Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Dizei-me com quem andais que vos direi quem sois

O adágio popular cabe como uma luva para uma situação que está não apenas destruindo a imagem do Brasil perante o mundo, mas prejudicando a economia, gerando medo, violência e incerteza entre a sociedade e, o que é pior, sem uma justificativa inteligível.
É triste ver um país em que o padrão de vida melhorou tanto ao longo da última década se deixar levar por um modismo inconsequente que está por arrasar todas as conquistas obtidas com tanto custo nesse período.
Os últimos acontecimentos durante os protestos pelo país, em questão de horas serviram para que os ideólogos da “primavera brasileira” parassem e pensassem que sem Estado e política o que sobra é o caos.
A constante criminalização da política e a militância política travestida de jornalismo fundamentaram a tese dos que querem abolir todas as instâncias democráticas em troca de uma causa que não se apresenta, oculta sob frases feitas e generalistas.
Aos poucos, porém, as pessoas vão se dando conta da verdade. Sobretudo aquelas que se encastelaram no poder e esqueceram que não se governa um país sem fazer política, e que se mancomunam até com o diabo contanto que ele concorde com elas.
Os que acusam Dilma de se aliar a partidos cheios de picaretas em prol da governabilidade ou de se encolher de medo diante de um “jornalismo” mafioso, porém, decidiram ir às ruas ao lado de psicopatas de ultradireita que se aproveitam dos protestos para tocar o terror.
Quem diz que as manifestações são pacíficas e só reagem à violência de uma polícia inegavelmente despreparada, violenta e até corrupta se calam quando fica claro que não precisa polícia nenhuma para o vandalismo eclodir.
Nos últimos dias, a polícia que deu sua contribuição ao vandalismo se recolheu e os protestos degringolaram para a violência do mesmo jeito. E, pasme-se, agora acusam as autoridades de não acionarem a mesma… Polícia!
E quanto à tese de que a própria polícia praticava o terror com infiltrados, apesar do caráter comprovadamente violento dela caiu por terra com as cenas dos últimos dias pelas ruas do país, até porque os autores dessa tese se calaram.
Os que geraram o ambiente que permitiu o caos apesar de não participarem dele, têm que assumir que jogaram centenas de milhares na rua, marcharam ao lado deles e quando desencadearam o terror, agora dizem que nada têm com isso.
Já o governo que pretende governar sem fazer política acaba de ter confirmada a sua queda de popularidade. O instituto Ibope concorda com o Datafolha e mostra que Dilma perdeu popularidade.
Quem prega que ela se mantenha na rota do mutismo e da ojeriza à política se aferra à comparação com a popularidade de outros presidentes com o mesmo tempo de mandato sem levar em conta que a trajetória da presidente é de queda.
Esta, continua dando declarações curtíssimas, não fala ao povo, não lidera o país justamente no momento em que este precisa de liderança, que está sendo usurpada não só do governo, mas da oposição e até da mídia por um grupo de jovens de classe média e alguns vovôs que tentam recuperar a juventude perdida.
Na última terça-feira, assistindo aos telejornais, constato que “um grupo pequeno” tocou o terror pelo país afora, sobretudo no centro de São Paulo. Em um desses telejornais, assisto a 30 minutos incessantes de quebradeira praticada por um “grupo pequeno”.
A avaliação dos telejornais é de que centenas de pessoas destruíram a fachada da prefeitura de São Paulo e arrombaram, depredaram e saquearam dezenas de estabelecimentos comerciais, sem falar em certa rede de televisão que estimulou ao vivo os manifestantes a invadirem a prefeitura ao dizer “culpado por tudo” o prefeito que está há cinco meses no cargo.
Os manifestantes pacíficos que marcharam ao lado de dementes de ultradireita descobrem que estavam em má companhia e, como se tivessem chegado agora e não tivessem nada com isso, querem impedi-los de barbarizar.
Você leva uma matilha de lobos ao centro de uma cidade e quando começam a devorar as pessoas diz que não tem nada com isso porque não está devorando ninguém.
Ninguém tem coragem de dizer isso e, também, que o preço das passagens não tem nada que ver com o peixe.
Várias cidades de todo país cederam aos manifestantes, reduziram o preço da passagem e as manifestações continuaram, com os bandidos que marcharam ao lado dos pacíficos quebrando tudo.
Não é um milagre que “apenas” mutilações e ferimentos entre graves, médios e leves tenham ocorrido entre policiais e manifestantes? Chega a ser inacreditável que ainda não morreu ninguém. Mas, sendo racional, não se pode acreditar que isso não irá mudar.
O que espanta e deprime é ver que ninguém diz o que é preciso porque foi montada uma rede de difamação e intimidação, um verdadeiro tribunal ideológico com pistoleiros ideológicos agindo para calar qualquer divergência.
Nesse processo, muitos que confidenciam em privado que reconhecem o verdadeiro caráter desse movimento que tanto está prejudicando o Brasil por uma causa que ninguém sabe qual é, mas publicamente se omitem, concordam com ele e até o exaltam.
Tudo por medo dos tribunais e dos justiçamentos ideológicos.
Quando as pessoas chegam a ter medo de dizer opiniões legítimas por conta de que serão tachadas de “reacionárias”, “falsos esquerdistas” etc., instalou-se um processo inquisitorial no país.
Desde o primeiro momento, este espaço acusou o risco que representava jogar nas ruas massas incontroláveis. Ao contrário do que dizem alguns pistoleiros ideológicos, aqui jamais houve mudança de rota.
O que tem sido dito é que se deixarem essas manifestações ocorrerem sem contraponto, irão gerar uma tragédia política, econômica e física para o país e que, portanto, se não se pode impedir as pessoas de exercerem o direito de irem à rua, há que ir também e tentar pregar bom senso.
Isso, claro, se não se puder instilar bom senso na sociedade, que precisa entender que um país não pode ser governado por grupos que vão às ruas, mas através daqueles que a maioria eleger pelo voto livre e consciente.
O que sempre foi dito aqui é que não se pode levar massas incontroláveis às ruas e quando saírem previsivelmente de controle ninguém se responsabilizar. E que é antiético inventar uma bandeira fictícia de redução do preço das passagens quando a motivação é outra.

AS IMPLICAÇÕES DE UMA VITÓRIA


O Movimento Passe Livre (MPL) mantem a mobilização desta 5ª feira em SP, depois de conquistar a revogação dos 20 centavos de aumento no preço da tarifa municipal. Ademais da vitória política, a reversão do reajuste produz um alívio entre os seus dirigentes e os do PT. A cada dia, a continuidade dos protestos evidenciava o risco de descaracteriza-los como um levante contra o governo federal  e o legado de conquistas econômicas e sociais dos últimos dez anos. Acima de tudo está o fato  de que o MPL  --e círculos próximos a ele- não sabia ao certo como reverter a usurpação em marcha  de uma mobilização que desde o início se evocava a-partidária. O dispositivo midiático conservador, por exemplo, capturou as imagens dos novos cara-pintadas para rejuvenescer a sua narrativa anti-petista, em campanha antecipada para 2014. A esperança nos bastidores é de que a revogação anunciada por Alckmin e Haddad promova um arrefecimento natural das coisas, permitindo a decantação e a reestruturação dos grupos e forças que tem, na verdade, um objetivo mais ambicioso e de extrema pertinência: a tarifa zero em uma cidade mais equilibrada e equitativa. Faz falta ao planejamento democrático um movimento urbano forte, capaz de disputar a construção da cidade com a lógica especulativa do negócio imobiliário. Só assim o caos será revertido. Se for a semente disso, o batismo de fogo do MPL, com todas as suas lacunas, já terá valido a pena. Ao PT, a trégua, se houver, deve ser aproveitada para uma desassombrada avaliação das razões pelas quais as ruas e uma parcela expressiva da juventude brasileira já não se expressam mais através do partido, de sua capilaridade e do seu programa. Ao conjunto das forças progressistas, sobretudo seus partidos de esquerda, cumpre uma autocrítica aguda: o sectarismo autodestrutivo que gerou um arquipélago de entes incomunicáveis abriu um vácuo no espectro das mobilizações de massa. Nesse oco de alianças, choca o ovo da serpente que inocula na sociedade uma histérica rejeição à política, à negociação, à organização democrática do conflito social e à razão argumentativa como método de escrutinar divergências e projetos de futuro. O que se viu nesses 13 dias que abalaram o Brasil, mais uma vez, é que em política não existe vácuo. A incapacidade da esquerda de fazer alianças com seus pares e, desse modo, oferecer uma agenda crível às angústias e anseios da sociedade, pavimentou o caminho para o despontar de visões e concepções regressivas relativas à idéia de desenvolvimento, papel do Estado, da política e da democracia. Foi só um aperitivo. Mas o pouco que se viu serve de eloquente convite à autocrítica. (Leia mais aqui)  
(Carta Maior;5ª feira,20/06/2013)



As manifestações de junho e a mídia


Independentemente das razões que justificam a expressão democrática de uma insatisfação generalizada por parte de parcela importante dos brasileiros, não se pode ignorar o papel da grande mídia na construção de uma cultura política que desqualifica sistematicamente a política e os políticos. E mais importante: não se pode ignorar os riscos potenciais para o regime democrático da prevalência dessa cultura política. Por Venício A. de Lima










Apesar da proximidade cronológica, parece razoável observar que o estopim para as manifestações populares que estão ocorrendo no país foi o aumento das tarifas do transporte coletivo e a repressão violenta da polícia (vitimando, inclusive, jornalistas no exercício de sua atividade profissional) – não só à primeira passeata realizada em São Paulo, mas também à manifestação realizada antes da abertura da Copa das Confederações, em Brasília. A partir daí, um conjunto de insatisfações que vinha sendo represado explodiu.

A primeira reação da grande mídia, bem como das autoridades públicas, foi de condenação pura e simples das manifestações que, segundo eles, deveriam ser reprimidas com ainda maior rigor. No entanto, à medida que o fenômeno se alastrou, autoridades e mídia alteraram a avaliação inicial.

A grande mídia, então, passa a cobrir os acontecimentos como se fosse apenas uma observadora neutra, que nada tem a ver com os fatos que desencadearam – para o bem ou para o mal – todo o processo.

Centralidade da mídia
Nas sociedades contemporâneas, apesar da velocidade das mudanças tecnológicas, sobretudo no campo das comunicações, a centralidade da mídia é tamanha que nada ocorre sem seu envolvimento direto e/ou indireto. Qual teria sido esse envolvimento no desencadeamento das atuais manifestações?

Um primeiro aspecto chama a atenção. Pelo que se sabe as manifestações têm sido convocadas por meio de redes sociais. Isto é, através de um sistema de comunicação independente do controle da grande mídia.

Na verdade, a se confirmar que a maioria dos participantes é de jovens (em Brasília, um dos “convocadores” da “Marcha do Vinagre” tem apenas 17 anos), trata-se de um segmento da população que se informa prioritariamente pelas redes sociais na internet e não pela grande mídia – jornais, revistas, radio, televisão.

Apesar disso, um aspecto aparentemente contraditório, mas fundamental – revelado inclusive em cartazes dispersos nas manifestações – é que os manifestantes se consideram “sem voz pública”, isto é, sem espaço para expressar e ter a voz ouvida.

Desnecessário lembrar que a grande mídia ainda exerce, na prática, o controle do acesso ao debate público, vale dizer, das vozes que se expressam e são ouvidas. Além disso, a cultura política que vem sendo construída e consolidada no Brasil, pelo menos desde que a televisão se transformou em “mídia de massa” hegemônica, tem sido de desqualificação permanente da política e dos políticos. E é no contexto dessa cultura política que as novas gerações estão sendo formadas – mesmo não se utilizando diretamente da velha mídia.

Emerge, então, uma questão delicada.

A mídia e o system blame
Independentemente das inúmeras e verdadeiras razões que justificam a expressão democrática de uma insatisfação generalizada por parte de parcela importante da população brasileira, não se pode ignorar o papel da grande mídia na construção dessa cultura política que desqualifica sistematicamente a política e os políticos. E mais importante: não se pode ignorar os riscos potenciais para o regime democrático da prevalência dessa cultura política.

Recorri inúmeras vezes, ao longo dos anos, a uma arguta observação da professora Maria do Carmo Campello de Souza (já falecida) ao tempo da transição para a democracia, ainda no final da década de 1980.

Em capítulo com o título "A Nova República brasileira: sob a espada de Dâmocles", publicado em livro organizado por Alfred Stepan Democratizando o Brasil (Paz e Terra, 1988), ela discute, dentre outras, a questão da credibilidade da democracia. Nas rupturas democráticas, afirma ela, as crises econômicas têm menor peso causal do que a presença ou ausência do system blame (literalmente, "culpar o sistema"), isto é, a avaliação negativa do sistema democrático responsabilizando-o pela situação.

Citando especificamente os exemplos da Alemanha e da Áustria na década de 1930, lembra Campello de Souza que "o processo de avaliação negativa do sistema democrático estava tão disseminado que, quando alguns setores vieram em defesa do regime democrático, eles já se encontravam reduzidos a uma minoria para serem capazes de impedir a ruptura".

A análise da situação brasileira, há mais de duas décadas, parece mais atual do que nunca. A contribuição insidiosa da mídia para o incremento do system blame é apontada como um dos obstáculos à consolidação democrática. Vale a pena a longa citação:

A intervenção da imprensa, rádio e televisão no processo político brasileiro requer um estudo linguístico sistemático sobre o "discurso adversário" em relação à democracia, expresso pelos meios de comunicação. Parece-nos possível dizer (...) que os meios de comunicação tem tido uma participação extremamente acentuada na extensão do processo de system blame (...). Deve-se assinalar o papel exercido pelos meios de comunicação na formação da imagem pública do regime, sobretudo no que se refere à acentuação de um aspecto sempre presente na cultura política do país – a desconfiança arraigada em relação à política e aos políticos – que pode reforçar a descrença sobre a própria estrutura de representação partidária-parlamentar (pp. 586-7). (...)

O teor exclusivamente denunciatório de grande parte das informações acaba por estabelecer junto à sociedade (...) uma ligação direta e extremamente nefasta entre a desmoralização da atual conjuntura e a substância mesma dos regimes democráticos. (...) A despeito da evidente responsabilidade que cabe à imensa maioria da classe política pelo desenrolar sombrio do processo político brasileiro, os meios de comunicação a apresentam de modo homogeneizado e, em comparação com os dardos de sua crítica, poupam outros setores (...). Tem-se muitas vezes a impressão de que corrupção, cinismo e desmandos são monopólio dos políticos, dos partidos ou do Congresso (...). (pp.588-9, passim).

Avanços e riscos
As manifestações populares devem, por óbvio, ser vistas por aqueles em posição de poder como uma oportunidade de avançar, de reconsiderar prioridades e políticas públicas.

Do ponto de vista da grande mídia, é indispensável que se reflita sobre o tipo de cobertura política que vem sendo oferecida ao país. Encontrar o ponto ideal entre a fiscalização do poder público e, ao mesmo tempo, contribuir para o fortalecimento e a consolidação democrática, não deveria constituir em objetivo da grande mídia? A quem interessa a ruptura democrática?

Apesar de ser um tema delicado e difícil – ou exatamente por essa razão – é fundamental que se considere os limites entre uma cobertura sistematicamente adversária da política e dos políticos e os riscos de ruptura do próprio sistema democrático.

A ver.

*Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado), pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbras) da UFMG e autor de Política de Comunicações: um Balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros livros.

Artigo publicado originalmente na revista Teoria & Debate.


Fotos: EBC 

 

Mídia marcha sem rumo diante das manifestações

Jornal do Brasil

Quanto mais forte e ágil a mobilização dos manifestantes que toma o país e chega até ao exterior, maior a perplexidade e as interrogações de autoridades do governo. A falta de uma liderança clara e a existência de uma pauta difusa de reivindicações se alia às ferramentas das redes sociais para consolidar uma onda de protestos imprevisível. A única certeza é a de que a indignação é generalizada e a população se identifica cada vez mais com o que acontece nas ruas.
Mas não são apenas governo e autoridades da segurança que parecem perdidos em meio às palavras de ordem dos ativistas. A própria mídia, com sua incurável mania de rotular e definir fenômenos sociais, atira a esmo, errando muitas vezes o alvo.
Jornal do Brasil, atento às tendências, decidiu abrir um canal direto com as mídias sociais criando o espaço "Tá nas redes" e mostrando como os ativistas estão se articulando. 
A gafe mais clássica talvez tenha sido a de Arnaldo Jabor. Semana passada, em sua crônica no Jornal da Globo, o comentarista questionou o protesto, comparando-o a manifestações criminosas de São Paulo. "Não pode ser por causa de vinte centavos", decretou, afirmando ainda que a maioria dos manifestantes era de classe média. "Tudo é uma imensa ignorância política. A causa é a ausência de causas. Esses revoltosos de classe média não valem nem vinte centavos", disparou precipitadamente para, na semana seguinte, após ser massacrado nas redes sociais, voltar atrás em sua coluna na rádio CBN: 
“Outro dia eu errei, sim. Errei na avaliação do primeiro dia das manifestações contra o aumento das passagens em São Paulo. Falei na TV sobre o que me pareceu um bando de irresponsáveis fazendo provocações por causa de 20 centavos. Era muito mais que isso”, admitiu.
Mas os erros não param por aí. Numa onda de protestos que já foi batizada como "Revolta do Vinagre", "Primavera Carioca" e até "Salad Uprising" (Revolta da Salada), não é difícil perceber que aprisioná-la numa única definição é uma tarefa inútil.
Contudo, as tentativas persistem. Em seu blog no site de O Globo, o jornalista Merval Pereira resume de forma imperativa: "Mesmo que as reivindicações sejam várias e muitos cartazes exibam anseios mal explicados ou utopias inalcançáveis, há um ponto comum nessas manifestações dos últimos dias: a luta contra a corrupção."
O jornalista Reinaldo Azevedo, da Veja, não ficou atrás. Hoje, em seu blog, disparou: "Movimento Passe Livre, chamado de pacífico por certa imprensa, se nega a condenar saqueadores e diz que eles são protagonistas de uma “revolta popular”. E ainda há gente que me pede para aplaudir essa gente! Não há a menor chance de isso acontecer!", escreveu para depois ser também atacado por ativistas que lembravam as inúmeras pautas de reivindicações que estão nas ruas.
No editorial de hoje da Folha de S. Paulo, intitulado Incógnita nas ruas, o texto destaca cenas isoladas de vandalismo e a mobilização da classe média, para concluir que "...como na marcha de muitas cabeças, em São Paulo, é difícil prever onde esse caudal irá desembocar. Nem os manifestantes sabem."
Já o Valor faz conjecturas financeiras, alertando que a economia não gosta de incerteza, que os protestos assustam os investidores e que a questão social pode entrar de vez no radar do mercado. 
Bem definiu o cientista político e professor da UFRJ Paulo Baía, em entrevista à GloboNews na noite de terça-feira: "Estamos diante de uma coisa nova. Quem tentar fazer comparações e definições estará cometendo um erro.
"

Ação de Lula e Dilma baixou a passagem











É evidente que a decisão simultânea entre Estado e Prefeitura, em São Paulo e no Rio, de revogar o aumento das passagens dos transportes públicos resultou de uma coordenação – finalmente!- assumida pelo Governo Federal.
É isso o que já devia ter sido feito desde que ficou claro que o movimento pela redução do valor das passagens correspondia a uma necessidade da população, embora seus protagonistas fossem, na maioria, jovens de classe média.
É natural que os prefeitos façam um “chororô” com a perda de recursos que isso irá representar. Mas isso não imobilizará prefeitura alguma.
Primeiro porque o dinheiro não gasto nas passagens não ficará, com certeza, guardado. Será usado – e como faz falta! – nas despesas do dia a dia da população.
Segundo porque há uma maneira objetiva, direta, inquestionável de reduzir o custo operacional das empresas de ônibus, trem e metrô. É só os governadores zerarem o ICMS que cobram sobre combustíveis, pneus e outros insumos necessários ao funcionamento dos ônibus e, também, o ICMS da energia elétrica consumida pelos trens e pelo metrô.
Mesmo antes da eclosão dos movimentos o Governo Federal já havia dado a sua cota para que as passagens não subissem tanto, isentando da contribuição para o PIS/Cofins o preço dos bilhetes .
Equivale a perto de 8% do valor total.
Uma redução igual pode ser obtida se os governadores abrirem mão dos impostos estaduais, o que vou destrinchar num post, amanhã.
É justo que eles assumam, também, as suas responsabilidades, porque não adianta iludir a população atirando no colo do Governo Federal a crise provocada pelo reajuste.
Agora, atendida aquela que era a reivindicação, de fato, cara ao nosso povão. Vamos ver se os irresponsáveis e os provocadores terão ambiente para continuar agindo.
Por: Fernando Brito

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Tijolaço no “Foda-se o Brasil”. Vândalo, provocador que tentou invadir a Prefeitura de SP foi identificado. Tiago Ciro Tadeu Faria - o mesmo que tentou melar o carnaval paulistano de 2012.

Usuários do Facebook ajudam na identificação do meliante: Aqui todos os dados da criatura.   
Link da imagem: Folha de SP


“Revoltado” é provocador antigo
19 de Jun de 2013 | 13:03


Segundo a Folha, foi identificado um dos vândalos que destruiu vidraças da Prefeitura de São Paulo, ontem.

A Secretaria de Segurança divulgou que “ele foi identificado como Tiago – o sobrenome não foi divulgado nem a idade. Os policiais foram até a casa dele, mas ele não dormiu no local. Segundo a polícia, ele continua sendo procurado”.

O cidadão é o mesmo que ficou conhecido por “melar” o resultado do desfile do Carnaval paulistano no ano passado e se chama Tiago Ciro Tadeu Faria

Quem identificou o cidadão foi o grupo anarquista BlackBloc, que divulgou no Facebook:

Gostaria de deixar claro que o Black Bloc não teve nada a ver com os atos na prefeitura de SP, como foi noticiado na Rede Record. Isto inclui o cara de branco quebrando os vidros da prefeitura, e incitando os manifestantes a fazerem o mesmo. Através de nossas pesquisas, o nome do mesmo é Tiago Ciro Tadeu Faria, o cara que rasgou os votos da apuração das escolas de samba no carvanal de SP em 2012.

Tiago portava uma máscara antigás e fazia parte de um grupo de cerca de dez provocadores que incitava à depredação.

Vai ser interessante saber que estava pagando Tiago.
Por: Fernando Brito
http://www.tijolaco.com.br/index.php/revoltado-e-provocador-antigo/

PIG ENFIOU O PASSE LIVRE NO BOLSO. É O GOLPE DO CHÁVEZ Os jovens que não se “contaminaram” com a política realizarão uma obra-prima da política continental: o Golpe de Estado midiático.


Os jovens do Movimento Passe Livre são muito simpáticos.

São “puros”: não se deixaram contaminar pela “maldição” da política.

São inflexíveis como os milenaristas: serão os portadores da Justiça, da Harmonia e da Paz.

Sua arma é a Constituição.

E são de Classe Média.

Clique aqui para ler o que Marilena Chauí acha da “classe média”.

Essas manifestações de jovens “puros” ou não dão em nada ou derrubam o Governo.

Na Praça da Paz Celestial não deram em nada.

Na Praça Tahir, no Cairo, derrubaram um ditador decrépito.

No Occupy Wall Street não deram em nada.

Na Plaza Mayor, em Madrid, elegeram um Generalíssimo Franco.

Aqui no Brasil, há uma singularidade.

Uma jabuticaba.

É a concentração da mídia, expressa na exorbitante hegemonia da Globo – clique aqui para ler “jornal nacional, 40 minutos de Golpe na veia”.

Não existe movimento de massa “ingênuo”.

Muito menos onde a Globo e o PiG (*) têm o poder excepcional que preservam, impunemente, no Brasil.

O movimento do Passe Livre ultrapassou o alcance das redes sociais.

Ele foi abduzido pelo PiG – e sobretudo pela Globo.

O Globo convoca as manifestações – dá endereços e tudo.

A GloboNews se auto-intitula Governo e diz o que o Governo deve fazer.

A Globo aberta dá uma de João sem braço: enaltece o caráter pacífico, “constitucional” dos manifestantes – mas desequilibra a cobertura.

A Dilma no jornal nacional fala 4 segundos e o pau na Dilma dura 40 minutos.

Omite que o Haddad abriu espaço para negociar COM os empresários donos de ônibus – enquanto seus repórteres tentam dar a impressão de que ele recuou covardemente.

O que está nas ruas é menos importante do que o que está no espectro eletromagnético – que, como até o Bernardão sabe, pertence ao conjunto do povo brasileiro.

Ainda bem que a Polícia Militar do Alckmin, tão eficiente em Pinheirinho e na USP, demorou uma eternidade para chegar à sede da Prefeitura.

Melhor para a Globo.

O movimento se transformou num surto de vandalismo, num caracazo, no centro de São Paulo – melhor ainda para derrubar a Dilma !

Onde já se viu uma Secretaria de Segurança não saber com a devida antecedência para onde vão 50 mil manifestantes ?  – Clique aqui para ler “Alckmin recuou mais do que bateu”.

E os direitos constitucionais dos não-manifestantes ?

É o Golpe de dois dias que derrubou o Chávez: um Golpe da e na  televisão.

Que poderia ter sido dado ontem, terça-feira, quando Dilma saiu de Brasília para encontrar o Lula em São Paulo, o que, na prática, significou a destituição do ministro zé da Justiça.

A “vacância” do poder, diria o grande estadista paulista Auro de Moura Andrade …

Não há passeatas ingênuas.

Não há 100 mil, 80 mil, 50 mil pessoas ingênuas na rua.

Ou isso não dá em nada, pela inconsistência de suas posições políticas.

Ou serão a bucha do canhão do Golpe contra a Dilma.

A Globo, como se sabe, não ganha eleição.

A Globo dá Golpe.

Deu ao levar a segunda eleição de Lula para o segundo turno, ao montar o jornal nacional com a edição do debate do Lula com o Collor e ao puxar o gatilho do revólver que apontava para o peito de Vargas.

Roberto Marinho não perdoa.

Ele tem interesses.

Ele sabe que “essa gente” que governa o Brasil há dez anos não é de confiança.

E os jovens do Passe Livre, que se banharam no Rio Jordão, são instrumentos ideais para um Golpe – dentro da “Constituição” !


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Demorar é um erro. E erro é perigoso



Ficou mais que evidente que apenas as declarações de princípios democráticos não bastarão para resolver a crise criada desde quinta-feira, quando a repressão policial desmedida transformou pequenas manifestações de insatisfação num movimento generalizado, de reivindicações  difusas. Pior,  sem qualquer liderança capaz de evitar que, em meio à multidão, surjam grupos de provocadores ou simples baderneiros produzindo atos de destruição que transformam um carro em chamas em um país ardendo.
Entender os manifestantes e perceber o sentido positivo e justo de sua insatisfação é um passo essencial, sim.
Que a mídia e a direita tentam manipular o clima para transformar tudo num ataque à Presidenta Dilma – foi patética a cena da dupla Aécio Neves- Fernando Henrique, ontem, querendo se adonar do movimento – também está evidente.
Mais importante ainda foi a Presidenta assumir, pessoalmente  - e com a ajuda de Lula –  a coordenação desta situação.
Mas já passou da hora de respostas concretas. E é urgente que elas venham.
Em todo movimento massivo – mesmo não essencialmente do “povão”, como esse – aparecem os “cabo Anselmo” que ajudam a criar um clima de confronto incontrolável e de desordem generalizada.
Faz-se passar a impressão de que o país está sem controle e, claro, isso desborda para todos os campos, inclusive o econômico, que é onde a mídia se encarrrega de transformar problemas em desastres e dificuldades em crise profunda.
Cada lixeira ou carro incendiado é multiplicado por mil pelas câmeras de TV, com o monstruoso poder de foco de que a mídia dispõe.
Cada décimo de ponto percentual em qualquer índice de inflação é transformado, com os mesmos meios, num desabamento econômico.
Como os vândalos que se servem das manifestações, incendeiam as conquistas de uma década e não  têm o mínimo respeito pelo que pertence a todos.
Como aqueles não serão detidos por tropa de choque policial, estes também não serão detidos pela “persuasão” e por declarações de princípios.
Só há uma maneira de contê-los: retirar-lhes a base social.
E, para isso, duas coisas são necessárias: ação e comunicação.
Não é hora de discutir planilhas de empresas de ônibus, nem de ficar, na economia, preso a uma lógica cartesiana e antidialética, que pretende que as questões de natureza social possam ser resolvida por métodos contábeis.
Nem de esperar que com entrevistas coletivas e notas oficiais se possa dizer e, sobretudo, demonstrar ao povo brasileiro que o governo que ele elegeu é bom, é forte e age sempre no sentido de corresponder ao desejo de justiça do povo brasileiro.
De mostrar que é amigo das ruas e da estabilidade econômica, com atos e de se dirigir diretamente ao povo.
Ao que foi à rua e ao que está em casa, dividido entre a solidariedade aos jovens e o medo da violência que a TV despeja diante de seus olhos.
É o único caminho para isolar os provocadores e os sabotadores.
Tanto os de mascarados de camiseta quanto os de paletó bem cortado.
Na mitologia, Anteu,  até então invencível, foi derrotado por Hércules, porque este entendeu que era dos pés na Terra, sua mãe, que aquele gigante recebia a força que não o deixava ser vencido nem mesmo pelos mais fortes contendores.
Tiremos seus pés do nosso chão, que é o povo brasileiro, perplexo e confuso com tudo isso.
Não se pode deixar essa questão entregue apenas a governadores e prefeitos, porque ela diz respeito à vida nacional.
Mas a cada hora que isso não é feito, mais riscos correm a democracia e a escolha soberana do povo brasileiro de um projeto que muda o país a seu favor.
Por: Fernando Brito

Feliciano, estressado,devia ir pescar com Bolsonaro



O deputado-pastor Marco Feliciano, agora que aprovou na Comissão de “Direitos Humanos” o projeto da tal “cura gay”, podia cuidar um pouco da sua cabecinha que anda precisando de uma cura, sem aspas.
Porque, afinal, o pastor anda desenvolvendo uma monomania, destas que os médicos chamam de “transtorno obsessivo compulsivo”.
Que problemas o deputado tem com os gays?
O que cada pessoa faz de sua vida sexual diz respeito a si mesmo.
Bem melhor faria o deputado se combatesse o estímulo precoce ao sexo, por razões comerciais.
Porque é o poder da mídia impondo comportamentos sexualizados, hipocritamente, como se fossem estes a única marca definidora das pessoas.
Isso, sim, é a negação da  capacidade e da complexidade da natureza humana, não a sua condição livre e autônoma.
Evangélico, católico, umbandista, muçulmano, ateu, todo mundo tem o direito de crer ou de não crer.
Mas não de impor o que crê.
Minha avó já me ensinava: o seu direito acaba onde começa o direito do outro.
Marco Feliciano está com problemas em entender o direito alheio.
Devia ler, na comissão que, preside, os versículos de  Mateus, 23:
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.
Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo.
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniquidade.
Estão ali para tratar dos direitos humanos, tão violados pela pobreza, pela exclusão, pelo preconceito, pelo racismo, pela negação da igualdade humana pelos que se acham melhores que os outros, não o contrário.
Mas se dedicam a coar mosquitos, enquanto engolem camelos.
O que estamos vendo é uma exploração fanática e eleitoreira do sexo.
Ou uma obsessão doentia.
Se for só isso e não farisaísmo, Marco Feliciano tem de desestressar, naquela linha do “está estressado?vai pescar…”
Pena que não possa ir com seu colega de homofobia na Câmara, o deputado Jair Bolsonaro, que está multado por ficar pescando numa reserva ambiental.
Os dois iriam se entender bem.
E, talvez, ficarem mais calmos quando esta anomalia que envergonha o nome da Comissão de Direitos Humanos ser derrotada. no momento em que não prevalecer a chantagem sobre deputados que se amedrontam com as ameaças de uma “maldição” eleitoral lançada por grupos religiosos.
Por: Fernando Brito