Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
Mostrando postagens com marcador preconceito social. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador preconceito social. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de março de 2013

PEC DÁ "PÂNICO DE CONTRATAR" DOMÉSTICA

:

domingo, 15 de janeiro de 2012

Churrascão no Vestíbulo do Inferno

 



O “Vestíbulo do Inferno” aparece na primeira parte da Divina Comédia, obra monumental do escritor, poeta e político italiano Dante Aligheri (Florença, 1265 — Ravenna, 1321). As outras duas partes são “Purgatório” e “Paraíso”.
Divina Comédia versa sobre odisséia do Poeta no inferno conceitual da Idade Média. O périplo de Dante Aligheri pelos nove círculos infernais é guiado pelo poeta romano Virgílio, que vivera quase dois mil anos antes.
Tive uma edição italiana do Inferno de Dante de capa dura (revestida de couro entalhado a mão), primorosamente ilustrada por Gustave Doré. Presente da mãe. Durante anos, vez após outra, degustava cada sílaba do verso do Poeta e cada traço da imaginação do artista.
Lembrei-me da obra medieval ao participar do “churrascão” que ONGs e movimentos sociais promoveram ontem na esquina da rua Helvétia com a alameda Dino Bueno, no olho do furacão, na Cracolândia de São Paulo.
O “Vestíbulo” é para onde vão as almas dos que não são aceitos no céu, mas que não merecem ir para o inferno. Exatamente como aqueles farrapos humanos prisioneiros de seus infernos particulares aos quais se pretendeu mostrar que nem todos os esqueceram.

Mas não foi só aos condenados que a iniciativa se deveu. Pretendeu-se mostrar ao governo do Estado (policial) de São Paulo e às suas forças de repressão que há quem não aceite os métodos que estão empregando contra aqueles que continuam sendo seres humanos.
Quem esteve lá sabe o que viu e ouviu. E eu sei. Os raros relatos de prisioneiros do crack desconfiados de que aquilo que ali acontecia não poderia ser em seu benefício – pois nada jamais é – tratam de supostos crimes cometidos por seus algozes.
Relatam que apanham até quando estão dormindo. Um deles disse que a polícia espancou alguém de seu grupo, jogou a pessoa no meio da rua e atropelou. E quando perguntados sobre o que gostariam de dizer à sociedade, dizem que apenas gostariam de parar de apanhar.
A presença da polícia, pois, era ameaçadoramente ostensiva. Entendo que até deveria estar lá para proteger os manifestantes, pessoas de classe média, a grande maioria jovem. Mas se o objetivo fosse proteger não deveria ter ficado tão longe – a uns cem metros de distância.
Então percebo que do teto de uma das bases móveis da polícia estão filmando tudo. Decido ir até lá perguntar a razão.
– Boa tarde, policial.
– O que você quer?
– O senhor poderia me informar a razão da filmagem?
– Não posso. Só o capitão (…).
– Onde ele está?
– Atrás do furgão.
Contorno a base móvel da PM.
– O sr. é o Capitão (…)?
– Eu mesmo.
– Gostaria de saber por que os senhores estão filmando o ato público.
– Em primeiro lugar, quem é você?
– Sou do Blog da Cidadania. Vim cobrir a manifestação.
– Não podemos falar.
– Por que não?
– Ordens.
– De quem?
– Não posso dar informações.

Distancio-me alguns metros do furgão e, naquele momento, sucede uma cena no mínimo curiosa: enquanto fotografo o equipamento de filmagem e o aparato policial em seu entorno, sou fotografado. Travei uma guerra de câmeras com a PM.
A atitude pouco amistosa dos policiais, o interesse inexistente ou proibido de dar satisfações à sociedade sobre seus métodos de atuação, tudo isso deixa ver uma paranóia contra não se sabe o que. Era como se temessem um atentado terrorista.
A quem filmavam? Será que alguém iria traficar drogas em um local que tinha tantas câmeras e tanta polícia? Para que filmariam aqueles farrapos humanos que tão bem conhecem, pois de lá não saem?
Quem foi filmado, portanto, foram aqueles que levaram alento e comida a esfaimados. Mas por que? Que crime poderíamos cometer ao levar um sopro de humanidade ao inferno?


Refleti, naquele momento, que o Estado está completamente divorciado da sociedade, em São Paulo. O cidadão que diverge das autoridades locais é visto como inimigo. Por isso a polícia paulista é tão grosseira, autoritária e violenta.
As constatações deprimentes que aquela descida ao inferno causou, porém, não parariam por ali. Os zumbis do crack e os visitantes solidários pouco se misturavam. Os receptivos eram moradores de rua, mas não necessariamente usuários daquele veneno.
Alguns usuários de fato atravessavam a multidão dando encontrões de raspão, aparentemente contrariados. Fiquei imaginando se não temiam que tudo aquilo lhes fosse cobrado pelos opressores quando fôssemos embora.
Aqueles filhos de Deus rescendendo a morte, a excrementos, a álcool, com bocas desdentadas, feridas espalhadas e olhares mortiços… Como ir embora e deixá-los lá? Como sair dali sem ter feito nada? E o que é mais: como purgar a culpa por fazê-lo?
Moças e rapazes tentavam puxar canções, instilar alguma alegria no entorno – como se fosse possível –, mas não repercutia. Não havia espaço para outro sentimento além da perplexidade. E a separação tácita entre visitantes e anfitriões, mesmo estando misturados, tornava tudo pior.
Após resistir por cerca de uma hora, não suportei mais. Despedi-me de amigos que lá encontrei e saí em fuga daquele inferno. E sem olhar para trás.
Perdi a noção de tempo e espaço. Caminhei debaixo de chuva por quilômetros. Só então parei um táxi. Chegando em casa, tomei uma dose de cachaça. E mais outra. Lá pela terceira percebi o que estivera fazendo: tentara, sem sucesso, redimir-me da culpa.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Enchente: Estadão culpa o Nordeste. Eduardo Campos é “coronel”

Depois do “caosaquático”da Globo – a tentativa de derrubar a Dilma com a chuva do verão, assim como tentou derrubar o Lula com o “caosaéreo” – , a questão política da enchente começa a se desenhar com tinhas mais fortes.

Quem faz isso com solar clareza é o Estadão, porta-voz (decadente) do old money  paulista (aquela elite que, na História, sempre foi separatista).

Diz o Estadão, na página A8:

“(Ministério da) Integração vira ‘Ministério do Nordeste’ ”


“Pasta criada sob inspiração da ditadura militar (que o Estadão ajudou a construir e preservar – PHA) teve onze ministros, sendo 10 nordestinos, que privilegiaram região na condução dos projetos”.

O Estadão poderia também dizer que os paulistas – ou seus instrumentos – dominaram por muito tempo o Ministério da Fazenda e “privilegiaram a região na condução de projetos “.

E não foi à tôa que o Dr Tancredo se recusou a dar o Ministério da Fazenda a Olavo Setúbal.

Preferiu encaminhá-lo ao Itamaraty, uma espécie de trono dourado e irrelevante (àquela altura), que Itamar Franco dedicou a Fernando Henrique e Sarney a Abreu Sodré.

A “reportagem” do Estadão tem um sub-texto que a elite paulista entendeu perfeitamente, ao abrir o jornal e se dirigir à varanda para contemplar os cafezais: esse ministério é para nordestino roubar.

É por isso que chove.

Que tem enchente.

E que a Dilma deve cair.

Aí, no pé da “reportagem” tem um aditivo.

É o perfil de um coronel que ultrapassa “o limite de institucionalidade”.

Ou seja, dá a entender que o coronel é Golpista, rasga Constituições – talvez assim como, em 1964, os Mesquita do Estadão ajudaram a rasgar.

O coronel tem futuro promissor, admite o Estadão.

Mas, “resta saber se a imagem de novidade na política não será afetada com a exposição de práticas atrasadas.”

O Estadão e seus notáveis repórteres-editorialistas não estão a traçar o perfil do Alckmin ou Padim Pade Cerra, que coronelizam o Estado de São Paulo há dezoito anos com o que há de mais inovador e progressista em administração.

Por exemplo, tratar os craqueiros de São Paulo como Hitler tratava os ciganos, homossexuais e aleijados.

Não, o Estadão tentou traçar o perfil de Eduardo Campos, governador que fez uma revolução em Pernambuco a partir de Suape, com a ajuda de seu Secretário Fernando Bezerra Coelho.

Bezerra Coelho se transformou num alvo da Globo e do PiG (*) – por agora.

E Eduardo Campos ?

Bem, esse a Globo espera por ele, para tentar abatê-lo, em breve.

E Estadão e a Globo refletem a inquietação de quem vê a banda passar pela janela.

O movimento irreversível da desconcentração economica – e política – para fora do Sudeste.

E, em boa parte, em direção ao Nordeste.

Isso faz parte do plano estratégico (secreto) do Nunca Dantes.

E a Globo, o PiG, o old e o new money de São Paulo não podem engolir isso a seco.

Esse Nunca Dantes …


Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Preconceito Social: Problema de Saúde Pública?

 Ganhe 10 minutos assistindo este vídeo 
Este vídeo foi criado na Oficina de Filmagem da Casa Jovem, com apoio das ONGs Amigos da Vida (www.ilsorrisodeimieibimbi.org), Viramundo (www.viramundo.org) e CO2 (www.www.theco2.org). O patrocínio é da TIM©.
Foi feito inteiramente por iniciativa de jovens moradores da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, preocupados com a questão do preconceito social, que muitas vezes apresenta-se camuflado e não ousa dizer o seu nome.
Seu título, provocativo, sugere a natureza doentia do preconceito. Sua oportunidade é tanto maior agora, quando as forças da ordem acabam de tomar a Rocinha, alegando tê-lo feito em nome dos moradores.
Poderá também gostar de: