Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
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quinta-feira, 10 de julho de 2014
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
O dia em que SP quis ir à guerra
Posted by eduguim
Os desdobramentos da operação de reintegração de posse de terreno no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, em 22 de janeiro último, insinuam que o Executivo e o Judiciário do Estado de São Paulo atuam, em sintonia, em prol de interesses privados. Atuam de forma escandalosa, ao arrepio da lei e sem qualquer preocupação com as consequências.
Testemunhos de membros do Ministério Público de São Paulo, da Defensoria Pública de São José dos Campos e de juristas renomados afirmam que o Estado de Direito, as leis e o interesse público foram solenemente ignorados pelo governador do Estado e pelo Tribunal de Justiça de São Paulo ao promoverem verdadeiro massacre da população do bairro “higienizado”.
Contudo, o fato que mais impressiona nesse processo parece estar passando despercebido. Apesar de a informação que vem a seguir ter sido razoavelmente difundida, está sendo pouco debatida.
Ocorre que o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a Polícia Militar “repelisse” a Polícia Federal caso esta tentasse impedir o cumprimento da reintegração de posse. Trocando em miúdos, a Justiça paulista pareceu achar que o governo federal enviaria efetivos da PF para impedir a expulsão das famílias do Pinheirinho e, assim, determinou o que poderia ter ocasionado o ensaio de uma guerra civil no país.
Vale rever trecho da decisão do TJ-SP que permitiu a desocupação do terreno em São José dos Campos:
—–
Autorizo (…) requisição ao Comando da Polícia Militar do Estado, para o imediato cumprimento da ordem da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, repelindo-se qualquer óbice que venha a surgir no curso da execução, inclusive a oposição de corporação policial federal, somente passível de utilização quando de intervenção federal decretada nos termos do art. 36 da Constituição Federal e mediante requisição do Supremo Tribunal Federal, o que inexiste.
—–
Essa decisão foi tomada pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, que assumiu integral responsabilidade por tudo que viesse a ocorrer em São José dos Campos naquele 22 de janeiro. Ele achava que o governo federal poderia tentar impedir à força a invasão do Pinheirinho.
Se isso tivesse ocorrido, haveria uma reedição da Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado desencadeado por São Paulo que tinha por objetivo a derrubada de Getúlio Vargas e a independência desse Estado.
A Revolução de 1932 desejava a independência de São Paulo e sua conversão em uma República autônoma. E o que impressiona, em termos de semelhança com o caso em tela, é que, entre os principais defensores do separatismo no século passado, destacava-se o então presidente do mesmo Tribunal de Justiça de São Paulo, Costa Manso.
As intenções belicistas do governo e da Justiça de São Paulo transparecem na ordem de reintegração de posse expedida pelo TJ-SP. E ficam ainda mais claras devido ao tamanho do efetivo policial usado na operação (2 mil homens).
Imaginem o que aconteceria se o governo federal tivesse destacado a sua polícia ou até o Exército para impedir uma medida que, para muitos juristas, procuradores da República e parlamentares foi flagrantemente ilegal e inconstitucional. Teria havido uma mini guerra civil.
E as ilegalidades não se resumiram ao 22 de janeiro. Nos dias seguintes, foi rápida a demolição das casas do Pinheirinho, o que foi feito de forma absolutamente ilegal porque havia determinação da Justiça suspendendo qualquer ato demolitório. E o pior: não havia nem recurso judicial contra tal determinação. Assim mesmo, as casas foram demolidas.
A história paulista, pois, é marcada pelo golpismo. O episódio do Pinheirinho deixou claro que as autoridades do Estado de São Paulo consideram-no quase um país à parte e que estão dispostas a ir até as últimas conseqüências para mantê-lo assim.
A imprensa paulista, que teve protagonismo em todos os movimentos golpistas que este país já viu – como em 1932 ou em 1964 –, continua igualzinha. O governo e a Justiça de São Paulo, idem. E depois há quem não acredite na possibilidade de uma nova ruptura institucional no Brasil. A declaração de guerra ao país feita pelo TJ-SP em 22 de janeiro, porém, diz outra coisa.
—–
Veja depoimento do defensor público Jairo Salvador durante Audiência em defesa dos moradores do Pinheirinho, realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo no último dia 1º de fevereiro de 2012
—–
Testemunhos de membros do Ministério Público de São Paulo, da Defensoria Pública de São José dos Campos e de juristas renomados afirmam que o Estado de Direito, as leis e o interesse público foram solenemente ignorados pelo governador do Estado e pelo Tribunal de Justiça de São Paulo ao promoverem verdadeiro massacre da população do bairro “higienizado”.
Contudo, o fato que mais impressiona nesse processo parece estar passando despercebido. Apesar de a informação que vem a seguir ter sido razoavelmente difundida, está sendo pouco debatida.
Ocorre que o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a Polícia Militar “repelisse” a Polícia Federal caso esta tentasse impedir o cumprimento da reintegração de posse. Trocando em miúdos, a Justiça paulista pareceu achar que o governo federal enviaria efetivos da PF para impedir a expulsão das famílias do Pinheirinho e, assim, determinou o que poderia ter ocasionado o ensaio de uma guerra civil no país.
Vale rever trecho da decisão do TJ-SP que permitiu a desocupação do terreno em São José dos Campos:
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Autorizo (…) requisição ao Comando da Polícia Militar do Estado, para o imediato cumprimento da ordem da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, repelindo-se qualquer óbice que venha a surgir no curso da execução, inclusive a oposição de corporação policial federal, somente passível de utilização quando de intervenção federal decretada nos termos do art. 36 da Constituição Federal e mediante requisição do Supremo Tribunal Federal, o que inexiste.
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Essa decisão foi tomada pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, que assumiu integral responsabilidade por tudo que viesse a ocorrer em São José dos Campos naquele 22 de janeiro. Ele achava que o governo federal poderia tentar impedir à força a invasão do Pinheirinho.
Se isso tivesse ocorrido, haveria uma reedição da Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado desencadeado por São Paulo que tinha por objetivo a derrubada de Getúlio Vargas e a independência desse Estado.
A Revolução de 1932 desejava a independência de São Paulo e sua conversão em uma República autônoma. E o que impressiona, em termos de semelhança com o caso em tela, é que, entre os principais defensores do separatismo no século passado, destacava-se o então presidente do mesmo Tribunal de Justiça de São Paulo, Costa Manso.
As intenções belicistas do governo e da Justiça de São Paulo transparecem na ordem de reintegração de posse expedida pelo TJ-SP. E ficam ainda mais claras devido ao tamanho do efetivo policial usado na operação (2 mil homens).
Imaginem o que aconteceria se o governo federal tivesse destacado a sua polícia ou até o Exército para impedir uma medida que, para muitos juristas, procuradores da República e parlamentares foi flagrantemente ilegal e inconstitucional. Teria havido uma mini guerra civil.
E as ilegalidades não se resumiram ao 22 de janeiro. Nos dias seguintes, foi rápida a demolição das casas do Pinheirinho, o que foi feito de forma absolutamente ilegal porque havia determinação da Justiça suspendendo qualquer ato demolitório. E o pior: não havia nem recurso judicial contra tal determinação. Assim mesmo, as casas foram demolidas.
A história paulista, pois, é marcada pelo golpismo. O episódio do Pinheirinho deixou claro que as autoridades do Estado de São Paulo consideram-no quase um país à parte e que estão dispostas a ir até as últimas conseqüências para mantê-lo assim.
A imprensa paulista, que teve protagonismo em todos os movimentos golpistas que este país já viu – como em 1932 ou em 1964 –, continua igualzinha. O governo e a Justiça de São Paulo, idem. E depois há quem não acredite na possibilidade de uma nova ruptura institucional no Brasil. A declaração de guerra ao país feita pelo TJ-SP em 22 de janeiro, porém, diz outra coisa.
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Veja depoimento do defensor público Jairo Salvador durante Audiência em defesa dos moradores do Pinheirinho, realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo no último dia 1º de fevereiro de 2012
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Veja, também, depoimento do secretário da Presidência da República Paulo Maldos
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A mão que massacra é a mesma que vota

Posted by eduguim
Estou em um mau dia. Talvez escrevendo consiga afastar essa sensação insuportável de revolta e impotência que persiste há vários dias e que não dá sinais de querer amainar. E o pior é que, fustigado por esses sentimentos, não consigo me dedicar ao que faço para ganhar a vida.
Na segunda-feira, quando fui a São José dos Campos para ouvir depoimentos e colher denúncias dos flagelados do Pinheirinho, conversei com outras pessoas que lá estiveram com a mesma finalidade e elas me disseram que se sentiam da mesma forma. Parecia que estávamos em um velório.
Hoje, liguei para alguns daqueles com os quais dividi a missão de tentar dar voz ao povo massacrado pelos que elegeu. Como acontece comigo, todos continuam se sentindo da mesma forma.
Chego a sentir inveja dos comentaristas deste blog que conseguem vir aqui fazer piadas com o sofrimento daquela gente e até comemorá-lo. Gente desalmada talvez sofra menos na vida. Alguém sem sentimentos talvez não possa ser magoado…
Mas o que dói mesmo é saber que a mão que massacra o povo pobre do Brasil é a mesma que estende o indicador para premer o botão de voto na urna eletrônica. Ou não é aquele em quem o povo vota que massacra esse mesmo povo?
Quem votou em um lunático como Geraldo Alckmin, alguém que chega ao ponto de dizer que aquelas pessoas que viviam em habitações precárias agora vivem de forma digna? São os mesmos que ele está massacrando, ora.
E a gente não pode nem descansar de uma desgraça que aparece outra. Uma passadinha de olhos pelo Twitter e aparece a desocupação de um prédio na esquina da avenida Ipiranga com a avenida São João. Na matéria, a informação de que 230 famílias seriam jogadas na rua.
O Executivo e o Judiciário, que deveriam acabar com o problema da população de rua, são os mesmos que jogam pessoas na rua, entendem? Aliás, até o povo maltratado, que deveria proteger a si mesmo, não apenas não se protege, mas vota nos Alckmins da vida…
Mais uma olhada nas redes sociais e aparece o caso da mulher grávida que foi presa, entrou em trabalho de parto, foi levada ao hospital e lá deu à luz… ALGEMADA!
Quem disse que o Brasil saiu da ditadura? As violências que o Estado praticava em favor de um número infinitesimal de ricos contra a gigantesca massa de pobres, continuam idênticas. Torturas, execuções sumárias, estupros, expulsão de famílias de suas casas. Tudo igual.
A democracia, no Brasil, é uma fachada, uma mentira, simplesmente não existe. Conto da carochinha. Lenda. Que democracia? Houve democracia no Pinheirinho, em 22 de janeiro? Nem Deus estava lá…
E pensar que por todo o país, o tempo todo, acontecem coisas parecidas. Talvez não tanto, não tão frequentemente e com a dimensão que em São Paulo, pois não há outro lugar, neste país, que tenha um povo que goste tanto de sofrer. Mas acontecem.
E, muitas vezes, o silêncio de autoridades diante desses massacres ocorre porque elas têm o rabo preso. Ou, ao menos, não têm coragem de confrontar esse amaldiçoado status quo, o famigerado “sistema”. Acabaram-se, pois, os heróis, os idealistas…
Sim, este país precisa de heróis. Infelizmente, pois, como dizem, pobre do país que precisa de heróis. E este país precisa. Muito. Um herói que se projete ao ponto de sua voz não poder ser ignorada e que não hesite em ficar do lado certo na hora certa.
Lula foi um protótipo de herói. Fez mais do que qualquer outro já fez no sentido de ao menos dizer o que deveria ser dito, apesar de ter logrado reduzir a injustiça de forma prática e não apenas retórica. Mas faltou muito para chegar a ser o herói de que o Brasil precisa.
Não o culpo. Suas dificuldades foram maiores do que a maioria dos políticos enfrentaria se tentasse fazer o que ele fez. Sua origem o debilitou tanto quanto debilita a qualquer outro que vem da pobreza extrema. O preconceito é uma entidade sobrenatural.
Hoje, liguei para alguns daqueles com os quais dividi a missão de tentar dar voz ao povo massacrado pelos que elegeu. Como acontece comigo, todos continuam se sentindo da mesma forma.
Chego a sentir inveja dos comentaristas deste blog que conseguem vir aqui fazer piadas com o sofrimento daquela gente e até comemorá-lo. Gente desalmada talvez sofra menos na vida. Alguém sem sentimentos talvez não possa ser magoado…
Mas o que dói mesmo é saber que a mão que massacra o povo pobre do Brasil é a mesma que estende o indicador para premer o botão de voto na urna eletrônica. Ou não é aquele em quem o povo vota que massacra esse mesmo povo?
Quem votou em um lunático como Geraldo Alckmin, alguém que chega ao ponto de dizer que aquelas pessoas que viviam em habitações precárias agora vivem de forma digna? São os mesmos que ele está massacrando, ora.
E a gente não pode nem descansar de uma desgraça que aparece outra. Uma passadinha de olhos pelo Twitter e aparece a desocupação de um prédio na esquina da avenida Ipiranga com a avenida São João. Na matéria, a informação de que 230 famílias seriam jogadas na rua.
O Executivo e o Judiciário, que deveriam acabar com o problema da população de rua, são os mesmos que jogam pessoas na rua, entendem? Aliás, até o povo maltratado, que deveria proteger a si mesmo, não apenas não se protege, mas vota nos Alckmins da vida…
Mais uma olhada nas redes sociais e aparece o caso da mulher grávida que foi presa, entrou em trabalho de parto, foi levada ao hospital e lá deu à luz… ALGEMADA!
Quem disse que o Brasil saiu da ditadura? As violências que o Estado praticava em favor de um número infinitesimal de ricos contra a gigantesca massa de pobres, continuam idênticas. Torturas, execuções sumárias, estupros, expulsão de famílias de suas casas. Tudo igual.
A democracia, no Brasil, é uma fachada, uma mentira, simplesmente não existe. Conto da carochinha. Lenda. Que democracia? Houve democracia no Pinheirinho, em 22 de janeiro? Nem Deus estava lá…
E pensar que por todo o país, o tempo todo, acontecem coisas parecidas. Talvez não tanto, não tão frequentemente e com a dimensão que em São Paulo, pois não há outro lugar, neste país, que tenha um povo que goste tanto de sofrer. Mas acontecem.
E, muitas vezes, o silêncio de autoridades diante desses massacres ocorre porque elas têm o rabo preso. Ou, ao menos, não têm coragem de confrontar esse amaldiçoado status quo, o famigerado “sistema”. Acabaram-se, pois, os heróis, os idealistas…
Sim, este país precisa de heróis. Infelizmente, pois, como dizem, pobre do país que precisa de heróis. E este país precisa. Muito. Um herói que se projete ao ponto de sua voz não poder ser ignorada e que não hesite em ficar do lado certo na hora certa.
Lula foi um protótipo de herói. Fez mais do que qualquer outro já fez no sentido de ao menos dizer o que deveria ser dito, apesar de ter logrado reduzir a injustiça de forma prática e não apenas retórica. Mas faltou muito para chegar a ser o herói de que o Brasil precisa.
Não o culpo. Suas dificuldades foram maiores do que a maioria dos políticos enfrentaria se tentasse fazer o que ele fez. Sua origem o debilitou tanto quanto debilita a qualquer outro que vem da pobreza extrema. O preconceito é uma entidade sobrenatural.
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Brasil precisa de um Hugo Chávez
Posted by eduguim
Para quem se envolveu emocionalmente com o martírio de milhares de famílias atacadas violentamente pelo Estado brasileiro foi duro ser esbofeteado daquele jeito pela Globo e por seu despachante Geraldo Alckmin ontem (1º de fevereiro) à noite.
Dá para imaginar como aquelas famílias massacradas pelo carrasco que dirige São Paulo a serviço de alguns poucos bilionários se sentiram ao vê-lo expor novamente seu conceito de democracia.
Torna-se imperativa, assim, a reflexão de que se há uma coisa que não existe no Brasil é democracia. Como pode ser democrático que milhares de homens, mulheres, crianças e idosos sejam expulsos de suas casas a toque de bombas em benefício exclusivo de uma empresa privada?
O governador de São Paulo poderia ter tido a decência de dizer que o capitalismo é assim mesmo, um sistema econômico em que, como diz o nome, prevalece o capital em detrimento do homem, e que não tem culpa por o Brasil ter escolhido viver sob tal sistema.
Alckmin confunde regime político com sistema econômico. Na democracia, prevalece a vontade da maioria e no capitalismo, da minoria. Na democracia, quem decide é muita gente e no capitalismo são poucos os que tomam decisões que todos têm que acatar.
O Estado usar tropas para tirar milhares de pessoas de suas casas usando violência e depois jogá-las na rua ou em abrigos imundos a fim de beneficiar um grupo de ricaços que não lota um elevador é mero resultado do capitalismo, não da democracia.
Ah, mas foi apenas cumprimento da lei. Nem isso é verdade: havia conflito entre instâncias do Judiciário (estadual e federal). E se esse Judiciário não é capaz de observar que na democracia não pode atender ao interesse de poucos massacrando a muitos, tampouco é democrático.
É a segunda vez, em curto período, que Alckmin associa democracia a ações violentas da Polícia Militar, mesmo que o principal paradigma do regime democrático seja o de substituir a violência pelo diálogo.
Foi uma bofetada na democracia o Jornal Nacional levar ao ar a invenção absurda de que os moradores do Pinheirinho teriam sido obrigados por lideranças a ficarem ali no dia do despejo. Centenas de flagelados depuseram por escrito, assinaram o depoimento e nenhum relatou semelhante coisa.
De um lado, então, há milhares de pessoas com nome, sobrenome e imagem dizendo que não tentaram resistir por força de liderança alguma, mas porque simplesmente não tinham para onde ir; de outro, há uma gravação de alguém sem nome, sem rosto e que pode até ser falsa.
Há, ainda, um homem sem caráter que diz que antes os flagelados viviam em moradias precárias e que agora vivem em moradias dignas e uma emissora que divulga isso sem reparo algum, sem mostrar que agora é que estão vivendo em moradias precárias, para dizer o mínimo.
Quem defenderá este povo? A mídia inventa, mente, distorce, omite e não há um só político de peso (ao qual não se possa negar espaço) para desmascarar uma farsa que não resiste a trinta segundos de contraditório.
O povo brasileiro, que em grande parte vive em condições pouco melhores do que aquela em que viviam os flagelados do Pinheirinho antes de virarem moradores de rua, está indefeso diante da sanha do capitalismo selvagem.
Este país precisa de um líder feito de carne, osso e sangue nas veias e que seja capaz de se indignar ante aquela vergonha, ante aquele crime de lesa-humanidade que foi a nova aula de “democracia” de Geraldo Alckmin. O Brasil precisa mesmo é de um Hugo Chávez.
—–
Assista, abaixo, à “aula de democracia” que Geraldo Alckmin deu em 1º de fevereiro de 2012 na concessão pública que transmite o Jornal Nacional.
Dá para imaginar como aquelas famílias massacradas pelo carrasco que dirige São Paulo a serviço de alguns poucos bilionários se sentiram ao vê-lo expor novamente seu conceito de democracia.
Torna-se imperativa, assim, a reflexão de que se há uma coisa que não existe no Brasil é democracia. Como pode ser democrático que milhares de homens, mulheres, crianças e idosos sejam expulsos de suas casas a toque de bombas em benefício exclusivo de uma empresa privada?
O governador de São Paulo poderia ter tido a decência de dizer que o capitalismo é assim mesmo, um sistema econômico em que, como diz o nome, prevalece o capital em detrimento do homem, e que não tem culpa por o Brasil ter escolhido viver sob tal sistema.
Alckmin confunde regime político com sistema econômico. Na democracia, prevalece a vontade da maioria e no capitalismo, da minoria. Na democracia, quem decide é muita gente e no capitalismo são poucos os que tomam decisões que todos têm que acatar.
O Estado usar tropas para tirar milhares de pessoas de suas casas usando violência e depois jogá-las na rua ou em abrigos imundos a fim de beneficiar um grupo de ricaços que não lota um elevador é mero resultado do capitalismo, não da democracia.
Ah, mas foi apenas cumprimento da lei. Nem isso é verdade: havia conflito entre instâncias do Judiciário (estadual e federal). E se esse Judiciário não é capaz de observar que na democracia não pode atender ao interesse de poucos massacrando a muitos, tampouco é democrático.
É a segunda vez, em curto período, que Alckmin associa democracia a ações violentas da Polícia Militar, mesmo que o principal paradigma do regime democrático seja o de substituir a violência pelo diálogo.
Foi uma bofetada na democracia o Jornal Nacional levar ao ar a invenção absurda de que os moradores do Pinheirinho teriam sido obrigados por lideranças a ficarem ali no dia do despejo. Centenas de flagelados depuseram por escrito, assinaram o depoimento e nenhum relatou semelhante coisa.
De um lado, então, há milhares de pessoas com nome, sobrenome e imagem dizendo que não tentaram resistir por força de liderança alguma, mas porque simplesmente não tinham para onde ir; de outro, há uma gravação de alguém sem nome, sem rosto e que pode até ser falsa.
Há, ainda, um homem sem caráter que diz que antes os flagelados viviam em moradias precárias e que agora vivem em moradias dignas e uma emissora que divulga isso sem reparo algum, sem mostrar que agora é que estão vivendo em moradias precárias, para dizer o mínimo.
Quem defenderá este povo? A mídia inventa, mente, distorce, omite e não há um só político de peso (ao qual não se possa negar espaço) para desmascarar uma farsa que não resiste a trinta segundos de contraditório.
O povo brasileiro, que em grande parte vive em condições pouco melhores do que aquela em que viviam os flagelados do Pinheirinho antes de virarem moradores de rua, está indefeso diante da sanha do capitalismo selvagem.
Este país precisa de um líder feito de carne, osso e sangue nas veias e que seja capaz de se indignar ante aquela vergonha, ante aquele crime de lesa-humanidade que foi a nova aula de “democracia” de Geraldo Alckmin. O Brasil precisa mesmo é de um Hugo Chávez.
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Assista, abaixo, à “aula de democracia” que Geraldo Alckmin deu em 1º de fevereiro de 2012 na concessão pública que transmite o Jornal Nacional.
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Mestres do ódio carregado e engatilhado
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| Pepe Escobar |
12/1/2011, Pepe Escobar, Asia Times Online
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu. Via Castor Filho.
NEW YORK. Há uma aterrorizante conexão direta entre a retórica do ódio que arde como febre alta nos EUA, os tiros contra a deputada Gabrielle Giffords do Arizona, as ameaças de morte contra Julian Assange, fundador de WikiLeaks, e o nono aniversário da infame prisão em Guantánamo, Cuba. Essa conexão perturbadora deveria provocar calafrios na espinha, em quem tenha qualquer preocupação com direitos humanos, por remota que seja. Pois não provoca. Não, pelo menos, nos EUA.
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| Julian Assange |
Assange voltará ao tribunal em Londres dia 7 de fevereiro para audiência de dois dias inteiros sobre sua possível extradição para a Suécia, conectada ao ultra-nebuloso caso de camisinhas supostamente furadas e “sexo por surpresa”, coestrelado por duas fanzocas de Assange numa Estocolmo candente, em agosto passado.
Os advogados de Assange entenderam rapidamente o xis da questão: se ele for extraditado para a Suécia, o governo dos EUA moverá céus e terra até conseguir extraditá-lo para os EUA. Nos EUA, Assange pode ser condenado à morte, ou à pena irmã-gêmea dessa, nos termos da “guerra ao terror” – ser mandado para o limbo legal de Guantánamo. Para os EUA, o fato de que os tratados de direitos humanos proíbam extradição nessas condições é coisa de somenos.
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| Prisão de Guantánamo |
Almas simplórias, bem-intencionadas, talvez lembrem que o presidente Barack Obama dos EUA prometeu fechar Guantánamo. Nunca fechará. O Congresso dos EUA matará qualquer possibilidade de transferir “combatentes inimigos” para a pátria-mãe, para que tenham julgamento adequado. ACasa Branca está pronta para condenar pelo menos 40 daqueles prisioneiros a permanecer para sempre em Guantánamo – sem acusação formalizada, sem julgamento, só um buraco negro. E Bagram, no Afeganistão, segue o mesmo caminho. Esqueçam a Constituição dos EUA e a lei internacional.
Os direitos humanos tiveram de aparecer como parte crucial da estratégia de defesa de Assange, em sete partes – porque uma possível extradição viola o Artigo 3 da Convenção Europeia sobre Direitos Humanos. Assim, os advogados de Assange, no sumário inicial de 35 páginas de sua estratégia, foram obrigados a chamar atenção para a possibilidade real de Assange ser vítima de prisão ilegal e para “o risco real de ser condenado a pena de morte. Sabe-se que figuras destacadas da cena pública nos EUA já declararam implicitamente, quando não explicitamente, que o Sr. Assange deve ser executado.”
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| Sarah Palin |
Para que a ideia apareça com clareza para a opinião pública global, a própria WikiLeaks distribuiurelease para a imprensa, no qual destaca o paralelo inevitável entre a retórica de “peguem Assange” (a ex-governadora do Alaska Sarah Palin diria “recarregue e atire”) e a narrativa dos mestres do ódio da direita, que culminou, até agora, nos tiros contra Giffords. Palin é citada, porque conclamou o governo Obama a “caçar esse chefe de WikiLeaks como os Talibãs”.
A estrada à frente só aponta para radicalização – enquanto o ódio supura, numa configuração que o próprio Assange resumiu como “Orwelliana”. Assim como os ataques contra WikiLeaks são hoje mais fortes que nunca, assim também cresce o apoio global. E há muito mais a caminho. Até agora, só foram publicados 2.017 telegramas diplomáticos (nesse passo, o arquivo ainda não estará integralmente publicado no final da década). O próximo mega-alvo é o Banco da América. E há ainda preciosidades sobre a China, os EUA e, sim, Guantánamo.
Embora a parceria entre WikiLeaks e algumas publicações da imprensa global pareça ter chegado a um ponto de equilíbrio em termos jornalísticos, estamos a um passo de guerra declarada entre os que defendem a mídia como – a palavra já diz tudo – instituição de mediação, e os que apoiam o ethos de WikiLeaks, de descarregar blocos de realidade, com mínima intervenção. Embora nada vença a informação bruta, é essencial alguma contextualização e alguma edição. E o leitor que compare e decida se prefere a versão crua ou as versões filtradas.
O que mais preocupa é o fato de que o ponto crucial do argumento de WikiLeaks – se há políticos e figuras de destaque da mídia, promovendo o homicídio e incitando ao crime, ele deveriam ser acusados e processados nos termos da lei – não está tendo qualquer ressonância nem nos EUA nem no resto do mundo. Inevitavelmente, como argumenta WikiLeaks, se o grupo continuar a ser estigmatizado como uma espécie de nova al-Qaeda, certamente acontecerão outras tragédias semelhantes à de Tucson, Arizona.
![]() |
| Massacre de Tucson |
Não há evidência alguma de que os mestres do ódio nos EUA, que infestam o pântano do showmidiático e político corram qualquer risco de serem punidos. Não há evidência alguma de que os líderes do Partido Republicano tomarão atitude pública contra a retórica “peguem, matem e arrebentem”. O massacre no Arizona, que matou seis pessoas e feriu 14, já está sendo desqualificado em bloco, pelos círculos da direita, como mais um ato isolado, de mais um dos doidos solitários de sempre.
Portanto, não há sinal algum de que o crescimento acelerado, gráfico, endêmico, do fascismo na sociedade dos EUA esteja em vias de começar a ser enfrentado seriamente. Abandonai toda a esperança, vós que ansiais por debate adulto, sereno, racional na política dos EUA. Negócio lastimável, que o pensador político e historiador francês, Alexis de Tocqueville, previu há mais de um século e meio, emA Democracia na América.
Hoje é Giffords. Amanhã pode ser Assange. Mas o verdadeiro alvo somos todos nós.
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Fronteira sangrenta

25/08/2010 - 23:20 | Enviado por: Mauro Santayana
Por Mauro Santayana
O massacre de San Fernando, junto à fronteira dos Estados Unidos, é mais um movimento da guerra que os traficantes de drogas e de pessoas movem contra o Estado, no México. Os historiadores conseguem ver melhor os fatos atuais, porque encontram, na perversidade das circunstâncias, a origem do duradouro sofrimento do grande povo.
Apesar de sua proximidade com o país que simboliza o cimo da civilização moderna, ou por isso mesmo, o México constitui, com sua cultura, o contraponto à conquista europeia. Mais do que em outros países da América Latina, os mestiços conseguiram alçar-se ao poder político e econômico, desde a independência. Já no século 19, os descendentes dos astecas e de outras etnias nativas da América assumiam papel relevante na política mexicana. Grandes homens públicos – não obstante sua formação de fundo universal – mantiveram, geração após geração, a consciência de seus próprios valores, de sua própria forma de ver o mundo. No México, a presença de sangue indígena constitui razão de orgulho. A dupla alma mexicana – a autóctone, com suas profundas raízes na pré-história do continente, e a ibérica – mantém, com os Estados Unidos, relação difícil. A geografia os condenou à vizinhança, mas não se pode afirmar que sejam povos amigos. Os Estados Unidos roubaram-lhe a maior parte do território, em uma guerra injusta e desigual e, no fundo de cada mexicano que conhece a história, permanece a mágoa e o sonho de retomar o vasto espaço usurpado.
O novo e complicado fator de conflito é o consumo de drogas, essa peste moderna, que ameaça a coesão das sociedades políticas. Como a dialética não é mero jogo da razão, mas a sua essência, a popularização do uso dos narcóticos se deve aos Estados Unidos, nação criada em raro instante de grande inteligência política, e com suas sementes na seita dos convenants do puritanismo britânico.
A civilização está, mais do que em qualquer outro tempo, sob o acosso de circunstâncias terríveis. Não bastam os sinais de advertência da natureza, agredida e disposta a se defender do despautério dos homens. A ideia do Ocidente, que se universalizou e chegou a ser condutora da elite pensante em todos os continentes, se encontra hoje sob a erosão de seus esteios éticos. O massacre dos migrantes clandestinos em San Fernando, por mais tenebroso e circunscrito, não é crime menos importante do que a invasão do Iraque e do Afeganistão. Como já advertiu Santo Agostinho, a diferença entre bandos de malfeitores e os Estados está no exercício da justiça. Quando um Estado abandona sua razão de ser, que é a de buscar a justiça, se transforma em quadrilha de assaltantes.
A crise norte-americana, com o crescente mal-estar do povo, não é de governo mas do Estado, dominado, a partir da Segunda Guerra Mundial, pela aliança entre a indústria da energia, com base no petróleo, e a dos armamentos, com a corporação militar. Essa aliança, fortalecida por grandes investidores estrangeiros, controla os dois grandes partidos, o sistema financeiro e parte substantiva dos meios de comunicação.
Os Estados Unidos não parecem capazes de sobreviver em paz com o mundo. Com sua ambição de domínio imperial, são responsáveis pelos crimes em território estrangeiro, como no recente massacre de latino-americanos no México – mesmo que não haja a participação direta de seus agentes no episódio.
Ao mesmo tempo, recrudesce a resistência no Iraque e no Afeganistão, sem que o Pentágono se dê conta de que as duas guerras criminosas estão perdidas.
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