Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Desculpem amigos, mas esse é um dasabafo justo de um eleitor do SERRA.


> "Cansei...Basta"! Vou votar no Serra, do PSDB.

> Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está
> barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se
> mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.
> Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra
> algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia. Veja
> só: os EUA e a Europa em crise e esses tupiniquins na festa e na
> gastanç. Era só o que faltava...
> Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com
> seus celulares.
>
> O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou
> coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador
> de papel, agora navega...
>
> Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro a juro
> baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. " É uma vergonha!
> ", como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão
> acabar, porque como em S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas
> estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro.
>
> Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma
> confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo
> da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no
> Braz.
>
> Vergonha, vergonha, vergonha...
>
> Cansei de ir em banco e ver aquela fila de idosos e ainda com direito
> a Caixa Preferencial, velho com preferencia um absurdo, e todos com
> saúde.
>
> Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do
> meu sítio agora virou "empreendedor" no Nordeste. Pode? Cansei dessa
> coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser
> utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação
> (Globo,SBT,Band, RedeTV, CNT, Fôlha SP, Estadão, etc.). A coitada da
> "Veja" passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em
> Pernambuco. É o fim do mundo.
> INDIO, NEGRO E POBRE NA UNIVERSIDADE QUERENDO VIRAR DOUTOR....E DE
> GRAÇA.....ISSO SÓ PODE SER COISA DO ANALFABETO DO LULA.
> Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço,
> na universidade. Até índio, agora vira médico e advogado. É um
> desrespeito... Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e
> competir com essa raça. Acreditem, minha filha contratou uma
> cozinheira e ela estava fazendo direito em uma faculdade particular
> pelo PROUNI, em pouco tempo estava estagiando como defensora pública,
> saindo DA BEIRA DO FOGÃO assim que se formou. Que absurdo! Ainda mais
> era negra. Essa gentinha não se enxerga mesmo.
> Os aviões agora vivem lotados com este pessoalzinho que não sabe se
> comportar pois estão voando pela primeira vez. Agora os aeroportos
> ficaram pequenos para tanto avião e tanta gente.
>
> Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão
> assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai
> cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula...
>
> Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa
> própria (73% da população, hoje, tem casa própria, segundo pesquisas
> recentes do IBGE). E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que
> será deles? Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora,
> qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui
> do prédio, vai passar férias no Exterior. É o fim...
>
> Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta
> as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em
> disparada e aproveitar a inflação. Investir em ações de Estatais quase
> de graça e vender com altos lucros. Chega dessa baboseria
> politicamente correta, dessa hipocrisia de cooperação. O motor da vida
> é a disputa, o risco... Quem pode, pode, quem não pode, se sacode.
> Tenho culpa eu, se meu pai era mais esperto que os outros para ganhar
> dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça? Eles que vão
> trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais
> competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem
> é superior e quem é inferior.
>
> Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no SERRA. Quero ver essa
> gentalha no lugar que lhe é devido. "Quero minha felicidade de volta."
> Essa é de doer....rssssssssssssssss

O ovo da serpente midiática



Estou bastante preocupado com a real situação política vigente hoje no Brasil. O processo eleitoral que definirá o rumo do país de uma forma que creio permanente está sendo desfigurado por um fenômeno. Enquanto escrevo, não sei se ao terminar este texto ele já terá sido ultrapassado pelos fatos de tal que é a velocidade com que factóides políticos se sucedem na dita grande imprensa.
Quando terminar de escrever este texto, talvez já esteja na praça um novo grande escândalo que fatalmente será contra Dilma Rousseff e contra o PT. Some-se isso ao fato de não haver hipótese de qualquer denúncia contra José Serra surgir e ser veiculada da forma insistente usada contra o PT, que já vai hipnotizando a alguns. E se a denúncia vier desse PT, será tratada como “novo dossiê contra tucanos”.
Nas concessões públicas de rádio e tevê, a família Marinho, dona do poder de alcançar quase cem por cento dos brasileiros com as suas transmissões, manda seus empregados desfecharem ataques virulentos ao presidente da República e à sua candidata. E o que é pior: não só a eles, mas aos seus eleitores.
Integrante do grupo de comediantes Casseta e Planeta chamou o presidente da República de picareta, de ladrão, de burro etc. No boteco da esquina? Não, na Globo – uma concessão pública. Ali, analistas políticos tomam partido escancaradamente de Serra.  O jornal Folha de São Paulo, por sua vez, reedita na tevê propaganda dos anos 1990 com o óbvio propósito de comparar Lula a Hitler.
A serpente midiática colocou seu óvulo entre a sociedade civil. Na última quarta-feira, denunciei aqui o efeito maciço que as campanhas difamatórias de Globo, Folha, Veja e Estadão contra Dilma insuflaram em grupos de classe média alta, levando pessoas comuns a promoverem verdadeiros arrastões político-ideológicos intimidando a qualquer um que manifeste opiniões favoráveis à candidata do PT à Presidência.
O fundamentalismo religioso tem sido estimulado pelos grandes meios de comunicação eletrônicos e impressos, gerando milhões de e-mails e de panfletos contendo calúnias sobre a petista. Ataques à sua honra como mulher, acusações de ser homicida, prostituta, ladra se espalham e chegam a atingir, de forma estarrecedora, até a crianças.
Enfim, esta é a campanha eleitoral mais suja que vi. Nem em 1989 houve bombardeio igual. Os grupos religiosos que integram a máquina de difamação tucano-midiática não tinham expressão igual, àquela época. Tanto em número de patrulheiros quanto por falta de um instrumento como a internet. Talvez por conta da tecnologia, portanto, hoje esteja proliferando esse clima de caça às “bruxas comunistas”.
Se o eleitor de Dilma for do povo, será tachado de “desinformado” e de “burro” não só pela militância manipulada entre a sociedade civil como pelos “analistas” dos grupos econômicos do setor de comunicação supracitados; se for de classe média, será qualificado como “esquerdista de boutique” ou acusado de ter algum interesse escuso para assumir aquela posição política.
Enfim, há um processo que mergulha no seio da sociedade, em seu âmago, em cada estrato, em cada região. Nos comentários de leitores sobre o post bullying eleitoral, há relatos surpreendentes sobre as mais diversas formas de constrangimento dos eleitores de Dilma pelos de Serra, os quais superam os da adversária nas classes média-média e média-alta. São justamente os estratos em que está a maioria dos leitores de blogs como este.
Essa máquina difamatória e intimidadora se vê retroalimentada pelo noticiário, usado como “prova” de que Dilma, o PT e seus eleitores seriam todos “criminosos”, “assassinos”, “degenerados” etc.
Mesmo a mídia não dizendo que quem vota e sustenta publicamente seu voto em Dilma é criminoso, nas rodas de discussões mais descompromissadas qualquer um que defenda sua opção política pró-PT é chamado de “petralha”, termo que tem até um livro dando o perfil engendrado pelo autor para difamar qualquer cidadão que faça opção por esse partido.
O alcance desse processo é imprevisível. De um lado, eleitores de Dilma acuados pela propaganda. Em certos meios sociais, começa-se a ter medo de assumir o voto na candidata do PT. Hoje mesmo conversei com uma pessoa que trabalha em uma grande empresa e que pretende parar de escrever no Twitter porque teme ser demitida se descobrirem em quem pretende votar.
Diante de tudo isso, desse processo de inoculação de verdadeiro fascismo na sociedade por Globo, Folha, Veja, Estadão e assemelhados, fico me perguntando como enfrentar essa onda de intolerância, de ódio, de arrogância e de autoritarismo. Agora, se alguém quiser a minha opinião sobre como lidar com esse processo assustador, acho que não será possível fazê-lo com fleuma e produções cinematográficas.

Ajude a divulgar o que Serra pensa sobre privatizar

O círculo da direita se fecha: teocracia, censura nas redações, ideologia do medo




É evidente que essa temática religiosa não é o que interessa para o Brasil. Mas se Serra escolheu o obscurantismo, é preciso mostrar isso à população. A esquerda, tantas e tantas vezes, foge dos enfrentamentos. Acho que desse enfrentamento não deveria fugir. Ciro Gomes disse -de forma muito apropriada - que o discurso de Serra é o caminho para um regime teocrático. O Brasil precisa que se faça esse debate.Do lado de Serra, certamente ficará muita gente. Mas tenho certeza que do outro lado ficará o que há de civilizado nesse nosso país. Há espaço para uma centro-direita civilizada no Brasil. Mas essa direita que avança com Serra não merece respeito. Merece ser combatida. O artigo é de Rodrigo Vianna.
Texto publicado originalmente no blog Escrevinhador, de Rodrigo Vianna

Com a generosa ajuda da velha mídia brasileira, e uma mãozinha da candidatura de Marina Silva, Serra conseguiu pautar a reta final do primeiro turno e o inicio do segundo turno com uma temática religiosa.

É um atraso gigantesco para o Brasil.

Parte dos apoiadores de Dilma acha que a campanha do PT deve fugir desse debate, recolher apoios de evangélicos e católicos, e rapidamente mudar de assunto.

Penso um pouco diferente.

É evidente que essa temática religiosa não é o que interessa para o Brasil. Mas se Serra escolheu o obscurantismo, é preciso mostrar isso à população. A esquerda, tantas e tantas vezes, foge dos enfrentamentos. Acho que desse enfrentamento não deveria fugir.

Por que ninguém do PT é capaz de dar uma resposta a Serra, deixando a Ciro Gomes a tarefa de pendurar o guiso no gato? Ciro disse -de forma muito apropriada - que o discurso de Serra é o caminho para um regime teocrático. Vejam:

(Ciro Gomes) “Por que o PSDB, que nasceu para ajudar a modernidade do País, resolveu agora advogar o Estado teocrático? O Serra tem de dizer que, na República que ele advoga, primeiro falam os aiatolás, e aí os políticos resolvem o que os aiatolás querem que seja feito.”

O Brasil, agora digo eu, precisa que se faça esse debate.

O Brasil precisa, também, comparar os resultados econômicos e sociais de FHC e Lula. Mas precisa de politização, precisa que se enfrente o pensamento conservador.

Essa é uma hora boa para desmascarar a intolerância religiosa.

Aliás, é preciso tomar cuidado ao associar “evangélicos”, apenas, a esse discurso intolerante. Não. Os ataques mais coordenados e mais perigosos partem da Igreja Católica.

É preciso – com muito cuidado e respeito pelos milhares de católicos e evangélicos que praticam a religião apenas para confortar suas almas, e para difundir o amor ao próximo – lembrar que já houve um tempo em que a religião mandava na política. 

No Brasil Colonial, tivemos a Inquisição católica a prender, torturar e executar. A intolerância religiosa já matou muito – no mundo inteiro. Aprendemos isso na escola, ou deveríamos aprender (quem não se lembra da “Noite de São Bartolomeu” ,na França, pode ler algo aqui).

Já que Serra quer travar esse debate, devemos pendurar o guiso no gato, e perguntar se o que ele quer é um Estado teocrático. É isso?

Do lado de Serra, certamente ficará muita gente. Mas tenho certeza que do outro lado ficará o que há de civilizado nesse nosso país.

Na Espanha, esse debate é travado nas eleições. O PP (partido conservador) tem uma parceria muito próxima com a Opus Dei e com o catolicismo mais reacionário. O PSOE (social-democrata) não tem medo de assumir a defesa de um Estado laico – respeitando as práticas religiosas.

O PSOE ganhou eleição prometendo união civil de homossexuais. A direita católica do PP realizou marchas com quase um milhão de pessoas, contra essa plataforma. Levou bispos e padres (de batina e tudo) para as ruas. O PP tentou intimidar o PSOE. O que fez a centro-esquerda? Travou o debate, resistiu, deu uma banana para o terrorismo religioso. E ganhou.

É preciso ter coragem.

O círculo da direita se fecha: ela tem as igrejas (algumas), ela tem a velha mídia, ela tem a prática da intolerância.

“A ideologia da direita é o medo”, já nos ensinava Simone de Beauvoir.

A intolerância e o medo é que levaram o “Estadão” (que, diga-se, abre espaços para a Opus Dei) a demitir Maria Rita Kehl por ter escrito um artigo que contraria a linha oficial de “somos Serra até a morte”.

Nas redações, não há espaço para dissenso. Quem levanta a cabeça tem a cabeça cortada.

“Folha” (que censura blogs), “Estadão” (que demite colunista), “Veja” (com seu esgoto jornalístico a céu aberto) e “Globo” (sob comando de Ali “não somos racistas” Kamel) são a armada a serviço desse contra-ataque conservador. Isso já está claro há muito tempo. Mas Lula parece ter minimizado essa articulação, e acreditado que enfrentaria tudo no gogó – sem politizar o debate. Não deu certo. É preciso enfrentamento, politização.

Esse é um combate que merecer ser travado. Para ganhar ou perder. E acho que temos toda chance de ganhar.

Até porque, se Serra ganhar com esse discurso de ódio, e com esses apoios (panfletos da TFP, reuniões no Clube Militar, pregação e intolerância religiosas), o país (empresários, trabalhadores, classe média) precisa saber que teremos uma nação conflagrada durante 4 anos.

Não dá pra fazer de conta que isso não está acontecendo.

Há espaço para uma centro-direita civilizada no Brasil? Claro. Mas essa direita que avança com Serra não merece respeito. Merece ser combatida, como fazem os espanhóis e como fez o Ciro Gomes.

Com coragem.

UM CHEIRO DE TORQUEMADA NO AR



Não eram eles os iluministas, os paladinos da sociedade do esclarecimento, a cepa mais refinada dos intelectuais da República,os arautos da Razão, da tolerância e dos valores liberais? Não eramos nós, a massa ignara e bruta, a escumalha depositária do atraso, o ajuntamento desfibrado, desprovido de outro pendor que não a vocação totalitária para rebanho adestrado pelos messiânicos, os populistas, os picaretas, os narradores do Juízo Final, bispos e bispas aspiradores de dízimo e sopradores de ignorância? Não eramos os cúmplices dos aiatolás a emprestar a mão omissa ao apedrejamento de adúlteras nas praças distantes do Irã onde Deus e o Demônio se entrelaçam nos corredores de um Estado que detém o monopólio da fé e da força? Então por que esse cheiro de Torquemada no ar que vem de dentro do Olimpo tucano? Por que a TFP se sente em casa ali de novo para ministrar --"pega e passa!"-- suas lições de como semear ódios, medos e ignorâncias contra a candidata do demônio? Em que ponto das reentrâncias iluministas se escondiam as palavras que Mônica Serra, a intelectual bailarina dos finos salões de Higienópolis e do Alto de Pinheiros, foi buscar para chantagear a alma do brasileiro pobre, cansado, de 73 anos, evangélico e vendedor ambulante, Edgar da Silva, que ao voltar para a casa deparou-se com a fina dama e depois de declarar o voto em Dilma, ouviu da esposa de José Serra a terrível maldição contra seu discernimento laico: "Ela é a favor de matar as criancinhas"
(Carta Maior defende a republica dos iguais, livres de toda opressão; 08-10)

O que um governo Serra faria com o pré-sal?



O professor Adilson de Oliveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), prefere responder o que o Brasil perderia se o Estado brasileiro abdicasse de controlar o ritmo e a estratégia de exploração dessa riqueza. O risco existe e foi sinalizado recentemente pelo coordenador do programa de energia de José Serra: Zylberstajn quer afastar a participação estatal no comércio do petróleo brasileiro. “Não se trata apenas de uma posição ideológica; há interesses em jogo que gostariam de diminuir o peso da Petrobras; se possível, até quebrar a empresa”, analisa.
Se o Brasil hoje é visto como o filé mignon do mundo em termos de crescimento econômico, o filé mignon do Brasil é o pré-sal. Por seu valor específico como principal reserva de petróleo descoberta no planeta no crepúsculo da oferta mundial, mas, sobretudo, pelos efeitos multiplicadores no conjunto da indústria nacional, trata-se “da maior oportunidade que o país já teve em toda a sua história de promover um salto qualitativo nas condições de vida do seu povo”. 

A avaliação é do economista Adilson de Oliveira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especialista em economia do desenvolvimento, com doutorado em Grenoble e pós-doutorado em Sussex, Oliveira tem posições serenas que vivem em harmonia com o tom pausado de sua fala. Sem nunca alterar a voz ele é taxativo, porém, num aspecto. O encadeamento virtuoso possibilitado pela riqueza do pré-sal requer um lacre de segurança que garanta a permanência desses recursos no metabolismo da economia brasileira.

O nome dessa blindagem, diz o professor da UFRJ, é Petrobras. 

A firmeza calma de suas palavras não esconde um confronto agudo com a histórica oposição de certos interesses ao papel da empresa no país. Esse antagonismo foi reiterado mais uma vez nestas eleições pelo assessor do programa de energia de José Serra, David Zylberstajn, ex-dirigente da Agencia Nacional de Petróleo no governo FHC. Em recente entrevista ao Valor [06-10], Zylberstajn admitiu que aconselharia Serra, caso eleito, a reverter o modelo do pré-sal aprovado pelo Congresso, que dá o comando do processo de exploração das reservas à Petrobras e a prerrogativa de comercialização do óleo à nova estatal criada para esse fim, a Pré-Sal Petróleo SA. 

Coerente com o que fez em 1999 como diretor-geral da ANP, quando se propôs a encolher a Petrobras, que de fato perdeu o monopólio na exploração e teve seu braço petroquímico amputado, Zylberstajn sintetiza assim a filosofia da estratégia sedimentada junto ao presidenciável José Serra: livrar o mercado brasileiro de qualquer interferência estatal na compra e venda de petróleo.

“Não se trata apenas de uma posição ideológica; há interesses em jogo que gostariam de diminuir o peso da Petrobras; se possível, até quebrar a empresa”, analisa o professor da UFRJ, cuja calma adiciona peso e gravidade à sua avaliação. 

O gigantismo dos conflitos que cercam o pré-sal emprestam dose adicional de credibilidade a esse risco. “São reservas que concentram cerca de 70 bilhões de barris, no mínimo; podem chegar a 100 bilhões”, diz o economista sobre a fabulosa poupança guardada no mar a cerca de seis mil metros de profundidade, 300 quilômetros distante da costa brasileira. 

O pré-sal mudou o tamanho do Brasil na geopolítica mundial. Os grandes interesses que disputam a oferta de energia sabem que o país será um dos cinco ou seis maiores fornecedores do planeta no século XXI, quando a escassez de óleo elevará os preços do barril continuamente. Isso muda tudo. Muda inclusive o apetite da luta pelo poder na economia, ainda que o assunto pré-sal tenha ocupado até agora um conveniente segundo plano no discurso oposicionista, exceto por confidencias como a de Zylberstajn . 

“O fato é, que, de importadores de óleo até recentemente – a autossuficiência veio em abril de 2006 - passaremos a grande exportador de derivados de maior valor agregado”, diz o economista da UFRJ que tem domínio absoluto sobre os encadeamentos de uma equação em que mercado-energia e decisão política são indissociáveis. “Esse é o pulo do gato da capitalização”, observa chamando a atenção para a mais recente peça movida no jogo de xadrez da construção da soberania brasileira sobre essa trilionária poupança.

O maior processo de capitalização da economia mundial adicionou cerca de US$ 120 bilhões ao caixa da Petrobrás que terá assim recursos para industrializar o óleo do pré-sal, o que inclui, entre outros requisitos, forte expansão da rede brasileira de refinarias, estagnada desde 1980. Cinco plantas estão sendo construídas simultaneamente neste momento, a maior delas em sociedade com a PDVSA venezuelana, em Pernambuco. 

Investimentos maciços estão sendo feitos também na modernização de outras quatro unidades antigas.

É essa estrutura industrial que viabilizará a exportação de valor agregado (gasolina diesel etc) em vez de óleo cru, mais barato. É ela também que funcionará como antídoto à famosa ‘maldição do petróleo’, um processo corrosivo de desindustrialização e dependência que atinge sociedades reduzidas a mero entreposto de exportação de recursos primários finitos.

O professor cautelosamente manifesta dúvidas quanto à necessidade da Pré-Sal, a nova estatal criada para coordenar a etapa final da comercialização do óleo e derivados. No seu entender, a Petrobrás poderia cumprir essa missão. A empresa,argumenta, é quem melhor conhece o mercado ardiloso das disputas geopolíticas e as armadilhas das cotações. 

A necessidade de um ‘dosador’ estatal para calibrar o volume das vendas, de qualquer forma, parece incontestável. E ele explica o porquê. “O que faz do pré-sal um tesouro para o desenvolvimento brasileiro não é apenas o volume de petróleo que ele encerra. O mais importante é o viés industrializante que essa exploração permite. Toda uma cadeia de equipamentos, máquinas, logística, tecnologia e serviços diretamente ligados e também externos ao ciclo do petróleo poderá ser alavancada nos próximos anos, transformando o Brasil, também, num grande exportador industrial. 

O economista sempre contido entusiasma-se: “Isso tem força para deslocar o patamar do nosso desenvolvimento”. Para que essa oportunidade não se perca é vital a definição de um “dosador” soberano que coordene duas variáveis básicas: o ritmo da extração e do refino e a sua sintonia com a capacidade brasileira de atender à demanda por plataformas, máquinas, barcos, sondas e centenas de outros equipamentos requeridos no processo. “Se a exploração do petróleo correr à frente do fôlego da indústria local, todo esse impulso será transferido para o exterior na forma de importações de bens e equipamentos”, adverte agora com certo grau de ansiedade na fala. 

Essa pontuação confirma que não estamos falando de estatísticas frias, desprovidas de desdobramentos sociais. Cerca de 300 mil jovens serão treinados nos próximos anos pelo Promimp, o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) , idealizado para qualificar mão-de-obra para a indústria nacional de petróleo e gás. Se o comando sobre a extração e a comercialização, de que fala o professor, escapar do controle nacional, esses empregos e milhares de outros vazarão para o exterior. “Parte dos interesses do mundo petrolífero sabe e já aceitou que a Petrobras é quem tem condições técnicas e institucionais de coordenar esse novo ciclo brasileiro”, explica o acadêmico que todavia adverte: ”A decisão política de capitalizar a Petrobrás emitiu um sinal claro; uma parcela dos capitais interessados em participar do entendeu que o caminho era investir em ações da empresa.Esse foi um divisor importantíssimo. Porém, observa pedindo atenção com uma pausa: “há gigantes que ainda gostariam de ocupar o papel coordenador assumido pelo Estado brasileiro. 

Em tese, o mercado até poderia substituir essa função”, comenta laconicamente Adilson de Oliveira, para emendar em seguida: “Com um custo para a sociedade brasileira: ela perderia, como já disse, o mais importante impulso de desenvolvimento já registrado em toda a sua história”. Orientadas apenas pelo lucro imediato, petroleiras multinacionais sangrariam das reservas o máximo de óleo no mais curto espaço de tempo. Não haveria encadeamentos industrializantes; tampouco recursos para um Fundo Social destinado a investir em educação, tecnologia e erradicação da pobreza, como quer o governo atual. 

É nessa brecha de tensão entre a voz do professor, a regulação soberana já aprovada pelo Congresso Nacional e as incertezas embutidas no caso de uma hipotética vitória do candidato oposicionista, em dia 31 de outubro, que prosperam sinais e ameaças, como as balizas sugeridas pelo coordenador do programa de energia de José Serra, David Zylberstajn. 

O professor da UFRJ não pronunciou o nome de Zylberstajn uma única vez em toda a conversa. Nem seria preciso: as iniciais DZ, da consultoria de Zylberstajn, estão visceralmente entranhadas naquilo que o economista de voz mansa classifica como interesses que gostariam de enfraquecer, “se possível, até quebrar a Petrobras”, para assumir o controle das maiores reservas de petróleo descobertas no planeta nas últimas três décadas.

A pedidos: o livro que desnuda Serra, Dantas e a privataria



Este ordinário blogueiro tem recebido numerosos pedidos para republicar as informações de que dispõe sobre o próximo livro de Amaury Júnior: “Os porões da privataria”.

Desde que o Conversa Afiada teve acesso ao prefácio do livro – reproduzido abaixo – Amaury foi à Polícia Federal para dizer que não violou sigilo fiscal nenhum.

Clique aqui para ler uma nota sobre este depoimento.

Amaury foi contratado pela Rede Record e assumiu o compromisso de não publicar o livro até o fim da eleição.

Enquanto isso, para atender os amigos navegantes, republicamos o primeiro post que tratou deste assunto e aloprou os Amigos do Presidente eleito, José Serra:

Livro desnuda a relação de Serra com Dantas. É por isso que Serra se aloprou


O Conversa Afiada recebeu de amigo navegante mineiro o texto que serve de introdução ao livro “Os porões da privataria” de Amaury Ribeiro Jr.


É um trabalho de dez anos de Amaury Ribeiro Jr, que começou quando ele era do Globo e se aprofundou com uma reportagem na IstoÉ sobre a CPI do Banestado.


Não são documentos obtidos com espionagem – como quer fazer crer o PiG (*), na feroz defesa de Serra.


É o resultado de um trabalho minucioso, em cima de documentos oficiais e de fé pública.


Um dos documentos  Amaury Ribeiro obteve depois de a Justiça lhe conceder “exceção da verdade”, num processo que Ricardo Sergio de Oliveira move contra ele. E perdeu.


O processo onde se encontram muitos documentos foi emcaminhado à Justiça pelo notável tucano Antero Paes e Barros, devidamente derrota na última eleição, e pelo relator da CPI  do Banestado, o petista José Mentor.


Amaury mostra, pela primeira vez, a prova concreta de como, quanto e onde Ricardo Sergio recebeu pela privatização.


Num outro documento, aparece o ex-sócio de Serra e primo de Serra, Gregório Marin Preciado no ato de pagar mais de US$ 10 milhões a uma empresa de Ricardo Sergio.


As relações entre o genro de Serra e o banqueiro Daniel Dantas estão esmiuçadas de forma exaustiva nos documentos a que Amaury teve acesso. O escritório de lavagem de dinheiro Citco Building, nas Ilhas Virgens britânicas, um paraíso fiscal, abrigava a conta de todo o alto tucanato que participou da privataria.


Não foi a Dilma quem falou da empresa da filha do Serra com a irmã do Dantas. Foi o Conversa Afiada.


Que dedica a essa assunto – Serra com Dantas – uma especial atenção.


Leia a introdução ao livro que aloprou o Serra:


Os porões da privataria


Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três dos seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, tem o que explicar ao Brasil.


Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil …


Atrás da máxima “Siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.


A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista – nomeado quando Serra era secretário de planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$ 448 milhões (1) para irrisórios R$ 4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC.


(Ricardo Sergio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se  der m… “, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)

Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (2).


O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$ 3,2 milhões no exterior através da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova York.  É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.


A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$ 17 mil (3 de outubro de 2001) até US$ 375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$ 1,5 milhão.


O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$ 404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, através de contas no exterior, US$ 20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.


O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, entre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.


Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do país para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br,  em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia  do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.


Financiada pelo banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$ 5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$ 10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas tem o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.


Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$ 7,5 milhões em ações da Superbird. com.br que depois muda de nome para  Iconexa S.A…Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.


De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante o Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no país. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia através de sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no país.


Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações — que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade” conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” — foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e as contas sigilosas da América Central ainda nos anos 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenceria…


Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$ 410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.


(1)A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$ 140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,2 por um dólar.

(2)As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.


(*) PiG: Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Dilma rejeita receita recessiva da direita e do FMI para economia

A candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, Dilma Rousseff, voltou a rejeitar nesta quinta-feira (7) a ideia apregoada pela direita neoliberal e agora também pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de que a economia nacional precisa de um ajuste fiscal, apresentado como condição para reduzir a taxa básica de juros e evitar a queda do dólar frente ao real.

Como economista, Dilma conhece o significado da expressão ajuste fiscal, que à primeira vista pode parecer inofensiva ou quem sabe até providencial. Conforme a candidata explicou na campanha do primeiro turno, o tal ajuste se concretiza através de cortes das despesas públicas e aumento de impostos. Em outras palavras, significa diminuição das verbas para saúde, educação, transportes, infra-estrutura, demissão de trabalhadores no setor público, redução de salários e de direitos. As privatizações tucanas são o tempero da receita.

Retrocesso


O resultado macroeconômico do remédio sugerido pelo FMI e a direita neoliberal seria a paralisação do Programa de Crescimento Econômico (PAC), a diminuição da taxa de investimentos e a desaceleração das atividades produtivas, estagnação ou mesmo recessão econômica. Como complemento, veríamos a reversão do ciclo positivo do mercado de trabalho, com a elevação dos níveis de desemprego, da precariedade e da pobreza. Um retrocesso à era neoliberal liderada por FHC.

A Grécia oferece, hoje, um bom exemplo dos efeitos danosos da receita do FMI para a economia. Submetido a um ajuste fiscal ditado pelos economistas do Fundo e pela cúpula da União Europeia, o país deve encerrar 2010 completando três anos de recessão e com um nível recorde de desemprego, em torno de 12%. Nesta quinta-feira (7) o país foi paralisado por uma nova greve geral dos trabalhadores do setor público, que tiveram seus salários reduzidos e direitos suprimidos.

Lição amarga

O Brasil também fez as “lições de casa” ditadas pelo FMI no passado, após a crise da dívida externa, no início dos anos 1980, e durante o governo FHC, que quebrou o país com sua política neoliberal e entregou o país à administração dos tecnocratas do Fundo em 1988. Fernando Henrique Cardoso chegou a assinar um protocolo de intenções com o órgão prometendo a privatização da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, intenção que felizmente não saiu do papel. O Brasil viveu pelo menos duas décadas perdidas em termos de desenvolvimento (com a renda per capita estagnada) por seguir os palpites do FMI. Foi uma lição amarga, que não devemos repetir.

Não há razão objetiva para o ajuste sugerido pelos neoliberais, conforme observa a candidata a presidente. As contas públicas estão equilibradas, observa-se a redução da relação dívida/PIB e o saldo entre gastos e receitas governamentais (não financeiras, isto é, excluindo juros) é positivo, ou seja, o Estado continua promovendo o polêmico superávit primário.

Ideias e interesses

Os conselhos do FMI, como denunciou o Prêmio Nobel de Economia Josefh Stiglitz, não obedecem aos postulados da ciência econômica, onde é notória a divergência entre conservadores (ortodoxos) e progressistas (heterodoxos) quando o tema é gasto público. O órgão, controlado pelos Estados Unidos e União Europeia, defende os interesses cínicos das potências capitalistas (que dizem uma coisa e fazem outra, extrapolando os limites da sensatez em termos de déficit e dívidas) e conspira contra o desenvolvimento do Brasil e outros países emergentes.

É preciso considerar, ainda, que o “ajuste” proposto, embora seja um veneno para a economia nacional, favorece os interesses dos credores da dívida pública, pois entre seus objetivos destaca-se o de ampliar o superávit primário reservado ao pagamento dos extorsivos juros que remuneram os detentores de títulos públicos.

O debate sobre o tema, mediado pelos grandes meios de comunicação, passa ao largo desses interesses, que (bem mais que a ciência econômica) orienta as ideias neoliberais. Outra empulhação é apresentar o ajuste fiscal como o “remédio técnico” para o problema do câmbio (a excessiva valorização do real), suposição falsa que também foi criticada e desmascarada pela candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando.

Desequilíbrios americanos


Dilma Rousseff afirmou que um eventual ajuste fiscal não vai conter a desvalorização do câmbio, pois esta resulta de um problema mundial, proveniente dos EUA. Com efeito, a queda do dólar, que ocorre em todo o planeta (não é um problema só brasileiro), decorre dos formidáveis desequilíbrios da economia estadunidense, que ainda não superou a crise. “O ajuste fiscal não tem uma relação direta com o câmbio. A questão do câmbio diz respeito, no caso dos Estados Unidos e dos países desenvolvidos, ao fato de eles estarem numa crise profunda", esclareceu a candidata.

Na opinião de Dilma, o Brasil precisa aumentar a competitividade da indústria para reverter os efeitos de um câmbio supostamente apreciado. Ela também defende a reforma tributaria e lembra que, diferentemente do que aconteceu na era FHC, o governo Lula reduziu o endividamento público e equilibrou as contas públicas.

"Quando chegamos ao governo, 60% do Produto Interno Bruto (PIB) era dívida pública. Hoje, chegamos a 40%", disse. "Isso vai permitir que a gente reduza os juros e, com isso, a relação com o câmbio vai melhorar", completou. A receita recessiva do FMI e da direita neoliberal, a serviço do capital financeiro, está na contramão dos interesses da nação e do povo brasileira.

Da redação, Umberto Martins, com agências