Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Zé Cardozo vai investigar a Veja ?


O ex-Ministro José Dirceu revelou que um repórter da Veja, o detrito de maré baixa, tentou por duas vezes invadir o apartamento dele num hotel de Brasília.

Dirceu registrou o BO.

Trata-se de uma denúncia gravíssima.

Um órgão dito de imprensa, de uma empresa que explora livros didáticos e compartilha uma empresa de TV a cabo tem o direito de fazer isso e sair, assim, de fininho ?

É para isso a liberdade de imprensa ?

Na Inglaterra, o Murdoch teve que fechar o tablóide sensacionalista News of the World debaixo da pressão do Primeiro Ministro, do Ministro da Justiça e da opinião pública.

Diretores e jornalistas do Murdoch foram em cana, porque realizavam ou coonestavam o grampo.

Murdoch fugiu para os Estados Unidos, contratou 1002 advogados e espera que nada aconteça com ele por lá.

Murdoch nasceu na Austrália, destruiu a imprensa da Inglaterra e se naturalizou americano.

Leonel Brizola se perguntava quantos passaportes tinha o Sr Civita, dono da Abril e que contribuiu para enlamear a imprensa brasileira.

Ele é americano, brasileiro ou italiano ?

Se o “invadido” fosse um ex-ministro tucano ?

Fosse, por exemplo, o Padim Pade Cerra, o maior Ministro da Saúde do Brasil segundo Nelson Johnbim.

Imagine, amigo navegante, se um repórter de um blog sujo tentasse invadir o apartamento do Padim, em Brasília.

Estaria em cana, já nesta manhã de sol, debaixo das pedradas do PiG (*) (que se calou diante da invasão ao apartamento do Dirceu).

A ANJ da dra. Judith Brito teria entrado ao vivo, por 28 minutos, no jornal nacional.

Como o José Dirceu não é tucano nem queridinho do PiG (*), pergunta-se: o que fará o Zé – clique aqui para saber por que e quem o chama de – Cardozo ?

Ele tem medo da Veja ?

O Cardozo vai se coçar ?


Não


Ele tem medo do PiG

Sim


Ele é ministro da JUSTIÇA



Clique aqui e vote !


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Jornais coreanos entram em extinção em 10 anos



Três principais jornais sul-coreanos sofrem pesadamente com a fuga de anunciantes e a queda no número de leitores.
Na terra que se gaba de ter uma das mais redes de internet mais velozes do mundo e boa parte da população conectada a smartphones poderosos, os jornais impressos sul-coreanos parecem estar com os dias contados.
"Em uma década eles chegarão ao fim", prevê o professor Kwang Yung Choo, da Universidade Nacional de Seul e diretor do programa SNU-LG Press Fellowship, uma iniciativa entre o Instituto de Pesquisa em Comunicação da universidade e a LG Sangnam Press Foundation que, desde 1997, trouxe 128 jornalistas de 15 países para estudar na Coreia.
Atualmente, os três principais jornais sul-coreanos têm uma tiragem de dois milhões de exemplares por dia cada.
O problema, contudo, é que os títulos The Chosun Ilbo, The Dong-A Ilbo e JoongAng Daily estão sofrendo pesadamente com a fuga de anunciantes e a queda no número de leitores, situação que tem levado todos a investirem em plataformas digitais.
A nova geração não lê mais jornal, conta o professor. Eles ficam o dia todo com os olhos na tela dos celulares.
"De 18 anos para baixo ninguém mais lê jornal em papel neste país. E mesmo os mais velhos estão lendo com menos freqüência. A queda nas vendas não permitirá que os jornais coreanos sobrevivam por mais de 10 anos. No mundo, a tendência é a mesma, mais cedo ou mais tarde", alerta o professor.
Diante do novo mundo globalizado, digitalizado e móvel, Yung Choo sugere que os grandes grupos de comunicação repensem sua plataforma, o que levará à migração do papel para a tela de computador, tablet ou celular. O meio papel tende a acabar, mas os jornalistas e suas empresas não. O formato, contudo, tem que mudar.
O professor recomenda ainda que os veículos avaliem seriamente a prioridade dada às notícias.
"É inaceitável que uma menina de 17 anos, seja ela modelo ou cantora, tenha mais destaque em uma publicação que o presidente do país. Trata-se de algo ridículo, estúpido e de um sensacionalismo sem precedentes."
O professor dá como exemplo a ser seguido o jornal americano The New York Times que, segundo ele, jamais desperdiça papel com histórias irrelevantes.
É o conceito chamado de "fit to print", que só leva em consideração a publicação de uma matéria quando ela realmente tem qualidade e valor para o leitor.
A repórter do Brasil Econômico está em Seul, capital da Coreia do Sul, participando de um curso de três semanas em cultura coreana oferecido pela Universidade Nacional de Seul e da Fundação LG. Confira mais novidades na seção "Direto da Coreia"

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Venício e a Ley de Medios americana.Aqui, nem pensar ! A Globo não quer

 

Hundt e Ali Kamel: que filosofia prevalecerá ?
O Conversa Afiada reproduz artigo do professor Venício A. de Lima, antes publicado no Observatório da Imprensa.

REGULAÇÃO EM DEBATE

Reed Hundt, a FCC e o Brasil

Por Venício A. de Lima

A edição nº 604 do Observatório da Imprensa na TV, programa dirigido pelo jornalista Alberto Dines (TV Brasil, terças-feiras, 22h) exibido em 2 de agosto último, dedicou-se a debater a entrevista de Reed Hundt, ex-presidente da Federal Communications Commission (no período 1993-1997) – o órgão regulador das comunicações nos Estados Unidos –, concedida ao correspondente Lucas Mendes, em Washington, no início de julho (o vídeo do programa está disponível aqui).

Creio ter sido esta a primeira vez que um canal de televisão no nosso país discute como é feita a regulação da mídia nos EUA por uma comissão federal criada há mais de 77 anos, e que hoje “regula as comunicações interestaduais e internacionais via rádio, televisão, fio, satélite e cabo” (ver aquia declaração de princípios da FCC).

A ausência histórica dessa pauta na grande mídia brasileira é eloquente por si mesmo.

Registre-se que Reed Hundt é um legítimo representante da business community americana, tendo sido um dos responsáveis pelas negociações na OMC que definiram as regras para a onda mundial de privatizações nas telecomunicações, inclusive no Brasil (cf. Venício A. de Lima, Mídia: Teoria e Política, Perseu Abramo, 2001; cap. 3). Sua entrevista, em 2011, nos remete a outras e revela – ainda uma vez mais – como estamos incrivelmente atrasados quando se fala em regulação das comunicações.

A defesa da regulação

Quando aqui esteve em 1995 – 16 anos atrás –, Hundt foi celebrado pela IstoÉ como “o revolucionário americano”. Ele comandava, segundo a revista, “o admirável mundo novo construído a partir de fibras óticas, satélites, telefones, computadores, televisão, rádio e outros veículos de comunicação”, vale dizer, a “era das comunicações”.

Trata-se, por óbvio, de posições expressas por Hundt, não necessariamente o que de fato veio a prevalecer no setor de comunicações nos EUA, mas da longa entrevista realizada por Osmar Freitas Jr., ainda em Washington (cf. IstoÉ nº 1362, de 8/11/1995; pp. 4-7), vale destacar: a defesa da regulação das novas tecnologias; da imparcialidade política da televisão; da necessária isenção dos reguladores; e o compromisso com a competição no mercado e com o interesse público.

Perguntado “por que um país necessita de uma organização governamental [a FCC] interferindo no setor de comunicações”, Hundt respondeu:

“Principalmente porque é indispensável, dentro da área de comunicações, a presença de experts regulando o uso da tecnologia de comunicações (sic) e não permitindo que esta tecnologia seja usada para favorecimentos apenas parciais. Nós não queremos, por exemplo, que a televisão deste país seja apenas republicana, ou apenas democrata, apoiando um único partido. Queremos que a televisão americana seja a mais imparcial possível. Também não se pode admitir que os reguladores – aqueles que fazem as regras – sejam parciais”.

Depois, perguntado “como são realizados os entendimentos entre o Estado e o setor privado nos EUA”, respondeu:

“Como se sabe, nós americanos somos realmente um modelo no que diz respeito à competição de mercado (…). A razão pela qual nós acreditamos e apoiamos a concorrência não é por acharmos que o mercado pode regular tudo ou irá resolver todos os problemas. (…) A competição no mercado ajuda a combater o desemprego, criando novos trabalhos e abrindo novos campos de ação. Nós temos dois ideais principais em nossa política de comunicações. Primeiro, é o incentivo da competição do setor privado. E o segundo é o de promoção de benefícios públicos. Entendemos que a revolução das comunicações tem de promover benefícios públicos para todo mundo. Nos não podemos ser um país de riquezas privadas e pobreza pública. Nós temos que ser um país de riqueza privada e riqueza pública. A tecnologia de comunicações pode proporcionar esta equação.”

Mais tarde, Hundt foi ser consultor da McKinsey & Co. entre 1998 e 2009, uma das maiores empresas de consultoria do mundo, responsável direta pelo “desenho” do processo de privatização das telecomunicações realizado no Brasil. Os republicanos liderados por Michael Powell – filho do ex-secretário de Estado Colin Powell durante o governo Bush – iniciaram, então, um processo de “flexibilização” das regras que restringem a propriedade cruzada da mídia nos EUA.

Hundt reagiu a essa política por meio de uma incisiva entrevista concedida a Erick Boehlert na Salon.com, em maio de 2003, na qual ele antecipa que a desregulamentação interessava e beneficiaria politicamente aos conservadores em detrimento da multiplicidade de vozes na mídia (ver aquia íntegra da entrevista).

O que você acredita estar por trás das pressões pela desregulamentação?

– Eu acredito que fundamentalmente o que temos é um debate político (…).

Quem serão os grande vencedores?

– Bem, o movimento conservador controla a FCC, as cortes de Justiça, o Congresso, a Casa Branca.

Então você acredita que a política é mais do que uma pequena parte do que está acontecendo?

– A política é sempre a maior parte de toda [medida] antitruste, e o debate agora é “como aplicar antitruste à mídia?”, o que tem sido o trabalho tradicional da FCC. Assim, não surpreende que a política constitua a maior influência determinante no que vai acontecer.

(…)

E porque [o presidente Clinton]se opôs à propriedade cruzada entre jornais e televisão?

– Porque ele acreditava que todos os diferentes pontos de vista deveriam ter voz na comunicação de massa. Essa não é uma idéia radical. No passado, os Republicanos também acreditavam nisso.

(…)

Quando a FCC de fato abandonou a tarefa de regular?

– Eu não creio que abandonou (…). É regulação insistir numa estrutura de mercado que garanta múltiplas vozes. Isso é regulação boa, saudável. Nós não precisamos de regulação que diga às pessoas o que falar. Mas a política antitruste sempre tem sido usada para promover a diversidade em todas as indústrias. E nunca existiu uma indústria onde [a política antitruste] seja tão importante quanto a mídia.

Curiosamente, na entrevista concedida ao Observatório na TV, em 2011, apesar de manter seu compromisso com a necessidade de intervenção do Estado para garantir a competição no mercado e, assim, garantir o sucesso da iniciativa privada, Hundt já não acredita na necessidade de controles à propriedade cruzada nos EUA. Segundo ele, “no mundo virtual” (?!) não há mais investidores interessados na mídia impressa.

Não é isso o que pensa a própria FCC nem o Judiciário nos EUA (ver “Propriedade cruzada, lá e cá”). Ademais, a propriedade cruzada não se reduz ao controle simultâneo, no mesmo mercado, de mídia impressa e eletrônica.

Lições para o Brasil

De qualquer maneira, merecem registro as posições de Reed Hundt sobre a regulação das comunicações. Entre nós o tema não é sequer discutido na grande mídia. E, faz tempo, aguarda-se que o Poder Executivo apresente à sociedade uma proposta de marco regulatório para o setor.

Não há dúvida: neste campo estamos – mesmo – muito atrasados.

***

[Venício A. de Lima é professor titular da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011]

terça-feira, 9 de agosto de 2011

FAB responde ao Fantástico.

Publicado em 09/08/2011
É assim que o PiG (*) quer que você, amigo navegante, veja o "caosaéreo"

O Conversa Afiada reproduz nota da FAB, onde repudia reportagem do Fantástico:

Nota Oficial – Esclarecimentos sobre reportagem do Fantástico exibida em 07/08/2011


O Comando da Aeronáutica repudia veementemente o teor da reportagem do jornalista Walmir Salaro, levada ao ar no Fantástico deste domingo, sete de agosto, e no Bom Dia Brasil desta segunda-feira, oito de agosto.


A matéria em questão parte de princípios incorretos e de denúncias infundadas para passar à população brasileira a falsa impressão de que voar no Brasil não é seguro. A reportagem contradiz os princípios editoriais da própria Rede Globo ao apresentar argumentos com falta de Correção e falta de Isenção, itens considerados pela própria emissora como sendo atributos da informação de qualidade.


O jornalista embarcou em uma aeronave de pequeno porte (aviação geral), que tem características como nível de voo, rota, classificação e regras de controle aéreo diferentes dos voos comerciais. A matéria trata os voos sob condições visuais e instrumentos como se obedecessem as mesmas regras de controle de tráfego aéreo, levando o espectador a uma percepção errada.


O piloto demonstra espanto ao avistar outras aeronaves sobre o Rio de Janeiro e São Paulo, dando um tom sensacionalista a uma situação perfeitamente normal e controlada que ocorre sobre qualquer grande cidade do mundo. Nesse sentido, causa estranheza que a reportagem tenha mostrado a proximidade dos aviões como algo perigoso para os passageiros no Brasil. As próprias imagens revelam níveis de voo diferenciados, além de rotas distintas.


Além disto, o piloto que opta por regras de voo visual, só terá seu voo autorizado se estiver em condições de observar as demais aeronaves em sua rota, de acordo com as regras de tráfego aéreo que deveriam ser de seu pleno conhecimento. Mesmo assim, o piloto receberá, ainda, avisos sobre outros voos em áreas próximas.


Foi exatamente o que ocorreu durante a reportagem, que mostra o contato constante dos controladores de tráfego aéreo com o piloto. Desde a decolagem foram passadas informações detalhadas sobre os demais tráfegos aéreos na região, sem que houvesse qualquer perigo para as aeronaves envolvidas.


A respeito da dificuldade demonstrada em conseguir contato com o serviço meteorológico, é interessante lembrar que há várias frequências disponíveis para contato com o Serviço de Informações Meteorológicas para Aeronaves em Voo (VOLMET), que está disponível 24 horas por dia em todo o país. Além destas, há frequências de ATIS (Serviço Automático de Informação em Terminal) que fornecem continuamente, por meio de mensagem gravada e constantemente atualizada, entre outros dados, as condições meteorológicas reinantes em determinada Área Terminal, bem como em seus aeroportos. Como, aliás, é o caso da Terminal de Belo Horizonte, incluindo os aeroportos da Pampulha e de Confins.


Ressalte-se que, a despeito da operação de tais serviços, todos os pilotos têm a obrigação de obter informações meteorológicas antes do voo pessoalmente nas Salas de Informações Aeronáuticas dos aeroportos, por telefone ou até pela internet.


Ao realizar o voo sem, possivelmente, ter acessado previamente informações meteorológicas, o piloto expôs a equipe de reportagem a uma situação de risco desnecessário. Tratou-se, obviamente, de mais um traço sensacionalista e sem conteúdo informativo.


A respeito do momento da reportagem em que o controle do espaço aéreo diz que não tem visualização da aeronave, cabe esclarecer que o voo realizado pela equipe do Fantástico ocorreu à baixa altitude, em regras de voos visuais, uma situação diferente dos voos comerciais regulares.


Na faixa de altitude utilizada por aeronaves como das empresas TAM e GOL, extensamente mostradas durante a reportagem, há cobertura radar sobre todo o território brasileiro. Para isso, existem hoje 170 radares de controle do espaço aéreo no país. Como dito acima, é feita uma confusão entre perfis de voos completamente diferentes. Dessa forma, o telespectador do Fantástico ficou privado de ter acesso a informações que certamente contribuem para a melhor apresentação dos fatos.


No último trecho de voo da reportagem, o órgão de controle determinou a espera para pouso no Aeroporto Santos-Dumont. O que foi retratado na matéria como algo absurdo, na realidade seguiu rigorosamente as normas em vigor para garantir a segurança e fluidez do tráfego aéreo. Os voos de linhas regulares, na maioria das vezes regidos por regras de voo por instrumentos, gozam de precedência sobre os não regulares, visando a minimizar quaisquer problemas de fluxo que possam afetar a grande massa de usuários.


A reportagem também errou ao mostrar que Traffic Collision Avoidance System (TCAS) é acionado somente em caso de acidente iminente. O fato do TCAS emitir um aviso não significa uma quase-colisão, e sim que uma aeronave invadiu a “bolha de segurança” de outra. Essa bolha é uma área que mede 8 km na horizontal (raio) e 300 metros na vertical (raio).


Cabe ressaltar ainda que a invasão da bolha de segurança não significa sequer uma rota de colisão, pois as aeronaves podem estar em rumos paralelos ou divergentes, ou ainda com separação de altitude, em ambiente tridimensional.


A situação pode ser corrigida pelo controle do espaço aéreo ou por sistemas de segurança instalados nos aviões, como o TCAS. Nem toda ocorrência, portanto, consiste em risco à operação. O TCAS, por exemplo, pode emitir avisos indesejados, pois o equipamento lê as trajetórias das aeronaves, mas não tem conhecimento das restrições impostas pelo controlador.


Todas as ocorrências, no entanto, dão início a uma investigação para apurar os seus fatores contribuintes e geram recomendações de segurança para todos os envolvidos, sejam controladores, pessoal técnico ou tripulantes. É esse o caso dos 24 relatórios citados na reportagem. A existência desses documentos não significa a ocorrência de 24 incidentes de tráfego aéreo, e sim uma consequência direta da cultura operacional de registrar todas as situações diferentes da normalidade com foco na busca da segurança.


A investigação tem como objetivo manter um elevado nível de atenção e melhorar os procedimentos de tráfego aéreo no Brasil, pois é política do Comando da Aeronáutica buscar ao máximo a segurança de todos os passageiros e tripulantes que voam sobre o país. Incidentes e acidentes não são aceitáveis em nenhum número, em qualquer escala.


Sobre a questão dos controladores de tráfego aéreo, ao contrário da informação veiculada, o Brasil tem atualmente mais de 4.100 controladores em atividade, entre civis e militares. No total, são mais de 6.900 profissionais envolvidos diretamente no tráfego aéreo, entre controladores e especialistas em comunicação, operação de estações, meteorologia e informações aeronáuticas.


Para garantir a segurança do controle do espaço aéreo no futuro, o Comando da Aeronáutica investe na formação de controladores de tráfego aéreo. A Escola de Especialistas de Aeronáutica forma anualmente 300 profissionais da área. Todos seguem depois para o Centro de Simulação do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), inaugurado em 2007 em São José dos Campos (SP). Com sistemas de última geração e tecnologia 100% nacional, o ICEA ampliou de 160 para 512 controladores-alunos por ano, triplicando a capacidade de formação e reciclagem.


Vale salientar que a ascensão operacional dos profissionais de controle de tráfego aéreo ocorre por meio de um conselho do qual fazem parte, dentre outros, os supervisores mais experientes de cada órgão de controle de tráfego aéreo. Desse modo, nenhum controlador de tráfego aéreo exerce atividades para as quais não estejam plenamente capacitados.


A qualidade desses profissionais se comprova por meio de relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). De acordo com o Panorama Estatístico da Aviação Civil Brasileira, dos 26 tipos de fatores contribuintes para ocorrência de acidentes no país entre 2000 e 2009, o controle de tráfego aéreo ocupa a 24° posição, com 0,9%. O documento está disponível no link:

http://www.cenipa.aer.mil.br/cenipa/Anexos/article/19/PANORAMA_2000_2009.pdf


A capacitação dos recursos humanos faz parte dos investimentos feitos pelo DECEA ao longo da década. Entre 2000 e 2010, foram R$ 3,3 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão somente a partir de 2008. O montante também envolve compra de equipamentos e a adoção do Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatórios de Interesse Operacional (SAGITÁRIO), um novo software nacional que representou um salto tecnológico na interface dos controladores de tráfego aéreo com as estações de trabalho. O sistema tem novas funcionalidades que permitem uma melhor consciência situacional por parte dos controladores. Sua interface é mais intuitiva, facilitando o trabalho de seus usuários.


Os resultados desses investimentos foram demonstrados pela auditoria realizada em 2009 pela International Civil Aviation Organization (ICAO), organização máxima da aviação civil, ligada às Nações Unidas, com 190 países signatários. A ICAO classificou o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro entre os cinco melhores no mundo. De acordo com a ICAO, o Brasil atingiu 95% de conformidade em procedimentos operacionais e de segurança.


Sem citar quaisquer dessas informações, para realizar sua reportagem, a equipe do Fantástico exibe depoimentos sem ao menos pesquisar qual a motivação dessas fontes. O Sr. Edileuzo Cavalcante, por exemplo, apresentado como um importante dirigente de uma associação de controladores, é acusado por atentado contra a segurança do transporte aéreo, motim e incitação à indisciplina, e responde por essas acusações na Justiça Militar.


O Sr. Edileuzo Cavalcante foi afastado da função de controlador de tráfego aéreo em 2007 e recentemente excluído das fileiras da Força Aérea Brasileira. Em 2010, também teve uma candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral.


Quanto à informação sobre as tentativas de chamada por parte do controlador de tráfego aéreo, Sargento Lucivando Tibúrcio de Alencar, no caso do acidente ocorrido com a aeronave da Gol (PR-GTD) e a aeronave da empresa Excel Aire (N600XL) em 29 de setembro de 2006, cabe reforçar que elas não obtiveram sucesso devido à aeronave da Excel Aire não ter sido instruída oportunamente a trocar de frequência e não a qualquer deficiência no equipamento, conforme verificado em voo de inspeção. Durante as tentativas de contato, a última frequência que havia sido atribuída à aeronave estava fora de alcance, impossibilitando o estabelecimento das comunicações bilaterais.


Já quando foi consultar o Departamento de Controle do Espaço Aéreo, a equipe de reportagem omitiu o fato que trataria de problemas de tráfego aéreo. Foi informado que se tratava unicamente sobre a evolução do tráfego aéreo de 2006 a 2011.


Por fim, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica ressalta que voar no país é seguro, que as ferramentas de prevenção do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro estão em perfeito funcionamento e que todas as ações implementadas seguem em concordância com o volume de tráfego aéreo e com as normas internacionais de segurança. No entanto, este Centro reitera que a questão da segurança do tráfego aéreo no país exige um tratamento responsável, sem emoção e desvinculado de interesses particulares, pessoais ou políticos.


Brasília, 9 de agosto de 2011.

Brigadeiro-do-Ar Marcelo Kanitz Damasceno

Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Redação Conversa Afiada

Chama o Franklin, Lula ! Chama o Franklin !

Saiu no Tijolaço:

A voz voltou. Falta o alto-falante.


Da Agência Brasil, agora há pouco:
“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Siva pretende ter uma participação mais ativa na política nacional. “Vou voltar a andar por esse país. Vou voltar a incomodar algumas pessoas outra vez,” disse ele, ao discursar hoje (15) durante o 2º Congresso Nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT).


Lula destacou que chegou ao fim o período de afastamento voluntário do cenário político que ajudou na consolidação da presidenta Dilma Rousseff à frente do comando do país. “Eu disse, no início do ano, que ia entrar em um processo de desencarnação, para poder permitir a encarnação da presidenta Dilma.”


O ex-presidente adiantou que as suas ações serão voltadas à busca de soluções para os problemas sociais. “Embora não seja mais presidente, sou cidadão brasileiro. Como cidadão brasileiro, serei o lobista número 1 das causas sociais. Quem tiver um problema social pode me contar que farei lobby com o Gilberto Carvalho [ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência] e com a presidenta Dilma Rousseff para que a gente possa resolver isso”, disse.”


E na Agência Estado:
“A gente não pode aceitar que os americanos façam o ajuste da sua política fiscal à custa da desvalorização do dólar, o que cria prejuízo para o comércio dos países mais pobres. A gente não pode permitir que a crise venha causar prejuízo para o nosso País”, disse Lula (…)

Num tom inflamado, Lula culpou os países desenvolvidos pela crise no continente europeu. “Estamos vendo a Espanha, Portugal e Grécia numa situação delicada. É uma crise que não foi causada pelos países pobres, é uma crise causada pelos países ricos. É uma crise surgida não na Bolívia, não na Argentina, no Paraguai ou no Brasil. É uma crise surgida nos Estados Unidos e na Europa”, apontou.

Nos 20 minutos de discurso, Lula fez um balanço de seus oito anos de governo, com destaque para a estabilidade econômica e a forma como o Brasil superou a crise internacional. “Enquanto o Obama já está há mais de dois anos sem resolver a crise americana, enquanto a Europa já está há dois anos sem resolver a crise lá, aqui no Brasil nós dissemos que a crise seria uma marolinha, que ia chegar por último e ia embora primeiro. E foi exatamente o que aconteceu”, afirmou.


Que falta faz falar num tom assim – que o fato de já não estar na Presidência facilita em muito – para que as pessoas possam entender o que se passa! Que falta faz a polêmica, a falta de patrulhamento, o enfrentamento com o que diz a mídia!


Mas também é preciso que se diga: que falta faz uma estrutura de comunicação que possa fazer esta voz ser ouvida, sem a edição e o trato maroto da mídia, com o tom didático e claro com que ela soa, com a imagem do rosto que empresta credibilidade às palavras…


Procuramos, procuramos, procuramos e não há (espero que logo haja) uma gravação na internet, que a gente possa colocar para rodar na rede. Se o ex-presidente quer romper com aquele pretensioso monopólio dos que se julgam “formadores de opinião”, é preciso dar – já e já – um alto-falante eletrônico a esta voz. – Postado por Fernando Brito

Alô, alô Paulo Bernardo.

Cadê a Ley de Médios do Franklin ?


Paulo Henrique Amorim

quinta-feira, 14 de julho de 2011

TWITCAM HOJE, ÀS 21 HORAS, COM EMIR SADER. BALANÇO DA CRISE INTERNACIONAL, DO GOVERNO DILMA E OUTROS TEMAS.


 A mídia brasileira tem optado por uma abordagem insuficiente -para dizê-lo com indulgência--  dos desdobramentos que  o escândalo  do ‘News of  the World' coloca no tocante  às relações entre o dinheiro, a democracia e o direito à  informação.
Há razões para crer que não seja apenas um descuido. Privar a sociedade das interações implícitas e da contextualização política explosiva  de um episódio que só na aparência pode ser tratado como o  caso específico de um tabloide inglês marrom, sugere um esforço de autopreservação diante do espelho incômodo, cuja trinca esfarela  todos os semelhantes a sua volta. É perceptível o labor para dar ao escândalo do  ‘ News of de World'  o recorte de um ponto fora da curva. O fato, porém, é que o direitista Rupert Murdoch, seu proprietário, montou e maneja no circuito  Inglaterra/ EUA o maior conglomerado de mídia em língua inglesa do  planeta. Controla simultaneamente as pautas e narrativas veiculadas em diferentes praças e as repercute em todas as formas de mídia. O Brasil sabe o que isso significa, especialmente em períodos eleitorais. A investigação jornalística isenta não conseguiria explicar  como fruto da  coincidência que os tentáculos do império Murdoch incluam na folha de pagamentos o ex-assessor de imprensa do primeiro-ministro inglês David Cameron -cujo frequentava as festas da editora do ‘News of the World'; ou ,como lembra Lúcia Guimarães, brava correspondente do Estadão em Nova Iorque, que o fundador e atual presidente da rede Fox News, --o canal de tevê norte-americano de Murdoch-- seja Roger Ailes, ex-assessor de propaganda de  Richard Nixon e de George Bush pai.Nos anos 70 Ailes foi o autor de um estudo sugestivamente intitulado: ‘ Como Colocar o Partido Republicano na Mídia'. Manipulação e  democratização dos meios de comunicação são formas de mediação social que se combatem.  A  manipulação viceja no terreno pantanoso da semi-informação e da semi-cultura que desarma os espíritos  e embrutece o discernimento da liberdade e da Razão, prostrando a cidadania com o espraiamento tóxico do jornalismo que combate  idéias e defende interesses destruindo reputações e alvejando biografias. Seria oportuno  que as autoridades do país, ainda hesitantes diante da necessidade de regulação da mídia, acompanhassem atentamente o debate em torno do método Murdoch de jornalismo --e não o fizessem apenas com base na mídia local.
(Carta Maior; 5º feira 14/07/ 2011)

PT queria a Ley de Medios, mas tem medo da Grobo?

Senador Jorge Viana, o problema não é a Helena
Saiu na Folha (*), pág. A10:

“Senadores do PT criticam a área de Comunicação”


Alguns senadores jantaram com as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann para reclamar da Ministra Helena Chagas, da Comunicação.

Reclamam porque o Governo da Presidenta não consegue emplacar a “agenda positiva”.

E dão como exemplo o programa “Brasil sem Miséria” – aqui neste blog ansioso exposto numa entrevista com a Ministra Tereza Campello.

É um “programa maravilhoso”, diz o senador Jorge Viana. “Mas precisamos divulgá-lo mais”.
Não adianta botar a culpa na Helena, Senador.

O PiG (*) foi quem decidiu boicotar o “Brasil sem Miséria”.

Gastou mais tempo a discutir “a linha da miséria”, a partir de que ponto alguém é “miserável” – uma filigrana acadêmica – do que o programa propriamente dito.

Assim será, senador: sempre.

A Ministra Helena Chagas pode chamar o Tiririca, a Glória Pires, o Bono – quem ela quiser para “vender” o Brasil sem Miséria, que o PiG (*) não vai deixar passar.

É o Muro do Silêncio, em outras partes chamado de Muro da Vergonha.

Se o Ali Kamel não quiser, senador, o programa não vai ao Acre.

Então, em lugar de reclamar da Helena Chagas, seria melhor a bancada do PT no Senado ir pra cima do Ministro Bernardo e arrancar uma Ley de Medios.

Veja que, como diz o Laurindo Lalo Leal Filho, a Ley de Médios já vale na Argentina: a Cristina Kirchner já começou a abrir o mercado de concessões de televisão.

Começou a fazer nas telecomunicações o que o CADE fez com a BRFoods: monopólio para prejudicar o consumidor, não.

E a Cristina vai entregar metade das novas concessões a instituições não empresariais.

Mas, lá na Argentina, a democracia pega mais firme.

Os torturadores do regime militar estão na cadeia.

O Nestor Kirchner demitiu os ministros da Suprema Corte nomeados pelo Menem …

Senador Jorge Vianna, dê um pulo a Buenos Aires.

É sempre uma viagem adorável.

Ah, que inveja da Argentina !


Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Presidenta se fortalece com lei da mídia

Infelizmente, a notícia não é sobre a presidenta brasileira, mas sobre a argentina. Cristina Fernández de Kirchner disparou nas pesquisas eleitorais para presidente da República Argentina. A eleição será em 23 de outubro próximo.
Segundo as sondagens, Cristina tem entre 45% e 55% das intenções de voto contra médias de 15% do deputado oposicionista Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raul Alfonsín, e de 7% do ex-presidente Eduardo Duhalde.
Quem acreditou nos noticiários brasileiro e argentino emitidos até o ano passado, certamente não entendeu esses números. O que vinha sendo dito por aqui era que Cristina estava desmoralizada politicamente por divergir da Santa Mídia.
A organização patronal brasileira ANJ recentemente premiou o grupo argentino Clárin em cerimônia pomposa em território nacional. Um ato político em que o monopólio argentino nas comunicações foi tratado como grande líder na luta que a direita latino-americana diz travar pela “liberdade de imprensa”.
Após a crise entre Cristina e o agronegócio em 2008, o grupo Clarín – que, com a nova “ley de médios”, se vê ameaçado de perder um controle sobre as comunicações que pode chegar a 70% do mercado – criou um clima político amplamente desfavorável para o governismo.
A máquina de comunicação da família De Noble passou a agir em relação a Cristina de forma ainda mais virulenta do que aquela com que a Globo agiu em relação a Lula durante os oito anos do seu mandato.
Este blogueiro mesmo, durante a viagem a Buenos Aires no fim do ano passado ficou impressionado com o clima político na Argentina e com o descontrole da inflação. Aquele país, porém, antecipava o que ocorreria aqui.
Montado em um crescimento econômico da ordem de 9% ao ano, em média, o país vizinho sofreu uma explosão de consumo tão ou mais intensa do que a que se vê no Brasil, o que levou a uma escalada de preços que, agora, com medidas econômicas análogas às brasileiras começa a refluir.
Todavia, não se pode desprezar o papel da “ley de médios” no fortalecimento político de Cristina. A desconcentração do monopólio do Grupo Clarín é um dos fatores que contribuíram para a popularidade da presidenta argentina.
O governo da Argentina já abriu licitação para 12 emissoras de televisão em Buenos Aires e várias outras no interior. A administração federal utiliza a polêmica Lei de Mídia, aprovada no final de 2009, que tem princípios básicos no que diz respeito à produção e veiculação audiovisual.
Com o fim de impedir a formação de monopólios e oligopólios, a lei põe limites à concentração de canais de rádio e televisão, estabelecendo tetos para a quantidade de licenças e por tipo de meio de comunicação.
Um mesmo concessionário só pode ter uma licença de comunicação audiovisual por satélite, até 10 sinais de televisão aberta ou por cabo e até 24 licenças de radiodifusão por assinatura. E a nenhum operador se permitirá que tenha mais do que 35% de audiência.
Quem tiver uma tevê aberta numa cidade, não poderá ter ali também uma tevê a cabo. Além disso, as companhias de telefonia estão proibidas de oferecer serviços de tevê a cabo ou aberta.
Outro ponto importante da lei determina que os proprietários de meios de comunicação terão que ser oriundos do setor e não poderão ter sido integrantes de governos dos níveis federal, estadual e municipal ou mesmo do poder legislativo.
Finalmente, o capital estrangeiro não pode ter mais de 30% das ações de nenhum meio de comunicação argentino e as licenças dos concessionários de tevês e rádios expiram dez anos após a concessão, e o processo de renovação da licença se tornou mais exigente.
Há muito mais. A lei argentina para o setor de comunicação foi amplamente fundamentada na legislação internacional e conta com amplo apoio até das Nações Unidas, via Unesco. E a prova de que está obedecendo ao Estado de Direito está nos questionamentos que o grupo Clarín está fazendo na Justiça.
Aliás, vale dizer que o grupo de comunicação da família De Noble vem obtendo vitórias em instâncias inferiores da Justiça, usando seu poder de pressão sobre essas instâncias similar ao que a direita midiática detém no Judiciário paulista, por exemplo. Todavia, nas instâncias superiores isso será revertido…
As direitas midiáticas brasileira e argentina andam dizendo que Cristina, de repente, tornou-se popular em seu país exclusivamente por conta da morte de seu marido. Foi de repente porque, até há pouco, diziam que ela era odiada por seu povo.
O fato é que a lei de mídia ajudou muito Cristina a enfrentar o bombardeio midiático. Mas a presidenta argentina também se ajudou. Jamais se calou diante dos escândalos pré-fabricados. Mas foi a lei do setor de comunicações que mais agradou aos argentinos.
Cristina está licitando uma dúzia de canais de televisão e, agora, o povo não tem mais que comprar assinaturas de tevê a cabo para assistir ao próprio campeonato de futebol, comprado pelo governo e difundido de graça na rede pública de televisão.
O apoio à lei da mídia, na Argentina, chega a 80% da população. A lei foi implementada através de ampla campanha publicitária no rádio e na tevê que explicou didaticamente os malefícios de a propriedade de meios de comunicação ser concentrada nas mãos de uma única família.
Se Cristina tivesse se acovardado, sobretudo depois da morte do marido, a Argentina não estaria dando a volta por cima na economia e a própria presidenta não teria se fortalecido tanto politicamente. Para lograr tudo isso, porém, foi preciso muita coragem.
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O vídeo abaixo pode dar uma idéia ao leitor do amplo debate que a Argentina travou durante o processo que desembocou na aprovação da lei de regulação das comunicações no país. Apesar de estar em espanhol, vale a pena assistir. Qualquer semelhança com o debate brasileiro não é mera coincidência.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

.Degola de Palocci enterrou “ley de medios”


O processo que culminou com a defenestração de Antonio Palocci gerou uma situação desconhecida na política nacional. Pela primeira vez, parcela relevante do partido que esteve unido em torno de Lula desde a sua criação ignorou seus pedidos de sustentação no primeiro grande ataque que mídia e oposição fariam ao governo Dilma.
Aprofundei-me no debate com os setores do PT que passaram a usar, ipsis litteris, o discurso de colunistas da grande imprensa como Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo, Eliane Cantanhêde, Merval Pereira, Lucia Hippolito, Ricardo Noblat e por aí vai. Há centenas e centenas de comentários neste blog que chegam a reproduzir até frases literais desses colunistas.
A posição de setores do PT, do movimento sindical, da blogosfera, da grande imprensa e da oposição coincidiu ao ponto em que se tornaram voz uníssona a repetir as mesmas frases sobre “ética” em uma campanha moralista idêntica à que gerou o mensalão, mas com a diferença de que surgiu sem mero indício de qualquer ilegalidade por parte do alvo da campanha de desmoralização, Palocci.
Em pouco tempo, mídia, oposição, setores do PT e da blogosfera já reconheciam que estava sendo usada uma acusação sem provas para destruir a imagem do principal ministro do governo Dilma Rousseff. A questão ética seria pretexto para uma inviabilidade política dele, mas o que facilitaria sua queda seria a acusação falsa.
Obviamente que isso não significa que essas parcelas do PT e da blogosfera tenham se aliado à mídia golpista. Apenas se valeram dela para promover o que julgavam ser uma “faxina” no governo, empreendida contra a vontade da presidente Dilma Rousseff e de Lula, que resistiram a ceder à denúncia da Folha de São Paulo contra Palocci até onde deu.
É importante que fique claro: não se tem dúvidas, aqui, da honorabilidade dessas pessoas que, de boa fé, pediram a queda de Palocci. Acreditaram estar fazendo o melhor.
Por outro lado, os relatos de que Dilma acabou desconsiderando a posição de Lula de que ela não deveria ceder, sucedem-se ininterruptamente. Quem ainda não leu nenhum, ainda vai topar com alguns deles. Todavia, há quem diga que foi Palocci que não agüentou a pressão. Essa é, ainda, uma das grandes dúvidas. Dilma teria pensado em resistir?
Cheguei a achar que sim, que Palocci é que teria decidido se render. Mas o meu amigo Paulo Henrique Amorim, que sabe das coisas, diz que foi Dilma quem cedeu e que Palocci estava disposto a enfrentar mídia, oposição, parcelas do PT e até o próprio Paulo, blogueiro conceituado cuja opinião é muito respeitada.
Após o desastre, os que agiram de boa fé por acreditarem que faziam o certo passaram a um processo de negação de uma vitória da direita midiática que a mesma direita midiática já comemora nos jornais, com manchetes tripudiando sobre o governo, na tevê, na internet etc.
Essa parte é a mais incrível, do ponto de vista sociológico, pois dizem que quem fez a denúncia (a Folha) foi derrotado quando essa denúncia surtiu o efeito pretendido. Freud explica.
Mas um analista sempre sensato, Marcos Coimbra, diretor do instituto Vox Populi, explica direito como e por que o governo Dilma foi derrotado inclusive com a ajuda de parcela importante de seu partido, ainda que não veja nessa derrota o fim do governo.
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Pelo que se lê na imprensa, o caso Palocci terá sido, para ela, o fim dessa etapa. A crer em seu coro quase uníssono, de agora em diante, enfrentará problemas crescentes. Perdeu a iniciativa do jogo político e só lhe resta esperar até que sua popularidade comece a cair.
Será? O golpe na imagem do governo terá sido tão fundo? O caso atingiu uma proporção tão grande da população, de maneira tão severa, que não cicatrizará nunca mais?
Parece improvável. Pelo que conhecemos de nossa sociedade, ministros com problemas são coisas que não afetam o governo inteiro. Mas é razoável supor que alguns admiradores tenham se afastado da presidente.
(…)
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“Alguns admiradores” significam pontos nas pesquisas. Para quem não sabe, o Vox Populi está entre os institutos que monitoram a popularidade de Dilma para clientes diversos. Não há uma semana em que não esteja sendo monitorada. E Coimbra alude ao senso comum, que toma o país, de que o governo perdeu.
A perda foi pelo fato de que ficou claro, inclusive diante do mundo, que o principal ministro do governo Dilma foi mal escolhido. Particularmente, também acho. Mas, de uma vez escolhido, não poderia sair assim para não ficar tão gritante o erro político. Porque – e agora vem a bomba – deixar a mídia vencer inviabilizará várias políticas nas quais se acreditava.
Com o novo poder da imprensa e da oposição de provocarem sublevações no próprio partido do governo, de agora em diante será só descobrir quais ministros e outros integrantes desse governo podem ser acusados analogamente a Palocci – e dizem as lendas que há muitos – e contar com a mesma militância governista para ajudar a desestabilizá-los.
Na defensiva, o governo Dilma não terá como partir para a ofensiva. A derrubada de Palocci foi só um aviso: “Não tente o fim da propriedade cruzada de meios de comunicação, Dilma, senão vamos inviabilizar o seu governo pondo a nu os políticos só do seu lado. E, agora, com ajuda interna de suas forças”.
Se Dilma não teve nem força para manter sua decisão inicial de não demitir Palocci, como terá força para aprovar uma lei que proíba um quase monopólio de meios de comunicação no Brasil que não existe em lugar algum do mundo desenvolvido?
Não parece polêmico dizer que a lei da propriedade cruzada não vem de jeito nenhum. Alguns dizem que não viria mesmo antes do caso Palocci. Contudo, participo de fóruns pela democratização da comunicação há anos, fui delegado por São Paulo na Conferência Nacional de Comunicação, em 2009, e posso afirmar que muitos acreditavam na “ley de médios”.
Não virá. Aliás, o ministro Paulo Bernardo, que as más línguas dizem que queria derrubar Palocci para pôr a mulher no lugar dele e que esteve por trás das articulações dentro do PT, já dissera que não, que a lei da propriedade cruzada ainda não tinha “condições políticas”, blábláblá e mais blábláblá. Chamou até o Paulo Henrique de “ansioso”.
Claro que ninguém pode dizer se é verdade. Não conheço o ministro, mas tudo isso é dito abertamente. Aliás, muitos dos que ajudaram a derrubar Palocci, até há pouco chamavam o ministro das Comunicações de Paulo Hibernardo… Só o futuro dirá se é injustiça. Por enquanto, é hipótese política absolutamente legítima.
O quadro político é realmente nebuloso. Ao fraquejar como fraquejou, o governo Dilma criou uma enorme dúvida sobre a sua capacidade de sobrepujar obstáculos quase intransponíveis que tem pela frente, com a continuidade da guerra da direita midiática contra seu governo e seu partido, que só terá fim se a presidente capitular de vez.
Neste momento, portanto, a bandeira da “ley de medios” parece esfrangalhada. Ninguém mais sabe o que significa essa lei. A da Argentina, que lhe deu origem, conheço muito bem. Como vendedor que viaja pela América Latina há mais de vinte anos, acompanhei os processos de Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina.
Nenhum desses países teria conseguido impor o fim da propriedade cruzada sem governos fortes. E não foi cedendo à mídia e à oposição que conseguiram, isso posso garantir. Simplesmente porque a tal “ley de medios” prejudica financeiramente os impérios de comunicação que acabam de obter vitória tão estrondosa.

terça-feira, 31 de maio de 2011

PSDB espanca “maconheiros” na rua e “alisa” na TV


No domingo, no Fantástico, da TV Globo, foi ao ar reportagem em que o principal líder político do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defende que usuários de maconha possam plantar a erva em casa e, também, que a lei deixe de penalizar o usuário da droga.
Enquanto isso, em São Paulo, o governo mais importante comandado pelo PSDB, através da polícia sobre a qual exerce controle absoluto, reprime com violência jovens que foram às ruas defender aquilo que o mesmo partido defende na TV pela boca dele, do tal líder político.
Segundo a Polícia, o governo e a Justiça de São Paulo, os garotos que foram à rua defender o que defende Fernando Henrique Cardoso teriam feito “apologia” à maconha. Resta saber quem fez tal “apologia” para mais gente, se os jovens na rua  ou FHC na televisão.
Diante dessa situação esquizofrênica desse partido reacionário e violento nas ruas e gentil e progressista na mídia, surge uma questão que deve interessar ao menos aos partidários das teorias pró-maconha: não dá pra trocar o comportamento do PSDB das ruas com o da TV?
Abaixo, reportagens do Fantástico alisando aquele que diz coisas que basta qualquer outro dizer para os pistoleiros do PIG chamarem de “maconheiro” e do UOL mostrando o lado, digamos, mais “careta” do PSDB.
PSDB NA MÍDIA
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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dilma não tem câncer.

A revista dos Marinho não comete um ato falho: é um caixão mesmo

O amigo navegante verá a seguir que a presidenta Dilma Rousseff teve uma pneumonia.

Não houve retorno do câncer.

E está com a saúde perfeita.

Se quiser, enfrenta o PiG (*) e a Globo com uma Ley de Medios.

É só querer.

Saúde não lhe falta.

(Embora a capa de revista dos filhos do Roberto Marinho mostre uma presidenta de olhos fechados, reta, como estivesse deitada num caixão, “morta”.)

Saiu na revista Época, das Organizações (?) Globo, aquela revista que tem o monopólio do relatório Saadi da Operação Satiagraha, mas não conta tudo o que sabe do Cerra, do Farol e do Gilmar Dantas (**):

A saúde de Dilma (trecho)


Época teve acesso a exames, a relatos médicos e à lista de medicamentos usados pela presidente da República. Por que seu estado ainda exige atenção


CRISTIANE SEGATTO. COM ISABEL CLEMENTE E LEANDRO LOYOLA


Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 28/maio/2011.



ROSTO SERENO


A presidente Dilma neste ano, quando posou para figurar na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time


No último dia 22, um domingo, a presidente Dilma Rousseff viajou para Salvador para participar da cerimônia de beatificação de Irmã Dulce. Foi seu primeiro compromisso público desde a pneumonia que a obrigou a cancelar viagens e a despachar durante três semanas do Palácio da Alvorada, sua residência oficial. Na capital baiana, a chuva obrigou a organização do evento a improvisar. Dilma foi acomodada sob um toldo que lembrava uma bolha de plástico. Não era apenas uma deferência justificada pelo cargo que ela ocupa. Era um cuidado necessário para evitar uma recaída da inflamação pulmonar que, segundo palavras que ela mesma disse, de acordo com um interlocutor de confiança, teria sido “a pior de todas as doenças que já enfrentei”.


O “foco de pneumonia” descrito no boletim médico no final de abril revelou-se mais pernicioso do que a sucinta comunicação oficial sugeria. Dilma voltou da China depois de dez dias de trabalho extenuante. Já estava gripada quando inaugurou oficialmente a campanha de vacinação contra a doença, tomando ela mesma uma dose. Na terça-feira 26 de abril, sentiu-se febril. Sua temperatura era de 36,8 graus. O médico oficial da Presidência, o coronel Cleber Ferreira, prescreveu o antibiótico Levaquin, sem avisar o chefe da equipe que a acompanha, o médico Roberto Kalil, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Dilma piorou. Na quinta-feira, o exame de raios X revelou uma pneumonia. Transferida para São Paulo, passou a receber na veia dois antibióticos: azitromicina e ceftriaxona – recursos usados em casos graves. Seguiu com esse tratamento durante 14 dias. Foi tratada também com um corticoide.


Assessores próximos contam que a doença afetou a disposição da presidente e seu estado psicológico. Ela sentia cansaço e falta de ar. Passou a despachar do Alvorada, a residência oficial, para evitar o ar-condicionado do Palácio do Planalto, onde as janelas são lacradas. Reclamava de dores de estômago e náuseas e não conseguia se alimentar direito. O fígado dava sinais de agressão. Os níveis da enzima TGP, que serve de parâmetro para avaliar as condições hepáticas, subiram, como resultado do esforço que o órgão fazia para processar o coquetel de remédios que Dilma usava. No dia 21 de maio, ela se submeteu a uma tomografia no tórax que, de acordo com os médicos, mostrou que ela estava curada da pneumonia.


Nos últimos dias, ÉPOCA teve acesso a relatos médicos, a exames e à lista de medicamentos que ela toma. Durante o tratamento da pneumonia, eram 28 remédios diariamente – entre drogas alopáticas, suplementos vitamínicos prescritos em tratamentos ortomoleculares e cápsulas que Dilma consome por conta própria, algumas pouco ortodoxas, como cartilagem de tubarão (leia a lista completa abaixo). Procurada por ÉPOCA, Dilma pediu ao Hospital Sírio-Libanês que emitisse um boletim exclusivo sobre sua condição de saúde. “Do ponto de vista médico, neste momento a Sra. Presidenta apresenta ótimo estado de saude”, afirma o boletim. Não há, segundo os médicos oficiais, nenhum sinal de que seu câncer linfático, diagnosticado e tratado em 2009, tenha voltado, nem de que as defesas de seu organismo tenham sofrido maiores consequências por causa do tratamento. “A Presidenta Dilma continua em remissão completa do linfoma, e não há nenhuma evidência de deficiências imunológicas, associadas ou não ao tratamento do linfoma realizado em 2009”, diz o texto.


Mas as informações obtidas por ÉPOCA revelam que a saúde da presidente ainda exige atenção. Não por causa do câncer. Mas em virtude de preocupações naturais para uma mulher de 63 anos. Dilma convive com vários problemas que consomem energia.





DUAS DOENÇAS

Acima, Dilma durante o tratamento do câncer. Nas fotos maiores, Dilma tosse em duas cerimônias realizadas em Brasília. Segundo ela afirmou a interlocutores, “a pneumonia foi pior que o câncer”



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

domingo, 29 de maio de 2011

Lista de políticos donos da mídia



O Ministério das Comunicações passará a divulgar em seu site, a partir de segunda-feira, a lista dos donos de concessões de rádio e TV no País - incluindo os 56 deputados e senadores que são sócios ou têm parentes no comando de emissoras. A lista é uma antiga reivindicação de entidades de fiscalização do setor e já havia sido divulgada em 2003, mas foi retirada do ar em seguida por pressão de políticos contrários à divulgação. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Dos 594 parlamentares, 56 são sócios ou têm parentes no comando de emissoras. Desses, 12 são do PMDB, partido que presidiu o País no governo de José Sarney (PMDB-AP), quando houve grande distribuição de concessões em troca de apoio político no Congresso. O DEM vem logo em seguida, com 11 congressistas na lista. O partido era aliado do governo Sarney e comandava o Ministério das Comunicações, que na época era ocupado por Antonio Carlos Magalhães - cuja família controla um grupo de rádio e TV na Bahia. A legislação atual não impede que políticos sejam sócios de rádio ou TV, mas é vedada sua participação em cargos de diretor. A prática enfrenta acusações de uso das emissoras para alavancar candidaturas e prejudicar adversários. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, recentemente defendeu a proibição de que políticos sejam sócios de emissoras, mas a proibição é considerada politicamente inviável. Procurados, alguns dos parlamentares citados na lista do ministério disseram não ser mais sócios das emissoras, mas que a mudança ainda está em processo.

Para os leitores que quiserem ver antecipadamente a lista dos donos da mídia, nós temos publicado aqui desde 2007

Época não merece desmentido. Merece processo


Os médicos Antônio Carlos Onofre de Lira, diretor técnico, e Paulo Ayroza Galvão, diretor clínico do Hospital Sírio-Libanês, por solicitação da Presidenta Dilma Roussef, emitiram agora à tarde um longo e detalhado relatório sobre os atendimentos prestados a ela.
Tratam em detalhes e com absoluta transparência todo os diagnósticos e terapêuticas relativos a eles.
O assunto de interesse público – a saúde da Presidenta – foi tratado com uma transparência ímpar. Aliás, sempre foi, mesmo quando ainda candidata.
Mas não foi transparência o que fez a Época. Foi violação de documentos médicos  privados  -  e cuja divulgação só pode ser feita por autorização do paciente, segundo resolução nº1605/2000, do Conselho Federal de Medicina.
A revista teria todo o direito de formular perguntas sobre a saúde da presidente a ele ou a seus médicos. Mas está confesso nas próprias páginas da revista que “Época teve acesso a exames, a relatos médicos e à lista de medicamentos usados pela presidente da República”. Não foi, repito, informação sobre assuntos ou políticas públicas. Nem mesmo um diagnóstico ou prognóstico que, por sério, pudesse ter interesse para a sociedade. Foram detalhes personalíssimos, que a ninguém dizem respeito.
Isso é crime, previsto no Art. 154 do Código Penal. Tanto quanto é crime a violação de um extrato bancário, de qualquer pessoa. Crime para quem viola o que está sob sua guarda, seja um profissional hospitalar ou um gerente de banco, quanto para quem o divulga, sabendo que foi obtido de forma ilícita.
Não havia um crime a denunciar, um perigo a prevenir, algum direito de pessoa ou da sociedade a proteger, com a divulgação.
A intenção, prevista na lei de “produzir dano a outrem” está marcada pela fotografia “fúnebre” da capa e pela reunião maliciosa entre o uso de remédios para uma infecção – a pneumonia – com outras situações que nada têm a ver com ela – o hipotireoidismo, por exemplo – e até substâncias de uso tópico para aftas, como o bicarbonato de sódio e o Oncilon.
Isso nada tem a ver com o dever de dar informações sobre a saúde de uma pessoa pública.  Tanto que elas são e foram dadas sempre, nos boletins médicos.
A motivação foi política: gerar medo, intranquilidade e dúvida sobre sua capacidade de governar. O que se praticou foi um crime – e não apenas um violação ética, o que já é grave – e crimes devem merecer responsabilização.
Mas, aqui, no país onde o inimigo político é culpado até que prove sua inocência (e olhe lá), pretender que a imprensa aja dentro da lei é “perseguição”.
PS. Senti falta da nossa blogosfera progressista para falar deste absurdo e do assanhamento tucano em demolir o governo que o povo elegeu. Será o frio que está fazendo hoje? (Em tempo, o Azenha deu divulgação a esta maracutaia farmacêutica da Época)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Referendo cria Ley de Medios e critério para nomear juiz


Vai lá, garoto, faz uma Ley de Medios. Se não, te derrubam
Saiu na Folha (*), pág A15:
O referendo consultou a população sobre dez itens.

Entre eles, o endurecimento das penas para crimes de enriquecimento ilícito.

O sistema de nomeação de juízes.

E criação de uma Comissão para regular a mídia, a Ley de Medios.

A oposição estrebucha, mas reconhece a derrota: o Governo ganhou com mais de 60% dos votos.

Acorda, amigo navegante: isso aconteceu no Equador.

O Equador, a Argentina, a Bolívia, os Estados Unidos, a Inglaterra, a Itália, a França, o Canadá, Portugal, a Alemanha – todos esses países têm Ley de Medios.

Pelo jeito, o Brasil vai acabar como na Escravidão: será o último a libertar os que não têm liberdade.

Sobre a nomeação de juízes: um dos primeiros atos do corajoso presidente argentino Néstor Kirchner foi mudar os critérios para a nomeação de ministros da Suprema Corte, e poupar o povo argentino das nomeações do antecessor, Carlos Menem, também conhecido como o FHC da Argentina.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Oposição e jn apostam no fracasso da Copa. Cadê a Ley de Medios ?


No Maracanã, tudo bem. Se o jn concordar
No jornal nacional de hoje (é caixa baixa, mesmo, revisor) há extensa reportagem sobre o fracasso da Copa no Brasil.

Trata de uma pesquisa do IPEA que localiza atraso em 10 dos 13 aeroportos de cidades que serão sede de jogos da Copa.

O IPEA é sério.

O jn, não.

Não ouve o “outro lado”, como diz a Folha (*), especialista em falsas equivalências, como diz o Paul Krugman.

A Infraero, responsável pelas obras não fala.

O Ministro dos Transportes não fala.

A agência designada para coordenar as obras da Copa não fala.

Só quem fala são o jn e o técnico do IPEA, que entende muito do que acontece hoje, mas não sabe avaliar o que vai acontecer na Copa.

O site Amigos do Presidente Lula revela que o programa do PSDB no horário eleitoral vai atacar o Governo com o atraso das obras nos aeroportos.

Essa é a batalha anunciada.

O PiG (**) e a Oposição (eles são como a corda e a caçamba) vão dizer que a Copa é um fracasso.

Não importa o que acontecer.

De futebol todo brasileiro entende.

É uma aposta alta.

Derrotar a Dilma em 2014 com finger de aeroporto é um desafio para quem quer que o pobre exploda.

Mas, é uma aposta que pode render frutos.

Com o apoio do PiG (**).

Como foi no “caosaéreo”, quando PiG (**) demonstrou que o Lula não ligou o transponder do Legacy e não puxou o freio do Airbus da TAM, em Congonhas.

A oposição não tem o que dizer.

Tem que apostar no fracasso.

No quanto pior, melhor.

É do jogo.

A JK de saias que bote a rapaziada para trabalhar.

Quem manda não ter uma Ley de Medios, para botar a Infraero e o Ministro dos Transportes para falar !
Clique aqui para ler “Parlamentares do PSOL defendem a Ley de Medios – e o PT ? E o PC do B? E o PSB ? Cadê a base do Governo ? Têm medo da Globo ?”
Em tempo: às 21h30 desta quinta-feira o PSDB deu sequência à reportagem do jornal nacional.  Um comercial de televisão, localizado num aeroporto, mostra um jovem a dizer que os aeroportos da Copa estão todos atrasados e ninguém faz nada. Casal 45 e partido 45, tudo a ver!




Paulo Henrique Amorim



(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.