Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

EUA mandam e Cerra e FHC congelam a “Lei do Abate”



Engraçado, muito engraçado !

Os repórteres Rubens Valente e Fernanda Odilla, na Folha (*), pág.  A20, traçam um dos mais humilhantes capítulos da “Diplomacia da Dependência” do Governo Cerra/FHC.

(Não deixe de ler sobre o que Cerra e FHC pretendiam fazer com a ALCA (entrar nela) e o Mercosul (sepultá-lo).

Trata-se da reportagem “Brasil sofreu pressão dos EUA contra ‘Lei do Abate’.”

Na verdade, mais do que “pressão”, os Estados Unidos mandaram e FHC fez: congelou a Lei.

(A Lei do Abate permite abater aviões sobre o território BRASILEIRO, desde haja suspeitas de que se trate de um avião a serviço do tráfico de drogas.)

O Congresso Nacional, onde têm assento os representantes do povo brasileiro, aprovou a Lei do Abate em 1998.

O Presidente da República do Brasil, eleito pelo povo brasileiro pela segunda vez,  no mesmo ano sancionou a Lei.

Em janeiro de 1997, o Governo americano começa a pressionar  o Executivo e o Legislativo brasileiros.

O Legislativo resistiu e aprovou o projeto de Lei.

E o Governo Cerra/FGHC se sentou em cima de Lei que ele mesmo tinha assinado.

Em abril de 1999, o chanceler de FHC, Luiz Felipe Lampreia mandou um telegrama à Secretaria de Estado americano, Madeleine Albright, que é um exemplo vergonhoso da Diplomacia da Dependência.

Diz o grande chanceler Dependente:

Em face da conversa que tivemos antes, eu formalmente confirmo que congelamos a implementação (sic, “implementation”) da política do abate e não daremos prosseguimento a ela !

Quer dizer, amigo navegante: o Congresso aprova, o Presidente sanciona e o Presidente, em carta secreta, se compromete a não dar “prosseguimento” e muito menos “implementar (sic)” a Lei.

Ou seja, para atender a uma exigência do Governo Clinton.

(Clique aqui para ver a cena histórica em que Clinton espinafra FHC em publico e FHC não defende o Brasil nem a si próprio.)

FHC transgride a Lei, em nome da Dependência.

Quer dizer, entre 1998, quando a lei foi sancionada, e 2004, quando, finalmente, o Nunca Dantes a regulamentou e a “implementou”, os aviões do tráfico nadaram de braçada sobre o território BRASILEIRO !

Duas palavrinhas sobre o chanceler Lampreia.
Lampreia faz parte daquilo que Tirésias, o profeta, uma vez chamou “embaixadores de pijama”.
São aqueles que vão para a CBN defender o interesse nacional americano e espinafrar a política externa independente de Lula e Celso Amorim, o grande chanceler.
Lampreia também é responsável por um ato sem precedentes na História da Diplomacia Ocidental.
Ele era chanceler da Diplomacia da Dependência, quando renunciou ao cargo POR FAX, para ir trabalhar com Daniel Dantas, aquele que, mais tarde, se tornou o banqueiro condenado.
Daniel Dantas é aquele a quem o Fernando Henrique chamou de “ brilhante”.
A irmã de Dantas é sócia (ou foi) da filha de Cerra numa empresa em Miami (em Miami !).
Não se sabe se a empresa ainda é “implementada” !
Viva o Brasil !



Em tempo: o amigo navegante há de se lembrar que outro ponto culminante da Diplomacia da Dependência foi quando o chanceler Celso Lafer tirou os sapatos para entrar nos Estados Unidos.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Brasil negocia futuro da Líbia.PiG corta os pulsos

Exclusivo: Vídeo histórico com vexame internacional de FHC levando sermão de Bill Clinton



Link do vídeo para repassar por email:
http://www.youtube.com/watch?v=MeAOen8vyiQ


 

O PiG (*) previu que o Brasil estava do outro lado da História, na questão da Líbia.

As Metrópoles – Inglaterra, França e Estados Unidos – promoviam a partilha do petróleo da Líbia com a ajuda dos caças da OTAN – clique aqui para ler Santayana sobre a “esperteza do tolo”.

E os colonistas (**) da Colônia exigiam que o Brasil cancelasse um irrelevante gesto do D Pedro I, em 1822, para se integrar à Aviação Petrolífera Libertadora.

O Brasil defendeu o princípio da autodeterminação dos povos, o que sempre fez, e sempre com a oposição dos piguentos colonistas (**).

Vem agora a notícia estarrecedora que aparece discretamente na primeira página do Estadão (a Folha esconde da primeira página, de vergonha, provavelmente).

“Sarkozy (novo presidente da Líbia, supõe-se – PHA) convida Brasil para cúpula com rebeldes”.

“Encontro marcado para dia 1º. em Paris envolveria representantes dos rebeldes líbios, diplomatas europeus e países emergentes”.

Também estão convidados a Russia, a India e a China, igualmente membros dos BRICs, que, juntos, breve, vão ser a maior a economia do mundo, para desespero dos piguentos colonistas (**).

Por sugestão do amigo Mauricio Dias, este ansioso blogueiro começou a ler “Conversas com jovens diplomatas”, de Celso Amorim, da editora Benvirá.

Está no capítulo “Vocês se preparem, porque a política externa brasileira tomou novos rumos”, palestra realizada no Instituto Rio Branco, em 20 de abril de 2005.

Os piguentos (*) colonistas (**) estão ancorados nos velhos rumos.

Na Diplomacia da Dependência, que foi ao FMI três vezes.

E que não defendia a si própria nem ao Brasil, quando um presidente americano, Bill Clinton, a espinafrava – clique aqui para ver vídeo histórico.

Este ansioso blogueiro não perde tempo para ir ao capítulo Seis do livro de Amorim: “Nós fomos convidados, eu não pedi”.

Descreve, em 23 de novembro de 2007, o convite que recebeu do Governo americano para participar em Annapolis de uma conferência sobre a crise no Oriente Médio.

Um jornalista provavelmente piguento (*) perguntou ao grande chanceler se a ida a Annapolis fazia parte do plano de o Brasil entrar no Conselho de Segurança da ONU.

Amorim respondeu: “Fomos convidados, eu não pedi”.

O problema dos colonistas (**) é que eles também não foram convidados.

E pedem para ser.


Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

sábado, 20 de agosto de 2011

Estranho: até FHC apóia “faxina” de Dilma

Por Altamiro Borges

Segundo o jornalista Kennedy Alencar, FHC parece que está empolgado com a alardeada operação “faxina” da presidenta Dilma Rousseff. “Nas conversas reservadas com dirigentes do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem defendido que o partido dê apoio à presidente Dilma Rousseff no combate à corrupção”, informa o repórter na Folha online de hoje.

Ainda segundo seu relato, “o ex-presidente conversou sobre o assunto com os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Antonio Anastasia (MG). A recomendação foi transmitida ao senador mineiro Aécio Neves, hoje o primeiro da fila tucana para disputar o Palácio do Planalto em 2014. A presença de FHC no encontro de Dilma com governadores do Sudeste, na quinta (18/08), em São Paulo, foi calculada para se transformar num gesto de apoio à presidente”.

FHC nunca enfrentou a corrupção

A excitação do grão-tucano deveria gerar alguma desconfiança no Palácio do Planalto – ao menos, entre os seus ocupantes mais tarimbados, que não confundem assessoria com puxa-saquismo. Afinal, FHC nunca foi um opositor civilizado de Lula ou de Dilma. Pelo contrário. Desde que se converteu ao neoliberalismo, ele sempre articulou as forças de direita contra qualquer projeto de esquerda no país. Egocêntrico e elitista, ele nunca tolerou o êxito de um governo presidido por um peão, um operário.

Sua cruzada contra a corrupção e seu apoio entusiástico à “faxina” no governo Dilma só iludem os ingênuos e os pragmáticos que infestam a política nativa – que desprezam a luta de classes e não têm visão sobre as batalhas futuras. Quem é FHC para falar em combate à corrupção? Uma breve lembrança do que foi o seu longo reinado talvez sirva de alerta aos ingênuos que não percebem a manobra do tucano para desgastar o atual governo, paralisá-lo, implodir sua base de apoio e criar fissuras entre Dilma e Lula.

Os indícios das roubalheiras tucanas

Para aliciar sua base de apoio no Congresso Nacional e manter a governabilidade, FHC sempre foi complacente com a corrupção. A aliança principal do grão-tucano foi com o ex-PFL, atual DEM – e sabe-se lá qual será o novo nome da organização fisiológica que sucumbe na crise. Um dos líderes de FHC no parlamento foi o demo José Roberto Arruda, o mesmo que foi pego com a mão na botija no esquema do mensalão do governo do Distrito Federal. A lista de indícios de roubalheira no governo FHC foi grande:

Denúncias abafadas: Já no início do seu primeiro mandato, em 19 de janeiro de 1995, FHC fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. Ele extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, criada por Itamar Franco e formada por representantes da sociedade civil, que visava combater o desvio de recursos públicos. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, ele criou a Controladoria-Geral da União, mas este órgão se notabilizou exatamente por abafar denúncias.

Caso Sivam. Também no início do seu primeiro mandato, surgiram denúncias de tráfico de influência e corrupção no contrato de execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam). O escândalo derrubou o brigadeiro Mauro Gandra e serviu para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Ele foi nomeado embaixador junto à FAO, em Roma, “um exílio dourado”. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia da estadunidense Raytheon, foi extinta por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.

Pasta Rosa. Em fevereiro de 1996, a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente os processos da pasta rosa. Era uma alusão à pasta com documentos citando doações ilegais de banqueiros para campanhas eleitorais de políticos da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o procurador-geral, Geraldo Brindeiro, ficou conhecido pela alcunha de “engavetador-geral da República”.

Compra de votos. A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denúncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Eles foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o e impedido a constituição de uma CPI.

Vale do Rio Doce. Apesar da mobilização da sociedade em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas estimavam seu preço em ao menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses nacionais. Ela detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, com navios, portos e ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa equivale hoje ao lucro trimestral da CVRD.

Privatização da Telebras. O jogo de cartas marcadas da privatização do sistema de telecomunicações envolveu diretamente o nome de FHC, citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários “grampos” comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades tucanas. As fitas mostraram que informações privilegiadas foram repassadas aos “queridinhos” de FHC. O mais grave foi o preço que as empresas privadas pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à “venda”, o governo investiu na infra-estrutura do setor mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio. Uma verdadeira rapinagem contra o Brasil e que o governo FHC impediu que fosse investigada.

Ex-caixa de FHC. A privatização do sistema Telebrás foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa das campanhas de FHC e do senador José Serra e ex-diretor do Banco do Brasil, foi acusado de cobrar R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Grampos do BNDES também flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão. Além de “vender” o patrimônio público, o BNDES destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle das estatais privatizadas. Em uma das diversas operações, ele injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.

Juiz Lalau. A escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo levou para o ralo R$ 169 milhões. O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só apareceram em 2000. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT, e para cassar o mandato do senador Luiz Estevão, dois dos principais envolvidos no caso. Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo surgiram no emaranhado das denúncias. O pior é que FHC, ao ser questionado por que liberara as verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”.

Farra do Proer. O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para ele, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.

Desvalorização do real. De forma eleitoreira, FHC segurou a paridade entre o real e o dólar apenas para assegurar a sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões de dólares das reservas do país. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou uma lista com o nome de 24 bancos que lucraram com a mudança e de outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas. Há indícios da existência de um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à turma de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1,6 bilhão de reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado.

Sudam e Sudene. De 1994 a 1999, houve uma orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Ao invés de desbaratar a corrupção e pôr os culpados na cadeia, FHC extinguiu o órgão. Já na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos do Fundo de Investimentos do Nordeste foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC extinguiu a Sudene, em vez de colocar os culpados na cadeia.

sábado, 12 de março de 2011

Tucanalha se reúne com americanos para conspirar contra o Brasil



Almoço com Valenzuela serviu de fórum para tucanos

Postado em 11/03/2011 por Natalia Viana
Por Marcus V F Lacerda

Além do encontro entre José Serra e Arturo Valenzuela, a escala não oficial do subsecretário para Assuntos do Hemisfério Norte ainda contou com um almoço promovido pelo cônsul-geral. Estiveram presentes diversos especialistas em política e economia.
A grande maioria deles, ligados ao PSDB. Dentre eles dois ex-ministros de Fernando Henrique Cardoso: Celso Lafer (ex-MRE) e José Goldemberg (ex-MCT). “Todos os convidados criticaram a política externa do governo Lula, levantaram preocupação com a radicalização crescente do PT e sublinharam preocupação com a deterioração das contas públicas”, descreve o telegrama de 29 de dezembro de 2009.
“A postura do Brasil ante o Irã é o maior engano da política externa de Lula”, sentenciou Lafer (com sapatos ou sem?) em consonância com o recado dado por Hillary Clinton dias antes alertando países da América Latina de consequências na relação com o Irã e que o Brasil deveria levar esta postura a sério. No almoço, Arturo Valenzuela enfatizou que a relação com o governo de Lula seria uma forma de Ahmadinejad disfarçar sua falta de cooperação e impopularidade na comunidade internacional.
O físico nuclear José Goldemberg criticou a posição brasileira na Conferência Climática de Copenhagen (COP-15) satirizando-a como se ela tivesse sido elaborada duas semanas antes do encontro. “Países mais influentes deveriam encontrarem-se em grupos menores”, aconselhou o cientista. Em particular com um encarregado do consulado americano, José Goldemberg que nós não temos o que oferecer a Teerã em termos de combustíveis nucleares e que a capacidade de centrifugação deles já superaria a do Brasil.
Outro crítico à relação brasileira com o Irã foi o então vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), Roberto Teixeira da Costa. De acordo com o economista, a relação entre Brasília e Teerã é questionável uma vez que a pauta comercial entre os dois países é pobre e uma cooperação em usos civis na área nuclear seria improvável.
m de tratar sobre a relação Brasil-Irã, Teixeira da Costa expôs preocupação com as contas públicas. Para ele, apesar do otimismo no Brasil, o mercado poderia ter alguns tropeços em vista da situação internacional. Seu sócio na agência de consultoria Prospectiva, Ricardo Sennes, levantou a mesma preocupação com as contas públicas. “Ainda falta competitividade ao Brasil depois desses dois mandatos de Lula. Falta infraestrutura, carga tributária alta e políticas de trabalho rígidas”, listou Sennes. (Antes de Lula tudo era ótimo, claro)
Participaram ainda do almoço, o cientista (?) político Bolivar Lamounier e o ombudsman do jornal Folha de São Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva. Ambos focaram-se mais na possibilidade de um PT mais radical no caso de chegarem ao poder outra vez. Lins da Silva, observou o poderio financeiro adquirido pelo partido ao longo dos últimos anos. “Se não elegerem o presidente, eles teram dinheiro o bastante para causar muitos problemas como oposição”, teria dito o jornalista.

Muito interessante o empregado da Folha, numa conversa com o cônsul americano, referir-se ao PT como "Eles". "Nós", certamente, são a mídia, o PSDB e os EUA.

Leia mais em: Ф Еskеrдоpата

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

AutonômoXAutômato


Fernando Henrique Cardoso não se enxerga?


A linguagem popular é rica de expressões que têm muitas vezes uma precisão cruel. Uma delas é “ele não se enxerga”, que se aplica como uma luva às declarações recentes – mas não novas – do ex-presidente neoliberal Fernando Henrique Cardoso sobre a política externa do governo Lula e do chanceler Celso Amorim, mantida pela presidente Dilma Rousseff e pelo chanceler Antônio Patriota.

Basta lembrar alguns episódios vexaminosos da diplomacia comandada por Fernando Henrique Cardoso para que se tenha a dimensão dos disparates que ele e seus partidários conservadores e pró-americanos repetem sobre a diplomacia brasileira autônoma e independente reinaugurada por Lula e Celso Amorim.

Um desses episódios foi a demissão do diplomata Samuel Pinheiro Guimarães da presidência do IPRI (Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais do Itamaraty), em 2001. Outro, em 2002, foi a demissão do embaixador José Maurício Bustani da direção geral da Opaq (Organização da ONU para as Armas Químicas). Outro, ainda mais devastador para o orgulho nacional, ocorreu em 2002 sendo protagonista o próprio chanceler tucano Celso Lafer que, em visita oficial aos EUA para apoiar o governo local depois dos ataques terroristas de 11de setembro de 2001, aceitou submeter-se à rígida revista policial nos aeroportos de Nova York e de Washington, chegando inclusive a tirar os sapatos, como exigiam os agentes que faziam a revista.

Há uma coerência entre estes episódios vergonhosos. Enquanto o ministro constrangia o Brasil com sua atitude servil, os diplomatas punidos (Samuel Pinheiro Guimarães e José Maurício Bustani) pagaram por sua altivez e dignidade e por não aceitarem dobrar-se ante as imposições da diplomacia norte-americana. Guimarães sempre foi um crítico da ALCA; Bustani rejeitou as pressões do governo de Washington para usar seu cargo na ONU e “criminalizar” nações independentes acusadas mentirosamente por Bush e seus pupilos de detentoras de armas químicas, como ocorreu com o Iraque, contra quem aquelas alegações falsas serviram para legitimar a agressão que destruiu o país e infelicitou o povo.

Esta é a diplomacia que Fernando Henrique Cardoso quer de volta: a dos sem sapatos nem vergonha na cara, submissos passivamente às imposições norte-americanas. Um estudioso, o historiador Moniz Bandeira, chegou a escrever que a política externa de Fernando Henrique Cardoso foi um “simples acessório dos interesses hegemônicos dos Estados Unidos, no mundo e, em especial, na América Latina”. Ele tem razão.

Aquela foi uma política de cabeça baixa, pés descalços e “sim senhor”, que não volta mais. Outro dito popular muito valorizado nos arraiais tucanos diz que “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. É o que eles fizeram no governo, rosnando para países pequenos e pobres (como a Bolívia, por exemplo), e curvando a espinha ante os poderosos do mundo, como os governantes de Washington.

O Brasil democrático nem manda nem obedece – trata todos os povos e nações como iguais, cujos interesses precisam ser articulados soberanamente em acordos que contemplem as necessidades e os limites de cada um. Esta é a melhor tradição diplomática brasileira, retomada por Lula e Celso Amorim e que projetou o Brasil no mundo como um parceiro da paz e da busca do desenvolvimento e do progresso para todos os povos. O resto é conversa fiada de gente saudosa do poder do qual foi escorraçada pelo voto popular e cujas chances de voltar são cada vez mais remotas.


Editorial do Vermelho