Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

BV do Supremo não se aplica à Globo

Uma única família abocanha metade de tudo o que se investe em publicidade no Brasil !

Saiu na Folha (*):


KEILA JIMENEZ

Carlos Henrique Schroder assumirá a direção-geral da TV Globo com a missão de estancar a queda de audiência do canal, mantendo o bom faturamento que foi conquistado na década de seu antecessor, Octávio Florisbal.

Nos dez anos em que Florisbal comandou a emissora, de 2002 a 2012, a Globo faturou alto, mas perdeu 22% de sua audiência em rede nacional. Em 2002, a média diária da Globo (das 7h à 0h) no Painel Nacional de Televisão (PNT) era de 22,2 pontos.

De janeiro a agosto deste ano, último período da gestão atual da rede, a média diária foi de 17,4 pontos. Cada ponto equivale a 191 mil domicílios no país.

Nesses dez anos, a participação da Globo nos investimentos publicitários em TV aberta se manteve em 70%, com um adendo importante.

Segundo dados do mercado anunciante, na última década, o faturamento bruto da TV aberta com anúncios passou de R$ 5,65 bilhões (2002) para R$ 18 bilhões (2011).

A Globo, que faturou cerca de R$ 3,9 bilhões em 2002, pulou para R$ 12,6 bilhões em 2011 e já bateu a casa dos

R$ 6,4 bilhões no primeiro semestre de 2012. Os valores são corrigidos pela inflação.

A TV aberta abocanha atualmente 64,8% do total dos investimentos publicitários em mídia no país -a maior fatia da década.




 

Faltou dizer: a Globo tem 50% da audiência da tevê aberta no Brasil.
Ou seja, com 50% da audiência ela “abocanha”, como diz a Folha (*), 70% da verba destinada à tevê aberta.
A tevê aberta “abocanha” 65% do total dos investimentos publicitários do país.
Do tijolinho para vender um Fusca usado em Teresina, Piauí, ao outdoor na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, ao comercial de 30” na Avenida Brasil.
De tudo somado, 65% vão para a tevê aberta.
Logo, com apenas 50% da audiência, a Globo “abocanha” 70% dos 65% de todo o bolo publicitário.
Logo, de cada R$ 1 investido em publicidade no país, em qualquer mídia, entram nos cofres da Globo nada menos que R$ 0,50.
Viva o Brasil !
Uma única família abocanha metade de TUDO O QUE SE INVESTE EM PUBLICIDADE NO BRASIL !
A METADE !
Ora, dirão os “especialistas” do PiG (**): é a qualidade !
Com apenas 50% audiência, ela consegue 70% de toda a publicidade porque ela é o MÁXIMO !
O ansioso blogueiro se permite discordar.
O MÁXIMO é a bonificação por volume.
Ou seja, a grana que a agencia de publicidade recebe da Globo por programar na Globo.
O ansioso blogueiro consultou o velho amigo David Ogilvy e perguntou, assim como quem não quer nada, o que significa o bônus por volume da Globo para as agências de publicidade do Brasil.


- Dos R$ 12 bi que a Globo fatura ela devolve ao mercado qualquer coisa perto de R$ 1,2 bi, R$ 1,5 bi.

- Tudo isso, David ?

- São os 10% de bônus que ela devolve às agências de tudo o que ela fatura.

- Qual o impacto disso sobre a indústria de publicidade brasileira, David ?

- O bônus de volume da Globo é o maior faturamento das 40 maiores agências de publicidade do Brasil !

- O que ? Das 40 maiores ?

- Precisely !

- Ou seja, David, se acabar o BV da Globo acaba a indústria de publicidade do Brasil …

- You got it !

- Mas, David, você já ouvir falar do mensalão …

- Of course, my dear !

- E você deve ter visto que o Supremo considerou que o BV entregue à agência e, não, ao cliente, é crime …

- Sim, mas isso para os anúncios das empresas estatais. O dinheiro tinha que ter ido para a Visanet e, não, para as agências do Marcos Valério.

- Mesmo assim, David. Imagine se as agências que veiculam contas de empresas estatais na Globo não receberem mais o BV da Globo … O que acontece ?

- Fecha tudo !

- E vai fechar ?

- Never !

- Por que “never”… , David ?

- Porque a Lei não vai pegar para a Globo.

- Quem te contou isso aí na Escócia, David ?

- Até o Supremo sabe disso, meu filho. Como é que eu não ia saber disso na Escócia.

Pano rápido.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Colunista da Veja Augusto Nunes humilha ‘eleitora do PT’ em vídeo

Recebo da leitora Lara Frutos um material que deslinda, à perfeição, o que é que se tem ao lado daqueles políticos que a literatura pátria vai desnudando em obras seminais como o livro-denúncia A Privataria Tucana.
Eis seu comentário.
Sou leitora do blog, leitora do Privataria Tucana e estou bastante chocada com o nível de resposta que vem surgindo justamente da falta de argumentos. Uma delas está nesse vídeo, que creio ter sido gravado antes da eleição da presidenta [Dilma Rousseff]. É estarrecedora a falta de respeito de Augusto Nunes com quem, imagino, o tucanato elege como “inimigo”: o povo.
O vídeo foi, sim, gravado durante a campanha eleitoral do ano passado. A “entrevistada” supostamente é uma nordestina humilde, de baixa instrução, beneficiária do Bolsa Família que não gosta de estudar, que não se informa e que se vende por “vinte reais”.

Eis o material:
Esse material odioso permite duas únicas hipóteses:
1 – a pessoa é realmente quem diz ser, pensa mesmo tudo o que disse e, assim, foi levada àquela peça covarde para ser humilhada e fazer incautos acreditarem que aquele era o perfil do eleitor de Dilma Rousseff, quando era o de uma parte do seu eleitorado, apenas.
2 – o vídeo é uma farsa, a pessoa sabia que estava sendo exposta ao ridículo e aceitou porque foi paga para isso, o que configura crime eleitoral.
Em qualquer das situações, é inaceitável. Farsa ou sessão de humilhação de uma cidadã, seja o que for, é baixo, vil, covarde. O ódio que essa gente possa ter do povo não lhe dá o direito de humilhá-lo ou de enganá-lo com uma farsa desse jaez.
Fico me perguntando se a legislação eleitoral não deveria contemplar esse tipo de “estratégia eleitoral”, sobretudo quando empreendida por um suposto jornalista “isento” como esses que andam soltos por aí.

sábado, 9 de julho de 2011

Movimento separatista de SP sai do armário. Parece pouco mas não é

Escondidos devem estar o "seu" Frias e um Mesquita (foto do G1)

Saiu no G1:

Movimento separatista faz marcha em São Paulo


Movimento República de São Paulo comemorou o dia 9 de Julho.


‘É preciso resgatar o orgulho de ser paulista’, disse a presidente do MRSP.


André Luís Nery

Do G1, em São Paulo


Membros do Movimento República de São Paulo (MRSP), que defende a independência de São Paulo em relação ao restante do Brasil, realizaram neste sábado (9), data em que se comemora a Revolução Constitucionalista de 1932, uma marcha na capital paulista.


Como o grupo era pequeno, os integrantes caminharam pela calçada, saindo do Masp em direção ao Parque do Ibirapuera. A polícia escoltou os participantes da marcha.


“É um movimento separatista, mas estamos aqui hoje para lembrar os heróis de 1932″, disse Luciana Toledo, presidente do MRSP.


Ela também negou que o grupo seja racista ou xenófobo. “É uma questão de independência, mas não tem cunho racista”, acrescentou. “É preciso resgatar o orgulho de ser paulista”, ressaltou a presidente do MRSP.


Parece uma meia dúzia de gatos pingados, mas não é.
Lá dentro, no fundo da alma da elite de São Paulo, que o PiG (*) expressa com fidelidade, o sentimento xenófobo é visível a olho nu.
A elite de São Paulo, como diria o Billy Blanco – clique aqui para ler a homenagem que este blog prestou ao Gilmar -, não fala com pobre, não dá a mão a preto e não carrega embrulho.
E detesta nordestino.
O movimento vem desde o Partido Republicano Paulista, no fim do século XIX.
E embainhou a espada em 1932, com a “Revolução (sic) Constitucionalista (sic)” que queria derrubar Getúlio Vargas e re-instalar um presidente paulista.
Levou uma surra.
Ou melhor, não levou.
Correu antes de levar.
A Intentona Separatista de 32 contou, como se sabe, com a insuperável colaboração do “seu” Frias, dono da Folha (**), e dos Mesquita, que terceirizaram o Estadão.
Os dois, igualmente derrotados, até hoje
Não se iluda, amigo navegante.
Os gatos pingados são muitos.




Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Eles torcem para Dilma estar com câncer


Ultimamente, vinha me questionando se minhas convicções políticas e ideológicas me haviam colocado do lado certo. Na tarde de domingo, porém, a dúvida se dissipou. Pude ter certeza de que, no Brasil de hoje, aqueles que se opõem a esse ideário que acalento não são dignos de serem considerados seres humanos.
Pouco após os portais de internet noticiarem que a presidenta Dilma Rousseff foi parar no hospital devido a “pneumonia leve”, dois blogueiros da mídia ligada ao PSDB e ao DEM replicaram a notícia. Os comentários de seus leitores revelam sentimentos indignos da espécie humana.
Os blogueiros, no caso, trabalham para O Globo e para a Veja. São Ricardo Noblat e Reinaldo Azevedo. E, ainda que as palavras odiosas tenham partido das patas de seus leitores, a iniciativa de publicarem esses comentários revela que foram tomados pelos mesmos sentimentos vis.
Não conseguiria descrever ou adjetivar adequadamente o ódio dessas bestas-feras. Eu e os que freqüentam este blog pertencemos àquela parcela (majoritária?) da humanidade incapaz de odiar como odeiam esses arremedos de homens e mulheres.
Semana passada, quando Noblat publicou um post aflito dando conta de que seu netinho recém-nascido fora internado na UTI por complicações no parto ou que trouxe do ventre materno, publiquei um post oferecendo conforto e vocês, leitores, acompanharam-me no gesto de solidariedade humana.
Para pessoas como eu e a grande maioria dos que freqüentam este blog, a política não é uma guerra e respeito ao semelhante tem que ser maior do que qualquer divergência. Apesar de me sentir um pouco ingênuo por ter sentimentos decentes em relação a seres como Noblat e Azevedo, não me arrependo.
Poderia encerrar este texto por aqui, mas só mirando a besta poder-se-á combatê-la de forma a impedir que volte ao poder no Brasil. Por conta disso, reproduzo, abaixo, a torcida asquerosa dos leitores de Noblat e Azevedo para que Dilma esteja sofrendo de algum mal pior do que o anunciado.
Observação: os textos foram propositalmente reproduzidos sem edição ou correção do português.
BLOG DO NOBLAT
Eunãosabia
Eu vi num documentário certa vez, que na antiga URSS, hoje Rússia, eles têm umas minas de sal abandonadas, são minas profundas, paredes de sal puro, ocorre que essas minas hoje são utilizadas naquela país como forma de tratamento de doenças bronco pulmonares, são uma espécie de hospital nas profundezas da terra, são altamente eficazes contra essas doenças, o doente fica alojado no local, apenas isso, passa um tempo morando numa mina de sal até que esteja curado. Bem, sabemos que Dilma e seu pessoal lutaram para implantar no Brasil um regime igualzinho ao antigo regime soviético … daí que… bem… fica a sugestão… dois ou três meses numa dessas minas de sal…o que importa é a presidente ficar bem logo.
EBezerra
É pneumonia mesmo ou o cancer que retornou? Resta esperar para ver se ela vai aparecer com ou sem peruca.
pedroradamanto
O Brasil deve ser o único lugar do mundo em que chefe de estado se candidata mesmo sabendo ter um câncer; ou onde um vice-presidente passa grande parte de seu mandato internado por causa dessa doença, sem a dignidade de renunciar ao cargo. Paíseco. Paraíso do Sarney e de pelegos.
melãobravo
A Presidente anda com a imunidade (alô, ex-presidente, Zébedeu, não confundir com humanidade) baixa, fato provocado por quimioterapias.
Edimar Rocha
Agora vai!
Lilyane
Quem aqui ja’ teve INICIO de pneumonia?? Eu ja’ tive. E NAO fiquei internada.
Microporo
A presidente não se vacinou contra a gripe outro dia? Por alguma razão a vacina não conferiu imunidade.
BLOG DE REINALDO AZEVEDO
Aparecido f.
Serás que o conselho de medicina não vai chamar as favas esse medico….de politicos ??? Pneumonia leve só se o cliente engoliu um kilo de isopor… não existe essa classificação de pneumonia…é como dizer que uma mulher está com uma leve gravidez….não sou médico. mas tenho certeza que nunca ouvi isto…que o paciente está com um leve cancer…um leve infarto, um leve AVC, uma leve diarréia….uma leve fratura…tenha clareza, Sr. médico, senão o senhor vai ficar desmoralizado como os médicos que atenderam o Dr. Tancredo….
Mariah
Não sou da área médica, mas nem por isso sou completamente estúpida.
Não existe, na classificação universal de moléstias, pneumonia ‘leve’.
É pneumonia, ou não. Será que vamos suportar outra via crucis à la Tancredo? Pra tudo terminar num Sarney aggiornato? Não há país que mereça isso do destino, duas vezes em menos de um século.
zedoembau
Ta tudo ruindo- a farsa ta desmonorando.Preparem-se,brasileiros,a cobra vai fumar.Perderam o controle do pais e da economia,principalmente.Espero q depois desta,NUNCA MAIS COMUNISTAS!!!O “povao” q eles tanto defenderam( usaram) vai ser o primeiro a se rebelar,o q ja esta acontecendo!!Vamos la povao,voces tem a forca! Abaixo, PT, Dilma, Lula, senado, camara e outras anomalias.Vamos fazer como os nossos irmaos no oriente medio,cansados desta pornografia.
chorei antes de nascer
Observando o Temer e o PT, o PT e o Temer , dá para saber a doença e a gravidade da doença da Dilma!
Jebanielwolff
É, parece que o gato subiu no telhado.
Dante
Tio Rei, é verdade que existe um movimento no Planalto para transformar o Vice numa simples vaquinha de presépio?… Querem, de novo, tentar rasgar a constituição – com a conivência do PMDB – e, sob as barbas da Grande Imprensa?…Verdade? …Éca!!!
Breno Assunção
Se for para impedir que o Michel Temer assuma a Presidencia em caso de problemas coma Presidente, serei a favor da emenda dos Petralhas de nova eleição em noventa dias.
Mas é repetir a eleição de sucessor do Apedeuta Luiz da Silva e com o Apadeuta fora do pareo.
Xiiiiiii….
Xiiiiiiii…
Panqueca
Será que a martaxa estava se referindo a ella, quando falou naquelles que escondem doença?
José Geraldo Coelho
Metástase
OhMyGod! – o verdadeiro!
Caríssimo. Tecnicamente falando, “pneumonia leve” não existe. Existe pneumonia de pequenas proporções, broncopneumonia, bronquite, bronquilite e pneumonite. Outra possibilidade que pode provocar dispnéia seriam metástases pulmonares, mas aí existiriam outros sintomas, que poderiam estar sendo medicadas, o que por sua vez poderiam induzir uma certa confusão mental (?). Vou verificar no google quando é o dia do soldado, e volto.
Curumim
É pneumonia ou é o câncer se manifestando?
morg
Olavo de Carvalho falando sobre a Emenda Constitucional que impede que o vice assuma a presidência no caso de vacância, inclusive citando o Reinaldo: http://www.youtube.com/watch?v=S_rXSD3v8LI

quarta-feira, 16 de março de 2011

A SANTA MÁFIA


Josemaría Escrivá (falecido), fundador da seita, junto aGeraldo Alckmin e ao assumido direitista raivoso, Boris Casoy, dois féis seguidores, no Brasil.

Altamiro Borges (Miro), jornalista e escritor
Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. O jovem sacerdote de 26 anos diz ter recebido a “iluminação divina” durante a sua clausura num mosteiro de Madri. Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um “fanático e doente mental”, decidiu montar uma organização ultra-secreta para interferir nos rumos da Espanha. Segundo as suas palavras, ela seria “uma injeção intravenosa na corrente sanguínea da sociedade”, infiltrando-se em todos os poros de poder. Deveria reunir bispos e padres, mas, principalmente, membros laicos, que não usassem hábitos monásticos ou qualquer tipo de identificação. Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das idéias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros “perigosos” e proibia sua leitura pelos fiéis. “Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo”, garantiu Escrivá para alguns seguidores, segundo relato do jornalista Emílio Corbiere no livro “Opus Dei: El totalitarismo católico”.

O poder no Vaticano

Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II. Para o teólogo espanhol Juan Acosta, “a relação entre Karol Wojtyla e o Opus Dei atingiu o seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível acessão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio ativamente no processo de reestruturação da Igreja Católica sob o protagonismo do papa e a orientação do cardeal alemão Ratzinger”. Em 1982, a seita foi declarada “prelazia pessoal” – a única existente até hoje –, o que no Direito Canônico significa que ela só presta contas ao papa, que só obedece ao prelado (cargo vitalício hoje ocupado por dom Javier Echevarría) e que seus adeptos não se submetem aos bispos e dioceses, gozando de total autonomia. O ápice do Opus Dei ocorreu em outubro de 2002, quando o seu fundador foi canonizado pelo papa numa cerimônia que reuniu 350 mil simpatizantes na Praça São Pedro, no Vaticano. A meteórica canonização de Josemaría Escrivá, que durou apenas dez anos, quando geralmente este processo demora décadas e até séculos, gerou fortes críticas de diferentes setores católicos. Muitos advertiram que o Opus Dei estava se tornando uma “igreja dentro da Igreja”. Lembraram um alerta do líder jesuítaVladimir Ledochowshy que, num memorando ao papa, denunciou a seita pelo “desejo secreto de dominar o mundo”. Apesar da reação, o papa João Paulo II e seu principal teólogo, Joseph Ratzinger , ex-chefe da repressoraCongregação para Doutrina da Fé e atual papa Bento 16, não vacilaram em dar maiores poderes ao Opus Dei. Vários estudos garantem que esta relação privilegiada decorreu de razões políticas e econômicas. No livro “O mundo secreto do Opus Dei”, o jornalista canadense Robert Hutchinsonafirma que esta organização acumula uma fortuna de 400 bilhões de dólares e que financiou o sindicatoSolidariedade, na Polônia, que teve papel central na débâcle do bloco soviético nos anos 90. O complô explicaria a sólida amizade com o papa, que era polonês e um visceral anticomunista. Já Henrique Magalhães, numa excelente pesquisa na revista A Nova Democracia, confirma o anticomunismo de Wojtyla e relata que “fontes da Igreja Católica atribuem o poder da Obra a quitação da dívida doBanco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982”. O vínculo com os fascistas Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, “fingindo-se de louco”, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinárioFrancisco Franco. “O Opus Dei praticamente se fundiu ao Estado espanhol, ao qual forneceu inúmeros ministros e dirigentes de órgãos governamentais”, afirma Henrique Magalhães. Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis “são belos e inteligentes” e devem olhar aos demais como “inferiores e animais”. Na máxima 643, ensina que a meta “é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial”. Na máxima 311, ele escancara: “A guerra tem uma finalidade sobrenatural... Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas”. Em 1992, um ex-membro do Opus Dei revelou o que este havia lhe dito: “Hitler foi maltratado pela opinião pública. Jamais teria matado 6 milhões de judeus. No máximo, foram 4 milhões”. Outra numerária, Diane DiNicola, garantiu: “Escrivá, com toda certeza, era fascista”.Escrivá até tentou negar estas relações. Mas, no seu processo de ascensão no Vaticano, ele contou com a ajuda de notórios nazistas. Como descreve a jornalista Maria Amaral, num artigo à revista Caros Amigos, “ao se mudar para Roma, ele estimulou ainda mais as acusações de ser simpático aos regimes autoritários, já que as suas primeiras vitórias no sentido de estabelecer o Opus Dei com estrutura eclesiástica capaz de abrigar leigos e ordenar sacerdotes se deram durante o pontificado do papa Pio XII, por meio do cardeal Eugenio Pacelli, responsável por controverso acordo da Igreja com Hitler”. Outro texto, assinado por um grupo de católicas peruanas, garante que a seita “recrutou adeptos para a organização fascista ‘Jovem Europa’, dirigida por militantes nazistas e com vínculos com o fascismo italiano e espanhol”. Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivárealizou uma “peregrinação” pela América Latina. Ele sempre considerou o continente fundamental para sua seita e para os negócios espanhóis. Na região, o Opus Deiapoiou abertamente várias ditaduras. No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru,a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica. Infiltração na mídia Para semear as suas idéias religiosas e políticas de forma camuflada, Escrivá logo percebeu a importância estratégica dos meios de comunicação. Ele mesmo gostava de dizer que “temos de embrulhar o mundo em papel-jornal”. Para isso, contou com a ajuda da ditadura franquista para a construção da Universidade de Navarra, que possuí um orçamento anual de 240 milhões de euros. Jornalistas do mundo inteiro são formados nos cursos de pós-graduação desta instituição. O Opus Dei exerce hoje forte influência sobre a mídia. Um relatório confidencial entregue aoVaticano em 1979 pelo sucessor de Escrivá revelou que a influência da seita se estendia por “479 universidades e escolas secundárias, 604 revistas ou jornais, 52 estações de rádio ou televisões, 38 agências de publicidade e 12produtores e distribuidoras de filmes”. Na América Latina, a seita controla o jornal El Observador (Uruguai) e tem peso nos jornais El Mercúrio (Chile), La Nación (Argentina) e O Estado de S.Paulo. Segundo várias denúncias, ela dirige aSociedade Interamericana de Imprensa, braço da direita na mídia hemisférica. No Brasil, a Universidade de Navarra é comandada por Carlos Alberto di Franco, numerário e articulista do Estadão, responsável pelalavagem cerebral semanal de Geraldo Alckmin nas famosas “palestras do Morumbi”. Segundo a revistaÉpoca, seu “programa de capacitação de editores já formou mais de 200 cargos de chefia dos principais jornais do país”. O mesmo artigo confirma que “o jornalista Carlos Alberto Di Franco circula com desenvoltura nas esferas de poder, especialmente na imprensa e no círculo íntimo do Geraldo Alckmin”. O veterano jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, há muito denuncia a sinistra relação do Opus Dei com a mídia nacional. Num artigo intitulado “Estranha conversão da Folha”, critica seu “visível crescimento na imprensa brasileira. A Folha de S.Paulo parecia resistir à dominação, mas capitulou”. No mesmo artigo, garante que a seita “já tomou conta daAssociação Nacional de Jornais (ANJ)”, que reúne os principais monopólios da mídia do país. Para ele, a seita não visa a “salvação das almas desgarradas. É um projeto de poder, de dominação dos meios de comunicação. E um projeto desta natureza não é nem poderia ser democrático. A conversão da Folha é uma opção estratégica, política e ideológica”. A “santa máfia” Durante seus longos anos de atuação nos bastidores do poder, o Opus Dei constituiu uma enorme fortuna, usada para bancar seus projetos reacionários – inclusive seus planos eleitorais. Os recursos foram obtidos com a ajuda de ditadores e o uso de máquinas públicas. “O Opus Dei se infiltrou e parasitou no aparato burocrático do Estado espanhol, ocupando postos-chaves. Constituiu um império econômico graças aos favores nas largas décadas da ditadura franquista, onde vários gabinetes ministeriáveis foram ocupados integralmente por seus membros, que ditaram leis para favorecer os interesses da seita e se envolveram em vários casos de corrupção, malversação e práticas imorais”, acusa um documento de católico do Peru. A seita também acumulou riquezas através da doação obrigatória de heranças dos numerários e do dizimo dos supernumerários e simpatizantes infiltrados em governos e corporações empresariais. Com a ofensiva neoliberal dos anos 90, a privatização das estatais virou outra fonte de receitas. Poderosas multinacionais espanholas beneficiadas por este processo, como os bancos SantanderBilbao Biscaia, a Telefônica e empresa de petróleoRepsol, tem no seu corpo gerencial adeptos do Opus. Para católicos mais críticos, que rotulam a seita de “santa máfia”, esta fortuna também deriva de negócios ilícitos. Conforme denuncia Henrique Magalhães, “além da dimensão religiosa e política, o Opus Dei tem uma terceira face: da sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e expostos em 1986, a Obra determina que ‘os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem ao Opus Dei’.Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada, o que frequentemente serve para encobrir atos criminosos”. O jornalista Emílio Corbiere cita os casos de fraude e remessa ilegal de divisas das empresas espanholasMatesa e Rumasa, em 1969, que financiaram aUniversidade de Navarra. Há também a suspeita do uso de bancos espanhóis na lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. O Opus Dei esteve envolvido na falência fraudulenta do banco Comercial (pertencente ao jornal El Observador) e do Crédito Provincial (Argentina). Neste país, os responsáveis pela privatização da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por grupos espanhóis, foram denunciados por escândalos de corrupção, mas foram absolvidos pela Suprema Corte, dirigida porAntonio Boggiano, outro membro da Opus Dei. No ano retrasado, outro numerário do Opus Dei, o banqueiroGianmario Roveraro, esteve envolvido na quebra daParlamat. “A Internacional Conservadora” O escritor estadunidense Dan Brown, autor do best seller “O Código da Vinci”, não vacila em acusar esta seita de ser um partido de fanáticos religiosos com ramificações pelo mundo. O Opus Dei teria cerca de 80 milhões de fiéis, muitos deles em cargos-chaves em governos, na mídia e em multinacionais. Henrique Magalhães garante que a “Obra é vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica”. Num livro feito sob encomenda pelo Opus Dei, o vaticanista John Allen confessa este poderio. Ele admite que a seita possui um patrimônio de US$ 2,8 bilhões – incluindo uma luxuosa sede de US$ 60 milhões em Manhattan – e que esta fortuna serve para manter as suas instituições de fachada, como a Heights School, emWashington, onde estudam os filhos dos congressistas doPartido Republicano de George W.Bush. Numa reportagem que tenta limpar a barra do Opus Dei, a própria revista Superinteressante, da suspeita Editora Abril, reconhece o enorme influência política desta seita. E conclui: “No Brasil, um dos políticos mais ligados à Obra é o candidato a presidente Geraldo Alckmin, que em seus tempos de governador de São Paulo costumava assistir a palestras sobre doutrina cristã ministradas por numerários e a se confessar com um padre do Opus DeiAlckmin, porém, nega fazer parte da ordem”. Como se observa, o candidato segue à risca um dos principais ensinamentos dofascista Josemaría Escrivá“Acostuma-se a dizer não”. 
Postado por Netto de Deus