Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sionismo religioso: o fundamentalismo contra a paz


































Os fanáticos do sionismo religioso pregam a necessidade de construir um templo no lugar da atual Mesquita Al-Acqsa, terceiro lugar mais sagrado do Islã.

Leneide Duarte-Plon, de Paris




Eles esperam o Messias, cantam e dançam a cada novo metro de terra conquistada à força, são obcecados pelo problema demográfico, defendem a anexação pura e simples da Cisjordânia (que chamam de Judéia-Samaria) e se opõem a todos os que dizem buscar soluções políticas de paz, sejam políticos, sejam diplomatas. Seus líderes religiosos instigaram seguidores a pedir a morte de Itzak Rabin, que negociara com Shimon Peres e Arafat os Acordos de Oslo, em 1993. Logo apareceu um voluntário para executar o primeiro-ministro, visto como "traidor".

Eles são os fanáticos do sionismo religioso que seguem rabinos extremistas como HaCohen Kook e seu filho Yéhuda. São cada vez mais numerosos e pregam a iminente chegada do Messias e a necessidade de construir o templo no lugar da atual Mesquita Al-Acqsa, o terceiro lugar mais sagrado do Islã, cuja cúpula dourada pode ser vista de quase toda Jerusalém, cidade santa dos três monoteísmos. O local onde fica Al-Acqsa é conhecido pelos árabes como a Esplanada das Mesquitas e pelos sionistas como o Monte do Templo.

Alguns dos sionistas religiosos falam abertamente do plano de explosão da mesquita de 1300 anos, para dar lugar ao templo que, segundo a tradição judaica ortodoxa, ocupava aquele espaço. Arquitetos já têm o projeto pronto.

O jornalista e escritor Charles Enderlin, um dos maiores conhecedores do conflito Israel-Palestina, que cobre há longos anos, é o autor do extraordinário documentário “Au nom du Temple” (Em nome do templo), realizado em parceria com Dan Setton (a íntegra aqui).

O filme - que mostra a ascenção do sionismo religioso e seu combate contra todas as iniciativas de paz - foi foi feito há um ano e exibido pelo canal France2 apenas na terça-feira, 31 de março. Ficou engavetado no canal público e depois de muitas hesitações pôde finalmente ser exibido. Mas um pouco antes de meia noite, para evitar o grande público do horário nobre pois o filme incomoda os que preferem denunciar o fundamentalismo islâmico.

Os documentaristas recolheram testemunhos de sionistas religiosos e de seus críticos para contar como o Estado de Israel viu a direita "annexioniste" (um neologismo que funde as palavras sionista e anexação) se expandir até representar mais da metade dos eleitores e garantir a perenidade da política de colonização representada por governantes como Benjamin Netaniahu. O documentário rememora os últimos 20 anos da política israelense para mostrar como o país mergulhou numa espécie de messianismo fundamentalista.

Para o historiador Zeev Sternhell, "a esquerda não quis ver por covardia essa corrente ideológica e política enorme, poderosa, uma verdadeira torrente". Se os fundamentalistas resolverem atacar a mesquita de Jerusalém isso será visto como uma declaração de guerra ao Islã em geral, adverte Sternhell.
Pesquisas feitas em Israel mostram que 51% das pessoas acreditam que o Messias vai chegar e 67% pensam que o povo judeu é o povo eleito de Deus. Todos os indicadores revelam que o sionismo messiânico ganha terreno no país. O documentário mostra um grupo de fundamentalistas matando um cordeiro para sacrificá-lo num altar a ceu aberto, ritual que os judeus cumpriram desde o tempo de Abraão e mantiveram até dois mil anos atrás, ainda na época de Cristo.

O professor Matti Steinberg, ex-analista principal do Shin Beth (serviço de segurança interna israelense) afirma que o conflito pode transformar-se em guerra de religião. Ele argumenta que sunitas e xiitas se unirão para atacar o agressor do terceiro lugar mais sagrado da religião muçulmana. Ninguém sabe o que pode resultar desse ataque.

Ao falar dos 400 mil colonos israelenses que já ocupam 60% da Cisjordânia, o geógrafo palestino Khalil Toufakji diz, comparando um mapa de alguns anos atrás com o atual: "a solução do conflito com dois Estados não é mais viável".
O filme mostra que as iniciativas diplomáticas se chocam com a realidade de colonos nacionalistas determinadas a ocupar a Cisjordânia e impedir qualquer possibilidade de criação do Estado da Palestina. Os diferentes governos de direita fazem um jogo duplo se equilibrando entre o direito internacional e os colonos.

Os nacionalistas consideram Baruch Goldstein um herói pelo fato de ter matado 29 palestinos que rezavam numa mesquita em Hebron, em 1994. Na visão dos fanáticos, os palestinos, apresentados como "colonos árabes", é que são os ocupantes.

Reportagem feita pela televisão francesa mostrou há poucas semanas um grupo de militantes do Estado Islâmico, armados até os dentes. Um deles gritava que estavam lutando para em breve libertar Jerusalém dos sionistas.

Quando o combate político cede lugar aos dogmas religiosos, os fanáticos tomam o lugar dos diplomatas.

No que resultará o encontro dos dois fundamentalismos?




sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Ódio, preconceito e fanatismo que infestam Europa, germinam no Brasil


ódio capa

Costumamos olhar para tragédias como a que ceifou 12 vidas na cosmopolita Paris com um misto de alívio e distanciamento. Ao longo da vida, todos já ouviram e/ou proferiram a teoria de que “pelo menos não temos esse tipo de problema, no Brasil”.
Será mesmo?

Passeando pelas análises publicadas pela imprensa, pelas redes sociais e pela blogosfera brasileiras sobre o episódio Charlie Hebdo, pode-se extrair algumas conclusões básicas, necessárias a esta análise:

1 – A revista Charlie Hebdo, se não é de “extrema-esquerda”, ao menos é esquerdista.


2 – Apesar de “esquerdista”, a revista fustiga o Islã, cujo maior inimigo, atualmente, é a estrema-direita, inclusive a francesa, que quer expulsar os muçulmanos da França enquanto alardeia uma ridícula “islamização do Ocidente”.

3 – Apesar de as vítimas dos dois (?) fanáticos (pseudo) islâmicos serem esquerdistas, o atentado está favorecendo a extrema-direita europeia, talvez porque o anti-islamismo da revista se identifica com o da ultradireita francesa.

4 –  Muçulmanos de várias nacionalidades que hoje vivem na Europa acabam de se tornar alvos em potencial do extremismo xenófobo de direita que se agiganta no Velho Mundo – na França, por exemplo, Marine Le Pen, filha do líder de ultradireita Jean Marie Le Pen, da Frente Nacional (FN), lidera (!!) as pesquisas para a sucessão de François Hollande.

ódio 1

5 – Apesar de a Europa abrigar uma imensa população muçulmana, essa população vive acuada pelo ódio, pelo preconceito e pela intolerância de grande parte das populações europeias autóctones.
Foi justamente no continente europeu que eclodiram as piores guerras da era moderna, sendo, duas delas, guerras “mundiais”. E essas guerras que conflagraram as nações supostamente mais avançadas (socialmente) do planeta decorreram, em boa medida, da intolerância étnico-cultural-religiosa.

Desloquemo-nos, agora, milhares de milhas ao Sul do planeta, até uma nação imensa e ainda mais multiétnica do que as nações europeias. Uma nação onde o fascismo de ultradireita entrou em ascensão após os protestos tresloucados de junho de 2013.

O Brasil tem seus “muçulmanos”, ou seja, uma população “imigrante” e “estrangeira” em seu próprio país. O ódio aos nordestinos que viceja no Sul e no Sudeste do Brasil em muito se assemelha ao que vige contra muçulmanos na Europa.

A intolerância política, “racial”, cultural contra os nordestinos, assim como na Europa, vai crescendo também no Brasil, inclusive com outro ingrediente explosivo, a religião. Ainda que não tenhamos discriminação de religiões, no Brasil temos religiões que discriminam comportamentos e opções políticas.

Claro que ainda não chegamos ao ponto de graves confrontos físicos. Por conta disso, o título deste texto alude a que essas infestações ideológicas apenas “germinam” por aqui, mas germinam continuamente.

Grupos de ultradireita pregam o fim da democracia, proibição de partidos políticos, assassinatos e tortura de esquerdistas, repressão violenta a homossexuais, impunidade ao racismo etc., etc., etc.

Esse tipo de gente já foi minoria na Europa central moderna. Hoje, o mundo assiste, com preocupação, a possibilidade de a França eleger, para a sucessão de François Hollande, a filha de Jean Marie Le Pen…

O horror, o horror!

O ataque ao semanário Charlie Hebdo também providencia uma segunda reflexão: o papel da imprensa no aquecimento do ódio, do preconceito e do fanatismo. O poder da comunicação, acima de políticas de Estado, gerou a tragédia em Paris.

No Brasil, a comunicação tem sido responsável pelo recrudescimento do ódio político-ideológico. O vídeo abaixo revela um processo que germina no Brasil e que, para crescer ao ponto do europeu, precisa, apenas, de continuidade e tempo…

sábado, 9 de março de 2013

Jabuti não sobe em árvore: como Marco Feliciano foi parar na Comissão de Direitos Humanos



A triste história de um pastor homofóbico
 e racista e uma comissão desprestigiada.
Feliciano em ação na Câmara
Feliciano em ação na Câmara
Um ditado sábio diz que jabuti não sobe em árvore. Se está lá, alguém o colocou. Serve para a empresa em que você trabalha e para o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
Feliciano é barra pesada – mas antes disso vale a pena tentar entender como ele chegou aonde chegou. Foi eleito presidente com 11 votos, um a mais do que o necessário. O colegiado tem 18 parlamentares titulares.
A “distribuição” do comando das comissões vai de acordo com o tamanho da bancada de cada legenda. Os líderes partidários escolhem aquelas que sua sigla quer presidir. A CDH foi a penúltima a ser escolhida, o que dá uma dimensão de seu prestígio. “Não foi o PSC que quis a comissão”, disse o deputado André Moura. “Nós gostaríamos de permanecer presidindo a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Mas não foi possível”.
A CDH era chefiada pelo PT. O partido desistiu dela para pegar outras comissões e criou espaço para o aliado PSC, da bancada evangélica. Nunca se ouviu falar de nada que a CDH tenha feito em prol de ninguém. É mais ou menos como o Ministério da Pesca. Serve para acomodar políticos. Ela foi criada em 1995 e, de acordo com o site oficial, “recebe anualmente, em média, 320 denúncias de violações dos direitos  humanos”, a maioria referentes a detenções arbitrárias, seguidas de violência policial e violência no campo.
Mas lida com muito dinheiro, coisa a que o pastor Feliciano está acostumado. Um “programa de proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas” tem orçamento, em 2013, de R$ 35.863.432, com a proposta de uma emenda para aumentar para R$ 200.000.000. Outro programa, este de políticas para as mulheres, tem um valor de R$ 11.778.750,00.
Não é de hoje que Marco Feliciano tem posições firmes sobre homossexuais, mulheres e negros (ainda não se sabe o que ele acha dos índios, mas logo MF encontrará uma passagem bíblica dizendo que eles foram expulsos do bar porque Deus não aprovou suas tangas). Publicou no Twitter que “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato”. Escreveu que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição”.
Dono da igreja Avivamento, está sendo processado por estelionato. Recebeu R$ 13,3 mil para realizar dois cultos religiosos no Rio Grande do Sul e deu o cano. Alegou que ficou doente, mas na verdade estava se apresentando no Rio de Janeiro. A organizadora do evento pede R$ 100 mil de indenização. Também responde a ação no STF por homofobia.
Natural de Orlândia, interior de São Paulo, tem pinta de cantor de churrascaria, com cabelo lambuzado de gel, penteado para trás, e um mullet. O vozeirão é uma arma e ele sabe disso, como Tim Maia. Está em seu site: “Antes de ser cativado pela simpatia pessoal e pela simplicidade (sic), a oratória e a eloquência surpreendente marcam sua personalidade. Todos que têm a oportunidade de ouvi-lo ficam impressionados com a vastidão de seus conhecimentos e as profundas convicções humanistas defendidas com afinco”. Essa potência vocal pode ser apreciada no clássico vídeo em que MF exige saber a senha do cartão de um fiel, o hoje famoso Samuel.
Caso você tenha se interessado, para ser sócio da Avivamento é preciso pagar dízimos de R$ 30, R$ 60 ou R$ 100. Calma. De acordo com MF, está tudo no Evangelho de São Marcos, capítulo 4, versículo 3, que trata de Jesus em busca de semeadores.
Um homem de estilo
Um homem de estilo
Kiko Nogueira
No Diário do Centro do Mundo

terça-feira, 27 de março de 2012

O racismo a serviço do império euroamericano

Mauro Santayanna
Podemos talvez encontrar a origem do racismo, a partir do equívoco bíblico, de que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Levando a idéia ao pé da letra, nasceu a paranóia da intolerância ao outro. A imagem negra de Deus é a de seus deuses africanos, a imagem judaica de Deus é a de um patriarca hebreu, na figura de Jeová. Os muçulmanos não deram face a Alá, nem veneram qualquer imagem de Maomé, mas isso não os fez mais santos. Desde a morte de Maomé, seus descendentes e discípulos se separaram em seitas quase inconciliáveis, que se combatem, todas elas reclamando o legado espiritual do Profeta. Os muçulmanos, como se sabe, reconhecem Cristo como um dos profetas.
Os protestantes da Reforma também prescindiram de imagens sagradas, o que, sem embargo, não os impediu de exercer intolerância e violência contra os católicos, com sua inquisição – em tudo semelhante à de seus adversários.
Essa idéia que associa as diferenças étnicas e teológicas à filiação divina, tem sido a mais perversa assassina da História. Os povos, ao eleger a face de seu Deus, fazem dele cúmplice e protetor de crimes terríveis, como os de genocídio. O Deus de Israel, ao longo da Bíblia, ajuda seu povo, como Senhor dos Exércitos, a “passar pelo fio da espada” os inimigos, com suas mulheres e seus filhos. Quando Cortés chegou ao México, incitou os seus soldados ao invocar a Deus e a São Tiago, com a arenga célebre: “adelante, soldados, por Dios y San Tiago”.
Quando falta aos racistas um deus particular, eles, em sua paranóia, se convertem em seus próprios deuses. Criam seus mitos, como os alemães, na insânia de se considerarem os mestres e senhores do mundo. Dessa armadilha da loucura só escaparam os primitivos cristãos, mas por pouco tempo, até Constantino. A Igreja, a partir de então, se associou aos interesses dos grandes do mundo, e fez uma leitura oportunista dos Evangelhos.
A partir do movimento europeu de contenção dos invasores muçulmanos e do fanatismo das cruzadas, a cruz, símbolo do sacrifício e da universalidade do homem, se converteu em estandarte da intolerância. Nos tempos modernos, o símbolo se fechou – com a angulação dos braços, no retorno à cruz gamada dos arianos – em sinal definitivo e radical da bestialidade do racismo germânico sob Hitler.
Os fatos dos últimos dias e horas são dramática advertência da intolerância, e devem ser vistos em suas contradições dialéticas. O jovem francês que mata crianças judias e soldados franceses de origem muçulmana, como ele mesmo, é o resultado dessa diabólica cultura do ódio de nosso tempo aos que diferem de nós, na face e nas crenças. É um tropeço da razão considerar todos os muçulmanos terroristas da Al-Qaeda, como classificar todos os judeus como sionistas e todos alemães como nazistas. Ser muçulmano é professar a fé no Islã – e há muçulmanos de direita, de esquerda ou de centro.
Merah, se foi ele mesmo o assassino, matou cidadãos do moderno Estado de Israel, como eram as vítimas da escola de Toulouse, mas também muçulmanos do Norte da África, como ele mesmo. Os fatos são ainda nebulosos, e os franceses de bom senso ainda duvidam das versões oficiais, como constatou Teh Guardian em matéria sobre o assunto.
Em El Cajon, nas proximidades de San Diego, na Califórnia – uma comunidade em que 40% de seus habitantes é constituída de imigrantes do Iraque, uma senhora iraquiana, que morava nos Estados Unidos há 19 anos, foi brutalmente assassinada, com o recado de que, sendo terrorista, depois de morta deveria voltar para o seu país. O marido, também iraquiano, é, por ironia da circunstância, empregado de uma firma que assessora o Pentágono na preparação psicológica dos militares que servem no Oriente Médio. E também nos Estados Unidos, na Flórida, um vigilante de origem hispânica (embora com o sobrenome significativo de Zimmermann, bem germânico) matou, há um mês, um jovem de 17 anos, Travyon Martin, provocando a revolta e os protestos da comunidade negra.
Em Israel, o governo continua espoliando os palestinos de suas terras e casas e instalando novos assentamentos para uso exclusivo dos judeus. O governo de Telavive não reconheceu a admoestação da ONU de que isso viola os direitos humanos essenciais. Os Estados Unidos votaram contra a advertência internacional a Israel. Como se vê os direitos humanos só são lembrados, quando servem para dissimular os reais interesses de Washington e de seus aliados e dar pretexto à agressão a países produtores de petróleo e de outras riquezas, como ocorreu com o Iraque, a Líbia e o Afeganistão.
Os episódios de intolerância se multiplicam em todos os países do mundo – e mesmo entre nós. No Distrito Federal, segundo revelações da polícia, um grupo de neonazistas mantinha célula terrorista há cerca de trinta anos, associada a outros extremistas de todo o país. Na madrugada de 28 de fevereiro deste ano, em Curitiba, vinte jovens neonazistas assassinaram um rapaz de 16 anos, a socos, pontapés e facadas. O principal executor, um estudante de direito, foi escolhido para cumprir ritual de entrada no grupo, como prova de coragem. A coragem de matar um menino desarmado. Também em Curitiba e em Brasília foram presos dois racistas, que usavam a internet para expor as suas idéias fascistas e incitar a violência contra ativistas femininas, homossexuais, negros e nordestinos.
Enquanto não aceitarmos a face morena de Jesus, como a mais próxima da face do Deus – criada para dar transcendência ao mistério da vida – o deus que continuará a dominar a nossa alma será Tanatos, o senhor da morte.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Cerra lança candidatura em ato religioso. Bye-bye Aécio


 
Saiu na pág. A8 do Estadão:

“Evento religioso reúne Kassab a tucanos em SP”


“Na largada das eleições, Alckmin e Serra prestigiam festa realizada no Estádio do Pacaembu …”

O prefeito Kassab, o governador Alckmin e o Padim Pade Cerra “assistiram à celebração em cadeiras reservadas na primeira fileira de autoridades religiosas no palco montado no gramado…”


Cerra segue o script da campanha de 2010, que lhe valeu, na Carta Capital, artigo esclarecedor do professor Wanderley Guilherme dos Santos: Cerra saiu da eleição derrotado, mas detentor do espólio da extrema direita brasileira.
Na campanha de 2010, Cerra foi a um evento religioso em Foz do Iguaçu – acompanhe neste vídeo comovente – e se associou àqueles que se incentivam a homofobia.
Nessa edificante campanha, no dia 14 de setembro de 2010, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, acompanhada de Índio da Costa (vice de Cerra), Monica Serra dizia “Sou a mulher do Serra e vim pedir o seu voto”.
“A professora (Monica Serra) afirmou que a petista é a favor do aborto.”
“Ela é a favor de matar as criancinhas”.
A reprodução deste luminoso episódio está no excelente livro “Crime de Imprensa” – “um retrato da mídia brasileira murdoquizada”, de Palmério Dória e Mylton Severiano, da Editora Plena, na página 103.
Dória e Severiano contam, também, em detalhes, como Sheila Ribeiro desmascarou Monica.
Quando professora de Sheila, Monica confessou que tinha feito aborto no Chile, casada com Cerra.
Como se sabe, o Padim Pade Cerra já anunciou que é candidato.
Coitado Aécio Never – o que antes de ser nunca foi.

Em tempo: o problema do Cerra e dos tucanos é a água. A água da chuva, que deixa a boiar a incompetência dos tucanos, que governam São Paulo há 17 anos. Onde foi parar o dinheiro para limpar os rios de São Paulo ?, esses que transbordam com um pingo d’água ?


Paulo Henrique Amorim

sábado, 16 de outubro de 2010

" ISSO É UMA PROFANAÇÃO" --01 SERRA INVADE MISSA NO CEARÁ, TOMA VAIA E OUVE REPÚDIO DO CELEBRANTE

Cristãos começam a reagir ao oportunismo religioso de Serra. A presença do candidato do conservadorismo nativo na missa da festa de São Francisco, em Canindé (CE), neste sábado, pode ter sido um ponto de inflexão. A festa é o grande evento religioso da cidade, onde acontece a maior romaria da América Latina, em homenagem a São Francisco. Quando chegou, Serra foi vaiado do lado de fora por manifestantes pró-Dilma. O candidato chegou a ser empurrado num início de conflito. "Gostaria que a missa não fosse tumultuada com os políticos que aqui chegaram, por favor. Se vieram com outra intenção, peço que saiam assim como entraram. Isso é uma profanação", advertiu o celebrante olhando fixamente para a fileira da frente onde já se encontra o tucano. Perto do fim da missa, o frade exibiu um panfleto contra Dilma e foi mais duro ainda: "Acusam a candidata do PT em nome da igreja. Não é verdade. A plateia aplaudiu. "Não está autorizada essa coisa. A igreja não está autorizando essas coisas".


PROFANAÇÃO --02 

Dois milhões e 100 mil panfletos contra Dilma Rousseff, com assinatura falsa da CNBB, estavam sendo rodados em uma gráfica em SP, descoberta pelo PT. Os responsáveis pela Pana Editora e Gráfica afirmam que o material foi encomendado pelo bispo Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, da diocese de Guarulhos-SP. Perguntas que precisam ser respondidas: 1- Desde quando o bispo de Guarulhos tem dinheiro para imprimir dois milhões de panfletos apócrifos? 2-Quem pagou? 3- De onde veio o dinheiro? 4- Em que conta da diocese ele foi depositado? 5-Quem orientou o uso da assinatura da CNBB no panfleto? Quem está instrumentalizando a diocese de Guarulhos contra Dilma Rousseff em São Paulo? Com a palavra a operosa Polícia Federal de SP e a não menos operosa vice-procuradora-geral do TSE, Sandra Cureau.


INDIGNAÇÃO NAS UNIVERSIDADES 


INTELIGENCIA BRASILEIRA SE UNE CONTRA UM RETROCESSO CHAMADO SERRA 

Intelectuais e artistas brasileiros se mobilizam em todo o país em manifestações de protesto e indignação contra as metas e os métodos adotados pela candidatura do conservadorismo brasileiro. Circulam pelas universidades e na Internet o Manifesto dos Reitores contra Serra; o Manifesto dos Professores de Filosofia contra Serra; o Manifesto dos Artistas e Intelectuais contra Serra. O mais recente documento, que ontem já reunia cerca de 680 assinaturas, é o manifesto dos professores universitários que abre com a seguinte frase: "Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. ( leia a íntegra)

Aluna que denunciou mulher de Serra é perseguida



     
À direta, o casal Serra ora para Nossa Senhora da Aparecida

Conversa Afiada reproduz e-mail em que Sheila Ribeiro relata as ameaças que passou a sofrer, desde que a denuncia ganhou repercussão, esta manhã.

Sheila revelou que Monica Serra, sua professora, contou na sala de aula que tinha feito um aborto no Chile

Neste e-mail, Sheila revela um dos muitos e-mails ofensivos que recebeu.

E a resposta que deu: 

Oi …

não vou mais responder as pessoas.

eu e o massimo não vamos revelar absolutamente onde moramos.

vou parar de falar com estranhos.


Em 16 de outubro de 2010 10:12, Sheila Ribeiro escreveu:

O. D.  October 16 at 11:08am

E guria, conseguiu o que queria, não? Porque ao invés de fofocar da vida dos outros, não fala o que vc faz no banheiro? Seria mais educado, sua aproveitadora.


Sheila Canevacci Ribeiro October 16 at 11:10am

eu já era famosa.

e o que eu faço no banheiro não tem responsabilidade pública.

tente entender.

obrigada.

QUERIDOS jornalistas,

não aguentei e respondi.


Em tempo: Últimas atualizações do Limpinho & Cheiroso:

Privatizações: Como FHC e Serra venderam o Brasil
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/privatizacoes-como-fhc-e-serra-venderam.html

Lula, chame o FHC agora para comparar os dois governos
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/lula-chame-o-fhc-agora-para-comparar-os.html

http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/comparacoes-fhc-x-lula-colocando-na.html

Serra e o ódio aos nordestinos
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/serra-e-odio-aos-nordestinos_15.html

Serra: Amnésia, incoerência, preconceito e cabeças de jornalista
A jornalista Maria Inês Nassif, do Valor Econômico, é o próximo alvo de São José da Mooca, o santo homem do bem.
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/serra-amnesia-incoerencia-preconceito-e.html

E aí Mônica, quem mata criancinha?
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/constrangedor-dois-momentos-na-vida-de.html

Senadora Marina, pela honra de Chico Mendes, apoie Dilma, Emir Amed
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/senadora-marina-pela-honra-de-chico.html

DEM, um partido a sumir do mapa, Maria Inês Nassif
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/dem-um-partido-sumir-do-mapa.html

Boateiros têm nome e sobrenome: e-mails contra Dilma partiu da extrema direita, Rodrigo Vianna
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/boateiros-tem-nome-e-sobrenome-e-mails.html

Católicos e evangélicos declaram voto em Dilma Rousseff
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/catolicos-e-evangelicos-declaram-voto.html

Remédios genéricos: Serra mente!, Altamiro Borges
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/remedios-genericos-serra-mente.html

Portal Terra diz que Marina votará na Dilma, mas, logo em seguida, altera o texto. Autocensura?
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/portal-terra-diz-que-marina-votara-na.html

A santíssima trindade dos homens de bem, Gilson Caroni Filho
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/santissima-trindade-dos-homens-de-bem.html

Um País dividido, Eduardo Guimarães
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/um-pais-dividido.html

Ato no RS pró-Dilma denuncia: campanha sórdida e golpista pode provocar ruptura política, Marco Aurélio Weissheimer
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/ato-no-rs-pro-dilma-denuncia-campanha.html

O caluniador: a figura da barbárie
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/o-caluniador-figura-da-barbarie.html

Conversa Afiada recebe o currículo e a ficha de José Serra
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/10/conversa-afiada-recebe-o-curriculo-e.html

Silas Malafaia: evangélico ou fascista?


via Esquerdopata

Malafaia, fascismo ou fundamentalismo religioso?
Por Aldo Cardoso

Quem ainda não assistiu o Silas Malafaia na Band, convido a fazê-lo com os olhos e ouvidos de um observador crítico para conhecer o que é um autêntico loquaz religioso. Mais do que tentar impressionar, sua linguagem busca prender pela atemorização que infunde através de uma loquacidade quase sempre agressiva. Se verdade, lábia, sofismas, retórica, não os discuto.

Como ardiloso manipulador das palavras, usa-as para cativar as mentes ingênuas com vistas a atingir seus fins que, geralmente, não guardam nenhuma correlação com os objetivos do Evangelho. Vaidoso, acha-se o centro do mundo e não admite concorrência, somente bajuladores e serviçais

Neste ponto devo realçar que a Globo, principalmente a Globo, deveria saber que num hipotético governo refém de cabeças como as do Malafaia, ela não terá mais a mesma liberdade que tem hoje para pautar a todos como faz e nem para a sua programação libertina. Também não concordo com a Globo e seus parceiros de mídia, mas o Malafaia e seu consórcio clerical não busca mais do que uma primeira evidência de que pode ditar seu rumo obscurantista, em interesse próprio, para poder levar o País ao mediavelismo e retrocesso de vida em todos os sentidos. Encarnando um lacerdismo enviesado, e engajado partidariamente, é uma ameaça concreto à ordem e ao estado brasileiro laico.

Digo isso como pastor da mesma denominação que ele, Assembléia de Deus, mas que se opõe frontalmente às suas práticas midiáticas mercantilistas, ao estilo arrogante, irreverente e desafiador a tudo e a todos. Sua aparente intolerância não é por princípios ou convicção, mas por oportunismo e conveniência a serviço de esquema que lhe interessa. Atua no lado oposto do modelo bíblico de pastor, com o qual não tem nada a ver; não tem nenhuma semelhança, antes expõe de modo vexatório a sua imagem recatada e amigável com suas atitudes extremistas, exacerbadas.
Amante de si mesmo, ser visto e reconhecido pelos homens é o seu alvo permanente, o que busca de forma ávida até com métodos do submundo e independente de qualquer preço, como são exemplos os outdoors que espalhou no Rio de Janeiro e as mídias infamantes contra a Dilma e o PT que vem disseminando por aí. Há de se perguntar: d'onde veio o dinheiro que financiou essa delinqüência criminosa, aviltante?!

Tornou-se mais um desses negociadores da fé que tem surgido aqui e ali enganando as pessoas simples, crédulas e de boa fé. Que não se engane quem lhe dá crédito de guia espiritual porque não é da sua alma que cuida, antes, lhe usa pelo tilintar das moedas e na hora que lhe convir nada e ninguém lhe têm importância além do ponto de utilidade que lhe reservou no seu xadrez interesseiro, senhorial, absolutista.

Silas Malafaia é isso: um nocivo e perigoso engodo religioso, pseudo-evangélico, a ser evitado por quem preza a sua alma e também o seu bolso. Não se peja de ser uma face visível do iceberg subversor e desestabilizador de um processo eleitoral que, como exemplo, deveria respeitar e zelar.

Aldo Cardoso
Pastor Evangélico – Assembléia de Deus – Goiânia Goiás


Leia mais em: ¹³ O ESQUERDOPATA ¹³ 

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dilma aos evangélicos: é contra o aborto, respeita a lei e denuncia a sordidez do Serra


MENSAGEM DA DILMA


Dirijo-me mais uma vez a vocês, com o carinho e o respeito que merecem os que sonham com um Brasil cada vez mais perto da premissa do Evangelho de desejar ao próximo o que queremos para nós mesmos. É com esta convicção que resolvi pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários eleitorais. Para não permitir que prevaleça a mentira como arma em busca de votos, em nome da verdade quero reafirmar:

1. Defendo a convivência entre as diferentes religiões e a liberdade religiosa,assegurada pela Constituição Federal;

2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto;

3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.

4. O PNDHU é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família;

5. Com relação ao PLC XYY, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais e individuais existentes no Brasil;

6. Se Deus quiser e o povo brasileiro me der, a oportunidade de presidir o País, pretendo editar leis e desenvolver programas que tenham a família como foco principal, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e tantos outros que resgatam a cidadania e a dignidade humana.

Com estes esclarecimentos, espero contar com vocês para deter a sórdida campanha de calúnias contra mim orquestrada. Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós. Minha campanha é pela vida, pela paz, pela justiça social, pelo respeito, pela prosperidade e pela convivência entre todas as pessoas.


Dilma Rousseff


FHC crê em Deus tanto quanto em monogamia. Serra é o contrário




Na Folha (*) de hoje, na pág. 2, no espaço do Clovis Rossi, há um monumento à hipocrisia tucana (de São Paulo).

É a reprodução de uma resposta de Fernando Henrique Cardoso na campanha para prefeito de São Paulo, em 1985 – aquela que o IBOPE garantiu que ele tinha vencido e ele sentou na cadeira de prefeito.

O entrevistador Boris Casoy perguntou a FHC se ele acreditava em Deus.

FHC, o maior dos Tartufos do Panteon tucano, respondeu:

“Eu respeito a religião do povo, as várias religiões do povo, automaticamente estou abrindo uma chance para a crença em Deus.”

A Folha chama Serra de “neocarola”.

É mais do que isso.

Segundo o Ciro, isso não tem nada a ver com uma súbita conversão do Serra ao fundamentalismo cristão – um neo-carolismo.

É calhordice, mesmo: explorar o aborto para ganhar a eleição.

Agora, o Farol de Alexandria quer, segundo o Estadão, enfrentar o Lula “cara-a-cara”.

Ele quer que o Lula dê a ele o que o seu candidato não dá: tempo de tevê.

Lula e FHC se enfrentam todo dia no horário eleitoral.

A Dilma, ontem, quinta feira, enfatizou a performance entreguista do Governo Serra/FHC: eles venderam tudo.

E só não venderam a Petrobrax porque não deu tempo.

E agora, com o ex-genro do FHC no papel de Assessor Máximo de Serra, FHC e Serra querem entregar o pré-sal.

O cotejo se trava nas comparações mais elementares, como nessa balança tão simpática, em queLula dá de 10 a 0 no FHC.

O máximo que FHC deve fazer nessa eleição é dar curso à sua devoção a Nossa Senhora da Aparecida, andar até lá, a pé mesmo, e rezar o terço, para que seu filhote tenha uma derrota minimamente honrosa.

E ele, FHC, não seja obrigado mais a falar em Deus e aborto.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Carlos Neder: Quem ganha com esta campanha suja e difamatória?


No afã de ganhar o que considera a eleição de sua vida, porque Aécio Neves está na fila e a idade já não lhe permite outras oportunidades, a campanha de José Serra desceu a níveis inimagináveis.


Por Carlos Neder*

Impossível que tenha chegado a tal degradação sem o seu aval e de seus colaboradores mais diretos. Método que reforça na população o sentimento de que a política está superada como prática edificante, o que poderá se traduzir em níveis de abstenção e anulação de votos nunca vistos! Assim, nos perguntamos sobre quem ganha com esta campanha de tão baixo nível. Como Marina Silva disse, há o risco de perder perdendo. O que não foi o caso dela! Ou de ganhar perdendo, em termos de valores, de estatura política e de dignidade.

Se por hipótese, e mesmo após esse tipo de campanha, Serra venha a ganhar, ainda que por uma pequena margem de votos, o estrago terá consequências por um tempo que irá muito além do mandato presidencial. Um desserviço à cultura da cidadania ativa e uma profunda divisão no seio da sociedade, que levará muito tempo para cicatrizar. E aqui não se trata de um apelo para que se arrefeça o sentido da oposição ao Governo Lula ou às plataformas de Dilma, mas que ela se faça apoiada em programas, projetos e denúncias consistentes. O resvalar de sua campanha para um enfoque enviesado acerca de temas caros a quem lutou contra a ditadura militar, como direitos humanos, das mulheres, negros, dos jovens, LGBTT, dos pobres e de melhor escolaridade, para citar alguns tão em voga em sua propaganda, quase sempre anônima e apócrifa, não condiz com a imagem pública que procurou cultivar e revela, isto sim, um seu lado mais do que nebuloso: sórdido!

Falo com a legitimidade de quem vem de uma família que militou e sofreu as consequências de ter vários de seus membros presos por terem sido filiados ao Partido Comunista. E ontem como hoje, quem diria, vimos assacarem o falso argumento de que queríamos matar as criancinhas brasileiras. Falo em nome dos que dedicaram suas vidas à viabilização de políticas públicas de inclusão social, ontem caracterizadas como subversivas diante da ordem instituída e hoje como equivocadas para quem deseja um outro perfil de desenvolvimento do país, que não o adotado pela equipe de Lula e majoritariamente elogiado nas pesquisas de avaliação do seu governo. Com a credibilidade de quem, em sua atuação parlamentar, fiscalizou atos de governos do próprio PT (nas áreas de saúde, informática e outras) e de partidos adversários (Frangogate, Detran, contratos superfaturados, etc.), mas sempre apoiado em dados consistentes e sem difamar o oponente.

Dessa maneira, conclamo ambas as candidaturas presidenciais, neste 2º turno, a que o tempo restante seja utilizado para debater ideias e projetos estratégicos que dignifiquem o país e o exercício da política. E que os apoiadores de minha candidata e de milhões de outros brasileiros e brasileiras, Dilma Rousseff, não caiam no erro de reagir utilizando meios tão deploráveis quanto os do nosso adversário. Que as denúncias de práticas ilícitas, se houver, sejam assumidas à luz do dia e por quem as faz e que delas se extraiam ensinamentos para fazer avançar ainda mais a democracia no país. Que possamos dignificar a ação política e reconhecer méritos nas propostas apresentadas pelos diferentes partidos e candidatos, incluindo as que foram defendidas por Marina Silva, Plínio de Arruda Sampaio e mesmo por nosso adversário nesta fase do pleito eleitoral.


*Carlos Neder é deputado estadual pelo PT/SP