Vinte e quatro horas depois que o cartunista Chico Caruso preparou a cena da degola da presidente Dilma Rousseff, em pleno Dia Internacional da Mulher, lideranças do PSDB disputaram o papel do Jihadista John, o cortador de cabeças do Estado Islâmico; enquanto José Serra e Beto Richa argumentaram em favor do impeachment, FHC e Aécio Neves defenderam a tese do 'sangramento', defendida publicamente pelo senador Aloysio Nunes, o pit bull da esquadra tucana; os cinco neoudenistas ganharam ainda o apoio de outra reserva moral da Nação, o ruralista Ronaldo Caiado, do DEM, que contestou a tese do sangramento; "quero a cura", disse ele, referindo-se à cabeça de Dilma Rousseff numa bandeja
247 - Afinal, quem é o Jihadista John, que, ontem, no Dia Internacional da Mulher, ameaçava cortar a cabeça da presidente Dilma Rousseff, na capa do jornal O Globo?
Para o jornalista Fernando Brito, editor do Tijolaço, não resta dúvida. Trata-se do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que parece ser o líder incontestável da oposição brasileira (leia mais aqui).
No entanto, em encontro realizado nesta segunda-feira em São Paulo, o ex-presidente adotou uma posição mais branda. "Não adianta nada tirar a presidente", disse ele.
Ou seja: a que tudo indica, FHC passou a defender a tese do sangramento lento e gradual da presidente – um caminho que foi defendido pelo pit bull da legenda, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). "Não quero que ela saia, quero sangrar a Dilma, não quero que o Brasil seja presidido pelo Michel Temer", afirmou Aloysio.
Em favor da degola, dois tucanos se posicionaram: o senador José Serra (PSDB-SP) e o governador Beto Richa, do Paraná.
"O governo está tão fraco que dá margem a que gente reivindique o impeachment”, disse Serra, em entrevista ao jornal El Pais. Richa afirmou que, "devido à crise moral" vivida atualmente pelo Brasil, "é possível" um eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff. Detalhe: recentemente, milhares de paranaenses foram às ruas quando descobriram que Richa pretendia usar recursos do fundo de previdência para pagar salários.
No ninho tucano, o presidente nacional do partido, Aécio Neves (PSDB-MG), não tem falado em impeachment, nem em sangramento – apenas em "descalabro moral", muito embora seu caso na Lava Jato, sobre desvios em Furnas, ainda possa ser reaberto. A honrosa exceção, no PSDB, deve ser feita aos governadores Geraldo Alckmin, de São Paulo, e Marconi Perillo, de Goiás, que já se pronunciaram diversas vezes em defesa da legalidade e da manutenção da ordem democrática.
Do estado governado por Perillo, veio também mais uma adesão ao golpe: do senador Ronaldo Caiado (DEM/GO), que rejeitou a tese do 'sangramento' da presidente Dilma Rousseff. "Quero a cura", disse Caiado, que, recentemente, saiu em defesa do senador Agripino Maia (DEM/RN), acusado pela procuradoria-geral da República de receber propinas de R$ 1,1 milhão no Rio Grande do Norte.
Como diria Millôr Fernandes, o problema do Brasil não está no moralismo, mas nos nossos moralistas.
A edição do Jornal Nacional de segunda-feira, 9 de março de 2015, mostrou, pela enésima vez, que este país, na contramão dos países mais desenvolvidos do mundo, permite que uma família bilionária faça uso de concessão pública da importância da maior rede de comunicação nacional com fim político-partidário, ilegal por força da lei.
O Jornal Nacional começou e terminou mal. A rima acidental soa a conspiração dos deuses da redação para, por esse meio, também manifestarem repúdio à apropriação ilegal e imoral de um bem público, a faixa do espectro radioelétrico por onde trafegam as ondas da Globo, por um grupo político afinado com setores da sociedade que vêm se notabilizando pelo fascismo, pela boçalidade, pela falta de uma réstia de educação e de um mínimo de civilidade.
O telejornal começou tratando (pouco) do indiciamento de políticos no Supremo Tribunal Federal, semana passada. Como era de se esperar, restringiu a reportagem ao PT, com alguma sobra para o PMDB e para o PP, mas, obviamente, poupando o PSDB ao não tocar na citação com arquivamento da acusação contra Aécio Neves e no indiciamento de fato de seu afilhado político e sucessor no governo de Minas, Antonio Anastasia.
Ao fim do primeiro bloco, o JN anuncia reportagem sobre o “panelaço” de energúmenos contra Dilma Rousseff. Milhões de espectadores devem ter pensado que viria paulada, que seria feita uma reportagem massacrando a presidente – dentre esses milhões, parte estaria torcendo para que isso ocorresse, parte estaria indignada com a previsibilidade de ocorrer.
Não foi o que se viu. Tratou-se de uma reportagem até bastante correta. Abriu com a resposta de Dilma aos agressores, o mínimo que deveria ser feito contra alguém agredida com palavrões do mais baixo calão, aos berros, pelas ruas de várias partes do país, ainda que tenha sido manifestação de poucos. Em seguida, foi apresentada a posição do PT sobre o ataque.
Foi só ao fim da reportagem que, em tempo menor que o de Dilma e de seu partido, um membro do DEM acusado recentemente de corrupção, e outro do PSDB ligado a grupos políticos envolvidos com corrupção, responderam à acusação do PT, veiculada pouco antes, de que a oposição estaria por trás da agressão de domingo à presidente da República.
Então, onde está o motivo para reclamação? Para entender, é preciso perguntar se aquela notícia deveria receber tal destaque no maior telejornal do país, no horário mais nobre da televisão, que medições oficiais mostram que atinge a milhões de pessoas.
Dilma Rousseff, a cidadã Dilma Rousseff, poderia processar qualquer uma das pessoas que a chamaram de “vaca” da varanda de seus enormes apartamentos, incrustados em condomínios de luxo.
Mais: qualquer morador de um desses condomínios que tiver se sentido agredido pelos palavrões berrados pelo vizinho a plenos pulmões poderia reclamar ao próprio condomínio e até à Justiça, pois sair à janela e berrar palavrões e insultos a quem quiser ouvir pode provocar danos morais, na melhor das hipóteses, a quem não concordar com a manifestação em espaço onde todos têm direito a paz e tranquilidade, já que interiores de condomínios não se prestam a esse tipo de manifestação política truculenta.
Diante disso tudo, o Jornal Nacional, tanto qualquer outro que tenha dado espaço àquela aberração, tratou de ajudar os agressores energúmenos da primeira mandatária da Nação, eleita por mais de meia centena de milhões de votos e que não tem uma mísera acusação contra si na Justiça, à diferença dos dois tucanos que, ao fim da reportagem, puderam dizer que haveria algum tipo de mérito na agressão a ela.
O telejornal da Globo ajudou esses golpistas boçais a divulgarem seu protesto, que continuará no próximo domingo em manifestações de rua.
A reportagem, se tivesse mesmo que ser feita, poderia, muito rapidamente, dizer só os fatos, que algumas dezenas de pessoas, em algumas capitais, gritaram palavrões contra a presidente da República, mas tratou de legitimar aquele ato ao não revelar a virulência com que foi levado a efeito e ao pôr políticos com ar de seriedade para defender tal barbárie.
Por que não surpreende a Globo dar uma forcinha àqueles animais? Porque essa é a história de cinquenta anos de Globo no Brasil, uma história suja, uma história de promiscuidade com forças políticas obscuras como a ditadura militar de 1964, que deu dinheiro ao fundador da emissora para ajudá-la a massacrar o povo brasileiro.
Seja como for, o Blog deixa ao leitor, através do vídeo abaixo, a prerrogativa de concordar ou não com o que acaba de ler assistindo à edição em tela do Jornal Nacional. Detalhe: só comentários em contrário que forem civilizados e respeitosos serão publicados. Nada além destes.
Um fato extremamente significativo sobre a denúncia feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal contra investigados pela Operação Lava Jato está sendo sumariamente ignorado pela dita “grande imprensa”.
Enquanto essa imprensa tenta, desesperadamente, envolver de alguma forma Dilma Rousseff distorcendo menção a ela na decisão do ministro Teori Zavascki, casos envolvendo um ex-presidente da República e um ex-governador de Estado, ao menos até aqui são os mais graves.
Antes de prosseguir, vale lembrar que, à diferença do que diz a imprensa corporativa, Dilma não deixou de ser envolvida nas investigações por conta do artigo 86, parágrafo 4º da Constituição, que reza que “o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”.
Leia abaixo, leitor, o que diz o ministro Teori Zavascki sobre a razão pela qual a presidente da República não será investigada pelo STF.
“(…) o procedimento foi instaurado exclusivamente em relação a Antonio Palocci Filho, porquanto, em relação a ‘referência a envolvimento indireto’ (fl. 68) da campanha da Presidente da República, o próprio Procurador-Geral da República já adiantava excluir, dos elementos à vista, conclusão que conduzisse a procedimento voltado à Chefe do Poder Executivo. Portanto, a rigor, nada há a arquivar em relação à Presidente da República. Aliás, ainda que assim não fosse, é certo que, nos termos da Constituição Federal, ‘o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções’ (CF, art. 86, § 4º) (…)”.
Como se vê, apesar de a Constituição vetar responsabilização da presidente por atos alheios ao seu mandato, o ministro Zavascki diz, claramente, que não é essa a causa do não indiciamento de Dilma. A causa é o fato de nada pesar contra ela.
Mas o que importa, neste texto, não é isso, pois o fato já foi esclarecido até em matéria do jornal O Estado de São Paulo publicada no último sábado. O que importa é que de todos os citados pelo procurador-geral da República em sua peça ao STF, os casos mais graves são o do ex-presidente Fernando Collor de Mello e o do ex-governador Antonio Augusto Junho Anastasia.
Para entender por que, há que recorrer ao site do Supremo Tribunal Federal, na página que detalha as decisões do ministro Zavascki sobre a denúncia do procurador-geral da República. Confira, abaixo, reprodução dessa página.
O ministro dividiu os inquéritos em três tópicos: os arquivados ou remetidos à origem, os que deverão ser instalados mas ainda dependem de diligências adicionais e aqueles que, devido à solidez das provas, já foram instaurados por “deferimento das diligências”. Neste último tópico, só figuram Collor e Anastasia.
Por que? A leitura das decisões de Teori Zavascki e de Rodrigo Janot sobre esses dois, esclarece.
Eis o primeiro parágrafo do despacho do ministro do STF sobre Collor:
Como se vê, foram encontrados com Yousseff nada mais, nada menos do que recibos de depósitos bancários para Collor. Mais grave não é impossível, mas isso é muito grave.
No caso de Anastasia, o despacho de Zavascki é pouco claro. Mas a denúncia do procurador-geral da República é bem clara. Confira, abaixo, trecho de matéria do insuspeito jornal O Globo sobre o que disse Rodrigo Janot para convencer o ministro do Supremo a instaurar, sem mais delongas, o inquérito contra o ex-governador de Minas Gerais.
“A riqueza de detalhes apresentada por Jayme [Alves de Oliveira Filho, o policial que acusa Anastasia], somada ao reconhecimento pessoal do senador [pelo mesmo Jayme], apontam para a necessidade de aprofundamento das investigações”, argumentou Janot para pedir a continuidade das investigações. Segundo a contabilidade apreendida [com o denunciante], duas entregas que totalizam valores próximos de R$ 1 milhão teriam sido realizadas em Minas: a primeira em 9 de maio, no total de R$ 600 mil, e a segunda em 13 de junho, no valor de R$ 270,4 mil.
Ou seja, além de Jayme Alves de Oliveira Filho, vulgo “Careca”, ter reconhecido fisicamente Anastasia como receptor do dinheiro, além de ter descrito com detalhes a residência do ex-governador, ainda foram apreendidos com o denunciante documentos que mostram o quanto teria sido entregue ao denunciado.
Diante do fato de só Collor e Anastasia terem tido deferidas pelo STF as diligências da PF e do MPF contra si, pode-se inferir que todos os outros casos não têm provas ou evidências tão sólidas quanto as que pesam contra esses dois.
A mídia gosta de bater em Collor, mas não diz nada sobre a gravidade das acusações contra ele porque o ex-presidente está na mesma situação de Anastasia e, para falar de um, teria que falar de outro.
Enquanto isso, a mídia só fala de Palocci, cujo indiciamento na origem da denúncia nem é certo, e de Dilma, quem, segundo a Procuradoria e o STF, não tem nada que ver com o assunto. E o pior: quem ludibria o público dessa forma ainda se diz “grande imprensa”.
247 obteve, com exclusividade, o despacho integral do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), que foi acusado pelo doleiro Alberto Youssef de receber pagamentos mensais da estatal Furnas, entre 1994 e 2001; Janot pediu o arquivamento porque o caso não estaria relacionado à investigação da Petrobras, mas ressaltou que ainda pode ser reaberto; "não há como, neste momento, em face do que se tem concretamente nos autos, dar andamento a investigação formal em detrimento do parlamentar", disse ele; "É importante acentuar que tais conclusões prefaciais não inviabilizam que, caso surjam ulteriormente dados minimamente objetivos que justifiquem e permitam uma apuração em relação ao parlamentar, se retome o procedimento próprio para tal fim", completa; confira a íntegra do documento
Minas 247 - A relação entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e as empresas Furnas e Bauruense, subcontrada pela estatal para, supostamente, pagar propinas a agentes políticos, ainda não pode ser considerada um caso definitivamente encerrado.
247 obteve o despacho integral do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que enfatiza que Aécio ainda pode ser alvo de uma ação penal, caso surjam novas provas.
O nome do tucano surgiu depois que o doleiro Alberto Youssef afirmou, em delação premiada, que ele teria recebido propinas mensais de Furnas, entre 1994 e 2001, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (leia mais aqui).
"Afirmou que ouviu que AÉCIO também teria recebido valores mensais, por intermédio de sua irmã, de uma das empresas contratadas por FURNAS, a empresa BAURUENSE, no período entre 1994 e 2000/2001", escreveu Janot, em seu despacho, referindo-se à delação de Youssef.
Janot decidiu arquivar o caso porque não estaria relacionado à Petrobras – embarcando, aparentemente, na tese de que Youssef só pode delatar supostos esquemas de corrupção que envolvem a atual administração federal.
"Todos os elementos existentes na investigação denominada Lava Jato indicam para a existência de esquema criminoso montado dentro da PETROBRAS, especialmente na Diretoria de Abastecimento, na Diretoria de Serviços e na Diretoria Internacional, contava com a relevante participação de grupos de políticos", escreve Janot. "A referência que se fez ao Senador AÉCIO NEVES diz com supostos fatos no âmbito da administração de FURNAS. Assim, do que se tem conhecimento, são fatos completamente diversos e dissociados entre si."
Eventual reabertura
De acordo com Janot, caso surjam novos elementos de prova, o caso ainda poderá ser reaberto. "É importante acentuar que tais conclusões prefaciais não inviabilizam que, caso surjam ulteriormente dados minimamente objetivos que justifiquem e permitam uma apuração em relação ao parlamentar, se retome o procedimento próprio para tal fim", escreveu o procurador-geral da República.
Na transição de seu primeiro mandato para o segundo, Dilma Rousseff incorreu no mesmo erro de Lula ao assumir a Presidência em 2003. Naquele ano, o novo presidente da República optou por não ser “revanchista” contra o PSDB, que fizera contra si uma campanha mentirosa, acusando-o de pretender adotar políticas danosas que jamais adotou.
Lula poderia ter investigado a privataria tucana, entre outros muitos escândalos do governo anterior, mas entendeu que o país precisava de paz, pois estava mergulhado em uma crise econômica gravíssima.
Dilma, como Lula em 2003, optou pela contemporização ao longo dos primeiros meses deste ano, o que revelou-se inútil pois a oposição continuou em campanha.
A presidente não cumpriu promessa que fez no seu horário eleitoral de sexta-feira, 24 de outubro de 2014, de processar a revista Veja por ter antecipado edição que, normalmente, sairia no dia seguinte. A edição extemporânea viria a acusar Dilma, e a seu padrinho político, Lula, de saberem dos casos de corrupção na Petrobrás.
A revista até pode tentar se defender atribuindo ao doleiro Alberto Yousseff a acusação que fez a Dilma com o objetivo claro, cristalino de influir no resultado da eleição presidencial em segundo turno, porém, até aqui, não há nem mesmo prova de que o doleiro tenha feito tal declaração.
Se Yousseff tivesse mesmo acusado Dilma e Lula, o ex-presidente teria começado a ser investigado muito antes e a presidente teria aparecido na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que o Supremo Tribunal Federal divulgou na noite desta sexta-feira, 6 de março.
Ou seja, Veja publicou uma campanha publicitária de grande alcance contra a primeira mandatária da nação, material que foi reproduzido em escala nacional, inclusive em redes de televisão, tudo às vésperas de um momento de extrema importância para a presidente.
O princípio que rege o julgamento do dano moral é baseado, também, no potencial difamatório da calúnia, ou seja, de acordo com o meio usado para divulgá-la. Nesse contexto, o ataque de Veja usou o meio mais eficiente, de maior alcance, de maior potencial para que uma calúnia fosse assacada.
Não há dia em que este Blog não receba comentário de leitores pedindo informações sobre o processo que Dilma prometeu mover contra Veja no mesmo dia em que sua edição infame – e, agora se sabe, mentirosa – chegou às bancas de jornal de todo país. Edição cuja capa serviu de panfleto eleitoral para militância do PSDB em cada esquina desta grande nação.
Enquanto Dilma se deixar caluniar continuará colhendo resultados ruins em sua popularidade, pois muitos não terão a decência de reconhecer que a lista de Janot prova que Veja caluniou a presidente da República. Ou seja, de certa forma Veja venceu, pois, apesar de estar provado que mentiu, muitos acreditaram e continuarão acreditando em sua mentira.
O executivo Fábio Barbosa não é mais presidente da Editora Abril; em comunicado, a empresa dos Civita informou que ele será substituído por Giancarlo Civita, neto do fundador; na gestão Barbosa, Veja passou pelo maior vexame de sua história, que foi o de publicar um direito de resposta no dia das eleições presidenciais, depois da capa 'Eles sabiam de tudo'; lista do procurador-geral Rodrigo Janot, que não implica a presidente Dilma Rousseff, revela o erro da aposta editorial da Abril no golpe eleitoral e, depois, no impeachment
247 - O executivo Fábio Barbosa não é mais presidente da Editora Abril. Ele, que esteve à frente da empresa no maior vexame de sua história, a capa 'Eles sabiam de tudo', que tentou mudar o rumo das eleições presidenciais e rendeu um direito de resposta no dia do pleito, será substituído por Giancarlo Civita, neto do fundador.
Em crise, a Abril já entregou diversos andares de sua sede, na Marginal Pinheiros, e fechou alguns títulos. A saída de Barbosa é mais um sinal de que a aposta no golpe, e depois no impeachment, foi um erro editorial.
Leia, abaixo, a íntegra do comunicado da Abril:
Giancarlo Civita, chairman da AbrilPar, anuncia hoje mudança de comando na Abril Mídia. A partir desta sexta-feira, 6 de março, ele reassume a presidência executiva da empresa, tendo sob sua gestão toda a atual diretoria. A convite de Giancarlo e Victor Civita Neto, presidente do Conselho Editorial, Fábio Colletti Barbosa continuará participando das reuniões de pauta da revista VEJA.
Fábio Barbosa pediu desligamento com o objetivo de ter uma agenda mais livre para projetos dos quais já faz parte e outros nos quais gostaria de se envolver. Juntamente com os acionistas, concluiu que havia chegado o momento de encerrar seu ciclo no comando da empresa, depois de uma grande reorganização na Abril Mídia. "Tenho a honra de, a convite de Roberto Civita, ter contribuído para a Editora Abril permanecer no seu relevante papel de defensora da liberdade de imprensa e de expressão, qualidades fundamentais para a construção de uma sociedade democrática", diz Barbosa. "Deixo a gestão da Abril Mídia com a certeza de ter cumprido um importante ciclo e confiante de que a empresa está mais forte para enfrentar os desafios em um mercado que está passando por mudanças profundas em todo o mundo".
A troca de comando na Abril Mídia vem após um – período de adequação da empresa às rápidas mudanças no mercado de mídia. Desde o final de 2011, quando assumiu o cargo, Fábio Barbosa tomou decisões que trouxeram agilidade e eficiência ao negócio, adequando-o à nova realidade do mercado. Houve uma importante redução de custos, principalmente na área operacional e de suporte, sem comprometer a qualidade editorial. De 2013 para cá, houve também uma revisão do portfólio de títulos. Há 6 meses, Alexandre Caldini voltou à Abril, a convite de Barbosa e de Giancarlo, como presidente da Editora Abril. Caldini passa a atuar diretamente com Giancarlo Civita.
Giancarlo agradece toda a contribuição de Fábio, nesse ciclo que agora se encerra: "Fábio contribuiu muito com a nossa missão. Somos uma empresa com mais de seis décadas de atuação no mercado brasileiro, temos orgulho das nossas marcas e trabalhamos todos os dias para que a Abril continue ocupando seu relevante papel na sociedade brasileira. Ele fez parte dessa história. Desejo muito sucesso ao Fábio nesta sua nova etapa de vida".
Sobre o Grupo Abril
O Grupo Abril é um dos maiores e mais influentes grupos de Comunicação, Logística e Educação da América Latina. Fundado em 1950, é composto da Abril Mídia (Editora Abril e Abril Gráfica) e da DGB (Logística e Distribuição). O Grupo conta ainda com a Fundação Victor Civita, criada em 1985 com o objetivo de fortalecer a educação de base no Brasil. A Abril fornece informação, cultura, educação e entretenimento para praticamente todos os segmentos de público e atua de forma integrada em várias mídias.
Os
homens mais ricos do Brasil estão tentando minar a Presidência,
investindo muito dinheiro para promover as greves de caminhoneiros e o
ato pró Impeachment marcado para 15/03. Junto com setores da mídia,
estão instalando uma falsa sensação de instabilidade política e
econômica, fazendo parecer que o Governo está fragilizado e que é
incompetente.
A elite mais rica do país quer, mais uma vez, controlar a opinião
pública, manipulando fatos, distorcendo a realidade e comprando apoios.
Essa é uma questão que poucos têm levantado nos últimos dias: Quem está financiando o movimento “Vem pra Rua”,
favorável ao impeachment da presidenta Dilma? Pode parecer uma ação
meramente civil e apartidária como tentam pregar, mas informações
disponíveis na internet desmentem isso e provam que há uma tentativa
gigantesca de manipulação da opinião pública para jogar a maioria dos
brasileiros contra o Governo, gerar instabilidade e dar a sensação de
fraqueza das instituições democráticas.
Posso afirmar com certeza que os empresários mais ricos de nosso país
estão por trás, financiando este movimento diretamente, não por
interesse cívico, mas pessoal, econômico e em favor de um projeto
deliberado em voltar o Brasil para as condições pré governos do PT.
Quero responder e demonstrar aqui:
Quem financia a campanha pró Impeachment
Quem financia as greves de Caminhoneiros
Os nomes por trás dos protestos pró Impeachment
Quem são as pessoas por trás desse movimento, investindo dinheiro e suas próprias estruturas empresariais?
Cheguei aos seguintes nomes: Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira, Marcel Herrmann Telles. São 3 dos 5 homens mais ricos do Brasil, sócios em vários negócios, onde o mais conhecido é a Ambev.
Vistando a página do Vem Pra Rua Brasil no Facebook (Link), criada durante a campanha de segundo turno das eleições presidenciais de 2014, dou destaque para as seguintes imagens:
Para impulsionar uma publicação (patrocinar um conteúdo) e garantir que mais pessoas vejam aquele post,
é preciso pagar ao Facebook. Os valores dependem do tipo de alcance
desejado. Mesmo que contratem um valor mínimo, alguém tem que pagar a
conta, mas não vemos nenhuma fonte de receita dessa Fan Page.
Diferente da Página do Revoltados Online que é
claramente mantida pelo oportunismo de seu criador, que descobriu uma
forma de ganhar dinheiro com todo esse movimento, vendendo kits de
camisetas e adesivos ao valor de R$170,00 na média. Não vou tratar sobre
essa página e seu criador, pois é apenas um caso de oportunismo
individual.
O Facebook não permite saber quem são os administradores de uma
Página, mas, como podemos ver na segunda imagem, uma publicação do dia 2
de novembro de 2014 do Vem pra Rua Brasil, podemos chegar aos financiadores e aos nomes que citei acima.
Eles divulgavam o endereço http://www.vemprarua.org.br e recentemente mudaram para o endereço http://www.vemprarua.net
Só isso já seria um fato suspeito.
Domínios (como são conhecidos os endereços URL dos sites) registrados
no Brasil (todos os terminados em .BR) têm os dados dos proprietários
como públicos e você pode identificar quem registrou tais domínios.
Diferente dos domínios internacionais que pode ser garantido o anonimato.
A nossa constituição diz no artigo 5º que: “IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato“. Vamos guardar essa informação para depois.
Ao pesquisar pelo sistema WhoIs do Registro.BR (Link) para o antigo endereço “vemprarua.org.br”, chegamos ao que pode ser visto na imagem:
Vemos que foi registrado com o CNPJ e com as informações do financeiro da Fundação Estudar. E o que é tal fundação e quem são seus mantenedores?
Para responder isso basta acessar http://www.estudar.org.br e ler a página “Quem Somos”, como destaco na imagem abaixo:
IMPORTANTE: É legítimo que cidadãos, independente de sua situação sócio-econômica, financiem/patrocinem qualquer evento cívico.
O que estou questionando aqui é o anonimato e o que tais empresários ganham com isso.
A conclusão lógica que chego é que, ao mudarem o domínio vemprarua.org.br para o novo vemprarua.net,
fizeram com a intenção de não mostrar quem está por trás desse
movimento e da página. Esconder quem financia para fazer parecer algo
nascido espontaneamente, sem influências externas.
Estou dando destaque a esta página por ser ela a principal
divulgadora dos protestos marcados para 15/03 e ser a primeira a
publicar sobre essa convocação. O que leva a deduzir que foram eles quem
“criaram” a ideia de protestar pelo Impeachment da Dilma.
Se abrirmos a lista da Forbes dos homens mais ricos do Brasil (Link), temos o que está na imagem:
Curiosamente, se somarmos a fortuna dos 3 irmãos Marinho, eles
disputam o primeiro lugar com Lemann e fechamos a lista dos 5 homens
mais ricos do Brasil.
Um vídeo curioso que encontrei na internet e dá sustentação ao
argumento de que estes três empresários estão financiando a página Vem Pra Rua Brasil e financiando o movimento pró impeachment da presidenta Dilma, nos faz pensar.
O mantenedor do Revoltados Online (Link), Marcello Reis, aos 7 minutos (role direto para os 7 min.) do vídeo abaixo diz claramente que o Vem Pra Rua é um movimento de empresários:
Mas este é “peixe pequeno”, que encontrou uma forma de ganhar
dinheiro na internet, aproveitando-se da situação. Mesmo assim podemos
supor que ele tenha contatos com os organizadores de outros movimentos
semelhantes ao dele e, com isso, tenha informações privilegiadas.
E a greve dos Caminhoneiros?
A partir desse ponto tenho apenas especulações e perguntas, mais do que respostas de fato.
Vídeo que a Polícia Rodoviária Federal publicou em 02/03/2015
confirma argumentos que levanto neste artigo. Assista abaixo e continue
lendo o texto:
Acredito que estes três homens também estão
financiando/patrocinando/estimulando as greves de caminhoneiros por todo
o Brasil. Não todos os pontos de greve desses últimos dias, mas os
primeiros, que acabaram motivando e incentivando os subsequentes.
No mínimo estão permitindo que seus funcionários participem da Greve e disponibilizando infraestrutura para os caminhoneiros.
Eles são donos das maiores redes de logísticas do Brasil. Como a
Ambev, empresas de varejo (ex.: Lojas Americanas), América Latina
Logística (que tem mais de mil caminhões próprios e agregados) e a B2W
(maior empresa de logística para pequenas entregas de sites de
e-commerce no Brasil) são alguns exemplos do poder de influência que
eles têm para convocar uma paralisação de caminhões.
Veja mais sobre as principais empresas que eles são donos e o poder de logística que eles dominam:
Podemos imaginar o tamanho da frota de caminhões que eles têm
diretamente e todos os terceirizados ou autônomos que prestam serviços
para suas empresas. Sem contar tantas outras empresas que dependem da
logística que eles dominam.
Será que eles permitiriam que seus serviços fossem prejudicados com tal greve?
Quem acompanha as notícias sobre os protestos dos caminhoneiros,
ouviu por diversas vezes e há relatos nas redes sociais dos próprios
motoristas, de que muitos estão sendo coagidos a participar das
paralisações, forçados e ameaçados caso não participem.
Fica a dúvida:
Como que estes homens estão assumindo o risco de ficarem
desempregados, perderem dinheiro com dias não trabalhados (já que ganham
por Km rodado, inclusive aqueles que são contratados das empresas de
logística) e ainda gastarem para se manter parados às beiras de estrada?
Quem está sustentando estes trabalhadores, pagando pelas perdas?
Quem os estão alimentando?
Por que há coerção se este é um movimento livre e espontâneo?
Sem contar que muitos desses motoristas estão perdendo prazos e eles
trabalham sob contratos, que incluem multas por atraso e/ou perdas. Quem
paga por essas multas contratuais e perdas eventuais?
O que corrobora minhas dúvidas é a aprovação sem veto da Lei dos Caminhoneiros, onde estão incluídos dois pontos questionáveis:
Perdão das multas por excesso de peso dos últimos 2 anos
Prorrogação por mais 12 meses para pagamento de financiamentos do BNDES para compra de caminhões
Estes dois itens favorecem quase que exclusivamente as empresas donas dos caminhões e não os motoristas.
Quem é o responsável pelo caminhão sair carregado além do peso permitido?
É o motorista ou a empresa que o contratou? Quem paga a multa?
O motorista, autônomo ou não, foi coagido a trafegar pelas estradas
com seu caminhão carregado além do limite permitido. Se ele não fizer
isso pode perder o emprego. Portanto, este perdão das multas favorece às
empresas de logística principalmente.
Sem contar que o contribuinte vai pagar essa multa duas vezes.
Perde-se arrecadação e nossas estradas vão sendo destruídas pelos
caminhões sobrecarregados.
Quem são os maiores compradores de caminhões com financiamento pelo BNDES?
Entendo que aquele motorista autônomo merce renegociar sua dívida.
Mas as empresas de logística, que faturam milhões, serão as maiores
beneficiadas. Terão o perdão de multas e continuarão destruindo nossas
estradas.
Quem financia e quem divulga?
Minha conclusão parte da lógica apresentada acima.
Posso estar errado em chegar a tais conclusões, mas percebo que fazem sentido, mesmo em um olhar superficial.
Não há crime aqui. Não estou acusando tais empresários de cometer
qualquer crime. Apenas estou exigindo transparência, coisa que a
democracia exige. É legítimo fazer oposição ao Governo, mas não de forma
velada e não promovendo o medo ou prejudicando o direito de todos os
outros.
Seria interessante cruzar estes dados com os de doações para
campanhas de políticos, especialmente de Aécio Neves, José Serra,
Geraldo Alckmin e tantos outros quadros do PSDB e DEM.
Como eu disse antes: é perfeitamente legítimo que estes empresários e
tantos outros queiram financiar e investir em manifestações públicas,
seus candidatos preferidos. Faz parte da democracia e isso não é nenhum
crime. É legítimo.
Mas esses dados, essas informações nos ajudam a elucidar melhor quem
está por trás de tudo o que vemos na tentativa de tirar o PT do poder,
quando houve uma eleição vencida dentro das regras e não há crime/fato
comprovado que dê razão a um pedido de Impeachment da Presidenta Dilma.
Este movimento dos caminhoneiros começou faltando 30 dias para os
protestos previstos para 15/03. Com a clara intenção de instaurar o
caos, promover instabilidade e a falsa sensação de fragilidade do
Governo. A grande mídia deu vasão a isto instigando a população no medo
de desabastecimento de combustível e alimentos, provocando uma corrida
desnecessária aos postos e supermercados em várias cidades.
Isso provoca ainda mais os ânimos e agressão ao Governo e instiga as
pessoas a participar de um protesto que só serve aos interesses
corporativos e de uma elite ultra direitista e/ou setores conservadores.
Temos sempre que questionar a quem servem tais propósitos.
São estas as informações e ligações que consegui fazer em poucos
minutos de consulta pela internet. Especulações que outras análises
podem ser adicionadas para corroborar, reforçar os argumentos e dados
apresentados.
Resposta sem conclusão
Em Dezembro/2014 estas suspeitas foram levantadas pelo PCdoB em publicação no Facebook (Link) e o portal de notícias Brasil 247 chegou a entrar em contato com o empresário Lemann (Lemann nega apoio ao Impeachment de Dilma).
Pesquisando não encontrei mais informações sobre o resultado disso,
nem mesmo se o funcionário da Fundação Estudar foi responsabilizado.
Fato é que a página do Facebook ainda está no ar e conteúdo vêem sendo
patrocinados. Por que?
Outra coisa que falta resposta é o andamento das greves que afetam
diretamente a estrutura de suas empresas. Ela está assumindo o prejuízo?
Por quê?
“Não tá fácil a vida do casal Huck. Apareceu no Youtube um vídeo em que Angélica e a equipe da Globo são expulso da faculdade Unirio sob vaias, palavras de ordem e o coro de “O povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!”.
E o vídeo, que você assiste.
Vale sobre o episódio o subtítulo engraçado do site: “Irrelevâncias de suma importância”.
E o raciocínio sobre o fato da emissora não ter o menor pudor em fazer escândalos com outros, mas achar que, quando é com ela, isto é um atentado à liberdade de imprensa e aos seus profissionais.
É a primeira a construir e exibir a tietagem e, portanto, deve aceitar o outro lado do “filma eu, Galvão” que estimula.
E a história que a Globo construiu e constrói, francamente, vai resultar em episódios diferentes, sempre que houver pessoas esclarecidas.
Nada contra a “princesinha” Angélica, muito mais discreta que o seu parceiro comercial Luciano Huck, que adora promover tudo o que seja coxinha e reacionário.
Nada mesmo, até uma lembrança engraçada de seus velhos tempos da Manchete, quando fazia sucesso com a música “Vou de Táxi”.
E o pessoal imaginava o “Seu” Adolfo (Bloch), pão-duro que só com tudo que não fosse equipamento gráfico, entrando no estúdio, desesperado.
- Não vai de táxi, minha filha, vai de ônibus que é muito mais barato! Pois é, Angélica, ir ao mundo real tem tem destes problemas, né?
Nesta quinta-feira 5, jornais como Folha e Estadão igualaram Dilma Rousseff e Aécio Neves afirmando que ambos figurariam na lista de 54 nomes remetida ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mas ressaltando que o PGR teria recomendado ao STF que não processe nenhum dos dois.
Confira, abaixo, reportagem da Folha de 5 de março de 2015, divulgada na internet por volta das 3 horas da manhã, e, depois de um comentário do Blog, matéria do jornal Valor Econômico da mesma data, porém divulgado no site do veículo às 11 horas e 15 minutos.
O que importa nessa matéria da Folha é, basicamente, o primeiro parágrafo. O jornal diz que “O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recomendou ao Supremo Tribunal Federal que não abra investigações sobre a presidente Dilma Rousseff e seu adversário nas eleições de 2014, o senador Aécio Neves (…)” (sic). Guarde bem essa informação, leitor.
Leia, agora, matéria do jornal Valor Econômico, que, também no primeiro parágrafo, diz o contrário da Folha.
É muito grave. Jornais como Folha e Estadão dizem que os nomes de Dilma e Aécio figuram na lista de 54 nomes que Janot encaminhou ao STF, mas que o PGR pediu arquivamento do caso de ambos. O jornal Valor diz o contrário, que o nome de Dilma não figura nessa lista e, portanto, o PGR não pediu arquivamento de processo contra ela como fez para Aécio.
Segundo o Valor, o PGR pediu arquivamento de processo contra sete pessoas. Segundo informações fartamente veiculadas pela imprensa, uma das pessoas para as quais Janot pediu arquivamento é Aécio. Porém, segundo o mesmo Valor, Dilma não é uma das sete pessoas porque não figura na lista.
Segundo o conjunto da imprensa está informando, nesta sexta-feira 6 o STF irá divulgar os 54 nomes que figuram na lista do procurador-geral da República. Aí o público saberá quem tem razão, se o Valor ou os outros jornais. Caso Dilma não figure na lista, haverá desmentido em destaque igual à informação veiculada incorretamente?
Este Blog vai esperar sentado.
Este
é um assunto que acompanho de perto, entre outros motivos por interesse
pessoal. Sou de Bauru e conheci tanto Airton Daré, dono da empresa
Bauruense, quanto o filho dele, que foi piloto da Fórmula Indy num
período em que eu era também repórter de automobilismo, vivendo nos
Estados Unidos.
pedir abertura de inquérito contra Aécio Neves, revelou detalhes
do depoimento em que o doleiro Alberto Youssef menciona o tucano.
De
acordo com o jornal, o termo de delação número 20, do final do ano
passado, teve como tema principal “Furnas e o recebimento de propina
pelo Partido Progressista e pelo PSDB”.
Além de Aécio, também são
citados o ex-deputado José Janene, morto em 2009, e o empresário Airton
Daré, sócio da Bauruense, empresa fornecedora de Furnas.
Segue o Estadão:
O doleiro pode estar certo ou não sobre a existência de um inquérito relativo à empresa de Bauru no Supremo Tribunal Federal.
O
fato é que existe, sim, um inquérito envolvendo a Bauruense, que
resultou em denúncia feita pela promotora Andréa Bayão Pereira, em 25 de
janeiro de 2012 (íntegra no pé do post).
O juiz Roberto Dantes
Schuman de Paula não acatou a denúncia por considerar que não era da
competência da Justiça Federal e remeteu o caso à Justiça Estadual do
Rio de Janeiro.
O inquérito corre hoje em segredo de Justiça.
A
pergunta que não cala: será que Rodrigo Janot se deu ao trabalho de
consultar os autos nos quais foi baseada a denúncia da promotora?
O caso remete à famosa Lista de Furnas, que os tucanos passaram anos tentando desacreditar como uma grosseira falsificação de adversários políticos.
A
perícia da Polícia Federal, feita no original, atestou que as
assinaturas do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo na lista eram
verdadeiras (o que não significa endosso ao conteúdo).
A lista
teria tido origem na tentativa de Dimas Toledo de manter o cargo onde
operava o esquema de corrupção. Indicado durante o governo FHC, ele
queria ser mantido no governo Lula.
De posse da lista feita por
Dimas, caberia ao lobista Nilton Monteiro pressionar políticos pela
manutenção do diretor. O fato é que ele continuou em Furnas e só deixou a
diretoria depois que estourou o escândalo do mensalão.
Segundo
os dados da lista, os tucanos arrecadaram um total de R$ 39,9 milhões
junto a fornecedores de Furnas no período em que a diretoria de
Engenharia era ocupada por Dimas.
É a diretoria de Furnas aparentemente citada pelo doleiro Yousseff na delação.
O dinheiro teria sido usado nas eleições de 2002 (não confundir com o mensalão mineiro, que é anterior).
Aécio
Neves era deputado federal e naquele ano foi eleito governador de
Minas. Segundo a lista, ele teria recebido R$ 5,5 milhões para sua
campanha. Teria autorizado outros R$ 350 mil para o então deputado e
hoje senador Zezé Perrella, o do helicóptero apreendido pela Polícia
Federal com cocaína.
Outra anotação da lista diz:
Valor
avulso repassado para Andréa Neves, irmã de Aécio Neves, para os
comitês e prefeitos do interior do Estado – MG – Valor: R$ 695.000,00.
É
outra informação consistente com a delação do doleiro Yousseff, que
menciona uma irmã de Aécio como intermediária de pagamentos.
Mas o fato mais significativo é que Yousseff afirma ter recebido dez vezes dinheiro da propina na sede da Bauruense, em Bauru.
Embora
a promotora Andréa Bayão Pereira não tenha confirmado o conteúdo
completo da lista de Furnas, ela correu atrás das empresas mencionadas
nela, inclusive a Bauruense.
Os
próprios executivos da Toshiba do Brasil – uma das empresas que
financiavam o esquema – confirmaram a existência de um caixa dois que
sustentava mesada de servidores e políticos. O superintendente
Administrativo da empresa japonesa, José Csapo Talavera, afirmou, por
exemplo, que os contratos de consultoria fictícios das empresas de
fachada, até 2004 , eram esquentados por um esquema de “notas frias”.
A promotora conseguiu provas que considerou suficientemente sólidas para apresentar denúncia contra doze pessoas:
Roberto Jefferson, o
delator no caso do mensalão petista, foi denunciado por ter admitido, em
depoimento no Rio de Janeiro, que recebeu mesmo a “doação” que aparece
ao lado do nome dele na lista de Furnas (reprodução abaixo):
Notaram quem também aparece na lista? Ele mesmo, Eduardo Cunha!
O
deputado estadual mineiro Antonio Julio, do PMDB, também admitiu ter
recebido R$ 150 mil reais do esquema e apresentou o comprovante de
depósito.
Mas, vamos nos ater à Bauruense, mencionada por Yousseff no mesmo depoimento em que o doleiro citou Aécio Neves e a irmã.
Qual o papel da empresa no esquema, segundo a promotora?
Aqui, é muito importante que vocês leiam detidamente o que vem abaixo:
É isso mesmo que vocês
leram: na casa do empresário Airton Daré, em Bauru, foram apreendidos R$
1.027.850,00 e U$ 356.050,00 em dinheiro vivo!
Isso, mais uma
vez, é consistente com a delação do doleiro Alberto Yousseff, de que ele
recebia dinheiro do esquema de Furnas em Bauru.
Airton Daré
morreu em junho de 2011, mas não sobrou nenhum executivo ou funcionário
da Bauruense para ser ouvido em inquérito? A irmã de Aécio não poderia
ser chamada a depor? Nilton Monteiro não poderia ser chamado a depor?
Sim,
sim, os tucanos dizem que ele é um falsificador e bandido contumaz.
Mas, se a delação premiada foi oferecida a Alberto Yousseff, por que não
a Nilton Monteiro?
Como
leigos no assunto, não sabemos quais são os critérios utilizados pelo
procurador para pedir ou não a abertura de um inquérito.
Pode ser
que ele tenha razão, que os dados oferecidos pelo delator Alberto
Yousseff em relação a Aécio Neves sejam mesmo pouco sólidos.
No
entanto, por tudo o que acabamos de apresentar, nos parece que os
indícios oferecidos por Yousseff se encaixam em um quadro geral que
mereceria uma investigação mais aprofundada.
O ideal é que fosse em um inquérito, com o uso de todos os poderes à disposição do Estado, não?
Que agora haja, pelo menos, uma investigação jornalística.
'A denúncia contra Aécio Neves (PSDB) saiu junto
com a negativa de que esteja envolvido em alguma coisa graças a uma
suposta rejeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a uma
acusação de um doleiro que só é levado a sério pela mídia, pelo MP, pela
PF e pela oposição quando acusa o PT', constata Eduardo Guimarães, do
blog da Cidadania; 'E mesmo tendo sido “absolvido” na mesma notícia que o
acusou, Aécio não poderia aparecer na mídia como tendo sido acusado
sozinho. Havia que acusar aquela que o derrotou na eleição presidencial
passada', acrescenta
No começo da noite de quarta-feira, o site do jornal O Estado de São
Paulo surpreendeu o país com a informação de que o candidato derrotado à
Presidência da República Aécio Neves fora citado pelo doleiro Alberto
Yousseff “no final do ano passado” no “termo de colaboração número 20”
por supostamente ter recebido propina da estatal do setor elétrico
Furnas.
A revelação de Youssef não chega a ser novidade. Diz respeito à mais
do que conhecida “Lista de Furnas”, que tem até verbete na Wikipedia e
que jamais foi investigada com seriedade. Confira, abaixo, o que diz a
“enciclopédia” eletrônica
“A Lista de Furnas é o nome atribuído ao esquema de corrupção e
lavagem de dinheiro ocorrido nos anos 2000 e que envolve a empresa
estatal Furnas Centrais Elétricas, com sede na cidade do Rio de Janeiro,
para abastecer a campanha de políticos em sua maioria do Partido da
Social Democracia Brasileira e Partido da Frente Liberal nas eleições de
2002. O escândalo foi originalmente divulgado pela revista Carta
Capital em 2006, denunciando políticos, magistrados e empresários de
receberem dinheiro ilegal através do então diretor da empresa Furnas
Centrais Elétricas, Dimas Toledo e do publicitário Marcos Valério (…)”
Provavelmente, Ministério Público e Justiça Federal não têm acesso à Wikipedia.
Seja como for, a denúncia contra Aécio saiu junto com a negativa de
que esteja envolvido em alguma coisa graças a uma suposta rejeição do
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a uma acusação de um
doleiro que só é levado a sério pela mídia, pelo MP, pela PF e pela
oposição quando acusa o PT. Político tucano é outra coisa.
E mesmo tendo sido “absolvido” na mesma notícia que o acusou, Aécio
não poderia aparecer na mídia como tendo sido acusado sozinho. Havia que
acusar aquela que o derrotou na eleição presidencial passada, mesmo ao
custo de requentar uma matéria imoral que foi condenada pela Justiça
Eleitoral e publicada três dias antes da eleição em segundo turno.
A revista Veja antecipou sua edição da última semana de outubro de
2014 para dar tempo de espalhar suposta acusação de Yousseff a Dilma
Rousseff e a Lula. Nunca se soube o número do “termo de colaboração”
assinado pelo doleiro, no qual a presidente e seu antecessor teriam sido
acusados, e muito menos ficou-se sabendo que o então candidato
adversário naquele segundo turno, Aécio, também fora citado pelo mesmo
doleiro.
Porém, para Aécio não aparecer sozinho como tendo sido acusado por
Yousseff, a Folha de São Paulo acaba de requentar a matéria da Veja que
tentou mudar o rumo da eleição presidencial de 2014 – e que quase
conseguiu.
A menção a Dilma na primeira página da Folha baseia-se na reportagem
de Veja, mas omite que Lula, que a revista afirmou, ano passado, que
fora citado pelo doleiro tanto quanto a presidente da República, jamais
foi sequer investigado. E que não pensem que o ex-presidente pode
figurar na lista do procurador-geral da República, pois pode ser
investigado por qualquer promotor público e responder a inquéritos em
primeira instância da Justiça, o que aliás vem acontecendo devido a
denúncias sem provas do réu dos mensalões petista e tucano Marcos
Valério.
Ao fim e ao cabo, descobrimos que a matéria de Veja que tentou mudar o
rumo da eleição presidencial poderia conter, também, o nome de Aécio
Neves. Aquela capa infame da edição de 24 de outubro de 2014 poderia ter
três rostos, o de Dilma, o de Lula e o de Aécio.
Se houvesse um mínimo de seriedade na dita “grande imprensa”
brasileira, ela admitiria que vem publicando vazamentos seletivos.
Denúncias sem provas – e, talvez, até inventadas – que prejudicam
petistas e acobertam tucanos.
Vale comentar que essa manchete da Folha de São Paulo é um escândalo.
Foi buscar, lá atrás, um meio de não citar só Aécio como alvo de
denúncia de Yousseff. E o que é pior, sem ter nem certeza de que a
menção a Dilma de fato foi feita pelo doleiro no ano passado.