Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Em artigo, Fidel aponta holocausto palestino

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"O genocídio dos nazistas contra os judeus colheu o ódio de todos os povos da terra. Por que acredita o governo desse país que o mundo será insensível a este macabro genocídio que hoje está cometendo contra o povo palestino? Por acaso se espera que ignore quanto há de cumplicidade por parte do império norte-americano neste massacre desavergonhado?", questiona Fidel Castro, líder da Revolução Cubana


247 - Em artigo publicado no jornal Granma, o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, afirmou que Israel comete holocausto contra o povo palestino. Leia, abaixo, a tradução feita pelo site Vermelho e publicada pelo Opera Mundi:

Fidel Castro: Holocausto palestino em Gaza

Fidel Castro | Granma | Havana - 05/08/2014 - 12h24
 
Novamente, peço ao Granma que não dedique espaço de primeiro plano a estas linhas, relativamente breves, sobre o genocídio que se está cometendo contra os palestinos. Escrevo-as com rapidez apenas para deixar constância do que requer meditação profunda.

Penso que uma nova e repugnante forma de fascismo está surgindo com notável força neste momento da história humana, no qual mais de sete bilhões de habitantes se esforçam pela própria sobrevivência.

Nenhuma destas circunstâncias tem a ver com a criação do Império Romano há cerca de 2.400 anos, ou com o império norte-americano que, nesta região do mundo, há apenas 200 anos, foi descrito por Simón Bolívar quando exclamou que: “(...) os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a infestar a 

América com misérias em nome da Liberdade”.

A Inglaterra foi a primeira real potência colonial que usou seus domínios sobre grande parte da África, do Oriente Médio, da Ásia, Austrália, América do Norte e muitas das ilhas antilhanas, na primeira metade do século 20.

Não falarei, nesta ocasião, das guerras e dos crimes cometidos pelo império dos Estados Unidos ao longo de mais de cem anos, mas só registrarei o que quis fazer com Cuba, o que fez com muitos outros países no mundo e só serviu para provar que “uma ideia justa desde o fundo de uma caverna pode mais do que um Exército”.

A história é muito mais complicada do que tudo o que foi dito, mas foi assim, em grandes traços, como a conheceram os habitantes da Palestina e, é lógico, igualmente, que nos meios modernos de comunicação se reflitam as notícias que diariamente chegam; assim ocorreu com a vexatória e criminosa guerra na Faixa de Gaza, um pedaço de terra onde vive a população do que restou da Palestina independente até apenas meio século atrás.

A agência francesa AFP informou, no sábado (02/08): “a guerra entre o movimento islamita palestino Hamas e Israel causou a morte de cerca de 1.800 palestinos (...), a destruição de milhares de lares e a ruína de uma economia já debilitada”, ainda que não assinale, à partida, quem iniciou a terrível guerra.

Depois adiciona: “(...) no sábado, ao meio-dia, a ofensiva israelense havia matado 1.712 palestinos e ferido 8.900. As Nações Unidas puderam verificar a identidade de 1.117 mortos, majoritariamente civis. (...) A 

Unicef contabilizou ao menos 296 menores [de idade] mortos”.

“As Nações Unidas estimaram (...) (cerca de 58.900 pessoas) sem casas na Faixa de Gaza.”

“Dez dos 32 hospitais fecharam e outros 11 foram afetados.”

“Este enclave palestino de 362 quilômetros quadrados não dispõe tampouco das infraestruturas necessárias para os 1,8 milhão de habitantes, sobretudo em termos de distribuição de eletricidade e de água.”

“Segundo o Fundo Monetário Internacional, a taxa de desemprego ultrapassa 40% na Faixa de Gaza, território submetido, desde 2006, a um bloqueio israelense. Em 2000, o desemprego afetava cerca de 20% e, em 2011, cerca de 30%. Mais de 70% da população depende da ajuda humanitária em tempos normais, segundo o Gisha [Centro Legal para a Liberdade de Movimentação].” 

O governo de Israel declara uma trégua humanitária em Gaza às 07h00 (hora de Greenwich) desta segunda-feira (04/08), entretanto, às poucas horas rompeu a trégua ao atacar uma casa em que 30 pessoas, em sua maioria mulheres e crianças, foram feridas e, entre elas, uma menina de oito anos, que morreu.

Na madrugada deste mesmo dia, 10 palestinos morreram como consequência dos ataques israelenses em toda a Faixa e já subiu a quase 2 mil o número de palestinos assassinados.

A matança chegou a tal ponto que o “ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, anunciou nesta segunda-feira (04/08) que o direito de Israel à segurança não justifica o ‘massacre de civis’ que está perpetrando”.

O genocídio dos nazistas contra os judeus colheu o ódio de todos os povos da terra. Por que acredita o governo desse país que o mundo será insensível a este macabro genocídio que hoje está cometendo contra o povo palestino? Por acaso se espera que ignore quanto há de cumplicidade por parte do império norte-americano neste massacre desavergonhado?

A espécie humana vive uma etapa sem precedentes na história. Um choque de aviões militares ou aeronaves de guerra que se vigiam estreitamente ou outros fatos similares podem desatar uma contenda com o emprego das sofisticadas armas modernas que se converteria na última aventura do conhecido Homo sapiens.

Há fatos que refletem a incapacidade quase total dos Estados Unidos para enfrentar os problemas atuais do mundo. Pode-se afirmar que não há governo nesse país, nem o Senado, nem o Congresso, a Agência 

Central de Inteligência, o Pentágono, que determinarão o desenlace final. É triste, realmente, que isso ocorra quando os perigos são maiores, mas também as possibilidades de seguir adiante.

Quando houve a Grande Guerra Patriótica, os cidadãos russos defenderam seu país como espartanos; subestimá-los foi o pior erro dos Estados Unidos e da Europa. Seus aliados mais próximos, os chineses, que, como os russos, obtiveram a sua vitória a partir dos mesmos princípios, constituem hoje a força econômica mais dinâmica da terra. Os países querem yuanes, e não dólares, para adquirir bens e tecnologia e incrementar o seu comércio.

Novas e imprescindíveis forças surgiram. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, cujos vínculos com a América Latina e com a maioria dos países do Caribe e da África, que lutam pelo desenvolvimento, constituem a força que, em nossa época, está disposta a colaborar com o resto dos países do mundo sem excluir os Estados Unidos, a Europa e o Japão.

Culpar a Federação Russa pela destruição, em pleno voo, do avião da Malásia é de um simplismo desconcertante. Nem Vladimir Putin ou Serguei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, nem os demais dirigentes deste governo fariam, jamais, semelhante disparate.

Vinte e seis milhões de russos morreram na defesa da Pátria contra o nazismo. Os combatentes chineses, homens e mulheres, filhos de um povo de cultura milenar, são pessoas de inteligência privilegiada e espirito de luta invencível, e Xi Jinping é um dos líderes revolucionários mais firmes e capazes que já conheci na minha vida.

Texto escrito 04 de agosto às 22h45. Tradução de Moara Crivelente, da Redação do Vermelho

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Netanyahu no inferno dos inimigos da humanidade

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Sob a desaprovação do mundo e forte constrangimento até mesmo do seu principal aliado, os Estados Unidos, Benjamin Netanyahu prossegue genocídio de crianças e civis aos olhos do mundo, na Faixa de Gaza; depois do bombardeio a um hospital, forças israelenses dispararam contra escola da ONU, matando 15 pessoas e ferindo 200; na mitologia, Netanyahu, ao dar a ordem para os ataques que já mataram mais de 120 crianças, se iguala a Herodes; na história real, desce ao inferno de monstros como Slobodan Milosevic, Adolf Hitler e Idi Amin Dada, entre outros; Brasil condena ação tresloucada de Israel e ouve de volta que é "um anão diplomático"; resposta rasteira era esperada; sionistas assassinos é que são anões morais; vozes isoladas na mídia tradicional defendem morticínio; a que ponto se pode chegar?

247 – Dar as ordens para bombardeios que já mataram mais de 120 crianças, 600 civis e atingiram dois hospitais e por duas vezes uma escola da ONU na Faixa de Gaza fazem descer ao inferno dos inimigos da humanidade o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Com um fúria típica dos genocidas tresloucados como Adolf Hitler, com quem foi comparado pelo primeiro-ministro da Turquia, o sérvio Slobodan Milosevic, o ugandense Idi Amin Dada e outros, Netanyahu fecha os ouvidos a todos os apelos internacionais e prossegue no ataque covarde contra a população palestina civil.

Disparos israelenses feitos nesta quinta-feira atingiram novamente uma escola da ONU que protegia refugiados palestinos. O número de mortos pode chegar a 15, incluindo crianças e um bebê de um ano de idade, além de 200 feridos. O caso aconteceu em Beit Hanoun, norte da Faixa de Gaza. O secretario-geral da ONU, Ban Ki-moon, se disse chocado com o ataque, que também matou, além de mulheres e crianças, funcionários das Nações Unidas.

Maior aliado no acobertamento dos crimes de guerra de Israel, até os Estados Unidos estão constrangidos com o nível de barbárie praticado por Israel. Todas as regras de guerra foram quebradas, dando aos ataques a marca de um massacre. Tanto é assim que ainda não há nenhuma saída aberta à população civil para deixar o território. As tropas israelenses fecharam todas as fronteiras, tornando comum a situação de não haver lugar seguro para ninguém.

Em três dias consecutivos, depois de promover um domingo sangrento com a morte de mais de 100 civis, os militares israelenses atacaram com bombas um hospital, onde quatro pessoas morreram, uma escola da ONU e centenas de alvos civis, provocando a morte de mais de 700 palestinos até agora, contra menos de 70 baixas entre os israelenses.

Manifestando uma posição que hoje é global, o Brasil condenou duramente os ataques de Israel. Em participar de um diálogo de nível civilizado, no entanto, os diplomatas brasileiros ouviram como resposta de representantes de Israel que o País seria um 'anão moral'. A reação tem o mesmo padrão rasteiro da política externa do regime sionista israelense, esse sim um verdadeiro anão moral.

No Brasil, infelizmente, vozes isoladas procuram emprestar, como se fosse possível, alguma legitimidade ao morticínio de indefesos que está em curso na Faixa de Gaza sob um pretexto esfarrapado de tapar túneis transfronteiriços. Na verdade, o que está em curso é mais etapa da limpeza étnica que Israel promove desde a sua criação como Estado contra o povo palestino.

Abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre a resposta de Israel, que chama o Brasil de "anão diplomático":
Israel critica postura do governo brasileiro sobre conflito em Gaza

Danilo Macedo - O governo de Israel criticou a postura do governo brasileiro de convocar o embaixador em Tel Aviv para consultas e a publicar duas notas, em uma semana, considerando inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. No texto divulgado ontem (24), o Brasil "condena energicamente o uso desproporcional da força" por Israel na Faixa de Gaza.

Em comunicado à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores de Israel, por meio do porta-voz, Yigal Palmor, manifestou "desapontamento" diante da convocação do embaixador brasileiro. "Israel manifesta o seu desapontamento com a decisão do governo do Brasil de retirar seu embaixador para consultas. Esta decisão não reflete o nível das relações entre os países e ignora o direito de Israel de se defender. Tais medidas não contribuem para promover a calma e a estabilidade na região. Em vez disso, eles estimulam o terrorismo, e, naturalmente, afetam a capacidade do Brasil de exercer influência", informa o texto.

Yigal Palmor disse que "Israel espera o apoio de seus amigos em sua luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por muitos países no mundo". Jornais israelenses noticiaram críticas mais duras do porta-voz. De acordo com o jornal judaico The Jerusalem Post, Palmor disse que "essa é uma demonstração lamentável de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático", e acrescentou que "o relativismo moral por trás deste movimento faz do Brasil um parceiro diplomático irrelevante, aquele que cria problemas em vez de contribuir para soluções".

Na nota publicada nessa quarta-feira, o Ministério de Relações Exteriores também reiterou seu chamado a um "imediato cessar-fogo" entre as partes. O Itamaraty explicou que, diante da gravidade da situação, votou favoravelmente à resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas que condena a atual ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza e cria uma comissão internacional para investigar todas as violações e julgar os responsáveis.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) também reagiu. "A Confederação Israelita do Brasil vem a público manifestar sua indignação com a nota divulgada pelo nosso Ministério das Relações Exteriores, na qual se evidencia a abordagem unilateral do conflito na Faixa de Gaza, ao criticar Israel e ignorar as ações do grupo terrorista Hamas", destaca o texto.

"Uma nota como a divulgada nesta quarta-feira só faz aumentar a desconfiança com que importantes setores da sociedade israelense, de diversos campos políticos e ideológicos, enxergam a política externa brasileira", criticou a Conib, representante da comunidade judaica brasileira, que disse compartilhar da preocupação do povo brasileiro e expressar "profunda dor pelas mortes dos dois lados do conflito", além de também esperar um cessar-fogo imediato.

Na nota publicada no dia 17 de julho, o governo brasileiro afirmou que "condena, igualmente, o lançamento de foguetes e morteiros de Gaza contra Israel". Apesar de ter sido classificado como "anão diplomático", o Brasil e a Alemanha são os únicos países a ter relações diplomáticas com todas as nações do mundo. Ontem, foi um dos 29 países a votar a favor da resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Houve 17 abstenções e apenas um voto contra, dos Estados Unidos. Além do Japão, todos os países europeus presentes, incluindo a França, o Reino Unido e a Alemanha, optaram pela abstenção.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O sionismo que ensombra o Mundo - Eça de Queiroz comenta a acção dos judeus na Alemanha

[......] Mas o pior ainda, na Alemanha, é o hábil plano com que fortificam a sua prosperidade e garantem a sua influência – plano tão hábil que tem o sabor de uma conspiração: (*) na Alemanha, o judeu, lentamente, surdamente, tem se apoderado das duas grandes forças sociais – a Bolsa e a Imprensa. Quase todas as casas bancárias, quase todos os grandes jornais estão na posse do semita. Assim, torna-se inatacável. De modo que não só expulsa o alemão das profissões liberais, o humilha com a sua opulência rutilante, e o traz dependente do capital; mas, injúria suprema, pela voz de seus jornais, ordena-lhe o que há de fazer e com quem há de se bater! Tudo isso seria suportável se o judeu se fundisse com a raça indígena. Mas não. O mundo judeu conserva-se isolado, compacto, inacessível e impenetrável. As muralhas formidáveis do templo de Salomão, que foram arrasadas, continuam a pôr em torno dele um obstáculo de cidadelas. Dentro de Berlim há uma verdadeira Jerusalém, inexpugnável: aí se refugiam com o seu Deus, os seus costumes, o seu Sabbath, a sua língua, o seu orgulho, a sua secura, gozando o ouro e desprezando o cristão. Invadem a sociedade alemã, querem lá brilhar e dominar, mas não permitem que o alemão meta sequer o bico do sapato dentro da sociedade judaica. Só casam entre si; entre si ajudamente, regiamente, dando-se uns aos outros milhões, mas não favoreceriam com um troco um alemão esfomeado; e põe orgulho, um coquetismo insolente em se diferenciar do resto da nação em tudo, desde a maneira de pensar até a maneira de vestir. [......]

Eça de Queiróz
 In Cartas de Inglaterra, Israelismo.
Livraria Chardron, Lelo & Irmão, Porto, 1907.
NOTA:
(*)   Se a desconfiança e a hostilidade contra os judeus tivesse surgido somente num único país e só numa determinada época, seria fácil identificar as razões dessa aversão. Mas, ao contrário, essa raça é, desde há muito tempo, antipatizada pelos habitantes de todas as terras e nações no seio das quais se estabeleceu. Como os inimigos dos judeus existiram entre os mais diversos povos, os quais habitavam regiões distantes entre si e eram regidos até por leis determinadas por princípios opostos e se não tinham os mesmos costumes, e eram distintos no espírito de suas culturas, então as causas do anti-semitismo devem ser procuradas entre os próprios judeus, e não entre os seus antagonistas.
Bernard Lazare
anarquista judeu 
Antisémitisme, son histoire et ses causes, Paris 1934, Tomo I, pág.32
No Guerra Silenciosa

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Ilan Pappé: As perspectivas de solução para o conflito Israel-Palestina

por Jair de Souza

Em 2010, o brilhante professor e humanista israelense Ilan Pappé deu uma palestra magnífica sobre o significado do sionismo: suas características inerentemente colonialistas e racistas.

Ilan Pappé observou como é enganosa a ideia propalada por certos círculos da “esquerda” europeia de que entre os sionistas israelenses há forças democráticas de esquerda que estariam interessadas em chegar a uma solução justa com os palestinos.

Ilan Pappé deixou patente que não há diferenças significativas no comportamento colonialista e racista tanto da direita como da “esquerda” sionistas. Ambas correntes compartilham igualmente o objetivo e o desejo de livrar-se da presença do povo palestino nativo. A única grande diferença está em que a “esquerda” sabe manipular as palavras muito mais habilmente que seus pares direitistas. Daí que, para os que lutam realmente para o fim do colonialismo naquela região, esta “esquerda” seja até mais perigosa do que a direita aberta e declarada, uma vez que, com seu palavreado ardiloso, ela consegue neutralizar boa parte da intelectualidade europeia, que parece contentar-se tão somente com palavras de efeito, independentemente da realidade sobre o terreno.

Para Pappé, a luta contra o colonialismo e o racismo na Palestina exige que o combate seja feito primeira e abertamente contra a ideologia que o impulsa, sustenta e ampara, ou seja, contra o sionismo. Sem a derrota ideológica do sionismo não há perspectivas de paz e justiça na Palestina.

Como Pappé tratou de várias questões de fundamental importância (em minha opinião) para o desenvolvimento do trabalho de solidariedade com a luta anticolonialista do povo palestino, resolvi traduzir e legendar a memorável palestra de 2010. Dividi-a em quatro partes, que compartilho com vocês, leitores do Viomundo.






sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Irã e a III Guerra Mundial


Mauro Santayana, extraído do JB online:

por Mauro Santayana

O jornalista e escritor britânico Douglas Reed, que morreu em 1976, pode ter sido um dos homens mais alucinados do século 20, como dizem seus biógrafos. Combatente na Primeira Guerra Mundial, quando ficou gravemente ferido no rosto, ele se fez jornalista e correspondente do Times de Londres em vários paises da Europa. Em seus despachos de Berlim, se destacou como  corajoso e violento anti-nazista. Foi o primeiro não comunista a denunciar a farsa do incêndio do Reichstag, acusando pessoalmente Hitler de ter sido o responsável pelo ato de provocação.


Quando se deu conta de que viria o Anschluss (a anexação da Áustria à Alemanha), ele,  então em Viena, escreveu, em poucas semanas,  seu livro mais conhecido, Insanity Fair publicado em Londres em 1938. Nele, advertiu contra a tolerância em favor de Hitler, e previu a imediata eclosão da 2ª. Guerra Mundial. Meses depois, com a capitulação das potências européias em Munique, no caso dos sudetos,  deixou de trabalhar para o Times, cuja posição era também apaziguadora.


A partir de 1940, Reed se tornou  anti-sionista -  não anti-semita. Mas aceitou a tese conspirativa e fantasiosa de que os comunistas e os sionistas eram aliados para dominar o mundo. Para ele, os nazistas favoreciam os sionistas, ao transformar os judeus em vítimas. Em seus artigos, previu que o Estado de Israel, a ser criado na Palestina, como determinava o projeto sionista de Max Nordau e Theodor Herzl, viria a ser o germe da grande conspiração para o domínio sionista do planeta, mediante um governo mundial.


Enfim, aceitava a famosa manipulação do “Protocolo dos Sábios de Sião”. Logo depois do armistício de 1945, previu que esse governo mundial seria  dotado de armas atômicas, como propusera o banqueiro e assessor de Roosevelt,  Bernard Baruch, também filho de judeus  de origem européia. De acordo com o Plano Baruch, nenhum outro país, além dos Estados Unidos, deveria desenvolver armas atômicas. O congelamento sugerido foi rejeitado com vigor pelos soviéticos.


Mas a citação de Reed nesta coluna se deve a uma frase profética do posfácio que acrescentou à edição original de Insanity Fair. Reed conta que, ao visitar a então Tchecoslováquia, pouco antes do Tratado de Munique, se deu conta de que os seus soldados estavam mobilizados na fronteira, contra a prevista invasão do território pelos alemães – e contavam com a Inglaterra, mais do que com a França, para resistir. Enquanto isso, diz Reed, os ingleses abandonavam os tchecos. Naquele momento, deduziu o escritor, o mais poderoso império da História – o britânico – entrava em sua inexorável fase de declínio. Reed registra, na frase inquietante, a sensação de que o desastre era desejado, ao dirigir-se a seus compatriotas: “E até onde eu posso entender vocês, parecem desejar que isso ocorra”.


Advertiu que ao apoderar-se de países vulneráveis, mas senhores de matérias primas, de energia,  de mão de obra e de soldados, a Alemanha se faria inexpugnável, invulnerável e  invencível, e dominaria toda a Europa – o que viria a ocorrer fora das Ilhas, até a virada em Stalingrado.


Outras são as circunstâncias de nosso tempo, mas a insanity fair parece a mesma. Se a Palestina é muitíssimo mais indefesa do que era a Tchecoslováquia de Benes e Hocha, o Irã é sempre a Pérsia. Ao não reagir contra as perspectivas de um conflito, os europeus de hoje, como os ingleses de Eden e Chamberlain, parecem desejá-lo. Talvez suponham que possam associar-se aos norte-americanos no governo do mundo. Mas o tempo de Baruch passou. Hoje, se os Estados Unidos, a Grã Bretanha, a França – e até Israel – dispõem de armas nucleares, a Rússia, a Ucrânia, a China, o Paquistão e a Índia também as têm.


Os arsenais do Pentágono dispõem de armas para destruir o mundo, mas não de recursos humanos e bélicos para a conquista e domínio do planeta.            É bom, no entanto, anotar uma das profecias de Reed, ao analisar o Plano Baruch, e o associar ao sionismo. Segundo Reed, haveria uma Terceira Guerra Mundial, com a criação de um governo planetário, a ser imposto e exercido pelos sionistas. É uma profecia perversa e, como podemos supor, improvável. Primeiro, porque surgem em Israel e nos Estados Unidos  vozes de bom senso, que advertem contra esses arquitetos do apocalipse. Quando Meir Dagan, ex-dirigente do Mossad – a agência de espionagem e contra-espionagem de Israel, mais eficiente do que a CIA – diz, em palestra na Universidade de Tel-Aviv, que um ataque ao Irã é “uma idéia estúpida”. Dagan advertiu que qualquer iniciativa militar contra Teerã conduzirá a uma guerra regional, com gravíssimas conseqüências para todos. É sinal de que alguma coisa  muda em Israel.  Mas não  apenas em Israel. Nos Estados Unidos, alguns chefes militares também tentam convencer o presidente Obama  – a cada dia mais servidor dos belicistas do Pentágono – de que um ataque ao Irã poderá levar a uma nova guerra mundial, e de resultados imprevisíveis.


Em artigo publicado pelo New York Times de 14 deste mês, o general John.H.Johns  deixa bem claro o perigo, ao afirmar que um ataque ao Irã seria repetir a aventura do Iraque, com mais dificuldades ainda, e que o país dispõe de meios militares para rechaçar qualquer ataque. Opinião semelhante é a do general Anthony Zinni, outro respeitado chefe militar. Como sempre ocorre, ele e Johns são hoje oficiais reformados.


Informa-se também que chefes militares da ativa estiveram recentemente com Obama, a fim de demovê-lo de apoiar qualquer iniciativa bélica de Israel contra o Irã. Obama balançou os ombros.


A principal mudança, no entanto, é a tomada de consciência de grande parte dos cidadãos dos Estados Unidos e de Israel de que o inimigo não está fora de suas fronteiras, mas dentro delas. As desigualdades sociais e a angústia em que vivem, em estado de guerra permanente, levam o povo às ruas. Em Israel, cerca de 500.000 pessoas foram às ruas contra o desemprego, a corrupção e o enriquecimento de poucos, diante das crescentes dificuldades da maioria. Os protestos nos Estados Unidos aumentam, apesar da repressão violenta.


E é nesse quadro geral que os Estados Unidos buscam uma aproximação maior com a Argentina, com o propósito bem claro de reavivar a antiga desconfiança entre aquele país e o Brasil. Não é a primeira vez, embora esperemos que seja a última, em que Washington atua em busca da cizânia entre os dois maiores países da América do Sul. Não parece provável que obtenham êxito. Nos últimos anos, argentinos e brasileiros começaram a entender que estão destinados a viver em paz, e unidos na defesa de seus interesses comuns, que são os do continente.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O povo palestino está reivindicando o reconhecimento da Palestina como Estado.

 
Fazendo pressão para ver se EUA e Israel saem do caminho. Move over, USA and Israel!!!


E lembrem-se: em setembro, todo mundo nas ruas e praças, acampados para que os países-membros da ONU votem pelo reconhecimento do Estado da Palestina.

Estão previstos "acampados" aqui na Palestina, no Egito, na Tunísia, no Líbano, em Nova York (em frente à ONU) e em outras partes do mundo, entre 13 e 22 de novembro, que é quando a AGE da ONU se reúne para decidir sobre o reconhecimento do Estado palestino.

Repasse a seus contatos. Quanto mais gente, melhor!

+++
1958 - Pela Palestina JÁ!
Aliança RECOs
Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras
Uau! Mais de 340.000 assinaturas em apenas 3 dias! A assembleia das Nações Unidas será hoje. Vamos conseguir 500 mil assinantes e pressionar nossos chefes de governo a reconhecer a Palestina! Assine a petição urgente e divulgue-a a todos os seus contatos.

Caros amigos,


O povo palestino está reivindicando o reconhecimento da Palestina como Estado. Mais de 120 países já endossaram essa reivindicação, mas os Estados Unidos e Israel se recusam a unir-se a eles e as lideranças de países importantes da Europa estão em cima do muro. Se conseguirmos persuadir a Europa a apoiar essa proposta não-violenta e legítima agora, isso poderá gerar uma drástica mudança rumo à paz. Clique aqui para assinar a petição:

Assine a peticao
Dentro de quatro dias, o Conselho de Segurança da ONU se reunirá e o mundo terá oportunidade de aceitar uma nova proposta capaz de reverter décadas de fracasso nas negociações para a paz entre Israel e Palestina: o reconhecimento da Palestina como Estado pela ONU.

Mais de 120 países do Oriente Médio, África, Ásia e América Latina já endossaram essa iniciativa, mas o governo de direita de Israel e os Estados Unidos opõem-se veementemente a ela. Portugal e outros importantes países europeus ainda estão indecisos, mas uma gigantesca pressão pública agora poderá convencê-los a votar a favor dessa importante oportunidade de dar fim a 40 anos de ocupação militar.

As iniciativas de paz lideradas pelos EUA têm fracassado há décadas, enquanto Israel tem confinado o povo palestino a pequenas áreas, confiscando suas terras e impedindo sua independência. Esta nova e corajosa iniciativa poderá ser a melhor oportunidade de impulsionar a solução do conflito, mas a Europa precisa assumir a liderança. Vamos construir um apelo global em massa para que Portugal e outros importantes países europeus endossem imediatamente a proposta de soberania e vamos deixar claro que cidadãos de todos os cantos do mundo apoiam essa proposta legítima, não-violenta e diplomática. Assine a petição e envie esta mensagem a todos os seus contatos:

http://www.avaaz.org/po/independence_for_palestine_9/?vl

Embora as raízes do conflito entre Israel e Palestina sejam complexas, a maioria das pessoas em todos os lados concordam que o melhor caminho rumo à paz imediata é a criação de dois Estados. Porém, vários processos de paz têm sido arruinados pela violência em ambos os lados, pela ampla construção de assentamentos na Cisjordânia e pelo bloqueio humanitário na Faixa de Gaza. A ocupação israelense diminuiu e fragmentou o território onde se poderia construir um Estado palestino e transformou a vida cotidiana do povo palestino em um suplício atroz. A ONU, o Banco Mundial e o FMI recentemente anunciaram que os palestinos estão prontos para administrar um Estado independente, mas eles dizem que a principal restrição ao sucesso dessa empreitada é a ocupação israelense do território palestino. Até mesmo o presidente norte-americano pediu o fim da expansão dos assentamentos e o retorno às fronteiras de 1967 com trocas de territórios em comum acordo, mas o primeiro-ministro israelense Netanyahu, furioso, recusou-se a cooperar.

Chegou a hora de uma drástica mudança, deixando de lado um processo de paz inútil e partindo para um novo caminho de progresso. Enquanto os governos de Israel e Estados Unidos classificam a iniciativa palestina de “unilateral” e perigosa, a verdade é que a esmagadora maioria das nações do mundo apoiam essa proposta diplomática não-violenta. O reconhecimento mundial da Palestina como Estado poderá derrubar os extremistas e fomentar um crescente e não-violento movimento palestino-israelense em consonância com a arrancada da democracia em toda a região. E o mais importante é que ele retomará um caminho rumo a um programa de assentamento negociado, permitirá aos palestinos acesso a diversas instituições internacionais que podem ajudar a promover a liberdade da Palestina e enviará um sinal transparente ao governo de Israel, que é favorável aos assentamentos, de que o mundo não mais aceita a impunidade e intransigência dos israelenses.

Israel já passou tempo demais enfraquecendo a esperança de criação de um Estado palestino. Os Estados Unidos já passaram tempo demais satisfazendo as exigências de Israel, com o apoio da Europa. Neste momento, Portugal, França, Espanha, Alemanha, Reino Unido e o Alto Representante da UE estão indecisos quanto à soberania palestina. Vamos fazer um apelo para que eles assumam o lado certo da história e apoiem uma declaração palestina de liberdade e independência, prestando ampla assistência e ajuda financeira. Assine a petição urgente agora mesmo para pedir que a Europa apoie a proposta e endosse essa iniciativa de paz duradoura entre Israel e Palestina:

http://www.avaaz.org/po/independence_for_palestine_9/?vl

A soberania palestina não significará de uma hora para a outra o fim desse espinhoso conflito, mas o reconhecimento pela ONU mudará a dinâmica e começará a abrir a porta rumo à liberdade e paz. Em toda a Palestina, as pessoas estão se preparando com esperança e expectativa para recuperar uma liberdade que sua geração nunca viveu. Vamos dar nosso apoio e pressionar as lideranças europeias a fazer o mesmo, assim como elas apoiaram os povos do Egito, Síria e Líbia.

Com esperança,

Alice, Ricken, Stephanie, Morgan, Pascal, Rewan e toda a equipe da Avaaz

MAIS INFORMAÇÕES

Palestinos estão decididos a se tornar um membro pleno da ONU
http://bit.ly/rhR0vM

Liga Árabe endossa projeto de reconhecimento palestino
http://bit.ly/nG4vEF

Marcha cobra reconhecimento de estado palestino por ONU
http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/israelenses-e-palestinos-protestam-por-estado-palestino

Israel: demanda palestina na ONU será fim do processo político
http://bit.ly/pb7W3o

Palestina: Estado Número 194?
http://portuguese.ruvr.ru/2011/07/15/53280044.html

Israelenses e palestinos se unem em manifestação por independência palestina
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110715_palestinos_manifestacao_gf.shtml

Lista de países que reconhecem o Estado da Palestina (em inglês)
http://www.avaaz.org/en/countries_recognizing_palestine/?info
 
 

terça-feira, 19 de julho de 2011

A covardia não vai vencer os meninos palestinos



A organização  de direitos humanos israelense B’Tselem  acusou hoje o governo de Israel de, além de prender, levar a julgamento crianças palestinas acusadas de jogar pedras em nas tropas israelenses nos territórios árabes ocupados.
Segundo a BBC, o grupo apresentou hoje um relatório que indica  que cerca de 93% dos menores palestinos presos na Cisjordânia foram julgados em tribunais militares e condenados a penas de até 20 meses.
Embora  os tribunais  de Israel proíbam a detenção de qualquer criança menor de 14 anos, os pesquisadores do B’TSelem entrevistaram 50 menores palestinos e 30 deles relataram ter sido retirados de suas casas no meio da noite e que seus pais não puderam acompanhá-los. Mais de 20 disseram que não puderam dormir, ir ao banheiro ou comer enquanto esperavam pelo interrogatório.
Segundo o correspondente da BBC na Cisjordânia Jon Donnison, o Exército israelense disse em um comunicado que atirar pedras é uma “transgressão criminal séria” e que muitas crianças estavam sendo exploradas pelo que foram chamados de “grupos terroristas”.
Jogar pedras em tropas e blindados de Israel é algo que as crianças palestinas estão fazendo desde 1987, quando começou a intifada, ou revolta das pedras. E vão continuar fazendo, enquanto não lhes devolverem sua terra e seu país.
E viva estas crianças valentes, como também os jovens que, a exemplo da moça deste vídeo que postamos aqui, ano passado, colocam suas vidas, literalmente, a serviço de seu povo e de seu país.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pelo Estado da Palestina Já!


O Povo Palestino tem o direito de ter o seu próprio Estado, livre, democrático e soberano! Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Plano de Partilha da Palestina, que resultou na criação do Estado de Israel. Essa iniciativa criou uma tragédia cotidiana para o povo palestino. Mais de 500 vilas e comunidades palestinas foram destruídas. Milhares foram presos, torturados e assassinados.
Palestinos foram expulsos de suas casas e de centenas de cidades. Cerca de 4,5 milhões de refugiados palestinos vivem hoje pelo mundo, sendo que a maioria destes se encontra nas fronteiras da Palestina ocupada, e o Estado de Israel segue negando o direito de retorno para todos. A ocupação militar israelense, com o apoio das potencias ocidentais, avançou e conquistou novos territórios, em Gaza, Cisjordânia, Jerusalém e até mesmo nas terras sírias das Colinas de Golã e no Sul do Líbano.
Caberá a ONU, com base no direito internacional e em suas próprias resoluções, (em especial a 181, de 1947, que reconhece o Estado da Palestina) ratificar e admitir o Estado da Palestina como membro pleno da organização, caso contrário, será conivente com os crimes cometidos pelo colonialismo israelense contra o povo palestino.
Em setembro deste ano, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), reconhecida internacionalmente como única e legítima representante do povo palestino, irá solicitar da ONU a aprovação do Estado da Palestina como membro pleno desta organização.
Enquanto o povo palestino vem insistindo por uma paz justa para o conflito, os sucessivos governos israelenses continuam não cumprindo as inúmeras resoluções da ONU, mantendo nos cárceres mais de oito mil presos políticos, reprimindo violentamente as manifestações pacíficas de palestinos e israelenses que defendem a criação do Estado da Palestina e seguindo na construção do muro do apartheid ou muro da vergonha, um muro que hoje já tem cerca de 500 km de extensão, e que proíbe a livre circulação de pessoas e produtos entre as cidades e vilas palestinas.
Uma paz justa e duradoura pressupõe a criação, de fato, do Estado da Palestina, e a inclusão deste como membro pleno da ONU, com todos os direitos e deveres que tal decisão implica.
Estados Unidos e Israel comandam a oposição sistemática para que os direitos inalienáveis do povo palestino ao retorno e à autodeterminação não sejam cumpridos.
Se a ONU permitiu a incorporação do Estado de Israel como membro pleno, apesar do mesmo não obedecer aos princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas, e de violar cotidianamente os direitos humanos, econômicos, sociais, políticos e culturais dos palestinos, é preciso que o Estado da Palestina também tenha o direito de existir plenamente já.
Apoiaremos as mobilizações populares dos palestinos que lutam contra o governo antidemocrático de Israel. Nós, militantes de organizações representativas do povo brasileiro, afirmamos: apoiar o povo palestino é apoiar todos os povos em sua caminhada de paz, justiça e liberdade!
Comitê Palestrina Livre

domingo, 26 de junho de 2011

Barco de ajuda a Gaza responde ao governo Obama





24/6/2011, Countercurrents – http://www.countercurrents.org/aoh240611.htm
Atenas, 24/6/2011 – Os ativistas pacifistas norte-americanos que se preparam para partir levando mensagem de solidariedade ao povo de Gaza a bordo do barco de bandeira norte-americana “A Audácia da Esperança” [título de livro de Obama] manifestaram profundo desapontamento, depois de ‘alerta’ emitido pelo Departamento de Estado dos EUA no dia 22/6/2011.

Em vez de escrever ao governo de Israel, exigindo livre passagem para um barco que conduz cidadãos norte-americanos desarmados com ajuda humanitária aos palestinos, o governo dos EUA pressiona seus próprios cidadãos para que não empreendam movimento legal que livremente decidiram empreender.

Na 4ª-feira, o departamento de Estado emitiu um “alerta de viagem” dirigido a cidadãos norte-americanos que planejem participar da Flotilha de Liberdade para Gaza. O documento aconselha os cidadãos norte-americanos a não viajar para Gaza por qualquer meio, por terra, mar ou ar, “considerando que em tentativas anteriores de entrar em Gaza por mar, os barcos foram impedidos por comandos israelenses, ação que resultou em mortos e feridos, além de prisão e deportação de cidadãos dos EUA.”

“Pelos termos do documentos, conclui-se que o Departamento de Estado entende que os atos de violência previsíveis de Israel contra manifestantes desarmados seriam eventos tão naturalmente previsíveis quanto maremotos ou tempestades” disse Hagit Borer, professora de Linguística da Universidade Southern California e passageira do barco norte-americano. “É atitude espantosa, vinda de governo que garante a Israel bilhões de dólares em ajuda militar e usa rotineiramente seu poder de veto para impedir que o governo de Israel seja censurado pelo Conselho de Segurança da ONU, pela prática de crime de ocupação ilegal de terras palestinas.”

Os passageiros do barco norte-americano observam que o Departamento de Estado tem o dever legal de proteger os cidadãos, sempre que viagem ao exterior. "Até hoje, os funcionários do governo dos EUA falharam sempre que se tratou de impedir que autoridades israelenses nos atacassem fisicamente” – disse Robert Naiman, diretor político da organização Just Foreign Policy, outro passageiro do barco para Gaza. “É claro que o Departamento de Estado deveria manifestar-se contra quem nos ameaça, em vez de tentar impedir que nós viajemos. É terrivelmente decepcionante constatar que não fazem o que devem fazer.”

A seguir, o texto da carta que os passageiros do barco “A Audácia da Esperança” enviaram, dia 14 de junho, ao presidente Obama, à secretária de Estado Hilary Clinton e a outras autoridades. Ainda não receberam resposta.


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14 de junho de 2011

Senhor Presidente
Casa Branca
1600 Pennsylvania Avenue NW, Washington, DC 20500
Senhor Presidente Obama:

Escrevemos para informar-lhe que 50 norte-americanos desarmados partirão nos próximos dias em barco sob bandeira dos EUA, que batizamos “A Audácia da Esperança”, e que integrará mais uma Flotilha da Paz rumo a Gaza.

Nossa manifestação pacífica fará pressão contra o bloqueio de Israel a Gaza, que já é, de fato, campo de prisioneiros no qual Israel mantém aprisionados 1,6 milhão de civis, a maioria dos quais com menos de 16 anos. O bloqueio israelense reduziu à miséria a população de Gaza, privou os palestinos de Gaza de itens básicos de sobrevivência e de materiais de construção para reconstruir as casas que o exército israelense destruiu no ataque de 2008-9; continua a impedir que os doentes e deficientes físicos encontrem socorro médico; e impede que estudantes já contemplados com bolsas de estudos ausentem-se de Gaza para estudar. Em Gaza, 45% da população em idade de trabalhar está desempregada.

Além de 10 passageiros, 5 tripulantes e 10 jornalistas, nosso barco leva também milhares de cartas de solidariedade, apoio e amizade reunidas em todos os EUA e endereçadas aos homens, mulheres e crianças de Gaza. Não temos a bordo nenhum tipo de arma. Não levamos a bordo nenhum produto comercial a ser entregue em Gaza. A nossa, é missão da sociedade civil dos EUA, dirigida à sociedade civil de Gaza. Não somos grupo partidário nem temos qualquer ligação com governo ou grupo de opinião. Nossa ação é ação não violenta, de solidariedade humana e de apoio ao povo palestino de Gaza, para ajudá-los a defender seus direitos humanos.

Na honrada tradição de ativismo não violento da sociedade norte-americana, que sempre se ergueu em manifestações pacíficas contra a injustiça, viajaremos a Gaza com a esperança de que nossa viagem prove ao povo de Gaza que não estão sós. Nossa viagem visa também a chamar a atenção dos EUA e do mundo para o castigo coletivo, moral e legalmente indefensável, que Israel impõe, em Gaza, a civis.

Sr. Presidente, o senhor com certeza já sabe que o bloqueio contra Gaza é insustentável. E seu governo já várias vezes manifestou apoio a manifestações pacíficas ao longo dessa “Primavera Árabe”.

Como cidadãos dos EUA, esperamos que nosso país e seu governo se empenhem para assegurar livre passagem para os barcos da Flotilha da Paz até Gaza. Contamos também com que nosso país apoiará nosso clamor, de caráter humanitário, para que o bloqueio israelense contra Gaza seja imediatamente levantado.

Para tanto, é preciso que o governo dos EUA notifique Israel, em termos claros, de que não deve impedir pela força que a nova Flotilha da Paz – à qual se integrou nosso barco “A Audácia da Esperança” – chegue a Gaza. É o que nós, que estaremos a bordo desse barco – engenheiros, pedreiros, bombeiros, advogados, trabalhadores sociais, aposentados, sobreviventes do Holocausto, funcionários públicos aposentados – esperamos de nosso presidente e do governo que ajudamos a eleger.
Nosso barco partirá do leste do Mediterrâneo na última semana de junho. Agradecemos desde já suas providências, para proteger nossas vidas e nos assegurar livre trânsito por mar até Gaza.

Atenciosamente,
Norte-americanos a bordo do barco “A Audácia da Esperança”, de bandeira norte-americana: Nic Abramson, Johnny Barber, Medea Benjamin, Greta Berlin, Hagit Borer, Regina Carey, Gale Courey Toensing, Erin DeRamus, Linda Durham, Debra Ellis, Hedy Epstein, Steve Fake, Ridgely Fuller, Megan Horan,Kathy Kelly, Kit Kittredge, Libor Koznar, Melissa Lane, G. Kaleo Larson, Richard Levy, Richard Lopez, Ken Mayers, Ray McGovern, Gail Miller, Carol Murry, Robert Naiman, Henry Norr, Ann Petter, Gabe Schivone, Kathy Sheetz, Max Suchan, Brad Taylor, Len Tsou, Alice Walker, Paki Wieland, Ann Wright.

Cc:
Sr. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU
Sra. Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA
Sr. Jeffrey Feltman, secretário de Estado (assistente) dos EUA
Sra. Susan E. Rice, representante permanente dos EUA na ONU
Sr. James B. Cunningham, embaixador dos EUA em Israel (e outros)
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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Democracia’ à moda EUA-Obama... para fazer negócios e neutralizar os pobres

8/6/2011, Joseph Massad, Al-Jazeera, Qatar
http://english.aljazeera.net/indepth/opinion/2011/06/2011689456174295.html
Joseph Massad é professor associado de História Intelectual e Política Árabe Moderna
na Columbia University em Nova York.
Por décadas durante a Guerra Fria, a retórica do poder imperial dos EUA e Europa Ocidental insistia que promoveria a democracia pelo mundo. De fato, na medida em que o modelo soviético tornou-se atraente para muitos países na Ásia e África (para nem falar da América Latina) que precisavam livrar-se do jugo do colonialismo da Europa Ocidental, o sistema de apartheid dos EUA, conhecido como “Leis Jim Crow”, ou Leis de Segregação Racial, cada vez menos podia ser tomado como exemplo a seguir, por quem acabava de livrar-se do suprematismo racial europeu, especialista em justificar o colonialismo. Como se sabe bem, essa foi a causa que obrigou os EUA a começar a pôr fim ao seu sistema de apartheid, processo que começou no famoso processo “Brown vs o Comitê de Educação” em 1954, a partir do qual teve se iniciou a des-segregação nas escolas do sul dos EUA.

Aquela ação dos EUA pelo mundo visava a desqualificar o direito a autodeterminação recém conquistado pelos povos da Ásia e da África e apareceu mascarada sob o slogan de uma “democracia ocidental” que combateria o “comunismo totalitário”. Essa ação dos EUA deixou rastro de milhões de assassinados pelos EUA e aliados (começando na Coreia e chegando ao Congo, Indonésia, Vietnã, Cambodia e Laos, e que foi da Guatemala ao Brasil, Argentina, Uruguai, El Salvador e Chile, além de ter deixado mortos também na África do Sul e no Oriente Médio). Na última década, as invasões injustificáveis, pelos EUA, ao Iraque e Afeganistão pouco alteraram nessa recorrente tendência antidemocrática.

Apesar disso, os que apóiam a política exterior dos EUA no front ‘democrático’ sempre evocam duas importantes vitórias daquela política: o fim da União Soviética com a consequente ‘democratização’ da Europa Oriental; e o fim do apartheid na África do Sul. Em 2011, os EUA esperam que suas políticas, nesses dois locais, outra vez os guiem na direção de obter resultados semelhantes àqueles, nos levantes do mundo árabe que não consigam esmagar.

Lucros e empobrecimento

As populações do bloco oriental gostariam de manter os ganhos econômicos do período comunista, e acrescentar-lhes as vantagens da democratização. Mas os EUA imediatamente lhes venderam a ilusão da “democracia ocidental” como máscara para encobrir o empobrecimento massivo imposto pelos EUA e o desmonte de toda a estrutura de bem-estar social da qual aquelas populações se haviam beneficiado por décadas.

Assim, em apenas poucos anos, mediante o que Naomi Klein chamou de “A Doutrina do Choque”, a Rússia converteu-se, de país onde menos de 2 milhões de habitantes viviam abaixo da linha de pobreza, em país onde 74 milhões de seres humanos vivem na miséria. Depois da Rússia, Polônia e Bulgária foram empurradas pela mesma trilha. O número de bilionários aumentou, como aumentou a margem de lucro das corporações norte-americanas no ex-bloco oriental, com a ajuda de ativas organizações imperiais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. E os EUA, sob pressão internacional, fecharam um negócio que pôs fim ao apartheid político na África do Sul.
Se os povos do bloco oriental tiveram de sacrificar seus estados de bem-estar e a própria sobrevivência, em troca da arrasadora pilhagem de seus países por um capitalismo à moda da Máfia, os sul-africanos foram engambelados com uma ‘democracia’ política em troca de um apartheid econômico ainda mais intenso e a rendição total da soberania econômica do país. Enquanto a classe empresarial tornou-se muito pouco racialmente diversificada (como, desde os anos 1970s, os EUA), os grupos mais empobrecidos mantiveram-se racialmente uniformes. A África do Sul passou a carregar o peso de dívidas gigantescas e assinou tantos acordos e protocolos econômicos que, hoje, nem pode redistribuir a propriedade privada racializada do país (protegida pela Constituição), nem tem como aumentar salários, esmagada pelas regras do FMI, que insiste no arrocho salarial como ‘política’ econômica. A pobreza massivamente racializada no país só aumentou o apartheid econômico, sob a máscara do ‘fim’ do apartheid político.
No Oriente Médio, os acordos de Oslo, assinados mais ou menos no mesmo momento em que a ‘democracia’ à moda dos EUA estava sendo imposta na Europa Oriental e na África do Sul, foram ainda piores. A Autoridade Palestina tratou (seguindo instruções dos EUA e de Israel) de desmobilizar a sociedade civil palestina, muito fortalecida depois da Primeira Intifada. Organizações ocidentais não governamentais brotaram por todos os lados.

As ONGs cooptaram a intelligentsia, os tecnocratas e praticamente todos os ativistas, que foram postos a serviço de uma agenda ocidental que converteu essas ONGs estrangeiras em nova “sociedade civil” local, enquanto governos ocidentais financiavam a corrupta Autoridade Palestina que continuou a colaborar com a ocupação israelense. A miséria reina hoje absoluta em grande parte da Cisjordânia e em toda a Faixa de Gaza e continua a destruir a vida dos palestinos.

O Iraque, enquanto isso, depois de devolvido à Idade da Pedra pelas bombas dos EUA, estava sendo convertido em mais uma ‘democracia’ à moda da Máfia implantada pelos EUA; e todo o estado de bem-estar que existiu no Iraque de Saddam foi detonado. O petróleo iraquiano foi entregue a corporações norte-americanas, em mais um capítulo da pilhagem (que ainda prossegue) daquele país, pelos EUA.
Outros países árabes, especialmente o Egito, foram inundados por ONGs financiadas por países e empresas ocidentais, enquanto o FMI e o Banco Mundial cuidavam para que a saúde local fosse entregue a transnacionais e a empresários locais subservientes, que apóiam ditaduras locais. Grande número de homens e mulheres, sindicalistas, ativistas de direitos humanos, defensores de direitos dos camponeses esqueceram que lhes cabia defender os pobres e oprimidos entre os quais viviam, e passaram a frequentar regularmente as folhas de pagamento das ONGs financiadas pelo ocidente, fantasiadas como se fossem alguma ‘sociedade civil’.

No momento em que essa desmobilização da sociedade árabe não consegue impedir que as multidões eclodam em fúria no Egito e na Tunísia, contra dois dos mais corruptos regimes pós-independência na Ásia e na África (e, provavelmente, também na América Latina), os EUA e seus aliados Arábia Saudita e Qatar dedicam-se a construir mais um “pacote econômico” para “apoiar” os levantes, sobretudo no Egito, que é economia maior e muito mais importante.
Fortalecer os mais ricos Imediatamente se viram os ventos da magnanimidade dos EUA. De fato, no primeiro dia de Mubarak deposto, Mubarak que o governo Obama apoiou até o último segundo no poder (e depois de deposto), o New York Times noticiou que “a Casa Branca e o Departamento de Estado já discutem a criação de novos fundos para estimular o surgimento de partidos políticos seculares”.

Poucos dias depois, dia 17/2/2011, a secretária de Estado Hillary Clinton disse em conferência de imprensa: “É com muita satisfação que anuncio que já reprogramamos 150 milhões de dólares para o Egito, para apoiar nossa transição naquele país e ajudar a recuperação da economia. Esses fundos nos darão a necessária flexibilidade para responder às necessidades do Egito para prosseguir.”

Um mês mais tarde, dia 16/3, Clinton declarou, em nome dos EUA, que “também nos parece que há reformas econômicas a fazer, necessárias para que o povo egípcio tenha bons empregos, para realizar seus sonhos. E é assim, nessas duas trilhas – com reforma política e reforma econômica – que queremos ser úteis.”

De fato, os preparativos para “ser úteis” já estavam pensados pelo governo Obama e seus aliados europeus e sauditas e qataris dia 19/5, quando Obama falou. Em seu discurso, declarou:

“Já pedimos que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional apresentem plano na reunião da próxima semana do G-8, de tudo que precisa ser feito para estabilizar e modernizar as economias da Tunísia e do Egito. Juntos, vamos ajudá-los a recuperar-se das dificuldades dos levantes democráticos, e apoiar os governos a serem eleitos no final do corrente ano. E estamos conclamando outros países a ajudar Egito e Tunísia a superar suas dificuldades financeiras de curto prazo.”

Como se não bastasse, Obama apareceu com uma artimanha risível para ‘perdoar’ 35 bilhões de dólares que Mubarak deve ao povo egípcio: “liberar para o Egito pós-Mubarak 1 bilhão de dólares e conseguir que nossos parceiros egípcios invistam esses recursos para estimular o crescimento e o empreendedorismo”. Esse bilhão implica endividar ainda mais o Egito. E Obama, sem pausa e sem ironia, declarou que “ajudaremos o Egito a reconquistar acesso aos mercados, garantindo-lhe empréstimo de 1 bilhão necessário para financiar a infraestrutura e a geração de empregos (...) Estamos trabalhando com o Congresso para criar Fundos Empresariais a serem investidos na Tunísia e no Egito.”

Quando o empobrecimento da Europa Oriental cria riqueza gigantesca para novas elites locais e seus patrões corporativos nos EUA e na Europa Ocidental, Obama garante que a assistência financeira que os EUA oferecem “será modelada pelos padrões dos fundos que apoiaram as transições na Europa Oriental depois da queda do Muro de Berlim. A OPIC (ing. Overseas Private Investment Corporation, Corporação de Investimentos Privados no Além-mar), instituição financeira do governo dos EUA logo lançará dois bilhões de dólares de créditos para investimentos privados em toda a região. E trabalharemos com aliados para refocar o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento de modo a oferecer o mesmo apoio às transições democráticas e à modernização econômica no Oriente Médio e Norte da África, como foi feito na Europa”.

E não é tudo! Os EUA também “lançarão uma ampla Iniciativa de Parcerias para Comércio e Investimento [orig. Trade and Investment Partnership Initiative] no Oriente Médio e Norte da África.”

Tendo reconhecido que a ganância dos EUA e dos sauditas é tal que todos os ganhos do petróleo alimentam as economias dos EUA e da Europa desde os anos 1970s em detrimento da Região que morre sob o peso das políticas de ajustes estruturais do FMI (cortes de subsídios e arrocho nos salários dos pobres; aumento nos subsídios para os ricos, restrição de direitos da classe trabalhadora, fim do protecionismo e venda do próprio país ao capital internacional, aumento dos preços internos), o que causou os levantes populares, Obama agora quer que uma parte dos lucros do petróleo passe a ser reinvestido no mundo árabe. Explicou que:

“Trabalharemos com a União Europeia para facilitar maior comércio interno na Região, a partir dos acordos existentes para promover a integração com mercados dos EUA e da Europa e abrir a porta para que esses países que adotem altos padrões de reforma e de livre comércio para construir um acordo de comércio regional. E como ser membro da União Europeia ajudou, como incentivo às reformas na Europa, assim também a visão de uma economia moderna e próspera cria poderosa força a favor das reformas no Oriente Médio e Norte da África.”

Obama, com França e Grã-Bretanha não perderam tempo. No final de maio, líderes do G-8, as oito nações industrializadas mais ricas, prometeram mandar bilhões de dólares de ajuda ao Egito e Tunísia. Sarkozy da França declarou que “espero que o pacote total de ajuda alcance eventualmente $40 bilhões, incluindo $10 bilhões da Arábia Saudita, Qatar e Kuwait".

Simultaneamente, o Qatar andou falando com parceiros do Golfo, ricos em petróleo, sobre novo plano para criar um Banco de Desenvolvimento do Oriente Médio para apoiar estados árabes em transição para a democracia. Seus planos inspiraram-se, segundo os jornais, no Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento “que ajudou a reconstruir as economias e as sociedades dos países do bloco oriental ao final da Guerra Fria.” Esse banco de desenvolvimento do Oriente Médio prevê empréstimos anuais de dezenas de bilhões de dólares anuais, para transições políticas. O Qatar busca o apoio da Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos para a iniciativa. Os sauditas já emprestaram $4 bilhões aos egípcios, e o Fundo Monetário Internacional anunciou empréstimo de $3 bilhões ao país.

Problema é que Youssef Boutros-Ghali, ministro das Finanças de Mubarak, elogiado por ninguém menos que o FMI como o mais eficiente ministro das Finanças, e indicado pelo próprio FMI em 2008 à presidência da Comissão Monetária e Financeira Internacional da instituição, fugiu do país e acaba de ser condenado a 30 anos de prisão por tribunal egípcio, por crimes de corrupção. Uma semana antes da queda de Mubarak em fevereiro passado, e antes de fugir do país, Boutros-Ghali renunciou ao cargo no FMI. Mas nada detém o FMI. Sua ‘ajuda” ao Egito continuará sem interrupção, e nenhum desses pequenos problemas a deterá.

Como parte do esforço para esmagar as manifestações populares e os clamores por democracia na Jordânia, a Arábia Saudita já ofereceu $400 milhões “para apoiar a economia jordaniana e aliviar o déficit no orçamento”. A Arábia Saudita e o Conselho de Cooperação do Golfo (apresentado recentemente como “O Clube Contrarrevolucionário”, Pepe Escobar, 27/5/2011, Blog Castorphoto
[1]) também estenderam recentemente o convite para que se reúnam ao “Clube” as duas únicas monarquias sobreviventes fora do Golfo: Jordânia e Marrocos.

Neutralizar os pobres

Mas – se o negócio dos EUA na Europa Oriental foi empobrecer a maioria da população sob o disfarce de alguma ‘democracia’, de modo que empresas norte-americanas pudessem pilhar suas economias; e se o negócio dos EUA na África do Sul visou exclusivamente a salvaguardar e manter o mesmo padrão de pilhagem racializada, pelos brancos e contra os negros, e também com empresários parceiros dos EUA protegidos sob um disfarce chamado ‘democracia’, qual a modalidade de negócio político-econômico que está sendo urdido para o mundo árabe?
Muito visivelmente, nos países nos quais as contrarrevoluções comandadas por EUA-Arábia Saudita triunfaram, o objetivo é manter o mesmo padrão de pilhagem imperial liderada pelos EUA, ao mesmo tempo em que se contêm os movimentos populares e fortalecem-se as elites locais (Bahrain, Omã e Jordânia são exemplos claros), ou resgatar as ditaduras, do colapso total (sejam ditaduras aliadas dos EUA ou não) para que comandem a transição de regime e reativem as parcerias políticas e econômicas com os EUA (casos da Líbia, do Iêmen e até da Síria).

Mas o que fazer no Egito e na Tunísia, onde não só o ditador, mas grande número de membros dos regimes já derrubados também são corruptos notórios e cúmplices dos crimes e negociatas do eixo EUA-Sauditas e na violência brutal dos antigos regimes? Exatamente nesses casos, o eixo EUA-Saudita focou seus principais esforços.
Elites comerciais e empresariais que miraculosamente se safaram de acusações formais no Egito – e são legiões! – mostraram-se gravemente preocupadas com tumultos de rua e greves, que desorganizam a economia (e o fluxo de lucros em direção a elas mesmas). O bilionário Naguib Sawiris, que se apresenta como apoiador, se não líder, dos levantes populares, e cujos pai e irmãos também se tornaram bilionários em apenas poucos anos, depois que se associaram à USAID durante a política de “infitah” (“porta aberta”) de Sadat e sobretudo depois de os EUA invadirem a região em 1990-91, além de muitos outros empresários “honestos”, estão, todos, entusiasmadíssimos ante a possibilidade de se tornarem paladinos da causa dos EUA num Egito “democrático”, exatamente como sempre fizeram no governo de Mubarak. Sawiris fundou um partido político e agora se recusa a participar das manifestações das 6as-feiras, que, como diz hoje, estariam enfraquecendo a economia. Sawairis declarou recentemente que “foi erro acusar todos os empresários egípcios como se todos fossem criminosos”; e tem insistido que “muitos são cidadãos honrados, que sempre ajudaram a gerar empregos para os egípcios”.

Os EUA e Obama também têm celebrado jovens executivos e empresários, como o ingênuo Wael Ghonim, que deu sinais de ter sido afetado pela “Síndrome de Estocolmo”. Só um surto da Síndrome explica que Ghonim tenha explodido em lágrimas em sua famosa entrevista pela televisão, quando defendeu, em vez de denunciar, a polícia secreta que o interrogara). Ghonim andou viajando pelos EUA, dando palestras para banqueiros internacionais e economistas do Banco Mundial, apresentado como “líder” dos levantes egípcios, com despesas pagas pela própria Google Corporation.

Mas a maioria dos egípcios e tunisianos – diferente do que acontecia nos países do Leste Europeu governados pelos Comunistas – já foram reduzidos à miséria. E a principal modalidade de apartheid vigente no Egito e na Tunísia – diferente do apartheid político que se conheceu na África do Sul – é apartheid econômico, de classe. Assim sendo, o que os povos árabes teriam ainda de ceder, em troca da democracia à moda dos EUA que lhes tentam impor?

A resposta é simples. Há crescente consenso entre os políticos norte-americanos que os EUA devem surfar a onda democrática nos países da região cujos levantes populares os EUA não consigam esmagar, e que, para conseguir isso, é preciso construir condições políticas que mantenham intactas as políticas de pilhagem imperial das economias locais e que não lhes criem obstáculo. Depois do dinheiro saudita vieram o dinheiro dos EUA e os planos do FMI e do Banco Mundial, e todos os fundos são administrados de modo a apoiar elites empresariais e as ONGs financiadas por dinheiro externo para ‘conter’ a sociedade civil que outra vez se mobilizou – usando-se para esse objetivo o mesmo velho jargão neoliberal do ajuste estrutural que o FMI impõe onde chega, desde o final dos anos 1970s.

De fato, o que Obama e seus sócios nos negócios estão dizendo é que os revolucionários no Egito e na Tunísia – se não em todo o mundo árabe – estariam demandando sobretudo, e coincidentemente, políticas econômicas ainda mais neoliberais, que o Ocidente terá muito gosto em oferecer-lhes.

Mas são as mesmas políticas imperiais que o FMI impôs à Polônia (e geraram o movimento “Solidarnosc em 1980) e que levaram ao colapso da União Soviética, num mesmo processo para empobrecer o planeta, com especial atenção ao empobrecimento da África, do mundo árabe e da América Latina. Nesse sentido, os EUA providenciarão para que as mesmas políticas econômicas imperiais impostas pelo capital internacional e adotadas sempre por Mubarak e Ben Ali sejam não apenas mantidas, mas aprofundadas, sob a fantasia de ‘reformas democráticas’ e de ‘governos democráticos’.

Estão em andamento no Egito e na Tunísia movimentos que visam a limitar os protestos e as greves de trabalhadores. Depois de realizadas as eleições que porão no governo um novo grupo de políticos da velha ordem, com certeza começaremos a ouvir que todas as reivindicações de caráter econômico devem ser consideradas “contrarrevolucionárias” e devem ser reprimidas como atentados à “democracia”, para enfraquecê-la, quando não para destruí-la. E se, como já começa a acontecer, os EUA firmarem alianças com partidos islâmicos locais, com certeza ouviremos também que qualquer manifestação popular com reivindicações econômicas ou trabalhistas e que se oponha às políticas econômicas neoliberais e imperiais seria “contra o Islã”.

A ‘democracia’ imposta pelos EUA e que está sendo construída, e dando por consumado que alguma coisa semelhante a democracia será imposta ao Egito e Tunísia (para começar), está sendo construída para manter oprimidos e pobres os pobres e oprimidos e para deslegitimar todas as suas demandas que tenham a ver com a ordem econômica imperial. A troca que os EUA esperam obter, impondo ao Egito e à Tunísia alguma modalidade da ordem política liberal implica mais, não menos, pilhagem das economias e das próprias condições de sobrevivência dos mais pobres – que são larga maioria na população desses países.

O objetivo final dos EUA é, de fato, capturar-confiscar os levantes bem-sucedidos contra os regimes existentes, chamando essa captura-confisco de ‘democracia’, mas captura-confisco que só beneficiará as mesmas elites da finança internacional que já estavam no poder sob Mubarak e Ben Ali. Se os EUA e seus aliados locais conseguirão sucesso nesse golpe de captura-confisco depende, hoje, exclusivamente, da luta de egípcios e tunisianos.