Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Ary Fontoura e a arte do senso comum

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"O governo do PT é o pior governo que já passou pelo Brasil. Resta saber para quem. Essa é a pergunta que deixo para Ary Fontoura que, se preferir, pode até interpretar no palco a sua resposta", diz o jornalista Marco Piva; "A liberdade de expressão está garantida na Constituição. Falta agora assegurar a pluralidade de informação. Uma carta com esse pedido especial o ator global poderia enviar para a família Marinho"

Por Marco Piva, na Carta Maior

hoje que artistas mostram suas preferências políticas e, a partir de sua condição pública, dizem coisas mais sérias e ajudam, bem como podem escorregar e não passarem de ventríloquos do senso comum. Parece ser este o caso de Ary Fontoura que pediu, em postagem nas redes sociais, a renúncia de Dilma Roussef. Apesar de deixar claro a que tipo de renúncia se referia, o que faz no final do texto, o ator global desfia uma série de jargões que não fariam feio na boca do mais despolitizado dos brasileiros em conversa de botequim.

Como explicar, então, que uma pessoa com longa vida profissional e a vivência do teatro, local de excelência para o exercício da cultura, faça o papel de reprodutor inocente de frases comuns? Vejamos algumas delas. 

(...) renuncie à falta de vergonha e aos salários elevados de muitos parlamentares (...) renuncie ao apadrinhamento político, aos parasitas, ao nepotismo; renuncie aos juros altos, aos impostos elevados, à volta da CPMF; renuncie à falta de planejamento, à economia estagnada; renuncie ao assistencialismo social eleitoreiro; renuncie à falta de saúde pública, de educação, de segurança (Unidade de Polícia Pacificadora não é orgulho para ninguém); renuncie ao desemprego; renuncie à miséria, à pobreza e à fome; renuncie aos companheiros políticos do passado, a velha forma de governar e, se necessário, renuncie ao PT”. 

Ao juntar alhos com bugalhos, em nome de uma suposta indignação que teria atingido “200 milhões de brasileiros” pelo quais diz falar, Ary Fontoura perde a grande chance de colocar os pingos nos “is”. O pedido de “renúncia” à falta de vergonha e aos salários elevados de parlamentares, bem como aos parasitas, ao nepotismo e à velha forma de governar, caberiam bem numa ampla e profunda reforma política, expressão que não sai da boca do ator em nenhum momento. Esse tipo de reclamação óbvia continua quando pede a “renúncia” aos juros altos, aos impostos elevados, à volta da CPMF, combinando com a “renúncia” à falta de planejamento, à economia estagnada. Mais uma vez, nenhuma palavra, sequer um miado, sobre a estrutura econômica vigente no Brasil há décadas, há séculos, e que para ser enfrentada exige exatamente um tipo de governo que ele não quer, embora nos anos de chumbo tenha flertado com a rebeldia de esquerda. 

Merecem destaques as “renúncias” ao assistencialismo social eleitoreiro (bolsa-família, é claro), ao desemprego (onde ele vê isso, não sei), à miséria, à pobreza e à fome. Certamente seu olhar não passa do morro do Corcovado ou da ilha da fantasia Projac, onde aluga, como qualquer trabalhador, sua mais-valia às Organizações Globo, o maior conglomerado de comunicação brasileiro e que amealhou bilhões em verbas federais de publicidade entre 2000 e 2013. Cabe aqui, literalmente, a frase que se tornou popular nos discursos do ex-presidente Lula: nunca antes na história desse país se combateu tanto a miséria, a fome, a pobreza e o desemprego. Mas, isso não consta na indignação seletiva de Fontoura.

O “grand finale” vem do seu pedido à Dilma para que renuncie “aos companheiros políticos do passado, a velha forma de governar e, se necessário, renuncie ao PT” e “se permita que a sua história futura seja coerente com o seu passado”. Muito interessante. Dê banho na criança, jogue ela fora junto com a água suja e você terá um ser limpinho e cheiroso. Ou seja, passe uma esponja em tudo o que você acreditou e acredita que esta é a melhor forma de construir o futuro. Claro que ele se refere ao futuro na narrativa da mídia conservadora, da oposição golpista e dos interesses internacionais que não suportam uma soberania brasileira ativa e altiva.

O governo do PT é o pior governo que já passou pelo Brasil. Resta saber para quem. Essa é a pergunta que deixo para Ary Fontoura que, se preferir, pode até interpretar no palco a sua resposta. A liberdade de expressão está garantida na Constituição. Falta agora assegurar a pluralidade de informação. Uma carta com esse pedido especial o ator global poderia enviar para a família Marinho.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

“Choro” de Venina no Fantástico é igual a suas “denúncias”

venina
A entrevista que a ex-gerente da Petrobrás Venina Veloso da Fonseca concedeu ao programa Fantástico, daGlobo, no último domingo, não acrescentou nada ao que disse anteriormente. A entrevista apenas tratou de darcor e forma aos ataques que a nova “heroína” da mídia vem fazendo aos superiores na empresa e que, agora, estendeu, sem provas, ao ex-presidente Lula.
A entrevista inócua e politizada dessa senhora ocupou ¼ de um programa de cerca de duas horas de duração, mas, de novo mesmo, tal entrevista só “revelou” que o ex-diretor Paulo Roberto Costa teria lhe feito uma declaração que implicaria o ex-presidente Lula em irregularidades na Petrobrás.
Ao dizer que que Costa apontou o retrato de Lula ao insinuar que ele seria “derrubado” caso as “denúncias” da subordinada fossem investigadas, a ex-gerente implicou um ex-presidente da República com base em nada. A Globo, com essa entrevista, fez a mesma coisa que a revista Veja na véspera da eleição presidencial em segundo turno, há menos de dois meses.
Como tudo o que Venina diz não tem sustentação em nada mais do que sua palavra, na mesma linha do que faz poder-se-ia dizer que a investigação interna da Petrobrás a que está sendo submetida está por trás de suas denúncias tardias, que demoraram anos para ser feitas publicamente.
A “explicação” dessa senhora para a autorização que deu à Petrobrás em 2004 e em 2006 para que firmasse contratos de quase oito milhões de reais com a empresa do homem com quem se casaria em seguida, é risível. Dizer que tudo está esclarecido porque só se casou com ele um ano depois de lhe autorizar o segundo contrato, não dissolve suspeita alguma.
A Petrobrás, em resposta às denúncias de Venina, alega que mandou investigar tudo que ela fez chegar à direção da empresa. Porém, a empresa informa também que, paralelamente, a denunciante é alvo de suspeitas e investigações.
Esse fato foi minimizado pelo Fantástico.
A extensa entrevista dessa senhora ao programa global, portanto, parece ter tido o único objetivo de, em determinado ponto, envolver Lula da mesma forma covarde com que ele sempre foi envolvido em acusações de seus adversários políticos, ou seja, sem prova alguma e sem possibilidade de defesa eficiente, porque fica a palavra de um contra o outro.
Lá pelo fim da entrevista, como seria de esperar de quem faz o papel de heroína, coube a Venina apresentar a Pièce de résistance do que soa como farsa:  o choro.
A voz embargada e a longa pausa, apesar de sugerirem fortemente que a nova heroína midiática chorava, não se fizeram acompanhar de um elemento que falta ao pranto assim como as provas faltam às acusações: Venina chorou sem derramar uma mísera lágrima, sem seus olhos marejarem.
Dizer que o choro de Venina resumiu-se à modulação da voz é tão válido quanto ela fazer as acusações que fez. Nem este que escreve nem aquela que acusa têm provas de que, respectivamente, o choro foi simulado ou os fatos relatados pela ex-gerente são verídicos.
Diante da denúncia sem provas da tal Venina, portanto, é que decorre presunção igualmente sem provas de que o choro dela foi forjado. A tese é tão boa quanto a do Fantástico ao levar essa mulher ao ar para enlamear a imagem de Lula, quem a mídia partidarizada e os políticos que essa mesma mídia apoia temem que se candidate à sucessão de Dilma em 2018.
***
Confira, abaixo, a íntegra da entrevista e o choro “seco” de Venina

“A heroína do Fantástico e a Venina do Linkedin”

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"Duas vidas diferentes?", pergunta o jornalista Fernando Brito, do blog Tijolaço; ele resgata informações do perfil da ex-gerente da Petrobras na rede social corporativa Linkedin e constata que "durante ao menos sete anos era auxiliar de confiança de Paulo Roberto Costa"; ele contesta o fato de ela ter sido "afastada" da empresa em Cingapura, como afirmou, e de ter sido pressionada; "Quando PRC cai, Venina não é perseguida, mas promovida"; "Ela estava dentro dos esquemas de Paulo Roberto ou, pelo menos, aceitou-os", escreve o blogueiro 

247 – Em um novo post no blog Tijolaço, o jornalista Fernando Brito compara informações dadas pela ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca durante entrevista ao Fantástico, na noite deste domingo, e as que constam em seu perfil na rede social corporativa Linkedin. "Duas vidas diferentes", pergunta o blogueiro.

Ele contesta os argumentos de Venina de que teria sido pressionada na Petrobras a deixar de denunciar irregularidades, ressalta que ela trabalhou por mais tempo do que revelou ao lado de Paulo Roberto Costa, alvo da Lava Jato, e questiona o isolamento relatado por ela em Cingapura, onde teria sido proibida de trabalhar.

Brito diz não acusá-la de nada, pois não há provas, mas argumenta que "não é possível afastá-la de todo deste caso. Ela estava dentro dos esquemas de Paulo Roberto ou, pelo menos, aceitou-os". Leia abaixo:
A heroína do Fantástico e a Venina do Linkedin... Duas vidas diferentes?

Depois de aceitar que Paulo Roberto Costa passou ao menos três anos roubando “enojado” e “enojado” continuava recebendo parcelas de propinas por contratos mesmo depois de ter sido afastado da empresa, agora temos a história mais que capciosa de D. Venina Fonseca, a quem não posso, por desconhecimento, acusar de nada – a Petrobras não abriu os detalhes dos processos interno que correm contra ela, embora ela tenha ido ao Fantástico acusar a presidente da empresa de cúmplice de todos os malfeitos da empresa.

Mas posso, como qualquer jornalista deveria fazer, comparar o que ela disse na televisão com o que é, segundo ela própria, sua carreira na empresa.

Segundo a transcrição da entrevista feita pelo Diário do Centro do Mundo, ela diz que “eu trabalhei junto com Paulo Roberto, isso eu não posso negar. Na diretoria de abastecimento, a partir de 2005″.
Não é verdade, segundo a própria Venina informa em seu currículo no Linkedin.

Lá, consta que ela era – o texto eu cito em inglês, como está escrito – “Manager, Implementation of Integrated Management Systems at Natural Gas Logistics Supervision Centre. De “May 2002 – May 2004 (2 years 1 month)“.

Ora, de 2001 a 2003, Paulo Roberto Costa era responsável pela Gerência Geral de Logística da Unidade de Negócios Gás Natural da Petrobras…

Depois, segundo a própria Venina, em  seu Linkedin, foi ser “Assistant Manager to the Downstream Director’s Office” (diretor de abastecimento), em maio de  2004.

Paulo Roberto Costa assumiu a diretoria de abastecimento em… 14 de maio de 2004.

Não seria justo inferir ligações anteriores, mas é a própria Venina quem documenta que não foi “na diretoria de Abastecimento, a partir de 2005″, mas que durante ao menos sete anos era auxiliar de confiança de Paulo Roberto Costa.

Mais adiante, Venina diz:

“A opção que eles fizeram em 2009 foi realmente me mandar para o lugar mais longe possível, isso está entre aspas, onde eu tivesse o menor contato possível. Com a empresa, aparentemente eu estaria ganhando um prêmio indo para Cingapura, mas o que aconteceu foi que realmente quando eu cheguei lá me foi dito que eu não poderia trabalhar, que eu não poderia ter contato com o negócio, era para eu procurar um curso”.

De fato, Venina foi para Cingapura, como “Chief Executive Officer, PM Bio Trading Pte Ltd”, uma joint-venture entre a Petrobras, a Mitsui e a empreiteira Camargo Correia, empresa subordinada a… Paulo Roberto Costa, o diretor de Abastecimento, o enojado …

Quando PRC cai, Venina não é perseguida, mas promovida.

Passa a diretora-gerente (“Managing Director, Petrobras Singapore Private Limited”).

E, segundo ela própria, com amplos poderes pois assim ela define suas funções, desde então:

“Responsável por conduzir o aumento das receitas junto com as margens de lucro e ser responsável por todos os contratos, a evolução dos negócios, as principais partes interessadas e clientes. – Reestruturação de toda a unidade, que resultou em significativa redução de custos e aumentando o lucro líquido três vezes nos primeiros seis meses de nomeação. – Liderou s Petrobras Singapore (PSPL) para atingir um lucro líquido recorde de US 59,5 milhões  em 2012 de US $ 18 milhões em 2011, e, posteriormente, outro avanço no lucro líquido, de US $ 184 milhões em 2013″

Nada de ficar “encostada”, portanto. E muito menos de viver trancada, numa situação de quase “escrava branca”, algo que justificasse a melodramática declaração ao Fantástico de que ” me afastar(am) do meu país, das empresas que eu tanto gostava, dos meus colegas de trabalho. Eu fui para Cingapura, eu não vi minha mãe adoecendo. Minha mãe ficou cega, transplante de coração, eu não pude acompanhar minha mãe.

Meu marido não pôde mais trabalhar, ele teve que retornar.”

O marido de Venina, Mauricio Luz, também segundo o seuLinkedin, “had been lived in Singapore from january 2010 to june 2012, working as a consultant and helping to implement the Braskem office in Singapore“.

A Braskem é uma empresa que tem, entre os principais acionistas … a Petrobras, com 47% e a Odebrecht, com 50%.

A saída de Luz, também casualmente, coincide com a queda de Paulo Roberto Costa.

Não se faz aqui, como se viu, nenhuma acusação a Venina, porque seria um absurdo acusar, como ela faz, alguém de irregularidades e cumplicidades sem ter provas cabais disto.

Mas não é possível afastá-la de todo deste caso. Ela estava dentro dos esquemas de Paulo Roberto ou, pelo menos, aceitou-os.

O Brasil está mesmo virando uma fábrica de “santinhos”

Venina chora e convoca novos delatores à Globo

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Usada como ponta de lança na estratégia para derrubar a presidente da Petrobras, Graça Foster, a ex-gerente Venina Velosa concedeu uma longa entrevista à jornalista Glória Maria, do Fantástico, em que a principal revelação foi o fato de Venina ter admitido que contratou o então namorado, com quem depois se casou, para a realização de serviços de consultoria por R$ 7,8 milhões; sobre Graça Foster, ela disse que a alertou por email (o que não era novidade) e também pessoalmente (o que não pode ser provado); no ponto lacrimejante da entrevista, Venina disse que perdeu a família e não viu a mãe ficar cega, pois havia sido mandada para Cingapura; no fim, convocou outros funcionários a delatar superiores; "estou convidando você também" 

247 - "Foram dois contratos. Um em 2004 e outro em 2006. Mas nós só nos casamos em 2007", disse Venina Velosa, ex-gerente executiva da Petrobras. Assim ela justificou o fato de ter contratado, por R$ 7,8 milhões, seu ex-marido para a realização de serviços de consultoria para a Petrobras. Venina disse ainda que, após o casamento, os contratos foram interrompidos, mas não informou quanto havia sido pago até o enlace matrimonial.

Esta foi a principal revelação de uma entrevista de mais de vinte minutos, concedida por Venina à jornalista Glória Maria, e tratada como bombástica pelo programa Fantástico, da TV Globo. O que o Fantástico pintou com crores dramáticas foi algo que não pode ser provado: a frase dita por Venina sobre o alerta que teria feito, pessoalmente, à atual presidente da companhia, Graça Foster, em relação a supostas irregularidades na companhia.

De resto, apenas repetições, como os emails enviados a Paulo Roberto Costa e Graça Foster, publicados pelo jornal Valor Econômico nove dias atrás.

No ponto melodramático da entrevista, Venina foi às lágrimas, quando Gloria Maria a perguntou sobre sua família. "Eu tinha uma família. Não vi minha mãe ficar cega e meu marido teve de retornar para poder trabalhar", disse Venina, atribuindo o divórcio ao fato de ter sido enviada para Cingapura. Lá, ela insinua ter sido colocada na geladeira para não criar mais problemas para seus superiores.

No fim, Venina fez um convite para que outros funcionários da Petrobras denunciem seus superiores. "Estou convidando você também", disse ela, para que os brasileiros possam voltar a sentir orgulho da empresa.
Leia mais sobre Venina em "Ex-quase-heroína da mídia pode terminar vilã".

domingo, 21 de dezembro de 2014

EX-QUASE-HEROÍNA DA MÍDIA, VENINA PODE TERMINAR VILÃ

sábado, 20 de dezembro de 2014

Por que Globo e Folha brigaram com Ibope e Datafolha



pesquisas
Na última quarta-feira, o Jornal Nacional noticiou parte dos dados divulgados no âmbito da última edição da série histórica de pesquisas que o Ibope faz para a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O site da CNI diz que a popularidade de Dilma Rousseff aumentou. Porém, o JN se limitou a exibir um gráfico que distorceu esse fato.

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Como se vê, o Ibope fez a pesquisa e concluiu que a popularidade de Dilma subiu. E os números do gráfico da CNI-Ibope não batem com os números do gráfico exibido no Jornal Nacional.
O que aconteceu é muito simples: o JN pegou números de outras pesquisas Ibope deste ano sobre a popularidade de Dilma e os apresentou como se fizessem parte da série histórica que o Ibope faz para a Confederação Nacional da Indústria.
Mas por que os números de outras pesquisas Ibope são diferentes dos números das pesquisas que o instituto faz exclusivamente para a CNI?, perguntará o leitor. Há vários fatores que explicam essa discrepância: índice de confiança, número de pesquisados etc.
Como cada pesquisa tem uma particularidade, não dá para misturar uma série histórica de pesquisas – que tem sempre o mesmo critério – com pesquisas aleatórias, feitas sobre base de dados diferente.
Ou seja: o Jornal Nacional perpetrou uma trapaça. Forjou uma série histórica da CNI para enganar seu telespectador.
Dez dias antes da divulgação da pesquisa CNI-ibope, a Folha de São Paulo estampou em sua primeira página uma pesquisa Datafolha que apresentou excelentes resultados para Dilma, mas que, tal qual ocorreu no Jornal Nacional, foi distorcida por quem a noticiou.

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O assunto foi tratado no post Folha manipula gráfico e inverte dado da pesquisa Datafolha. O texto mostra que, na primeira página, a Folha uniu os que achavam que Dilma tinha pouca responsabilidade pelo escândalo na Petrobrás com quem achava que tinha muita. Graças a esse artifício, o jornal chegou aos tais 68% que estariam culpando Dilma pelo escândalo.
Contudo, analisando a pesquisa encontra-se dados que mostram que, ao contrário do que sugeriu a manchete, Dilma está sendo muitíssimo bem avaliada por combater a corrupção não só na Petrobrás, mas de forma geral.

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Na própria Folha, um dos colunistas mais antigos e eminentes do jornal sugeriu que este manipulou a divulgação do estudo do Datafolha. Janio de Freitas insinuou que o instituto e o jornal que o controla fizeram uma pergunta ambígua para os entrevistados de forma a poderem construir a manchete.

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Os fatos supracitados levam a uma conclusão inevitável: tanto o Jornal Nacional quanto a Folha brigaram com os dois institutos que lhes fornecem pesquisas de opinião. Enquanto esses institutos dizem uma coisa, o telejornal e o jornal dizem outra.
A fabricação de uma realidade mais rósea para as famílias Marinho e Frias por empregados que tentam adivinhar os desejos dos patrões decorre de um fato surpreendente. Há meses e meses que Dilma está sob intenso bombardeio. E após o fim da campanha eleitoral, com a reeleição dela, a artilharia não parou. Parece que a campanha não terminou.
Com todo o aparato de desmoralização mobilizado contra a presidente, tanto a Globo quanto a Folha noticiarem pesquisas mostrando que o bombardeio pós eleitoral não só não produziu efeito negativo para o alvo como tampouco impediu resultados positivos, seria arrasador.
O que surpreende é a manipulação grosseira dos fatos. Aliás, o mais surpreendente – porém, nem tanto – é a manipulação de pesquisas dessa forma. Certamente esses veículos já foram tão longe, mas, de momento, não ocorre quando…
Para finalizar, relato um fato que pode explicar ao leitor o que está acontecendo – por que a mídia não consegue destruir a presidente da República.
Na semana que finda, fui jantar com dois amigos comunistas para planejarmos como transformar o Brasil em Cuba… Brincadeiras à parte, o fato é que, durante o jantar, o garçom que nos servia relatou que lê este Blog e quis me cumprimentar.

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 Os fatos supracitados guardam relação íntima com pesquisa recentemente divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República sobre os hábitos dos brasileiros em relação às mídias.
Essa pesquisa confirma o que aconteceu no restaurante em que fui jantar. Cada vez mais, os brasileiros informam-se pela internet e, cada vez mais, informam-se por blogs como este. Dessa forma, as versões dos JN’s e Folhas da vida não ficam mais sem contraponto.
É por isso que a velha mídia tem tido que recorrer a falsificações da realidade. É simples assim.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Putin: os EUA não vão empalhar o urso russo Quer dizer que tomar o Texas do México foi justo ?

Putin na coletiva: se tirarem o dente do urso, no dia seguinte eles entram na Sibéria


No auge da crise do rublo, com a aliança da Arábia Saudita e os Estados Unidos, para derrubar os preços do petróleo, o presidente russo Vladimir Putin deu a tradicional entrevista coletiva de fim de ano a uma plateia monstro de jornalistas, em Moscou.

Aqui vai uma seleção de trechos que a “mídia ocidental” e os pigueiros nativos provavelmente vão omitir:

- A Rússia não vai se dobrar à pressão externa.


- A Rússia vai se manter firme e proteger o interesse nacional.


- O Muro de Berlim nunca veio abaixo.


- No dia seguinte, eles e a OTAN estavam na nossa fronteira.


- Roubar o Texas do México foi justo ?


- Por que não podemos ter o controle de nossa própria terra (a Crimeia) ?


- Eles acham que venceram, se consideram um Império e os outros são seus vassalos que merecem ser oprimidos.


- Aplicaram sanções ilegítimas e unilaterais contra a Rússia.


- Não podemos baixar a guarda. Se o urso perder os dentes e as garras vai virar um animal empalhado.


- As nações ocidentais querem acorrentar o urso russo para incapacitar a sua defesa nuclear.


- Esse urso não pode ser empalhado !


- Se for, no dia seguinte eles entram na taiga da Sibéria !


- O que está em jogo é a proteção da nossa soberania.


- A campanha contra a Rússia começou antes da crise do rublo: com o apoio Ocidental ao terrorismo no norte do Cáucaso; a expansão da OTAN e a criação do sistema de misseis anti-balísticos na Europa do Leste;  a maneira de a mídia ocidental cobrir os Jogos de Inverno de Sochi.


- A cooperação com a China é um dos pontos centrais da recuperação da Rússia e sua futura prosperidade.


- O projeto do gasoduto com a China levará energia ao Extremo Oriente e construirá infra-estrutura em toda a região.


- As dificuldades da Rússia, hoje, são principalmente resultado de fatores externos e refletem a insuficiente diversificação da economia russa.


- A diversificação é difícil porque o empresario prefere investir no setor de energia onde os resultados chegam mais rápido.


- A recuperação econômica vai durar dois anos.


- Com o crescimento da economia mundial, serão necessários mais recursos energéticos.


- As medidas para conter a crise do rublo são adequadas.


(O Banco Central aumentou a taxa de juros de 6,5% para 17%.)


- Não há perigo de um golpe palaciano, porque não há palácios na Rússia.

Fernando Morais: 'quem criticou o porto de Mariel, vai ter de engolir'

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Cotado para o ministério da Cultura, o escritor Fernando Morais, autor do clássico 'A Ilha', comemora a reaproximação diplomática entre Cuba e Estados Unidos e afirma que o Brasil está muito bem posicionado; "quem criticou o porto de Mariel, financiado pelo BNDES, agora vai ter que engolir. Mariel é uma cópia do processo que a China viveu, com a criação de zonas com leis específicas. A ativação vai transformar Mariel no entreposto mais próximo dos EUA em todo o mundo", diz ele 

247 - O escritor Fernando Morais, autor do clássico 'A Ilha', comemorou o que chamou de 'fim da guerra fria', com a reaproximação diplomática entre Cuba e Estados Unidos.

"Não é só uma frase de efeito, mas a Guerra Fria acabou", disse ele ao jornalista Lucas Ferraz (leia aqui sua entrevista). "Finalmente Obama fez jus ao prêmio Nobel que ganhou. O reatamento das relações vai produzir uma mudança imediata na economia cubana. A viagem de avião entre Miami e Havana leva 18 minutos. Certamente eles vão colocar ferryboat para as pessoas irem de carro. É uma revolução. É importante do ponto de vista político porque degela as relações, acaba com essa idiossincrasia que não serviu para nada."

Morais diz, ainda, que o Brasil está muito bem posicionado para essa reaproximação e afirma que, agora, fica provado o acerto na construção do porto de Mariel, financiado pelo BNDES. "Quem criticou o porto de Mariel, financiado pelo BNDES, agora vai ter que engolir. Mariel é uma cópia do processo que a China viveu, com a criação de zonas com leis específicas. A ativação vai transformar Mariel no entreposto mais próximo dos EUA em todo o mundo."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

CARTA MAIOR IRÁ PROCESSAR A FOLHA DE S PAULO

ANTES ATACADO, PORTO DE MARIEL VIRA ESTRATÉGICO

Lula não tem tríplex no Guarujá. Nova matéria do Globo é inverídica

triplex capa

O Globo voltou à carga sobre o apartamento “tríplex” que o ex-presidente Lula teria no Guarujá, adquirido em consórcio formado pela cooperativa Bancoop. Há dez dias (7/12), o jornal “denunciou” que, em 2005, sua esposa, dona Marisa, teria comprado, via Bancoop, cota de um apartamento de três pisos em um condomínio no Guarujá, na praia das Astúrias.

O jornal afirmara que “(…) O Edifício Solaris, onde a família Lula da Silva tem apartamento, ficou pronto em dezembro do ano passado. A reforma do apartamento 164 é tocada por seu filho Lulinha, segundo funcionários do edifício, e foi vistoriada por dona Marisa o tempo todo. Ela mesmo providenciou a decoração do local, visitado por Lula apenas três vezes (…)”

O Globo ainda deu outros detalhes do negócio, afirmando que “(…) A família Lula construiu um elevador privativo para levá-los do 16º ao 18º, que, no projeto original, tinha apenas escadas internas. Lulinha usou também parte do quarto de empregada e um canto da sala para fazer um escritório. Mandou também colocar porcelanato em tudo. A cobertura com piscina também recebeu uma boa área gourmet (…)”

Em nota divulgada pelo Instituto Lula, o ex-presidente negou as informações.

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Eis que, nesta quarta-feira (17), o jornal O Globo publica uma segunda matéria sobre o assunto, afirmando que “Mulher de Lula pegou as chaves de tríplex no Guarujá em junho”. No texto, o jornal repete as afirmações do texto anterior e dá informação nova, de que a entrega das chaves teria ocorrido “em junho” para dona Marisa.

Sempre segundo o jornal, “(…) A informação é de moradores do condomínio, que também pegaram as chaves de seus apartamentos naquele dia, distribuídas pela OAS, a construtora que finalizou as obras do empreendimento (…)”.

O jornal, desta vez, deu nome aos bois ao menos nessa afirmação da entrega das chaves, ao contrário do que fez ao citar “obras” no “apartamento 164” do edifício Solaris que teriam sido conduzidas por “Lulinha” e pela esposa do ex-presidente, história que O Globo atribuiu a “moradores do prédio” e a “um dos funcionários do condomínio” cujos nomes não cita.

O jornal diz que a versão sobre ter havido entrega das chaves a dona Marisa teria sido informada por “(…) Lenir de Almeida Marques, casada com Heitor Gushiken, primo do ex-ministro Luiz Gushiken, morto em 2013 (…)”, pessoa que adquiriu um dos apartamentos daquele empreendimento.

O jornal concluiu a segunda matéria sobre o “tríplex” afirmando que “(…) Questionado sobre o fato de que dona Marisa já pegou as chaves, o Instituto Lula se recusou a comentar e informou apenas que continuaria valendo a nota que publicou em seu site na última sexta (…)”

O Blog fez sua apuração sobre o caso e dessa apuração decorre o que vai a seguir:

1 – A “família Lula” só tem cota de uma unidade do edifício Solaris. Não tem imóvel naquele empreendimento. Pode até vir a adquirir, pois o pagamento dessa cota dá direito, mas, até o momento, não fez essa opção.

2 – Se O Globo quiser, pode ir ao cartório de registro de imóveis do Guarujá verificar se algum apartamento do edifício Solaris está em nome de qualquer pessoa da “família Lula” e, assim, descobrirá que não existe tal apontamento nesse sentido.

3 – Lula e sua família visitaram algumas vezes um empreendimento do qual tinham cota. Todavia, isso não significa que sejam proprietários do imóvel. Apenas vistoriaram imóvel do qual pagaram uma fração do valor, fração que lhes dá opção de comprá-lo ou ter de volta o que foi pago.

Este Blog apurou o caso meticulosamente e, diante disso, afirma que o jornal está tentando fazer prevalecer uma versão que não condiz com a realidade, simplesmente porque não quer aceitar que deu uma informação que não pôde e não poderá confirmar.

Petrobras: oh, que delícia de crise ! ​E o que importava passou a produzir na Abreu e Lima !​

A Petrobras não exporta petróleo.

Portanto, pouco se lhe dá se os preços do barril desabaram no mercado internacional.

A Petrobras importa diesel.

Com a inauguração da estratégica Refinaria Abreu e Lima – a primeira que o Brasil construiu em séculos – a Petrobras passa a produzir diesel internamente.

A Petrobras cada vez mais se utiliza do petróleo do pré-sal – cuja produção cresce vertiginosamente e já significa 30% do consumo nacional.

Portanto, pode abastecer o país com tranquilidade, com mais ou menos petróleo extraído do pré-sal, sem gastar um dólar de divisa.

É só chupar o óleo lá de dentro, custe US$ 1.000, o barril, ou U$ 10 …

Com a estratégica decisão – da Dilma e da Graça – de garantir 60% de conteúdo nacional, as compras da Petrobras serão pouco afetadas pelo aumento do custo de importação, com a desvalorização do Real.

Porque os custos serão os internos, em Real.

Ah, mas a queda do preço do petróleo vai desorganizar o mundo.

Sim !

Leia sobre “Obama, Putin e a ‘crise’ da Petrobras”.

E muito provavelmente o Brasil dela se beneficiará.

Porque os países que consomem petróleo importado vão gastar menos com petróleo e comprar mais – comprar mais soja, carne, café e produtos manufaturados, como os aviões da Embraer.

Portanto, qualquer tentativa de transformar a crise russa numa crise brasileira não passa de fraude intelectual.

Até porque não se sabe a extensão dessa crise: qual a reação do Putin e se Obama vai deixar Wall Street quebrar pela segunda vez nas suas mãos …


Paulo Henrique Amorim

Merval derruba Graça Foster e O Globo assume que pretende enfraquecer Petrobras no pré-sal

Merval derruba Graça Foster e O Globo assume que pretende enfraquecer Petrobras no pré-sal


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Da Redação

Merval Pereira derrubou, hoje, a presidente da Petrobrás, Graça Foster. Ela “perdeu as condições políticas” para continuar, seja lá o que isso signifique. Graça tem ligações estreitas com a presidente Dilma Rousseff.
O “impeachment” de Graça, patrocinado por Merval — aliás, é incrível como a presidente da Petrobras foi derrubada em uníssono pelos jornalões de hoje — equivale a meio impeachment de Dilma.

Afinal, a Petrobras é a maior empresa brasileira. É a maior ferramenta à disposição do projeto desenvolvimentista que venceu as eleições de 2014.

Se O Globo quer derrubar Graça, é porque pretende interferir na política do pré-sal.
Quer, obviamente, alguém “do mercado”, como o “consultor” Adriano Pires, na direção da estatal.
Alguém que ceda o pré-sal às grandes petrolíferas internacionais.
Como?

Abrindo mão da partilha e voltando ao modelo das concessões, aquele em que a União embolsa um fixo e o petróleo extraído fica limpinho nas mãos da concessionária.

Tirando da Petrobras o papel de operadora única dos futuros blocos do pré-sal, com participação obrigatória mínima de 30% nos consórcios.

A vantagem é que O Globo, que publicou hoje seu terceiro editorial recente defendendo a Petrobrax, pelo menos deixa explícito qual é o jogo — Folha e Estadão não ousam abraçar o entreguismo de forma tão desavergonhada.

O Globo quer fortalecer a Petrobras reduzindo o papel da Petrobras no pré-sal e abrindo caminho para a ExxonMobil, Chevron, Shell e BP!

Quer mais dinheiro para o “mercado” e menos para o leite das crianças.

Protejam-se, que o “nacionalismo” dos irmãos Marinho está em ação.

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