tesouro,
a Caixa – que é 100% estatal -, para que ela pudesse ter recursos para
financiar moradia.
Um governo disposto a seguir a cartilha neoliberal acabaria, de imediato, com este modelo.
Emissão de títulos, só para pagar mais juros, onde já se viu fazer isso para financiar casa própria?
Retornaríamos ao tempo em que isso ficava por conta dos bancos
privados essencialmente e, aí, para 300 ou 400 mil unidades financiadas,
e olhe lá.
Oitocentas mil famílias por ano voltariam a ficar de fora do mercado.
Isso vai ser dito ao povo brasileiro?
Ah, vai, sim.
A Presidenta não acusou ninguém especificamente -embora a tucanagem tenha vestido rapidinho a carapuça – mas chamou de criminosos os que espalham boatos deste tipo.
Quem faz isso é o quê?
O senador diz que vai esperar o resultado das investigações da Polícia Federal, mas “suspeita de que o boato pode ter sido resultado da antecipação de pagamentos por parte da Caixa”.
Não se vai perguntar ao Senador porque a liberação ocorreu na manhã de sexta-feira e a boataria só pouco antes das 13 horas de sábado.
Nem porque ela só ocorreu no Nordeste e no Rio de Janeiro.
O Senador segue um roteiro, tanto que já na manhã de ontem tinha convocado a coletiva onde iria exigir as tais “desculpas”, com base na entrevista dada no final da tarde pelo presidente da Caixa, Jorge Hereda.
O roteiro é o da radicalização e da agressividade, coisas nas quais ele não é propriamente um especialista.
Ele não tem jeito para ser um novo Serra, o “abominável Aécio das Neves”.
Se ele próprio, carioca da praia, não sabe segurar a onda, seus marqueteiros deveriam se advertir de que a estratégia de tentar, por esse caminho, retomar o espaço que perdeu na direita para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, é arriscadíssima.
É que, chamando Dilma e Lula para o confronto, corre o risco de ficar gravemente contundido já nos primeiros minutos do jogo sucessório.
No texto de retorno deste blog, afirmamos que, se não fosse a capacidade de Lula de desmascarar farsas, como fez com o caso da bolinha de papel transformada em petardo contra José Serra, “ estaríamos todos nos desculpando com os senhores da mídia”.
O noticiário de hoje sobre o criminoso boato do fim do Bolsa Família é um bom exemplo do que se disse.
O presidente da Caixa, Jorge Hereda, deu uma entrevista mostrando gráficos que provam que, mesmo com os saques liberados, não houve corrida aos terminais eletrônicos da Caixa a não ser depois de ter sido lançado o boato de extinção do programa.
Gráficos que não foram, ao menos que eu visse numa passada de olhos pelos jornais, mostrados na imprensa de hoje.
A mídia prefere dar manchete ao pedido de desculpas por uma demora no anúncio da liberação dos saques antecipados e quase nada sobre a informação com que a Caixa começa e termina seu comunicado oficial : “não foi a flexibilização dos pagamentos que causou corrida às agências e canais de atendimento da CAIXA.”
Os dados e a afirmação do banco estatal são mencionados lá no final, e de passagem.
Mas, reconheça-se, isto é, além da parcialidade completa da mídia, resultado de uma postura tatibitati com que parte deste Governo se comporta. Mais preocupados em serem “bonzinhos”, “republicanos” e “politicamente corretos”, acabam sendo lenientes com um ato criminoso indisfarçável.
“O que mais falar com um ato de vandalismo desse? Ou seja, eu só espero que se descubra quem fez isso, porque brincar com as pessoas mais pobres desse país é, eu diria, uma ofensa”.
A mesma reação indignada que teve Dilma Roussef, mas que, parece, não se espraiou para os quadros dirigentes do Governo e de sua base política.
Ofende a inteligência pública que se esteja montando uma armação onde as vítimas – Governo e Caixa – estejam sendo levadas à condição de culpadas.
Assim como ofende ao bom-senso que, entre os primeiros sacadores da “onda” de boatos não se possa ter uma informação de como receberam a notícia falsa.
A impressão que se tem é que isso está mexendo com gente graúda da oposição ou com algum interesse poderoso, tamanho é o empenho da mídia em fazer disso um caso “Doca Street”, onde a vítima de assassinato, Ângela Diniz, foi exposta na mídia como alguém que provocara aquele crime.
Alguns dos colunistas da grande imprensa chegam a dizer que há suspeitas de que a Polícia Federal tenha mencionado a descoberta de que uma empresa de telemarketing disseminou a informação seja uma mentira, para “livrar a cara da Caixa”.
Quem conhece a Presidenta Dilma Roussef sabe que ela, no caso de existir um culpado na equipe de Governo, já teria “passado o rodo” no responsável.
Mas, quem conhece este Governo sabe também que, no caso de haver algum figurão tucano-midiático no meio da história, a coisa fica que nem uma batata quente, que se sopra para esfriar.
Desde a semana passada até o presente momento eclodiu uma crise política que ainda é pequena, mas que pode crescer. Ou não, caso o governo Dilma recue da investigação de boato sobre o Bolsa Família que gerou pânico em 12 Estados e em localidades do Rio de Janeiro.
Entre os dias 18 e 20 de maio, foi espalhado que o Bolsa Família seria extinto. Assim, centenas de milhares de pessoas acorreram, desesperadas, a agências da Caixa Econômica Federal para tentar sacar o que seria a última parcela do benefício.
Lá chegando, as vítimas conseguiram sacar o benefício e, algumas, até uma parcela a mais do que esperavam. Isso teria ocorrido porque a Caixa estaria promovendo alteração do cadastro de informações de todos os programas sociais que o banco administra.
Em coletiva de imprensa, Jorge Hereda, presidente da instituição, informou que seu sistema tinha acima de dez anos de vigência e, assim, precisava ser atualizado. Havia mais de 200 milhões de cadastros e, após a triagem, foram identificadas cerca de 1 milhão de famílias que teriam dois ou mais cadastros.
A Caixa, anteriormente, divulgou que antecipara pagamentos para o dia 19 de forma que os alarmados pelo boato não entrassem em pânico, mas, agora, desmentiu a informação, afirmando que os recursos já estavam disponíveis no dia 18.
Em resumo, o banco errou ao dizer que liberou o dinheiro para acalmar os alarmados pelo boato, que acorreram às suas agências no dia 19, sábado, data em que a informação falsa produziu os efeitos que se viu.
Esse erro motivou convite da oposição ao presidente da Caixa para ir ao Congresso dar explicações. Parlamentares do PSDB e do DEM insinuam que tal erro causou o pânico, não uma orquestração do boato.
A tese da oposição e da mídia é a de que, ao encontrar dinheiro depositado antes nas contas, as pessoas entraram em pânico. A antecipação seria sinônimo de que o programa iria acabar e, assim, uma vítima começou a dizer a tese à outra e todas se deixaram convencer por ela.
Todavia, a tese não explica porque só Pará, Piauí, Paraíba, Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Amazonas, Tocantins e regiões localizadas do Rio de Janeiro foram atingidos se o Bolsa Família está presente no país inteiro.
O dinheiro que estava liberado nesses Estados, estava também naqueles em que não houve corrida às agências da Caixa. Por que nos Estados do Sul, do Sudeste e do Centro Oeste não houve a mesma corrida se a disponibilização do dinheiro ocorreu em todos os Estados?
Mais: como as vítimas do boato saberiam que o dinheiro foi disponibilizado antes do dia de costume? Para irem ao banco verificar se o dinheiro estava lá, seria preciso que tivessem motivo.
A tese da oposição e da mídia é a de que alguns encontrarem dinheiro antes da hora em suas contas fez com que começassem a espalhar que o benefício seria extinto (?).
Volta-se, assim, ao ponto de partida: a teoria, de novo, não explica por que no resto do país, apesar de ter ocorrido a mesma liberação antecipada do dinheiro que houve no Norte e no Nordeste, não ocorreu pânico.
Por enquanto, a mídia não assumiu a acusação que alguns de seus colunistas vêm fazendo ao governo de que este teria montado a farsa do boato a fim de demonstrar a importância do programa e acusar a oposição.
A tese de jornalistas como Ricardo Noblat ou Reinaldo Azevedo, entre outros, não é pouca coisa: a própria Dilma Rousseff, seus ministros e até o presidente do PT, Rui Falcão, estariam mancomunados nessa farsa.
Na oposição ainda não há uma acusação desabrida ao governo de ser o autor da farsa, mas oposicionistas endossam a tese de forma avulsa.
A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, que no primeiro momento desse caso insinuou que haveria envolvimento da oposição, encolheu-se. O ministro da Justiça despolitizou completamente o caso e o PT vem assistindo impassível às insinuações.
Contudo, notícia divulgada no fim de semana açulou os ânimos da oposição e da mídia: empresa de telemarketing do Rio estaria envolvida na disseminação de boatos.
Imediatamente, as acusações da oposição e da mídia, que vinham esmaecendo, recobraram vigor e foram parar no Jornal Nacional de ontem, além de nos blogs e portais.
A notícia sobre a empresa de telemarketing reforça a tese da orquestração que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tem dito ser uma das hipóteses com as quais a Polícia Federal está trabalhando.
A tese da orquestração não é aceita pela mídia caso parta do governo, só vale quando a oposição a usa. E, assim mesmo, o que parece mais interessante a essa mídia é a tese de o boato ter surgido espontaneamente, por culpa da antecipação dos pagamentos pela Caixa.
No fim, o que se pretende é que fique o dito pelo não dito. O governo se convence de que, se insistir na investigação, a mídia e a oposição conseguirão inverter os fatos e, assim, desiste de ir até o fim.
O histórico do governo Dilma sugere capitulação, apesar de estarem surgindo cada vez mais informações curiosas sobre o caso, como a da empresa de telemarketing do Rio.
Apesar de os dados figurarem no portal da transparência, lá não era possível saber quem entrou no programa quando foi criado e permanece nele até hoje. O governo acabou enviando esses dados ao jornal em março, fornecendo-lhe mais de 500 mil nomes.
Suspeita-se de que esse interesse do jornal pelo Bolsa Família teria relação com o boato sobre o fim do programa e de que seus autores ficaram sabendo da mudança nos cadastros da Caixa e se aproveitaram dela para desfechar o golpe.
No PT e no governo Dilma há quem defenda deixar o dito pelo não dito. Levar o caso adiante seria dar à mídia e à oposição o argumento de que o governo promove práticas ditatoriais contra os adversários.
Segundo esses setores do PT e do governo Dilma, a PF – que esse governo supostamente comanda – não irá apurar nada porque seria toda demo-tucana, apesar de ser o mesmo governo quem nomeia e demite do primeiro ao último homem da corporação.
A lógica, ao fim e ao cabo desta análise, sugere que a capitulação do governo nesse caso ensejará uma onda de ocorrências do mesmo tipo daqui até o processo eleitoral do ano que vem a fim de vender ao eleitorado que “o PT e Dilma” querem acabar com o Bolsa Família.
O “problema” é que essa investigação pode – apenas pode, mas pode – esbarrar em gente muito poderosa ligada à oposição e à mídia. Levá-la adiante seria um fato inédito desde 2003 até hoje, quando os governos Lula e Dilma capitularam em todos os enfrentamentos.
Menos no eleitoral, claro.
A grande pergunta que se faz, portanto, é se o governo Dilma e o PT, que estão cada vez mais encolhidos diante da gritaria da oposição e da mídia, mudarão de conduta de forma tão radical e, por fim, enfrentarão adversários que querem vencê-los por meio de golpes.
Se o fizerem e as suspeitas crescentes se confirmarem, haveria uma hecatombe política. O envolvimento de grandes partidos de oposição e até de algum grande grupo de comunicação, seria o maior escândalo político do século XXI no Brasil, acima do mensalão.
Façam suas apostas.
Veja, abaixo, entrevista coletiva do ministro da Justiça sobre o caso
'Eu não sei quem teria condições de fazer uma brincadeira estúpida dessa com as pessoas mais pobres deste país', disse o ex-presidente, sem comentar as mudanças feitas pela Caixa no calendário de pagamento do benefício
247- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou os boatos sobre o fim do Bolsa Família de "atos de vandalismo". No entanto, Lula não comentou as mudanças feitas pela Caixa Econômica Federal no calendário de pagamento do benefício.
“Só espero que se descubra quem fez isso porque brincar com as pessoas mais pobres deste país é uma ofensa”, afirmou. “Eu não sei quem teria condições de fazer uma brincadeira estúpida dessa”.
O comentário foi feito depois de ser homenageado no evento Dia da África realizado pela prefeitura de São Paulo. Segundo o ex-presidente, o Bolsa Família é responsável por parte do crescimento econômico do país.
Segundo o ministro da Justiça, o que levanta a suspeita é a velocidade com que os boatos sobre o fim do Bolsa Família se espalharam; "Não podemos afastar a hipótese de ter havido orquestração desses boatos sabe-se lá por que razão", disse; de acordo com ele, a PF está investigando o caso com "absoluta prioridade"
Thais Leitão Repórter da Agência Brasil
Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta terça-feira (21) que a velocidade com que os boatos sobre o fim do Bolsa Família se espalharam levanta a suspeita de que a ação possa ter sido "orquestrada".
"Isso chama a atenção porque tivemos a eclosão [dos boatos] em vários pontos diferentes do território nacional e com uma velocidade espantosa. Não podemos afastar a hipótese de ter havido orquestração desses boatos sabe-se lá por que razão. Evidentemente houve uma ação de muita sintonia, mas isso nos leva a cogitar essa hipótese", disse ao acrescentar que haverá rigor nas punições, embora ainda não seja possível identificar quais delitos foram cometidos.
Quanto à possibilidade de motivação política para a divulgação dos boatos, Cardozo disse que ainda é cedo para qualquer posicionamento. "Seria leviano da minha parte, como ministro da Justiça, falar sobre isso enquanto a apuração não for concluída", destacou.
Segundo ele, a PF está investigando o caso com "absoluta prioridade". "Ações como essas mostram um profundo descompromisso com o interesse público e com o país."
A informação falsa de que só seria possível sacar o benefício até sábado (18) levou muitas pessoas às agências da Caixa Econômica Federal e dos Correios.