Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 24 de julho de 2012

Cuba, o partido e a fé EM BUSCA DE UMA NOVA LITURGIA

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por Janette Habe



 Le Monde Diplomatique

Destinado a “atualizar o socialismo”, o processo de reformas levado a cabo pelo presidente cubano Raúl Castro o conduziu a escolher um interlocutor completamente inesperado: a Igreja Católica
  
Em centenas de cartazes agitados pela multidão, uma mesma mensagem: “Boas-vindas à Sua Santidade, o papa Bento XVI”. Estamos em Santiago de Cuba, bastião histórico das guerras de independência, onde o papa celebra uma missa para 200 mil pessoas. Entre os dias 26 e 28 de março, pela segunda vez em catorze anos, o mais alto dignitário da Igreja esteve em visita a um país que outrora teve seu líder histórico excomungado.

Em Cuba, o clero, única instituição nacional independente do governo, não é um interlocutor como qualquer outro. Aquilo que o diplomata Philippe Létrilliart classifica de “concorrência de universalismos”1 – catolicismo e castrismo – tem pouco a pouco dado lugar a uma coexistência pacífica. O político e o religioso agora precisam entrar em acordo. Sentado na primeira fila, durante a cerimônia celebrada por Bento XVI em Santiago de Cuba, Raúl Castro – à frente de um delicado processo de reformas e liberalização econômica – fez da reaproximação com a Igreja um dos eixos de sua presidência. Política que provoca ranger de dentes não apenas nas fileiras do Partido Comunista de Cuba (PCC), mas também entre cristãos e dissidentes.

“Desde a mudança da presidência, há quatro anos”,2 observa o cardeal Jaime Ortega, líder da Igreja em Cuba, “novos ministros e funcionários foram empossados. Uma enorme reforma econômica está em andamento. Ela atinge a agricultura, a construção de moradia, a legalização do trabalho independente, o crédito, a compra e a venda de casas e automóveis e a criação de pequenas empresas privadas”.3 Justamente o que a Igreja pedia em suas preces: “Há muito tempo dizíamos que era preciso mudar o modelo social, econômico, jurídico e político”, observa um editorial da revista católica Espacio Laical (out. 2010), que está no centro dos debates ideológicos e políticos, inclusive os mais delicados. Diante das desigualdades acentuadas pelas atuais reformas e pelo agravamento da pobreza, a Igreja tem algumas armas a oferecer. Com uma rede humanitária nos bairros pobres, ela se encarrega da distribuição de medicamentos e da organização de restaurantes populares. E, favorável à abertura econômica, eis que oferece cursos de contabilidade e informática aos pequenos empreendedores que o Estado tanto sonha ver.

A aproximação entre o partido e a Igreja também resulta de um aggiornamento da hierarquia católica, iniciado em 1986 no Encontro Nacional Eclesiástico Cubano. Para Enrique López Oliva, católico e professor de História das Religiões, “o episcopado cubano está agora dominado pelos partidários da negociação: uma nova geração que não participou dos conflitos das décadas de 1960 e 1970”, e que se distanciou da dissidência e dos cristãos engajados no combate ao regime. Para o cardeal Ortega, “a Igreja não tem por vocação ser o partido de oposição que falta a Cuba”. Lenier Gonzalez, jovem editor da Espacio Laical, confirma: a credibilidade da Igreja “vem do fato de que ela soube manter-se longe do governo cubano, da oposição interna, dos cubanos exilados e do governo norte-americano”.



Idas e vindas

Mas o incômodo, e até desacordo, é evidente entre alguns fiéis. Oswaldo Payá, à frente do Projeto Varela (que coletou mais de 11 mil assinaturas para exigir a revisão da Constituição) e vencedor do Prêmio Sakharov em 2002, considera que a voz da Igreja foi confiscada pela Espacio Laical, que, direta ou indiretamente, apoia o governo. Posição que não é unânime entre o “povo de Deus”: “Jaime [o cardeal Ortega] é meu pastor, eu o respeito, mas ele tem uma orientação política da qual não compartilho. Para ele, é preciso confiar em Raúl e apoiar as mudanças em curso. Isso é uma posição política”.4 O episcopado realmente tem dado muitos sinais de moderação. As “Damas de Branco”, que protestam contra o regime brandindo gladíolos pelas ruas de Havana, aos gritos de “Liberdade, liberdade”, não tiveram direito ao “minuto de audiência” solicitado a Bento XVI, quando este se encontrou com Fidel Castro, o amaldiçoado dos dissidentes. E foi o cardeal quem pediu que a polícia interviesse para acabar com a ocupação de uma igreja em Havana pelos opositores que queriam pressionar o papa.

Mas o clero cubano enfrenta muitas dificuldades. A primeira é o baixo envolvimento dos fiéis: 1% da população da ilha frequenta regularmente a missa de domingo. A segunda é o crescimento de cultos afro-cubanos. A repercussão, por meses, da procissão da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira mestiça de Cuba, evidencia uma religiosidade sincrética. Os líderes católicos querem integrá-la, até anexá-la, mas sem aceitar seus ritos. Terceira dificuldade: o crescimento das Igrejas evangélicas. Nesse contexto, a Igreja “não aspira a recuperar privilégios passados”, garante Jorge Cela, ex-superior da Companhia de Jesus em Cuba, nomeado presidente da Conferência dos Jesuítas da América Latina. Além de provavelmente sonhar em engrossar suas fileiras, “ela deseja simplesmente que seus fiéis encontrem um lugar em uma sociedade plural”.

A Igreja já conseguiu muita coisa. O governo restituiu-lhe imóveis confiscados na revolução de 1959. Em novembro de 2010, o cardeal Ortega inaugurou, na presença do presidente Castro, as novas instalações do Seminário San Carlos, onde se formam futuros sacerdotes, cujo número tem aumentado. O seminário também abriga o Centro Félix Varela, local de debate no qual às vezes se encontram oponentes. Num país em que nem os militantes críticos do PCC podem publicar suas opiniões no jornal do partido, a Igreja dispõe de uma rede de publicações ligadas às dioceses e paróquias (com cerca de 250 mil leitores) e de duas dezenas de mídias digitais. Mas gostaria de ter acesso regular à televisão e ao rádio. E, para o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, “ainda falta resolver o importantíssimo problema da escola”.5 A integração da educação católica ao serviço público é uma prioridade para o episcopado, que sonha em poder ensinar teologia e humanidades nas universidades. “O Estado deve reconhecer à Igreja o papel que lhe cabe na sociedade”, avalia o padre Yosvani Carvajal, reitor do Centro Félix Varela. Castro anunciou: a Sexta-Feira Santa passará a ser feriado.

O lugar dado à Igreja não é unanimidade dentro do PCC, no qual alguns entendem que a estratégia de Castro os enfraquece. Ao transformar a Igreja em mediador legítimo, o presidente cubano levou seu governo a aceitar “concessões possíveis, porém difíceis, muito difíceis de assumir de maneira direta”, resume o sociólogo Aurelio Alonso.6 Um exemplo: em 2010, diante de uma campanha midiática internacional para obter a libertação de 75 presos após a morte do dissidente Orlando Zapata, ao fim de uma greve de fome de 85 dias, o aparelho do PCC viu-se ainda mais desamparado quando outro opositor também começou um perigoso jejum. A Igreja permitiu então que o governo saísse da confusão organizando “entre cubanos” a libertação dos referidos prisioneiros, chegando a participar das negociações com a diplomacia espanhola.



O lugar do Partido Comunista

Os quadros do PCC entenderam muito bem – e alguns temem isto: o lugar da Igreja a partir de agora exige que se reflita sobre o lugar do partido (único) no cenário político. A conferência do PCC realizada em janeiro de 2012 deveria modernizar suas operações e renovar sua direção, aumentar seu prestígio e colocá-lo em ordem de batalha para enfrentar os desafios das reformas econômicas anunciadas há um ano. Embora a reunião tenha confirmado a limitação dos mandatos políticos a dois exercícios de cinco anos e a composição do Comitê Central deva ser renovada em 20% até o próximo congresso (cuja data não foi definida), ela está longe das mudanças anunciadas. Ocorre que o presidente tem 81 anos, e seu sucessor, segundo a Constituição, o número dois do governo, Machado Ventura, logo terá 82... “Renovar a direção do partido” é uma tarefa delicada “na ausência da sucessão geracional”, comentou Castro durante o VI Congresso do PCC, em 2011, parecendo esquecer que ele mesmo afastou dois dos principais dirigentes quinquagenários que poderiam sucedê-lo, Carlos Lage e Felipe Perez Roque, em 2009. Estaria ele considerando uma “mudança” que não passe mais exclusivamente pelo partido?

Cresce o fosso entre o PCC e a população, especialmente nas gerações mais jovens: as questões que ele coloca em nome do povo que deveria representar como “Partido da Nação” não são aquelas que preocupam a maioria dos cubanos. O partido fala em “atualizar o socialismo”; a rua, nas mil e uma maneiras de sobreviver.7 As mídias oficiais praticam um jargão que não diz nada – o teque teque, como dizem os cubanos –, enquanto as discussões abundam em revistas e sites, embora de acesso limitado (apesar da instalação, no ano passado, de um cabo submarino entre a Venezuela e a ilha). Incapaz de promover uma democratização do sistema, a máquina do partido vê sua credibilidade enfraquecer, ainda que Castro tenha o cuidado de sempre relembrar seu lugar “central”.

Apesar de o católico Roberto Veiga criticar “a burocracia que reina sobre o Estado e a sociedade”, os membros mais prudentes do clero não questionam a existência do partido único. Para monsenhor Carlos Manuel de Céspedes, vigário-geral de Havana e conselheiro de redação da Espacio Laical,8 “o partido único não se aborrece com a democracia, assim como o pluripartidarismo não garante seu funcionamento adequado. Mas para que o partido único permita uma democracia real, ele deve funcionar de maneira transparente e aceitar a livre discussão de todos os problemas”. Um pluralismo que a Igreja já pratica em suas revistas.



Aliança para a transição?

Reformar o antigo sistema e “salvar a revolução” supõe assim uma refundação ideológica e espiritual: “A pátria e a fé”, título de um artigo do jornal da juventude comunista Juventud Rebeldede 17 de março de 2012, será o novo credo. Segundo o jornal, “a unidade entre o pensamento revolucionário, a fé e os crentes está enraizada nos próprios alicerces da nação. O amor à pátria e a luta por uma sociedade mais justa não são contraditórios com uma concepção da vida que acredita na transcendência”. Ex-dirigente do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic) e personalidade histórica da revolução, Alfredo Guevara acrescenta: “Nesta imensa catedral que é a pátria, é preciso inventar uma liturgia para mobilizar as consciências”. Para ele, “a Igreja é um centro de elaboração intelectual, [...] um parceiro maravilhoso para semear a diversidade necessária ao desenvolvimento do país”.9

A transição cubana também se faz do outro lado do estreito da Flórida. Tudo indica que o governo vê com bons olhos a participação dos emigrados na mudança. O cardeal Ortega visitou Washington para pedir a flexibilização das sanções contra Cuba. Comentário do Washington Post, em 25 de março de 2012: “O cardeal cubano transformou-se em real parceiro de Raúl Castro”. A anticastrista Rádio Martí, em Miami, o chamou de “lacaio” (5 maio 2012). “A oligarquia da diáspora sonha com o colapso do país e trabalha para isso”, analisa Veiga. Assim, qualquer coisa que possa facilitar uma mudança comandada por Havana exaspera os exilados. O Vaticano, por sua vez, apoia o clero cubano, que poderia, segundo ele, encarnar um renascimento religioso, símbolo da reconciliação, fraternidade e defesa da soberania nacional. De Roma, a Igreja cubana é vista como mais bem colocada do que outras para enfrentar a concorrência dos protestantes e pentecostais.

Ainda que a palavra “transição” não seja dita, é possível imaginar a Igreja trabalhando em acordo com as Forças Armadas – que administram os setores-chave da economia – para prepará-la, de maneira não violenta e numa perspectiva de normalização com a diáspora? Como escreveu Max Weber, “entre o poder político e o poder religioso, a relação adequada é a do compromisso e da aliança com vistas a uma dominação comum, por uma delimitação de suas respectivas esferas”.10


Janette Habel é professora-doutora na Universidade de Marne-la-Vallée e no Instituto de Altos Estudos da América Latina (Institut des hautes études d'Amérique latina - IHEAL), de Paris.

Ilustração: Gabriel K.


1 Philippe Létrilliart, Cuba, l’Église et la révolution [Cuba, a Igreja e a revolução], L’Harmattan, Paris, 2005.
2 Raúl Castro tornou-se oficialmente presidente no dia 24 de fevereiro de 2008, após ter sido nomeado presidente interino em 31 de julho de 2006, em razão dos problemas de saúde de seu irmão Fidel.
3 L’Osservatore Romano, Cidade do Vaticano, 25 mar. 2012.
4 Citado por Fernando Ravsberg em seu blog Cartas desde Cuba (www.cartasdesdecuba.com), 27 mar. 2012.
5 La Stampa, Roma, 22 mar. 2012.
6 Espacio Laical, Havana, out.-dez. 2010.
7 Ler Renaud Lambert, “Ainsi vivent les Cubains” [Assim vivem os cubanos], Le Monde Diplomatique, abr. 2011.
8 Trineto de seu avô epônimo, o Pai da Pátria, que proclamou a independência de Cuba e libertou os escravos para lutar contra o domínio espanhol.
9 Espacio Laical, out.-dez. 2011.
10 Max Weber, Sociologie des religions [Sociologia das religiões], Gallimard, Paris, 1996, citado por Philippe Létrilliart, op. cit.






 









quarta-feira, 21 de março de 2012

Apóstolo se torna homem bom pela força da fé

Hosana! Aleluia! Alvíssaras! Bendito são aqueles que entram na seara do homens bons pela força da fé pois as sendas do bem estão sempre abertas para os que creem em um novo porvir, sem obstáculos, porque a fé remove milhões daqueles que seguem a verdade cristalina de tão iluminado pastor.
Como não podia deixar de ser, já começou a perseguição comunista contra aqueles que obtêm prosperidade e sucesso pela livre empresa, mas não há de ser nada uma vez que os ímpios não deterão mais esse humilde servo da vinha do Senhor. Alvíssaras!
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quarta-feira, 16 de março de 2011

A SANTA MÁFIA


Josemaría Escrivá (falecido), fundador da seita, junto aGeraldo Alckmin e ao assumido direitista raivoso, Boris Casoy, dois féis seguidores, no Brasil.

Altamiro Borges (Miro), jornalista e escritor
Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. O jovem sacerdote de 26 anos diz ter recebido a “iluminação divina” durante a sua clausura num mosteiro de Madri. Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um “fanático e doente mental”, decidiu montar uma organização ultra-secreta para interferir nos rumos da Espanha. Segundo as suas palavras, ela seria “uma injeção intravenosa na corrente sanguínea da sociedade”, infiltrando-se em todos os poros de poder. Deveria reunir bispos e padres, mas, principalmente, membros laicos, que não usassem hábitos monásticos ou qualquer tipo de identificação. Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das idéias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros “perigosos” e proibia sua leitura pelos fiéis. “Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo”, garantiu Escrivá para alguns seguidores, segundo relato do jornalista Emílio Corbiere no livro “Opus Dei: El totalitarismo católico”.

O poder no Vaticano

Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II. Para o teólogo espanhol Juan Acosta, “a relação entre Karol Wojtyla e o Opus Dei atingiu o seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível acessão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio ativamente no processo de reestruturação da Igreja Católica sob o protagonismo do papa e a orientação do cardeal alemão Ratzinger”. Em 1982, a seita foi declarada “prelazia pessoal” – a única existente até hoje –, o que no Direito Canônico significa que ela só presta contas ao papa, que só obedece ao prelado (cargo vitalício hoje ocupado por dom Javier Echevarría) e que seus adeptos não se submetem aos bispos e dioceses, gozando de total autonomia. O ápice do Opus Dei ocorreu em outubro de 2002, quando o seu fundador foi canonizado pelo papa numa cerimônia que reuniu 350 mil simpatizantes na Praça São Pedro, no Vaticano. A meteórica canonização de Josemaría Escrivá, que durou apenas dez anos, quando geralmente este processo demora décadas e até séculos, gerou fortes críticas de diferentes setores católicos. Muitos advertiram que o Opus Dei estava se tornando uma “igreja dentro da Igreja”. Lembraram um alerta do líder jesuítaVladimir Ledochowshy que, num memorando ao papa, denunciou a seita pelo “desejo secreto de dominar o mundo”. Apesar da reação, o papa João Paulo II e seu principal teólogo, Joseph Ratzinger , ex-chefe da repressoraCongregação para Doutrina da Fé e atual papa Bento 16, não vacilaram em dar maiores poderes ao Opus Dei. Vários estudos garantem que esta relação privilegiada decorreu de razões políticas e econômicas. No livro “O mundo secreto do Opus Dei”, o jornalista canadense Robert Hutchinsonafirma que esta organização acumula uma fortuna de 400 bilhões de dólares e que financiou o sindicatoSolidariedade, na Polônia, que teve papel central na débâcle do bloco soviético nos anos 90. O complô explicaria a sólida amizade com o papa, que era polonês e um visceral anticomunista. Já Henrique Magalhães, numa excelente pesquisa na revista A Nova Democracia, confirma o anticomunismo de Wojtyla e relata que “fontes da Igreja Católica atribuem o poder da Obra a quitação da dívida doBanco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982”. O vínculo com os fascistas Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, “fingindo-se de louco”, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinárioFrancisco Franco. “O Opus Dei praticamente se fundiu ao Estado espanhol, ao qual forneceu inúmeros ministros e dirigentes de órgãos governamentais”, afirma Henrique Magalhães. Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis “são belos e inteligentes” e devem olhar aos demais como “inferiores e animais”. Na máxima 643, ensina que a meta “é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial”. Na máxima 311, ele escancara: “A guerra tem uma finalidade sobrenatural... Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas”. Em 1992, um ex-membro do Opus Dei revelou o que este havia lhe dito: “Hitler foi maltratado pela opinião pública. Jamais teria matado 6 milhões de judeus. No máximo, foram 4 milhões”. Outra numerária, Diane DiNicola, garantiu: “Escrivá, com toda certeza, era fascista”.Escrivá até tentou negar estas relações. Mas, no seu processo de ascensão no Vaticano, ele contou com a ajuda de notórios nazistas. Como descreve a jornalista Maria Amaral, num artigo à revista Caros Amigos, “ao se mudar para Roma, ele estimulou ainda mais as acusações de ser simpático aos regimes autoritários, já que as suas primeiras vitórias no sentido de estabelecer o Opus Dei com estrutura eclesiástica capaz de abrigar leigos e ordenar sacerdotes se deram durante o pontificado do papa Pio XII, por meio do cardeal Eugenio Pacelli, responsável por controverso acordo da Igreja com Hitler”. Outro texto, assinado por um grupo de católicas peruanas, garante que a seita “recrutou adeptos para a organização fascista ‘Jovem Europa’, dirigida por militantes nazistas e com vínculos com o fascismo italiano e espanhol”. Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivárealizou uma “peregrinação” pela América Latina. Ele sempre considerou o continente fundamental para sua seita e para os negócios espanhóis. Na região, o Opus Deiapoiou abertamente várias ditaduras. No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru,a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica. Infiltração na mídia Para semear as suas idéias religiosas e políticas de forma camuflada, Escrivá logo percebeu a importância estratégica dos meios de comunicação. Ele mesmo gostava de dizer que “temos de embrulhar o mundo em papel-jornal”. Para isso, contou com a ajuda da ditadura franquista para a construção da Universidade de Navarra, que possuí um orçamento anual de 240 milhões de euros. Jornalistas do mundo inteiro são formados nos cursos de pós-graduação desta instituição. O Opus Dei exerce hoje forte influência sobre a mídia. Um relatório confidencial entregue aoVaticano em 1979 pelo sucessor de Escrivá revelou que a influência da seita se estendia por “479 universidades e escolas secundárias, 604 revistas ou jornais, 52 estações de rádio ou televisões, 38 agências de publicidade e 12produtores e distribuidoras de filmes”. Na América Latina, a seita controla o jornal El Observador (Uruguai) e tem peso nos jornais El Mercúrio (Chile), La Nación (Argentina) e O Estado de S.Paulo. Segundo várias denúncias, ela dirige aSociedade Interamericana de Imprensa, braço da direita na mídia hemisférica. No Brasil, a Universidade de Navarra é comandada por Carlos Alberto di Franco, numerário e articulista do Estadão, responsável pelalavagem cerebral semanal de Geraldo Alckmin nas famosas “palestras do Morumbi”. Segundo a revistaÉpoca, seu “programa de capacitação de editores já formou mais de 200 cargos de chefia dos principais jornais do país”. O mesmo artigo confirma que “o jornalista Carlos Alberto Di Franco circula com desenvoltura nas esferas de poder, especialmente na imprensa e no círculo íntimo do Geraldo Alckmin”. O veterano jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, há muito denuncia a sinistra relação do Opus Dei com a mídia nacional. Num artigo intitulado “Estranha conversão da Folha”, critica seu “visível crescimento na imprensa brasileira. A Folha de S.Paulo parecia resistir à dominação, mas capitulou”. No mesmo artigo, garante que a seita “já tomou conta daAssociação Nacional de Jornais (ANJ)”, que reúne os principais monopólios da mídia do país. Para ele, a seita não visa a “salvação das almas desgarradas. É um projeto de poder, de dominação dos meios de comunicação. E um projeto desta natureza não é nem poderia ser democrático. A conversão da Folha é uma opção estratégica, política e ideológica”. A “santa máfia” Durante seus longos anos de atuação nos bastidores do poder, o Opus Dei constituiu uma enorme fortuna, usada para bancar seus projetos reacionários – inclusive seus planos eleitorais. Os recursos foram obtidos com a ajuda de ditadores e o uso de máquinas públicas. “O Opus Dei se infiltrou e parasitou no aparato burocrático do Estado espanhol, ocupando postos-chaves. Constituiu um império econômico graças aos favores nas largas décadas da ditadura franquista, onde vários gabinetes ministeriáveis foram ocupados integralmente por seus membros, que ditaram leis para favorecer os interesses da seita e se envolveram em vários casos de corrupção, malversação e práticas imorais”, acusa um documento de católico do Peru. A seita também acumulou riquezas através da doação obrigatória de heranças dos numerários e do dizimo dos supernumerários e simpatizantes infiltrados em governos e corporações empresariais. Com a ofensiva neoliberal dos anos 90, a privatização das estatais virou outra fonte de receitas. Poderosas multinacionais espanholas beneficiadas por este processo, como os bancos SantanderBilbao Biscaia, a Telefônica e empresa de petróleoRepsol, tem no seu corpo gerencial adeptos do Opus. Para católicos mais críticos, que rotulam a seita de “santa máfia”, esta fortuna também deriva de negócios ilícitos. Conforme denuncia Henrique Magalhães, “além da dimensão religiosa e política, o Opus Dei tem uma terceira face: da sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e expostos em 1986, a Obra determina que ‘os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem ao Opus Dei’.Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada, o que frequentemente serve para encobrir atos criminosos”. O jornalista Emílio Corbiere cita os casos de fraude e remessa ilegal de divisas das empresas espanholasMatesa e Rumasa, em 1969, que financiaram aUniversidade de Navarra. Há também a suspeita do uso de bancos espanhóis na lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. O Opus Dei esteve envolvido na falência fraudulenta do banco Comercial (pertencente ao jornal El Observador) e do Crédito Provincial (Argentina). Neste país, os responsáveis pela privatização da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por grupos espanhóis, foram denunciados por escândalos de corrupção, mas foram absolvidos pela Suprema Corte, dirigida porAntonio Boggiano, outro membro da Opus Dei. No ano retrasado, outro numerário do Opus Dei, o banqueiroGianmario Roveraro, esteve envolvido na quebra daParlamat. “A Internacional Conservadora” O escritor estadunidense Dan Brown, autor do best seller “O Código da Vinci”, não vacila em acusar esta seita de ser um partido de fanáticos religiosos com ramificações pelo mundo. O Opus Dei teria cerca de 80 milhões de fiéis, muitos deles em cargos-chaves em governos, na mídia e em multinacionais. Henrique Magalhães garante que a “Obra é vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica”. Num livro feito sob encomenda pelo Opus Dei, o vaticanista John Allen confessa este poderio. Ele admite que a seita possui um patrimônio de US$ 2,8 bilhões – incluindo uma luxuosa sede de US$ 60 milhões em Manhattan – e que esta fortuna serve para manter as suas instituições de fachada, como a Heights School, emWashington, onde estudam os filhos dos congressistas doPartido Republicano de George W.Bush. Numa reportagem que tenta limpar a barra do Opus Dei, a própria revista Superinteressante, da suspeita Editora Abril, reconhece o enorme influência política desta seita. E conclui: “No Brasil, um dos políticos mais ligados à Obra é o candidato a presidente Geraldo Alckmin, que em seus tempos de governador de São Paulo costumava assistir a palestras sobre doutrina cristã ministradas por numerários e a se confessar com um padre do Opus DeiAlckmin, porém, nega fazer parte da ordem”. Como se observa, o candidato segue à risca um dos principais ensinamentos dofascista Josemaría Escrivá“Acostuma-se a dizer não”. 
Postado por Netto de Deus

domingo, 23 de janeiro de 2011

Um grande exemplo de caridade e desapego ao dinheiro – Como agem os homens bons



Filed under: Relatos Pessoais — Hariovaldo @ 22:00 
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Alvaro Dias
Alvo Álvaro no trilhar das Alvas Flores. Alvíssaras!
Alvas nuvens no céu a lembrarem que as alvas flores da terra perfumam o caminho dos que andam de acordo com a trindade santa, qual seja a Fé, a Esperança e a Caridade, como faz nosso irmão e grande homem bom, Álvaro Dias, alvíssaras!!! Oh, que esperança ao vermos a inabalável  de um homem de bem sempre disposto a fazer caridade para os necessitados, demonstrando o porquê é realmente um homem bom. Que grande desprendimento, que grande desapego ao dinheiro e aos bens materiais! Estamos todos em regozijo por tal ato vindo de tão caridoso espírito, que com certeza é um espírito rico em virtudes e sabedoria, pois o nobre senador Dias sabe que a verdadeira riqueza não está nesse mundo.
Ao requisitar para a caridade estes parcos milhões a que tem direito de fato e de moral, Álvaro Dias demonstra que seu mais profundo interesse está no bem estar do próximo, na melhoria da condição humana, sendo dever de todo homem de bem fazer caridade, lutando pelas modestas quantias que lhes são devidas para aquinhoar os mais necessitados. Sigamos pois este exemplo bendito. Alvíssaras.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Torcida próDilma toma conta da Lapa


Deixem-me contar para vocês como foi sem muito lero-lero. Ás sete e pouco da noite, desliguei o computador e dirigi-me ao Circo Voador, para ver o tal encontro de "artistas, poetas, músicos, etc" que apoiam Dilma. Achei que fosse encontrar meia dúzia de malucos reunidos no pátio e me surpreendi positivamente com um ato magnificamente organizado pela campanha, com exibição de vídeos, shows, venda de cerveja a preço acessível, e uma quantidade impressionante de garotas bonitas (e inteligentes, pois votam na Dilma).

A intenção de apenas dar uma olhada, portanto, desfez-se rapidamente e decidi gastar meus últimos trocados da semana comprando tickets de cerveja a três reais e conversando sobre política, dançando e recebendo beliscões de ciúmes de minha mulher que chegou de São Paulo a tempo de participar da festa.

O mais impressionante para mim, no entanto, veio depois. As pessoas saíram do evento dispostas a assistir ao debate e uma boa parte migrou para o Arco Iris, um dos bares tradicionais da Mem de Sá, que tem tvs posicionadas em todos os cantos. Nunca vi nada parecido. Uma cena original para mim. Embora caladas, você podia sentir a forte eletricidade no ar. As pessoas ouviam os candidatos com atenção extrema, mas se notavam, nas pausas, manifestações calorosíssimas em defesa da Dilma.

Aliás, agora entendi porque eu perdi o "timing", naquele primeiro debate do segundo turno, quando, após vê-lo pela internet apenas no dia seguinte, escrevi um texto pessimista. Dessa vez, eu vivencei o momento, num bar lotado da Lapa de gente ansiosa, tensa, alegre, sagaz, que pediam silêncio para compreender melhor o que era discutido. E batiam palmas, eufóricas, quando Dilma encaixava mais um argumento.

Serra nunca me pareceu tanto o Nosferatu, do filme de Murnau, com suas enormes mãos espalmadas sempre apontando a si mesmo, os dedos longilíneos abertos com força quase histérica, como se quisesse separá-los. Os olhos esbugalhados de medo, ódio e ambição. As pessoas pediam silêncio para poder ouvi-lo. Todos queriam ouvi-lo, mas ao mesmo tempo não era possível compreendê-lo. O que ele defende? Quem ele pensa que engana com suas pegadinhas tolas?

O assunto era o pré-sal, trazido para o centro do debate por Dilma Rousseff, que finalmente conseguiu atingir aquele delicado equilíbrio entre o erudito e o popular que apenas os grandes artistas e eventualmente algumas lideranças políticas logram alcançar. Ela falou em filet mignon. Explicou didaticamente, mas sem ar professoral, que o petróleo que tínhamos antes, antes do pré-sal, era um petróleo pesado, de baixa qualidade e em pouca quantidade. O pré-sal tem altíssima qualidade, é um petróleo fino, e existe em quantidades colossais. Não dá para comparar uma coisa com a outra. O tucano tentava, de maneira quase adolescente, e um tanto paradoxal, demonstrar que Dilma ajudou a trazer capital privada para as explorações petrolíferas brasileiras. A gente ouvia aquilo e não entendia. Ué, e daí? Não é justamente isso que o PSDB defende? O Serra virou socialista agora?

Dilma rebateu com galhardia. Sim, Serra, o governo Lula liberou o petróleo para o capital estrangeiro, porque entendeu que isso era necessário, por causa dos problemas já mencionados: é um petróleo pesado, de baixa qualidade, e em pouca quantidade. Mas não compare isso ao pré-sal. O pré-sal é o filet mignon, o nosso passaporte para o futuro, e por isso mesmo a mídia até agora não esclarece a população, adequadamente, sobre o efeito que os seus recursos poderão proporcionar à economia brasileira. São trilhões de dólares, que poderão efetivamente mudar a educação e a saúde dos brasileiros. Nesse ponto, o bar explodiu, em palmas e gritos, e logo veio uma cantoria inflamada Olê Olê Olá, Dilmá, Dilmá.

Aí eu voltei para casa, com alma e carteira limpas, mas com a certeza de que ainda teremos muito trabalho pela frente, porque uma derrota de Dilma representaria um trauma político difícil de ser mensurado, vide o envolvimento emocional que pessoas, movimentos sociais, artistas, e associações populares estão pondo no processo. Ontem eu vi uma foto impressionante de um auditório gigante da USP, lotado de estudantes, professores, intelectuais, sindicalistas, num ato pró-Dilma. Não é apenas a eleição presidencial que está em jogo aqui. Alguma coisa está emergindo no país, alguma coisa nova, profunda, nascendo das entranhas, um sonho cheio de fúria e esperança.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dilma e a fé cristã



Frei Betto *
Adital
Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência.

Anos depois, Dilma e eu nos encontramos no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela na ala feminina, eu na masculina, com a vantagem de, como frade, obter permissão para, aos domingos, monitorar celebração litúrgica na Torre, como era conhecido o espaço que abrigava as presas políticas.

Aluna de colégio religioso na juventude, dirigido pelas freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava ativamente de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de "marxista ateia". Aliás, raros os presos políticos que professavam convictamente o ateísmo. Nossos torturadores, sim, o faziam escancaradamente ao profanarem, com toda violência, os templos vivos de Deus: suas vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.

Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula.
De nossa amizade posso assegurar que não passa de campanha difamatória -diria mesmo, terrorista- acusar Dilma Rousseff de "abortista" ou contrária aos princípios evangélicos. Se um ou outro bispo critica Dilma, há que lembrar que, por ser bispo, nenhum homem é santo.

Poucos bispos na América Latina apoiaram ditaduras militares, absolveram torturadores, celebraram missa na capela de Pinochet... Bispos também mentem e, por isso, devem, como todo cristão, orar diariamente "perdoai as nossas ofensas..."

Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica. Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que "a árvore se conhece pelos frutos", como acentua o Evangelho. É na coerência de suas ações, na ética de seus procedimentos políticos, na dedicação ao povo brasileiro, que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam.

Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: que, se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria sítios e fazendas produtivos; implantaria o socialismo por decreto...

Passados quase oito anos, o que vemos? Vemos um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.

Nas breves semanas que nos separam hoje do segundo turno, forças de oposição ao governo Lula haverão de fazer eco a todo tipo de boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em toda a trajetória de Dilma, em tudo que ela realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.

Certa vez, relata o evangelista Mateus, indagaram de Jesus quem haveria de se salvar. Para surpresa dos que o interrogaram, ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem disse que seriam aqueles que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem disse que seriam aqueles que se julgam donos da doutrina cristã e se arvoram em juízes de seus semelhantes.

A resposta de Jesus surpreendeu-os: "Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; nu e me vestistes; oprimido, e me libertastes..." (Mateus 25, 31-46)

Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos uma vida digna e feliz.

Isso o governo Lula tem feito, segundo opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.

[Frei Betto é escritor, autor de "Um homem chamado Jesus" (Rocco), entre outros livros - www.freibetto.org twitter:@freibetto]


* Escritor e assessor de movimentos sociais
 Esquerdopata


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