Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

sábado, 5 de outubro de 2013

A BORBOLETA VIROU LAGARTA?


O tabuleiro mexeu: Campos e Marina estarão juntos em 2014. Nasce a 'quarta via', o  socialismo econeoliberal."Para destruir o chavismo do PT", diz a suave senadora que deixou o PT em 2009, 'para ser coerente com a luta 'pelo desenvolvimento sustentável'. Marina decidiu. E comunicou a seus pares em caráter irrevogável: será a vice de Eduardo Campos, que ganha assim um discurso palatável à classe média, ele que antes só falava à Fiesp e à Febraban. Marina perde a Rede, mas sobretudo, a aura de maria  imaculada e ganha a companhia dos Bornhausen, os afáveis banqueiros de Santa Catarina, que terão o comando do PSB no Estado e voz ativa na esfera nacional. Os Demos também querem 'destruir o chavismo do PT' e tem precedência na fila. É natural que ocupem espaços. Parece não incomoda-la: Marina é obstinada. Tudo pela causa. A sua passa a ser a mesma de Campos, Aécio, Serra, Freire e a da  plutocracia em busca de uma 'terceira via' para capturar o Estado novamente. Todos contra Dilma. Funciona?Dúvidas: quanto vai durar o casamento entre o personalismo anêmico de votos de Campos e a pureza armada de Marina? Como evitar que a identidade de propósitos da frente anti-petista apenas pulverize os votos dos já convertidos? Marina Silva prometeu neste sábado 'sepultar de vez a velha República'. São palavras fortes. Mas o que cogitaria como nova República um Heráclito Fortes, por exemplo, outro demo recém convertido ao socialismo complacente do PSB? Como diz Zizek, passada a fase alegre dos consensos, será preciso ir além, sem se transformar em um desastre. A ver.

Marina e Eduardo Campos = segundo turno. E nada mais






Acaba de ocorrer o fato político mais importante do ano: entre sete e oito partidos (conforme a versão) ofereceram à ex-senadora e ex-candidata a presidente Marina Silva o acolhimento de sua candidatura a presidente da República no ano que vem, mas o PSB, do governador Eduardo Campos, com empenho pessoal deste para aliciá-la, levou a melhor.
Além do PSB – partido que vem se estruturando nacionalmente com força, nas últimas eleições – e de tantos outros partidos que lhe ofereceram filiação, Marina também contou com a simpatia de setores do PSDB que vinham trabalhando pela constituição do partido dela, ainda que pensando em como ser criado ajudaria Aécio Neves a ir ao segundo turno.
Marina ainda conta com a simpatia da grande mídia oposicionista, dos banqueiros e dos grandes empresários. No vigoroso PSB e com tantas forças econômicas e políticas ao seu lado, será uma vice com luz própria de Eduardo Campos, que, apesar de ser forte apenas em Pernambuco, terá agora mais chances de ser a principal candidatura anti-Dilma.
Para os antipetistas de várias tendências que ora comemoram o já quase certo segundo turno que a nova configuração de pré-candidaturas a presidente praticamente assegura, entre os antipetistas tucanos a comemoração deveria ser mais contida ou, se houver realismo, deveria até ser lamentada.
Claro que, com o quadro supra descrito, a candidatura Dilma perde a chance de liquidar o jogo no primeiro turno, mas a força da aliança entre Marina e Campos (mídia + capital + garantia de bom tempo de tevê) já ameaça a ida de um tucano (quase certamente, Aécio Neves) ao segundo turno.
Em um hipotético – e, agora, mais do que provável – segundo turno, é mais do que claro que o PSDB não hesitará em pular no barco de Campos e Marina, o que tornará mais difícil para Dilma também a segunda etapa da eleição presidencial do ano que vem. Contudo, os petistas sempre trabalharam com a hipótese quase certa de segundo turno desde que chegaram ao poder.
Uma reeleição dura para Dilma, portanto, nunca foi novidade. E antes que os petistas e simpatizantes se desesperem, lembremo-nos de que, a partir de agora, em vez de três adversários competitivos a presidente terá só dois, ainda que mais fortes do que seriam se fossem três. Porém, só um irá ao segundo turno.
Se for Aécio, Marina e Eduardo Campos retornarão ao seus tamanhos reais; se a chapa do PSB vingar, o PSDB sofrerá uma perda de importância e de tamanho que lhe será trágica. E quando uso este adjetivo, quero dizer trágico mesmo. Uma catástrofe para os tucanos.
A garantia de segundo turno que o arranjo entre Marina e Eduardo Campos gerou, porém, não vai além disso. Haver segundo turno não significa, de fato, uma vitória oposicionista, mas a certeza de que o Brasil, mais uma vez, dividir-se-á entre os que enxergam os avanços do país e os que se negam a enxergar.
Como quando se fala em avanços do país não se fala em vento, mas em ganhos de qualidade de vida mais do que concretos para a esmagadora maioria da sociedade, é quase certo que terá sido inútil toda essa politicagem em que Marina se envolveu ao abandonar seu projeto de criação de um partido ideológico só para disputar uma eleição.

MARINA FALA EM ACABAR COM "CHAVISMO" DO PT




sexta-feira, 4 de outubro de 2013

FUNDADOR DA REDE DETONA AS FALHAS DE MARINA

ARTICULAÇÃO AÉCIO-MARINA PASSA PELA GLOBO

OS NÁUFRAGOS DA CIVILIZAÇÃO


*Sem Rede, Marina Silva sofre o arrastão midiático para escolher "um partido qualquer".

Desde ontem, o jornalismo isento joga pesado para convence-la a escolher "qualquer partido", como disse um dos porta-vozes do tucanato que faz as vezes de comentarista político de TV. A opção preferencial, sugere-se, seria o PPS, com mais tempo de propaganda para ajudar a cavar um segundo turno para Aécio Neves. Marina tem poucas horas para realizar a baldeação, pondo-se a serviço dos interesses superiores do mutirão conservador.Fará a travessia? O humorista Groucho Marx dizia: "esses são meus princípios. Se você não gosta deles, posso providenciar outros". A ver.
Confirmada pelo TSE, que negou o registro À Rede, com 1 voto de exceção: o de Gilmar Mendes.

 Desde a madrugada desta quinta-feira, as ondas e os barcos de resgate se alternam na tarefa de depositar corpos nas areias de Lampedusa, a pequena ilha siciliana no extremo sul da Itália. Corpos negros jovens, corpos velhos, corpos de crianças, corpos de mulheres grávidas. Cinquenta corpos, setenta, noventa, cem, cento e cinquenta, duzentos... Mais próxima da África do que da Sicília, a ilha se transformou em uma das portas europeias preferenciais dos desesperados. De diferentes pontos da África, eles se atiram ao mar fugindo da fome, da guerra e da pobreza. A tragédia frequentemente  irá acompanha-los na bagagem. Só em 2011,  2.700 corpos terminariam a viagem assim, enterrados  no cemitério da ilha siciliana. A Europa não é mais o lugar disposto a lhes estender as mãos. Não as estende nem aos seus deserdados: 120 milhões de pobres e 27 milhões de desempregados. Entregue aos mercados, a Europa é hoje um museu de lembranças do acolhimento humanitário e político que a transformaria em legenda de civilização e fraternidade (leia nesta pág. a crítica do último filme de Ken Loach, 'O espírito de 45').  ‘Digam-me quão grande tem que ser o cemitério em Lampeduza? ', disse a governadora Giusi Nicolini, questionando a indiferença dos atuais 'estadistas' da UE ao naufrágio conjunto dos imigrantes e da velha Europa.(LEIA MAIS AQUI)



O Espírito de 1945 hoje



Por que Ken Loach fez este filme? Os jornalistas que cobriram o Festival de Cannes – onde ele foi premiado seis vezes; duas com a Palma de Ouro -, em maio passado, perguntavam. Ele respondeu ao jornal La Repubblica de Roma: “Porque a sociedade hoje não funciona; é um caos. E para que as pessoas pensem no que pode ser feito, outra vez, na promoção do bem-estar social. Meu filme é para lembrar o que foi conseguido no passado.” Por Léa Maria Aarão Reis.

  • Kenneth Loach, de 77 anos, é filho de operários de Nuneaton, no Reino Unido, pequena cidade próxima de Coventry, uma das mais arrasadas pela blitzkrieg de Hitler na Segunda Guerra Mundial.

Sua idade e sua origem são duas chaves para entender a coerência e a profunda humanidade presentes na filmografia desse cineasta socialista, um dos grandes mestres do cinema. Sua realidade vem contida nos perfis afetuosos da classe operária inglesa e das suas lutas, na memória da experiência da guerra vivida na própria carne e nos difíceis anos do pós-guerra imediato, na Inglaterra. “Venho de um meio operário,” costuma dizer Loach. “É o mundo que conheço e que me interessa retratar.”

O seu mais recente longa-metragem, O Espírito de 45, exibido no Festival do Rio, é mais um documentário do alentado pacote de 148 documentários apresentados, este ano, entre as 380 produções da mostra.

O filme é objeto de comemoração especial. Marca o retorno do mestre inglês ao gênero do filme doc do qual se afastara há décadas e no qual é inigualável. Apresenta emocionantes imagens de época, pérolas históricas, que Loach e sua equipe garimparam em diversos depósitos esquecidos, no Reino Unido. Documentos tratados com tal apuro técnico que se assemelham a imagens produzidas hoje. Um deles mostra Churchill discursando na praça, em campanha para Primeiro Ministro pelos conservadores (acabou derrotado pelos trabalhistas) e, surpreso e constrangido, sendo vaiado. Imagem rara. “Com a vitória socialista começa uma época triunfante”, diz uma mulher em entrevista. “Na educação, por exemplo, as escolas formavam cidadãos porque as crianças aprendiam a pensar por elas próprias.” Naquele tempo, depõe outro homem, “tínhamos o controle sobre nossas vidas.” 

A miséria extrema da população nos meses subsequentes ao armistício, o estado falido e exaurido pelo esforço de guerra, o desemprego, a fome, crianças andrajosas brincando nas ruas, e tocantes entrevistas com trabalhadores, homens e mulheres hoje idosos, mineiros, estivadores, ferroviários, enfermeiras, médicos e professores todos se lembram da época de agonia. 

A montagem de cenas e sequências capta com vivacidade (uma das marcas do cinema de Loach) e intenso realismo a atmosfera de 1945 quando centenas de milhares de pessoas viviam em favelas. “Às vezes”, comenta um velho, “eu e mais oito crianças, meninos e meninas, dormíamos na mesma cama convivendo com pulgas, percevejos e ratos. A comida ainda era racionada e comia-se pão e geléia dias a fio.” 

A narrativa do filme começa com uma imagem ícone da época, a jovem radiante nas festas populares da vitória, em Piccaddily. Em seguida, a energia e o entusiasmo das pessoas construindo o estado de Bem-Estar Social britânico e a consciência de união e solidariedade que tomaram conta do Reino Unido - o espírito de 1945. Uma nova Londres é construída, com moradias dignas para os trabalhadores. Casas com banheiros também no andar térreo (antes, só no andar superior) e um pequeno quintal, o tão caro backyard dos ingleses.

A partir de então se seguem as nacionalizações. Keynes participa do governo como conselheiro informal. Em 1946 o Ministro da Saúde Anerin Bevan cria um Serviço Nacional de Saúde, o célebre NHS (National Health Service). Parte do princípio que é inadmissível o elemento comercial interferir na relação entre médico e paciente. “Meu avô“, diz uma mulher, “só começou a usar óculos aos 70 anos, com a criação do NHS. Antes, sem dinheiro, lia usando um pedaço de vidro de fundo de garrafa à maneira de lupa.” Outro trabalhador aposentado comenta com orgulho: “Eu ficaria envergonhado de ser cidadão de um país tão rico como os Estados Unidos, sem um sistema de saúde semelhante ao nosso.”

O filme vai seguindo passo a passo os anos seguintes. Em 1947, nacionalização das minas. Os mineiros passam a trabalhar em condições seguras. Dos portos - até 47 os estivadores não contavam com salário fixo. Um ano depois chega a vez das ferrovias, outro acontecimento histórico. Em 1949 o gás é nacionalizado e, em 1951, o ápice do estado de Bem-Estar Social é celebrado com o Festival da Inglaterra.

No terço final do filme, Loach apresenta o desastre tatcheriano dos anos 70. Uma única imagem marca a aparição da Primeira Ministra em um dos seus primeiros discursos em praça pública no qual invoca São Francisco de Assis (!). É vaiada.

Começa o desmonte do estado de Bem-Estar Social e das suas estruturas. Redução dos salários, demissões em massa, o enfraquecimento dos sindicatos e a repressão policial. Em 1984 a água é privatizada, em 86 o gás, em 87 a aviação comercial e em 88 as grandes manifestações de rua são reprimidas violentamente pela polícia de ferro. Em 1989 é a vez das docas e a volta do trabalho informal dos estivadores. No mesmo ano a eletricidade é privatizada, em 94 é a vez dos portos. Um milhão de jovens ingleses engrossava, então, as fileiras dos desempregados. Em 2011 foi a vez dos correios. As imagens são desalentadoras.

Vemos empresas terceirizadas contratadas, hoje, para atuar no serviço público, em especial nos hospitais. ”Não há mais nenhum país para os pobres”, diz uma idosa para a câmera de Loach. “E estaremos acabados se o governo conseguir terminar com o Serviço Nacional de Saúde.” Será a última fronteira.

Por que Kenneth Loach fez este filme? Os jornalistas que cobriram o Festival de Cannes – onde ele foi premiado seis vezes; duas com a Palma de Ouro -, em maio passado, perguntavam. Ele respondeu ao jornal La Repubblica de Roma: “Porque a sociedade hoje não funciona; é um caos. E para que as pessoas pensem no que pode ser feito, outra vez, na promoção do bem-estar social. Meu filme é para lembrar o que foi conseguido no passado.” E aproveitou para lamentar: “Não há mais esquerda na Europa. Ela se desmanchou na social-democracia e foi devastada pelas divisões internas.”

O Espírito de 45 é um filme esférico. Depois das sequencias otimistas com imagens das festas do Labour Party, nas ruas, tratadas em tecnicolor, ele volta à mesma imagem do início. A moça de Piccadilly no meio de uma multidão exultante e a trilha musical insinuando o que pode ser transformado, novamente, hoje. É uma daquelas músicas das bandas dançantes de época pinçadas por George Fenton, compositor e colaborador de Loach em onze filmes do mestre. 

Mas uma ponta de tristeza vem do trompete de Harry James.

Reuters: anúncio de reserva gigante de petróleo em Sergipe sairá dia 23

sergipe

A imprensa brasileira segue  ”papando mosca” com as notícias da descoberta de uma grande reserva de petróleo ao largo do litoral de Sergipe.

De novo, foi a Agência Reuters que publicou, na madrugada desta sexta-feira, que será anunciada oficialmente que há uma nova província petrolífera de dimensóes ainda precariamente conhecidas a cerca de 100 quilômetros de Aracaju que, por enquanto, situa-se numa área de 6 mil quilômetros quadrados, com profundidades entre 2 e 3 mil metros.
Esta área tem tês blocos exploratórios: os BM (blocos marítimos) 4, 10 e 11. Todos são operados pela Petrobras e a tem como majoritária ou exclusiva concessionária: 60% nos blocos 4 e 11 (com a americana Hess e com a indiana IBV, respetivamente) e 100% no Bloco 10.
A estimativa divulgada pela Reuters é de um bilhão de barris de petróleo recuperáveis, de um reserva total de 3 bilhões. A informação que tenho é de que esta expectativa é conservadora.
Por: Fernando Brito

Finalmente a Dra. Mayra vai dar atenção aos pobres de Fortaleza.

mayra

Tasso Jereissati, ontem, presidiu a filiação de dois médicos cearenses ao PSDB,um deles a Dra. Mayra Pinheiro, uma das que vaiou e tentou humilhar seus colegas cubanos aos gritos de ¨escravo.

Boa sorte à Dra. Mayra.
É assim que se faz política, filiado aos partidos e disputando eleições.
Não vaiando e tentando humilhar pessoas, ainda mais gente que não podia reagir.
Que a senhora possa fazer, como candidata, aquilo que não quer fazer como médica: ir à periferia, às favelas de Fortaleza, que são mais de 500.
E que ali aperte a mão das pessoas pobres, pergunte como elas vão, ouça o que precisam para serem assistidas.
Ouça elas dizerem que não têm um médico no posto de saúde quando um de seus filhos passa mal, como esperam horas, dias, meses, para que alguém de branco se digne a ouvir ou ver o que lhes aflige.
Quem sabe a senhora explique a eles que é preciso alta especialização para ver as perebas que tomam conta da perna do menino, ou a tosse comprida que angustia a senhora idosa?
Talvez aí a senhora compreenda que eles precisam de um médico, de um médico como a senhora e outros não querem ser, porque aquelas pessoas não são bem…clientes, são apenas seres humanos.
Pobres, miseráveis, escravos do isolamento e da desatenção das elites.
Pode ser uma grande experiência, Dra. Mayra.
Quem sabe assim a senhora possa ser gentil e atenciosa com um pobre, um negro, um desvalido.
Quem sabe até, finalmente, vá lhe dar um sorriso, trocar algumas palavras.
Quem sabe chegue mesmo a tocar nele.
E sem luvas, imagine!
Por: Fernando Brito

PML: CASO DE MARINA RETOMA LEI DOS AMIGOS

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Marina difere de outros políticos em que, afinal?


Escrevo antes de o Tribunal Superior Eleitoral julgar o pedido de Marina Silva para que autorize a criação do (seu) partido “Rede Sustentabilidade” à revelia do parecer do vice-procurador-geral-eleitoral, Eugênio Aragão, que julgou que a pretensa legenda não cumpriu exigências.
Marina tem todo o direito e toda a legitimidade para criar “sua” legenda particular, que, ao que tudo indica, teria – ou terá – dono. Ou dona. E cabe à Justiça Eleitoral autorizar ou não, caso entenda que foram ou não cumpridas as exigências legais para tanto.
Aconteça o que acontecer, porém, o que dá causa a este texto não é o desfecho desse caso, mas o quanto reforça a percepção de que essa senhora está muito longe de provar ser o que apregoa, ou seja, uma política “diferente”.
Marina vem construindo uma imagem política calcada muito mais – ou exclusivamente – em sua imagem histórica do que em suas ideias e propostas.
Auferiu 20 milhões de votos na eleição presidencial de 2010 só dizendo ser “diferente”, porém ao lado de um mega empresário que foi candidato a vice-presidente em sua chapa, Guilherme Leal, então presidente da Natura.
A Natura foi processada por biopirataria pelo Ministério Público do Acre e, depois, foi inocentada pela Justiça, mas sempre fica a questão sobre se sua ligação com uma empresa que sequer registra em carteira (garantindo direitos trabalhistas básicos) a sua força de vendas, composta por mulheres que chama de “consultoras”, é assim tão “diferente”.
Marina tem entre os entusiastas de sua candidatura Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal, o falecido fundador do banco Itaú. Maria Alice é “articuladora essencial” — cuida da captação de recursos — para o partido de Marina. É uma espécie de fada madrinha da “Rede Sustentabilidade”.
Com uma dona de banco cuidando do suporte financeiro do “seu” partido, por certo a “fadinha da floresta” não terá muitos problemas de dinheiro…
Mas tudo bem. Lula teve como vice um mega empresário, o falecido José Alencar. Só não se pode dizer que Marina é “diferente” do ex-presidente ou de tantos outros políticos. A “sustentabilidade” financeira é a mesma, no mínimo.
O que não é igual a Lula, em relação a Marina, são as suas ideias, suas propostas, sua ideologia. Ninguém sabe nada sobre o ideário da pré-candidata a governar o Brasil. Só o que se sabe é da empatia que a grande mídia, eternamente adepta do PSDB, tem pela candidata “verde”.
Marina é tão “diferente”, mas tão “diferente” que desperta esse apoio midiático-empresarial-financeiro totalmente “desinteressado”. Ora, vejam só…
O que preocupa é que, tal qual Fernando Collor, temos hoje no Brasil uma candidata que se projeta com frases feitas e uma imagem que pretende dizer o que suas palavras não dizem. E que tenta criar um partido para disputar uma eleição, quando não é essa a lógica que deveria nortear qualquer agremiação política.
Sem uma base política clara, sem um ideário, com dinheiro chovendo sobre si, Marina, agora, tenta conseguir que a legislação sobre criação de partidos políticos seja ignorada só por ela ser quem é.
Em um vídeo lançado há dias e que ainda só tem cerca de 2 mil visualizações, Marina diz que a Justiça Eleitoral autorizar a criação de seu partido mesmo sem ele ter reunido assinaturas suficientes iria “democratizar a democracia”.
Marina, seguramente, construiu uma imagem muito generosa de si mesma para si mesma, mas ela se auto elogiar e apresentar suas ambições políticas como determinantes da democracia da nação me parece um certo exagero…
Então pergunto: quais são as posições da pré-candidata Marina Silva sobre economia, área social, educação, saúde etc.? Tampouco encontrei nada que ela tenha dito claramente sobre tais temas, além de chavões e mais chavões.
Concluo pedindo que alguém me informe se esqueci de citar algum elemento que referende a tese de que Marina Silva é uma política “diferente”, porque não encontrei nenhum. Tudo o que encontrei foi um blábláblá que lhe justifica o apelido de “Blablarina”.

NASSIF: CERRA É UM BLEFE ! Cerra é um jenio ! E por falar nele: de que vive o Cerra ?

Por sugestão do amigo navegante José Jorge Carvalho, o Conversa Afiada reproduz texto (suave) do Nassif sobre o Padim Pade Cerra.

(O Conversa Afiada abre passagem ao Nassif, mas acha que o Aécio já entregou o ouro.)

SERRA: A VOLTA DOS QUE NUNCA FORAM



Luis Nassif

O ex-governador José Serra não decidiu agora ficar no PSDB porque jamais foi sua intenção deixa-lo. Jamais trocaria um partido pronto e acabado, como o PSDB, por um partido acabado, como o PPS.

Para fazê-lo teria que dispor de liderança, propostas e capacidade de articulação que nunca fizeram parte de sua personalidade.

A exemplo de inúmeros políticos egressos da política estudantil pré-ditadura, e do próprio Partidão, o estilo de Serra sempre foi “aparelhista”, o de articular internamente na máquina partidária para conquistar espaço e poder, despendendo energia para dentro, em ações e dossiês contra quem ameaçasse sua liderança interna; ou em guerrilhas para fora, valendo-se do mesmo estilo.

Nunca foi um organizador ou formulador partidário.

No seu primeiro cargo público, de Secretário do Planejamento do governo Montoro, sua atuação mais expressiva foi colocar aliados nos principais cargos financeiros do Estado, além de controlar com mão de ferro compras públicas e listas de pagamento de precatórios. Valeu-lhe poder financeiro, para as campanhas eleitorais, e a imagem de pragmático e de técnico rigoroso com as contas públicas.

Mas Serra jamais confiou no próprio discernimento para atuar a céu aberto.

Sempre foi fundamentalmente inseguro em todos os passos que deu. Em quase todos eles, sempre precisou se escorar ou no comando de Fernando Henrique Cardoso, enquanto presidente da República, nos seus conselhos, como espécie de irmão mais velho em permanente litígio,  ou na sua influência, enquanto maior liderança do partido. Embora o próprio FHC padecesse do mesmo problema da indecisão e da dificuldade em prospectar cenários futuros.

Foi assim quando Fernando Collor convidou-o a assumir a Fazenda e FHC o Itamarati. Foram semanas de indecisão, de vontade de , mas sem saber avaliar as consequências futuras. A questão acabou sendo decidida por Mário Covas, que bateu na mesa impedindo a ida que teria sido desastrosa.

Esse episódio consolidou a imagem de “indeciso” que se pespegou no partido nos anos 90 – apesar da determinação de outras lideranças como Sérgio Motta e Mário Covas.

As indecisões prosseguiram durante toda sua carreira política.

No plano Real, escondeu-se nos grandes debates internos do governo FHC, inibido pelo maior conhecimento dos economistas do Real. Para jornalistas conhecidos manifestava-se contra a política cambial. Mas sempre em off. Internamente, sumia.
O “aparelhista” versus o líder político

Durante os anos 90, assim como no governo Montoro, tratou de colocar aliados em todos os cargos-chaves financeiros por onde passava. Colocou aliados no Banespa do governo Fleury, no grupo incumbido da privatização por Itamar Franco. E, depois, nos cargos-chave da privatização do governo FHC.

Essa eficiência aparelhista contrastava com a indecisão para definir sua carreira para fora do partido ou para levantar novas propostas. Sempre foi eficiente nas ações de bastidores e perdido nas ações voltadas para o exercício da politica.

Levou quase um mês para aceitar o convite para ser Ministro da Saúde de FHC. E colecionou indecisões nas vezes em que foi lançado pré-candidato a presidente.

Nunca foi de encarar situações de conflito. Desapareceu quando o senador ACM saiu do Senado atirando e, em diversas entrevistas, mostrando as ligações do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio com Serra.

Depois, já governador, escondeu-se no episódio das enchentes em São Paulo, na greve dos policiais civis e na crise de 2008 – a Abimaq  (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) precisou ameaçar piquete na porta do Palácio para ser recebido por ele.

Dentro do PSDB, conquistou espaço exclusivamente devido ao apoio de FHC e, principalmente, da velha mídia.

Quando o próprio FHC anunciou publicamente o apoio ao pré-candidato Aécio Neves, Serra retornou à dimensão real de sua influência no partido. Depois das últimas eleições, seu exército se limitava a um grupo reduzido de velhos políticos tendo em comum uma agressividade ilimitada contra adversários: Alberto Goldmann, Aloysio Nunes, Roberto Freire.
A falta de propostas

Tudo isso devido ao fato de Serra jamais ter desenvolvido um conjunto coerente de ideias. No governo FHC, imaginava-se que as teria e não poderia expô-las devido ao fato do presidente ter encampado as ideias dos economistas do Real.

Quando assumiu o protagonismo político, como prefeito e, depois, governador de São Paulo, percebeu-se que, na verdade, não possuía um corpo estruturado de ideias. Pelo contrário. Nos anos 90 e 2000 o país atravessou o mais profundo processo de transformações de sua sociedade, com a consolidação de temas relevantes, como gestão, inovação, políticas sociais, modelos de desenvolvimento. Serra não  assimilou nenhum dos temas e, eleito governador, fez uma gestão inodora.

Como liderança pública, limitou-se a manter o estilo em “off” anterior de reduzir toda discussão política à desqualificação do adversário.

Jamais poupou Aécio e tomou-se de raiva contra as novas lideranças que surgiam, como o governador de Pernambuco Eduardo Campos ou o prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Sua prática política limitava-se a ser “contra”: contra o PT, contra Malan, contra Paulo Renato, contra Aécio, contra Alckmin, contra Haddad, explorando jornalisticamente defeitos e vulnerabilidades dos adversários.
O fim da linha

Seu reino político terminou nas eleições de 2010, ao protagonizar aquela que foi provavelmente a mais pesada campanha da história, com uma mescla inédita de notícias falsas plantadas nos jornais e repercutidas nas redes sociais, copiando o estilo Tea Party da Foxnews norte-americana.

Terminadas as eleições, o poder de Serra resume-se às ligações com alguns veículos de comunicação.

Saiu candidato a prefeito de São Paulo por absoluta falta de alternativa.

Tentou espaço na Fundação Teotônio Vilela, do PSDB, e não conseguiu. Tentou cargo na cúpula do partido e lhe foi negado. Nas hostes aecistas, ninguém duvida de sua mão por trás de dossiês e campanhas contra Aécio. E, do lado de Serra, todos sabem que o chamado dossiê Amaury Jr foi uma reação de partidários de Aécio contra os ataques de Serra.

É detestado pela militância do PSDB não apenas em Minas Gerais, mas também em São Paulo.

Mas suportam-se mutuamente por razões pragmáticas: Serra sabe que não sobrevive sem o PSDB; e Aécio acha que, com Serra por perto, reduzem-se as chances de novos dossiês espalhados por veículos aliados.

Por esse perfil, jamais sairia do PSDB sem encontrar um partido pronto e acabado. Decidindo ficar, seu discurso para comemorar o “fico” foi o exercício recorrente do “anti”: fica para combater o inimigo, não para trazer ideias. E voltou sem ter ido e sem ter recebido nada em troca – a não ser palavras protocolares de apoio.

Mas conseguiu um feito. Deixa um legado de ódio, preconceitos e negativismo que hoje em dia se constituem no principal obstáculo para a oxigenação do PSDB
.


Em tempo:

A propósito deste parágrafo do texto do Nassif:

No seu primeiro cargo público, de Secretário do Planejamento do governo Montoro, sua atuação mais expressiva foi colocar aliados nos principais cargos financeiros do Estado, além de controlar com mão de ferro compras públicas e listas de pagamento de precatórios. Valeu-lhe poder financeiro, para as campanhas eleitorais, e a imagem de pragmático e de técnico rigoroso com as contas públicas.

O Conversa Afiada sugere a leitura deste post revelador, com dois personagens obrigatórios numa biografia do Padim: Flavio Bierrenbach e Wálter Mairerovitch:

SERRA FEZ PLANTÃO NA PORTA DA JUSTIÇA. MEDO DE SE PROVAR QUE ERA LADRÃO



O Conversa Afiada publicou post de título “Dilma, desmascare o Serra. Ele não tem escrúpulos”.

Aí se diz:  

Dilma, você já ouviu falar no Flavio Bierrembach ?

O Flavio é um homem honrado.

Ele era candidato a deputado com o Serra e acusou o Serra de ladrão.

O Serra foi para cima dele.

Por azar, a ação caiu na mão do Juiz Walter Maierovitch.

Maierovitch chamou o Bierrembach às falas: que historia é essa de chamar alguém de ladrão, sem provas ?

O Bierrembach pediu “exceção da verdade” – ou seja, quero provar o que digo.

Maierovitch imediatamente deu ao Bierrembach o direito de provar o que dizia.

Dilma, sabe o que o Serra fez ?

Engavetou a ação.

Chama o Bierrembach para contar essa história.

Chama o Maierovitch – e só ligar para a Mara, secretária do Mino, na Carta Capital, que a Mara acha o Maierovitch rapidinho.


A propósito, o Conversa Afiada recebeu o seguinte e-mail do Maierovitch:


Caro Paulo Henrique.

–1. Seguem os meus telefones, sem precisar procurar a Mara, mencionada no seu texto.

–2. Antes de mais nada. Não tenho filiação política partidária e nem religião. Não busco cargos e não tenho vocação para me tornar parlamentar.

Sou independente e não faço média. Para deixar claro: votei para o Galeno Amorim (PT), Luiza Erundina (PSB), Aloísio Nunes Ferreira (PSDB), Marta (PT), Fábio Feldman(PV) e Dilma (PT).

Como dediquei a minha vida ao estudo da criminalidade organizada transnacional, com especial atenção ao comportamento dos seus membros e como se movem quando apanhados pela Justiça, o Serra nunca perdi de vista. Isto pelo comportamento em face do processo criminal em que tudo fez para não ser apurada a exceção da verdade proposta pelo Flávio Bierrembach: até o advogado Marcio T.Bastos foi contratado para substituir o filho do Covas (advogado do Serra).

Mais ainda, à época dois plantonistas desigados pelo Serra revezavam-se no Cartório Eleitoral. Cumpriam a tarefa de evitar a saída, por erro cartorial, de ofícios que indagavam das movimentações financeiras de Serra, estas necessárias para comprovar o arguído por Berrembach. Também para apurar, pois ventilado,  eventual compra de uma mansão no aristocrático bairro da City Lapa, dada como domícilio e residência de Serra : os ofícios, em razão da liminar, tinham sido apensados ao autos processuais. E Serra, recém eleito deputado federal, defendia, nos autos, a privacidade e não transparência. Em resumo, e daí os plantonistas,, não desejava que, com as expedições dos ofícios suspensos por liminar, viessem respostas. Destaco essa passagem por ter lido entrevista de Serra a sustentar “nunca ter sido envolvido em processos escandalosos referente a corrupção”.

A propósito, na Máfia, quer na siciliana, quer na Cosa Nostra sículo-norte-americana, esconder o patrimônio e se passar por “furbo” (espertalhão) é a regra adotada pelos capi dei capi (chefões). Só que tem um particular, de natureza ética, como ressaltado no episódio a envolver Bernardo Provenzano. O referido Provenzano, já chefe dos chefes da Máfia e foragido por mais de 40 anos sem deixar o comando da  organização e tirar os pés da Sicilia, avisou o procurador nacional antimáfia, quando preso e posto à sua frente: 

– “Vamos deixar claro. O senhor faz o esbirro e eu o mafioso. Cada um na sua, sem disfarces”. Depois do aviso e contente por não esconder o que era, mergulhou no mais absoluto silêncio.

Em termos de transparência, prefiro Provenzano a Serra.

Atenciosamente.

Wálter Fanganiello Maierovitch