Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Datafolha admite erro pró-Temer em sua pesquisa

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O Instituto Datafolha confirma que cometeu uma "imprecisão", ao divulgar pesquisa, no último domingo, informando que 50% dos brasileiros querem que Michel Temer continue presidente e apenas 3% defendem novas eleições – quando o número real é próximo a 60%; a fraude foi apontada por 247 no último domingo e denunciada ontem pelo jornalista Glenn Greenwald; Folha chegou aos 50% pró-Temer ao excluir da questão "Dilma ou Temer" a hipótese de novas eleições; erro foi reconhecido por Luciana Schong, diretora do Datafolha, que afirmou, no entanto, que as perguntas foram determinadas pela Folha, de Otávio Frias Filho; segundo Greenwald, ao incitar um golpe e manipular informações para que ele se consolide, a mídia brasileira representa uma ameaça à democracia e à liberdade de expressão.

247 – No último domingo, a Folha de S. Paulo publicou uma pesquisa feita sob medida para legitimar o golpe parlamentar no Brasil. O levantamento informava que 50% dos brasileiros defendem que Michel Temer continue na presidência, 32% querem a volta da presidente Dilma Rousseff e apenas 3% são favoráveis à tese de novas eleições (leia aqui)

No mesmo dia, reportagem do 247 esclareceu que se tratava de uma evidente fraude estatística. O motivo: outros institutos, como o Ibope e o Paraná Pesquisa, haviam feito pesquisas indicando que 63% querem novas eleições – número próximo ao de uma pesquisa do próprio Datafolha realizada em abril (leia aqui). Como Temer não realizou nenhum milagre nos últimos dois meses, tendo inclusive perdido ministros por denúncias de corrupção e adotado medidas impopulares, como aumentos de servidores públicos, nada explicaria que os 63% a favor de novas eleições virassem 3% em tão pouco tempo.

Ontem, o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept, publicou nova reportagem explicando como se deu a fraude. Ele informou que a pesquisa da Folha colocou apenas duas alternativas diante dos entrevistados: a permanência de Temer ou a volta de Dilma – ou seja, sem a possibilidade de novas eleições (argumento que Dilma tem usado para convencer senadores indecisos). 

Mais do que simplesmente indicar a fraude, a reportagem do The Intercept também afirmou que os meios de comunicação brasileiros representam uma ameaça à democracia e à liberdade de expressão, ao incitar golpes e manipular informações para que eles se consolidem (leia aqui).

Diante das evidências, o próprio Datafolha capitulou e admitiu ter cometido uma "imprecisão" no último domingo. 

"A gerente do Datafolha Luciana Schong afirma que as perguntas foram determinadas pela Folha. Ela reconheceu que é enganoso afirmar que 3% dos brasileiros querem novas eleições já que os entrevistados não foram questionados sobre isso. Schong também admitiu que declarar que 50% dos brasileiros querem Temer é uma imprecisão se não for esclarecido que a questão limitou as alternativas a apenas duas", informa reportagem do DCM sobre o caso (leia aqui).

domingo, 10 de abril de 2016

Sob ataque de Moro, Lula sobe e lidera corrida eleitoral para 2018; tucanos caem, Bolsonaro e juiz de Curitiba têm 8% e Temer, 2%

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Segundo o Datafolha, 61% apoiam o impeachment de Dilma (antes eram 68%)
Há um fato incontroverso na “Operação Lava Jato”: o juiz Sérgio Moro, a pedido da Força Tarefa do MPF/PR, autorizou a interceptação do telefone celular de um dos advogados constituídos pelo ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva e, ainda, autorizou a interceptação do ramal-tronco do escritório de advocacia, com o monitoramento de 25 advogados também constituídos pelo ex-Presidente.
A interceptação telefônica de advogados constituídos por pessoa que sofre persecução penal por parte do Estado, é um dos mais graves atentados ao Estado Democrático de Direito.
A sua ocorrência torna o procedimento ilegítimo e o macula de forma definitiva.
Há, nessa situação, clara violação à garantia constitucional da ampla defesa e, ainda, da inviolabilidade das comunicações telefônicas entre cliente e advogado, assegurada por lei.
O Brasil foi condenado em 2013 pela Corte Internacional de Direitos Humanos (caso Escher VS. Brazil) porque autoridades do País (do Paraná) fizeram interceptação telefônica de advogados e divulgaram o teor desse material – de forma análoga ao que fez o juiz Sérgio Moro em relação aos advogados do ex-Presidente Lula.
Na decisão proferida na Reclamação nº 23.457, o STF fez registrar, em análise preliminar, que o juiz Sérgio Moro autorizou a interceptação dos advogados constituídos pelo ex-Presidente Lula e somente depois foi — tentar — buscar uma justificativa para o ato.
Já foram diversas tentativas. Primeiro, o juiz tratou de incluir, de forma artificial e sem os requisitos legais, um dos advogados no rol de “investigados” – o que foi negado formalmente nos próprios autos do processo durante depoimento prestado pelo ex-Presidente Lula por ocasião de sua arbitrária condução coercitiva. De qualquer forma, a justificativa para o status de investigado e, ainda, para a interceptação telefônica seria um ato privativo da advocacia: assessoria jurídica em uma operação de compra e venda de imóvel.
No dia 29/03/2016, o Juiz Sérgio Moro afirmou ao STF que “desconhece este Juízo” a existência de interceptação no ramal-tronco do escritório Teixeira, Martins & Advogados. Depois dessa versão ter se mostrado incompatível com ofícios emitidos pela empresa Telefônica — relevando que Sérgio Moro foi informado em duas oportunidades de que a interceptação estava sendo feita no telefone de um escritório de advocacia —, agora o mesmo magistrado, com a ajuda do MPF, tenta construir uma nova versão.
Desta vez o Juiz Sérgio Moro afirma que somente teve conhecimento dos ofícios em 15/03/2016, embora o primeiro ofício da operadora de telefonia tenha sido a ele enviado em 23/02/2016, e o segundo em 07/03/2016. Não se pode cogitar que o juiz tenha autorizado o grampo por 15 dias e, ainda, autorizado a prorrogação da medida invasiva por outros 15 dias, sem ler os ofícios que lhe foram encaminhados pela empresa de telefonia. Se a nova versão fosse verdadeira, já seria possível identificar, em tese, o descumprimento da Resolução 59 do CNJ, que detalha todas as diligências que o juiz, necessariamente, deve adotar na hipótese de interceptação telefônica, inclusive em relação aos ofícios das empresas de telefonia.
Não é a primeira vez que o Juiz Sérgio Moro se vê envolvido no monitoramento de advogados. No julgamento do HC nº 95.518, o STF observou que “revelam-se abusivas as reiterações de prisões desconstituídas por instâncias superiores e as medidas excessivas tomadas para sua efetivação, principalmente o monitoramento dos patronos da defesa, sendo passíveis inclusive de sanção administrativa”.
O mesmo comportamento foi renovado pelo magistrado em relação aos advogados do ex-Presidente Lula, independentemente das inúmeras versões por ele já apresentadas — sem que qualquer delas tenha servido para descaracterizar esse grave atentado ao Estado Democrático de Direito.
Por isso, espera-se que o monitoramento telefônico de advogados autorizado pelo Juiz Sérgio Moro seja devidamente punido pelos órgãos de controle, sem prejuízo do reconhecimento dos vícios insuperáveis no próprio procedimento em que houve a prática desse ato inconstitucional e ilegal e, sem prejuízo, ainda, das medidas que podem ser adotadas pelos órgãos internacionais em virtude da violação do Tratado de San Jose da Costa Rica, dentre outros.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Os tucanos têm razão: é patriotismo, não é vira-latice

guararapes
A Aloysio o que é de Aloysio.
confiançadataQue apurou também um tal “índice de orgulho de ser brasileiro”, uma coisa meio estranha que, vá lá, eu reproduzo aí ao lado,
Vamos admitir que o tucano tenha razão..
Falta, pelo mesmo raciocínio, afirmar que a exacerbação do “espírito de vira-latas” também, segundo esta lógica, fosse o responsável pelos resultados anteriores, negativos.
Porque não foi isso que andaram repetindo, a torto e a direito, com o “vai ter crise” e o “não vai ter Copa”?
Um paisinho de m…, governado por incompetentes, que não ia dar conta de fazer uma Copa, não ?
Uma nação “porquera”, onde o cenário de pleno emprego, num mundo assolado pela desocupação, não valia nada, porque eram“empreguinhos de dois salários mínimos”, não é, Aécio?
Um lugar de gente incapaz, vagabunda, diferenciada, que não pode pegar o metrô em Higienópolis e quer se aposentar com “só” 35 anos de trabalho.
Enfim, uma “racinha” que “vota com o estômago” e está mais interessada em que haja financiamento para a casa própria do que com o superávit primário.
E que não entende que gastar R$ 1,7 bi (R$ 2,26 em dinheiro de hoje)  em uma nova sede administrativa para o Governo de Minas é mais importante que subsidiar moradia para os pobres.
Aliás, gente interessada também naquele salários  que estão “muito altos”, segundo as contas do aspirante a Ministro da Fazenda de Aécio, Armírio Fraga.
Mas os estrategistas tucanos esperam que tudo volte ao normal e que os holandeses – de preferência sem aqueles crioulos que andaram admitindo no seu time – ganhem a Copa e nos façam sentir um gostinho de Mauricio de Nassau, versão 2.1.
Como se sabe, o problema do Brasil é ter sido descoberto pelos portugueses, que fizeram aqui esta lambança étnica que começou com o negro Henrique Dias e o índio Filipe Camarão (que só viraram heróis nacionais no governo desta Dilma metida a populista)acharem que este país era também deles, não é?
Um país mestiço e moreno que brota tropicalmente sem pedir licença…
Mas isso, como se sabe, vai acabar depois da Copa.
E em vez dos gritos animados e orgulhosos dessa gente, ouviremos o cantar da chibata a “cantar”:
- Produtividade, seus vagabundos. Tomem arrocho, miseráveis. Vamos cumprir o dever de casa.
Da casa grande, por certo.

domingo, 4 de maio de 2014

Datafolha desta semana tentará repetir Sensus

Pesquisa do instituto Sensus sobre a sucessão presidencial divulgada pela revista IstoÉ na madrugada de sábado passado chegou vencida; foi realizada oito dias antes da divulgação e já chegou sob fortes questionamentos, alguns dos quais insuspeitos, como o de um colunista do jornal O Estado de São Paulo, José Roberto de Toledo, que apontou vícios na sondagem.
Apesar da ampla divulgação que essa crítica recebeu, é importante que seja reproduzida no âmbito destas considerações. Abaixo, pois, trechos do “blog” de José Roberto de Toledo no portal de O Estado de São Paulo.
—–
O ESTADO DE SÃO PAULO
2 de maio de 2014
José Roberto de Toledo
02.maio.2014 17:54:17
A pesquisa Sensus a ser divulgada neste sábado vai dar o que falar. Se não pelos seus números, ao menos pelos seus métodos. O instituto, que vinha trabalhando para o PSDB até pouco tempo atrás, foi criativo ao apresentar as perguntas aos eleitores.
Em vez de mostrar ao eleitor um cartão circular com os nomes dos candidatos – para não privilegiar nenhum deles -, o instituto mineiro apresentou uma lista em ordem alfabética. Desse modo, o nome de Aécio Neves (PSDB) aparece sempre em primeiro lugar.
Além de contrariar a prática do mercado (institutos como Ibope e Datafolha apresentam a cartela circular), o Sensus mudou sua própria maneira de fazer a pergunta de intenção de voto. Em eleições passadas, como em 2010, o instituto sempre usou a cartela circular, e não a lista em ordem alfabética.
[...]
Outro fato chama a atenção nesta sondagem do Sensus: o registro da pesquisa no TSE ocorreu bem depois de as entrevistas terem terminado. A pesquisa de campo foi feita entre os dias 22 e 24 de abril, mas só foi registrada no dia 28. Ou seja, ao registrá-la é provável que o instituto já soubesse o resultado – o que pode ou não ter influenciado na decisão divulgá-la.
Como no caso da MDA/CNT, a pesquisa do Sensus foi feita logo após a propaganda eleitoral do PSDB no rádio e na TV. E terminou muito antes do pronunciamento de Dilma na véspera do 1º de Maio. Mas como demorou tanto a ser divulgada, vai ficar parecendo que a sondagem do Sensus é mais recente do que de fato é.
A pesquisa foi paga pelo próprio Sensus, segundo o registro no TSE. Mas será divulgada com exclusividade pela revista IstoÉ. Segundo o site da publicação, a parceria envolverá a divulgação de sete sondagens sobre a eleição presidencial este ano.
[...]
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O questionamento acima comprova que business are business. E só.
O instituto Sensus envolveu-se em outra polêmica, em 2010. Só que, naquela oportunidade, o instituto de pesquisas mineiro atuava em sentido contrário, sendo então considerado tendente a “ajudar” Dilma Rousseff contra José Serra, apesar de sua relação histórica com o PSDB mineiro ou, melhor dizendo, com Aécio Neves, então injuriado com o colega paulista por ter lhe tomado a candidatura a presidente pelo partido de ambos.
À época, matéria da Folha de São Paulo, abaixo reproduzida, questionava o Sensus por sua metodologia, que acabara de detectar empate entre Dilma Rousseff e José Serra. Abaixo, a acusação da Folha ao Sensus em 2010.
De fato, a petista acabou confirmando as pesquisas de Sensus e Vox Populi contra o Datafolha; Dilma, partindo de um patamar baixíssimo nas pesquisas, alcançara Serra.
O que é de estranhar é que, desta feita, quando o Sensus é acusado de beneficiar um tucano contra Dilma, a Folha, à diferença do Estadão, manteve-se silente enquanto corria ao TSE para protocolar uma nova pesquisa a ser divulgada ao longo da semana que entra, mais provavelmente no próximo sábado ou domingo.
A nova pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial terá campo nos dias 7 (quarta-feira) e 8 (quinta-feira) de maio, com estimativa de 2.880 entrevistas. A data da divulgação do resultado deve variar de acordo com o que a sondagem apurar.
Se Dilma tiver ganhado pontos ou se mantido na posição da pesquisa Datafolha de abril, o resultado pode ser divulgado na sexta-feira mesmo, dia de menor interesse por notícias ante a chegada do fim de semana. Essa divulgação se daria no meio da tarde, horário de menor interesse em um dia de pouco interesse sobretudo por política.
Se Dilma tiver perdido pouco e/ou seus adversários tiverem ganhado pouco, a divulgação ocorrerá no sábado, um dia de maior repercussão que a tarde de sexta, mas, ainda assim, dedicado a outras atenções.
Se Dilma tiver perdido um percentual considerável e/ou seus adversários tiverem ganhado, a divulgação ocorrerá no domingo, ou no fim da tarde de sábado, quando a Folha de São Paulo distribui seus exemplares de domingo nas bancas. Assim, a repercussão começaria na tarde de sábado e se avolumaria no domingo.
A nova pesquisa é menos ampla do que a anterior, que teve cerca de 40 perguntas – a atual tem 29.
Nesta nova edição do Datafolha, uma pergunta surpreende pelo alto grau de indução da resposta do entrevistado que deve provocar. Chega a ser espantoso. A pergunta número 20 pede ao entrevistado que responda como votará se “A situação econômica do país se agravar até o dia das eleições”, já partindo do pressuposto de que a situação atual é grave.
Leia, abaixo, o formulário da nova pesquisa Datafolha que será divulgada no fim da semana que entra.
A pesquisa, por si só, constitui uma peça de propaganda eleitoral negativa contra Dilma Rousseff. Até porque, espalhará versões sobre má situação econômica do país para um universo de quase três mil pessoas, que atuarão como propagadoras do desânimo com o governo que advirá depois dessa saraivada de pessimismo.
Contudo, como o Datafolha, à diferença do instituto Sensus, afirma que não “esquenta” o entrevistado com perguntas sobre economia e outras antes de perguntar em quem esse entrevistado irá votar, sempre há a possibilidade de Dilma ter recuperado pontos ou pelo menos ter permanecido com o patamar anterior, de abril.
Se Dilma permanecer com o patamar de Abril, é muito provável que a boa e velha “margem de erro” (de 2 pontos percentuais) seja usada para forçar uma sua “queda” ou “subida” dos adversários, mais precisamente de Aécio Neves, confirmando os números do Sensus, os ideais, neste momento, para a mídia tucana e seu candidato a presidente.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A oposição que virou pó

Os banqueiros e a velha mídia seguem com poder, mas estão sendo derrotados em uma pretensão: a de que são os grandes formadores de opinião do país.

Arquivo

A pesquisa mais recente do Instituto Datafolha foi uma ducha de água fria para os partidos de oposição e um sapo grande e gordo que a velha mídia oligopolista teve que engolir.

Só Dilma cresceu. Todos os demais postulantes ao cargo de presidente em 2014 caíram. A chance de vitória de Dilma em primeiro turno elevou-se. O quadro menos negativo para o tripé oposicionista (por enquanto, PSDB, PSB e PSOL – ainda é incerto se o PSC de Marcos Feliciano lançará candidato) depende de duas candidaturas para lá de improváveis: José Serra, pelo PSDB, e Marina Silva, pelo PSB. Mesmo assim, os nomes de Serra e Marina estão com viés de baixa, em intenções de voto, e de alta, em rejeição.

Aquela imprensa “isenta” (isenta de pagar impostos) alvejou a pesquisa anterior, feita pelo Ibope. Tanto que o telejornal que é expoente desse jornalismo “isento” a noticiou pela metade, sonegando os dados que indicavam vitória de Dilma em primeiro turno. Segundo seus mais tradicionais articulistas e comentaristas, Dilma estava empacada. Diziam que a pesquisa não trazia muita novidade e os resultados nem mesmo deveriam ser levados em conta, pois não tinham sofrido o impacto da prisão dos petistas condenados pela AP 470 (o processo do mensalão).

Pois bem, sob o pesado bombardeio das notícias sobre a prisão de petistas, do terrorismo fiscal e do clima de que tudo vai de mal a pior, Dilma cresceu 5 pontos em intenções de votos, comparativamente à pesquisa anterior do Datafolha.

A torcida midiática que acalenta o sonho de Joaquim Barbosa candidato em 2014 também recebeu uma má notícia. Barbosa, que por ser juiz tem o privilégio de decidir sobre uma eventual candidatura até abril do ano que vem, não provocaria 2.º turno. Apenas levaria Aécio e Campos a amargarem, respectivamente, um melancólico 3.º e 4.º lugares na corrida presidencial.

A candidatura do PSDB tem dificuldades de decolar. Carrega um fardo pesadíssimo nas costas, que interessa a apenas 1% da população: o discurso da estabilidade econômica às custas de arrocho fiscal, que continua sendo seu principal foco. Aécio se associa com orgulho às heranças do governo FHC, o que funciona como uma bola de ferro em seu calcanhar. Qual a única proposta de política social feita por esse candidato, até o momento? Manter o Bolsa Família. O resto é “vamos conversar”.

Depois de uma década fora da Presidência da República, o minimalismo liberal dos tucanos atrofiou por completo sua parte do cérebro que deveria pensar a sociedade como algo mais que um simples subproduto da economia de um país. O treinamento na Casa das Garças, templo do pensamento liberal que reúne os sacerdotes do Plano Real e banqueiros, é um dos responsáveis por essa teimosia.

Sua catequese parte da premissa de que o Brasil tem que ser transformado em uma ave de pequeno porte, de preferência evitando qualquer confronto com a águia norte-americana. Já quiseram transformar o Brasil em uma Irlanda. Parece que mudaram de ideia depois do que ocorreu com a Irlanda. Voltaram a ressuscitar o Chile – quem sabe Michelle Bachelet os faça mudar de ideia. Agora estão badalando o México. Alguém se empolga com a ideia de transformar o Brasil em um México? Poucos. Um do que se empolgam é a candidatura Campos-Marina Silva, que igualmente enveredou pelo da Casa das Garças e conta com a assessoria expressiva de uma parte dos banqueiros e economistas que a frequentam.

Ainda falta um longo caminho para 2014, e boa parte do que se esconde no saco de maldades para as eleições ainda será posto para fora. É justamente esse o aspecto mais positivo da pesquisa Datafolha para a política brasileira. É o fato de que a oposição baseada não em um programa alternativo de políticas públicas, mas na simples execração e criminalização do partido de Dilma e Lula, tem colhido como resultado um tiro no pé.

Quando se fala em oposição, entenda-se bem, estamos nos referindo não apenas aos partidos, mas ao setor da imprensa que se comporta como o partido da ideologia do medo e do ódio -  medo e ódio aos partidos de esquerda, à participação do Estado na economia, às políticas de promoção social baseadas no princípio da solidariedade coletiva, e não da competição individual. Esta oposição, que tem na velha imprensa tradicional seu representante mais extremista, tem sido sistematicamente derrotada, eleição após eleição, desde Lula. Derrotada não necessariamente em seu projeto. Os banqueiros e a velha mídia continuam dando a linha da expectativa de muitos setores da economia e mesmo mandando em muitas áreas de governo. Mas estão sendo derrotados em sua pretensão mais especial: a de que são os “grandes” formadores de opinião do país. Tal pretensão arrogante e manipuladora tem sido reduzida a pó e forçada a aterrissar, junto com os pilotos de suas aeronaves partidárias, a cada pleito presidencial.


(*) Antonio Lassance é Doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília.

sábado, 12 de outubro de 2013

DATAFOLHA MOSTRA VITÓRIA DE DILMA EM PRIMEIRO TURNO

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Levantamento aponta que ela teria 42%, contra 21% de Aécio Neves e 15% de Eduardo Campos; se os candidatos fossem José Serra e Marina Silva, haveria segundo turno; no entanto, em todos os cenários, Dilma venceria seus oponentes; levantamento é o primeiro realizado após a mudança no quadro político, com a permanência de Serra no PSDB e a ida de Marina para o PSB
247 - O primeiro levantamento realizado após a migração de Marina Silva para o PSB e permanência de José Serra no PSDB, deixando o quadro sucessório com apenas três candidatos, mostra que, se as eleições fossem hoje, a presidente Dilma Rousseff venceria em primeiro turno. No entanto, por uma margem não muito confortável.
De acordo com o Datafolha, ela teria 42% das intenções de voto, contra 21% de Aécio Neves, do PSDB, e 15%, de Eduardo Campos. Ou seja: o PT teria 42% contra a soma de 36% dos adversários e uma leve mudança de humor poderia provocar um segundo turno.
O mesmo instituto também fez uma pesquisa substituindo Aécio por Serra e Campos por Marina. Nesta, Dilma teria 37%, contra 28% de Marina e 20% de Serra, ou seja, 37% para o PT e 48% para os adversários.
Foram também realizadas diversas simulações de segundo turno e, em todas, a presidente Dilma vence seus oponentes. Contra Marina, ganha por 47% a 41%. Contra Serra, por 51% a 33%. Contra Aécio, 54% a 31%. Contra Campos, 54% a 28%.
Confira, abaixo, os quatro cenários do Datafolha:
Cenário A
Dilma 42%
Aécio 21%
Campos 15%
PT 42%
Adversários 36%

Cenário B
Dilma 39%
Marina 29%
Aécio 17%
PT 39%
Adversários 46%

Cenário C
Dilma 40%
Serra 25%
Campos 15%
PT 40%
Adversários 40%

Cenário D
Dilma 37%
Marina 28%
Serra 20%
PT 37%
Adversários 48%
pesquisasdataf

Para ler o Datafolha

Sem discordar do meu companheiro Miguel do Rosário, e concordando plenamente com ele de que nada é definitivo, minha visão sobre a pesquisa divulgada hoje pela Folha se volta para outros pontos.
Talvez, até, pelos anos a mais que tenho de janela – com as dores nas costas correspondentes… –   assistindo o jogo das pesquisas.
Quem acompanha eleições há muito tempo sabe que o Datafolha não fabrica índices nas pesquisas, apenas “ajeita” as pesquisas para, dentro da realidade eleitoral, corresponderem àquilo que pensam ser mais conveniente. No final, quando se aproximam as eleições, tudo se acerta.
Ainda não vi, porque não está disponível, o mapa completo da pesquisa, mas nem é preciso, para observar onde está o “gatilho” desta vez.
Nas demais pesquisas, o levantamento de campo se dava em dois e até três dias. Foram dois na pesquisa de julho e três na de agosto.
Nesta, agora, apenas um, embora o tamanho da amostra seja basicamente o mesmo da do mês passado.
E é obvio que a pesquisa, a primeira depois da data fatal de filiação partidária, estava prevista desde muito antes, porque todos sabiam poderia haver duas novidades: Marina deixar a disputa, por falta de partido, ou Serra entrar diretamente nela, trocando o PSDB pelo PPS.
A rapidez não foi, portanto, um improviso, como não foi ao acaso, a escolha da sexta-feira para a coleta, e cedo, porque os dados precisavam ser auditados e tabulados para a edição nacional, que fecha às 21 horas.
Porque na sexta, apenas?
Simples, porque na quinta à noite Campos e Marina ocuparam uma rede de televisão, se alternando num “lança que eu chuto” e outro “levanta que eu corto”.
Ou seja, um “recall” fresquinho de rede nacional de TV, isso depois de uma semana inteira de superexposição midiática.
Logo, a pesquisa Datafolha deve ser, toda ela, lida como um “ainda assim” antes.
Ainda assim, Dilma sobe em relação à pesquisa anterior em qualquer das situações propostas aos entrevistados.
Ainda assim, diz o próprio jornal “os números de ontem sugerem que o espólio eleitoral de Marina foi dividido de forma quase idêntica entre Dilma, Aécio e Campos. A petista teria herdado 7 pontos; o tucano, 8; o socialista agora apoiado por Marina, 7″.
Portanto, ainda assim, como rede de TV, e “overmídia”,  menos de um terço dos possíveis eleitores de Marina vão para Campos, apesar de, em tese, nao faltar informaçao sobre o (será mesmo?) apoio da ex-senadora ao pernambucano.
A grande novidade da pesquisa, esta “vindo do além, é que Serra é apresentado, pela primeira vez, como um candidato com viabilidade significativamente maior do que Aécio e, mais ainda, aquele que garantiria o segundo turno que, de outra forma, teria a “fatura liquidada” com a vitória de Dilma.
Essa, sim, cai como gasolina na fogueira de ambição de Serra, que também já tinha estes indicadores e saiu das sombras, pela primeira vez, nesta semana de “marinada”.
Tem números para evocar o fantasma de 32 e reacender o “fator São Paulo” que é, como dizem os camponeses uruguaios, “donde lo hay”.
Portanto, uma leitura atenta destes dados, filtrada pelo “ainda assim” que fica evidente, mostra que Aécio e Campos saíram como os derrotados desta rodada. E Serra e Marina prontos para continuar a exercer as pressões sobre seus “candidatos postos” pelos métodos que sabemos.
E Dilma, ainda sem Lula ter acendido o farol de seu prestígio para guiar o eleitor, segue tranquila, com lastro para enfrentar a tempestade de mídia que vem pela frente.
O Datafolha? O Datafolha, perdoem-me o chulo do ditado, só comprova o jocoso chiste sobre a estatìstica ser como a minissaia: mostra tudo, mas encobre o essencial.
Por: Fernando Brito

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Apostas contra a reeleição de Dilma pagarão cada vez menos


Após amainarem os ânimos exacerbados artificialmente por aquela que talvez tenha sido a maior e mais bem sucedida armação política para desmoralizar o governo federal desde 2003 – quando Lula chegou ao poder –, foi se tornando possível prever que Dilma Rousseff se recuperaria da imensa queda de popularidade que sofreu.
Antes de entrar na questão da recuperação da popularidade de Dilma anunciada pela pesquisa Datafolha recém-divulgada, vale explicar que, devido à mediocridade dos adversários à direita, quem logrou o feito de manchar a imagem da presidente da República não foi a coalizão destro-tucano-midiática, mas partidos de esquerda que se opõe ao projeto político do PT.
Uma armação engendrada por PSOL, PSTU e algumas lideranças, digamos, “vampirescas” da direita demo-tucana conseguiu convencer boa parte da sociedade de que o país estava afundando.
Nesse aspecto da visão e do discurso deturpados sobre a situação do Brasil, há pouca diferença hoje entre a oposição à esquerda e à direita – ambas tentam convencer o brasileiro de que o país vai muito mal, obrigado.
Mas como convencer o povo de que o país vai mal com a renda média do trabalhador e a das famílias crescendo – em maior ou menor ritmo –, com o desemprego despencando mês a mês, com as reservas cambiais na estratosfera, com a inflação sob controle, com o PIB de 2013 tendendo a superar o de 2012 e com os investimentos públicos e privados em alta?
Apesar de não ter votos, a oposição de esquerda tem uma militância muito mais aguerrida do que a da direita de classe média alta que não consegue pôr o bloco na rua por ser integrada por muito pouca gente. Assim, a oposição canhota conseguiu inventar um movimento que conflagrou as cidades por uma causa fictícia e que, em verdade, não passou de transferência para o Erário do aumento das tarifas das passagens do transporte público.
A burrice conservadora, então, fez o governo de São Paulo atiçar a sua truculenta e despreparada polícia militar contra a classe média e, como resultado, o país inteiro ficou indignado e aderiu a um movimento que teria morrido rapidamente se tivesse sido tratado com mais inteligência.
A mídia conservadora, que a princípio ficara assustada, percebeu que cenas de guerra nas ruas corroborariam suas teses alarmistas sobre a economia e passou a apoiar protestos que invariavelmente terminavam em quebra-quebra, em ferimentos graves e até em mortes, sem falar dos prejuízos aos patrimônios público e privado.
Paralelamente, o noticiário econômico, que vinha prevendo desgraças desde que afiançou que sobreviria um apagão de energia elétrica já nas primeiras semanas de 2013, viu nos protestos a chance de corroborar o que dizia, pois se as pessoas estavam indo às ruas protestar com tanta virulência isso só poderia se explicar pela piora da qualidade de vida.
Como consequência, a popularidade de Dilma sofreu a maior queda de todas. Maior até do que a do governador que cometeu o erro que fez as manifestações ganharem a dimensão que ganharam. Geraldo Alckmin, apesar do que fez a sua PM, teve queda de aprovação de apenas 16 pontos enquanto que a presidente caiu 30 pontos.
Contudo, a recuperação da popularidade de Dilma evidenciada pela pesquisa Datafolha deste sábado já podia ser prevista por quem lê este Blog. Vários posts permitiram que se entendesse que não havia uma causa real para a presidente, seu partido e seu governo perderem tanta aprovação.
Em 15 de julho último, o post PT revive hoje 2005, quando sua primeira “morte” foi decretada já mostrava que havia uma precipitação na comemoração destro-canhota-tucano-psolista-midiática sobre a espantosa queda da aprovação de Dilma. Abaixo, um trecho daquele post que mostra que as notícias sobre a “morte” política da presidente foram exageradas.
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“(…) A semelhança entre o passado e o presente se dá até na época de 2005 em que eclodiu o escândalo do mensalão. A entrevista demolidora de Roberto Jefferson à jornalista da Folha de São Paulo Renata Lo Prete denunciando o escândalo foi publicada em 6 de junho e foi nesse mesmo dia e mês que eclodiu a primeira grande manifestação do Movimento Passe Livre [em São Paulo], que marcaria a derrocada de Dilma nas pesquisas, assim como a denúncia de Jefferson marcou a perda de popularidade temporária de Lula no segundo semestre daquele ano.
Até o fim de 2005, Lula era dado como um zumbi político. A cada pesquisa de opinião sua popularidade caía mais um pouco, chegando a dezembro daquele ano – a menos de um ano da eleição presidencial de 2006 -, segundo o Datafolha, com apenas 31% de bom é ótimo, coincidentemente o mesmo índice que Dilma tem hoje.
A precipitação dos que, nesta mesma época do ano, há oito anos, comemoraram antecipadamente a destruição política de Lula e do PT, pouco mais de um ano depois resultou na capa da Folha que você vê no topo deste texto, publicada naquela segunda-feira, 30 de outubro de 2006, quando ele obteve 60% dos votos válidos (…)”
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Em 16 de julho, o post O incrível “pânico espontâneo” de beneficiários do Bolsa Família compunha o mosaico de informações que aqui seriam divulgadas e que permitiram prever, lá atrás, que a popularidade de Dilma iria se recuperar.
Apesar de o post versar sobre a conclusão maluca da Polícia Federal de que o boato sobre o fim do Bolsa Família ocorreu por geração espontânea, o texto já permitia prever que os beneficiários do programa do governo federal que ficaram zangados com Dilma por acreditarem que ela exterminaria seu benefício logo se dariam conta de que tinham sido enganados.
Em 17 de julho, porém, surge neste Blog a primeira grande indicação de que a queda de popularidade de Dilma não iria durar. O post Pesquisa mostra o pessimismo como causa da queda de Dilma versou sobre dado de outra pesquisa que apontava forte queda da aprovação dela, a pesquisa do instituto MDA feita para a Confederação Nacional dos Transportes.
Abaixo, trecho do post que explica a recuperação de Dilma que o Datafolha anunciou neste sábado.
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“(…) A aprovação do desempenho pessoal de Dilma caiu 24,4 pontos, indo de 73,7% na pesquisa anterior para 49,3% nesta, e a desaprovação ao seu governo subiu de 20,4% para 47,3%, uma alta de 26,9 pontos, ou 131,8% de aumento na desaprovação à presidente da República.
Já a aprovação ao governo caiu de 54,2% para 31,3%, perda de 22,9 pontos devido, sobretudo, ao aumento dos percentuais de ruim (que foi de 5,5% para 13,9%) e péssimo (que foi de 3,5% para 15,6%).
A própria pesquisa explica a razão de piora tão acentuada no capital político de Dilma Rousseff e de seu governo. Há piora em pontos altamente sensíveis das expectativas do brasileiro em relação ao futuro, sobretudo na percepção do que ocorrerá com o mercado de trabalho, no qual a expectativa de aumento do desemprego saltou de 11,5% em junho para 20,4% em julho.
(…)
Eis que o medo do desemprego desponta como o principal problema para a imagem do governo federal e para a da sua titular. Os protestos de rua conferiram credibilidade aos vaticínios que a grande mídia vinha fazendo sobre piora na economia e, consequentemente, no meio de sobrevivência de todos: o emprego (…)”
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Como se vê, o pessimismo foi o que fez Dilma despencar. As pessoas acreditaram que iriam perder o emprego porque tanta gente na rua reclamando corroborava a tese da mídia de que o país estava afundando. Porém, a crença na mídia e na oposição à direita e à esquerda dependia de as desgraças que anunciavam se materializarem…
Mas foi em 18 de julho que aqui se publicou matéria contendo o primeiro grande sinal de que Dilma recuperaria aprovação. Trata-se de entrevista que o presidente do instituto de pesquisas Vox Populi deu a este Blog. Abaixo, trecho da entrevista.
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“(…) Marcos Coimbra: Nós temos um ano e alguns meses até a eleição. Em um ano, como já vimos em governos anteriores, foi possível se recuperarem.
A questão é que os problemas não são basicamente econômicos. Os sinais são confusos. Tenho visto, nos últimos dias, pessoas que não têm nenhuma simpatia pelo governo ou pelo PT dizendo que é muito provável que tenhamos um crescimento na economia deste ano bem maior do que o do ano passado. Assim como é muito provável que tenhamos inflação sob controle até o final do ano.
Então, com inflação sob controle, pleno emprego, população com poder de compra alto e crescimento melhor será muito difícil insistir na argumentação de que o país está indo à bancarrota, que foi praticamente o tema desses últimos 3 ou 4 meses (…).
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Infelizmente – ou felizmente –, faltou a muitos o bom senso de levar a sério uma análise tão precisa quanto essa que este Blog já vinha fazendo e que o diretor do Vox Populi referendou: o pessimismo midiático-oposicionista em que muitos acreditaram teria que se transformar em fatos para a queda de Dilma se efetivar.
Em 20 de julho, mais um alerta para os que estavam apostando contra Dilma. O post Se o Brasil estivesse em crise a sua vida já teria piorado tentou, mais uma vez, despertar os pessimistas e os embriagados com a embriaguez das ruas. Abaixo, trecho da matéria que permitia enxergar que em algum momento as pessoas começariam a recobrar o bom senso.
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“(…) As ruas estão cada vez mais entupidas de carros zero quilômetro. As residências mais humildes, hoje, estão sendo reformadas e entupidas de bens de consumo como televisões, computadores, novos móveis etc. E, hoje, só não encontra emprego quem não quer trabalhar.
O que é preciso, portanto, é fazer os brasileiros refletirem que quando um país vai mal a vida das pessoas piora. Entretanto, quem pode dizer que sua vida tem piorado? Só o que tem piorado é a percepção sobre o futuro.
Essa percepção se fundamenta, basicamente, na informação. As pessoas vêm sendo bombardeadas pelos meios de comunicação de massa com cenas de guerra e previsões catastrofistas e, juntando umas e outras, construíram essa percepção pessimista (…)”.
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Em 26 de julho, mais um aviso de que o pessimismo das pessoas era irracional e de que não poderia demorar para começar a se reverter. Entrevista com que o ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) deu ao blog no post Ex-presidente do Ipea acusa mídia de terrorismo econômico já mostrava o que agora todos descobrem.
Abaixo, trecho da matéria.
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“(…) Blog da Cidadania – E aí, nesse momento, a gente lê um editorial no maior jornal do país em que a primeira frase é a seguinte: “São consistentes os sinais de deterioração da economia brasileira”. O editorial se intitula “Mudança de sinal” e foi publicado na Folha de São Paulo de 25 de julho de 2013.
Doutor Marcio: são consistentes os sinais de deterioração da economia brasileira?
Marcio Pochmann – Interpretações sempre dependem de quem as define. Eu, particularmente, não vejo sinais nessa direção. Infelizmente vamos ter um ano de crescimento menor do que imaginávamos, mas nada que signifique mudança da trajetória dos últimos dez anos, que tem sido uma trajetória de crescimento e distribuição de renda.
Não vai haver nada de trágico – a menos que surja uma hecatombe, e estamos longe disso no mundo. Deveremos concluir este ano com o controle da inflação, com crescimento econômico melhor do que no ano passado e com indicadores sociais seguindo a trajetória comprovada dos últimos dez anos (…)”
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Em 27 de julho, mais uma reflexão que indicava o futuro. O post Quem você colocaria no lugar de Dilma? tocava em outro fator que faria a presidente recuperar popularidade: a falta de alternativas a ela para 2014.
Abaixo, trecho da matéria
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“(…) Ora, se a razão da insatisfação com o governo Dilma decorre de crença de grande parte da sociedade no catastrofismo (ou terrorismo) econômico midiático, se as desgraças que esses órgãos de “imprensa” de oposição não-assumida alardeiam não se materializarem os que se deixaram levar por previsões pessimistas concluirão que embarcaram numa canoa furada.
Claro que a mídia continuará prevendo desgraças, mas como falta muito tempo para a eleição de 2014 a realidade terá que confirmar os vaticínios midiáticos. Não será possível continuar por mais um ano e meio dizendo que a desgraça virá. Se não vier, as pessoas terão que refletir (…)”.
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Dito e feito…
Em 30 de julho, mais uma explicação sobre por que não é possível que a sociedade comece a ignorar de repente tudo o que a tem levado a manter o PT no poder durante os últimos dez anos. O post Desigualdade caiu 1,89% com FHC e 9,22% com Lula mostrou por que o Brasil real vem dando uma banana para a direita e mantendo o PT no poder.
Finalmente, em 7 de agosto último – três dias antes da divulgação da pesquisa Datafolha que mostra que Dilma está em processo de recuperação de popularidade –, o post Popularidade de Dilma deverá se recuperar no segundo semestre se converte na cereja do bolo.
Abaixo, um trecho.
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“(…) Como se disse aqui anteriormente, o pessimismo esteve na raiz do aumento da indisposição popular com o governo federal e com a sua titular. Contudo, com o progressivo desmonte das previsões catastrofistas, isso deve mudar.
Quem esperava um desemprego maior no futuro próximo vai ver que isso não ocorreu. Quem esperava um surto inflacionário, idem.
Não parece absurdo, portanto, prever que Dilma possa começar a recuperar popularidade nos próximos meses. A frustração das previsões alarmistas, por si só, deve mostrar aos que acreditaram na mídia que as previsões dela não tinham fundamento (…)”
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Mais uma vez, estão me perguntando sobre uma “bola de cristal” que eu teria e que me fez prever tanto a queda pronunciada de Dilma nas pesquisas quanto que ela começaria a se recuperar neste segundo semestre.
Este post mostra que não há “bola de cristal” alguma. Era óbvio que multidões enfurecidas nas ruas iriam corroborar o que Marcio Pochmann chamou de “terrorismo econômico” e que aquilo prejudicaria mais a Dilma, mas também era óbvio que para o prejuízo durar a previsões pessimistas teriam que se confirmar. Foi simples assim.