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quinta-feira, 6 de março de 2014

DOM ORVANDIL DESCASCA JOAQUIM BARBOSA

terça-feira, 24 de julho de 2012

Cuba, o partido e a fé EM BUSCA DE UMA NOVA LITURGIA

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por Janette Habe



 Le Monde Diplomatique

Destinado a “atualizar o socialismo”, o processo de reformas levado a cabo pelo presidente cubano Raúl Castro o conduziu a escolher um interlocutor completamente inesperado: a Igreja Católica
  
Em centenas de cartazes agitados pela multidão, uma mesma mensagem: “Boas-vindas à Sua Santidade, o papa Bento XVI”. Estamos em Santiago de Cuba, bastião histórico das guerras de independência, onde o papa celebra uma missa para 200 mil pessoas. Entre os dias 26 e 28 de março, pela segunda vez em catorze anos, o mais alto dignitário da Igreja esteve em visita a um país que outrora teve seu líder histórico excomungado.

Em Cuba, o clero, única instituição nacional independente do governo, não é um interlocutor como qualquer outro. Aquilo que o diplomata Philippe Létrilliart classifica de “concorrência de universalismos”1 – catolicismo e castrismo – tem pouco a pouco dado lugar a uma coexistência pacífica. O político e o religioso agora precisam entrar em acordo. Sentado na primeira fila, durante a cerimônia celebrada por Bento XVI em Santiago de Cuba, Raúl Castro – à frente de um delicado processo de reformas e liberalização econômica – fez da reaproximação com a Igreja um dos eixos de sua presidência. Política que provoca ranger de dentes não apenas nas fileiras do Partido Comunista de Cuba (PCC), mas também entre cristãos e dissidentes.

“Desde a mudança da presidência, há quatro anos”,2 observa o cardeal Jaime Ortega, líder da Igreja em Cuba, “novos ministros e funcionários foram empossados. Uma enorme reforma econômica está em andamento. Ela atinge a agricultura, a construção de moradia, a legalização do trabalho independente, o crédito, a compra e a venda de casas e automóveis e a criação de pequenas empresas privadas”.3 Justamente o que a Igreja pedia em suas preces: “Há muito tempo dizíamos que era preciso mudar o modelo social, econômico, jurídico e político”, observa um editorial da revista católica Espacio Laical (out. 2010), que está no centro dos debates ideológicos e políticos, inclusive os mais delicados. Diante das desigualdades acentuadas pelas atuais reformas e pelo agravamento da pobreza, a Igreja tem algumas armas a oferecer. Com uma rede humanitária nos bairros pobres, ela se encarrega da distribuição de medicamentos e da organização de restaurantes populares. E, favorável à abertura econômica, eis que oferece cursos de contabilidade e informática aos pequenos empreendedores que o Estado tanto sonha ver.

A aproximação entre o partido e a Igreja também resulta de um aggiornamento da hierarquia católica, iniciado em 1986 no Encontro Nacional Eclesiástico Cubano. Para Enrique López Oliva, católico e professor de História das Religiões, “o episcopado cubano está agora dominado pelos partidários da negociação: uma nova geração que não participou dos conflitos das décadas de 1960 e 1970”, e que se distanciou da dissidência e dos cristãos engajados no combate ao regime. Para o cardeal Ortega, “a Igreja não tem por vocação ser o partido de oposição que falta a Cuba”. Lenier Gonzalez, jovem editor da Espacio Laical, confirma: a credibilidade da Igreja “vem do fato de que ela soube manter-se longe do governo cubano, da oposição interna, dos cubanos exilados e do governo norte-americano”.



Idas e vindas

Mas o incômodo, e até desacordo, é evidente entre alguns fiéis. Oswaldo Payá, à frente do Projeto Varela (que coletou mais de 11 mil assinaturas para exigir a revisão da Constituição) e vencedor do Prêmio Sakharov em 2002, considera que a voz da Igreja foi confiscada pela Espacio Laical, que, direta ou indiretamente, apoia o governo. Posição que não é unânime entre o “povo de Deus”: “Jaime [o cardeal Ortega] é meu pastor, eu o respeito, mas ele tem uma orientação política da qual não compartilho. Para ele, é preciso confiar em Raúl e apoiar as mudanças em curso. Isso é uma posição política”.4 O episcopado realmente tem dado muitos sinais de moderação. As “Damas de Branco”, que protestam contra o regime brandindo gladíolos pelas ruas de Havana, aos gritos de “Liberdade, liberdade”, não tiveram direito ao “minuto de audiência” solicitado a Bento XVI, quando este se encontrou com Fidel Castro, o amaldiçoado dos dissidentes. E foi o cardeal quem pediu que a polícia interviesse para acabar com a ocupação de uma igreja em Havana pelos opositores que queriam pressionar o papa.

Mas o clero cubano enfrenta muitas dificuldades. A primeira é o baixo envolvimento dos fiéis: 1% da população da ilha frequenta regularmente a missa de domingo. A segunda é o crescimento de cultos afro-cubanos. A repercussão, por meses, da procissão da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira mestiça de Cuba, evidencia uma religiosidade sincrética. Os líderes católicos querem integrá-la, até anexá-la, mas sem aceitar seus ritos. Terceira dificuldade: o crescimento das Igrejas evangélicas. Nesse contexto, a Igreja “não aspira a recuperar privilégios passados”, garante Jorge Cela, ex-superior da Companhia de Jesus em Cuba, nomeado presidente da Conferência dos Jesuítas da América Latina. Além de provavelmente sonhar em engrossar suas fileiras, “ela deseja simplesmente que seus fiéis encontrem um lugar em uma sociedade plural”.

A Igreja já conseguiu muita coisa. O governo restituiu-lhe imóveis confiscados na revolução de 1959. Em novembro de 2010, o cardeal Ortega inaugurou, na presença do presidente Castro, as novas instalações do Seminário San Carlos, onde se formam futuros sacerdotes, cujo número tem aumentado. O seminário também abriga o Centro Félix Varela, local de debate no qual às vezes se encontram oponentes. Num país em que nem os militantes críticos do PCC podem publicar suas opiniões no jornal do partido, a Igreja dispõe de uma rede de publicações ligadas às dioceses e paróquias (com cerca de 250 mil leitores) e de duas dezenas de mídias digitais. Mas gostaria de ter acesso regular à televisão e ao rádio. E, para o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, “ainda falta resolver o importantíssimo problema da escola”.5 A integração da educação católica ao serviço público é uma prioridade para o episcopado, que sonha em poder ensinar teologia e humanidades nas universidades. “O Estado deve reconhecer à Igreja o papel que lhe cabe na sociedade”, avalia o padre Yosvani Carvajal, reitor do Centro Félix Varela. Castro anunciou: a Sexta-Feira Santa passará a ser feriado.

O lugar dado à Igreja não é unanimidade dentro do PCC, no qual alguns entendem que a estratégia de Castro os enfraquece. Ao transformar a Igreja em mediador legítimo, o presidente cubano levou seu governo a aceitar “concessões possíveis, porém difíceis, muito difíceis de assumir de maneira direta”, resume o sociólogo Aurelio Alonso.6 Um exemplo: em 2010, diante de uma campanha midiática internacional para obter a libertação de 75 presos após a morte do dissidente Orlando Zapata, ao fim de uma greve de fome de 85 dias, o aparelho do PCC viu-se ainda mais desamparado quando outro opositor também começou um perigoso jejum. A Igreja permitiu então que o governo saísse da confusão organizando “entre cubanos” a libertação dos referidos prisioneiros, chegando a participar das negociações com a diplomacia espanhola.



O lugar do Partido Comunista

Os quadros do PCC entenderam muito bem – e alguns temem isto: o lugar da Igreja a partir de agora exige que se reflita sobre o lugar do partido (único) no cenário político. A conferência do PCC realizada em janeiro de 2012 deveria modernizar suas operações e renovar sua direção, aumentar seu prestígio e colocá-lo em ordem de batalha para enfrentar os desafios das reformas econômicas anunciadas há um ano. Embora a reunião tenha confirmado a limitação dos mandatos políticos a dois exercícios de cinco anos e a composição do Comitê Central deva ser renovada em 20% até o próximo congresso (cuja data não foi definida), ela está longe das mudanças anunciadas. Ocorre que o presidente tem 81 anos, e seu sucessor, segundo a Constituição, o número dois do governo, Machado Ventura, logo terá 82... “Renovar a direção do partido” é uma tarefa delicada “na ausência da sucessão geracional”, comentou Castro durante o VI Congresso do PCC, em 2011, parecendo esquecer que ele mesmo afastou dois dos principais dirigentes quinquagenários que poderiam sucedê-lo, Carlos Lage e Felipe Perez Roque, em 2009. Estaria ele considerando uma “mudança” que não passe mais exclusivamente pelo partido?

Cresce o fosso entre o PCC e a população, especialmente nas gerações mais jovens: as questões que ele coloca em nome do povo que deveria representar como “Partido da Nação” não são aquelas que preocupam a maioria dos cubanos. O partido fala em “atualizar o socialismo”; a rua, nas mil e uma maneiras de sobreviver.7 As mídias oficiais praticam um jargão que não diz nada – o teque teque, como dizem os cubanos –, enquanto as discussões abundam em revistas e sites, embora de acesso limitado (apesar da instalação, no ano passado, de um cabo submarino entre a Venezuela e a ilha). Incapaz de promover uma democratização do sistema, a máquina do partido vê sua credibilidade enfraquecer, ainda que Castro tenha o cuidado de sempre relembrar seu lugar “central”.

Apesar de o católico Roberto Veiga criticar “a burocracia que reina sobre o Estado e a sociedade”, os membros mais prudentes do clero não questionam a existência do partido único. Para monsenhor Carlos Manuel de Céspedes, vigário-geral de Havana e conselheiro de redação da Espacio Laical,8 “o partido único não se aborrece com a democracia, assim como o pluripartidarismo não garante seu funcionamento adequado. Mas para que o partido único permita uma democracia real, ele deve funcionar de maneira transparente e aceitar a livre discussão de todos os problemas”. Um pluralismo que a Igreja já pratica em suas revistas.



Aliança para a transição?

Reformar o antigo sistema e “salvar a revolução” supõe assim uma refundação ideológica e espiritual: “A pátria e a fé”, título de um artigo do jornal da juventude comunista Juventud Rebeldede 17 de março de 2012, será o novo credo. Segundo o jornal, “a unidade entre o pensamento revolucionário, a fé e os crentes está enraizada nos próprios alicerces da nação. O amor à pátria e a luta por uma sociedade mais justa não são contraditórios com uma concepção da vida que acredita na transcendência”. Ex-dirigente do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic) e personalidade histórica da revolução, Alfredo Guevara acrescenta: “Nesta imensa catedral que é a pátria, é preciso inventar uma liturgia para mobilizar as consciências”. Para ele, “a Igreja é um centro de elaboração intelectual, [...] um parceiro maravilhoso para semear a diversidade necessária ao desenvolvimento do país”.9

A transição cubana também se faz do outro lado do estreito da Flórida. Tudo indica que o governo vê com bons olhos a participação dos emigrados na mudança. O cardeal Ortega visitou Washington para pedir a flexibilização das sanções contra Cuba. Comentário do Washington Post, em 25 de março de 2012: “O cardeal cubano transformou-se em real parceiro de Raúl Castro”. A anticastrista Rádio Martí, em Miami, o chamou de “lacaio” (5 maio 2012). “A oligarquia da diáspora sonha com o colapso do país e trabalha para isso”, analisa Veiga. Assim, qualquer coisa que possa facilitar uma mudança comandada por Havana exaspera os exilados. O Vaticano, por sua vez, apoia o clero cubano, que poderia, segundo ele, encarnar um renascimento religioso, símbolo da reconciliação, fraternidade e defesa da soberania nacional. De Roma, a Igreja cubana é vista como mais bem colocada do que outras para enfrentar a concorrência dos protestantes e pentecostais.

Ainda que a palavra “transição” não seja dita, é possível imaginar a Igreja trabalhando em acordo com as Forças Armadas – que administram os setores-chave da economia – para prepará-la, de maneira não violenta e numa perspectiva de normalização com a diáspora? Como escreveu Max Weber, “entre o poder político e o poder religioso, a relação adequada é a do compromisso e da aliança com vistas a uma dominação comum, por uma delimitação de suas respectivas esferas”.10


Janette Habel é professora-doutora na Universidade de Marne-la-Vallée e no Instituto de Altos Estudos da América Latina (Institut des hautes études d'Amérique latina - IHEAL), de Paris.

Ilustração: Gabriel K.


1 Philippe Létrilliart, Cuba, l’Église et la révolution [Cuba, a Igreja e a revolução], L’Harmattan, Paris, 2005.
2 Raúl Castro tornou-se oficialmente presidente no dia 24 de fevereiro de 2008, após ter sido nomeado presidente interino em 31 de julho de 2006, em razão dos problemas de saúde de seu irmão Fidel.
3 L’Osservatore Romano, Cidade do Vaticano, 25 mar. 2012.
4 Citado por Fernando Ravsberg em seu blog Cartas desde Cuba (www.cartasdesdecuba.com), 27 mar. 2012.
5 La Stampa, Roma, 22 mar. 2012.
6 Espacio Laical, Havana, out.-dez. 2010.
7 Ler Renaud Lambert, “Ainsi vivent les Cubains” [Assim vivem os cubanos], Le Monde Diplomatique, abr. 2011.
8 Trineto de seu avô epônimo, o Pai da Pátria, que proclamou a independência de Cuba e libertou os escravos para lutar contra o domínio espanhol.
9 Espacio Laical, out.-dez. 2011.
10 Max Weber, Sociologie des religions [Sociologia das religiões], Gallimard, Paris, 1996, citado por Philippe Létrilliart, op. cit.






 









sexta-feira, 11 de março de 2011

Santayana: o Papa faz política, sim !


O Papa apoiou o Cerra. Quem não lembra ?


Conversa Afiada reproduz texto de Mauro Santayana:

O Cristo que vive entre nós


Mauro Santayana


O papa Bento 16, na biografia de Cristo que acaba de publicar, decretou, de sua cátedra, que Cristo separara a religião da política. Mais do que isso, participa de um dos equívocos de São Paulo – porque até os santos se enganam – o de que, se Cristo não ressuscitou de entre os mortos, “vã é a nossa fé”.   Cristo ressuscitou dos mortos, não em sua carne perecível, mas em sua grandeza transcendental. O papa insiste – e nessas insistências a Igreja sempre se perdeu – em que o corpo de Cristo ainda existe, em toda a fragilidade da carne, em algum lugar, ao lado de Deus. Com isso, o Santo Padre separa Cristo da humanidade a que ele pertence, e o situa no espaço da mitologia dos deuses pagãos.


A afirmação mais grave do Papa, de acordo com o resumo de suas idéias, ontem divulgadas, é a de que política e religião são instituições separadas a partir de Cristo. A própria história do Vaticano o desmente. A Igreja Católica – e todas as outras confissões religiosas – sempre estiveram a serviço do poder político, e em sua expressão mais desprezível. Para não ir muito longe na História – ao tempo da associação entranhada entre os reis, os imperadores e o Vaticano, durante a Idade Média -, bastam os exemplos de nosso século. Os documentos existentes demonstram o apoio da Igreja a ditadores como Hitler, considerado, por Pio XII, como “um  bom católico”. Mais recentemente ainda, houve a “Santa Aliança”, conforme a denominou o jornalista norte-americano Bob Woodward, entre o antecessor de Ratzinger e o presidente Reagan, dos Estados Unidos, com o propósito definido de acabar com a União Soviética. Por acaso não se trata de uma escolha política do Vaticano a rápida canonização do fundador da Opus Dei, como santo da Igreja, e o esquecimento de grandes papas, como João 23, e de mártires da fé, como o bispo Dom Oscar Romero, de El Salvador?


A religião sempre esteve na origem  e na inspiração da política, e, em Cristo, essa identidade comum se torna ainda mais nítida. O campo da razão em que a fé e a política se encontram é o da ética. A ética é uma exigência da fé em Deus e do compromisso com a vida humana. A política, tal como a identificaram os grandes pensadores, é a prática da ética. A ética política significa a busca do bem de todos. Nessa extrema exegese do que seja a ética, como o fundamento da justiça, a boa política é a da esquerda, ou seja, da visão de igualdade de todos os homens.


Em Cristo, a fé é o instrumento da justiça. Quem quiser confirmar esse compromisso político de Cristo, basta ler os Atos dos Apóstolos, e verificar como viviam as primeiras comunidades cristãs, unidas pela absoluta fraternidade entre seus membros, enfim, uma sociedade política perfeita. Ao negar a essencial ligação entre a fé cristã e a ação política, o papa vai além de seu velho  anátema contra a Teologia da Libertação, surgida na América Latina, um serviço que ele e Wojtyla prestaram, com empenho, aos norte-americanos. Ele se soma aos que, hoje, ao separar a política da ética da justiça, decretam o fim da esquerda.


Esse discurso – o de que não há mais direita, nem esquerda – vem sendo repetido no Brasil. Esquerda e direita, ainda que a denominação venha da França revolucionária de 1789, sempre existiram. Na Palestina, no tempo de Jesus, a esquerda estava nos pescadores e pecadores que o seguiam, e a direita nos “fariseus hipócritas”, que, no Sinédrio, e a serviço dos romanos, o condenaram à morte.


O papa acredita que a Igreja sobreviverá à crise que está vivendo. Isso é possível se ela renunciar a toda sua história, a partir de Constantino, e retornar ao Cristo que andava no meio do povo,  perdoava a adúltera, e chicoteava os mercadores do templo. O  Cristo que ressuscitou  dos mortos está ao lado  dos que vêem a fé como a realização da justiça e da igualdade, aqui e agora.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nem a Igreja aguenta mais


Berlusconi aproveitando a vida
"E sabe por que o Papa deixa usar camisinha com prostituta? Porque nem a Igreja aguenta mais tanto filho da puta."
José "Macaco" Simão, (na Folha de S. Paulo, edição de hoje).

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dilma reune-se com católicos e evangélicos para reafirmar compromissos, sua posição contra o aborto e desmentir boatos



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A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, recebeu na manhã desta quarta-feira, 29, em Brasília, vários líderes das religiões católica e evangélica.

O objetivo foi deixar claro suas posições e compromissos, e desfazer uma onda de boatos disseminada contra ela, inclusive atribuindo frases que ela nunca disse.

Ao lado de nomes expressivos da Igreja Católica, como Gabriel Chalita, e da Igreja Evangélica, como o Pastor Manoel Ferreira e o senador Marcelo Crivella, Dilma voltou a declarar que professa a fé católica e não defende o aborto: "A instituição Presidência da República é laica, mas eu, pessoalmente, sou católica", afirmou a candidata.

Nos últimos dias, vem sendo espalhado na internet e entre fiéis de igrejas católicas e evangélicas em todo o País boatos mentirosos de que a petista seria favorável ao aborto e pretendia fechar templos.

Outro boato mentiroso bastante disseminado pela internet, atribuía a Dilma a declaração de que nem Jesus Cristo tiraria a vitória dela.

"Quero dizer, em especial, que lamento a campanha difamatória que fazem contra mim dizendo que estou utilizando o nome de Cristo pra falar que nem ele me derrotaria nas urnas. Isso é um absurdo, uma calúnia, uma vilania contra mim", afirmou Dilma.

"Como cristã, jamais usaria o nome de Cristo em vão", arrematou.

Nesse momento, foi aplaudida pelas lideranças religiosas que assistiram à coletiva.

Além de reafirmar sua posição contrária ao aborto, Dilma discordou da candidata do PV, Marina Silva. No debate realizado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Marina declarou-se favorável a um plebiscito para discutir o aborto.

"Não sou a favor de plebiscito nesta questão porque acho que plebiscito divide este País. O que ganhar ou perder? Vai todo mundo perder, porque seja qual for o resultado, o outro lado não vai gostar".

Por fim, a candidata reafirmou que já se comprometeu com os líderes religiosos de que, se for eleita, o Executivo federal não vai enviar ao Congresso nenhum projeto de lei para mudar a legislação em vigor sobre o aborto (Com informações da Agência Estado).