Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 15 de abril de 2014

Como O Globo pode ajudar a manter o Tijolaço. Ou uma aula de como responder a corja de canalhas golpista.

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Soube que o jornal O Globo está procurando uma associação entre este blog e publicidade oficial ou financiamento por algum órgão público, empresa ou político.
Então, vou facilitar a vida do colega escalado para fazer o “serviço”.
O Tijolaço  sempre foi registrado em meu nome.
Já tentei fazer algumas parcerias para editá-lo, infelizmente, mal-sucedidas.
Ele é uma microempresa – Blog Tijolaço Comunicação Ltda ME , CNPJ 19.438.674/0001-09 – que recebe e paga exclusivamente através da conta corrente 50629-X, agência 1578-4, do Banco do Brasil.
Dela, somos sócios eu e Miguel do Rosário. Apenas, ninguém mais.
Disponho aqui, e usarei, do extrato bancário da conta que foi, finalmente, aberta em fevereiro, depois de muita burocracia, onde se verá que as únicas entradas de dinheiro em nossa conta são provenientes de depósitos modestos de nossos leitores (à exceção de dois,  feitos por pessoas que tiveram a generosidade de depositar R$ 500 e R$ 1 mil). Todos entre R$ 10 e R$ 200, além de transferências doPay Pal (assinatura por cartão de crédito) e R$ 4.600 provenientes de anúncios do Google, além de um único frila que fiz para uma empresa privada, referente à pesquisa de dados na Internet.
Nunca houve qualquer outra conta bancária, pagamento ou recebimento do Tijolaço.
Teria todo o direito, de, com quase quatro milhões de pageviews no mês passado, receber publicidade. Mas anunciantes, públicos ou privados, se retraem e tem medo de veicular nos blogs e ficarem “mal-vistos”.
Também usarei, se necessário, meu  próprio extrato bancário, demonstrando que “comi”, no ano passado, o que havia economizado nos tempos em que tive cargo público e, muito embora engravatado, vivi modestamente, almoçando no “a quilo” Sertão e Mar, ali na Vila Planalto, em Brasília, que talvez algum de seus repórteres em Brasília possa conhecer dos tempos de vida dura.
Se o jornal estiver interessado em documentos comprometedores ou em alguma relação profissional que tive no passado, terei prazer em exibir os contracheques de pagamento feitos a mim por O Globo em 1978 – a data é esta, mesmo.
Basta me mandar um e-mail e marco dia e hora, em local público, para mostrar todos os documentos, desde que o jornal os publique.
E eu também os publicarei aqui.
Não apenas não recebi para participar da entrevista com Lula como ainda paguei a passagem do meu bolso, que anda apertadíssimo.
Se for uma matéria simplesmente jornalística, ótimo, a casa agradece.
Sobre minhas posições políticas, estão no blog, públicas, publicadas e assinadas.
Sobre  quem financia o blog, agora também estão.
Não há nada o que esconder.
Mas  não vou ser ingênuo de não entender que, mais importante do que a intenção do repórter é o desejo do jornal.
Agora, se O Globol pensa em se vingar do Tijolaço porque eu revelei – depois de 20 anos – ter redigido o texto do direito de resposta de Leonel Brizola na Rede Globo, meu desejo ardente é o  que publique qualquer insinuação sobre nós.
Será, afinal, uma forma de ajudar a financiar este blog, porque será movido, imediatamente, um processo contra a empresa.
Aqui não tem ninguém medroso, que dobre os joelhos quando ouve o nome da Globo.
Tive vinte e dois anos de escola com Leonel Brizola, não vou desaprender agora.
Se algum repórter me procurar, será muito bem atendido, mas as informações já estão públicas.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Eu, o Estadão, o G1 e os black blocs


De quarta (29/01) para quinta-feira (30/01), ocorreu um fato surpreendente envolvendo este que escreve, uma repórter do jornal O Estado de São Paulo, outra do Estadão e pessoas que falam em nome do grupo que usou tática black bloc para “coroar” o protesto contra a Copa de 2014 que ocorreu em São Paulo no último sábado (25/01).
O fato surpreende pelo ineditismo: repórteres dos veículos supracitados telefonaram para me ouvir sobre a campanha de arrecadação de doações que este Blog promoveu para que o dono do fusca incendiado naquele protesto pudesse comprar outro veículo, pois utilizava o que perdeu para trabalhar.
O que é inédito? Repórteres da Globo (G1) e do Estadão procurarem um blogueiro que, através da ONG que fundou em 2007 (o Movimento dos Sem Mídia) juntamente com seus leitores, representou várias vezes ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal contra esses dois veículos – e vários outros – devido a campanhas midiáticas deles que entendeu que violaram o interesse público.
Este blogueiro, além de ter representado contra esses veículos – e de ter ao menos uma dessas representações aceita pelo Ministério Público Federal (Caso da Febre Amarela, em 2008) – também promoveu vários atos públicos diante da Folha de São Paulo, como no caso da Ditabranda, em 7 de março de 2009, por o jornal ter afirmado, em editorial, que a ditadura militar, no Brasil, teria sido “branda”.
Detalhe: aquele ato, convocado através deste blog, juntou cerca de 300 pessoas diante da Folha, segundomatéria que o próprio jornal escreveu no dia seguinte (08/03/2009).
Outro detalhe: a representação contra alarmismo da mídia em relação à febre amarela foi aceita pelo Ministério Público Federal, que abriu investigação inclusive contra as Organizações Globo e o Estadão, que tiveram que constituir advogados para se defender de processo que acabou arquivado devido ao fim da lei de imprensa, base da acusação da ONG.
Enfim, a maioria dos leitores deste Blog já conhece a sua longa história de questionamentos da grande mídia (com destaque para Globo, Estadão e Folha) inclusive por vias legais, conforme comprovado acima.
O que me surpreendeu, portanto, foi ter recebido ligações das duas repórteres do Estadão e do G1, pois não sou lá muito bem quisto nesses veículos. Por conta disso, fiz questão de conceder entrevista às jovens repórteres que me procuraram para falar do caso do fusca incendiado por black blocs no último sábado (25/01). Queria ver no que ia dar…
E vi.
As repórteres Bárbara Ferreira dos Santos (Estadão) e Lais Cattassini (G1) foram amáveis e ouviram atentamente meu relato sobre o caso do fusca. Fizeram pouquíssimas perguntas, ao passo que falei muito ao telefone. Outra surpresa, portanto, foi as matérias que fizeram terem saído bem menos ruins do que imaginava.
Mas, claro, as matérias sugerem que suas autoras pecaram por falta de apuração, talvez por certa preguiça, mas, muito provavelmente, por ordens superiores ou para tentar agradar a esses superiores deixando margem a dúvidas que não poderiam existir.
Por que? Pois muitas das afirmações que eu e os black blocs fizemos sobre as campanhas poderiam não ter ficado somente no declaratório; as informações poderiam ter sido checadas.
Explico: os black blocs afirmaram à jornalista Lais Catassini (G1) que eu teria feito a campanha de solidariedade por conta de minha candidatura a algum cargo eletivo neste ano. Ora, ela poderia ter verificado se me filiei a algum partido, pois se eu não tiver filiação partidária – e não tenho – não posso me candidatar a nada.
Expliquei isso a Lais, mas o fato ficou de fora da matéria. Ela preferiu destacar afirmação dos black blocs de que eu teria me “apropriado” de doações que não partiram da campanha #VaiTerFusca, pois não teriam sido feitas na conta de Itamar dos Santos, dono do fusca incendiado, a partir da campanha em tela e, sim, por outros meios – que não disseram quais foram nem ofereceram qualquer prova, como faço aqui.
Bárbara (do Estadão) foi na mesma linha.
Apesar disso, informei às duas mocinhas que poderiam verificar algumas coisas no Facebook e neste blog mesmo.
Primeiro, que a campanha foi lançada na rede social no dia 26 de janeiro às 17:49 hs. O post (vide abaixo) recebeu 242 comentários, 378 “likes” e 178 compartilhamentos. Lá, fazendo as contas, pode-se perceber que se toda aquela gente doasse recursos ao dono do fusca (doações de 30, 50 e até 100 reais) já daria para resolver o problema dele.
Abaixo, o post. Vale a pena ler os comentários
(clique na imagem para ir ao meu perfil no Facebook e ver as postagens seguintes)
Se qualquer pessoa interessada nos fatos for às postagens seguintes no Facebook e no Twitter (a partir das 17:49 hs de domingo, 26 de janeiro) poderá ver que centenas de pessoas prometeram doar recursos ao dono do fusca incendiado. Ora, se 200 pessoas doam, em média, 30 reais, chega-se facilmente a uns 6 mil reais.
Essa meta foi ultrapassada porque, além dos doadores iniciais, centenas de leitores deste blog, nos dois posts anteriores a este, propuseram-se a doar e, após fazer as doações, voltaram a esta página para confirmar que tais doações foram feitas, tendo o mesmo acontecido no Twitter e no Facebook.
Aliás, nessas redes sociais, a partir das 17:49 hs. de 26 de janeiro último, além dos relatos de quem depositou há, também, imagens digitalizadas dos recibos de depósito. Recebi, também, algumas dezenas desses recibos por e-mail e via mensagens privadas nas redes sociais – só não vou reproduzir porque tais recibos têm os dados dos depositantes e é meu dever preservá-los.
Mas quem quiser, repito, pode ir às redes sociais e verificar meus perfis a partir da data e hora do início da campanha #VaiTerFusca. Basta querer os fatos em vez de versões deles. E também aos posts deste blog que trataram do assunto (aqui e aqui), onde serão encontradas CENTENAS de promessas ou de confirmações de doações ao dono do fusca incendiado.
Se não fosse suficiente, bastaria G1 e Estadão reproduzirem os vídeos dos posts supracitados.
Aliás, no primeiro desses posts poderiam verificar a data e hora da veiculação do número da conta do senhor Itamar, dono do fusca incendiado, e verificar se encontram esse número em algum outro site ou rede social com data e hora anteriores. Não encontrando, saberiam que se esse número foi reproduzido em alguma parte, foi tirado daqui.
Por fim, as repórteres poderiam ter perguntado ao senhor Itamar se ele passou a sua conta no Itaú a mais alguém – e esse senhor só recebeu dinheiro em sua conta no Itaú, ele deixa isso claro nos vídeos que gravei com ele.
Se as jovens repórteres tivessem perguntado, o senhor Itamar também diria que o rapaz representante dos black blocs que organizou a “vaquinha” (que ainda não pôs um centavo em suas mãos) ficou “muito nervoso” por ele ter se recusado a lhe passar o número de sua conta, pois não sentiu confiança.
O senhor Itamar me relatou que sua esposa, após “muita luta” do garoto black bloc, deu o número de sua conta de poupança no banco Bradesco, onde, até que que eu e ele conversamos (na quarta-feira), ainda não tinha caído nenhum centavo – e suspeito de que ainda não caiu, mas vou checar.
De qualquer forma, as matérias do G1 e do Estadão não foram tão ruins. Apesar de as repórteres de veículos que odeiam este que escreve terem dado a afirmações recheadas de provas (como as que fiz) o mesmo peso que deram a afirmações só de gogó dos black blocs, ao menos elas divulgaram suspeita que ainda mantenho contra as tais “vaquinhas”.
A razão dessa desconfiança se deve a que uma das “vaquinhas” já foi interrompida por suspeita de desvio de recursos, conforme matéria do Jornal da Cultura que você, leitor, pode conferir logo abaixo.
Só o que continuo sem entender, até o momento, é por que os black blocs – os quais, além de terem queimado o carro do senhor Itamar, ainda tentam posar de generosos – não depositaram suas contribuições direto na conta do homem. A esta hora ele já estaria com o dinheiro, tanto quanto está com o dinheiro da campanha #VaiTerFusca.
Mais um detalhe: da “vaquinha” que sobrou, segundo o Estadão o dono do fusca só verá cor do dinheiro em março. Mas para quê, se o objetivo é só ajudar? Só se os black blocs quiserem faturar politicamente em cima dessas doações… Se for, não terão êxito. Se você dá um tiro em alguém, não será levando flores para ele no hospital que elidirá o seu crime.
Confira abaixo, leitor, as matérias do Estadão e do G1 sobre o caso. E que cada um julgue como quiser. Até porque, essa novela não acabou.
—–
O ESTADO DE SÃO PAULO
Valor pode superar R$ 17 mil; grupos rivais divergem sobre autoria das doações
30 de janeiro de 2014 | 18h 53
O dono do fusca incendiado durante protesto contra a Copa do Mundo no último sábado, dia 25, na região central de São Paulo, já recebeu mais de R$ 7 mil de doações de voluntários em sua conta e na conta de sua mulher. O valor recebido pelo serralheiro Itamar Santos, de 55 anos, pode superar R$ 17 mil com a arrecadação de uma vaquinha online, que deve se encerrar até março.
Santos ficou surpreso com o montante das doações e afirmou que ainda não sabe o valor exato que está em sua conta bancária “Nem fui até o banco ver quanto recebi. Quem acompanha mais é a minha mulher, mas está chegando bastante doação”, disse. “Fiquei muito feliz, agradeço a todos os doadores, porque tem gente simples, que não tem muita coisa, e que depositou R$ 50 na minha conta. O brasileiro é muito bom. Acho que é muita coisa o que recebi, não mereço tudo isso não.”
Com o dinheiro, ele pretende comprar um carro novo, que usará para o trabalho de serralheiro. “Eu vou comprar um carro e está bom demais. Infelizmente não tem mais condição de reformar o fusca, que era muito velhinho. Com o calor do fogo, ele torceu muito. Eu vou pegar os documentos e levá-lo para o ferro velho”, afirmou.
Divergências. As doações ao serralheiro causaram discórdia entre dois grupos de doadores. Por um lado, há acusações de motivações políticas e de repúdio a manifestações populares. Por outro, há reclamação de falta de transparência na doação.
O grupo que organiza a campanha “Vaquinha para o dono do fusca incendiado”, no site vakinha.com.br, apoiado por movimentos como Anonymous e Black Blocs, disse já ter conseguido arrecadar mais de R$ 5 mil. O valor ainda não foi depositado na conta do serralheiro porque o grupo diz que pretende juntar R$ 10 mil até março e entregar o valor total a Santos. “Apesar da data limite, a campanha vai se encerrar assim que os valores confirmados chegarem à meta”, afirmou Mario Lopes, 33, estudante universitário, que criou a página da doação no site.
Já o blogueiro Eduardo Guimarães, de 54 anos, que divulgou em seu blog o número da conta bancária do serralheiro, afirmou que conseguiu arrecadar R$ 7,6 mil, depositados diretamente na conta de Itamar.
Lopes e outros organizadores da vaquinha online afirmam que o blogueiro teve motivações políticas para divulgar a conta do serralheiro e criticam declarações de Guimarães de que os depósitos foram fruto apenas de sua divulgação.
Segundo Lopes, pelo menos três grupos que apoiavam as manifestações se reuniram pelas redes sociais para doar dinheiro ao serralheiro e todos eles divulgaram tanto a conta de Santos quanto de sua mulher. “O Eduardo divulgou apenas a conta do sr. Itamar e um grupo, que reunia mais de 2 mil pessoas (um terceiro grupo, do qual Lopes não fazia parte), sabendo disso, destacou mais a conta da dona Cida. Mas sem promover ‘boicote’ à conta do sr. Itamar”, afirmou. Lopes disse ainda que muitas doações passaram a ser feitas por meio do site vakinha.com.br para que Guimarães não assumisse a autoria das doações.
O blogueiro, que critica as manifestações de Black Blocks, diz por sua vez que não teve motivação política para a divulgação da conta. “Foi por solidariedade ao Itamar, que teve seu fusca destruído por causa de anônimos que defendem tacar fogo em tudo”, afirma. Segundo ele, falta transparência nas doações que não depositam o dinheiro diretamente na conta de Itamar. “Podem fazer quantas campanhas quiserem, contanto que elas sejam transparentes. Por que acumular dinheiro naquele site, se tem o número da conta do Itamar? Ele vai receber mais rapidamente”, afirma. “Teve gente que pegou a conta dele, falou que ia doar e não doou até agora. No vídeo que eu publiquei, Itamar diz que mais de R$ 7 mil foram doados na conta dele e o fusca vale 4 mil no máximo e tudo isso graças à divulgação no meu site, no meu blog e no meu Facebook.”
Apesar das discussões, tanto Lopes quanto Guimarães afirmam que estão “felizes” que o objetivo de ajudar o serralheiro esteja sendo atingido com as campanhas de divulgação. Já Itamar disse que está chateado com toda a briga. “Para mim, tudo bem se quiserem me ajudar. Não sou rico para recusar. Se eu soubesse que ia dar briga, eu ia continuar batendo o pé de que não precisava doar nada. Não queria ficar no meio dessa situação. É desagradável, não precisa disso”, afirma. “Eu não estava contando com dinheiro nenhum, então o que vier será lucro.”
*
PORTAL G1
Duas campanhas arrecadam dinheiro para homem cujo carro pegou fogo. Incidente ocorreu durante protesto no sábado (25) contra Copa do Mundo.
Por Lais Cattassini
Do G1 São Paulo
Duas campanhas online de arrecadação de dinheiro para que o serralheiro Itamar Santos, de 55 anos, possa comprar um novo carro começam a conquistar colaboradores na internet. O Fusca dele pegou fogo na região da Praça Roosevelt, no Centro de São Paulo , durante protestos no sábado (25) contra a Copa do Mundo.
Com visões políticas distintas, os grupos organizadores também optaram por maneiras diferentes de entregar a quantia ao serralheiro, o que tem motivado críticas de ambos os lados.
No site vakinha.com.br , um grupo de jovens – grande parte formada por integrantes de táticas de protesto como o black bloc – arrecadou cerca de R$ 4.400. O objetivo, explica Mario Lopes, um dos organizadores, é reunir R$ 10 mil e comprar o carro para Itamar, que será entregue pessoalmente. “Qualquer diferença ou ‘sobra’ de valor será também entregue em mãos”, explica Lopes.
Já o blogueiro Eduardo Guimarães, que critica fortemente movimentos e táticas como os black blocs, optou por divulgar o número da conta do serralheiro e incentivar transferências. “Comecei a campanha e, já na segunda-feira, começaram os depósitos”, conta. Itamar afirma que já recebeu cerca de R$ 7 mil dessa forma.
Guimarães critica os organizadores da “vaquinha”, questionando a verdadeira finalidade do montante arrecadado. “Por que não depositam o dinheiro direto na conta dele, que eu divulguei? Acho que esse processo é opaco”, avalia.
As críticas de Guimarães são rebatidas por Lopes, que afirma que o blogueiro tem usado a situação para se promover. “[Ele está] inclusive se apropriando de doações de pessoas que jamais ouviram falar dele ou de sua ‘campanha’ para fazer disso uma plataforma política.”
Independentemente de quem veio o dinheiro ou de quais são os interesses por trás das campanhas, Itamar agradece as contribuições que recebeu e se sente feliz com as  iniciativas de ajuda. Só não aprova, porém, as discussões feitas em seu nome. “Me colocaram no meio desse bafafá, que eu não estou achando legal. Se quiserem me ajudar, ajudem. Mas já fiquei chateado com isso”, afirma.
O valor depositado na conta do serralheiro até o momento já é o bastante para repor o Fusca perdido, mas Itamar diz que prefere esperar. “Como estou usando o carro de um amigo, vou esperar mais um pouco para comprar o meu”, explica.
Se ele receber o automóvel prometido pelos organizadores da “vaquinha”, além do dinheiro já depositado em sua conta pela outra campanha, Itamar diz que não sabe o que fazer, nem mesmo se vai comprar um novo Fusca.
“Aconselhei que ele compre um carro com mais segurança, mas que seja capaz de manter depois”, sugere Guimarães.
Incêndio em Fusca
Quando entrou no meio da confusão, Itamar voltava para casa após ter participado de um culto na igreja evangélica que frequenta. O serralheiro contou que dirigia pela região da Consolação quando viu outros dois carros passarem sobre barricadas em chamas colocadas por manifestantes.
Ele resolveu seguir o mesmo caminho, mas um colchão pegando fogo se prendeu a seu Fusca. O homem ainda tem dúvidas se o colchão foi chutado por um ativista ou se acabou se prendendo ao assoalho do carro sem ajuda de ninguém.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Liberdade de expressão, a suprema ironia

*E se uma repórter do New York Times fosse presa na USP? 

*Exclusivo: afinal, o que mesmo o PSB propõe para o país? 

*PSB perde seis deputados para o novato PROS 

* E mais: Luizianne Lins fica no PT.Ex-prefeita de Fortaleza recusa convite de Eduardo Campos para ingressar no PSB.

* O relógio político corre: prazo fatal vence dia 5 para Marina e Serra.

*Ortodoxia neoliberal joga os EUA no limbo orçamentário, provoca regressão de 25 anos no investimento público na Espanha, gera derrota esmagadora do governo nas eleições municipais em Portugal e acumula 15,6 milhões de famintos nos países ricos.





Imagine se o presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos viesse ao Brasil convidado a participar de um seminário sobre constitucionalismo na Faculdade de Direito, em uma de nossas mais conceituadas universidades privadas, e um jornalista de um prestigiado jornal estadunidense, ao tentar localizar a sala onde o ministro estava, fosse preso, algemado, ficasse incomunicável durante cerca de cinco horas e fosse acusado de “invasão de propriedade privada”. O que diriam sobre a liberdade de expressão e a liberdade da imprensa no Brasil? Por Venício Lima.



A Ironia da Liberdade de Expressão – Estado Regulação e Diversidade na Esfera Pública: este é o título de um importante livro escrito pelo professor (hoje, “Emeritus”) da Yale Law School, Owen M. Fiss, onde se constrói o argumento sobre o papel fundamental do Estado como garantidor da liberdade de expressão (Renovar, 2005).

O que diria o professor Fiss sobre a prisão da jornalista Cláudia Trevisan, nas dependências da sua Yale Law School, quando, a serviço do jornal O Estado de S.Paulo, procurava localizar a sala onde se realizava o seminário “Constitucionalismo Global 2013” do qual participava o presidente do Supremo Tribunal Federal brasileiro, Joaquim Barbosa?

Os fatos
Segundo o Estado de S.Paulo, “os argumentos de Claudia não foram considerados pelo policial. Na calçada, ele a algemou com as mãos nas costas e a prendeu dentro do carro policial sem a prévia leitura dos seus direitos. Ela foi mantida ali por uma hora, até que um funcionário do gabinete do reitor da Escola de Direito o autorizou a conduzi-la à delegacia da universidade, em outro carro, apropriado para o transporte de criminosos. Na delegacia, Claudia foi revistada e somente teve garantido seu direito a um telefonema depois de quase quatro horas de prisão, às 21h20. O chefe de polícia, Ronnell A. Higgins, registrou a acusação de ‘transgressão criminosa’”.

A jornalista, por outro lado, afirmou “eu não invadi nenhum lugar (...) passei cinco anos na China, viajei pela Coreia do Norte e por Mianmar e não me aconteceu nada remotamente parecido com o que passei na Universidade de Yale” (ver aqui).

Para a Yale University, a prisão foi correta, isto é, “seguiu os procedimentos normais” e se justifica por ter havido “invasão” de propriedade privada. Na nota divulgada sobre o ocorrido está escrito:

Antes de chegar ao Campus da Universidade Yale no dia 26 de setembro para tentar entrevistar o ministro Barbosa, a sra. Trevisan já sabia que o Seminário Constitucionalismo Global ministrado por ele seria um evento privado, fechado para o público e para a imprensa. Ela invadiu a propriedade de Yale, entrou na Faculdade de Direito sem permissão e quis entrar em outro prédio onde os participantes do seminário estavam.

Quando ela foi questionada sobre o motivo pelo qual estava no prédio, ela afirmou que estava procurando um amigo com quem pretendia se encontrar. Ela foi presa por invasão de propriedade. A polícia seguiu os procedimentos normais, sem que a sra. Trevisan fosse maltratada. Apesar de justificada a prisão por invasão, a universidade não planeja acionar a promotoria local para levar adiante a acusação.

A Faculdade de Direito e a Universidade Yale acomodam milhares de jornalistas ao longo do ano para eventos públicos no campus e entrevistas com membros da comunidade de Yale e visitantes.

Assim como todos os jornalistas, a sra. Trevisan é bem-vinda para participar de qualquer evento público em Yale e falar com qualquer pessoa que desejar lhe conceder entrevista [Tom Conroy, Secretário de
Imprensa da Universidade Yale] (ver aqui).


Supremas ironias
Registro o fato, caro leitor(a), para pontuar as “ironias” que a vida nos coloca a cada dia.

A assessoria do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, informou que ele lamentou o episódio “uma vez que ela [a jornalista Claudia Trevisan] estava exercendo a sua profissão”. Ao mesmo tempo, afirmou que Joaquim Barbosa “foi informado sobre a prisão apenas na manhã deste sábado (28) e não teve qualquer interferência na organização do evento” (ver aqui).

Imagine se o presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos viesse ao Brasil convidado a participar de um seminário sobre constitucionalismo na Faculdade de Direito (de Direito!), em uma de nossas mais conceituadas universidades privadas (digamos, a Mackenzie) e um correspondente estrangeiro (digamos, do New York Times), ao tentar localizar a sala onde o ministro estava, fosse preso, algemado, ficasse incomunicável durante cerca de cinco horas e fosse acusado de “invasão de propriedade privada”.

O que diriam sobre a liberdade de expressão e a liberdade da imprensa no Brasil, não só o governo dos Estados Unidos, mas a mídia norte-americana e, sobretudo, a própria mídia nativa e seus porta-vozes?

No mundo em que vivemos, os julgamentos – da mídia e da Justiça – são sempre seletivos e obedecem a conveniências nem sempre confessáveis.

(*) Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado), pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbras) da UFMG e autor de "Conselhos de Comunicação Social – A interdição de um instrumento da democracia participativa" (FNDC, 2013), entre outros livros .

segunda-feira, 24 de junho de 2013

GLOBO E GURGEL QUEREM VOCÊ CONTRA PEC 37. É BOM?

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

SERRA ESCULACHADO. JA VAI TARDE...DEMOROU..

Vá se tratar, candidato Serra!



Leia manifesto que será enviado ao candidato do PSDB a prefeito de SP, José Serra. Se você concordar com seus termos, deixe comentário de apoio
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Senhor José Serra,
Quem lhe escreve não é só o signatário deste manifesto, mas a maioria de um povo que o elegeu prefeito de São Paulo em 2004 e que, em 2008, atendeu indicação sua e votou em Gilberto Kassab. Trata-se de uma maioria de 52% do eleitorado paulistano que, em recente pesquisa do instituto Datafolha, diz que não repetiria aqueles votos “de jeito nenhum”.
O senhor deve – ou deveria – ter ficado surpreso com essa pesquisa. Afinal, por que kassab, o prefeito que os paulistanos rejeitam, tem “só” 42% de rejeição e o senhor tem 52%?
A sua rejeição, candidato, cresce mais do que a do governante que São Paulo não suporta mais porque este ao menos fica de boca fechada, enquanto que o senhor aparece todo dia na televisão exaltando uma administração sobre a qual a opinião da maioria dos paulistanos ficou evidente na pesquisa em questão.
Claro, candidato, que o senhor dirá que sou apenas um “petista” e me mandará “para o Haddad”, assim como tem feito com tantos jornalistas e repórteres os quais, à menor pergunta incômoda, o senhor destrata e humilha. E, mais claro ainda, dirá que se alguém que o rejeita como eu lhe dá um conselho, este deve ser seguido ao contrário.
Engana-se, senhor candidato. O senhor deveria me ouvir. Digo-lhe, com pureza d’alma, que, para quem não quer que o senhor vença a eleição, sua conduta truculenta e mal-educada é bem-vinda, pois com ela a sua imagem se deteriora a cada dia. Todavia, tal conduta, ainda que suicida, esbofeteia São Paulo.
De sábado para cá, senhor Serra, tomei metrô duas vezes. A seguir, relato a diferença de sua propaganda para a vida real.
Na primeira, a composição chegou à estação “rateando”, aos solavancos, bem devagar. Os passageiros entraram nos vagões lotados, um calor desgraçado, ar-condicionado defeituoso. O condutor fechou as portas e o trem continuou parado. Minutos depois, seguiu viagem até a estação seguinte, quando o condutor, pelo alto-falante, mandou todo mundo descer.
Naquele momento, candidato, centenas de pessoas saíram protestando, ouviam-se gritos de “olha a propaganda do Serra aí, gente!”.
Na segunda viagem de metrô de sábado para cá, agora em horário de pico, após esperar a passagem de QUATRO trens, consigo embarcar. O mesmo calor, o mesmo ar-condicionado quebrado ou insuficiente. Uma senhora passa mal. Mais protestos. Novamente ouvem-se gritos sobre a sua propaganda que mostra um metrô que ninguém jamais viu.
Na região da Avenida Paulista, não se consegue andar cem metros sem ser abordado por um pedinte – em geral, crianças – ou sem tropeçar em algum morador de rua desfalecido no chão, seja por drogas, seja por álcool, seja pelo torpor de problemas mentais.
Nos semáforos, crianças ou esmolam ou tentam roubar os motoristas. São milhares de crianças abandonadas por toda cidade. Famílias inteiras dormindo ao relento. Favelas surgindo em qualquer terreno, inclusive nos bairros para os quais o senhor dá prioridade, os bairros ditos “nobres”.
Na extremidade Sul da avenida paulista, na avenida Bernardino de Campos, ao lado da igreja de Santa Generosa, surgiu uma favela onde, antes, era um estacionamento. As famílias vivem lá sem água encanada, sem luz, sem esgoto, em uma situação horrorosa. Já aparecem por lá tipos mal-encarados em conduta suspeita.
Dia desses, crianças desse “acampamento” começaram a tentar assaltar motoristas no semáforo da esquina, abertamente. Crianças pequenas, adolescentes, candidato…
Na madrugada de sábado para domingo, ainda no Paraíso, durante a madrugada, um tiroteio, gritos, sirenes, correria.
Poderia dizer da Saúde, da Educação, de tudo mais que está em estado de miséria na capital paulista, mas estaria chovendo no molhado.
A quase totalidade dos paulistanos sabe do desastre em curso na cidade, à exceção do senhor mesmo e de uma parcela do eleitorado que não raciocina porque se deixou engabelar por sua estratégia de ficar citando “mensalão” e José Dirceu em vez de nos dar alguma satisfação sobre tudo isso.
O senhor, candidato Serra, poderia ter a decência de parar de ficar falando em assuntos que nada têm que ver com a administração de São Paulo, como o julgamento do mensalão e o ex-ministro José Dirceu, e se ater ao que nos interessa, aos paulistanos, que é a administração da cidade. Até porque, todos já perceberam que sua conduta não passa de escapismo.
Não, não tenho esperança de que o senhor venha a se sensibilizar com este apelo para que adote uma conduta menos acintosa ao povo que o elegeu tantas vezes, mas tenho certeza de que, ao lhe escrever este texto, expresso opinião majoritária de uma cidade que está sendo reiteradamente esbofeteada por suas estratégias políticas.
A rejeição de que o senhor padece, repito, é maior do que a de seu preposto, Kassab, porque o senhor fala mais do que ele, que não dá satisfação a ninguém, e trata as queixas como se fossem produto de falta do que fazer. A campanha vai terminando sem que o senhor tenha reconhecido um único problema, limitando-se a exaltar o que a maioria diz que está péssimo.
Além disso, candidato, venho fazer outro apelo. Este, de cunho pessoal. Peço para que procure ajuda psicológica. Digo isso após ouvir resposta que o senhor deu em entrevista à rádio CBN, quando, perguntando sobre como combater violência nas escolas, disse que pretende identificar, entre incontáveis milhares de estudantes, os que possuam “potencial criminoso”.
Candidato, estamos falando de crianças e adolescentes que, mais do que autores, são vítimas da violência. A sua proposta, candidato, a exemplo de tantas outras, é uma sandice – na verdade, parece produto de sério desequilíbrio mental.
Como o senhor irá identificar “potencial criminoso” entre os alunos da rede municipal de ensino? Pela cor da pele? Pelo vestuário? E, uma vez identificado o “criminoso em potencial”, como o senhor irá tratá-lo? Aliás, uma pergunta: a ciência já descobriu como detectar “potencial criminoso” em milhares e milhares de crianças e adolescentes?
Certamente, candidato, ainda não é possível fazer o senhor entender que sua obsessão com “mensalão” e José Dirceu não lhe trará votos entre uma população que pede propostas para melhorar o que o senhor mesmo fez piorar. Todavia, depois que São Paulo chutar o seu traseiro no próximo domingo, sugiro que reconsidere a sugestão de ir se tratar.
Atenciosamente,
Eduardo Guimarães

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Compare os comportamentos de Serra e de Haddad


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Você que é eleitor em São Paulo e que ainda não se decidiu sobre em quem irá votar no próximo dia 28 para prefeito, é vital que ouça, abaixo, aos áudios em que transparecem os comportamentos de homem público dos candidatos José Serra e Fernando Haddad durante sabatina na rádio CBN.
Entrevista de Serra (16 de outubro)
Entrevista de Haddad (17 de outubro)