Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 28 de julho de 2015

Almirante Othon peitou os EUA! O Putin deixava prender o Almirante Othon, Dilma ?




​O incansável Stanley Burburinho:​


O Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente da Eletronuclear, que foi preso hoje pela Lava Jato é antigo desafeto dos EUA. Veja o que ele disse em 2004:

“Almirante [presidente da Eletronuclear e preso hoje pela Lava Jato] denuncia: EUA enchem Brasil de espiões” 

Rio – O almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, considerado o pai do programa nuclear paralelo do Brasil, alertou esta semana que o Brasil precisa tomar muito cuidado com a pressão dos Estados Unidos sobre as suas pesquisas nucleares. Primeiro, alerta, O Brasil é um país infestado de espiões americanos, atentos a todos os movimentos que o País faz para ser mais independente. Segundo, os EUA não têm o menor interesse em que o Brasil seja autônomo em termos de defesa.

Para o almirante Othon Pinheiro, a razão dos americanos para barrar o domínio brasileiro e de outros países do ciclo do urânio está ligada a interesses estratégicos. Para um país agressivo, como os EUA, explicou o almirante, é muito mais difícil invadir um país capaz de desenvolver um artefato nuclear de pequeno porte. Por esta razão, um país que não tenha esta tecnologia -uma tecnologia que os americanos dominam amplamente -se torna muito mais fácil de subjugar.

Hoje na reserva, o almirante Othon Pinheiro afirma que é contra a assinatura de um protocolo adicional que aumente o controle sobre o programa nuclear brasileiro. Ele diz que, em tempos de democracia e transparência, é impossível esconder dos inspetores uma instalação nuclear. Segundo ele, as instalações nucleares brasileiras são inspecionadas regularmente, até com visitas-surpresa.

“O protocolo surgiu porque um dos países do Tratado de Não-Proliferação, Coréia ou Irã, tinha uma instalação nuclear não-declarada. Ele permite que se inspecione tudo a qualquer momento, até o banheiro das nossas casas. É desnecessário num país como o Brasil, democrático, com imprensa livre e com uma plantação de arapongas americanos. É impossível fazer uma instalação nuclear disfarçada aqui. Por isso, o protocolo é inaceitável”, diz ele.

O programa paralelo só ficou conhecido publicamente em 1987, quando o governo brasileiro anunciou o domínio do processo de enriquecimento de urânio. O programa custou cerca de US$ 1 bilhão. Para a Marinha conclui-lo, conseguir fazer o reator nuclear para seu submarino, seriam necessários mais US$ 200 milhões. No ritmo atual dos recursos, o programa só seria concluído em cem anos.

Durante 15 anos, Othon dirigiu a Coordenadoria para Projetos Especiais da Marinha (Copesp), responsável por um dos lugares mais secretos do País: o Centro Experimental de Aramar, em Iperó, onde foi desenvolvida a tecnologia nacional de enriquecimento de urânio por ultracentrifugação, que agora a Marinha fornece às Indústrias Nucleares do Brasil (INB).


http://www.parana-online.com.br/editoria/pais/news/79261/


Leia também:

DILMA, MANDAA S&P À M…! O PUTIN DEIXAVA PRENDER O OTHON?


MORO TEM MIRA CERTA:PETROBRAS E PROGRAMA NUCLEAR!


HABEAS CORPUS PARA O ALMIRANTE, JÁ!


DILMA, MANDA
A S&P À M…! O PUTIN
DEIXAVA PRENDER O OTHON?



O Putin deixava um juizeco de província prender um almirante, um engenheiro nuclear, responsável pelo programa russo de enriquecimento de urânio, pela bomba atomica ?

A Índia deixava o engenheiro construtor da sua bomba atômica ir em cana por ordem de um juizeco de província ?

O Paquistão deixava o construtor de sua bomba atômica ir em cana por ordem de um juizeco de província ?

E Israel, deixava um juizeco de província prender o construtor de seus cem artefatos ?

E os Estados Unidos, a França, a Inglaterra ?

Príncipe da Privataria , entre outros atos de lesa-pátria, assinou o Tratado de Não-Proliferação das Armas Nucleares e o Brasil se fez impedido de produzir a a bomba atômica !

Crime de Estado !

A Alemanha, a Noruega, a Suécia, a Argentina deixariam seu almirante Othon ir em cana, já que seus programas nucleares, como o brasileiro, estão submetidos à AIEA, a agencia da ONU para energia nuclear ?

Pergunta à Cristina K !

Não !

Sabe por que o Brasil se submete a tanta humilhação ?

Porque isso aqui é uma esculhambação.

Porque o Golpe é isso aí!

Ninguém tem peito de enfrentar esse juizeco de província, esse juiz sobrenatural.

Nem o Supremo, nem o Executivo !

Ajoelham-se todos diante da Vara de Guantánamo, do PiG e de seus superiores interesses: a Chevron  do Cerra !

É por isso que o Moro é valente !

(Até o Daniel Valente Dantas entrar na parada !)

O Moro é valente, como foram os Golpistas de 64, porque a Quarta Esquadra americana está e esteve a caminho, na Operaçao Brother Sam! (Veja o documentário “o dia que durou 21 anos”)

O Moro tem a Quarta Esquadra no litoral do Rio !

E também porque o Estado brasileiro não tem amor próprio !

Não se dá ao respeito !

O almirante se deixou corromper ?

Vamos submete-lo à Lei sem comprometer a segurança nacional !

Habeas Corpus para ele e um julgamento que não o exponha a um grampo de mictório, à tortura de uma delação premiada (premiada para o embaixador americano !).

O almirante tem 76 anos !

Isso só acontece porque o Governo Dilma só Governa para o ajuste !

Trocou o FMI por esses tamboretes de bancos americanos, as “agências de risco”, que  submetem o Brasil a periódicas chantagens: não mudo agora, mas quando a Urubologaquiser, a gente te rebaixa.

Manda elas todas  à m… !

O que aconteceu com a Rússia depois que as agencias “rebaixaram” o Putin ?

O Putin cuspiu nelas e reforçou os gastos em armamentos.

Porque é assim que se defende o interesse nacional: à bala, dizia o Floriano Peixoto !

No dia seguinte à entrega dos tesouros gregos aos bancos alemães, as agencias de risco elevaram a nota da Grécia !

Tem presidente de agencia de risco que foi preso nos Estados Unidos, por corrupção ativa e passiva !

Em conluio com os banqueiros que lesaram os incautos na crise de 2008 !

(Veja documentário “Inside Job”)

E aqui, os neolibeles instalados no Estado se borram de medo desses economistas de meia pataca, que arrumaram um empreguinho nas agencias de risco, porque não tem qualificação para trabalhar no FMI ou no Banco Mundial.

Melhor quando o Brasil era governado pelo FMI, nos bons tempos do FHC !

Pelo menos os economistas do FMI são de melhor nível.

Agora são esses que não passam num exame do ENEM.

Quem são eles ?

Como se chamam ?

Que livros escreveram ?

Que teses ?

Em que revistas de Economia ?

E o Governo Dilma se deixou cercar por eles.

O Delfim morria de dar risada do FMI.

Não cumpria nada do que prometia !

O Lula pagou o que devia ao FMI e emprestou dinheiro ao FMI.

E o Levy trata a S&P’s como se fossem oficiantes  da Catedral de Chartres.

E agora dizem que o Levy quer renegociar os juros dos caças suecos !

Só faltava essa !

O Levy trocar os caças suecos pelos da Boeing !

O Brasil se deixou sufocar.

Não resiste ao cerco.

Aceita a lógica do cerco.

E o Moro governa.

Tem Ministro da Justiça para peitar o Moro ?

Não tem ?

Cade o Supremo ?

Tem Conselho Nacional de Justiça ?

Não tem !

É isso o que faz a minoridade política do Brasil.


Isso é o que envergonha o Brasil diante do mundo.

É assim que o Brasil perde “o bonde da História” !

Porque o Brasil é irremediavelmente um vira-latas !

É por isso que o Brasil não tem peso nem nos BRICs.

Porque o Brasil não se dá ao respeito.

Não se leva a sério.

E vai enjaular o homem que desenvolveu o sistema próprio de enriquecimento de urânio numa cela contigua à de estuprador !

E vai obrigá-lo a cuspir os feijões para a Quarta Esquadra americana que está em cima do pré-sal, à espera de o Moro fechar Belo Monte !

Ou delata ou morre lá dentro !

Triste destino.

É a sina do 7 a 1.

A vocação para o pelourinho !

E o chicote nas mãos do Moro !

Chicote made in USA !

Paulo Henrique Amorim

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O doce triunfo do chanceler Celso Amorim sobre a mídia e os embaixadores de pijama

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A Veja (acima, ilustração publicada no site da revista) e a mídia em geral colocaram várias pedras no caminho de Amorim. No caso do Irã, a revista chamou de “explosivo” um acordo que tirava urânio do Irã e disse erroneamente que o ministro “costurou um acordo para desenvolvimento de tecnologia nuclear com o presidente do Irã”. Ou seja, aparentemente a turma da revista nem leu a Declaração de Teerã.

por Luiz Carlos Azenha

Quando viu Muammar Gaddafi fazendo gestos bruscos com um objeto na mão, dentro de uma tenda em um deserto nas proximidades de Trípoli, o então chanceler Celso Amorim chegou a imaginar que o líder líbio estava se autoflagelando diante de convidados importantes: o presidente Lula, o líder nicaraguense Daniel Ortega e o ex-presidente argelino Ben Bella.

Mas, não se tratava de um gesto de caráter religioso. Na verdade, Gaddafi usava uma espécie de abanador de fibra vegetal para se livrar das moscas que infestavam o ambiente.

Esta e muitas outras anedotas saborosas fazem parte do livro Teerã, Ramalá e Doha: memórias da política externa ativa e altiva, da editora Benvirá, o terceiro em que o ex-chanceler brasileiro narra fatos de sua passagem pelo Itamaraty. Os outros são Conversas com jovens dipomatas e Breves narrativas diplomáticas, lançados anteriormente pela mesma editora.

O novo livro — que será lançado em março em eventos no Rio, em São Paulo e Brasília — trata de alguns dos mais criticados aspectos da política externa que Amorim desenvolveu ao lado do ex-presidente Lula, a partir de 2002: a aproximação com o Irã e os países árabes.

Na mesma viagem em que encontrou Gaddafi, em dezembro de 2003, Lula já havia passado pela Síria, Líbano, Emirados Árabes Unidos e Egito. Lula foi criticado por se encontrar com Bashar al-Assad e Gaddafi, mas não com o emir de Abu Dhabi, aliado dos Estados Unidos.

Ao narrar a passagem por Tripoli, Amorim relembra: “Repetia [a mídia] aqui, com agravantes, o mesmo tipo de crítica que ouvimos em Damasco. Como podia o líder de um país democrático, que ascendera ao poder mediante eleições livres, ser recepcionado por um anfitrião que chefiava um regime sabidamente ditatorial? Mas, como na Síria, o que preocupava a nossa imprensa não era tanto a natureza autoritária ou ditatorial do regime, mas a falta de consulta prévia a Washington. Tanto assim que os mesmos veículos pareciam encarar com grande naturalidade os contatos de Colin Powell em Damasco e trataram de forma positiva, ou pelo menos indiferente, as viagens que os primeiros-ministros José María Aznar e Tony Blair viriam a fazer dentro de poucos meses à Líbia”.

Em outras palavras, os Estados Unidos podiam conversar com a Síria; o Reino Unido e a Espanha, com a Líbia. O Brasil, não!

A aproximação do Brasil com os países árabes, que culminou com a Cúpula América do Sul-Países Árabes (ASPA), além de ampliar mercados para produtos brasileiros visava reforçar um dos pilares centrais da política externa, a de promover o multilateralismo.

Mas a maior reação da mídia se deu contra a aproximação entre o Brasil e o Irã, que em 2010 resultou na Declaração de Teerã, pela qual o regime iraniano se comprometeu a “depositar 1200 quilos de urânio levemente enriquecido (LEU) na Turquia. Enquanto estiver na Turquia, esse urânio continuará a ser propriedade do Irã. O Irã e a AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica] poderão estacionar observadores para monitorar a guarda do urânio na Turquia”. Feito o depósito dentro de um mês, “com base no mesmo acordo, o Grupo de Viena deve entregar 120 quilos do combustível requerido para o Reator de Pesquisas de Teerã em não mais que um ano”.

O acordo, em outras palavras, tirava do Irã o urânio levemente enriquecido que em tese poderia ser utilizado para fabricar a bomba atômica.

Arquivo Escaneado 3

A iniciativa de Lula foi fuzilada pela mídia brasileira, com apoio dos “embaixadores de pijama” que serviram a FHC. O Brasil teria dado passo maior que a perna, disseram alguns. Teria sido usado pelos malévolos aiatolás, afirmaram outros.

Na verdade, a repercussão foi mundial.

Sobre a foto dos presidentes Lula, Mahmoud Ahmadinejad e do primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan, a revista Newsweek perguntou: “É este o futuro? O poder americano e seus limites”.

No texto, Fareed Zakaria constatou: “Raramente uma única fotografia irritou tanta gente”.

Ele se referia aos críticos direitistas do presidente Barack Obama. O Wall Street Journal definiu a imagem como o debacle da política externa de Obama. Para o neocon Charles Krauthammer, escrevendo no Washington Post, a cena em Teerã demonstrou como “poderes em ascensão, aliados tradicionais dos Estados Unidos, depois de ver o governo Obama em ação, decidiram que não existe custo em se aliar a inimigos dos Estados Unidos e nenhuma vantagem em se aliar a um presidente [Obama] dado a pedidos de desculpas e appeasement“.

Como se sabe, naquele período muito se falava num “inevitável” ataque militar de Israel ao Irã para eliminar o programa nuclear iraniano. Os falcões batiam o bumbo da guerra e, ainda que reflexivamente, eram imitados pelos seus amigos na mídia brasileira.

Obama, aliás, foi quem estimulou a iniciativa turco-brasileira. Pessoalmente e por escrito. Assessores dele não acreditavam no sucesso de Lula e Erdogan. Quando deu certo, trataram de puxar o tapete dos aliados.

Àquela altura, os Estados Unidos já pretendiam ir ao Conselho de Segurança da ONU em busca de aprovar sanções contra o Irã, o que conseguiram com o apoio de todo o clube atômico — Rússia, China, França e Reino Unido.

Hoje, ironicamente, os Estados Unidos perseguem, dentro do chamado P5, um acordo parecido com o obtido por Brasil e Turquia, porém mais amplo.

Para Celso Amorim, aceitar a Declaração de Teerã como primeiro passo teria tido vantagens. Se em 2010 o Irã dispunha de urânio levemente enriquecido para fazer uma bomba, no início de 2014 tinha para três ou quatro artefatos. Se Washington sempre perseguiu medidas de “confidence building” com Teerã, poderia tê-las celebrado muito antes. Além disso, a população iraniana teria sido poupada do sofrimento das sanções.

“Não podemos esquecer que há na região um Estado — Israel — que, sabidamente, detém poderoso arsenal atômico. Por isso, temos insistido que a solução duradoura para a questão reside na conclusão de um acordo que faça do Oriente Médio uma zona livre de armas nucleares”, escreve o ex-chanceler no livro.

A iniciativa brasileira em conjunto com a Turquia acabou mais festejada fora do que dentro do Brasil. Ainda em 2010, Amorim foi incluído em sétimo lugar na lista dos 100 Maiores Pensadores Globais da revista Foreign Policy.

Dois pesquisadores norte-americanos — John Tirman, do MIT, e Malcolm Byrne, do National Security Archives –, entrevistaram Celso Amorim sobre a iniciativa em 2013. Eles escrevem justamente sobre oportunidades perdidas em política externa.

Ao longo de Teerã, Ramalá e Doha: memórias da política externa ativa e altiva, Celso Amorim demonstra que não há espaço em política externa para o maniqueísmo, o simplismo e o saber rattling, frequentes nas colunas de jornal brasileiras.

É um prazer vê-lo descrever todas as nuances que informam as decisões de Estado.

O livro é isso: você é convidado a viajar com Celso Amorim pelos bastidores da diplomacia.
Cotejando o conteúdo das memórias de Amorim — e sua ênfase em soluções negociadas — com a realidade dos dias de hoje, fica subentendido o “doce triunfo” a que nos referimos no título: o Iraque, onde o Brasil foi um dos países mais vocais na oposição à ocupação dos Estados Unidos, foi demolido de tal forma que perdeu controle de parte do território para o chamado Estado Islâmico;  a Síria, onde o Brasil também rejeitou intervenção externa, está mergulhada em uma guerra civil que custou a vida de ao menos 200 mil pessoas; na Líbia, a intervenção da OTAN que derrubou Gaddafi — repudiada pelo Brasil — produziu o caos em um país que era estável e agora caminha para a desintegração; no Irã e em Cuba, grosseiramente, os Estados Unidos perseguem o caminho recomendado pelo Itamaraty.

[A produção de conteúdo exclusivo do Viomundo, como este, é bancada pelos nossos assinantes. Torne-se um deles!]

O ex-ministro atribui a ousadia da política que praticou no Itamaraty à liberdade de ação dada pelo presidente Lula. Segundo Amorim, o ex-presidente é um “asset” da política externa brasileira tão importante quanto Nelson Mandela foi para a África do Sul.

Sobre as críticas recebidas ao longo dos anos, o ex-chanceler adota uma postura olímpica: “Intrigava-me o fato de que aqui [no Brasil], ao contrário [de outros países], as tentativas que fizemos [de participar das grandes questões] eram em geral consideradas uma intromissão desnecessária e perigosa em temas que não nos diziam respeito. Eu me perguntava (e ainda me pergunto) a razão desse apego a uma posição secundária e de dependência, com raizes aparentemente tão profundas em nossos formadores de opinião. [...] De certa forma, é como se temêssemos assumir os ônus, que são uma decorrência natural do crescimento e da maturidade, e preferíssemos viver ao abrigo de uma metrópole, real ou imaginária, ainda que isso custe o abandono de oportunidades e o sacrifício de interesses”.
Traduzindo em português castiço: complexo de viralatas.

Veja abaixo alguns trechos de nossa entrevista com Celso Amorim, feita em Brasília (para ver a entrevista completa, clique aqui):

 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Os tucanos têm razão: é patriotismo, não é vira-latice

guararapes
A Aloysio o que é de Aloysio.
confiançadataQue apurou também um tal “índice de orgulho de ser brasileiro”, uma coisa meio estranha que, vá lá, eu reproduzo aí ao lado,
Vamos admitir que o tucano tenha razão..
Falta, pelo mesmo raciocínio, afirmar que a exacerbação do “espírito de vira-latas” também, segundo esta lógica, fosse o responsável pelos resultados anteriores, negativos.
Porque não foi isso que andaram repetindo, a torto e a direito, com o “vai ter crise” e o “não vai ter Copa”?
Um paisinho de m…, governado por incompetentes, que não ia dar conta de fazer uma Copa, não ?
Uma nação “porquera”, onde o cenário de pleno emprego, num mundo assolado pela desocupação, não valia nada, porque eram“empreguinhos de dois salários mínimos”, não é, Aécio?
Um lugar de gente incapaz, vagabunda, diferenciada, que não pode pegar o metrô em Higienópolis e quer se aposentar com “só” 35 anos de trabalho.
Enfim, uma “racinha” que “vota com o estômago” e está mais interessada em que haja financiamento para a casa própria do que com o superávit primário.
E que não entende que gastar R$ 1,7 bi (R$ 2,26 em dinheiro de hoje)  em uma nova sede administrativa para o Governo de Minas é mais importante que subsidiar moradia para os pobres.
Aliás, gente interessada também naquele salários  que estão “muito altos”, segundo as contas do aspirante a Ministro da Fazenda de Aécio, Armírio Fraga.
Mas os estrategistas tucanos esperam que tudo volte ao normal e que os holandeses – de preferência sem aqueles crioulos que andaram admitindo no seu time – ganhem a Copa e nos façam sentir um gostinho de Mauricio de Nassau, versão 2.1.
Como se sabe, o problema do Brasil é ter sido descoberto pelos portugueses, que fizeram aqui esta lambança étnica que começou com o negro Henrique Dias e o índio Filipe Camarão (que só viraram heróis nacionais no governo desta Dilma metida a populista)acharem que este país era também deles, não é?
Um país mestiço e moreno que brota tropicalmente sem pedir licença…
Mas isso, como se sabe, vai acabar depois da Copa.
E em vez dos gritos animados e orgulhosos dessa gente, ouviremos o cantar da chibata a “cantar”:
- Produtividade, seus vagabundos. Tomem arrocho, miseráveis. Vamos cumprir o dever de casa.
Da casa grande, por certo.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Petróleo que a mídia dizia não existir já enche 500 mil barris/dia


Ao longo dos últimos anos, o “viralatismo” midiático e tupiniquim se cansou de fazer previsão tão furada quanto as que fez sobre a Copa de 2014, que afundaram como o Titanic assim que a competição começou. A mídia tucana dizia que o petróleo que o governo Lula e, depois, o governo Dilma afirmaram que jorraria do pré-sal não passava de “propaganda do governo” e que, se esse petróleo existisse, demoraria 10, 20 anos para ser extraído.
Assim como nas previsões sobre o “dia do juízo final” na Copa, a mídia estrangeira foi na conversa da mídia “brasileira” e agora, tanto quanto no esporte, pagará mico também na economia.
No início do ano, o vetusto diário ianque Washington Post cravou espalhafatosa matéria sob inspiração dos vira-latas tupiniquins: “Petróleo do Brasil, da euforia à dura realidade”. O “Post” dizia que a “euforia” brasileira com o pré-sal era tiro de festim, pois a existência das reservas era questionável e, caso o petróleo existisse, iria “demorar a jorrar”.
Clique na imagem para visitar a matéria do “Post” original.


A mídia internacional, afinal de contas, vem vindo na onda da brasileira desde 2008, quando o governo Lula já avisava da imensa descoberta que mudaria o futuro da nação. Pobre mídia gringa…
Aqueles oráculos do “viralatismo” verde-amarelo eram os de sempre – e ainda são. Suas previsões furadas eram as de sempre – e ainda são. Assim como previram o caos na Copa, previram que o pré-sal era balela – mas, sobre essa, não terão como “prever” mais nada…
E ninguém melhor para ilustrar um texto sobre previsões furadas em economia do que ele, o bom e velho Carlos Alberto Sardemberg, quem, nos fins de noite globais, ao lado do sombrio Willian Waack protagoniza verdadeira sessão-depressão em rede nacional.
Artigo da pitonisa global afirmava: “Petróleo do pré-sal só existe na campanha do governo”
Clique na imagem para ler o artigo original, se quiser se irritar mais.

No ano seguinte, outro arauto do “viralatismo” pátrio comemorava: “E saiu só um tiquinho de petróleo do pré-sal no bloco Tupi”.
Clique na imagem para ler o artigo original, se for ainda mais masoquista.


Pois é nisso que dá acreditar nas “profecias” midiáticas: nesta terça-feira, 1º de julho de 2014, por conta da nova estratégia de comunicação do governo federal este blogueiro, entre outros, participará de evento comemorativo à marca de extração de 500 mil barris/dia de petróleo do pré-sal, com as presenças da presidente Dilma Rousseff e da presidente da Petrobrás, Maria das Graças Silva Foster, quem, à tarde, terá reunião com blogueiros, entre os quais este que escreve.
O evento será transmitido da sede da empresa, no Rio, e você, leitor, poderá acompanhar pelo blog da Petrobrás, o Fatos e Dados, ou diretamente pela NBR TV (a TV do governo federal), a partir das 11hs.
O que era “propaganda do governo” ou “um tiquinho” de petróleo virou 500 mil barris/dia. Se você acreditou na mídia – e, o que é pior, se é investidor do mercado financeiro, acreditou na mídia e não apostou no pré-sal -, azar o seu. Quem mandou acreditar em propaganda político-partidária? Continue tomando decisões financeiras importantes baseado no pessimismo crônico da mídia e vai continuar tomando na cabeça.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Santayana e os EUA. Acabou a vassalagem !

Conversações na Casa Branca

por  Mauro Santayana

A primeira referência séria de um líder norte-americano sobre o Brasil foi de Thomas Jefferson. Em maio de 1787 – quando era embaixador em Paris, dois anos antes da reunião dos Estados Gerais e da descoberta da conspiração de Vila Rica – Jefferson se encontrou, em Nimes, no sul da França, com José Joaquim da Maia, que lhe falou sobre a possível independência do Brasil e das relações que poderiam estabelecer-se entre as duas nações, que ocupavam posição predominante no sul e no norte do hemisfério ocidental.


Jefferson enviou seu relatório, bem divulgado pelos historiadores brasileiros, ao futuro Secretário de Estado, John Jay. O documento não tratava somente do Brasil, mas, também, do México e do Peru. No caso brasileiro, além de relatar o que lhe dissera José Joaquim da Maia sobre as riquezas brasileiras, a situação estratégica do Brasil e a possibilidade de uma insurreição vitoriosa – se os brasileiros tivessem armas e alguma assistência militar  que estavam dispostos a pagar, conforme seu interlocutor – Jefferson prevê vantagens comerciais para o seu país.


A personalidade de Joaquim José da Maia não é muito conhecida. Não se tem notícia de outra presença sua na História, além do encontro com Jefferson. No ano seguinte, ainda muito jovem, ele morreria.  Mas o fato levanta a hipótese de que a conjuração mineira já se encontrava em andamento, e tinha presença entre os estudantes brasileiros de Montpellier – a maioria deles das Minas. Coube a Domingos Vidal Barbosa, como registram os Autos da Devassa da Inconfidência, levar a informação da posição de Jefferson aos inconfidentes.


O mesmo Jefferson voltará a referir-se ao Brasil, 30 anos depois, em carta a La Fayette, seu amigo e um dos combatentes na Guerra da Independência dos Estados Unidos. Retirado em Monticello, o grande homem de Estado comenta os assuntos do mundo e de seu país. Ao discutir os problemas continentais, refere-se ao Brasil – a correspondência é de 14 de maio de 1817, quando a Revolução Pernambucana, iniciada em 6 de março, lhe  parecia vitoriosa, embora naquela mesma semana as tropas legalistas tivessem sitiado o movimento, que seria logo debelado. Diz então Jefferson a Lafayette (Jefferson, Writings, The Library of America, 1984, pag. 1409) que Portugal, ávido em manter suas extensões no sul, acabara de perder a rica província de Pernambuco, e que ele não se espantaria se os brasileiros mandassem logo de volta a Portugal sua família real. E se referia ao Brasil como mais populoso, muitíssimo mais extenso, mais rico e mais sábio do que a metrópole.


Ao longo destes dois séculos e algumas décadas de vida das duas nações, poderíamos ter encontrado  convivência melhor, mas os norte-americanos – talvez com exceção de Jefferson e alguns poucos mais – sempre nos viram como inferiores e sujeitos à sua vontade. Faltou-nos falar-lhes sem arrogância, mas com firmeza. É constrangedor anotar que, salvo em alguns momentos, como os de Getúlio, no Brasil, e Franklin Roosevelt (não Ted) nos Estados Unidos, os gestos de subserviência partiram das  próprias elites brasileiras.


A visita da presidente Dilma Roussef a Washington está sendo vista, por certos observadores, como de poucos resultados. Entre outros fatos, apontam que não lhe foi oferecido um jantar de gala, mas simples almoço de trabalho. Trata-se de bom sinal: a austeridade do encontro demonstra que, nas conversações preliminares, os diplomatas norte-americanos  perceberam que a chefe de Estado não chegava aos Estados Unidos para o ritual de vassalagem – conforme ocorria em certo período de nosso passado quase recente – mas como representante de uma nação soberana, disposta a discutir assuntos de interesse recíproco, de forma séria e honrada.


Ao não transformar uma conversa de trabalho em jantar de gala, Obama tratou o Brasil como o Brasil quer ser tratado: um país que não se deixa engambelar por homenagens dessa natureza. Não somos mais dirigidos por personalidades  deslumbradas, que se sentem engrandecidas quando são conduzidas ao Palácio de Buckingham em carruagens puxadas a cavalos brancos e de arneses prateados, a fim de serem recebidos por uma rainha astuta.


As relações entre os dois países podem, e devem, ser melhores do que nunca foram – desde que os norte-americanos nos vejam em nossa devida dimensão. O Brasil, ao contrário de certos desavisados, não tem a pretensão de liderar os paises sulamericanos, mas sente o dever de defender a autodeterminação de seus vizinhos, como defende a própria. Não queremos que nos estendam o tapete vermelho, mas que nos recebam com o respeito que os amigos se merecem. Pelo menos, este é o sentimento do povo brasileiro, ainda que não seja o de todos os seus diplomatas e homens públicos.


A viagem de Dilma Roussef deve ser entendida como um êxito. Tratou-se de uma conversa franca, e não de troca de amabilidades chochas, ditadas pelas conveniências da diplomacia. O confronto de interesses entre os dois grandes países é normal. Anormal seria a subordinação dos interesses de um aos interesses do outro. As discórdias se resolvem nos acordos e tratados, sempre que em benefício comum.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Economia goleia os adivinhos da mídia


 
Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:

O início de um novo ano costuma ser saudado com a louvação da modernidade, as previsões sobre assuntos variados e a projeção de estatísticas futuras com base nos números do ano que se encerra. Nesta primeira semana de janeiro, porém, a sombra de uma crise internacional impõe um clima diferente daquele que marcou a inauguração de 2011.



Há um ano, os jornais destacavam, com alguma estranheza, que os brasileiros eram o segundo povo mais otimista do mundo, entre 53 países pesquisados. Afinal, diziam os especialistas, o Brasil não escaparia das consequências da crise que já se instalava no hemisfério norte. Mas o mercado interno aquecido garantia a sensação de bem-estar e a esperança de um ano bom.

Neste começo de 2012, os futurólogos andam cautelosos. Segundo o Estado de S.Paulo de terça-feira (3/1), diante do cenário internacional complicado, nem mesmo o governo se arrisca a fazer adivinhações, especialmente no setor de exportações.

Aposta errada

O país fechou o ano com um acréscimo de US$ 63 bilhões em suas reservas, que agora totalizam US$ 352 bilhões, mantendo o 11º ano consecutivo de aumento na acumulação de moeda estrangeira, como forma de se garantir em caso de maiores turbulências no cenário global.

Esse dado é relevante para os especialistas que alimentam o planejamento estratégico de empresas, investidores e gestores públicos. Principalmente quando se tem uma percepção mais clara do estilo do governo.

Em agosto passado, quando o Banco Central inverteu a política de juros, surpreendendo os analistas, a imprensa constatou que há uma estratégia clara na condução da economia, e que as medidas emergenciais não representam necessariamente mudança de rumo. Talvez por essa razão, pode-se notar uma alteração na abordagem dos especialistas nos últimos meses do ano, em relação aos textos do primeiro semestre.

Mais do que especular, os analistas passaram a tentar entender as ações de curto prazo, como as medidas de incentivo à produção nacional de automóveis. Os setores industriais que ficaram amarrados pelas previsões mais pessimistas acabaram perdendo oportunidades.

Embora os números da produção industrial de 2011 ainda não tenham sido divulgados, dados preliminares indicam que, ao apostar num crescimento muito tímido do Produto Interno Bruto, a indústria acabou inibindo investimentos e perdendo oportunidades de receita.

Validade vencida

O Globo destaca que o comércio exterior bateu todas as expectativas e marcou novo recorde em 2011. Segundo o Estado de S.Paulo, esse foi um dos quesitos em que os analistas mais erraram nas previsões feitas há um ano. A aposta para o superávit comercial foi tímida – em torno de US$ 8 bilhões – e o ano terminou com um número quatro vezes maior, de quase US$ 30 bilhões.

O investimento estrangeiro direto foi outro item do desempenho da economia nacional em que os analistas erraram feio, por excesso de conservadorismo: em janeiro de 2011, a média prevista pelos especialistas era de um total de US$ 39,5 bilhões para os doze meses seguintes – e encerramos o ano com um número 60% superior, ou seja, os investidores estrangeiros apostaram US$ 63 bilhões no Brasil. Como diz o Estadão, “a realidade ganhou de goleada do mercado financeiro em 2011”.

Se os principais especialistas, aqueles que orientam as decisões do mercado, erram tanto, por que razão, todo início de ano, se arma o circo de apostas? Além disso, sabe-se que os orçamentos das empresas para o ano que se inicia já estão prontos desde outubro do ano anterior e que as previsões de janeiro têm pouca ou nenhuma influência nas escolhas dos gestores.

A resposta está na própria imprensa: há muito tempo o noticiário econômico vem sendo influenciado por um viés político que distorce a informação técnica. Além disso, persiste na maioria dos analistas uma visão parcial da economia, que não leva em conta certos fatores pouco tangíveis.

Um desses elementos é o chamado humor do mercado, ou seja, a disposição que os agentes econômicos manifestam para correr risco ou poupar recursos. Outro aspecto pouco considerado é a influência cada vez maior de elementos extraeconômicos no desempenho da economia – como, por exemplo, os fatores climáticos ou o estado de espírito de grupos sociais.

Numa sociedade altamente conectada, como é o ambiente em que vivemos, o analista precisa enxergar não apenas o aspecto linear das relações sociais e econômicas, mas também o conjunto das conexões e o todo da grande rede social.

Mas o mais provável é que a imprensa que conhecemos, por sua linguagem e seu formato limitados, não seja capaz de interpretar a complexidade do mundo contemporâneo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

'Yes, we care' do PSDB vira gozação



O PT ironizou hoje a sugestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que o PSDB adote como bandeira o lema "Yes, we care" ("Sim, nós nos preocupamos"), numa adaptação de "Yes, we can" ("Sim, nós podemos"), usado na campanha de Barack Obama à Presidência dos EUA, em 2008. "Enquanto a oposição conservadora macaqueia em seminários um slogan americano, imaginando assim aproximar-se do povo, o governo vem mantendo a iniciativa das ações dando prioridade à garantia de continuidade das conquistas econômicas e sociais do povo brasileiro", diz a resolução da Executiva petista. O texto afirma, ainda, que foi "igualmente frustrada" a tentativa dos adversários de "gerar crises" no âmbito dos ministérios e na base de sustentação do governo no Congresso.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Se fosse no Brasil...



SEGUNDA-FEIRA, 14 DE MARÇO DE 2011


O locutor da emissora de rádio paulistana que comentava, na sexta-feira de manhã, a tragédia no Japão, não se fez de rogado e puxou o assunto para os seus companheiros de programa:
-  Só 300 mortos. Se fosse no Brasil...
Aí se seguiu uma série de disparates que mostra quanto mal fez aos brasileiros esses anos todos em que o país viveu como uma colônia americana, como o primo pobre que só sabe lamentar a sua triste situação e invejar os feitos do parente afortunado.
Se fosse no Brasil...
É incrível como ainda existem pessoas capazes de ignorar que o Brasil já deixou para trás a sua condição de pobre coitado e hoje é respeitado mundialmente, em todas as áreas. 
É incrível como parte de nossa imprensa ainda se apega a chavões e mentiras para manter a auto-estima do povo lá embaixo, cultivando a "síndrome do vira-lata" de maneira incessante.
Se fosse no Brasil...
Ora, tragédias como as que se abateram no Japão e na região serrana do Rio de Janeiro não podem sequer ser comparadas, pois são de natureza completamente distintas.
A única semelhança entre ambas é o fato de que são incomensuravelmente maiores que a capacidade do ser humano de prevení-las. No Japão ou no Brasil ou em qualquer parte do mundo.
Eventos como esses devem, isso sim, servir como exemplos para que o homem reflita sobre os rumos que impõe à sua vida miserável neste planeta, para que compreenda as suas limitações e repense sobre os terríveis erros que vem cometendo século após século.
São avisos que a natureza dá. Ouve quem quer ouvir. 

Comentários do apedeuta.

Curtindo um pouco a vida, peguei estrada aqui no RS, e fui ver 
as lindas regiões por aqui. 
Comecei bem cedo , as 6:00 já estava na estrada , sintonizo 89.30 Mhz , acho que trans-américa, não tenho certeza. Quando olhei para o relógio , já passavam das 13:00 , e até aquela hora , ..............não havia ouvido nenhuma música em português , seja lá qual for , nada.......
Alguém que leia estas mal traçadas linhas poderia me perguntar , qual o motivo de não mudar a estação.
Viajei mais de 6 hs , era a única que pegava por onde eu estivesse. Coincidência?
Seguindo , estava perto da região de Cambará do Sul , lindíssima, entra o locutor da rádio, com a pérola, entre as  músicas.
"Brasil foi o país  que mais apresentou problemas em relação ao fornecimento de energia no ano de 2010. Os três grandes apagões , demonstraram as fragilidades do sistema"....
Desisti e continuei a viajem sem música mesmo.



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Um pouco do mesmo: a mídia em 2011


publicada sexta-feira, 14/01/2011 às 09:20 e atualizada sexta-feira, 14/01/2011 às 09:20
por Izaías Almada
Tudo indica que a temporada de caça ao governo Lula e agora ao governo Dilma vai continuar por parte da velha mídia. Natural pelo lado de quem faz oposição, mas irresponsável e antibrasileiro por outro, pela maneira e desfaçatez com que é feita. Evidencia-se quase que uma obsessão, onde a frustração, a inveja e o preconceito são bem maiores do que aquilo que se poderia imaginar. E a má fé também, não sendo apenas retórica eleitoral.  Motivos para isso – é claro – nunca irão faltar. E se por acaso faltarem, não há problema: inventam-se novos. Não tem sido assim nos últimos oito anos?
Embora se possa argumentar que boa parte do povo brasileiro já não dá ouvidos a uma imprensa venal, manipuladora e que se considera acima do bem e do mal, ainda assim ela continua a causar estragos e – o que é mais grave, até por ser uma vitória parcial desse nocivo conglomerado midiático – consegue propositadamente misturar alhos com bugalhos e lançar a dúvida, a descrença e a desesperança em muitos corações e mentes. Um povo ignorante de seus direitos ou sem discernimento sobre muitas das questões que lhe afetam no dia a dia é sempre mais fácil de manipular. A democracia que se vende não é exatamente aquela que se pratica.
Se, por exemplo, o uso indevido e indiscriminado de passaportes diplomáticos tem sido usado há muitos anos por autoridades (sic) brasileiras, por qual motivo só agora, quando beneficiariam os filhos do presidente Lula, foram denunciados como graves crimes de favorecimento? Que se devolvam, então, todos os passaportes ilegalmente distribuídos, se a lei assim o determina, para todos aqueles que se julgam acima dela, provavelmente incluindo-se aí nesta lista alguns figurões dos nossos meios de comunicação, empresários e políticos de TODOS os partidos.

E a tentativa capciosa de desviar a atenção dos leitores, ouvintes e telespectadores com questões mundanas sobre a nova presidenta Dilma Roussef? Bobagens e idiotices como saber se estava bem vestida no dia da posse, especular sobre o seu apoio ou não aos estilistas de moda brasileiros, sobre o seu novo cabeleireiro, suas eventuais ligações à Tradicional Família Mineira e os bailes da sociedade belorizontina quando adolescente. Assuntos sérios e relevantes, como se pode notar.
E agora, com a temporada de chuvas, deslizamentos e alagamento, a hipocrisia e o cinismo chegam quase à perfeição. No Rio de Janeiro, o culpado pela tragédia é o governo federal. Em São Paulo, estado e capital, exemplos de grandes administrações públicas, a responsabilidade é da natureza, para não dizer de Deus, pois a mídia, mesmo livrando a cara do governo demo tucano, ficaria mal com a Opus Dei. Pior ainda: seria temerário equiparar Deus e Lula, jogá-los no mesmo samburá… Não por temerem a Deus, é claro, mas por temerem aumentar a popularidade do ex-presidente, colocado em tão honrosa companhia.
E assim começa o novo ano, o novo governo. Renovam-se expectativas, esperanças e temores. A sociedade contemporânea com suas invenções e tecnologias, seu consumismo desenfreado, define o que devemos comprar, o que devemos vestir, o que devemos pensar, a quem devemos amar ou odiar, nesse vale-tudo ideológico e cultural, onde uma sinfonia de Beethoven ou um chorinho de Pixinguinha têm menos valor que uma cena degradante de um BBB; onde a televisão e a internet ensinam como o cidadão deve odiar e atirar numa deputada em Tucson, ou ainda como leiloar um jogador de futebol, atualmente mais famoso pelas suas noitadas do que pelos gols que marca.
Berlusconi é um exemplo de ética e moralidade pública. Obama, o prêmio Nobel da Paz aprova o maior orçamento militar da história dos EUA, os vazamentos wikis confirmam para o mundo como é que se faz política de dominação e a Cuba do ditador Fidel Castro envia 1200 médicos para ajudar a combater a cólera no Haiti.
Engraçado, acho que essa última frase ficou fora do contexto…
Izaías Almada é escritor, dramaturgo, autor – entre outros – do livro “Teatro de Arena: uma estética de resistência” (Boitempo) e “Venezuela povo e Forças Armadas” (Caros Amigos).