Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Golpistas agradecem esquerda que quer PT fazendo “mea culpa”


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Em 2002, o PSDB elegeu 70 deputados federais. Em 1998, elegera 99. De 1994 a 1998, vimos a era de ouro do partido. Tudo acabou em 2002. A redução da bancada não traduzia o golpe que os tucanos haviam levado.

Claro que a debacle tucana ocorreu sem concurso da mídia, que, ao longo daquele ano, praticamente fez campanha eleitoral para José Serra enquanto defendia Fernando Henrique Cardoso da responsabilidade por entregar um país arrasado ao sucessor, com inflação de 12,4 % e desemprego de 12,6%, juros a 25% ao mês, salário mínimo de 200 reais (70 dólares), pobreza quase intocada, concentração de renda nas alturas, reservas cambiais de 17 bilhões de dólares (hoje, o país tem 370 bilhões de dólares em caixa).

No dia 1º de janeiro de 2003, dia em que Lula assumia a Presidência da República pela primeira vez, a Folha de São Paulo publicou a herança de FHC a Lula contendo esses dados.

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Nos anos seguintes, a bancada do PSDB na Câmara Federal continuaria minguando.

Em 2006, passou para 66 deputados; em 2010, para 54 e, em 2014, apesar do ressurgimento da direita nas urnas após passar as três eleições anteriores sendo surrada, os tucanos continuaram com os mesmos 54 deputados – cerca de metade da bancada que tiveram um dia.

O PSDB só não afundou de vez por causa da mídia. E mesmo com o apoio desta o partido já não tinha o que dizer diante de governos do PT que faziam os trabalhadores ganharem mais todos os meses, com o desemprego despencando mês a mês.

Há várias interpretações para as causas da crise atual. Se eu disser que se deve a sabotagem da direita ou que as “jornadas de junho” geraram a crise porque espantaram o investidor, virá algum contraponto com versão diametralmente oposta. Porém, ninguém poderá negar que dos 13 anos que o PT governou o Brasil, durante 11 a vida das pessoas melhorou muito.

Quem tiver dúvida, basta consultar os indicadores oficiais e verá que de 2003 a 2014 salários e quantidade de empregos aumentaram e desigualdade e pobreza despencaram. Ponto.

Contudo, apesar de tudo isso, o PSDB resistiu e se ergueu. E se ergueu com inteligência. Se ergueu quando se deu conta de que deveria defender seu legado, claro que contando com a cumplicidade da mídia, que fez sumir os números da economia do fim do governo FHC.

O que é estarrecedor, portanto, é ver que aquela esquerda que, em 2013, convocou manifestações que tiraram a direita do armário e derrubaram a popularidade de Dilma de 65% para 31% em três semanas, agora quer que, após o PT ser massacrado pelo golpe e pelas urnas (que o massacraram por conta do golpe), continue se autoflagelando.

É pra acabar. Esse surto suicida da esquerda brasileira parece não ter fim.

Do julgamento do mensalão para frente, era óbvio que o golpe se tornaria inevitável e que passava por sabotagem da economia e por impeachment. Quando eu dizia que havia um golpe em marcha essa esquerda que quer ver o PT fazendo “mea culpa” em praça pública pelo golpe que sofreu, dizia que não haveria golpe algum, que “o mundo não aceitaria”.

Eu sempre tentei explicar a esses setores da esquerda que o golpe viria através do impeachment, mas nunca me deram ouvidos. Diziam-me adepto de “teorias da conspiração”.

Deu no que deu.

Agora, vem essa ideia de “jênio” de o PT fazer “mea culpa”. PQP!

O PT deve fazer mea culpa por que?

Por tirar 40 milhões da pobreza?

Por manter o desemprego cadente durante 11 dos 13 anos que governou?

Por ter feito o salário médio do trabalhador subir mês a mês durante 11 dos 13 anos que governou?

Por ter colocado negros pobres na faculdade?

Por ter feito a concentração de renda ter a maior queda em toda história brasileira, segundo o IBGE?

Vão se catar! Corrupção tem em todos os partidos. O caso do PT é que é o único partido que é investigado de verdade. As empreiteiras todas que roubaram a Petrobrás roubaram o metrô de São Paulo da mesma forma e ninguém investiga – o esquema vigeu por vinte anos e não há um único político indiciado.
Por quê? Porque durante esses vinte anos quem governou São Paulo foi o PSDB, que tem licença para roubar.

Em vez de a esquerda estar combatendo isso, está combatendo um fenômeno normal em qualquer governo, mas que sendo em um governo do PT não ficou impune porque Lula e Dilma combateram a corrupção como nenhum outro presidente fez, já que dotaram o país de órgãos de controle tão rígidos e livres que acabaram sendo usados para derrubar o governo petista.

Estou muito indignado com essa proposta. Quero pedir aos esquerdistas que estão propondo essa barbaridade que criem juízo e tratem de começar a combater essa direita que vem aí para tirar direitos dos trabalhadores, das mulheres, dos negros, dos homossexuais e para concentrar a renda que o PT desconcentrou.

Aliás, vale dizer que essa esquerda deveria se preocupar em eleger Marcelo Freixo no Rio de Janeiro e, depois, em montar um governo sem alianças, como o PSOL sempre pregou para os governos que o PT conseguia eleger.

Parente vende tudo e leiloa mais dois campos



Um dia depois da abertura do pré-sal, aprovada pela Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira 5, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou que está em negociação com a Karoon Gas Australia para a venda de participação nos campos de Baúna e Tartaruga Verde, nas bacias de Santos e de Campos; segundo a estatal, a potencial transação envolveria a venda de 100% de Baúna, e de 50% de Tartaruga Verde, ambos no pós-sal; negociação faz parte do plano 2015-16 de desinvestimentos da petroleira 

Reuters - A Petrobras informou nesta quinta-feira que está em negociação com a Karoon Gas Australia para a venda de participação nos campos de Baúna e Tartaruga Verde, nas bacias de Santos e de Campos, respectivamente, segundo fato relevante divulgado ao mercado.

A transação faz parte do plano 2015-16 de desinvestimentos da petroleira, que tem buscado vender ativos para reduzir sua enorme dívida, com foco principalmente na negociação de empreendimentos que ainda demandarão muitos recursos, o que é o caso de Tartaruga Verde.

A Petrobras afirmou que a potencial transação envolveria a venda de 100 por cento do campo de Baúna, localizado em lâmina d'água rasa no pós-sal da Bacia de Santos, e de 50 por cento de Tartaruga Verde, no pós-sal da Bacia de Campos, em lâmina d'água profunda.

Atualmente, a Karoon já detém cinco concessões de exploração e produção no Brasil, segundo o comunicado.

O campo de Baúna está em operação desde fevereiro de 2013 e produz atualmente cerca de 45 mil barris por dia.

Já Tartaruga Verde encontra-se "em estágio inicial de desenvolvimento, com investimentos relevantes ainda a serem realizados", mas a Petrobras disse que continuará como operadora do campo.
A estatal tem afirmado que os desinvestimentos e parcerias previstos em seu plano de negócios poderão alavancar maiores investimentos no Brasil, ao atrair novas empresas que poderiam aplicar mais de 40 bilhões de dólares no setor de petróleo nos próximos dez anos.

O movimento da estatal tem gerado otimismo no segmento, que tem se mostrado animado com a perspectiva de mudanças relevantes na legislação após a mudança de governo no Brasil, onde a presidente Dilma Rousseff foi afastada após processo de impeachment e deu lugar a seu vice, Michel Temer, que passou a ocupar definitivamente a Presidência no final de agosto.

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira o texto base de um projeto que desobriga a Petrobras de ser operadora exclusiva de áreas do pré-sal sob o regime de partilha, e o Ministério de Minas e Energia tem discutido com o setor produtivo aperfeiçoamentos nas regras de conteúdo local.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Lula rechaça indiciamento e vê massacre midiático


"A defesa do ex-presidente irá analisar o documento da Polícia Federal, vazado para a imprensa e divulgado com sensacionalismo antes do acesso da defesa, porque essa prática deixa claro que não são processos sérios de investigação, e sim uma campanha de massacre midiático para produzir manchetes na imprensa e tentar destruir a imagem do ex-presidente mais popular da história do país", diz nota divulgada pelo ex-presidente Lula, nesta tarde; mais cedo, ele foi indiciado por corrupção passiva pela Polícia Federal, em razão de contratos feitos pela Odebrecht com um de seus sobrinhos; "O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sua vida investigada há 40 anos, teve todas as suas contas e de seus familiares devassadas, seu sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrado e não foi encontrada nenhuma irregularidade", diz ainda o texto do ex-presidente 

Do Facebook do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sua vida investigada há 40 anos, teve todas as suas contas e de seus familiares devassadas, seu sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrado e não foi encontrada nenhuma irregularidade.

Lula não ocupa mais nenhum cargo público desde 1º de janeiro de 2011, e sempre agiu dentro da lei antes, durante e depois de ocupar dois mandatos eleitos como presidente da República. 

A defesa do ex-presidente irá analisar o documento da Polícia Federal, vazado para a imprensa e divulgado com sensacionalismo antes do acesso da defesa, porque essa prática deixa claro que não são processos sérios de investigação, e sim uma campanha de massacre midiático para produzir manchetes na imprensa e tentar destruir a imagem do ex-presidente mais popular da história do país.

Leia aqui sobre o indiciamento do ex-presidente Lula

Só o Brasil deixou o Moro destruir tudo! Urubóloga vai conter a avalanche de devolução de imóveis!

O 2º turno no Rio: a oficina de construção da frente ampla Não há tempo para prostração. A disjuntiva histórica nunca foi tão clara: união do Brasil progressista ou a barbárie.

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Facebook Marcelo Freixo

 












 por: Saul Leblon

O PDP emerge das urnas de 2016 como a grande força vitoriosa das eleições de 2 de outubro.
 
O Partido da Demonização da Política, a nova legenda, na verdade nem é tão nova assim. Mas recebeu investimentos maciços nos últimos anos  para hipnotizar a maioria expressiva dos cidadãos brasileiros o seu bordão: a política é o estorvo da sociedade.
 
A mensagem subliminar é ainda mais importante do que o rótulo ostensivo.

O que ela nos diz é que o espaço dos que nunca tiveram espaço nem voz na sociedade deve ser higienizado, fechado e lacrado.
 
Vedado aos ‘populistas’, esse recinto deve ser declarado uma sala VIP exclusiva dos ‘gestores’.
 
A extensão da lógica privada às demais esferas públicas – contas nacionais, empresas estatais, riquezas, serviços, direitos sociais, valores e princípios, como os das diretrizes da educação pública, por exemplo— está implícita.
 
A força da pregação regressiva, antes escudada no martelete dos donos da mídia e dos detentores da riqueza, ganhou uma alavanca legitimadora convincente com a judicialização da vida política e partidária nos últimos anos.
 
Um judiciário gilmarizado e o espaço concedido a ativistas sulforosos do Ministério Público e Cia, aglutinados em torno do juiz sensação nos EUA, fizeram o resto.
 
O conjunto logrou convencer parcelas majoritárias da população de que o problema do Brasil é a política. Mais precisamente seu braço ‘populista’.
 
A ofensiva não teria tido a eficácia que teve, porém, se não contasse com um ambiente favorável.
 
A obra regressiva coroada nas urnas deste domingo teve a colaboração não negligenciável dos erros cometidos pelas forças progressistas, sobretudo aquela majoritária desde 2003 no topo e na base da sociedade: o PT.
 
O mergulho incondicional na política parlamentar explica uma parte do espaço cedido ao arranque conservador.
 
Não apenas isso.
 
A adesão  aos mecanismos convencionais de financiamento de campanha aleijou a perna esquerda do partido, que passou a negligenciar o papel do engajamento de seus eleitores e militantes, reduzidos a tela de fundo de campanhas publicitárias a cargo de rasputins marqueteiros.
 
Daí para a negligência com a luta das ideias, associada à omissão em quebrar o oligopólio da mídia, era um pulo ao abismo.
 
E ele foi dado.
 
A prioridade excludente de um modelo de governabilidade baseado em trocas de cargos e favores, em detrimento da organização de base e da luta social, faria o trabalho restante de descarnar e desossar a vida política da sigla e de sua militância.
 
Enfim, as amarras dessa engrenagem autoalimentada ajudaram a cultivar o preconceito popular, o distanciamento em relação aos ‘de cima’ e o sentimento de irrelevância face ao engajamento político.
 
No chão esburacado por gatos pardos o mantra da demonização do partido  cuidou de escavar abismos profundos entre ele e a sociedade.
 
A percepção de que ainda assim, o saldo objetivo de realizações petistas cristalizara um núcleo duro de liderança no imaginário popular, levou às investidas direcionadas à degola completa de seu aparato dirigente.  
 
Esse tour de force se arrasta desde o julgamento do mensalão, iniciado em agosto de 2012, a partir de uma crispação de denúncias deflagradas em 2005, na tentativa de impedir a reeleição do então presidente Lula.
 
O julgamento do mensalão foi o teste bem sucedido dessa estratégia.
 
Ele se prolongou por 300 horas, com todos os trabalhos televisionados, e multiplicados em escaladas e telejornais diuturnamente enfeixados no mesmo jogral, como se o jornalismo fosse uma extensão das togas.
 
E vice-versa.
 
O enredo da demonização da política e do PT se estendeu por 69 sessões do STF que avançaram até dezembro de 2012.
 
O rescaldo seria explorado até meados de 2014, na tentativa de minar a campanha pela reeleição da Presidenta Dilma.
 
Em  17 de março, então, essa cruzada receberia forte injeção de adrenalina.
 
Nesse dia irrompeu a primeira fase ostensiva da operação Lava Jato, com 81 mandados de busca e apreensão, 18 mandados de prisão preventiva, 10 mandados de prisão temporária e 19 mandados de condução coercitiva, em 17 cidades de 6 estados e no Distrito Federal.
 
A Lava Jato já está em sua 35ª fase e completou 654 medidas de busca e apreensão,  com as guarnições de mídia, calendário e seletividade sabidas, inclusive com o aumento substancial das equipes de investigação (03/10/2016).
 
Em 26 de setembro, ao final da campanha municipal deste ano,  foi decretada a prisão de Antonio Pallocci.
 
Na  semana anterior da campanha eleitoral, ex-ministro da Fazenda dos governos Lula e Dilma, Guido Mantega, foi detido por algumas horas gratuitamente, preso em hospital onde acompanhava a esposa, prestes a realizar uma cirurgia para tratamento de câncer.
 
Esse arrastão do discernimento social, capturado por uma sequência vertiginosa de ações cinematográficas de natureza judicial, policial e midiática, foi bem sucedido.
 
Se havia dúvida, a espiral de rejeição e nojo da política agora pode ser medida pela comparação entre o total das abstenções, votos nulos e brancos nas eleições de domingo em relação ao saldo dos últimos anos.
 
Em 2010, 34 milhões de brasileiros e brasileiras ficaram de fora da escolha das urnas: não votaram, anularam ou deixaram sua cédula em branco.
 
Em 2014 esse total já saltou para 40 milhões.
 
Nas eleições municipais deste ano o percentual médio de abstenção pulou de 16,4% para 17,6% , mais de 25 milhões deixaram de comparecer às urnas. E dos mais de 118 milhões de eleitores brasileiros que compareceram, o total de votos em branco e nulos chegou a 13,68%  -- 23% maior na comparação com os 11,15% registrados no primeiro turno de 2012.
 
O quadro em centros urbanos importantes é ainda mais categórico.
 
Em São Paulo, a soma de abstenções, brancos e nulos (3.096.574) superou a votação obtida pela candidatura vitoriosa de Dória Jr (3.085.187).
 
Nada menos que 35% dos eleitores paulistanos se recusaram a participar da decisão sobre o futuro da cidade.
 
Quase quatro em cada dez.
 
Cerca de dois milhões se abstiveram (quase 22%, contra média nacional de 17,6%); um milhão e 100 mil anularam ou deixaram a cédula eletrônica em branco.
 
Pior que isso.
 
O tucano vitorioso, durante 35 dias de campanha com o maior tempo no horário eleitoral, insuflou o discurso da demonização petista e da antipolítica.
 
Dizendo-se um ‘gestor’, um homem da iniciativa privada, um self made man,  fez de sua candidatura uma bazuca de menosprezo às bases da democracia e da participação popular, pilares constitutivos da política.
 
A recusa do eleitor em participar desse ambiente infectado pela pregação conservadora marcou também um crescimento recorde de 43,4% na soma de brancos e nulos em Belo Horizonte, que atingiria 60% em Curitiba e teria um aumento brutal de quase 70% em Porto Alegre.
 
A vitória esmagadora do conservadorismo cobrará sua fatura em todas as esferas progressistas da sociedade, assim como as vitórias anteriores do PT abriram espaços de descongelamento social e político.
 
Extrair lições da borrasca é condição de sobrevivência.
 
Em primeiro lugar, a reavaliação estratégica –indispensável--  deve estar aberta aos ares de um mundo no qual a agenda neoliberal vitoriosa no país estrebucha de forma irremediável.
 
Não há porta de saída para um recuo conservador nas fileiras progressistas. Marta Suplicy é o cadáver político dessa aventura desastrada.
 
Um ciclo de desenvolvimento se esgotou no país; outro terá que ser construído em meio a um ambiente de estagnação secular do capitalismo internacional.
 
A disjuntiva histórica talvez nunca tenha sido tão clara.
 
Mais igualdade com maior repartição de esforços, ou a barbárie, materializada em sucessivos ajustes antissociais fracassados, num plano inclinado de conflitos graves e recessões agudas.
 
A repactuação do desenvolvimento, com uma agenda negociada de metas e prazos para emprego, salários, inflação, juros, déficit fiscal etc  é a alternativa à aventura delirante dos ‘gestores’ que pretendem transpor para sociedades extremadas, fundadas na contraposição estrutura de interesses, a mitologia do self made man.
 
O aumento psicopata da velocidade nas marginais de São Paulo, anunciado por Dória Jr, é a síntese dessa regressão à luta de todos contra todos fadada ao fracasso, a um custo elevado para a população.
 
Mas é pior que isso no plano nacional.
 
Uma esmagadora engrenagem se move para tomar de volta tudo aquilo que transgrediu os limites da democracia formal, e que o ciclo iniciado em 2003, com as limitações sabidas, transformou em um resgate social inconcluso, mas encorajador.
 
Vem aí um paradigma de eficiência feito de desigualdade ascendente, incompatível com a Constituição Cidadã de 1988, que será violada para devolver o Brasil ao figurino pré- redemocratização.
 
Quem pode liderar uma repactuação de desenvolvimento, capaz de evitar esse capotamento histórico, num quadro internacional do qual não se pode esperar uma alavanca de socorro redentor?
 
A tarefa que já não era só do PT, agora responsabiliza com maior clareza ainda o conjunto das forças progressistas para o desafio de  reconquistar a confiança da sociedade na ação política, o que implica subordinar o mercado às decisões da democracia.
 
Se antes esse debate se esgotava na circularidade da inércia, da soberba e do sectarismo, o safanão das urnas deu nitidez à atmosfera política, como acontece depois das grandes tempestades.
 
O relógio da história brasileira soou o sinal de alarme.
 
Quem é democrata, liberal sincero, nacionalista, progressista, socialista e comunista não pode fingir ou perguntar que horas são.
 
Passa da hora de o campo progressista superar sectarismos e prioridades corporativas para enxergar além da lógica particular de cada projeto.
 
O nome desse discernimento é Frente Ampla.
 
Não de cúpula.
 
Não de parlamento.
 
Mas à moda uruguaia.
 
Aquela que reúne partidos, centrais sindicais, movimentos sociais, personalidades, intelectuais, juristas, artistas, enfim, brasileiros e brasileiras de todos os matizes progressistas e democráticos.
 
Não é opcional.
 
Sem um escudo dessa densidade será quase impossível resistir ao vagalhão conservador.
 
E, menos ainda, devolver à sociedade a confiança na agenda progressista e a credibilidade na luta social para reordenar o destino da economia e a sorte da sociedade nessa difícil travessia difícil.
 
A ausência desses requisitos explica uma parte significativa do resultado eleitoral deste domingo, marcado por diferentes versões de descrença na ação política convencional, mas sobretudo nas candidaturas progressistas.
 
A construção de uma frente ampla que sacuda o ceticismo e afronte a espiral conservadora não é tarefa para o divã político.
 
É uma obra da urgência. E do desassombro.
 
Pode e deve ser construída nas oficinas da história, onde práticas e concepções que contribuíram para o desfecho desastroso de agora sejam revistas e modificadas.
 
Sem dúvida, hoje no Brasil o segundo turno da disputa à prefeitura do Rio de Janeiro é uma dessas oficinas da história.
 
Para ela devem convergir as melhores energias, recursos e lideranças que contribuam para levar Marcelo Freixo à vitória.
 
Em 1983, ainda no ambiente marcado pela ditadura e contra a vontade da poderosa rede Globo, o Rio de Janeiro elegeu Brizola governador.
 
A audácia carioca, conhecida por ser um mirante avançado das tendências nacionais, pode ser tocada novamente pela empolgação e o desprendimento de uma Frente Ampla que faça da eleição de Freixo um basta ao golpe e ao massacre antissocial que preconiza para o país.
 
Ademais de eleger Freixo,  Edmilson em Belém, João Paulo em Recife e Edvaldo  em Aracajú, bem como os demais candidatos progressistas na disputa do 2º turno, trata-se de sinalizar o credenciamento de uma agenda que tem outra proposta para o conflito redistributivo agudizado pela encruzilhada do desenvolvimento nacional.
 
Significa reverter a lavagem cerebral conservadora e dar ao jogo o seu verdadeiro nome.
 
A centralidade do conflito hoje no Brasil não é ‘eficiência privada’ ou caos, mas democracia social negociada versus arrocho conservador.
 
O tempo e o terreno  perdidos  nesse rally  --por conta da inércia e do sectarismo,  repita-se, têm uma chance de começar a ser recuperados já, dando à campanha do 2º turno uma identidade radicalmente oposta à formalidade dos apoios meramente publicitários.
 
O divisor de águas consiste em devolver ao debate eleitoral  uma dimensão crucial do desenvolvimento  esmaecida nos últimos anos: a sua determinação política.
 
É preciso trazer para o embate eleitoral a verdade nua e crua temida pelo conservadorismo.
 
O reencontro do país com um novo ciclo de investimento e distribuição de riqueza é indissociável de um avanço da democracia, que passa pela repactuação da economia com a sociedade. E da sociedade com ela mesma.
 
O resto é arrocho. E repressão

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A turma do Dr. Dallagnol… Os “superiores”…

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Lembra daquela tirada do chefe da Lava Jato, o Dr. Deltan Dallagnol, dizendo que “ “quem veio de Portugal para o Brasil foram degredados, criminosos. Quem foi para os Estados Unidos foram pessoas religiosas, cristãs, que buscavam realizar seus sonhos, era um outro perfil de colono”.

Pois é, a pessoas que acham que a origem de seus ancestrais é o determinante de seu caráter, infelizmente, não são tão raras.

O pessoal que quer “serrar” o Brasil e separar o Sul  (sentimento também de alguns paulistas) tem as mesmas inspirações.

Olha só o que eles dizem no UOL: ” o movimento salienta que a população do Sul, de origem europeia, sofreu uma miscigenação que, associada a fatores climáticos e geográficos próprios, “moldou o perfil que é peculiar do sulino, diferenciando-o das demais regiões brasileiras”.

Só não têm a coragem de dizer “raça superior”.

Vão fazer uma palhaçada amanhã, colocando “urnas” (será que “emprenhadas”?) para as pessoas dizerem o que acham da separação do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul do nosso país.
Será que também não querem a volta da escravatura?

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Sob Temer, tucanos buscam “solução de mercado” para a Educação; Tarpon está pronta para substituir a escola pública

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por AS*, com Redação

Maria Helena Guimarães de Castro, a secretária-executiva do Ministério da Educação, tem boas recordações do tempo em que terminava o ensino médio: “No clássico, meus professores de história, sociologia e filosofia influenciaram de modo decisivo meu interesse pela área de ciências humanas”.
Pois é justamente isso que o governo do qual ela faz parte agora é acusado de negar aos estudantes de escolas públicas se a reforma do ensino proposta através de Medida Provisória vingar: uma ampla base de conhecimento que permita a todos almejar o ensino superior.

Em recente entrevista à TV Globo, Maria Helena esclareceu alguns pontos polêmicos da reforma: artes e educação física, segundo ela, só serão obrigatórias na primeira metade do Ensino Médio: “Nós temos a área das Linguagens que inclui arte e educação física. Elas continuam sendo componentes da área de Linguagens e estarão dentro da Base Nacional que deverá ser obrigatória na primeira metade do ensino médio. A segunda metade vai depender das opções que o aluno fizer”.

Sobre o conteúdo da base curricular, afirmou: “Essa é uma decisão (conteúdo da Base) que vai passar por uma série de debates, uma série de seminários agora com os secretários estaduais de educação, com especialistas, com as universidades. Esse debate é que vai definir aquilo que é comum, geral e obrigatório para todos”.

Notem que Maria Helena não mencionou alunos e professores como participantes do debate. Secundaristas começaram por São Paulo uma campanha contra o caráter antidemocrático da reforma.
O PSOL foi ao Supremo Tribunal Federal tentar barrar as mudanças através de MP, argumentando que “dispor por medida provisória sobre tema tão complexo, que claramente não reclama urgência, é temerário e pouco democrático, por impor prazo extremamente exíguo para debate que já está ocorrendo nos meios educacionais e, sobretudo, no Congresso Nacional”.

O apoio mais entusiasmado às novas medidas do MEC foi da revista Veja, que dedicou capa ao assunto: “Reviravolta na escola”.

Não é por acaso. Maria Helena Guimarães de Castro já integrou o conselho de administração da Abril Educação.

Como o Viomundo denunciou aqui, Veja dirigiu a educação brasileira nos governos tucanos. A presença dela em cargo-chave no MEC representa a retomada do modelo Paulo Renato Souza, de enfraquecimento da escola pública com objetivos de mercado.

Recompensa da Abril? Entre 2004 e 2010 os governos tucanos de São Paulo deram à mídia corporativa cerca de R$ 250 milhões, quase tudo sem licitação. À Abril couberam cerca de R$ 52 milhões, entre assinaturas de revistas e compras de guias, todos supostamente didáticos (ver quadro aqui).
A influência dos Civita sobre a educação sempre se deu através de colunistas, “especialistas” e pedagogos que a família tratou de promover em suas publicações. É o caso de Maria Helena.

Esta cronologia da carreira de Maria Helena ajuda a entender:

2003 a 2006 — Secretaria de Educação do Distrito Federal (gestão Arruda). No caso Caixa de Pandora, havia uma ponta do esquema (nunca investigada) envolvendo superfaturamento em contratos com empresas prestadoras de serviços na educação. Quando ela foi para São Paulo, as mesmas empresas assinaram contratos com o governo Serra.

2007 a 2009 — Assume a Secretaria de Educação de São Paulo na gestão Serra. Turbina a compra de apostilas, material da Abril Educação, assinaturas da Veja. Há diversas denúncias da época de desvios no FDE, o Fundção para o Desenvolvimento da Educação (nenhuma investigada). Caiu por causa do próprio veneno das apostilas ruins que fez o Estado comprar: o escândalo da apostila com mapa errado, com dois Paraguais.

2012 — Toma posse como diretora-executiva da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados, a Seade.

2013 — (19/12/2013) Toma posse no Conselho de Administração da Abril Educação com mandato até dezembro de 2015, com Giancarlo Civita na presidência.

2014 — Em junho, deixa a Abril Educação e vai para a coordenação da campanha de Aécio Neves, responsável pelo programa de educação.

2015 — Continua como diretora do Seade, de onde nunca se afastou. Em fevereiro, o controle acionário da Abril Educação é vendido para o Fundo de Investimentos Tarpon e passa a se chamar Somos Educação.
Destaque para o objeto social da empresa: a editoração e edição de livros e material de ensino em geral em qualquer mídia ou tecnologia; a edição, publicação, divulgação, distribuição, pesquisa, desenvolvimento, produção e comercialização, no atacado e no varejo, e em todo território nacional e no exterior, de livros, apostilas, sistemas de ensino (módulos didáticos) e publicações educacionais em geral, produtos didáticos e paradidáticos, todos fixados sob qualquer natureza e forma; a prestação de serviços de apoio às instituições de ensino, educadores e estudantes, utilizando os canais de distribuição mais adequados às suas necessidades; a prestação de serviços de ensino, especialmente ministrando cursos de pré-escola, ensino fundamental e ensino médio, cursos livres de ensino, incluindo curso pré-vestibular ao ensino superior, cursos profissionalizantes em geral, desenvolvendo e exercendo, ainda, toda e qualquer atividade ligada ao ramo de ensino.

2016 — Assume a Secretaria Executiva do Ministério da Educação. A pedagoga Maria Inês Fini é indicada para presidir o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Maria Inês era consultora da Somos Educação (antiga Abril Educação) e da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Maria Helena contou em entrevista à Abril que estudou no Sacré Coeur de Marie, colégio da elite paulistana e declara: “No clássico, meus professores de história, sociologia e filosofia influenciaram de modo decisivo meu interesse pela área de ciências humanas”.

A depender do resultado final da reforma que ela promove, os estudantes não terão a mesma oportunidade garantida nas escolas públicas.

*Repórter contratado pelo Viomundo através de crowdfunding, no qual leitores bancaram a continuidade de nosso jornalismo investigativo.

Leia também:

Discurso privatista de Dória bancado com R$ 10,6 mi em dinheiro público

Moro investiga palestras de Lula e decreta sigilo na planilha da Odebrecht



Ao mesmo tempo em que abre uma nova frente contra o ex-presidente Lula, em que a Lava Jato rastreia valores movimentados pela empresa de palestras LILS, o juiz Sérgio Moro decretou sigilo do inquérito que investiga a planilha da Odebrecht; o documento aponta pagamentos de propina pela empreiteira em diversas obras dos governos federal, estaduais e municipais, e a diferentes partidos, como PT, PMDB e PSDB; no caso do Metrô de São Paulo, do governo Geraldo Alckmin (PSDB), foram observados vários codinomes, como Santo e Careca; Moro afirma que novos mandados podem ser cumpridos contra terceiros e a divulgação dos autos poderia comprometer a investigação

247 - Ao mesmo tempo em que abre uma nova frente contra o ex-presidente Lula, em que a força-tarefa da Lava Jato rastreia valores movimentados pela LILS, empresa de palestras do ex-presidente, o juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da investigação em primeira instância, decretou sigilo do inquérito que investiga a planilha da Odebrecht.

As planilhas da Odebrecht apontam pagamentos de propina pela empreiteira em diversas obras do País, dos governos federal, estaduais e municipais, e a diferentes partidos, como PT, PMDB e PSDB. No caso do Metrô de São Paulo, do governo Geraldo Alckmin (PSDB), foram observados codinomes como Santo e Careca, que seriam supostos beneficiários de propina.

Para embasar a decisão do sigilo, Moro argumentou que novos mandados podem ser cumpridos contra terceiros e a divulgação dos autos poderia comprometer a investigação. "Como as investigações dos pagamentos nesse setor têm desdobramentos imprevisíveis, o que poderá levar à necessidade de novas diligências, inclusive novas quebras e buscas, decreto sigilo sobre estes autos em relação a terceiros e aos investigados", declarou.

"Observo, ademais, que nenhum dos investigados no processo 5046159- 54.2016.4.04.7000 sofre no momento qualquer restrição a sua liberdade ou a sua propriedade. Franqueado, por ora, o acesso apenas à autoridade policial e ao MPF, sem prejuízo do levantamento do sigilo quando não houver mais riscos às investigações", acrescentou o juiz.

Jeferson Miola: Lava Jato perdeu pudor; não consegue mais ocultar que é só para mirar os “inimigos do regime” e safar os “bandidos”

Lava Jato, Moro e amigos
A Lava Jato só acaba quando acabar com o PT

Jeferson Miola, no Facebook

Consumado o golpe para derrubar a Presidente Dilma e interromper o ciclo dos governos do PT que o PSDB não conseguiu licitamente nas últimas quatro eleições presidenciais, a Lava Jato seria encerrada. Uma vez concretizado o plano inicial, a Operação perderia sua razão de ser. Esta era a aposta prevalente na crônica política.

A evolução da Lava Jato, entretanto, indica que os controladores da Operação preferiram evitar o alto custo político de encerrá-la logo após a farsa do impeachment. Optaram por continuá-la, porém ajustando seu caráter, que passou a ser abertamente eleitoral e partidário.

Confortáveis no regime de exceção e de arbítrio que dá guarida à sua atuação político-ideológica, os juízes, delegados e procuradores da Lava Jato removeram a máscara da imparcialidade e da isenção que nunca tiveram.

Perderam o pudor, abandonaram o menor senso de decência pública e atuam acima e à margem da Lei. Se mostram tão despudorados quanto o candidato a prefeito de Curitiba que, sem auto-censura e vergonha humana, admite vomitar com o cheiro de pobre [sic].

Esses personagens se sentem poderosos, heróicos e inatingíveis graças à Rede Globo e à mídia que, no noticiário, incensa-os e glorifica-os, assim como sublima os não-valores que eles representam.
A virulência empregada contra o PT e o ex-presidente Lula assumiu um padrão totalitário nas fases recentes da investigação.

Nas semanas pré-eleitorais, a força-tarefa promoveu um espetáculo propagandístico para condenar midiaticamente o ex-presidente Lula sem provas, mas com “muita convicção”; e para decretar a prisão de dois ex-ministros dos governos do PT, em flagrante inobservância ao devido processo legal e ao Estado de Direito.

Tudo sob medida para fornecer munição e alvejar as candidaturas do PT na eleição municipal.
O contorcionismo dos agentes da Lava Jato para livrar de investigação e julgamento os integrantes do governo golpista, não é menos apavorante que esta realidade autoritária. A força-tarefa se esgueira em explicações inexplicáveis que não conseguem ocultar a seletividade e o direcionamento para mirar exclusivamente os “inimigos do regime” e safar os “bandidos do regime”.

Por dois anos e meio, os justiceiros da Lava Jato perseguem e caçam Lula, sem encontrar nenhuma ilegalidade. Apesar disso, e com impressionante petulância, transformam Lula no “comandante máximo”, “no general”, no “maestro” do “maior esquema de corrupção” do país.

Contraditoriamente, entretanto, a força-tarefa não investiga, não processa e não julga Cunha, Temer, Aécio, Jucá, Serra etc – todos, sem exceção, multi-campeões em delações, e donos de sabidas contas bancárias em paraísos fiscais, abastecidas aos milhões, com dinheiro provindo de corrupção na Petrobrás e em outras estatais que controlam.

A oligarquia golpista firmou um grande pacto para a restauração neoliberal na sua versão ultra-reacionária, que combina retrocessos nas conquistas do povo brasileiro, com regressão em matéria de direitos e liberdades civis e a re-colonização do Brasil pelas metrópoles imperiais.

A Lava Jato é um instrumento da oligarquia para aniquilar o PT e destruir a biografia e o legado de Lula, impedindo-o de disputar e vencer a eleição de 2018. A verdadeira disputa em curso não é a eleição do próximo dia 2 de outubro, mas sim a guerra final que a Lava Jato proclamou contra o PT e Lula.

A Lava Jato só acaba quando acabar com o PT. Nesta guerra, não há alternativas: ou vence o fascismo, ou vence a democracia.

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O Golpe do Traíra contra a Previdência Ele pode se aposentar aos 55, mas você...

Danem-se os velhinhos!

Quem mandou não morrer antes?

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O plano do genocídio, segundo O Globo, consiste em:

- desvincular o benefício de quem ganha um salário mínimo: passaria a ser corrigido apenas pela inflação e não mais ao reajuste do piso;

- o valor da pensão deixará de ser integral: será reduzido à METADE;


- a nova regra valerá para os setores público e privado.


Resumo do morticínio em massa: os novos pensionistas - que ousaram viver muito - receberão, sempre, abaixo do mínimo; e quem já recebe, jamais voltará a receber a pensão acima da inflação.

Falta esclarecer onde será construido o paredón!

PHA


Em tempo: sobre desindexar a Previdência do salário mínimo, veja que a "desindexation" é uma ideia fixa dos Golpistas, desde que o FHC foi vender a Petrobras ao FMI, ANTES de ser candidato a Presidente: leia em "quem fez a cabeça do Pedro Malan Parente".



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Do Sul21:
 
Aposentado aos 55 anos, Temer recebe R$30 mil de aposentadoria e quer idade mínima de 65

A reforma na Previdência que o governo interino de Michel Temer vai propor inclui uma redução na diferença de idade e tempo de contribuição para a aposentadoria de homens e mulheres. O governo pretende negociar para que a idade mínima chegue aos 65 anos. Atualmente, mulheres se aposentam com 30 anos de contribuição, e os homens, com 35.

Esse diferença cairia de cinco para três anos, um possibilidade que as centrais aceitam, mas que insistem em valer apenas para quem ainda vai entrar no mercado de trabalho.

O grupo de trabalho que estuda a reforma da previdência, formado por representantes do governo e das centrais sindicais, se reúne na terça-feira (28), mas o governo não irá apresentar uma pré-proposta.

O Portal da Transparência do governo do estado de São Paulo informa que o presidente interino Michel Temer recebe um salário bruto de R$ 30.613,24, valor referente ao mês de maio.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Bahamas Leaks expõe dono da Globo e magnatas



Informações tornadas públicas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, e no Brasil pelo colunista Fernando Rodrigues, apontam centenas de pessoas físicas ou jurídicas do Brasil com registros de empresas nas Bahamas; ter uma offshore não é ilegal, desde que os recursos sejam declarados, mas é no mínimo suspeito que grandes empresários, executivos e dirigentes de estatais e partidos políticos optem por esse caminho, em que a empresa fica praticamente secreta, em vez de abrir empresa no Brasil, onde os dados são totalmente públicos; alguns nomes da lista são José Roberto Marinho, das Organizações Globo, o banqueiro Joseph Safra, o presidente do Partido Novo, João Dionísio de Amoêdo, e o ex-presidente do BNDES José Pio Borges de Castro Filho; confira outros 

247 – Informações tornadas públicas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), e no Brasil pelo colunista Fernando Rodrigues, do UOL, apontam centenas de pessoas físicas ou jurídicas do Brasil com registros de empresas nas Bahamas.

O banco de dados contém, no total, 175 mil nomes vinculadas a offshores no paraíso fiscal. Fernando Rodrigues alerta para o fato de que apenas ter uma offshore não é ilegal, desde que os recursos sejam declarados à Receita Federal (no caso do Brasil, quantias acima de R$ 100 mil devem ser informadas ao Banco Central).

Ele acrescenta, porém, que é no mínimo suspeito que grandes empresários, executivos de grandes empresas e dirigentes de estatais e partidos políticos optem por esse caminho, onde a empresa fica praticamente secreta, em vez de abrir uma empresa no Brasil, onde os dados são totalmente públicos.

Rodrigues divulga alguns nomes que aparecem na investigação chamada Bahamas Leaks. Entre eles, estão o de José Roberto Marinho, das Organizações Globo, o banqueiro Joseph Safra, o presidente do Partido Novo, João Dionísio de Amoêdo, e o ex-presidente do BNDES José Pio Borges de Castro Filho. Confira outros aqui.

País tem direito de saber quem é Santo, quem é Careca

           Embora já tenha chegado a sua 35a. fase, a operação Lava Jato não conseguiu livrar-se da acusação de trabalhar de modo seletivo, reproduzindo  um traço historicamente nefasto da Justiça brasileira, onde o Estado "é usado como propriedade do grupo social que o controla", nas palavras da professora Maria Sylvia de Carvalho Franco, no estudo Homens Livres na Ordem Escravocrata.

           Neste universo, que descreve o Brasil anterior a abolição da escravatura, onde o grilhão, a chibata e o pelourinho eram instrumentos banais de manutenção da ordem para os habitantes da senzala, o "aparelho governamental nada mais é do que parte do sistema de poder desse grupo, um elemento para o qual se volta e utiliza sempre que as circunstâncias o indiquem como o meio mais adequado."

            Dias antes de Guido Mantega ter sido forçado a deixar o centro cirúrgico do Alberto Einstein, onde sua mulher era operada de um câncer, para cumprir um mandato de prisão, descobriu-se um fato ao mesmo tempo chocante e instrutivo.

            A Justiça Federal foi incapaz de descobrir o endereço residencial de Pimenta da Veiga, ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso,  para lhe entregar uma notificação relativa a AP 470, o Mensalão (Rubens Valente, Folha de S. Paulo, 15/9/2016). Não se trata de um caso com muitas dúvidas. Em 2005 a Polícia Federal encontrou quatro cheques do esquema de Marcos Valério, no valor de R$ 75.000 cada um, na conta do ex-ministro. Pimenta alegou que eram pagamentos por honorários que exerceu num serviço como advogado. Não mostrou documentos nem apresentou casos concretos em que atuou. O próprio Valério alegou, na CPI dos Correios, que havia ajudado Pimenta a pagar a conta do tratamento de saúde de um filho. Não convenceu. Mesmo assim, o caso já dura dez anos, o que configura outra ironia de longo curso. 
      
          Quando resolveu procurar Henrique Pizzolato, o dirigente do PT condenado a 12 anos e sete meses no STF, o Ministério Público fez investigações no Paraguai, Argentina e Espanha, até que chegou ao interior da Itália para localizá-lo na casa de um sobrinho. Enfrentou uma disputa na Justiça daquele país para garantir que Pizzolato fosse trazido para cumprir pena no Brasil, embora tivesse passaporte italiano. A principal denúncia contra o antigo diretor do Banco do Brasil envolve um pagamento de R$ 326.000, quantia 10% superior aos R$ 300.000 de Pimenta. O detalhe é que Pizzolato sempre alegou que o dinheiro não era para si, mas para o PT no Rio de Janeiro. Verdade ou não, os R$ 326.000 nunca surgiram em sua conta nem foram confirmados pela quebra de seu sigilo bancário ou fiscal. 

         Ao contrário do que ocorreu com o dinheiro entregue a Pizzolato, os recursos destinados a Pimenta foram pagos em quatro prestações e descobertos pelo delegado Luiz Fernando Zampronha, da Polícia Federal, e mais tarde arquivados no inquérito 2474 -- aquele que o Supremo não examinou quando julgava a AP 470.    

        Mesmo considerando antecedentes tão notáveis sobre o caráter seletivo das investigações que envolvem políticos brasileiros, a representação da Polícia Federal que pediu a prisão de Antonio Pallocci, Branislav Kontic e Juscelino Dourado causa um choque inegável. Isso porque a leitura das primeiras 30 páginas sobre o esquema de pagamentos clandestinos do chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, um departamento destinado a sustentar esquemas políticos, nada informa sobre o ministro ou o Partido dos Trabalhadores mas é muito revelador sobre o conhecimento da PF sobre o esquema de corrupção do PSDB paulista.

     Na página 13, por exemplo, descreve-se a partilha de uma propina de 0.9% sobre um investimento de US$ 20,6 bilhões. Na página 17, uma troca de email entre executivos da Odebrecht deixa claro que estamos falando da linha 2 do Metrô, um investimento que seria particularmente rico em denúncias de superfaturamento e gastos suspeitos. Na página 18, surgem pseudônimos de quem irá receber o dinheiro. Em outra passagem, aparecem  iniciais que poderiam  identificar empresas envolvidas. Nas páginas seguintes, surgem várias planilhas, com detalhamento de datas, prazos e acordos. Na página 36, informa-se que o DGI, sigla usada para designar propina, pode subir de 5% para 8% em determinada obra. Também se descobre que, além da linha 2, a linha 4 do metrô entrou na dança. Foi ali, na estação Pinheiros, que em 2007 ocorreu um acidente trágico, que provocou a morte de sete pessoas, engolidas por uma cratera. Quando se refere ao consórcio encarregado da obra da linha 4, um executivo da Odebrecht usa a palavra "vencedor" assim mesmo, entre aspas, o que chama a atenção durante a leitura, pelo reforço da ironia. Também se registra na mesma passagem o pagamento de duas parcelas de R$ 250.000 destinadas  a uma autoridade identificada como "Santo".

    A verdade é que, além de dois vereadores do PSDB paulistano citados nominalmente, ao lado de quantias relativamente modestas num  contexto de pagamentos milionários -- R$ 6.000 e R$ 3.000 -- não há menção explícita a nenhuma autoridade de escalão mais alto. São elas que recebem pagamentos de R$ 200.000 ou R$ 250.000 por mês -- por vários meses. Embora José Serra e Geraldo Alckmin sejam mencionados como suspeitos óbvios por pessoas que conhecem os bastidores do caso, a verdadeira pergunta consiste em saber por que não se buscou apurar sua identidade real -- fosse qual fosse. Boatos não resolve. Suspeita que não é apurada também não. Não há motivo para segredinhos. Os fatos estão descritos em documentos públicos. 

O tempo passa e quem se beneficia é o acusado, seja quem for. Como acontece com tantos colegas de Pimenta da Veiga no mensalão PSDB-MG, as acusações acabam prescrevendo. 

   Durante um bom período, um personagem conhecido como "Italiano, visto como o protagonista das investigações que envolvem Antonio Palocci, foi identificado com outro ministro, Guido Mantega. Após um trabalho de checagem, procurando compatibilizar nome de assessores e eventos descritos em diversas trocas de mensagem, a Polícia Federal concluiu que Palocci era o "Italiano." Foi com base nessa visão que fez a representação e, numa cena indispensável para alimentar o já previsível de carnaval televisivo, conduziu o ministro para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

  O problema é que entre as palavras civismo, virtude que tem sido frequentemente associada a Lava Jato, e cinismo, palavra comum no vocabulário de seus críticos, a única diferença consiste numa letra.

  Se não há motivo para suspeitas prematuras nem acusações irresponsáveis, não há razão jurídica aceitável para se manter na penumbra a identidade de personagens conhecidos como "Santo" e "Careca" nos emails da Odebrecht. Elas devem ser conhecidas e investigadas, com o mesmo rigor dispensado a Antonio Palocci -- a menos que, aceitando a troca do "v" pelo "n", aceite-se que há uma seleção política para alvos do Judiciário. Neste caso, é preciso admitir que não estamos investigando nem a corrupção nem a troca de favores. Mas um partido e seus dirigentes, o que só é aceitável sob ditaduras.  Não se quer justiça, mas política, colocando o estado "a serviço do grupo social que o controla," como escreve Maria Sylvia de Carvalho Franco, referindo-se às instituições que mantinham a escravidão.


     A tragédia da linha 4, na qual sete pessoas perderam a vida,  só reforça a necessidade de um esclarecimento completo a respeito da identidade e do papel de "Santo" e "Careca."

     A assumida intimidade de Fernando Henrique com Emílio Odebrecht, principal acionista do grupo, muito mais influente naquele período, que é descrita com tanta intimidade no Diário da Presidência, é mais uma razão para isso. Como se aprende pela leitura, FHC chegou a imaginar que o pai de Marcelo Odebrecht poderia ajudá-lo num programa de investimentos públicos destinado a redesenhar o capitalismo brasileiro. Está lá, no volume 1. A mudança do coração da economia sob orientação da Odebrecht. Entendeu?   
        A seletividade, sabemos todos, produz anedotas como uma Justiça que não consegue descobrir o endereço de um antigo ministro, Pimenta da Veiga. Mas não só.

        Roberto Brant, que foi ministro da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, também foi apanhado na rede de Marcos Valério. Recebeu um cheque de R$ 100.000. Disse que era contribuição para sua campanha. Acredito sinceramente que, como tantos, estava falando a verdade. Não importa. O fato é que seu destino foi outro. Renunciou ao mandato e ficou livre, enquanto parlamentares do PT, na mesma situação, marchavam no cadafalso da AP 470.

        Na nova vida, fora de Brasília, Brant não teve de escapar de oficiais da Justiça. Pelo contrário. Um belo dia, lhe chegou o convite para uma missão nobre. Preparar a versão final de um projeto político de mudanças para o país. Foi assim que, uma década depois de ser apanhado com um cheque de Marcos Valério, tornou-se o autor do texto final de um documento chamado Ponte para o Futuro, projeto que deu o esqueleto ideológico para o golpe de 31 de agosto.

       Deu para entender como tudo se liga com tudo?

Esse é o agressor do Lindbergh! Vai aparecer no jornal nacional?

Por Laura Capriglione, nos Jornalistas Livres: Lindbergh Farias identifica o fascista que o atacou na saída de um restaurante

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) reconheceu o sujeito que o ameaçou na noite de sexta-feira (23/09) na saída de um restaurante. O nome dele é Claudio Roberto Baldaque Guimarães, um valentão que já se envolveu em ocorrências policiais por embriaguês, disparos de arma de fogo e agressão.




Baldaque Guimarães estava no mesmo restaurante em que jantava o senador, acompanhado da mulher e de amigas. Sentado em uma mesa próxima da de Lindbergh, o fascista passou a insultar o petista, gritando: “Quem apoia Lula não pode jantar aqui”.

Quando Lindbergh saía do local, Baldaque Guimarães seguiu-o –sempre gritando e ofendendo. Ridículo, além de violento e covarde, o provocador ainda tirou a camisa, para mostrar sua disposição de partir para o confronto físico. Empurrou a mulher do senador, que caiu no chão, ferindo-se nos braços e pernas.

Lindbergh registrou queixa contra o agressor. E publicou nota na sua página de facebook, pedindo ajuda para que o homem fosse identificado, o que ocorreu nesta tarde (27/9).

Em 14 de julho do ano passado, o mesmo Claudio Roberto Baldaque Guimarães apareceu no noticiário policial, por causa de uma sessão de exibicionismo com arma de fogo. Ele e um amigo, José Daltro Queiroz de Magalhães Junior, foram presos em flagrante depois de fazer selfies com uma pistola automática. 380 na varanda do Lagoon, centro gastronômico de luxo na Lagoa, Zona Sul do Rio.

Segundo o gerente do restaurante, ambos os homens haviam passado horas embriagando-se no local. Quando a PM chegou para dar um paradeiro na loucura, os amigos fizeram de seis a sete disparos para o alto, com o propósito de assustar os policiais. Havia mulheres e crianças no local.

Não para por aí. Baldaque também foi denunciado por comportamento violento em 28 de julho de 2010… Na ocasião, por causa de uma discussão de trânsito, arremessou seu carro contra o do policial Gilmar Pasquini. Na denúncia que fez contra o valentão, Gilmar Pasquini afirmou: [Depois disso, ele] “fugiu em marcha a ré em alta velocidade, tendo derrubado um pedestre de nome Marcio”.

O badboy abandonou no local a mulher que o acompanhava, e ela disse que o havia conhecido naquela noite, sendo que ele se identificou como “Claudio, delegado da polícia federal”. A mulher disse ainda que ele tinha bebido duas garrafas de vinho.

Jornalistas Livres procuraram Claudio Baldaque numa empresa de segurança que aparece ligada a seu nome. Também enviaram mensagem pela página de facebook de sua irmã. Ele não foi localizado.

Previdência: após as eleições, vem a paulada

ANDRESSA ANHOLETE

Não foi por acaso que o governo Michel Temer decidiu adiar o envio da reforma da Previdência para depois do segundo turno das eleições municipais, ao contrário do que havia sido prometido; pela proposta que vem sendo costurada pelo ministro Henrique Meirelles, a idade mínima da aposentadoria será ainda maior do que 65 anos; o texto propõe um gatilho que permitirá aumentar o piso da idade à medida em que também subir o tempo médio de sobrevida do indivíduo; no governo, há quem defenda que o benefício integral só seja obtido aos 70 anos 

247– Embora tenha prometido enviar a reforma da Previdência antes das eleições municipais deste ano, o governo Michel Temer adiou o envio do projeto para depois do segundo turno das eleições municipais e obteve o aval do PSDB, que vinha cobrando maior rapidez do Palácio do Planalto.

Agora, sabe-se o motivo. Pelo projeto que vem sendo trabalhado pela equipe do ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, a idade mínima poderá ir além dos 65 anos, como se imaginava. A ideia dos técnicos é criar um "gatilho" de acordo com a expectativa de sobrevida dos indivíduos e já se fala até em obtenção do benefício integral apenas aos 70 anos.

"A proposta de reforma da Previdência que o presidente Michel Temer tem em mãos prevê o aumento da idade mínima para além dos 65 anos fixados inicialmente. O texto, elaborado pela equipe técnica do governo, propõe um gatilho que permitirá aumentar o piso da idade à medida em que também subir o tempo médio de sobrevida (a quantidade de anos de vida depois da aposentadoria). A 'calibragem' evitaria a necessidade de discutir novos projetos de reforma previdenciária acompanhando o envelhecimento da população", diz a reportagem do jornal O Tempo.

Pela proposta do governo, fala-se também em 50 anos de contribuição para obtenção do benefício integral – em vez dos 35 atuais. "O projeto também eleva o tempo mínimo de contribuição (atualmente de 15 anos para a aposentadoria por idade) e vincula o pagamento integral do benefício a um período maior de pagamentos. Uma das hipóteses é aumentar a base de contribuição para 25 anos para ter acesso ao benefício, sendo que, para ter direito à aposentadoria integral, serão necessários 50 anos de contribuição", diz a reportagem.

Leia, abaixo, a reportagem da Reuters sobre o adiamento do envio da reforma:
Governo desiste de enviar reforma da Previdência nesta semana e não marca novo prazo
Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal desistiu de enviar ao Congresso a proposta de reforma da Previdência até sexta-feira, como havia prometido, e decidiu que antes vai apresentar o texto a centrais sindicais, empresários e parlamentares, confirmou nesta terça-feira o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, ao sair de reunião do presidente Michel Temer com ministros e líderes da base governista.

"Não podemos trabalhar com essa questão de prazo. Fomos atropelados por alguns eventos, inclusive a própria eleição deste domingo, que não permitiu a tempo fazer debate que queríamos com as centrais sindicais, núcleos empresariais e com as lideranças na Câmara e no Senado, para que depois não nos acusem de autoritarismo, de tentar enfiar uma reforma goela abaixo do Congresso Nacional", disse o ministro.

Inicialmente, o governo falava em mandar uma proposta de reforma ainda em julho. Ao constatar a dificuldade de chegar a um texto de consenso, retirou qualquer prazo. Há algumas semanas, no entanto, o próprio Geddel havia anunciado que o texto iria até 30 de setembro.

Na próxima semana, as reuniões começarão a ser marcadas, iniciando com as centrais, que nesta semana reclamaram ao ministro que o governo cumprisse a promessa de não enviar nada sem antes apresentar aos trabalhadores. A previsão agora é meados de outubro, logo depois das rodadas de reuniões e antes ainda de o Congresso terminar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento dos gastos públicos.

De acordo com Geddel, o texto deve ser apresentado a Temer na próxima quinta-feira. "Foi apresentada uma versão inicial, ele pediu alguns ajustes", explicou.
TETO
O assunto central da reunião, no entanto, foi a limitação dos gastos públicos, que o governo prevê que seja votada em primeiro turno na Câmara nos dias 10 e 11 de outubro.

A intenção primária da reunião era obter dos partidos da base aliada que fechassem questão em torno da aprovação da PEC. De acordo com o líder do Solidariedade na Câmara, deputado Paulinho da Força (SD-SP), a maior parte dos líderes concordou ou anunciou que reuniria as bancadas nesta semana para formalizar a decisão.

"Vários partidos já declararam fechamento de questão, alguns ainda estão em dúvida, como é o nosso caso", disse Paulinho, revelando que o Solidariedade chegou a propor uma mudança no texto prevendo que, quando o país voltar a crescer, os investimentos nessas áreas pudessem subir acima da inflação.
Segundo o próprio deputado, Temer disse que poderia discutir, mas que o teto será um só para todas as despesas, efetivamente cortando a possibilidade de fazer mudanças que alterem a limitação global.
Apesar do apoio geral, ainda há questões que dividem o governo e sua base. A principal delas, a inclusão dos Estados no teto. Geddel minimizou as diferenças alegando que os governos estaduais estão incluídos no texto.

"É para todos os entes, é o que está na PEC", disse o ministro, afirmando ainda que o relator, Darcísio Perondi (PMDB-RS) ficou de analisar implicações legais para ver se era necessário alguma mudança.
Perondi, no entanto, nega que os Estados estejam incluídos. "Os Estados não estavam e não vão estar. Houve uma interpretação errada do Geddel. Os Estados têm mecanismos suficientes pela LDO para fazer seus ajustes", disse Perondi

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Parente corta investimento em 25% e pede para comprar plataformas fora do Brasil



Petrobras prevê investir US$ 74,1 bilhões entre 2017 e 2021, uma queda de 25% em relação ao Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, informou a estatal em comunicado ao mercado nesta terça-feira 20; redução dos aportes é ainda maior quando comparada com o plano de negócios da estatal em 2014, de US$ 220,6 bilhões em cinco anos; além da queda nos investimentos, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, pediu autorização à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para que a empresa importe plataformas de produção do petróleo, ferindo a lei que estabelece um percentual mínimo de conteúdo nacional; decisão acontece depois da venda de uma área do pré-sal e da principal rede de dutos da empresa 

247 – No mesmo dia em que anuncia uma redução de investimentos de 25% entre 2017 e 2021, conforme seu novo Plano de Negócios e Gestão, vem à tona a notícia de que o presidente da Petrobras, Pedro Parente, pediu autorização à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para que a empresa importe plataformas de produção do petróleo.

A decisão fere a lei que estabelece um percentual mínimo de conteúdo nacional e vem na esteira de outras ações polêmicas da nova gestão da estatal, como a venda da área de Carcará, no pré-sal, à estatal norueguesa Statoil, e da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), que opera a malha de gasodutos da estatal.

Segundo reportagem da Folha sobre o pedido da Petrobras para comprar uma plataforma no exterior para a produção na área de Libra, a estatal confirmou o pedido à ANP – necessário para que não sejam cobradas multas à empresa pelo descumprimento dos compromissos de conteúdo legal –, mas não explica os motivos.

A ANP pediu informações adicionais à companhia para dar sequência à análise do pedido. O contrato de Libra prevê conteúdo local mínimo de 55%, mas um instrumento legal permite o perdão pelo não cumprimento dos compromissos em caso de falta de fornecedores ou de preços mais elevados do que no mercado internacional.

Leia mais na reportagem da Reuters sobre o plano de negócios:
Petrobras reduz plano de investimento em 25%, para US$74,1 bi, em 5 anos

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras prevê investir 74,1 bilhões de dólares entre 2017 e 2021, uma queda de 25 por cento em relação ao Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, revisado em janeiro deste ano, informou nesta terça-feira a petroleira em comunicado ao mercado.
O corte de investimento foi geral, ainda que a empresa continue priorizando investimentos na exploração e produção do pré-sal.

"A carteira de investimentos do Plano prioriza projetos de exploração e produção de petróleo no Brasil, com ênfase em águas profundas. Nas demais áreas de negócios, os investimentos destinam-se, basicamente, à manutenção das operações e à projetos relacionados ao escoamento da produção de petróleo e gás", afirmou a estatal em nota.



Analistas ouvidos pela Reuters aguardavam investimentos até 2021 de cerca de 80 bilhões de dólares.
A redução dos aportes é ainda maior quando comparada com o plano de negócios da petroleira em 2014, de 220,6 bilhões de dólares em cinco anos, quando a companhia ainda não havia reportado perdas bilionárias pelo escândalo de corrupção e os preços do petróleo estavam mais altos.

A Petrobras prevê investimentos da área de Exploração & Produção de 60,6 bilhões de dólares), sendo que 76 por cento do montante será alocado para desenvolvimento da produção, 11 por cento para exploração e 13 por cento para suporte operacional. No plano anterior, a principal divisão da empresa receberia investimentos de 80 bilhões de dólares.

Já a área de Refino e Gás Natural receberá investimentos de 12,4 bilhões de dólares no período, sendo 50 por cento destinados à continuidade operacional dos ativos e o restante a projetos relacionados ao escoamento da produção de óleo e gás. No plano anterior, a divisão de Abastecimento tinha uma previsão de 10,9 bilhões de dólares e a de Gás e Energia, de 5,4 bilhões de dólares.