Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 21 de junho de 2016

Machado provará encontro com Temer na Base Aérea


Machado provará encontro com Temer na Base Aérea



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Ex-presidente da Transpetro promete apresentar aos investigadores da Operação Lava Jato uma série de provas da reunião que teve com o então vice-presidente da República em uma sala na Base Aérea de Brasília, onde Michel Temer teria pedido, segundo Sérgio Machado, ajuda para a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo em 2012; em sua delação, ele deverá informar, por exemplo, a data exata do encontro, com base em informações da locadora do veículo e pode até ter o testemunho do motorista que o levou; Temer foi enfático ao negar ter participado do encontro 

247 – O presidente interino, Michel Temer, nega ter se encontrado com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, na Base Aérea de Brasília, mas o delator da Lava Jato promete levar ao Ministério Público Federal uma série de provas da reunião. A informação é da jornalista Vera Magalhães, da coluna Radar Online.

Machado está prestes a descobrir e a informar a data exata do encontro, por exemplo, com base em informações da locadora do veículo. Ele também pode ter o testemunho do motorista que o levou até a Base Aérea em setembro de 2012 e disse que, se for necessário, pedirá à Justiça a quebra de sigilo telefônico para fins de localização.

Na ocasião, Machado diz que Temer pediu a ele ajuda para a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo daquele ano. O delator diz que o repasse ocorreu no valor de R$ 1,5 milhão e por meio da empreiteira Queiroz Galvão, que doou oficialmente para o diretório nacional do PMDB.

Na última semana, o presidente interino negou ter participado do encontro. Em nota, ele afirmou na quarta-feira 15 que mantinha "relacionamento apenas formal e sem nenhuma proximidade com Sérgio Machado". O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, reforçou a defesa ao Planalto: "Não teve esse encontro".

Clube de Engenharia: Em andamento no Congresso, privataria do setor nuclear é mais um golpe na soberania do Brasil




Clube de Engenharia: Em andamento no Congresso, privataria do setor nuclear é mais um golpe na soberania do Brasil


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Projeções feitas em Belo Horizonte por Cardes Cardês

VIOMUNDO

Usinas nucleares: o silêncio ensurdecedor de decisões sem debate

Do Clube de Engenharia

É sabido nos meios científicos e técnicos que no suprimento de energia, assim como o século 19 foi dominado pelo carvão, o século 20 pelo petróleo, o presente século será mais e mais dominado pelo combustível nuclear.
Daí o interesse das principais potências do planeta em controlar o acesso a ele.
Aqui, o setor nuclear ganhou um silencioso destaque nas últimas semanas no Congresso Nacional, em função da tramitação das Propostas de Emenda Constitucional (PEC) 122/07 e da PEC 41/11, apensada à primeira.
Silencioso, porque após longos nove anos, entre arquivamentos e desarquivamentos, as propostas receberam, sem alarde, em 12 de maio último, parecer favorável do relator da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania e chegarão em breve ao plenário.
Trata-se de um raro movimento do Legislativo em relação à área nuclear.
Mas não é positivo; tampouco é neutro.
As mudanças propostas põem a perder quase seis décadas de esforços que levaram o país a, desde a década de 1980, integrar o seleto grupo de países que domina todo o ciclo do combustível nuclear, ao lado de Alemanha, China, Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Irã, Japão, Paquistão, Reino Unido e Rússia.
Dono de uma das maiores reservas naturais de urânio do mundo, o país passou a dominar, após a construção da Fábrica de Combustível Nuclear em Resende/RJ, o ciclo nuclear completo em escala industrial.
Desde então, detém a tecnologia e as ferramentas necessárias para a autonomia na produção do combustível, a se concretizar após a conclusão de Angra 3.
Trata-se, pois, de injustificável alienação de soberania, consubstanciada na exclusão do monopólio da União para a construção e operação de reatores nucleares para fins de geração elétrica (PEC 122/07) e na vedação à construção e instalação de novas usinas que operem com reator nuclear no país, permitindo entretanto as atividades das usinas já existentes e em construção (PEC 41/2011).
As emendas constitucionais em apreço têm por objetivos inviabilizar a produção industrial de combustível nuclear no país, e possibilitar a privatização das usinas nucleares existentes, ora operadas pela Eletronuclear.
Deixarão o país, caso aprovadas, mais uma vez à mercê de interesses externos.
São iniciativas que se somam ao ataque ao Pré-Sal, à atualização do Código de Mineração para favorecer mineradoras multinacionais, à proposta de permitir a compra indiscriminada de terras por estrangeiros, à de “privatizar o que for possível” relegando-nos à condição de fornecedores de matérias-primas para o mundo.
É a volta ao Brasil Colônia.
Longe de sermos xenófobos, preocupa-nos o nosso futuro como nação.
Em face da sua extensão territorial, dos seus recursos naturais e da sua população, o Brasil, que já é hoje uma das 10 maiores economias do mundo, não pode renunciar sem mais nem menos à sua soberania.
Capitais produtivos externos são bem-vindos, pois aqui geram empregos, pagam impostos e nos auxiliam no desenvolvimento tecnológico, desde que, contudo, subordinados aos interesses nacionais.
Os que deles querem abrir mão, não pensam no Brasil.
Merecem nosso repúdio.

Do Clube de Engenharia

É sabido nos meios científicos e técnicos que no suprimento de energia, assim como o século 19 foi dominado pelo carvão, o século 20 pelo petróleo, o presente século será mais e mais dominado pelo combustível nuclear.
Daí o interesse das principais potências do planeta em controlar o acesso a ele.
Aqui, o setor nuclear ganhou um silencioso destaque nas últimas semanas no Congresso Nacional, em função da tramitação das Propostas de Emenda Constitucional (PEC) 122/07 e da PEC 41/11, apensada à primeira.
Silencioso, porque após longos nove anos, entre arquivamentos e desarquivamentos, as propostas receberam, sem alarde, em 12 de maio último, parecer favorável do relator da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania e chegarão em breve ao plenário.
Trata-se de um raro movimento do Legislativo em relação à área nuclear.
Mas não é positivo; tampouco é neutro.
As mudanças propostas põem a perder quase seis décadas de esforços que levaram o país a, desde a década de 1980, integrar o seleto grupo de países que domina todo o ciclo do combustível nuclear, ao lado de Alemanha, China, Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Irã, Japão, Paquistão, Reino Unido e Rússia.
Dono de uma das maiores reservas naturais de urânio do mundo, o país passou a dominar, após a construção da Fábrica de Combustível Nuclear em Resende/RJ, o ciclo nuclear completo em escala industrial.
Desde então, detém a tecnologia e as ferramentas necessárias para a autonomia na produção do combustível, a se concretizar após a conclusão de Angra 3.
Trata-se, pois, de injustificável alienação de soberania, consubstanciada na exclusão do monopólio da União para a construção e operação de reatores nucleares para fins de geração elétrica (PEC 122/07) e na vedação à construção e instalação de novas usinas que operem com reator nuclear no país, permitindo entretanto as atividades das usinas já existentes e em construção (PEC 41/2011).
As emendas constitucionais em apreço têm por objetivos inviabilizar a produção industrial de combustível nuclear no país, e possibilitar a privatização das usinas nucleares existentes, ora operadas pela Eletronuclear.
Deixarão o país, caso aprovadas, mais uma vez à mercê de interesses externos.
São iniciativas que se somam ao ataque ao Pré-Sal, à atualização do Código de Mineração para favorecer mineradoras multinacionais, à proposta de permitir a compra indiscriminada de terras por estrangeiros, à de “privatizar o que for possível” relegando-nos à condição de fornecedores de matérias-primas para o mundo.
É a volta ao Brasil Colônia.
Longe de sermos xenófobos, preocupa-nos o nosso futuro como nação.
Em face da sua extensão territorial, dos seus recursos naturais e da sua população, o Brasil, que já é hoje uma das 10 maiores economias do mundo, não pode renunciar sem mais nem menos à sua soberania.
Capitais produtivos externos são bem-vindos, pois aqui geram empregos, pagam impostos e nos auxiliam no desenvolvimento tecnológico, desde que, contudo, subordinados aos interesses nacionais.
Os que deles querem abrir mão, não pensam no Brasil.
Merecem nosso repúdio.

Usinas nucleares: o silêncio ensurdecedor de decisões sem debate
Do Clube de Engenharia

É sabido nos meios científicos e técnicos que no suprimento de energia, assim como o século 19 foi dominado pelo carvão, o século 20 pelo petróleo, o presente século será mais e mais dominado pelo combustível nuclear.
Daí o interesse das principais potências do planeta em controlar o acesso a ele.
Aqui, o setor nuclear ganhou um silencioso destaque nas últimas semanas no Congresso Nacional, em função da tramitação das Propostas de Emenda Constitucional (PEC) 122/07 e da PEC 41/11, apensada à primeira.
Silencioso, porque após longos nove anos, entre arquivamentos e desarquivamentos, as propostas receberam, sem alarde, em 12 de maio último, parecer favorável do relator da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania e chegarão em breve ao plenário.
Trata-se de um raro movimento do Legislativo em relação à área nuclear.
Mas não é positivo; tampouco é neutro.
As mudanças propostas põem a perder quase seis décadas de esforços que levaram o país a, desde a década de 1980, integrar o seleto grupo de países que domina todo o ciclo do combustível nuclear, ao lado de Alemanha, China, Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Irã, Japão, Paquistão, Reino Unido e Rússia.
Dono de uma das maiores reservas naturais de urânio do mundo, o país passou a dominar, após a construção da Fábrica de Combustível Nuclear em Resende/RJ, o ciclo nuclear completo em escala industrial.
Desde então, detém a tecnologia e as ferramentas necessárias para a autonomia na produção do combustível, a se concretizar após a conclusão de Angra 3.
Trata-se, pois, de injustificável alienação de soberania, consubstanciada na exclusão do monopólio da União para a construção e operação de reatores nucleares para fins de geração elétrica (PEC 122/07) e na vedação à construção e instalação de novas usinas que operem com reator nuclear no país, permitindo entretanto as atividades das usinas já existentes e em construção (PEC 41/2011).
As emendas constitucionais em apreço têm por objetivos inviabilizar a produção industrial de combustível nuclear no país, e possibilitar a privatização das usinas nucleares existentes, ora operadas pela Eletronuclear.
Deixarão o país, caso aprovadas, mais uma vez à mercê de interesses externos.
São iniciativas que se somam ao ataque ao Pré-Sal, à atualização do Código de Mineração para favorecer mineradoras multinacionais, à proposta de permitir a compra indiscriminada de terras por estrangeiros, à de “privatizar o que for possível” relegando-nos à condição de fornecedores de matérias-primas para o mundo.
É a volta ao Brasil Colônia.
Longe de sermos xenófobos, preocupa-nos o nosso futuro como nação.
Em face da sua extensão territorial, dos seus recursos naturais e da sua população, o Brasil, que já é hoje uma das 10 maiores economias do mundo, não pode renunciar sem mais nem menos à sua soberania.
Capitais produtivos externos são bem-vindos, pois aqui geram empregos, pagam impostos e nos auxiliam no desenvolvimento tecnológico, desde que, contudo, subordinados aos interesses nacionais.
Os que deles querem abrir mão, não pensam no Brasil.
Merecem nosso repúdio.

Além do pai de Aécio, dinheiro público do Minas Sem Fome serviu aos Perrella; agora, quem Marcos Valério pretende delatar?







Além do pai de Aécio, dinheiro público do Minas Sem Fome serviu aos Perrella; agora, quem Marcos Valério pretende delatar?

VIOMUNDO

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Aécio entre Perrella e Anastasia e com o pai; a Perfil em Montezuma e a Limeira em Mirada Nova de Minas; o advogado Miraglia e a modelo assassinada
Da Redação
Aécio Neves, através da Epamig, contratou seu aliado político, o deputado estadual Zezé Perrella, para produzir sementes. Sem licitação.
Epamig é a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais.
O então governador de Minas Gerais não poderia tê-lo feito, dentre outros motivos porque a Limeira Agropecuária e Participações Ltda. não é uma empresa sem fins lucrativos.
Quando o convênio foi assinado, além de deputado Zezé Perrella era administrador da Tapera Participações e Empreendimentos Ltda., sócia da Limeira.
Antonio Anastasia sucedeu Aécio no Palácio da Liberdade.
Ele manteve os convênios. De forma irregular, porque o filho de Zezé, Gustavo, elegeu-se deputado estadual e tornou-se sócio da Limeira.
Os negócios entre o Estado e empresas de autoridades públicas são vetados.
Hoje, os senadores Aécio, Anastasia e Zezé (PTB-MG) trabalham juntos pelo impeachment de Dilma Rousseff no Senado.
Zezé teve o filho, agora ex-deputado Gustavo, indicado para ser o novo Secretário Nacional de Futebol no governo interino de Michel Temer.
Gustavo, quando deputado em Minas, empregou em seu gabinete o piloto do helicóptero flagrado com 445 quilos de pasta base, depois de um vôo que fez a rota Pedro Juan Caballero (Paraguai)-Afonso Cláudio (Espírito Santo).
No caso das sementes, há dúvidas se elas de fato foram produzidas ou distribuídas.
O prejuízo para os cofres públicos pode ter sido de R$ 18 milhões.
Tudo isso está minuciosamente descrito em 162 páginas de uma auditoria da Controladoria-Geral de Minas Gerais (ver íntegra abaixo), que atribuiu infrações a 11 funcionários da Epamig, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais.
A empresa trabalhava ao lado da Emater, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais, no programa Minas Sem Fome, descrito assim: “O Minas Sem Fome, executado pela Emater–MG, é um Programa do Governo de Minas Gerais, que tem o objetivo estratégico de buscar a segurança alimentar e nutricional, com redução da pobreza, resgate da cidadania e inclusão produtiva, conforme expresso no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado – PMDI 2007–2023″.
Quando o programa foi lançado o governador de Minas era Aécio Neves.
Onze dias antes de Aécio deixar o governo para disputar o Senado, a Epamig fechou um Termo de Parceria Técnica com a Perfil Agropecuária e Florestal Ltda. para o plantio de sementes de feijão.
A Perfil pertencia então ao pai do governador, Aécio Cunha.
Ele recebeu R$ 150 mil para plantar sementes na Fazenda Ribeirão, que fica nos municípios de Montezuma (MG) e Mortogaba (BA).
O deputado petista Rogério Correia denunciou o caso ao Ministério Público.
Segundo o jornal mineiro O Tempo, ele afirmou: “Já fizemos denúncias parecidas com essa. Ele, enquanto governador, beneficia familiares com um acordo como este. O pai dele fez um contrato com o Estado enquanto ele era o chefe do Executivo. É claro que é algo a se desconfiar”.
O ex-presidente da Epamig, Baldonedo Arthur Napoleão, descartou a denúncia como “improcedente e demonstra total desconhecimento quanto aos programas conduzidos pela Epamig em estímulo à transferência de tecnologia para a produção de sementes no Estado, notadamente nas regiões mais pobres, como o Norte de Minas, onde se localiza a referida propriedade”.
REGIÃO POBRE, MAS NÃO PARA TODOS
Montezuma, de fato, fica numa região pobre. O mesmo não se pode falar da família Cunha. Só na fazenda Ribeirão, ela dispõe de 950 hectares.
A posse da propriedade foi questionada durante seis anos pela própria Advocacia Geral do Estado. As terras seriam do Estado.
O pai de Aécio venceu a longa batalha judicial.
Ele foi um homem poderoso.
Antes de se estabelecer na região, foi deputado estadual, deputado federal e ministro do Tribunal de Contas da União, entre 1955 e 1999.
Pertenceu ao Partido Republicano, deu sustentação à ditadura na Arena-PDS e foi do PFL e DEM.
No início dos anos 60, antes do golpe, Aécio Ferreira da Cunha apareceu em uma lista de candidatos que receberam financiamento do IBAD, o Instituto Brasileiro de Ação Democrática, um front da CIA para montar uma bancada contra João Goulart no Congresso com dinheiro de empresários brasileiros e norte-americanos.
É por causa de Aécio Cunha que Montezuma dispõe de um luxo extraordinário para a região pobre, dizem os moradores.
O município, de apenas 8 mil habitantes, tem uma pista de pouso capaz de acomodar um Boeing.
O aeroporto local recebeu investimentos de um programa que pretendia regionalizar os vôos em Minas. Um projeto do governo Aécio.
Coincidentemente, os dois lados da família do então governador foram contemplados: em Cláudio, o lado materno; em Montezuma, o paterno.
Hoje a pista de Montezuma está abandonada e serve para que os moradores façam caminhadas.
Por outro lado, a cidade não tem maternidade e os montezumenses nascem em hospitais da região.
Um verdadeiro choque de gestão.
TUDO BEM COM QUEM FECHOU OS NEGÓCIOS
Baldonedo, o ex-presidente da Epamig que defendeu a parceria das sementes com o pai de Aécio, é mencionado na auditoria relativa à família Perrella pela infração de três leis.
Apesar disso, a carreira dele, ex-deputado estadual, seguiu adiante.
Foi nomeado em seguida vice-presidente da Prodemge, a empresa de tecnologia da informação de Minas e hoje cuida da eleição municipal em sua cidade de origem, Barroso.
Como se nada tivesse acontecido.
A auditoria da Controladoria-Geral revelou que houve várias manobras exóticas na relação entre a Epamig e os Perrella.
Uma delas foi o adiantamento de R$ 2,8 milhões feito pela empresa antes da entrega das sementes.
A auditoria também descobriu forte relação entre a Limeira e os dois outros escolhidos para fechar convênios, Manoel Pinhão e Geraldo de Oliveira Costa.
Geraldo foi sócio da Limeira e Manoel, depois de trabalhar na empresa, foi assessor de gabinete de Zezé Perrella no Senado.
Ou seja, um verdadeiro negócio entre amigos.
Com dinheiro público.
O dono das sementes Guará teve carreira vertiginosa em Minas. Zezé Perrella começou com uma loja no mercado central da capital mineira antes de brilhar na presidência do Cruzeiro.
Fernando Torquatti Jr., que fez oposição a ele no clube, disse ao Jornal da Record que o cartola misturou seus negócios pessoais com os do clube enquanto dirigiu o time mineiro.
Perrella foi deputado federal entre 1999 e 2003 e estadual entre 2006 e 2009.
Ao se candidatar a suplente de senador de Itamar Franco, em 2010, Zezé declarou à Justiça Eleitoral ter modesto patrimônio: R$ 470.077,56.
Isso mesmo, 470 mil reais, apesar das fazendas da Limeira serem avaliadas hoje, por baixo, em R$ 60 milhões. Nelas, ele cria gado, porco, planta eucalipto e tem uma fábrica de ração.
A empresa está em nome dos irmãos Gustavo e Carolina, filhos de Zezé Perrella, e do sobrinho dele, André Almeida Costa.
Advogados de Perrella defendem seu cliente dizendo que ele é perseguido por um promotor.
Trata-se de Eduardo Nepomuceno, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que cuida do caso.
Isso não é exatamente um bom sinal em Minas.
TERRA DAS PERSEGUIÇÕES
O deputado Rogério Correia quase teve o mandato cassado quando denunciou Aécio e seu grupo político por envolvimento com o mensalão mineiro e a lista de Furnas, esquemas de financiamento tucano nas campanhas de 1998 e 2002.
O delator Nilton Monteiro, profundo conhecedor do submundo tucano em Minas, foi preso durante a campanha de Aécio à presidência, em 2010, por insistir na autenticidade da lista que relacionava candidatos financiados com dinheiro de fornecedores de Furnas. Nilton é acusado de falsificação de documentos e achaques.
O jornalista Marco Aurélio Carone teve o mesmo destino de Nilton, ele que denunciou muito antes da revista Época — três anos e quatro meses antes — a existência de uma fundação ligada à família de Aécio no paraíso fiscal de Liechtenstein.
O advogado Dino Miraglia, que já representou o delator Monteiro, sofreu busca e apreensão em sua casa e escritório.
Miraglia ainda hoje sustenta que a morte da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, em Belo Horizonte, em agosto de 2000, teve relação com o mensalão tucano.
Ela seria a “mula” do esquema, ou seja, a distribuidora de propinas entre os envolvidos. Além disso, teria tido envolvimento amoroso com gente graúda.
Miraglia representa a família dela.
Inicialmente, o assassinato de Cristiana foi considerado suicídio, até que uma segunda perícia desmontou o embuste (ver reprodução da revista Época, abaixo).
Em 2009, o ex-detetive Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho foi condenado a 14 anos de prisão pelo homicídio. A motivação do crime teria sido um ataque de ciúmes.
Reinaldo até hoje não cumpriu um dia sequer de pena. Obteve um habeas corpus do STJ.
Para Miraglia, que participou do julgamento, a suposta falta de esforço para encarcerar Reinaldo Pacífico é significativa de um complô para abafar o caso (não deixe de ouvir a entrevista dele à repórter Lucia Rodrigues).
São mistérios que permanecem ocultos entre as montanhas de Minas Gerais.
Espera-se que Marcos Valério, organizador do mensalão tucano, possa jogar alguma luz sobre este e outros casos se de fato fizer a delação premiada que vem prometendo.
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Marcos Valério negocia delação premiada e pode entregar ’20 nomes’
Estadão Conteúdo — 19/06/2016
Em mais uma tentativa de fechar um acordo de delação premiada, o operador do mensalão Marcos Valério entregou na semana passada ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais uma proposta de colaboração para revelar novos detalhes sobre os escândalos do mensalão do PSDB e do PT.
O advogado Jean Robert Kobayashi Júnior, escalado para negociar a proposta, afirma que Valério deve entregar “cerca de 20 nomes”, incluindo parlamentares com foro privilegiado de diversos partidos, e nomes envolvidos nos escândalos investigados na Lava Jato, a quem a defesa de Valério encaminhou uma proposta de colaboração no ano passado.
Há três anos preso na região metropolitana de Belo Horizonte, Valério pegou a maior pena entre os condenados no histórico julgamento do STF e cumpre 37 anos de prisão por corrupção ativa, peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
A interlocutores, ele tem dito que “cansou de apanhar” e que “agora vai começar a bater”. Valério está na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, onde trabalha para descontar dias de sua pena.
A expectativa dele era de conseguir ir para o regime semiaberto em um ano e meio, mas ele ainda está prestes a ser julgado por envolvimento no mensalão mineiro, pela Justiça estadual, e também já foi alvo de uma denúncia da Lava Jato perante o juiz Sérgio Moro, em Curitiba, o que pode, na prática, impedir que ele deixe o regime fechado.
Seu interrogatório na ação penal que responde no mensalão mineiro está marcado para o dia 1º de julho.
Diante disso, no ano passado, a defesa de Valério, sob responsabilidade do criminalista Marcelo Leonardo, encaminhou uma proposta de delação à força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, que avalia os termos. Agora, com um advogado somente para a negociar a colaboração, o operador do mensalão promete contar mais detalhes também sobre o esquema operado por ele que financiou o caixa dois da campanha à reeleição do ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 1998 e que pode também ter envolvido outras pessoas e políticos na década de 1990.
Como o mensalão mineiro é investigado pela Justiça Estadual, essa nova proposta foi encaminhada ao Ministério Público do Estado.
A lei que define as organizações criminosas (12.850, de 2013) estabelece que a colaboração com a Justiça pode ser feita a qualquer tempo e independe de uma condenação anterior, desde que a colaboração resulte em resultados como a identificação de coautores e partícipes da organização criminosa e dos crimes; revelação da estrutura hierárquica e da divisão de tarefas da organização, entre outros.
Marcelo Leonardo continua a defender Marcos Valério nas ações penais e informou que não iria comentar sobre as eventuais tratativas de delação de seu cliente. O Ministério Público de Minas Gerais confirmou que recebeu proposta de delação, e avalia se o operador do mensalão pode trazer fatos novos para as investigações.
Leia também:
Clube de Engenharia: Entrega do setor nuclear é outro golpe na soberania

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Estudantes se levantam contra fascismo na UnB

Brasília 247 - Um grupo de estudantes, servidores e professores realizam nesta segunda-feira, 20, um protesto na Universidade de Brasília (UnB) contra o ataque de cunho fascista e homofóbico da última sexta-feira, 17, na instituição. Enrolados em bandeiras do Brasil, os manifestantes usavam expressões homofóbicas e se diziam contra a política de cotas e a favor do deputado Jair Bolsanaro (PP-RJ) e do juiz Sérgio Moro (leia mais).

Com dezenas de cartazes e faixas, os manifestantes repudiaram as agressões, pediram respeito à democracia. O ato foi organizado pelo Centro Acadêmico de Ciência Política, apoiado por mais 32 CAs da UnB. "Precisamos reafirmar o direto de amar. Esta sociedade que os fascistas, os fundamentalistas querem construir é a sociedade de armário, de armários, de manicômios. Esta manifestação de fascismo tem o mesmo DNA daqueles que estão na tribuna defendendo o matar um indígena Guarani-Kaiowá", afirmou ma manifestante em vídeo divulgado pela UNE.

"A nossa luta é todo dia. Contra  racismo, o machismo e a homofobia", e "fascistas não passarão", gritavam os manifestantes.
sergio moro, 
A Reitoria da UnB repudiou o ataque contra estudantes no campus da instituição. "A reitoria da Universidade de Brasília reitera a postura de respeito ao direito à diversidade nos seus quatro campi e repudia qualquer ato de intolerância e de agressão", informou a instituição, em nota. "As ocorrências de natureza agressiva e intolerantes são devidamente apuradas e, quando se trata de ações que extrapolam a alçada administrativa da Universidade, os órgãos competentes são acionados."
Ainda segundo a reitoria, a segurança do campus foi acionada no dia e conseguiu retirar o grupo do campus sem a necessidade do uso de força ou violência. Segundo a instituição, não houve registro de agressão física.




Lula foi monitorado pelo serviço de inteligência

247 - Integrantes do governo afirmam que o Planalto recebeu informações de serviços de inteligência sobre encontros recorrentes entre o ex-presidente Lula e Guilherme Boulos, líder do MTST, além da relação das reuniões com manifestações contra o presidente interino Michel Temer, segundo a coluna de Natuza Nery.
O GSI (Gabinete de Segurança Institucional) diz que nenhum dos dois é monitorado e que desconhece a existência dos relatos.

Manifestações pedindo "Fora Temer" ganham força com o apoio de centrais sindicais e do ex-presidente Lula. No dia 10 de junho, atos ocorreram em 24 Estados e no Distrito Federal. Sob pressão, o presidente interino completou um mês no cargo sem por os pés nas ruas.

A Gilmar Mendes: Por que vazar prisões de Sarney, Cunha, Renan e Jucá é “grave” e conversas de Lula e Dilma, “correta”?

A Gilmar Mendes: Por que vazar prisões de Sarney, Cunha, Renan e Jucá é “grave” e conversas de Lula e Dilma, “correta”?

VIOMUNDO



 
Espanto: Gilmar Mendes descobre que Lava Jato vaza; E Cerveró entrega governo FHC
Bob Fernandes 

Reações ao vazamento dos pedidos de prisão para Sarney, Eduardo Cunha, Renan Calheiros e Romero Jucá. O ministro do Supremo Tribunal, Gilmar Mendes, protestou:
— É processo oculto, pede-se sigilo, mas divulga-se para a imprensa. Isso é grave, brincadeira com o Supremo. Quem faz isso está cometendo crime, certo?
Certíssimo… Mas…centenas de vazamentos ocorreram nos últimos dois anos, nas investigações do “petrolão”.
Há três meses, de maneira ilegal foi gravada parte de conversa entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula. Com vazamento ilegal da porção ilegalmente gravada.
À época o ministro Zavaski criticou e cobrou o juiz Moro. O que disse então o ministro Gilmar Mendes sobre o vazamento?
Disse que a divulgação foi “correta” e que importante era discutir o “conteúdo extremamente grave”.
Agora Gilmar Mendes diz ser preciso “chamar às falas os responsáveis”. Em 2008, preso Daniel Dantas, Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (aquele) foram ao Planalto.
Para protestar contra grampos, que não existiram, e chamar “às falas” o presidente Lula.
Paulo Lacerda, que havia modernizado a Polícia Federal, foi demitido da ABIN. O delegado Protógenes seria demitido da PF.
Como previsível, agora, enfim, delações começam a pegar geral. É o que mostra vídeo que não interessa a tantos que pontificam sobre “corrupção”.
Blog de Fausto Macedo, do Estadão, flagra o delator Cerveró dizendo no décimo minuto de depoimento online:
— A Odebrecht sempre teve profunda influência (na Petrobras) desde época do (Joel) Rennó…
Prossegue Cerveró:
— Braskem é um dos maiores escândalos criados na época do Fernando Henrique, não foi o Lula que inventou. Essas coisas não são investigadas, é isso é que eu fico impressionado.
E continua: “A Braskem é um escândalo, feita com a Odebrecht”.
Nesse exato instante, quem interroga Cerveró interrompe, busca mudar de assunto perguntando: “Passados dois anos…”
Cerveró vira-se para alguém ao lado, franze testa e sobrancelha, balança mãos e cabeça como quem diz “tá vendo?”, e conclui:
–… Essas coisas é que chamam a atenção…
Cerveró, entenda uma coisa: isso não vem ao caso.

O trecho em que Cerveró fala sobre a Brasken, a partir do décimo minuto: 


Doações eleitorais de Michel Temer ajudam a traçar um perfil do presidente interino; todos os caminhos levam ao Rio Grande do Sul e ao porto de Santos



 

Doações eleitorais de Michel Temer ajudam a traçar um perfil do presidente interino; todos os caminhos levam ao Rio Grande do Sul e ao porto de Santos

 VIOMUNDO

Captura de Tela 2016-06-19 às 03.06.03Beneficiados e beneficiários: em sentido horário, Fátima Pelaes, Cunha, Helder Barbalho e a mãe, Dárcisio Perondi, Edinho Araújo e Eliseu Padilha
Pelos direitos das crianças, dos jovens, das mulheres, de todos os brasileiros; por um Governo decente e, acima de tudo, por mais esperança para os brasileiros, voto “sim”. Darcísio Perondi, ao votar na Câmara pela abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff
Sr. Presidente, renovação; confiança; credibilidade; recuperação da esperança; ordem; harmonia; outro clima de investimentos; respeito às leis; respeito às instituições. Foi neste clima que o Brasil amanheceu hoje: céu azul, céu brilhante, temperatura agradável, bandeiras nos apartamentos e nos ônibus. Conversei com uma empregada doméstica, e ela me disse da alegria nos ônibus hoje de manhã que vieram do entorno do Brasília. Está renascendo um novo Brasil. E tenha a santa paciência o Deputado que me antecedeu! Michel Temer tem doutorado em Constituição. É professor, jurista. Foi Deputado por 16 anos, um homem inteiro, fala o português. Não confunda hombridade e legalidade com gente pequena! Viva o novo Brasil que está nascendo! Viva o novo Brasil que está nascendo! Darcísio Perondi, festejando o governo interino de Michel Temer na Câmara, em 11 de maio de 2016
Da Redação, com Garganta Profunda*
Assim como Eduardo Cunha, Michel Temer tem sua própria bancada na Câmara dos Deputados. É menor, certamente. Mas não menos dedicada a defender seu líder.
Dentre os admiradores mais ferrenhos do presidente interino está o deputado federal gaúcho Darcísio Perondi.
Em 2014, o então vice-presidente estourou o limite de doações eleitorais (10% da renda declarada no ano anterior) ao dar dinheiro diretamente a dois deputados, ambos gaúchos: Darcísio Perondi e Alceu Moreira.
Temer teve os direitos políticos cassados pelo TRE-SP e está recorrendo.
Como a Galeria dos Hipócritas revelou no último 26 de maio, um dos deputados, Alceu Moreira, está enrolado em denúncias de corrupção.
O apelido dele em sua região de origem é Tico Butico.
Quando Alceu Moreira era presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, foi flagrado em escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça numa operação da Polícia Federal que investigava um esquema de corrupção envolvendo obras públicas. O esquema começou com o desvio de dinheiro da merenda escolar em Canoas, no Rio Grande do Sul.
A certa altura, quando tratava da liberação de verbas para a conclusão de uma estrada de seu interesse, Alceu Moreira disse ao interlocutor Marco Antonio Camino, da Mac Engenharia, que tocava a obra: “Tem que chover na minha horta, neguinho”.
Alceu Moreira é apadrinhado de Eliseu Padilha, hoje ministro-chefe da Casa Civil do governo interino de Michel Temer.
Padilha também teve diálogos gravados pela PF quando conversava com o mesmo empreiteiro, na mesma operação.
O hoje ministro da Casa Civil de Temer aparentemente tratava de direcionar a licitação para a construção de uma barragem no Rio Grande do Sul.
A construção da barragem fazia parte de um pacote de combate à seca no Sul patrocinado por emendas do próprio Padilha.
No esquema, houve uma escandalosa mudança no edital de licitação para limitar o número de concorrentes.
Nas investigações, a PF descobriu pagamentos de R$ 367 mil de empreiteiras gaúchas a Padilha.
O então deputado federal se defendeu dizendo que parte do dinheiro era resultado da venda de uma propriedade a um empreiteiro e o restante fruto da prestação de consultoria.
Padilha só escapou de maiores problemas com a Justiça porque o STF considerou os grampos ilegais: como deputado federal, ele tinha direito a foro privilegiado e as gravações deveriam ter sido autorizadas pelo Supremo.
Não adiantou a PF argumentar que seu alvo era o empreiteiro Marco Antonio Camino e que o então deputado caiu no grampo por ser interlocutor dele.
Neste final de semana a revista Veja requentou as acusações contra Padilha acrescentando que o Ministério Público Federal pediu o bloqueio de bens e a devolução de R$ 300 mil pelo ministro de Temer num caso correlato.
A ação por improbidade administrativa diz respeito a uma funcionária fantasma:
A Polícia Federal concluiu que a funcionária fantasma, motivo da ação de improbidade, recebeu salário como servidora do gabinete de Padilha por quatro anos. A suspeita é de que o titular da Casa Civil teria contratado a dona de casa como pagamento de favores a um empresário. 
Padilha pede o arquivamento desta ação alegando que ela também está contaminada pelo vício de origem, as gravações não autorizadas pelo STF.
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Temer entre Darcísio e a esposa, que é vice-presidente nacional do PMDB-Mulher; o Hospital de Caridade de Ijuí
DARCÍSIO E A COBRANÇA NO SUS
O deputado Darcísio Perondi não é exceção à regra na “bancada gaúcha” de Michel Temer.
Eleito pela primeira vez em 1995, ele pode se dizer um deputado bem sucedido.
Nas campanhas mais recentes, dobrou os gastos para se reeleger: foram R$ 989 mil em 2010 e R$ 1,79 milhão em 2014.
Pelas declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral, teve um salto no patrimônio de 293% entre 2006 e 2014.
Ao votar pela abertura de processo de impeachment contra Dilma, ele falou em defesa de um “governo decente”.
Porém, suas práticas destoaram do discurso em pelo menos uma ocasião, segundo o Ministério Público Federal.
Perondi, que é médico, era presidente do Hospital de Caridade de Ijuí, no Rio Grande do Sul, quando aconteceu a denúncia.
Médicos locais cobraram por consultas do SUS, o Sistema Único de Saúde, com o conhecimento da direção do hospital.
Cobranças foram feitas de pacientes humildes dos municípios vizinhos de Catuípe, Chiapeta e Inhacorá que precisavam consultar especialistas.
O MPF recolheu vários depoimentos:
Ângela Dallepiane Schneider, professora estadual: “(…) que a aluna Cilene Patat havia sofrido uma fratura no braço, motivo pelo qual acompanhou­-a até o Hospital de Caridade de Ijuí. Chegando lá, Cilene foi atendida pelo médico Dr. Adonis Dei Ricardi. Após ter sido atendida, Cilene solicitou à declarante que lhe emprestasse um cheque no valor de R$ 100,00 para pagamento dos serviços médicos. Foi a própria declarante quem entregou o cheque para o Dr. Adonis. Declara que foi ressarcida pela Prefeitura Municipal de Catuípe”;
Cleci Vieira, do lar: “(…) em julho de 2001, procurou a assistência médica do Município, pois estava grávida, quando então foi encaminhada para o Hospital de Caridade de Ijuí (…); foi atendida pelo Dr. Élvio Silveira. Declara que, na oportunidade, foi­-lhe cobrado unicamente R$ 50,00, quantia essa paga em dinheiro para o Dr. Élvio, referente a exame de toque. Refere que tal valor foi ressarcido pela Prefeitura de Catuípe, mediante apresentação do recibo firmado pelo médico que recebeu a importância. Informa que é carente e que não teria condições de pagar quaisquer despesas (…)”.
Celine Mezadre da Luz, do lar: “(…) foi encaminhada para o Hospital de Caridade de Ijuí, ocasião em que foi atendida pelo médico Dr. Élvio. Na oportunidade, foi ­lhe exigido a importância de R$ 180,00, apenas para chamar o médico, pois era final de semana e o mesmo encontrava- se em casa. Diante da informação de que não poderia pagá­-lo, este veio atendê­-la, porém, disse que mandaria cobrar a conta da Prefeitura do Município de Catuípe. Declara que foi trazida pela ambulância do município de Catuípe após ter feito a curetagem. Informa que perdeu o bebê (…)”.
Valdemar Bortolotti, agricultor: “(…) há mais ou menos um ano fraturou a perna esquerda, quando então foi atendido pelo Dr. Rui, na cidade de Catuípe, que o encaminhou para o Hospital de Caridade de Ijuí. Que foi conduzido até aquele hospital pela ambulância da Prefeitura Municipal de Catuípe; lá chegando, foi atendido no Pronto­ Socorro pelo Dr. Adonis, que lhe pediu pessoalmente R$ 180,00 (cento e oitenta reais) para operá­-lo. Diante da recusa, ante a falta de recurso, o referido médico disse que engessaria a perna do jeito que estava, pois com o tempo ficaria bom. Declara que relutou para aceitar o engessamento, contudo acabou aceitando. (…) Declara que até hoje sofre seriamente seqüelas do procedimento adotado pelo médico, sendo que sofre muitas dores (…)”
Registre-se que em 2001/2002, época da denúncia, o salário mínimo era de R$ 180, valor relevante para um agricultor que teve de recorrer a uma ambulância pública para ser transportado entre duas cidades.
O dr. Adonis Dei Ricardi foi incluído na lista de médicos denunciados, juntamente com Armindo Pydd, Alberto Arais Pydd, Aureo Paulo Zimmermann, Bruno Wayhs, Edemar Paula da Costa, Elvio Gonçalves da Silveira, Fernando Vargas Buenos, Francisco Coutinho Kubaski, João Antônio da Silva Stucky, Mario Valter Michel e Maristela Casagrande.
Em sua defesa, eles alegaram que a cobrança era feita apenas quando os pacientes não aceitavam o tratamento dos plantonistas do hospital. Portanto, era como se fossem consultas particulares.
O juiz Adriano Copetti, de Santo Ângelo, não aceitou a argumentação.
A defesa do deputado Darcísio Perondi tentou arguir que ele tinha foro privilegiado, mas o STF considerou que o caso não envolvia seu mandato parlamentar.
Advogados de Perondi também argumentaram que as cobranças não eram irregulares, uma vez que “os municípios devem complementar os serviços de saúde financiados pelo SUS”.
O juiz, porém, condenou Perondi por improbidade administrativa:
O demandado Darcísio Perondi, como Presidente do Hospital de Caridade de Ijuí ­ HCI, concorreu com a prática dos atos ímprobos, já que anuía com as cobranças ilícitas, tanto que pressionava os municípios da região a firmarem convênios com o HCI, dizendo que os repasses do SUS eram insuficientes para o atendimento gratuito de toda a região de abrangência do referido nosocômio. Tinha ele, portanto, na condição de administrador máximo do HCI, o dever de zelar pelo adequado funcionamento da estrutura, o que implica também, sobremaneira, em fiscalizar e coibir atos atentatórios aos princípios da Administração Pública e aos objetivos do Sistema Único de Saúde, dentre eles, em especial, os do acesso universal, gratuito e igualitário às ações e aos serviços de saúde, função a qual, ao que se apurou, omitiu-­se.
Pena? No caso de Perondi, multa de R$ 1 mil. Mil reais.
Os réus, condenados em primeira e segunda instâncias, estão recorrendo.
Darcísio é crítico do programa Mais Médicos. Ele protestou, por exemplo, pelo fato de que os primeiros médicos cubanos chegaram ao Brasil ganhando menos que seus colegas, “apenas” 300 dólares mensais. Segundo ele, a presença de médicos nas pequenas cidades, sem mais investimento federal na Saúde, causaria o estrangulamento do sistema.
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O terminal em Santos e o deputado federal Baleia Rossi, presidente do PMDB paulista: porto seguro
A BANCADA DE TEMER E A DELAÇÃO DE CUNHA
A bancada de Michel Temer na Câmara não inclui apenas os deputados gaúchos Alceu Moreira e Darcísio Perondi, aos quais ele doou como pessoa física.
Nas eleições de 2014, só o CPF 20.569.767/0001-43, relacionado à campanha do vice-presidente Michel Miguel Elias Temer Lulia, aparece associado ao repasse de R$ 11.886.827,14 a 78 candidatos do PMDB, PSD, PDT, PCdoB e PT em vários estados do Brasil.
Impressiona o interesse de Temer pelo Rio Grande do Sul: ele ajudou na campanha de 25 candidatos a deputado estadual e federal do Estado.
Uma possível explicação: Eliseu Padilha, braço direito de Temer, é gaúcho; foi prefeito de Tramandaí, deputado federal desde 1995 e serviu como ministro em governos que um dia tiveram apoio/participação de Temer: dos Transportes sob FHC, da Aviação Civil sob Dilma e da Casa Civil sob o próprio Temer.
Doar a candidatos gaúchos seria uma forma de reforçar a base parlamentar da dupla.
Na lista de doações de Temer em 2014, a maioria dos repasses é de dinheiro originário de empresas.
A empreiteira OAS, por exemplo, fez doações de mais de R$ 3,4 milhões através de Michel Temer.
Alguns casos chamam especialmente a atenção.
Temer repassou, por exemplo, R$ 300 mil da OAS e do frigorífico JBS à candidata Fátima Pelaes. Depois de cinco mandatos, ela não se reelegeu em 2014 como deputada federal pelo PMDB do Amapá.
Agora, a ex-deputada foi escolhida por Temer para dirigir a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres.
Fátima responde a inquérito que resultou da Operação Voucher, da Polícia Federal, que investigou desvios no Ministério do Turismo.
Quando deputada, Fátima indicou uma ONG de nome Ibrasi para promover o turismo no Amapá a partir de emendas apresentadas por ela.
Fátima teria sido beneficiária de parte dos R$ 4 milhões recebidos pela ONG.
Outro que recebeu dinheiro de Temer para a campanha de 2014 foi Baleia Rossi, o presidente do PMDB paulista: R$ 150 mil, originários do frigorífico JBS.
No escândalo das merendas de São Paulo, o deputado foi acusado pelo presidente da Coaf, a cooperativa que pagou propina, de ser o beneficiário de pagamentos nos contratos fechados com as prefeituras de Campinas e Ribeirão Preto. Ele nega veementemente.
Mas, há coisas mais interessantes ainda na lista de doações eleitorais de Temer.
Voltemos no tempo.
Como o Viomundo denunciou aqui, o presidente interino já foi mencionado em ação de divórcio pelo suposto recebimento de R$ 2,7 milhões em propinas em contratos fechados quando Marcelo de Azeredo dirigia a Codesp, Companhia Docas do Estado de São Paulo, controladora das maiores instalações portuárias do Brasil, em Santos.
Temer era deputado federal e indicara seu afilhado político para dirigir a empresa, o que Marcelo fez entre julho de 1995 e maio de 1998, durante o governo FHC.
À época, Azeredo foi acusado de esbanjar dinheiro público – por exemplo, segundo denúncia assinada pelo repórter Gilberto Nascimento, ele “pagou pelo aluguel de sete veículos da marca Quantum, para atender à diretoria durante dois anos, a quantia de R$ 394 mil, suficiente para adquirir em definitivo 14 carros zero-quilômetro do mesmo tipo”.
A denúncia das propinas obtidas por Temer no porto de Santos partiu da ex-mulher de Azeredo, numa ação de divórcio litigioso.
Ela teve acesso ao computador do ex e copiou planilhas que registravam negócios e pagamentos.
A divisão do dinheiro: 25% ficavam com Azeredo, 25% com um certo Lima e 50% com MT, que os advogados dela identificaram como Michel Temer.
Lima provavelmente é o coronel aposentado da PM João Baptista Lima Filho, dono de 1.500 hectares de terras no interior de São Paulo e da empresa Argeplan, investigada na Operação Lava Jato por contrato com a Eletronuclear — que teria sido fechado depois de pagamento de propina.
O coronel Lima e Temer são amigos há mais de duas décadas.
Pois bem, segundo os registros obtidos pela ex-mulher de Azeredo naquele divórcio litigioso, Temer teria se beneficiado de R$ 640 mil em propina quando dois terminais do porto de Santos, os de número 34 e 35, foram concedidos ao Grupo Libra, especializado no transporte de contêineres.
Quando a concessão original aconteceu, em 1998, a Companhia Docas do Estado de São Paulo, Codesp, era subordinada ao Ministério dos Transportes, ocupado então por Eliseu Padilha, hoje ministro da Casa Civil de Temer.
Fast forward para o governo Dilma, com Temer na vice-presidência.
Em 2013, foi editada a nova Lei dos Portos.
Ela permitia a renovação da concessão de terminais desde que houvesse promessa de novos investimentos, mas vedava isso para empresas inadimplentes.
A essa altura, o Grupo Libra tinha uma dívida com a União estimada em mais de R$ 800 milhões (valores atualizados), que contestava.
Porém, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) apresentou uma emenda que abriu uma exceção: renovação da concessão se a empresa inadimplente aceitasse um processo de arbitragem para a dívida.
O Grupo Libra aceitou e os processos de cobrança da União contra ele foram extintos.
Isso permitiu ao Grupo Libra renovar a concessão dos dois terminais de Santos por mais 20 anos, com a promessa de novos investimentos de R$ 750 milhões.
A Secretaria de Portos, vinculada hoje à Presidência da República, era ocupada na época pelo deputado federal Edinho Araújo (PMDB-SP), indicado por Temer.
A demissão de Edinho por Dilma foi um dos temas da famosa carta em que o vice reclamou da presidenta: “E a senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado”, dizia trecho da carta.
Na lista de doações eleitorais de Temer em 2014, R$ 200 mil foram destinados à campanha de reeleição de Edinho, dinheiro originário das empresas JBS, Jofege Pavimentação e São Sebastião Desenvolvimento Imobiliário.
Já os donos do Grupo Libra, concessionários no porto de Santos desde 1998, compareceram com doações de ao menos R$ 800 mil através de Temer!
Rodrigues Borges Torrealba, um dos donos do Grupo, doou R$ 500 mil a cinco candidatos do PMDB: Edson Meuer Brum (estadual/RS), Rodrigo Sanches da Rocha Loures (federal/PR), Fábio Ricardo Trad (federal/MS), Edio Vieira Lopes (federal/RR) e Elcione Barbalho (federal, PA).
A irmã dele, Ana Carolina Borges Torrealba Affonso, também sócia do Grupo Libra, doou R$ 300 mil a candidatos do PMDB, sempre através de Temer: Hermes Parcianello (federal/PR), Mário Feitoza de Carvalho Freitas (federal/CE), Claudia Lyra Nascimento (federal/DF), Francisco Luiz Escorcio Lima (federal/MA) e Darcisio Paulo Perondi (federal/RS).
Detalhe: Elcione Barbalho, que recebeu R$ 100 mil do Grupo Libra, é mãe de Helder Barbalho, o deputado federal escolhido por Temer para ocupar… a Secretaria de Portos no governo interino!
Trocando em miúdos:
1. Temer foi citado em ação de divórcio por supostamente receber propina do Grupo Libra quando este obteve as concessões no porto de Santos, quando a Companhia Docas do Estado de São Paulo era subordinada ao então ministro dos Transportes Eliseu Padilha, no governo FHC;
2. O mesmo Grupo Libra, sob Dilma, teve as concessões renovadas por duas décadas tirando proveito de emenda parlamentar de Eduardo Cunha, quando Temer era vice-presidente e um aliado dele, Edinho Araujo, ocupava a Secretaria de Portos;
3. O Grupo Libra fez doações eleitorais através de Temer que beneficiaram inclusive a mãe do futuro secretário de Portos, Helder Barbalho.
Será que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, se renunciar ao mandato e eventualmente fizer delação premiada, vai contar os motivos republicanos que o levaram a apresentar aquela emenda tão particular, um lustroso jabuti, à Lei dos Portos?
* Garganta Profunda é repórter investigativo com duas décadas de experiência; ele foi ‘contratado’ pelos leitores do Viomundo através de crowdfunding
Leia também:
Focinheira para os que atacaram a UNB

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Lava Jato admite não ter indícios para prender Lula

 Lava Jato admite não ter indícios para prender Lula

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Procuradores que atuam na Operação Lava Jato em Curitiba têm convicção de que os casos contra o ex-presidente Lula não têm indícios suficientes para justificar sua prisão; opinião tem se cristalizado a partir das investigações já realizadas pela Polícia Federal e também da denúncia feita contra Lula pelo Ministério Público de São Paulo; os procuradores admitem que Lula não chegou a intimidar testemunhas ou mover dinheiro no exterior, nem tentou eliminar provas, como ocorreu com outros réus da Lava Jato; principal esperança seria a nomeação como ministro da Casa Civil como meio de "proteção", mas o pilar da ação, o diálogo gravado entre Lula e Dilma, foi invalidado pelo Supremo Tribunal Federal, o que fere mortalmente o argumento de que Lula interferiu na Lava Jato 

Paraná 247 - Procuradores da República que atuam na Operação Lava Jato em Curitiba já estão convictos de que os episódios que envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não têm indícios suficientes para justificar a sua prisão.
A opinião tem se firmado a partir das investigações já realizadas pela Polícia Federal (PF) e também da denúncia feita contra Lula pelo Ministério Público de São Paulo, informa nesta sexta-feira 17 o jornalista Humberto Trezzi, colunista do jornal Zero Hora.
Os procuradores da República estão decididos a agir com cautela. Primeiro porque não existem, no entender deles, indícios que justifiquem a prisão do ex-presidente. Ele não chegou a intimidar testemunhas ou mover dinheiro no exterior, nem tentou eliminar provas, como ocorreu com outros réus da Lava Jato, ponderam.
Para os investigadores, o único caso contra Lula que poderia justificar um pedido de prisão seria o da tentativa de nomeá-lo ministro, feita pela presidente Dilma Rousseff antes de ser afastada do cargo. Mas o principal indício de que a nomeação era "proteção" a Lula, um diálogo telefônico entre ele e Dilma interceptado pela PF, foi invalidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que fere mortalmente o argumento de que Lula interferiu na Lava Jato e, mais ainda, o embasamento para um pedido de prendê-lo.
Em tese, o ex-presidente pode responder por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão) e lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão) nos casos do sítio em Atibaia (SP) e do triplex no Guarujá (SP). Abundam indícios coletados pela PF no inquérito.
Nesta semana, Lula e sua família ingressaram na Procuradoria-Geral da República com ação contra o juiz Sérgio Moro por abuso de autoridade no caso da divulgação dos grampos (leia mais).

Greenwald: corrupção assombra Temer e cai a máscara do MBL

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Jornalista americano, do site The Intercept, diz que “enquanto a corrupção assombra Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment”, a exemplo do MBL, que organizou os principais atos no Brasil contra a corrupção e pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff; Glenn Greenwald destaca ainda evidências de que líderes de protestos de figurino verde-e-amarelo foram secretamente financiados por partidos da oposição ao governo Dilma. 

247 - O jornalista Gleen Greenwald, do site The Intercept, publicou uma matéria sobre a delação premiada de Sérgio Machado que aponta que, “enquanto a corrupção assombra Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment”, a exemplo do MBL, que organizou os principais atos no Brasil contra a corrupção e pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Greenwald destaca ainda que surgiram evidências recentemente de que líderes dos protestos de figurino verde-e-amarelo contra a corrupção foram secretamente pagos e financiados por partidos da oposição. Leia abaixo a íntegra:
Enquanto a corrupção assombra o Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment
O impeachment da presidente do Brasil democraticamente eleita, Dilma Rousseff, foi inicialmente conduzido por grandes protestos de cidadãos que demandavam seu afastamento. Embora a mídia dominante do país glorificasse incessantemente (e incitasse) estes protestos de figurino verde-e-amarelo como um movimento orgânico de cidadania, surgiram, recentemente, evidências de que os líderes dos protestos foram secretamente pagos e financiados por partidos da oposição. Ainda assim, não há dúvidas de que milhões de brasileiros participaram nas marchas que reivindicavam a saída de Dilma, afirmando que eram motivados pela indignação com a presidente e com a corrupção de seu partido.
Mas desde o início, havia inúmeras razões para duvidar desta história e perceber que estes manifestantes, na verdade, não eram (em sua maioria) opositores da corrupção, mas simplesmente dedicados a retirar do poder o partido de centro-esquerda que ganhou quatro eleições consecutivas. Comoreportado pelos meios de mídia internacionais, pesquisas mostraram que os manifestantes não eram representativos da sociedade brasileira mas, ao invés disso, eram desproporcionalmente brancos e ricos: em outras palavras, as mesmas pessoas que sempre odiaram e votaram contra o PT. Como dito peloThe Guardian, sobre o maior protesto no Rio: “a multidão era predominantemente branca, de classe média e predisposta a apoiar a oposição”. Certamente, muitos dos antigos apoiadores do PT se viraram contra Dilma – com boas razões – e o próprio PT tem estado, de fato, cheio de corrupção. Mas os protestos eram majoritariamente compostos pelos mesmos grupos que sempre se opuseram ao PT.
É esse o motivo pelo qual uma foto – de uma família rica e branca num protesto anti-Dilma seguida por sua babá de fim de semana negra, vestida com o uniforme branco que muitos ricos  no Brasil fazem seus empregados usarem – se tornou viral: porque ela captura o que foram estes protestos. E enquanto esses manifestantes corretamente denunciavam os escândalos de corrupção no interior do PT – e há muitos deles – ignoravam amplamente os políticos de direita que se afogavam em escândalos muitos piores que as acusações contra Dilma.


Claramente, essas marchas não eram contra a corrupção, mas contra a democracia: conduzidas por pessoas cujas visões políticas são minoritárias e cujos políticos preferidos perdem quando as eleições determinam quem comanda o Brasil. E, como pretendido, o novo governo tenta agora impor uma agenda de austeridade e privatização que jamais seria ratificado se a população tivesse sua voz ouvida (a própria Dilma impôs medidas de austeridade depois de sua reeleição em 2014, após ter concorrido contra eles).
Depois das enormes notícias de ontem sobre o Brasil, as evidências de que estes protestos foram uma farsa são agora irrefutáveis. Um executivo do petróleo e ex-senador do partido conservador de oposição, o PSDB, Sérgio Machado, declarou em seu acordo de delação premiada que Michel Temer – presidente interino do Brasil que conspirou para remover Dilma – exigiu R$1,5 milhões em propinas para a campanha do candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo (Temer nega a informação). Isso vem se somar a vários outros escândalos de corrupção nos quais Temer está envolvido, bem como sua inelegibilidade se candidatar a qualquer cargo (incluindo o que por ora ocupa) por 8 anos, imposta pelo TRE por conta de violações da lei sobre os gastos de campanha.
E tudo isso independentemente de como dois dos novos ministros de Temerforam forçados a renunciar depois que gravações revelaram que eles estavam conspirando para barrar a investigação na qual eram alvos, incluindo o que era seu ministro anticorrupção e outro – Romero Jucá, um de seus aliados mais próximos em Brasília – que agora foi acusado por Machado de receber milhões em subornos. Em suma, a pessoa cujas elites brasileiras – em nome da “anticorrupção” – instalaram para substituir a presidente democraticamente eleita está sufocando entre diversos e esmagadores escândalos de corrupção.
Mas os efeitos da notícia bombástica de ontem foram muito além de Temer, envolvendo inúmeros outros políticos que estiveram liderando a luta pelo impeachment contra Dilma. Talvez o mais significante seja Aécio Neves, o candidato de centro-direita do PSDB derrotado por Dilma em 2014 e quem, como Senador, é um dos líderes entre os defensores do impeachment. Machado alegou que Aécio – que também já havia estado envolvido em escândalos de corrupção – recebeu e controlou R$ 1 milhão em doações ilegais de campanha. Descrever Aécio como figura central para a visão política dos manifestantes é subestimar sua importância. Por cerca de um ano, eles popularizaram a frase “Não é minha culpa: eu votei no Aécio”; chegaram a fazer camisetas e adesivos que orgulhosamente proclamavam isso:


Evidências de corrupção generalizada entre a classe política brasileira – não só no PT mas muito além dele – continuam a surgir, agora envolvendo aqueles que antidemocraticamente tomaram o poder em nome do combate a ela. Mas desde o impeachment de Dilma, o movimento de protestos desapareceu. Por alguma razão, o pessoal do “Vem Pra Rua” não está mais nas ruas exigindo o impeachment de Temer, ou a remoção de Aécio, ou a prisão de Jucá. Porque será? Para onde eles foram?
Podemos procurar, em vão, em seu website e sua página no Facebook por qualquer denúncia, ou ainda organização de protestos, voltados para a profunda e generalizada corrupção do governo “interino” ou qualquer dos inúmeros políticos que não sejam da esquerda. Eles ainda estão promovendo o que esperam que seja uma marcha massiva no dia 31 de julho, mas que é focada no impeachment de Dilma, e não no de Temer ou de qualquer líder da oposição cuja profunda corrupção já tenha sido provada. Sua suposta indignação com a corrupção parece começar – e terminar – com a Dilma e o PT.
Neste sentido, esse movimento é de fato representativo do próprio impeachment: usou a corrupção como pretexto para os fins antidemocráticos que logrou atingir. Para além de outras questões, qualquer processo que resulte no empoderamento de alguém como Michel Temer, Romero Jucá e Aécio Neves tem muitos objetivos: a luta contra a corrupção nunca foi um deles.
* * * * *
No mês passado, o primeiro brasileiro ganhador do Prêmio Pulitzer, o fotojornalista Mauricio Lima, denunciou o impeachment como um “golpe”com a TV Globo em seu centro. Ontem à noite, como convidado no show de Chelsea Handler no Netflix, o ator popular Wagner Moura denunciou isso em termos similares, dizendo que a cobertura da mídia nacional foi“extremamente limitada” porque “pertence a cinco famílias”.
Atualização: Logo depois da publicação deste artigo, foi anunciado que o presidente interino Temer acaba de perder seu terceiro ministro para a corrupção menos de dois meses depois da tomada do poder: dessa vez, seu ministro do turismo Henrique Eduardo Alves, acusado na delação premiada de Machado de receber R$ 1,5 milhão em propinas de 2008 a 2014. Quando se toma o poder antidemocraticamente usando a “corrupção” como pretexto, em geral é uma má ideia encher sua equipe de criminosos (e ter o próprio novo presidente envolvido em múltiplos escândalos de corrupção).

Machado: não mente, Temer!

Machado: não mente, Temer!

Machado, Meire e Ramon derrubam o Traíra

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O ex-presidente da Transpetro e delator da Operação Lava Jato Sérgio Machado divulgou uma nota nesta quinta-feira (16) na qual rebate as alegações feitas pelo presidente interino, Michel Temer (PMDB), de que ele não teria feito pedido de verbas a Machado para a campanha à Prefeitura de São Paulo de Gabriel Chalita (hoje no PDT) em 2012.
Em sua delação, Machado disse que Temer lhe pediu doações para a campanha de Chalita e que repassou R$ 1,5 milhão à campanha por meio de doações cuja origem eram dinheiro de propina. Ainda de acordo com Machado, o contexto da conversa "deixava claro que o que Michel Temer estava ajustando com o depoente (Machado) era que este solicitasse recursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Transpetro".
Na última quarta-feira (15), a Secretaria de Imprensa da Presidência da República divulgou uma nota negando que Temer tenha pedido recursos a Machado.
Nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, Temer se manifestou oficialmente sobre ao assunto, classificando as declarações de Machado como "levianas". "Se tivesse cometido delito, não teria condições de presidir o Brasil", afirmou o presidente interino.
Em nota, Machado voltou a afirmar que se encontrou com Michel Temer na base aérea de Brasília e que, durante o encontro, Temer "solicitou doação para a campanha eleitoral de Chalita".
Em outro ponto da nota, Machado diz que todos os políticos que o procuravam em busca de doações sabiam que essas demandas seriam repassadas a fornecedores da Transpetro.
"O vice-presidente e todos os políticos citados sabiam que a solicitação seria repassada a um fornecedor da Transpetro, através de minha influência direta. Não fosse isso, ele teria procurado diretamente a empresa doadora", diz Machado.
Questionado sobre as declarações de Sérgio Machado, o ex-deputado federal Gabriel Chalita (PDT-SP) negou ter recebido doações intermediadas por Machado durante sua campanha à Prefeitura de São Paulo em 2012.
"Jamais pedi nada a ele. Já recebi doações de empreiteiras, mas nunca tive nenhum acesso à Queiros Galvão", disse Chalita na última quarta-feira (15). Segundo Machado, a Queiroz Galvão fez doações à campanha de Chalita após Michel Temer ter feito um pedido ao delator. Em nota, Chalita disse que jamais pediu recursos a Machado. "Não conheço Sérgio Machado. Portanto, nunca lhe pedi recursos ou qualquer outro tipo de auxílio à minha campanha."
Confira a íntegra da nota divulgada por Sérgio Machado.
"1) Quando se faz acordo de colaboração assume-se o compromisso de falar a verdade e não se pode omitir nenhum fato; falo aqui sob esse compromisso;
2) Em setembro 2012 fui procurado pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO), presidente em exercício do partido, com uma demanda do então vice-presidente da República, Michel Temer: um pedido de ajuda para o candidato do PMDB a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita, porque a campanha estava em dificuldades financeiras;
3) Naquele mesmo mês, estive na Base Aérea de Brasília com Michel Temer, que embarcava para São Paulo. Nos reunimos numa sala reservada;
4) Na conversa, o vice-presidente Michel Temer solicitou doação para a campanha eleitoral de Chalita;
5) O vice-presidente e todos os políticos citados sabiam que a solicitação seria repassada a um fornecedor da Transpetro, através de minha influência direta. Não fosse isso, ele teria procurado diretamente a empresa doadora;
6) Após esta conversa mantive contato com a empresa Queiroz Galvão, que tinha contratos com a Transpetro, e viabilizei uma doação de R$ 1,5 milhão feita ao diretório nacional do PMDB; o diretório repassou os recursos diretamente à campanha de Chalita. A doação oficial pode ser facilmente comprovada por meio da prestação de contas da campanha do PMDB ;
7) É fato que nunca estive com Chalita".

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Lançamento de livro sobre golpe terá Dilma e ato político

Lançamento de livro sobre golpe terá Dilma e ato político


livro capa
No mês passado, iniciativa relâmpago de um grupo de intelectuais cariocas que participa do grupo de Whats App “Os Carbonários” – grupo que conta com juristas, jornalistas, enfim, com intelectuais de várias partes do Brasil –, que integro, ocupou-se de selecionar 103 textos que simbolizassem a luta que o setor pensante da sociedade empreendeu contra o vergonhoso golpe parlamentar que afastou da Presidência da República uma mulher honesta e, em seu lugar, colocou um picareta acusado de corrupção na Operação Lava Jato.
Foi assim que nasceu o livro “A Resistência ao Golpe de 2016”, organizado pelos acadêmicos cariocas Carol Proner, Gisele Cittadino, Márcio Tenenbaum e Wilson Ramos Filho.
livro 2
Com índice de artigos ordenado pela ordem alfabética do nome dos autores, a obra conta com a contribuição de figuras de renome internacional como o juiz espanhol Baltasar Garzón, quem, em 1998, conseguiu prender por 503 dias em Londres o ex-ditador chileno Augusto Pinochet valendo-se de uma ordem de captura internacional – graças a Garzón, o monstro chileno não morreu totalmente impune, tendo escapado de pena maior por “problemas de saúde”.
Outro nome de expressão que figura entre os autores do livro é o de Boaventura de Sousa Santos, professor jubilado da Universidade de Coimbra. Foi um dos fundadores da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra em 1973, onde veio a criar o curso de sociologia.
Seria impróprio escolher falar dos autores nacionais porque todos são muito bons. Há políticos, blogueiros, jornalistas, professores universitários, juristas, artistas, escritores etc., etc.
O livro tem 95 autores e 103 textos. Escrevi dois deles. Um é o post que denunciou que a 24ª fase da Operação Lava Jato havia sido vazada pelos investigadores para toda a imprensa de São Paulo e Rio de Janeiro; o outro é post em que sugiro à presidente Dilma que denuncie o golpe ao mundo.
livro 3
Todos os textos publicados no livro foram escolhidos pelos organizadores por terem, de alguma maneira, influído no cenário político. No caso dos textos do autor desta página, um provocou o adiamento da 24ª fase da Lava Jato e lhe rendeu ameaças de chefões da Operação, e o outro ajudou Dilma a se decidir pela denunciação ao mundo do golpe no Brasil, segundo informações de bastidores.
O livro foi lançado primeiramente em Brasília em 30 de maio. Confira, abaixo, o vídeo do lançamento.



De lá em diante, já houve lançamentos do livro em várias capitais. E o ex-presidente Lula gravou um vídeo de apoio à obra.



Agora, o livro será lançado em São Paulo – com certo atraso. Será no próximo dia 20, na Casa de Portugal, no Bairro da Liberdade, às 19 horas. A presidente Dilma estará presente.
livro 1
Como mostra a foto no alto da página, este blogueiro ficou encarregado de receber e distribuir em São Paulo os livros que serão vendidos por aqui. Na última quarta-feira, recebi algumas centenas de exemplares. Serão vendidos a 30 reais cada. Trata-se de uma obra obrigatória, de um registro histórico sobre um dos processos mais tristes da história deste país. Porém, servirá de norte para que, no futuro, as próximas gerações entendam o Golpe de 2016.

As bombas de efeito-retardado que Sérgio Machado deixou para a coalizão Temer-PSDB: Furnas, Castelo de Areia e dois entregadores de propina



As bombas de efeito-retardado que Sérgio Machado deixou para a coalizão Temer-PSDB: Furnas, Castelo de Areia e dois entregadores de propina

 
Captura de Tela 2016-06-07 às 16.17.56Da Redação
 
José Sérgio de Oliveira Machado, ao se aproximar dos 70 anos de idade, deve ter imaginado que não valia a pena terminar a vida na cadeia.
Juntou-se aos três filhos que participaram direta ou indiretamente de seus negócios e produziu 246 páginas de denúncias sobre o submundo da política brasileira.
Ele tem história. Serviu como coordenador de campanha de Tasso Jereissati no Ceará, estado pelo qual foi eleito deputado federal (1991-94) e senador (1995-2003).
Foi líder do PSDB no Senado, mas não se reelegeu em 2002.
Indicado pelo PMDB, assumiu a direção da Transpetro no governo Lula e passou a “pagar” a conta aos que o sustentavam no cargo: Renan Calheiros, Romero Jucá, Édison Lobão e José Sarney.
Machado calcula que distribuiu a políticos mais de R$ 100 milhões. Renan teria levado R$ 32 milhões, Lobão R$ 24 mi, Jucá R$ 21 mi, Sarney R$ 18,5 mi, Jader Barbalho R$ 3 mi e Henrique Eduardo Alves R$ 1,5 mi.
Trata-se da base de sustentação do governo interino de Michel Temer.
O próprio Sérgio Machado chegou a acumular no Exterior uma fortuna estimada em R$ 74 milhões — ele alega que juntou dinheiro dentre outros motivos para disputar o governo do Ceará em 2010.
Transitando na confluência dos negócios com a política, Machado aparece no documento da Procuradoria Geral da República como uma espécie de historiador do propinoduto brasileiro, que ele alega ter surgido em 1946 com taxas fixas: 3% em contratos nacionais, 5 a 10% em estaduais, 10 a 30% em negócios municipais.
Ele relata curiosas manobras políticas de bastidores: o ex-presidente do PSDB, Sergio Guerra, e o demo Heráclito Fortes teriam cobrado propina para deixar andar numa comissão do Senado um projeto que interessava à construção naval no Brasil.
Trata também do esforço que levou Aécio Neves à presidência da Câmara no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Para montar a bancada de 99 deputados, foram feitas contribuições de campanha de 100 a 300 mil com dinheiro do empresariado, inclusive trazido de fora. Das sobras da campanha de FHC teriam vindo R$ 4 milhões. Aécio teria embolsado R$ 1 mi em dinheiro.
Diz a delação que “com frequência, Aécio recebia esses valores através de um amigo de Brasília, que o ajudava nessa logística; que esse amigo era jovem, moreno e andava sempre com roupas casuais e uma mochila”.
FHC temia contrariar Antonio Carlos Magalhães, já que o PFL tinha a maior bancada na Câmara (105 deputados). Mas Aécio, bombado com dinheiro do propinoduto, deu o golpe fechando acordo com o PMDB, que elegeu Jáder Barbalho presidente do Senado.
Sobre questões mais atuais, como a tentativa da coalizão PMDB-PSDB de acabar com a Lava Jato, Machado esclareceu que Renan Calheiros tratou do assunto com os tucanos  José Serra e Aécio Neves e pretendia em breve incluir nas conversas José Agripino e Fernando Bezerra.
Mas há outros danos, de efeito-retardado, que a delação da família Machado pode inflingir ao governo Temer.
Sérgio Machado, falando como íntimo do tucanato, reforça enormemente denúncias que o PSDB tanto fez para desacreditar,  sobre o esquema de Furnas.
A certa altura, ele diz que num contrato de janeiro de 2008 entre a Transpetro e a Bauruense, o dono desta, Airton Daré, pagou 300 mil reais em propina e que o empresário revelou que agia da mesma forma com a Eletrobras.
Daré, como se sabe, foi recordista em contratos com Furnas, que tinha um aliado de Aécio Neves, Dimas Toledo, como diretor de Engenharia. Numa ação de busca e apreensão na casa do empresário, em Bauru, a Polícia Federal apreendeu R$ 1.027.850,00 e U$ 356.050,00 em dinheiro vivo.
O doleiro Alberto Yousseff e o ex-presidente do PP, Pedro Corrêa, já haviam mencionado Aécio. Segundo eles, Daré pagava propina ao hoje senador tucano pelos contratos obtidos em Furnas. Corrêa mencionou a irmã do tucano, Andrea Neves, como intermediária.
Na famosíssima Lista de Furnas, que teria bancado a campanha dos tucanos em 2002, o nome de Andrea aparece ao lado de R$ 650 mil: “Valor avulso repassado para Andréa Neves, irmã de Aécio Neves, para os comitês e prefeitos do interior do Estado – MG”.
Já aparece no horizonte a possibilidade de que outro delator, Nilton Monteiro, venha a ser ouvido em futuras investigações. Ele foi íntimo das campanhas tucanas em Minas Gerais. Já afirmou que aceitaria contar tudo a autoridades federais desde que os processos a que responde na justiça estadual sejam federalizados.
Outro ponto importantíssimo da delação de Sérgio Machado é a descrição que ele faz de um esquema envolvendo a empreiteira Camargo Corrêa. O executivo Pietro Bianchi teria repassado R$ 9 milhões vindos de contas no paraíso fiscal de Andorra ao esquema comandado por Sérgio Machado.
Como se sabe, muito antes da Operação Lava Jato a Camargo Corrêa foi o foco da Operação Castelo de Areia, anulada pelo STJ. A Polícia Federal, ao fazer busca e apreensão na empresa, conseguiu acesso à contabilidade paralela da empreiteira. Bianchi foi um dos principais alvos da Castelo de Areia. O nome do hoje presidente interino Michel Temer aparece várias vezes nos relatórios da operação da PF (reproduzidos abaixo).
Como se tudo isso não bastasse, a família Machado ainda entregou à PGR dois “homens da mala”, intermediários que faziam o trânsito de dinheiro vivo para o pagamento de propina a políticos: um se chama Felipe Parente e o outro, Alexandre Lui.
Certamente ambos serão chamados a depor, o que acrescenta a possibilidade de que, em breve, saberemos detalhes pitorescos sobre a circulação do cash no propinoduto de Sérgio Machado.
Destinatários? Todos os “homens fortes” do governo Temer.





Tijolaço: Cai o circo da hipocrisia. Todo mundo lá. Menos Dilma e Lula

Não há muito o que dizer depois da divulgação do depoimento de Sérgio Machado, ex-diretor da Transpetro.
A fábrica de salsichas de política real foi aberta e viu-se a massa que mistura o são e o nojento na formação da pasta que a compõe.
Há de tudo ali: dinheiro que serviu para o enriquecimento pessoal, recursos que serviram para comprar apoio do outros políticos, verbas para campanhas eleitorais milionárias e trocados para campanhas modestas, num cenário de mercantilização das eleições fez centenas de milhares de reais serem quantias modestas.
Há a corrupção histórica, própria dos canalhas e é a corrupção inevitável feita por um sistema eleitoral em que é – ou era – “legal” que um candidato pudesse receber milhares ou milhões de reais de uma empresa.
Ainda não é o pior, porque o pior está por vir.
Abriu-se a caixa de Pandora e a vintena da lista de Machado não é nada perto do que, se o fizerem, do rol que sairá das delação das empreiteiras.
Mas já coloca Michel Temer na situação de explicar, aos gaguejos, que não pediu e, adiante, ser desmentido com a prova do encontro com Machado. Tanto que que saiu pela tangente, dizendo que não pediu doações ilegais. Ilegais.
Renan, Sarney, Jucá, os sócios “beneméritos” da lista, ganhavam mesada. Os “esquerdistas” ganhavam uma “merreca”, na forma de doação. “Os políticos sabiam que o dinheiro vinha de empresas que prestavam serviços à Transpetro”, diz Machado para justificar colocar todos no mesmo saco.
Aécio sai com  trechos da delação colados em sua testa, pela farta distribuição de dinheiro a seus aliados e a “bolada” destinada a ele, pessoalmente, vinda daqui e do exterior.
Mas há dois nomes importantes.
Não por estarem na lista, mas por não estarem citados em momento algum.
Nomes que eram, diretamente, os responsáveis por manter Sérgio Machado no cargo, ainda que indicado pelo PMDB.
São exatamente Lula e Dilma.
Apontados como vilões, são dos poucos a quem, mesmo os delatores mais dispostos a tudo para salvar a pele, não apontam o recebimento de vantagem em dinheiros.