Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Médicos que pediram “castração química” de petistas atacam de novo



Após o lançamento do programa Mais Médicos e a consequente chegada de médicos cubanos ao Brasil, a classe médica brasileira vem promovendo um show de horrores. Há menos de um mês, o portal IG fez uma denúncia estarrecedora:

Grupo com quase 100 mil que se dizem médicos ou estudantes de medicina defende ‘castrações químicas’ a eleitores do PT

A denúncia do IG espalhou-se como fogo e por certo fez ver a boa parte dos formadores de opinião o movimento nazista que se aglutinou em torno da candidatura Aécio Neves. Para entendimento dos fatos que serão narrados mais adiante, vale rever trecho daquela matéria.


Sobre a comunidade do Facebook “Dignidade Médica”, que propôs “holocausto” e “castrações químicas” contra eleitores do PT, sobretudo nordestinos, para que “não se reproduzam” tem como uma das organizadoras a senhora Patricia Sicchar, que se declara médica da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus em perfil da rede social.
Confira, abaixo, trecho de outra matéria do IG sob o título “Médica de grupo anti-PT minimiza holocausto a nordestinos: ‘é revolução do agir’”.


Como se vê, uma das médicas organizadoras do tal “holocausto” médico contra nordestinos eleitores do PT é servidora da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, sob responsabilidade do prefeito tucano Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), líder do PSDB no Senado de 2003 a 2010.
Agora, os médicos manuenses voltam à ribalta com um movimento que pretendem espalhar pelo país. Chegou ao Blog uma denúncia séria contra médicos daquela capital. E o pior: a denúncia sugere que abuso desses médicos contaria com a conivência dos hospitais em que trabalham.
O denunciante enviou ao Blog link de perfil no Facebook de um médico manuense chamado Lano Macedo, que se diz funcionário do Hospital Beneficente Português do Amazonas, que já se envolveu em polêmicas como desrespeitar a “Lei do acompanhante no parto”, conforme denúncia do médico psiquiatra Rogélio Casado.



O tal médico Lano Macedo lidera um movimento de médicos manauenses no Facebook que propõe que a classe médica – e, consequentemente, os hospitais onde aqueles médicos trabalham – boicotem os laboratórios que doaram recursos à campanha da presidente Dilma Rousseff


A confissão dos médicos de que irão deixar de recomendar fabricantes de medicamentos sob razões político-partidárias e ideológicas é um escândalo. E se aquele laboratório tiver medicamento mais conveniente para os pacientes, seja em termos de preço, qualidade ou outro?
Após o episódio “holocausto e castração química”, produzido a partir de organização de médicos de Manaus como o tal Lano Macedo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu nota condenando os autores daquela barbaridade.

Resta saber o que o CFM tem a dizer sobre essa atitude de médicos de Manaus. E, aliás, deveria investigar – talvez até com participação do Ministério Público – se médicos de outras regiões também estão adotando uma conduta profissional inadequada não só por se misturar com os interesses político-partidários deles, mas por prejudicar seus pacientes.
Por fim, resta saber, também, que atitude o prefeito tucano Arthur Virgílio tomou contra a servidora pública  Patricia Sicchar, que se declarou médica da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus e organizou o movimento propondo “castração química” de eleitores do PT.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Jornal distribuído no metrô de SP ironiza apoio de nordestinos a Dilma



Em tese, se um jornal paulista da capital publica na capa as fotos de dois candidatos à Presidência da República e faz montagem na foto de um deles com uma intenção bastante óbvia de vinculá-lo ao Nordeste, só pode estar querendo ajudar esse candidato. São Paulo é um Estado repleto de nordestinos ou descendentes de nordestinos…


Porém, há anos que os paulistas vêm sendo acusados de preconceito contra nordestinos por conta de uma parcela de sua população que não faz a menor questão de esconder verdadeira ojeriza que tem ao povo do Nordeste, tanto no que diz respeito à cultura da região quanto ao fato de haver mais nordestinos negros do que brancos.
Episódios recentíssimos de manifestação de preconceito em redes sociais contra o povo do Nordeste por votar majoritariamente em Dilma acabaram mostrando que a grande maioria dessas agressões partiram de paulistas, sejam da capital ou do interior de São Paulo.
Por esse ângulo, a capa do jornal gratuito Metro News, em sua edição de 22 de outubro, induz a crer que a intenção na montagem que o leitor vê no alto da página pode não ter sido a de favorecer a presidente da República ao associá-la ao povo nordestino, já que acusações de que paulistas e paulistanos (Metrô News é da capital) repudiam esse povo são comuns.
Só para lembrar: a mais notória condenação de alguém por crime de preconceito contra nordestinos foi de uma jovem estudante de Direito de Bragança Paulista, interior de São Paulo. Em 2010, ela pregou no Twitter que matassem os nordestinos que votaram em Dilma e os “culpou” pela primeira eleição da atual presidente da República.
Para entender melhor a intenção do jornal haveria que, para começar, ler as páginas seguintes, apesar de, por estarmos em período eleitoral, ser vetado que um impresso distribuído gratuitamente em um aparelho do Estado controlado pelo partido do adversário de Dilma, tomasse partido desse adversário.
Na terceira página do jornal, duas matérias sobre o confronto Dilma/Aécio: a primeira, “Dilma Caminha com Mulheres”; a segunda, “Aécio contesta Datafolha”.
A matéria sobre Aécio dispensa comentários; o título diz tudo. A matéria sobre Dilma, apesar do título simpático, diz que ela “critica” e “acusa” Aécio, quem, na matéria sobre si, aparece vitimizando-se, dizendo-se prejudicado por pesquisas inidôneas que o colocam atrás da adversária nas intenções de voto da corrida sucessória.
Na quarta página, mais duas matérias: a primeira, “Ataques mútuos e propostas”, continua na linha de mostrar Dilma como agressora de Aécio; a segunda, “Pesquisa não indica desidratação de Aécio”. Abaixo, reprodução da matéria do Estadão republicada no jornal gratuito.
O jornal distribuído gratuitamente no metrô de São Paulo costuma publicar textos críticos ao PT e favoráveis ao PSDB, sobretudo ao governo Geraldo Alckmin, que controla o Metrô.
Abaixo, mais algumas capas do Metrô News



terça-feira, 14 de outubro de 2014

“Liberdade” da Folha só vale para o Reinaldo. É o jornal da piada pronta.

xicosa
demissão de Xico Sá da Folha, por se ver impedido de declarar sua opção eleitoral por Dilma em sua coluna  no jornal é uma honra para o jornalismo brasileiro.
O veto à publicação da declaração de seu voto na coluna que mantinha há anos no jornal – onde militou muito tempo, talvez alguns não saibam, como repórter político, antes de se dedicar às crônicas de futebol e de costumes – só poderia ser aceito por quem fosse desprovido de um mínimo de dignidade, o que sobra a Xico.
O grande público que acompanhou sua participação do programa coxinha Extraordinários, durante a Copa do Mundo, sabe que ele, com bom humor e tolerância, jamais se calou diante da absurda tentativa de transformar os “coxismos” em “manifestação popular” e, já ali, dava seus trancos nas manifestações anti-nordestinos que, vemos agora, se tornaram um dos motes da direita.
Uma atitude destas, vinda de um jornal que traz para o lugar de colunista – como colunista é Xico – um energúmeno como Reinaldo Azevedo, é mais que uma hipócrita censura, é uma piada mórbida.
Porque é só assim que se pode ler a explicação do jornal de que os colunistas “”devem evitar fazer proselitismo eleitoral em seus textos”.
Os textos de Reinaldo Azevedo são o quê?
Fico com medo pelo emprego do José Simão, porque a direção da Folha parece ser adepta da “piada pronta”, bordão de seu simpático Macaco.
E olhem que, como ressalva o próprio Xico, em seu Facebook, “é bem melhor em se comparando aos outros jornalões, vide grande revelação do aeroporto privado de Aécio e o mínimo questionamento do choque de gestão nas Gerais, esse fetiche econômico insustentável até para a Velhinha de Taubaté do meu amigo Veríssimo. ”
Parabéns ao Xico, que mostrou que ainda existe o que em outros tempos sobrava no jornalismo: coragem e decência pessoal.
E que é capaz de definir, bem sucinto, o que se tem na mídia hoje: “É muito desequilíbrio. É praticamente jornalismo de campanha. Não cobertura.”.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A dolorosa epifania do barbeiro tucano


Faz mais de 10 anos que todo mês tenho uma “briga” marcada com o meu barbeiro, um cearense de trajetória admirável. Ele veio para São Paulo nos anos 70 em busca de uma vida melhor. Comeu o pão que o diabo amassou, mas pode-se dizer que venceu.
Em Sampa, Pedrinho conheceu uma pernambucana, que desposou. Com ela teve um filho, que nasceu “especial”. Mas sua trajetória de vida fez dele um conservador. Aprendeu a cortar cabelo quando serviu no Exército, e não foi só isso que lá aprendeu.
A caserna fez do barbeiro cearense um reacionário. Tem preconceito contra homossexuais e sempre teve um ódio visceral pelo PT. Inexplicavelmente, por conta do Bolsa Família.
Algumas vezes pensei em trocar de barbeiro, mas, além de Pedrinho ser um homem sério, trabalhador e de bom coração – apesar da ignorância –, ninguém corta meu cabelo tão bem quanto ele.
O barbeiro e a família que formou integraram-se à classe média paulista, sobretudo depois que ele começou a ganhar dinheiro – ironicamente, na era Lula –, comprou o imóvel onde funciona a barbearia e se mudou para a Vila dos Remédios, do outro lado do Tietê – morava em Guaianases, antes.
Não chega a ser um bairro nobre, mas a casa é dele.
Uma vez por mês, entro no estabelecimento, abraçamo-nos e logo me acomodo em uma das três cadeiras eletrônicas de barbeiro das quais ele tanto se orgulha, apesar de que jamais entendi por que um barbeiro que trabalha sozinho precisa de três cadeiras.
Enfim, após as gentilezas protocolares, eu ou ele puxamos o assunto política. Às vezes, finjo que desta vez não estou afim de discutir, mas a discussão acaba surgindo. E sempre acalorada. Terminou o corte, porém, volta a cordialidade e nos despedimos com outro abraço.
Pedrinho previu que Marina se mostraria uma farsa e que logo ruiria. E, antes de qualquer outro, já dizia que o candidato “certo” para “derrotar o PT” seria Aécio, que iria para o segundo turno.
Detalhe: Pedrinho só se informa pela tevê e pelo rádio – Globo e CBN. E pelos “doutores” engravatados da Bovespa que também cortam o cabelo ali – a barbearia fica no centro velho. Não lê jornais ou revistas, e parece ter medo da internet e de computadores em geral.
No sábado, fui cortar o cabelo. Alguma coisa me dizia que teria muito a discutir com meu barbeiro, e que, desta vez, a conversa poderia ser diferente.
Explico: Pedrinho é um nordestino orgulhoso, do que dá prova a decoração com motivos nordestinos no salão. Nos dias que antecederam a ida até lá, fiquei imaginando se ele ficara sabendo da onda de ataques a nordestinos na internet…
Quando apareço na porta da barbearia, ele não me encara. Cabisbaixo. E eu, em tom de ironia:
– Como é que anda o barbeiro mais cearense de São Paulo?
– Ah, vai falar da xingação, né?
– Se você quiser…
– Bando de filhas da puta. A gente construiu essa merda dessa cidade.
– Como você ficou sabendo da onda de preconceito, Pedrinho? Está usando computador, agora?
– Deus me livre. Foi a Jussara [a esposa]
– E sobre a “xingação”, o que você sentiu?
– Raiva, né? Que você acha?!
– Não sei, ora. Afinal, você sabe por que xingaram os nordestinos, né?
– Sei…
– Então… Se você não gosta do PT, se tem tanta raiva do PT, fiquei pensando se não iria apoiar os eleitores paulistas do Aécio que xingaram o povo do Nordeste por votar em peso em Dilma.
– Porra, Eduardo! Minha mãe é cearense, meu pai é baiano, meus irmãos são cearenses, minha avó é cearense, porra!
– O que você sentiu?
– Decepção
– Decepção? Não foi raiva?
– Também, mas mais decepção.
– Vamos ver se entendi: você não sabia que os paulistas da gema veem assim o Nordeste?
– Achei que isso era coisa do passado. No meu bairro tem tanto nordestino, aqui no centro tem tanto nordestino… São Paulo é só nordestino, porra!!
– Sim, é verdade. Mas uma parte dos paulistas não se mistura… Ou você não sabia disso?
– Sabia, mas não sabia que pensavam essas coisas…
– Ah, vai me dizer que não sabe quem é Mayara Petruso?
– Quem?
– Aquela filha de um dono de supermercado de Bragança Paulista, estudante de direito, quem, em 2010, logo após a vitória de Dilma no segundo turno, pediu que as pessoas fizessem “um favor” e matassem um nordestino afogado.
– Não sabia. Teve isso, também?
– Teve…
– E o que aconteceu com ela?
– Foi processada, perdeu o emprego, ficou manchada.
– Cadeia não, né?
– Filha de bacana, Pedrinho. Mas, para ser honesto, sendo ré primária…
– Ah, tá. Tendi…
Ficamos algum tempo em silêncio. Pelo espelho, olhava o semblante do meu barbeiro. Juro que havia dor.
– Ficou chateado, né, Pedrinho?
Os olhos dele marejaram.
– Fica assim não, Pedrinho. Essa gente não merece. Eles são ignorantes. Escravizaram as meninas da sua terra, trancaram-nas em quartinhos de empregada sem janela, trabalhando 7 dias por semana. Essa gente odeia vosso sotaque, vossa comida, vossa cultura. Mas não abre mão dos vossos serviços…
– Eu nunca pensei… Falei com a Ju, Eduardo. Estamos pensando em voltar pra terrinha. Juntei dinheiro, aqui. Acho que quero viver onde não sou desprezado. Ela também.
– Não faça isso, meu amigo. Fique e lute. Mas para de votar nesses coxinhas tucanos. Eles representam essa gente.
– Nem sei…
Pedrinho é duro na queda, mas foi ali que a mulher dele, que até então permanecera silente, manifestou-se:
– Ele vai votar na Dilma nem que seja a tapa, Eduardo. Ele e todo mundo lá da Vila. Estou ligando pra todo mundo e tem mais gente fazendo a mesma coisa. Depois a gente vai embora desta merda. Com todo respeito, Edu…
– Imagine, Jussara. Fica tranquila. Entendo perfeitamente. E acho que, de certa forma, você tem razão.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Jornalista da Globo News debocha do Piauí por apoiar Dilma




Às 19 horas e 10 minutos do último domingo, agora com a votação encerrada em todo o Brasil, a apresentadora dos programas Jornal da Globo News (Edição das 18h) e Arquivo N, ambos da emissora a cabo Globo News, postou no Twitter um comentário literalmente asqueroso.

Assim como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso faria na manhã do dia seguinte, em entrevista ao UOL, ao atribuir aos “desinformados dos grotões” – leia-se, do Nordeste – a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, Leilane difundiu preconceito contra nordestinos.
Confira, abaixo, o tuíte da jornalista

Começava, ali, uma onda de ataques preconceituosos contra as regiões Norte e Nordeste do país, nas redes sociais. O que, aliás, já se tornou regra nas últimas eleições. Sobretudo quando o PT obtém grandes vitórias.

O comentário da apresentadora da Globo News no Twitter recebeu vários comentários de apoio, inclusive com manifestações de mais preconceito contra o Nordeste, o que demonstra bem o sentido do comentário dela. Porém, a maioria dos comentários foi de repúdio.


Leilane respondeu e, como sempre, respondeu como respondem os preconceituosos quando são pegos no pulo: disse que “não foi compreendida”.

A apresentadora foi muito bem compreendida. Além de insultar os piauienses, ao dizer que “não foi compreendida” insultou a inteligência das pessoas que se revoltaram com seu comentário debochado e preconceituoso não só contra o Piauí, mas contra o Nordeste.

Quem não compreendeu nada, porém, foi Leilane. Querendo ser engraçada, insinuou que a votação maciça de Dilma no Norte e no Nordeste se deveria à incapacidade de discernimento daquela parcela do povo brasileiro. Contudo, quem não discerne é a jornalista da Globo News.

O Nordeste vive, em 2014, situação inversa à do resto do país no que diz respeito a crescimento econômico. Confira, abaixo, gráfico do IBGE sobre o crescimento do Nordeste em comparação com o do resto do país.


Seria esperável que uma jornalista com tantos anos de estrada e que trabalha no maior império de mídia do país fosse melhor informada. Ou então, se for bem informada, seu problema será má fé mesmo…
Por fim, como se vê o preconceito contra o Norte e o Nordeste por votarem em causa própria, não surgiu do nada. Formadores de opinião como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ou como a apresentadora da Globo News, são responsáveis por tanta ignorância.

E o pior é que a eminência desses propagadores de preconceito não fez com que alguma autoridade sequer se manifestasse.O máximo que aconteceu, até agora, foi a OAB do Ceará se manifestar no sentido de que acionará os racistas que estão difamando o Norte e o Nordeste nas redes sociais.

Segundo o jornal Tribuna do Ceará, a Ordem dos Advogados do Estado do Ceará “Entrará com ação contra internautas que postaram mensagens preconceituosas contra nordestinos após o resultado do 1º turno da eleição de 2014, no último domingo (5)”

O jornal ainda informa que a onda de preconceito está sendo reunida em um perfil no Tumblr chamado de “Esses Nordestinos”. As denúncias serão reunidas e analisadas por dois procuradores.

O que revolta, porém, é que não houve iniciativa nenhuma do Ministério Público ou mesmo da Justiça Eleitoral. O que se percebe é que o envolvimento de gente como FHC e Leilane faz com que as autoridades finjam não ver o que está acontecendo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Coxinhas xingam os nordestinos no Twitter por darem vitória maciça para Dilma.

mapa2

Cada nordestino ou descendente de nordestino no Brasil deveria ver o mapa acima antes de decidir o seu voto.
A mancha vermelho-escura, significa, município por município, onde houve uma votação de mais de 50% para a Dilma Rousseff.
É o o desenho de uma metade do Brasil que, finalmente, fez ouvir sua voz neste país.
Pois se cada homem ou mulher que teve o pai e a mãe tangido pela seca, pela miséria, pelo coronelato mandão, olhasse o que seus irmãos estão dizendo, duvido tivesse coragem de condená-los, de novo, ao jugo das elites que os empobreceram e das que os receberam, de nariz torcido, por onde a sina de retirante os espalhou.
racista
É, como diz a turma do bucho cheio que se reúne com Aécio, “o pessoal que vota com o estômago”.
Os que ele diz  que estão felizes com os “empreguinhos de dois salários mínimos”.
Gente que se reproduz na mediocridade de um imbecil, agora, na fila do banco que disse que paga imposto para dar marmita a nordestino vagabundo.
Que os chama de “paraíba”, de “baiano” e que faz até, como está mostrando o Terra, uma página na internet para os xingar ainda mais, porque votaram em Dilma.
Esses Nordestinos é o nome da manifestação de ódio.
É, esses nordestinos, que construíram o prédio onde eles moram, que abriram a estrada onde eles passam, que fizeram a escola onde seus filhos estudam, ergueram a ponte que atravessam.
Que fizeram um pedaço imenso deste Brasil rico e egoísta,  da gente que é capaz de morrer de fome não porque não tem comida, mas por falta de uma empregada ou um restaurante – cheios de nordestinos na cozinha, aliás – que lhes sirva.
Esses nordestinos, essa gente que sofre mas não odeia, muito melhor do que esta, que não sabe o que é sofrer, mas  sabe muito bem o que é odiar.
São eles os “limpinhos e cheiros”, mas como fedem, meu deus!

COLUNISTA PRÓ-AÉCIO PROPÕE SEPARATISMO

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Quanto mais rico, pior

O título do texto não é só uma provocação e um exagero completo. Agora mesmo surgiu indício científico de que o dinheiro, ao invés de tornar a pessoa melhor, freqüentemente pode torná-la bem pior – ao menos do ponto de vista intelectual.
Muitos ficarão surpresos. Ora, como o dinheiro pode tornar alguém mais burro se permite ao endinheirado pagar por educação de melhor qualidade?
Burrice e inteligência são conceitos vagos. Quem já não julgou “burro” alguém com enorme bagagem de diplomas acadêmicos? Quem já não se espantou com a sagacidade e com a clarividência de alguém sem instrução formal e de origem pobre?
Em termos de inteligência política, ao menos, ter dinheiro parece danoso. É o que mostra pesquisa Datafolha recém divulgada pelo jornal Folha de São Paulo. A sondagem quis saber a opinião do eleitor sobre o horário eleitoral na TV e no rádio.
Apesar de o Datafolha mostrar que 64% dos paulistanos apóiam a propaganda eleitoral “gratuita” nos meios eletrônicos e que apenas 32% querem que seja extinta, entre os que têm renda acima de dez salários mínimos o percentual contrário à propaganda chega a 43%.
Ao ler sobre essa pesquisa me veio à mente um amigo que tem instrução formal e muita grana no banco, sem falar do vasto patrimônio. Para ele, política é uma brincadeira, um fla-flu. Discute o assunto seriíssimo sem qualquer compromisso com a seriedade.
Como quase todo paulistano de classe média alta, esse amigo é antipetista até a raiz dos cabelos – meu filho é mesário há várias eleições em um bairro desse estrato social e relata que, ali, a direita costuma ganhar com até 90% dos votos. Serra, em 2010, teve 93%.
Até aí, tudo bem. Por óbvio, não se sugere, aqui, que só quem tem inteligência política são os simpatizantes do PT. O problema do sujeito é outro, é o seu descompromisso com fatos e com a seriedade que o assunto requer.
Anda sempre com um jornal da direita midiática a tiracolo (Estadão ou Jornal da Tarde ou Folha de São Paulo), quando não carrega a Veja. Sai por aí vomitando acusações contra o PT e, quando perguntado se não vê corrupção nos partidos que apóia, muda de assunto.
Liguei para o amigo após ler a tal pesquisa Datafolha. Perguntei, sem falar da pesquisa, sua opinião sobre o horário eleitoral. A resposta era previsível: quer acabar com ele, pois decide seu voto pela orientação que recebe da “imprensa”.
Perguntei se não era melhor, então, acabar com as eleições e delegar à imprensa a prerrogativa de escolher parlamentares e chefes do poder Executivo (prefeitos, governadores e presidentes). A resposta foi a de que “Até que não seria má idéia”.
Poucos dias antes, o amigo foi me visitar em meu escritório. Já entrou cantarolando o jingle de José Serra. Fitei-o demoradamente enquanto refletia sobre sua postura. Decidi ir mais fundo em seu ideário político.
Quis saber se estava satisfeito com São Paulo. Respondeu que adora a cidade. Expliquei que não me referia a isso, que o que perguntara fora se estava satisfeito com a administração da cidade. Resposta: “No meu bairro, sim”.
Então lhe perguntei se achava que os outros bairros estão bons. Respondeu-me que os da periferia continuam uma porcaria, mas que, para ele, o que interessa é onde vive.
Decidi, então, aferir seus conhecimentos sobre seu próprio bairro – de fato, um bairro dito nobre.
Quis saber sobre a limpeza. Começou dizendo que era boa. Como meu escritório fica no bairro em que mora, pedi que viesse à janela e lhe mostrei a rua emporcalhada. A resposta foi a esperada: a sujeira em seu bairro “maravilhoso” é culpa da “baianada”.
Então perguntei sobre a educação pública. Respondeu que nunca precisou da educação pública para os seus filhos, apesar de ter estudado em escola pública. Mas como tem mais de sessenta anos, cursou-a à época em que servia a poucos, mas tinha qualidade.
Agora, pergunto sobre a saúde pública. A resposta é a de que nunca precisou de saúde pública e que seu plano de saúde familiar é “top de linha” – paga inacreditáveis 3,7 mil reais por um plano de saúde para si, a mulher e duas filhas.
E a segurança pública em São Paulo, é boa? Claro que sim. Só não é melhor por culpa de quem mesmo? Adivinhe, leitor, se puder…
Pergunto como a segurança pode ser boa se a sua casa parece um campo de concentração – fica em uma vila particular em que um portão enorme fecha o espaço público, além de grades, fios elétricos e câmeras por toda parte. Mais uma vez, a “baianada” levou a culpa.
Burrice, preconceito, irresponsabilidade… Tudo isso na boca de um ex-juiz do Trabalho, contador formado e que tem conta bancária com quase sete dígitos. Que desculpa tem esse homem para suas opiniões cretinas?
É tudo bem simples: vivemos em um país que está entre os 12 mais socialmente desiguais em um planeta que tem cerca de duas centenas de países. Essa minúscula elite que concentra renda, como ficou demonstrado acima, não precisa do Estado.
Criou-se, entre esse segmento microscópico – e influente – da sociedade, uma fé fervorosa no mais legítimo fascismo. Quer, no mínimo, deportar os nordestinos excedentes aos que necessita como empregados domésticos, garçons, manobristas, porteiros etc.
Alguns devem ter visto, aliás, entrevista que uma socialite chamada Anna Maria Corsi deu à mesma Folha de São Paulo, entre outras congêneres que também se manifestaram. A mulher disse, com todas as letras, o que afirmo no parágrafo anterior.
A mesma coisa é o meu amigo supracitado – que é infinitamente menos rico, mas igualmente preconceituoso. Aliás, mais radical, pois prega que coloquem todos os nordestinos “no paredão” e “passem fogo”.
“Horário eleitoral pra quê?”, diz o amigo reacionário. Segundo ele, os jornais já dizem quem é o candidato que “vai defender a gente dos comunistas que querem dar aos baianos indolentes o que conseguimos com nosso suor”.
Quis perguntar como ele pode ter “suado” para conseguir seu patrimônio se herdou tudo do pai, mas desisti. Vivo em um bairro de classe média alta – apesar de não ser dessa classe – e não posso brigar com a vizinhança toda.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Tucana preconceituosa quer alugar o blog

 
 
Caso vocês se lembrem da existência de uma tal Daniela Schwery, a dita cuja veio a esse espaço querendo responder a uma crítica com espaço dez vezes maior do que o usado pelo crítico. Mesmo eu tendo colocando a fonte e o nome do crítico a infeliz nem leu e respondeu com a ignorância que lhe é peculiar como se estivesse respondendo a mim. 

Sorry, periferia: espaço para a direita já existe demais, aqui não. 

Isso é só uma parte, tem mais...

 
 

Daniela Schwery, uma tucana legítima


Piadinha básica do dia:


Um prédio de 4 andares foi totalmente destruído pelo fogo; um incêndio terrível.

Todas as pessoas das 10 famílias de Sem-teto, que haviam invadido o 1º andar, filhos de presidiários que ganham salário de R$ 850,00, faleceram no incêndio.

No 2º andar, todos os componentes das 12 famílias de retirantes, que viviam dos proventos da "Bolsa Família", também não escaparam.

O 3º andar era ocupado por 4 famílias de ex-guerrilheiros, todos beneficiários de ações bem sucedidas contra o Governo, filiados a um ParTido politico influente, com altos cargos em estatais e empresas governamentais, que também faleceram.

No 4º andar viviam engenheiros,médicos, advogados, professores, empresários, bancários, vendedores, comerciantes e trabalhadores com suas famílias. Todos escaparam. Imediatamente a "Presidenta da Nação" e toda a sua assessoria mandou instaurar um inquérito para que o "Chefe do Corpo de Bombeiros" explicasse a morte dos "cumpanheiros" e por que somente os moradores, do 4º andar haviam escapado.

O Chefe dos Bombeiros respondeu:

- "Eles não estavam em casa. Estavam trabalhando."


A MELHOR DO ANO ATÉ AGORA

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Resposta de Eremita na Cidade

Vamos tentar comentar esse balde de preconceito e deboche da população pobre que a tucaninha tornou público:

1) Filhos de presidiários NÃO GANHAM R$ 850,00. Trata-se de um SEGURO (que quem trabalha PAGA por ele; você não sabe porque não é trabalhadora). Quanto aos sem teto, devo lembrar que após o crime contra a humanidade patrocinado pelo governador de São Paulo e o Prefeito de São José dos Campos, ambos do seu partido - PSDB - agora contamos com mais deles;

2) As famílias de retirantes, por acaso, devem ter saído de estados como Alagoas, Roraima e Pará, governados pelo seu partido - o PSDB. O bolsa família serve para complementar a miséria que você e seus coleguinhas pagam para eles, em troca do que vocês consideram serviços menores (construir casas, consertar carros, limpar);

3) Apesar de não concordar com a tese da luta armada, devo alertá-la que as famílias de ex-guerrilheiros perderam seus entes queridos, que foram assassinados enquanto um dos seus líderes, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegava em Paris, fugindo do segundo golpe de Estado que ele não teve coragem para enfrentar;

4) Só pela formação do quarto andar do seu texto infeliz, já sabemos que você não tem contato algum com a realidade. E quer ser vereadora? Quais são suas propostas como vereadora? Matar os sem-tetos e expulsar os "retirantes"?

Lugar de tucano é na floresta, voando e livre. Não elejam candidatos do PSDB. É o partido que vendeu a Vale. Não elejam Daniela Schwery, que além de bradar ódio aos pobres, não conhece nada sobre sua cidade.

 
 

 

terça-feira, 26 de junho de 2012

O Bolsa Família e seus inimigos

por Marcos Coimbra, na CartaCapital

O pensamento conservador brasileiro – na política, na mídia, no meio acadêmico, na sociedade – tem horror ao Bolsa Família. É só colocar dois conservadores para conversar que, mais cedo ou mais tarde, acabam falando mal do programa.

Não é apenas no Brasil que conservadores abominam iniciativas desse tipo. No mundo inteiro, a expansão da cidadania social e a consolidação do chamado “Estado do Bem-Estar” aconteceu, apesar de sua reação.

Costumamos nos esquecer dos “sólidos argumentos” que se opunham contra políticas que hoje em dia são vistas como naturais e se tornaram rotina. Quem discutiria, atualmente, a necessidade da Previdência Social, da ação do Estado na saúde pública, na assistência médica e na educação continuada?

Mas todas já foram consideradas áreas interditas ao Estado. Que melhor funcionariam se permanecessem regidas, exclusivamente, pela “dinâmica do mercado”. Tem quem pode, paga quem consegue. Mesmo se bem-intencionado, o “estatismo” terminaria por desencorajar o esforço individual e provocar o agravamento – em vez da solução – do problema original.

O axioma do pensamento conservador é simples: a cada vez que se “ajuda” um pobre, fabricam-se mais pobres.

Passaram-se os tempos e ninguém mais diz essas barbaridades, ainda que muitos continuem a acreditar nelas. Hoje, o alvo principal das críticas conservadoras são os programas de transferência direta de renda. Naturalmente, os que crescem e se consolidam. Se permanecerem pequenos, são vistos até com simpatia, uma espécie de aceno que sinaliza a “preocupação social” de seus formuladores.

Mas é uma relação ambígua: ao mesmo tempo que criticam os programas de larga escala, dizem-se seus mentores. Da versão “correta”. Veja-se a polêmica a respeito de quem inventou o Bolsa Família: irrelevante para a opinião pública, mas central para as oposições. À medida que o programa avançou e se expandiu ao longo do primeiro governo Lula, tornando-se sua marca mais conhecida e aprovada, sua paternidade começou a ser reivindicada pelo PSDB. Argumentavam que sua origem era um programa instituído pelo prefeito tucano de Campinas, José Roberto Magalhães Teixeira, em 1994.

Ele criou de fato o Programa de Renda Mínima, que complementava a receita de pessoas em situação de miséria. Por razões evidentes, limitava-se à cidade e beneficiava apenas 2,5 mil famílias, com uma administração tão complexa que era impossível expandi-lo com os recursos da prefeitura.

Tem sentido dizer que o Bolsa Família nasceu assim? Que esse pequeno experimento local é a matriz do que temos hoje? O maior e mais bem avaliado programa do gênero existente no mundo e que serve de modelo para países ricos e pobres?

O que a discussão sobre o Renda Mínima de Campinas levanta é uma pergunta: se o PSDB estava convencido da necessidade de elaborar um programa nacional baseado nele, por que não o fez?

Não foi Fernando Henrique Cardoso quem venceu a eleição de 1994? O novo presidente não era amigo e correligionário do prefeito? Ou será que FHC não levou o programa do companheiro para o nível federal por ignorá-lo?

Quem sabe conhecesse a iniciativa e até a aplaudisse, mas não fazia parte do arsenal de medidas que achava adequadas para enfrentar o problema da pobreza. Não eram “coisas desse tipo” que o Brasil precisava.

Goste-se ou não de Lula, o fato é que o Bolsa Família só nasceu quando ele chegou à Presidência. E é muito provável que não existisse se José Serra tivesse vencido aquela eleição.
Fazer a arqueologia do programa é bizantino. Para as pessoas comuns não quer dizer nada. Como se vê nas pesquisas, acham até engraçado sustentar que o Bolsa Família não tem a cara de Lula.

Não é isso, no entanto, o que pensam os conservadores. Para eles, continua a ser necessário evitar que essa bandeira permaneça nas mãos do ex-presidente. O curioso é que não gostam do programa. E que, toda vez que o discutem, só conseguem pensar no que fazer para excluir beneficiários: são obcecados pela ideia de “porta de saída”.

Outro dia, tudo isso estava em um editorial de O Globo intitulado “Efeitos colaterais do Bolsa Família”: a tese da ancestralidade tucana, a depreciação do programa – apresentado como reunião de “linhas de sustentação social (?) já existentes” –, a opinião de que teria ficado “grande demais”, a crítica de que causaria escassez de mão de obra no Nordeste, e por aí vai (em momento revelador, escreveu “Era FHC” e “período Lula” – como se somente o primeiro merecesse a maiúscula).

Para a oposição – especialmente a menos informada –, o Bolsa Família é o grande culpado pela reeleição de Lula e a vitória de Dilma Rousseff. Não admira que o deteste.
Para os políticos, as coisas são, porém, mais complicadas. Como hostilizar um programa que a população apoia?

Por isso, quando vão à rua disputar eleições, se apresentam como seus defensores. Como na inesquecível campanha de Serra em 2010: “Eu sou o Zé que vai continuar a obra do Lula!”.

Alguém acredita?

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Lula passa FHC no Facebook. FHC vai cortar os pulsos – MCVXIII

 post do Portal Vermelho:

Em poucas horas, perfil do Lula no Facebook supera o de FHC


Com menos de 24 horas de funcionamento, o perfil do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Facebook já foi “curtido” por cerca de 80 mil pessoas, número que cresce a cada minuto. Quando comparamos com o perfil do antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, esse número é mais que o dobro do acumulado por FHC, que já está há nove meses logado à rede social.


Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (17), Lula declarou  que a página servirá para ampliar o debate em torno dos projetos desenvolvidos pelo Instituto Lula. “Queremos reunir aqui todos os interessados em continuar compartilhando esperança e solidariedade na luta por um mundo mais justo”, afirmou.


Mas não foi somente na rede que Lula provou sua popularidade em relação ao tucano. Quando passou a faixa pra Dilma Rousseff, pesquisa do ibope apontou que Lula tinha 87% de aprovação, maior índice entre os presidentes do período democrático. Já FHC, ao final de 2002, tinha avaliação positiva de 26% dos entrevistados pelo Ibope.


Além disso, outros reconhecimentos foram os títulos de doutor honoris causa, concedidos por universidades do mundo inteiro a pessoas cujo conhecimento é considerado digno de reconhecimento acadêmico.



terça-feira, 27 de março de 2012

O racismo a serviço do império euroamericano

Mauro Santayanna
Podemos talvez encontrar a origem do racismo, a partir do equívoco bíblico, de que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Levando a idéia ao pé da letra, nasceu a paranóia da intolerância ao outro. A imagem negra de Deus é a de seus deuses africanos, a imagem judaica de Deus é a de um patriarca hebreu, na figura de Jeová. Os muçulmanos não deram face a Alá, nem veneram qualquer imagem de Maomé, mas isso não os fez mais santos. Desde a morte de Maomé, seus descendentes e discípulos se separaram em seitas quase inconciliáveis, que se combatem, todas elas reclamando o legado espiritual do Profeta. Os muçulmanos, como se sabe, reconhecem Cristo como um dos profetas.
Os protestantes da Reforma também prescindiram de imagens sagradas, o que, sem embargo, não os impediu de exercer intolerância e violência contra os católicos, com sua inquisição – em tudo semelhante à de seus adversários.
Essa idéia que associa as diferenças étnicas e teológicas à filiação divina, tem sido a mais perversa assassina da História. Os povos, ao eleger a face de seu Deus, fazem dele cúmplice e protetor de crimes terríveis, como os de genocídio. O Deus de Israel, ao longo da Bíblia, ajuda seu povo, como Senhor dos Exércitos, a “passar pelo fio da espada” os inimigos, com suas mulheres e seus filhos. Quando Cortés chegou ao México, incitou os seus soldados ao invocar a Deus e a São Tiago, com a arenga célebre: “adelante, soldados, por Dios y San Tiago”.
Quando falta aos racistas um deus particular, eles, em sua paranóia, se convertem em seus próprios deuses. Criam seus mitos, como os alemães, na insânia de se considerarem os mestres e senhores do mundo. Dessa armadilha da loucura só escaparam os primitivos cristãos, mas por pouco tempo, até Constantino. A Igreja, a partir de então, se associou aos interesses dos grandes do mundo, e fez uma leitura oportunista dos Evangelhos.
A partir do movimento europeu de contenção dos invasores muçulmanos e do fanatismo das cruzadas, a cruz, símbolo do sacrifício e da universalidade do homem, se converteu em estandarte da intolerância. Nos tempos modernos, o símbolo se fechou – com a angulação dos braços, no retorno à cruz gamada dos arianos – em sinal definitivo e radical da bestialidade do racismo germânico sob Hitler.
Os fatos dos últimos dias e horas são dramática advertência da intolerância, e devem ser vistos em suas contradições dialéticas. O jovem francês que mata crianças judias e soldados franceses de origem muçulmana, como ele mesmo, é o resultado dessa diabólica cultura do ódio de nosso tempo aos que diferem de nós, na face e nas crenças. É um tropeço da razão considerar todos os muçulmanos terroristas da Al-Qaeda, como classificar todos os judeus como sionistas e todos alemães como nazistas. Ser muçulmano é professar a fé no Islã – e há muçulmanos de direita, de esquerda ou de centro.
Merah, se foi ele mesmo o assassino, matou cidadãos do moderno Estado de Israel, como eram as vítimas da escola de Toulouse, mas também muçulmanos do Norte da África, como ele mesmo. Os fatos são ainda nebulosos, e os franceses de bom senso ainda duvidam das versões oficiais, como constatou Teh Guardian em matéria sobre o assunto.
Em El Cajon, nas proximidades de San Diego, na Califórnia – uma comunidade em que 40% de seus habitantes é constituída de imigrantes do Iraque, uma senhora iraquiana, que morava nos Estados Unidos há 19 anos, foi brutalmente assassinada, com o recado de que, sendo terrorista, depois de morta deveria voltar para o seu país. O marido, também iraquiano, é, por ironia da circunstância, empregado de uma firma que assessora o Pentágono na preparação psicológica dos militares que servem no Oriente Médio. E também nos Estados Unidos, na Flórida, um vigilante de origem hispânica (embora com o sobrenome significativo de Zimmermann, bem germânico) matou, há um mês, um jovem de 17 anos, Travyon Martin, provocando a revolta e os protestos da comunidade negra.
Em Israel, o governo continua espoliando os palestinos de suas terras e casas e instalando novos assentamentos para uso exclusivo dos judeus. O governo de Telavive não reconheceu a admoestação da ONU de que isso viola os direitos humanos essenciais. Os Estados Unidos votaram contra a advertência internacional a Israel. Como se vê os direitos humanos só são lembrados, quando servem para dissimular os reais interesses de Washington e de seus aliados e dar pretexto à agressão a países produtores de petróleo e de outras riquezas, como ocorreu com o Iraque, a Líbia e o Afeganistão.
Os episódios de intolerância se multiplicam em todos os países do mundo – e mesmo entre nós. No Distrito Federal, segundo revelações da polícia, um grupo de neonazistas mantinha célula terrorista há cerca de trinta anos, associada a outros extremistas de todo o país. Na madrugada de 28 de fevereiro deste ano, em Curitiba, vinte jovens neonazistas assassinaram um rapaz de 16 anos, a socos, pontapés e facadas. O principal executor, um estudante de direito, foi escolhido para cumprir ritual de entrada no grupo, como prova de coragem. A coragem de matar um menino desarmado. Também em Curitiba e em Brasília foram presos dois racistas, que usavam a internet para expor as suas idéias fascistas e incitar a violência contra ativistas femininas, homossexuais, negros e nordestinos.
Enquanto não aceitarmos a face morena de Jesus, como a mais próxima da face do Deus – criada para dar transcendência ao mistério da vida – o deus que continuará a dominar a nossa alma será Tanatos, o senhor da morte.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Globo não engole dois pernambucanos. O que significa “painho”


O jornal O Globo produziu neste domingo uma peça de preconceito.

Um pseudo perfil de Eduardo Campos, governador de Pernambuco, aquele que fez – com o Nunca Dantes – uma revolução em Pernambuco, cujo símbolo é o porto de Suape.

Quando esteve lá, durante a campanha presidencial de 2010, o ansioso blogueiro assegurou que Campos dava de 10 a 0 naquele que o Globo e seus colonistas consideravam “o mais consistente”, o Padim Pade Cerra.

O título do preconceito do Globo é “Eduardo Campos, o novo painho da política do Nordeste”.

Campos faz no Nordeste, “sorrindo, o que antes o todo poderoso Antonio Carlos Magalhães fazia gritando na Bahia“ – diz o pseudo perfil.

Pergunta O Globo, naquele texto objetivo, isento, que caracteriza o PiG (*): “é um coronel moderno com mais verniz ou um socialista que prefere o Diário Oficial a O Capital ?”

(A autora deste editorial vai longe …

Acaba com um programa na GloboNews, no lugar do “Entre Caspas”.)

Ela sintetiza sua opinião assim, de forma anônima, pelas costas:

“Mas, entre os aliados (quem ? nome, endereço ? Dilma ? – PHA), paira uma desconfiança de que o político mais poderoso do Nordeste vá lhes dar uma rasteira em 2014.”


O emprego da palavra “painho” – que não consta do Houaiss – tem o perfume do preconceito.
Contra as religiões afro-brasileiros.
Ou contra os nordestinos.
Ou contra os dois.
Ou uma alusão direta, frontal a Antonio Carlos Magalhães, que na Bahia também era chamado de “painho”.
Os filhos do Roberto Marinho não gostavam de ACM – forma mais frequente de chamá-lo, na Bahia.
Porque ACM governou o Brasil, em companhia do Dr Roberto e José Sarney.
Era um “presidencialismo tripartite”, cuja legitimidade provinha da Constituição do Ministro do Exércio, Leonidas Pires Gonçalves, que deu posse a Sarney, num Golpe Costitucional.
Quando o Dr Roberto, ACM e Sarney governavam o Brasil, ACM combinava com o Dr Roberto as manchetes do jornal O Globo ou a inclinação da cobertura do jn (foi sempre assim, inclinado) e o Dr Roberto mandava mudar as manchetes dos dois – para desespero dos filhos (eles não tem nome próprio) e do diretor do Globo, Evandro Carlos de Andrade.
Evandro fechava o jornal antes de ir jantar em casa – era o único diretor de jornal que jantava em casa, às 20h – e quando acordava, o jornal era outro.
Quando o Dr Roberto começou “a faltar”, Evandro chegou com um porrete na Globo (tinha sido promovido) e mandou ser “isento” com o painho.
De lá para cá, ACM virou painho na Globo.
Os filhos ingratos nem se lembram dos favores que receberam do Ministro das Comunicações de Sarney.
Nem da NEC, que painho mandou tirar do Mario Garnero (que ficou calado) para entregar ao Dr Roberto.
O painho agora é o Eduardo Campos, que dá de 10 a 0 em todos os jenios do PiG (*).
O PiG (*) não aguenta dois pernambucanos de talento numa geração só.
Lula e Campos é uma dose inaceitável.
O Estadão foi o pioneiro no preconceito: o primeiro a declarar que Campos não passava de um coronel moderno.
Pelo menos disse também que era “moderno”, observou Campos, na entrevista que deu a esse ansioso blogueiro.
E sobre os tucanos de São Paulo ?
Como chamá-los, depois de 17 anos no poder ?
De Marechais de Pinheirinho ?
Ou de coronéis obsoletos ?
Ou nem para coronéis servem ?
Já que se tornaram capitães do mato de Naji Nahas.


Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.