Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A crise institucional chegou, ineludível

Fabio Rodrigues Pozzebom
Tereza
Tereza Cruvinel

Mesmo tendo reunido maioria de votos, em 3 de novembro,  a favor do entendimento de que réus não podem ocupar cargos na linha sucessória da Presidência da República, o julgamento não estava concluído, por força do pedido de vistas do ministro Toffoli.   Apegando-se à maioria, não esperando pela conclusão formal do julgamento, o ministro Marco Aurélio reforçou a ideia, ainda que derivada da coincidência, de que sua liminar foi uma retaliação a Renan por peitar o Judiciário e o Ministério Público, mantendo o projeto em pauta. Renan pode ter tido, como muitos suspeitam, a sagacidade de escrever a narrativa de sua própria queda ao insistir no projeto.  Para todos os efeitos, caiu porque peitou o Judiciário, que com sua “urgência” em mostrar força, permitiu a narrativa. Agora o STF se apressa marcando o exame da liminar para quarta-feira.  Até lá, a nota de Renan indica, ele não vai se render. Não recebeu a notificação, não declarou que aceita pacificamente a decisão,  que declarou ser contra o Senado. Logo, contra o Legislativo.
A crise agora é institucional, não há dúvida. Com os poderes em guerra, pode estar começando o fim deste temporal, para o que der e vier.  Apesar do “fato superveniente” alegado pelo ministro do STF Marco Aurelio Melo para afastar monocraticamente Renan Calheiros da presidência do Senado (o fato de ele ter se tornado réu),  a coincidência com a votação que o Senado faria amanha,  do projeto que tipifica crimes de abuso de autoridade por juízes, promotores e procuradores,  confere à liminar a sombra de uma intervenção do Judiciário no Legislativo para evitar uma votação que contrariava a magistratura.  Esta é a leitura que fica.
Outra sombra grave paira sobre a liminar: a de que foi concedida não para atender à Rede e a qualquer urgência mas para contentar os que saíram às ruas no domingo pedindo a cabeça de Renan.  Mas cabe ao STF zelar pela Constituição, não atender ao clamor externo. Milhares foram às ruas mas o país tem 200 milhões de habitantes.   O dia começou com a própria presidente do STF, Carmem Lucia, sugerindo  a necessidade do ativismo político do Judiciário, ao dizer: “É preciso estarmos atentos ao que o Brasil espera de nós e o que fazer para atender a essas demandas. Qualquer servidor público atua para atender à população. Julgamos conflitos na sociedade e vivemos um momento particularmente grave”. Com toda vênia, como dizem eles no STF, não é papel do Judiciário  “atender demandas” e sim ministrar a justiça.
Pode ter havido uma fatal coincidência entre o ingresso da Rede com ação no STF pedindo a destituição de Renan e os preparativos no Senado para a votação do projeto sobre abuso de autoridade. Mas até por isso, para não ser interpretada como retaliação, a liminar contra Renan podia não ter sido concedida hoje.
Renan resistiu ao apelo da ministra Carmem Lúcia, que lhe foi apresentado através de Michel Temer, para que adiasse a votação do projeto sobre abuso de autoridade. O recado dizia que isso poderia gerar uma grave crise entre os Poderes, com consequências imprevisíveis. Renan, entretanto, manteve o projeto na agenda.
Escolhido como relator por Renan e o conjunto de líderes, o senador Roberto Requião preparou um relatório equilibrado, em que acolheu parcialmente ponderações do juiz Sergio Moro. Protocolou-o no Senado e postou-o em sua página eletrônica na tarde desta segunda-feira.
Enquanto isso, pressentindo que as placas tectônicas se moviam na área do Judiciário, anunciando um tremor de terra, o governo entrou em campo e chamou uma reunião no gabinete do Ministro da Justiça,  onde um texto alternativo estava sendo discutido com líderes e procuradores,  quando veio a decisão do ministro Marco Aurélio. A ideia era atenuar o projeto de Requião, especialmente no ponto que fala das investigações prolongadas, que nunca acabam, em prejuizo do investigado ou fiscalizado.
Não deve haver votação alguma nesta terça-feira de ressaca no Senado. A noite prometia encontrar-se com o dia na residência oficial do Senado, onde meio mundo governista estava reunido com o Renan.  Sendo a liminar confirmada na quarta-feira, como deve ser, Renan será substituído na presidência do Senado pelo petista Jorge Viana, que não é um incendiário, muito pelo contrário. É equilibrado e dialoga com todo mundo na Casa.  Mas também não pilotará nenhum trator para garantir a aprovação da PEC 55 na semana que vem. Muito menos, facilitará a aprovação da tenebrosa reforma previdenciária que Temer prometeu enviar ao Congresso esta semana.  Nem creio que proceda a notícia de que Viana esteja propondo nova eleição para a presidência do Senado. Constitucionalmente e regimentalmente, cabe a ele concluir o mandato de Renan. Temer pode não engolir, como dizem seus aliados, um petista na presidência do Senado mas contra o regimento, pouco pode fazer. Com a mudança no comando do Senado, tudo muda de figura para Temer e sua agenda. A pinguela de seu governo começa a balançar sensivelmente.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Com 11 anos de atraso, FHC, Aécio, Serra e Alckmin serão investigados

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Neste fim de semana saíram notinhas nos portais da grande mídia informando que 11 anos depois das primeiras denúncias de corrupção em Furnas Centrais Elétricas, ocorridas em 2005, o Ministério Público do Rio encaminhou a investigação à Procuradoria-Geral da República.
Segundo o órgão, a decisão foi tomada após o MP constatar, com um “certo atraso”, a incontestável materialidade da dita “lista de Furnas”, documento sobre esquema de caixa dois nas eleições de 2002 e que envolve essencialmente o PSDB.
furnas-1O esquema é essencialmente tucano, como todos sabem. Mas só para refrescar a memória, já que as notinhas da imprensa tucana dão poucos detalhes sobre o que é esse escândalo, aí vai um gráfico mostrando quanto cada partido denunciado está envolvido.
furnas-2Os nomes dos envolvidos explicam a razão da censura que a mídia tucana baixou sobre esse caso durante mais de uma década. Alckmin, Serra, Aécio, FHC e cia. ltda. Vão ter muito a explicar, caso a investigação ande, apesar de que esse Procurador Geral da República já recusou outras vezes abrir a investigação, haja vista que integra o complô que derrubou Dilma Rousseff e persegue petistas até hoje.
Desta vez, porém, Rodrigo Janot não poderá simplesmente arquivar o pedido de investigação porque não são adversários políticos dos tucanos que pedem a investigação, mas o MP do Rio. Mesmo que seja pra inglês ver, ele vai ter que ao menos abrir a investigação.
O nome de FHC não consta como recebedor de propina, mas ele terá que ser investigado porque foi no governo dele que o escândalo ocorreu e Furnas, empresa portanto, estava sob seus desígnios.
A decisão de investigar o caso foi tomada pelo promotor Rubem Viana, da 24ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos que remeteu a documentação em setembro deste ano. Os autos, que estão sob sigilo, só chegaram à Procuradoria-Geral da República na sexta-feira, 2, mas ainda nem foram para o gabinete de Janot.
Ele provavelmente vai embromar o quanto puder e a imprensa tucana certamente não irá pressioná-lo, de modo que, muito provavelmente, haverá que empreender manifestações e pressão popular para que ele não engavete o processo.
O mais interessante nesse caso, porém, é que um jornalista que tentou dar publicidade ao caso ficou preso durante meses, em 2014, para não atrapalhar a campanha eleitoral de Aécio Neves à Presidência fazendo denúncias sobre o tema.
O jornalista mineiro Marco Aurélio Flores Carone, diretor de redação do site novojornal.com, foi preso em 20 de janeiro de 2014 em Belo Horizonte por autorização da juíza Maria Isabel Fleck, da 1ª Vara Criminal da capital mineira.
Carone foi denunciado pelo Ministério Público estadual de Minas em novembro do ano anterior por formação de quadrilha, falsificação de documentos públicos e particulares, falsidade ideológica, uso de documento falso, denunciação caluniosa majorada e fraude processual majorada – todas essas acusações decorreram do contato que fez com o jornalista e o lobista Nilton Monteiro, que tornou pública a Lista de Furnas após ter colaborado com o esquema de desvio de dinheiro da estatal.
furnas-3A juíza que encarcerou os dois afirmou que ambos faziam parte de uma quadrilha cujo objetivo seria “difamar, caluniar e intimidar” adversários políticos, e autorizou a prisão preventiva do jornalista para impedir novas publicações.
Além disso, afirmou que o NovoJornal, de Carone, seria financiado com dinheiro de origem ilegal, uma vez que o site não contaria com anunciantes suficientes para manter a página.
Tudo, entretanto, não passou de uma farsa para impedir que Carone atrapalhasse a campanha de Aécio à Presidência. Foi absolvido de todas as acusações e, após ser libertado, denunciou a arbitrariedade à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.


Não, não estamos falando de Cuba ou da Coreia do Norte, países que os fascistas tucano-midiáticos acusam de arbítrio. Tudo isso aconteceu no Brasil, que, supostamente, seria uma democracia.
Como hoje a democracia brasileira está ainda mais fragilizada que em 2014, para que Janot não acoberte Aécio Neves mais uma vez e para que Globos, Folhas, Estadões e Vejas não abafem o caso, haverá que promover atos públicos pedindo apuração dos fatos.
Neste domingo ocorre uma manifestação em cerca de 200 cidades brasileiras pedindo apoio a medidas de exceção que o Ministério Público quer ver implantadas no país para aprofundar ainda mais a perseguição a adversários do PSDB, partido que continuará mandando prender quem faça denúncias contra si. Essa ação fascistoide dos esbirros tucanos terá que ser combatida com protestos em sentido contrário, exigindo apuração do caso Furnas.
Desse modo, este Blog exorta movimentos sociais e sindicais de esquerda a se prepararem para pedir justiça em relação à roubalheira impune que o PSDB pratica há décadas sem que Polícia Federal, Ministério Público e a mídia atuem como atuam contra o PT e a esquerda em geral. Do contrário, mais essa investigação contra o PSDB será abafada.

Altamiro Borges: Nas ruas, nenhuma faixa contra Geddel, Jucá ou Padilha!

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“Coxinhas” endeusam Moro e poupam Temer
Com a generosa cobertura da mídia falsamente moralista – em especial da TV Globo –, milhares de pessoas voltaram às ruas neste domingo (4) para defender os abusos da Lava-Jato e para endeusar o “carrasco” Sergio Moro.
As “marchas contra a corrupção” ocorreram em cerca de 200 cidades. Elas foram organizadas por várias grupos golpistas, como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua.
O curioso é que os tais “coxinhas”, que se fantasiam de paladinos da ética, pouparam a gangue do Judas Michel Temer.
Nenhum cartaz, faixa, boneco ou discurso contra Geddel Vieira, Romero Jucá, Eliseu Padilha e outros famosos corruptos que tomaram de assalto o Palácio do Planalto.
Pelo contrário.
Segundo matéria da BBC-Brasil, os líderes da marcha vetaram a menção ao “Fora Temer”, superando divergências internas.
“De um lado, o Vem Pra Rua defendeu que manifestantes de esquerda seriam bem-vindos no protesto que defende a Operação Lava Jato e a aprovação do projeto das Dez Medidas Contra a Corrupção proposto pelo Ministério Público Federal. Mas o MBL, que vinha alinhado ao Vem Pra Rua, desta vez se mostrou indignado com a proposta e chegou a pensar em não participar do ato. ‘Quer dizer que gente que saiu às ruas pedindo a saída de Dilma e defendeu a Lava Jato até aqui, agora está topando conversar com a extrema esquerda para eventualmente defender um Fora Temer. Como assim?’, questionou Renan Santos, do MBL”.
Após o racha inicial, houve um acordo entre os grupelhos para evitar qualquer crítica ao governo ilegítimo e corrupto.
“Após a demonstração pública de descontentamento do MBL, o líder do Vem Pra Rua, Rogério Chequer, foi também às redes sociais se explicar. ‘O Vem Pra Rua não é a favor de Fora Temer. Nós não temos nenhum interesse de tirar o Temer do poder’, afirmou Rogério Chequer em vídeo. Em entrevista à BBC Brasil, Chequer disse que não pode controlar quem participa de seus atos, mas que as pessoas ligadas à esquerda e que estão alinhadas ao Fora Temer não estão alinhadas com suas posições. ‘Espero que pessoas desalinhadas não se interessem em vir’, disse. Ele afirmou inclusive que o governo do presidente Michel Temer tem ‘intenções extremament e positivas para o Brasil’”.
A BBC não esclarece quais seriam os tais “grupos de extrema esquerda” que estariam dispostos a participar da marcha da direita nativa. Durante a semana, Luciana Genro, presidenciável do PSOL derrotada em 2014, andou elogiando a midiática Lava-Jato e as “10 medidas de combate à corrupção do MPF”. Mas todas as organizações políticas e sociais de esquerda rejeitaram o ato organizado pelos grupelhos fascistas.
“Eles não têm credibilidade nenhuma para fazer um protesto contra a corrupção. Eles são responsáveis por colocar Temer no poder e fizeram aliança pelo Eduardo Cunha”, afirmou Guilherme Boulos, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
De fato, não teria qualquer lógica apoiar ou participar da marcha direitista deste domingo.
Além do falso discurso contra a corrupção, feito por fascistas mirins que apoiaram o “golpe dos corruptos” – muitos deles inclusive mais sujos do que pau de galinheiro –, o protesto exibiu novamente cenas grotescas.
Alguns aloprados rosnaram pela “intervenção militar Já”, outros satanizaram o Supremo Tribunal Federal (STF) pela decisão de não criminalizar o aborto até o terceiro mês de gestação e outros tiraram suas famosas selfies com a tropa de choque da Polícia Militar – que alguns dias antes havia esbanjado violência contra uma manifestação de repúdio à PEC da Morte em Brasília.
Veja também:

Bancos: PIB desabará em 2017 Ai, ai, ai, se balançar o Temer cai!

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A leitura toda segunda-feira de manhã do boletim Focus do Banco Central é um pesadelo para os açougueiros do neolibelismo e, portanto, da Cegonhóloga.
É a previsão dos economistas de bancos, esse pessoal que a Cegonhóloga consulta como à Biblia!
E até eles acham que, como disse o Requião ao Mino, essa p... que está aí não dura seis meses.
O câmbio se desvalorizará muito pouco - e pouco ajudará as exportações.
A maior taxa de juros do mundo, a Selic, continuará a ostentar o título glorioso!
A produção industrial - bem, essa... essa é melhor fechar!
E encomendar tudo ao Moro - que, por enquanto, já destruiu o que consta de uma página inteira do Globo.
E o PIB?
O PIB?
Vai cair 3,4% este ano e ano que vem crescerá - sobre menos 3,4% - robustos 0,80!
Um prodíjio!
Semana passada, os economistas bancários achavam que o PIB de 2017 cresceria quase um porcento.
A coisa está feia, Meirelles.
Chama o Naufraga!
Porque esse afunda tudo de vez, como fez em 2002!
E elegeu o Lula.
O que inevitavelmente acontecerá em 2018!
PHA

sábado, 3 de dezembro de 2016

Leandro: Moro vai fugir Ele sabe que está no fim

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O Conversa Afiada reproduz artigo de Leandro Fortes, no site da CTB:
Operação Lava Jato, dentro de um contexto social e político honesto, teria sido um presente para o Brasil. Acho que ninguém discorda de que, um dia, seria necessário acabar com a cultura da corrupção que sempre ligou empreiteiros e políticos brasileiros.
O fato é que, em pouco tempo, foi fácil perceber que as decisões e ações demandadas pelo juiz Sérgio Fernando Moro estavam eivadas de seletividade. Tinham como objetivo tirar o PT do poder, desmoralizar o discurso da esquerda e privilegiar aqueles que, no rastro da devastação moral levada a cabo pelo magistrado, promoveram a deposição da presidenta Dilma Rousseff.
Hoje, graças à Lava Jato, a economia nacional está devastada, o Estado de Direito, ameaçado, e o poder tomado por uma quadrilha que fez do Palácio do Planalto uma pocilga digna de uma republiqueta de bananas de anedota.
Agora, quando os grupos golpistas ligados ao PSDB e PMDB começam a ser atingidos pela mesma lama que a Lava Jato pensou em represar apenas para o PT, o juiz Moro pensa em tirar um ano sabático, nos Estados Unidos.
Isso, obviamente, não pode ser uma coisa séria.
Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?
Não se enganem: o que está havendo é uma fuga planejada.
Leandro Fortes é jornalista e escritor.

Brasil está pronto para eleições diretas

A tentativa de instaurar, mediante um golpe, um governo que pretendia recuperar a unidade nacional, retomar o crescimento econômico e resgatar a confiança, fracassou estrepitosamente. Não ha ninguém mais que aposte no seu sucesso.
Nenhum índice econômico positivo pode ser apresentado pelo governo, os anúncios ilusórios de melhoria econômica agora são projetados para o segundo semestre de 2017, sem nenhum indicio que tenha base na realidade. O ajuste fiscal leva o pais da recessão à depressão econômica, com níveis alarmantes de retração, produzindo a pior crise social, desde o final do governo FHC.
Politicamente, depois da queda de 6 ministros em 6 meses, a delação da Odebrecht promete ser devastadora, chegando ao próprio presidente. Este, ficha suja, com riscos de acusações diretas com essas delações, tem na linha de sucessão o presidente do Senado, réu por acusações de corrupção.
23 governos estaduais estão em estado de calamidade publica, com salários atrasados e poucas possibilidades de pagar o 13. salario. O governo empurra o ajuste fiscal goela abaixo dos estados e dos municípios, generalizando o caos econômico e ingovernabilidade.
O presidente instalado pelo golpe não goza mais de nenhum prestígio e credibilidade. A mídia não o poupa mais em nada. Os políticos não acreditam nele, sua imagem internacional é pavorosa. Sua incapacidade para governar tornou-se patente. Seu governo contem, por enquanto, 15 dos seus membros envolvidos na Lava Jato.
A operação de eventual substituição de Temer por um presidente designado pelo Congresso encontra, entre outros obstáculos, aquele corretamente observador por FHC: como um Congresso com mais de 200 parlamentares acusados de corrupção, pode indicar o presidente do Brasil. Alem de que a operação de fritura de Temer traria fraturas no bloco golpista e riscos graves na sua implementação.
Por outro lado, a operação de tentar inviabilizar eleitoralmente o Lula, se esvai estrepitosamente, com mais de 11 testemunhas de acusação absolvendo-o, desembocando assim num anti-clímax a opera bufa montada em Curitiba.
O pais está mais do que preparado para recuperar o direito do povo de eleger democraticamente quem deve dirigi-lo. A adesão de FHC completa o arco de reconhecimento de que somente um governo legitimado pelo apoio popular pode enfrentar a crise e supera-la.
Se esgotaram as possibilidades de solução da crise por cima, mediante manobras golpistas, engendradas pela mídia, com o silencio cúmplice do STF. O governo Temer termina pateticamente, sem cumprir nenhuma das suas promessas. A mídia se distancia cada vez mais dele. A base parlamentar desse governo sofrera' golpes devastadores com a as delações premiadas da Odebrecht.
O pais está pronto para recuperar o direito do povo, mediante eleições diretas, de eleger seus governantes. E' a única atitude que o Congresso pode tomar, se não quiser naufragar conjuntamente com o governo e, ele também, ser renovado por novas eleições parlamentares já.
Só um governo com legitimidade democrática outorgada pelo povo, pode enfrentar a crise e dar-lhe uma solução que, ao mesmo tempo que supera a recessão, o faça com fortalecimento dos mecanismos de distribuição de renda e resgate da capacidade de investimento e de abertura generalizada de crétido da parte do governo. O Brasil está pronto para voltar a trilhar o caminho da democracia.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ignore os golpistas. Você não precisa piorar de vida pro país ir bem

previdencia

Nos próximos meses, você vai ser bombardeado por uma campanha terrorista orquestrada a quatro mãos pela imprensa reacionária e os golpistas que tomaram o poder no Brasil. Vão tentar convencer os brasileiros de que têm que abrir mão de direitos trabalhistas e previdenciários senão o holocausto se abaterá sobre o país.
A ideia é assustar os brasileiros com teses tétricas sobre o trabalho assalariado, sobre a Previdência, sobre a Saúde, sobre a Educação etc. Ideias que tinham sido sepultadas no século 20, mas que o golpe contra Dilma Rousseff trouxe de volta.
O governo Fernando Henrique Cardoso foi o auge do discurso terrorista contra direitos da cidadania. A tese dele e de seus propagandistas era a de que os brasileiros precisavam abrir mão de direitos trabalhistas e previdenciários senão os “pobres” empresários e o Tesouro, respectivamente, iriam quebrar por não poderem oferecer tantas benesses a “vagabundos”, como FHC chamou os aposentados.
previdencia-1Outra tese de FHC era a de que para aumentar a “empregabilidade” dos brasileiros seria necessário suprimir direitos trabalhistas, criando empregos sem férias, décimo-terceiro salário, fundo de garantia, vale transporte etc., e o salário mínimo tinha que cair de valor porque impactaria a Previdência Social.
Não foi por outra razão que FHC terminou seu mandato com aprovação menor do que a reprovação.
Lula chegou ao poder em 1º de janeiro de 2003 e ao longo de 11 dos 13 anos de governos do PT que ele inauguraria, essas teses foram todas sepultadas. O emprego com carteira assinada e todos os direitos possíveis e outros novos aumentou muito, o salário mínimo valorizou-se como nunca – de cerca de 70 dólares sumiu a cerca de 250 hoje, tendo chegado a mais de 300 dólares antes da crise).
previdencia-3No alto da página, você vê imagem de uma das matérias da mídia tucano-temerária que já vai preparando o terreno para tirar dos brasileiros tudo que ganharam na era petista. A começar pela previdência. A tese é a de que a “População idosa cresce no Brasil acima da média mundial e impacta Previdência”
Essa tese é absurda. Os golpistas tentam vender aos brasileiros que eles têm que perder direitos trabalhistas, trabalhar terceirizados, receber salário-mínimo menor e se aposentar às portas da morte porque, senão, o mundo vai desabar.
É papo furado. Durante 11 dos 13 anos de governos do PT foi provado o contrário. Mas vamos falar da Previdência, para terminar.
Segundo os golpistas, como a população brasileira está “envelhecendo”, aumentará a pressão sobre a Previdência e, assim, se não arrocharmos as aposentadorias dos velhinhos, ela vai quebrar.
Ora, é uma balela. Eles vendem a Previdência como se fosse um país à parte, o país dos velhos. O envelhecimento médio dos brasileiros é uma excelente notícia para as contas públicas simplesmente porque diminuirá o crescimento demográfico e, com isso, todas as despesas do Estado. Educação, Saúde, transporte, tudo será menos requerido com a redução populacional que o envelhecimento da população vai causar.
Como a expectativa média de vida dos brasileiros sobe muito devagar é de 75 anos e a idade mínima para o povo se aposentar é 65 anos, os velhinhos não vão durar muito para impactar as contas públicas, que serão favorecidas com menos demandas de uma população menor.
A era petista mostrou que é possível manter todos os direitos trabalhistas, aumentar o valor médio dos salários, o emprego com carteira assinada, o aumento real do salário mínimo e das aposentadorias, bastando, para isso, que não haja sabotagem da economia por golpistas no Congresso, na Polícia Federal, no Ministério Público e no Judiciário.
Eis porque é pequena a dúvida de que os brasileiros irão acordar e valorizar tudo que ganharam durante a era petista. Vão se lembrar de que durante 11 anos suas vidas melhoraram sem parar e vão se dar conta de que essa discurseira sobre ter que piorar a vida do povo para o seu próprio bem é uma trapaça para tirar de pobre pra dar pra rico.

TEMER, O PRESIDENTE QUE NÃO OUSA SAIR NA RUA

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Folha engana leitor com pegadinha contra Cuba na primeira página

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Olhando de longe, o jornal Folha de São Paulo é um mistério. Olhando de perto, porém, é tão ruim quanto qualquer outro jornalão de direita que aderiu à ditadura militar e atentou tantas vezes contra a democracia tanto no século passado quanto neste.
Ao passo que a Folha faz denúncias contra a direita (sobretudo contra o PSDB) que nenhum outro grande órgão de imprensa faria, como a denúncia do “Aécioporto” ou a da propina de 23 milhões a José Serra, também é o jornal que promove as trapaças mais hediondas de que se tem notícia na grande imprensa brasileira.
Quem não se lembra da ficha policial falsa de Dilma Rousseff que a Folha publicou em sua primeira página em 2009?
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Sim, quase um mês depois o jornal reconheceu que errou, mas, obviamente, sem dar a essa informação destaque sequer parecido com o que deu ao divulgar informação falsa que recebeu por e-mail de fonte desconhecida e publicou na primeira página sem checar nada.
Na imagem acima, você nota o destaque imenso dado à mentira. Na imagem abaixo, você vê que nada saiu na primeira página na data em que o erro foi reconhecido.
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Como já se passaram quase oito anos, vale rever o desmentido da Folha, porque ele obriga quem lê a se perguntar como um grande jornal foi capaz de publicar no alto de sua primeira página uma mentira tosca, sem fazer checagem nenhuma, sem a menor responsabilidade.
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No mesmo ano (2009), a Folha de São Paulo publica artigo de um antigo desafeto do então presidente Lula acusando-o de ter tentado estuprar um colega de cela quando esteve preso durante a ditadura militar.
Naquele mesmo ano, o jornal publicou, em 17 de fevereiro, editorial que afirmava que a ditadura militar brasileira foi, na verdade, uma “ditabranda”, ou uma ditadura soft, light, suave. Por quê? Por, segundo o jornal, ter matado “pouca” gente, “apenas” umas cinco centenas de pessoas.
Diante dessa enormidade, este blogueiro, através desta página, convocou manifestação de vítimas e parentes de vítimas da ditadura diante do jornal, que registrou tudo em matéria no dia seguinte.
folha-4Abaixo, vídeo da leitura de manifesto que escrevi e que foi apoiado por mais de vinte entidades defensoras de direitos humanos, como CUT, UNE, Tortura Nunca Mais etc.
Como se vê, a Folha de São Paulo é um veículo dado a publicar informações inverídicas, sem checagem e com grande destaque. E nesta quinta-feira, 1º de dezembro de 2016, não foi diferente. O jornal publicou uma pegadinha para acusar um homem que não pode mais se defender de herdeiros irresponsáveis de grandes fortunas como são os filhos do velho Frias, fundador da Folha e apoiador de primeira hora da ditadura militar brasileira.
Confira, abaixo, a primeira página da Folha de São Paulo de 1º de dezembro de 2016
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A informação cheira mal porque é uma acusação gravíssima e estrondosa que busca empanar o brilho de avanços sociais de Cuba mundialmente reconhecidos. Porém, basta ler a matéria para perceber que a chamada de capa da Folha é uma pegadinha que visa enganar as pessoas, sobretudo aquela parcela da população paulistana que dos jornais só lê a primeira página exposta nas bancas de jornal.
Lendo a matéria, descobre-se que a informação estrondosa se baseia em alegações sem provas da comunidade anticastrista situada nos EUA, que pilota um tal de Cuba Archive, cujas afirmações não podem ser checadas por falta de fontes confiáveis.
O Cuba Archive, sediado em Washington, é pilotado por cubanos exilados que saíram de seu país décadas atrás por integrarem o regime corrupto do ditador Fulgêncio Batista. São autores de teorias malucas como a de que o regime castrista sequestrava crianças cubanas para transformá-las em comida para o supostamente faminto povo cubano.
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A teoria psicótica sobre comunistas comedores de criancinhas foi vendida pelos autores do Cuba Archive e pode ser conhecida no livro de Fernando Morais Os Últimos Soldados da Guerra Fria (Cia. das Letras)
Um dos colaboradores da ONG é o escritor anticastrista Carlos Alberto Montaner, outro é o ex-subsecretário de Estado norte-americano Otto Reich, também anticomunista e anticastrista feroz.
O pior de tudo é que não há fontes confiáveis para os números apresentados pelo Cuba Archive simplesmente porque os estudos não indicam fontes isentas e reconhecidas. São afirmações sem provas de pessoas amplamente interessadas em desmoralizar o regime cubano.
Mas a Folha não ficou só nisso. Dois dias antes (29/11), publicou o editorial “Fidel Castro”, por ocasião da morte do ex-dirigente cubano. Naquele texto, o jornal repisa informação fajuta divulgada anos atrás por seu colunista Reinaldo Azevedo, de que antes de Fidel Cuba já tinha saúde e educação de primeiro mundo.
Azevedo se ampara em números divulgados pelos inimigos do regime cubano e que não foram auditados por ninguém, que não têm origem em nenhum estudo conhecido, em nenhuma estatística confiável.
Azevedo se baseou em livro de uma obscura escritora francesa chamada Jeannine Verdes-Leroux, intitulado “A Lua e o Caudilho”, uma longa arenga contra o regime cubano amparado em informações também sem fontes confiáveis.
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Azevedo, naquele texto maluco, faz a afirmação espantosa de que a mortalidade infantil em Cuba é baixa porque naquele país o aborto é legal, afirmação que, se levada a sério, colocaria em dúvida a baixa mortalidade infantil da maioria dos países desenvolvidos, sobretudo os nórdicos, pois em quase todos os países desenvolvidos o aborto é legal.
A Folha é útil porque, para conferir ares de verdade a esse tipo de farsa, publica algumas verdades sobre a direita que outros veículos de direta escondem, como a de que José Serra e Aécio Neves estão envolvidos até o pescoço em denúncias de corrupção, mas tudo isso é tática diversionista para permitir ao jornal aplicar passa-moleques como o que você acaba de ler.