Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 12 de março de 2014

QUAL O PREÇO DA VITÓRIA DO BLOCÃO CONTRA O GOVERNO? O PMDB faz um jogo duplo. Ele apoia o governo de um lado, mas surfa no antipetismo, de outro.

O blocão, foto de Pedro Ladeira, na 1ª página da Folha de hoje

Conversa Afiada reproduz artigo de Miguel do Rosário, extraído do Blog O Cafezinho:

QUAL O PREÇO DA VITÓRIA DO BLOCÃO CONTRA O GOVERNO?



por Miguel do Rosário

A oposição, aí incluindo seus tentáculos na mídia, tem o direito de comemorar a derrota política imposta pelo chamado “blocão” contra o governo nesta terça-feira, ao criar uma comissão para investigar negócios da Petrobrás na Holanda.

É uma vitória que vale especialmente para a centro-direita (ou direita mesmo) que apóia o governo de má vontade, apenas por apego ao poder, como é o caso de parcela do PMDB e quase todo PSD, cujos membros saíram do DEM à procura de sombra e água fresca.

Entretanto, esse movimento tem dois lados.

De um lado, mostra a força do blocão, que agora tentará usar isso para ampliar as chantagens contra o governo.

De outro, revela, para o governo, quem são seus verdadeiros aliados, e quem está pronto para lhe passar a perna na primeira oportunidade.

Em ano de eleição, é muito bom saber, com certeza, quem está do seu lado de verdade.

O Congresso tem 513 deputados. O blocão conseguiu exatamente a metade do total: 257 deputados.

A turma de Eduardo Cunha assinou uma declaração de guerra. Uma guerra surda, porque entre aliados em tese, mas por isso mesmo ainda mais fratricida e sangrenta.

No Painel da Folha, há a informação de que Eduardo Cunha disse a Michel Temer que o PT tem um “projeto hegemônico que afasta aos poucos os partidos da coalização”.

Pode até ser. Mas Cunha tem um ponto-fraco. Ele confia demais em jogadas palacianas, e esquece que o poder político, seja do PT, seja do PMDB, seja do governo, seja da oposição, só tem uma fonte real: o voto.

O PMDB foi o único partido da base que perdeu filiados em 2013. Por quê? Porque não está mudando. Não está discutindo teses, programas, ideologias, projetos de país. O adversário do PMDB não é o PT, é seu próprio espelho. É um partido grande, capilarizado, que governa milhares de municípios, e que poderia contribuir muito mais para o debate político nacional se investisse mais em… debates, e menos em figuras questionáveis como Eduardo Cunha.

Afinal, o que quer o PMDB? Que o PT, ou qualquer partido que estiver no governo, lhe garanta algum tipo de cota fixa, imutável, em troca de seu apoio no Congresso?

Na verdade, o PMDB faz um jogo duplo. Ele apóia o governo, de um lado, mas surfa no antipetismo, de outro. Até aí tudo bem, é da política.

Mas haverá um momento em que o partido terá de se decidir. Essa postura de ameaçar o governo com um possível apoio a Aécio Neves apenas ridiculariza o PMDB, porque revela um partido sem substância, disposto a apoiar qualquer um, desde que lhe pague bem. Ao agir assim, as eleições se tornarão cada vez mais caras para o PMDB, porque ele terá cada vez menos o voto das pessoas politizadas, e precisarão cada vez mais do voto fisiológico, comprado a peso de ouro de um eleitor cada vez mais cético, num mercado eleitoral cada vez mais competitivo.

Tem uma senhora cujos serviços de faxina eu contrato de vez em quando que me contou uma coisa engraçada. È triste por um lado, até porque isso não deve ser legal, mas engraçado também. Os políticos lhe dão dinheiro para que ela distribua aos eleitores da região. Compra de voto descarada. O eleitor vai à casa dela, dá o número do título, e recebe R$ 50.

Aí entra a parte engraçada. Tem eleitor que vendeu seu voto para mais de cinco candidatos diferentes. Ou seja, o político, quando pensa que está enganando o eleitor, está é levando uma rasteira, merecida, do cidadão. O cidadão pega o dinheiro, evidentemente porque está precisando, mas não vota no candidato que lhe deu o recurso. Ou pode até votar num daqueles que lhe deu dinheiro, mas vota naquele de sua preferência. Ou seja, o recurso à compra de voto fica cada vez mais caro, pois o voto é secreto, protegendo o eleitor.

Voltando à “vitória” do blocão sobre o governo, tenho a impressão que muitos parlamentares que se recusaram a participar do jogo sujo de chantagem política liderado por Eduardo Cunha se identificarão com esta frase de Darcy Ribeiro, que o colega de Twitter, Mario Marona, lembrou nesta manhã, ao publicar a foto abaixo.

“Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.



Clique aqui para ler “PMDB propaga oposição na Câmara para tumultuar PT”. 

aqui para ler do Tijolaço: “Dilma não vai entregar o ouro. Quantas divisões tem Eduardo Cunha?”. 

Dilma não vai entregar o ouro. Quantas divisões tem Eduardo Cunha?

cunha
Os moralistas da imoralidade.
Este poderia ser o título de um post mais conceitual sobre o que aconteceu na Câmara dos Deputados.
Os será que uma pessoa no Brasil que ache que os deputados do PMDB, do PR, do PTB e do PSC que votaram e aprovaram o requerimento de investigações sobre a Petrobras não querem cargos, posições e favores, a apenas sete meses de uma eleição onde, até  que fatos novos possam dizer o contrário, o Governo é favorito.
(Aliás, que investigações sobre a Petrobras?  A empresa abriu uma sindicância sobre as notas publicadas nos jornais e o Ministério Público da Holanda, sede da empresa denunciada, diz que , por enquanto, estão analisando os documentos e não existe uma investigação sobre as denúncias. Nem mesmo confirmam que existe menção à Petrobras.)
Isso são escaramuças eleitorais levadas ao mais baixo nível das práticas políticas.
Sérgio Cabral, tentando o que sabe já ser impossível: evitar que o PT tenha candidatura própria no Rio de Janeiro.
Geddel Viera Lima, com sua candidatura de enfrentamento a Jaques Wagner, o governador petista.
Sandro Mabel, exigindo que o PT apóie o empresário Júnior Friboi em Goiás.
O PMDB de Roseana Sarney, tentando salvar seu candidato Luís Fernando Silva.
Tirando o Ceará, onde de fato Eunício Oliveira tem força eleitoral, mas o Governo tem um compromisso com Cid e Ciro Gomes, e Goiás – onde os argumentos da Friboi fizeram até Roberto Carlos voltar a comer carne – , o resto é cavalo matungo, embora com dinheiro e poder.
Gedel, na Bahia, até tem alguma expressão, mas sabe que será esmagado pelo favoritismo de Paulo Souto (do DEM e que será o candidato de Aécio) e um candidato petista apoiado por Wagner e Lula.
Os mais de 40% que Dilma ostenta nas pesquisas lhe dão poder de fogo para colocar pressão sobre estas forças.
Não que vá atirá-los pela janela, mas também não vai entregar a rapadura, que é doce e todos eles querem.
O “Blocão” já cumpriu sua função.
Amanhã começa a romaria.
De um lado,  no Governo, oferecendo arrependimento.
De outro, a Eduardo Cunha, cobrando os mundos e fundos que ele diz ser capaz de mobilizar.
E a nossa imprensa, “ética”, que inviabilizou a proposta do plebiscito para a reforma político-eleitoral com a qual nada disso estaria acontecendo, acorrendo a Cunha, o novo Varão de Plutarco, guia moral da vida pública brasileira.
Talvez, porém, o episódio ajude a melhorar a política brasileira.
Algumas ausências na campanha de Dilma são daquelas que preenchem uma lacuna.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A moto da Dilma e o ônibus do Brizola

moto


Sensacional a matéria da Folha hoje sobre o passeio de moto de Dilma por Brasília.
Para quem não leu: a Presidenta driblou os seguranças, colocou um capacete e saiu de moto pelas ruas de Brasília, livre, leve e solta.
Se é verdade ou não, não sei.
Mas se não é, deveria ter sido.
Um dos maiores males de que se acometem os governantes é o isolamento palaciano.
A maioria porque gosta de bajulação e salamaleques, mesmo.
Mas também aos que não o querem, pela liturgia e responsabilidade dos cargos.
E isso, exceto a fenômenos políticos como um Lula ou um Brizola, personagens especiais que dificilmente perdem a sintonia com o povão, gera um desconhecimento que induz a erros e armadilhas que estão sempre a nos espreitar, ao governar.
O episódio me lembrou outro, que vivi.
Às vésperas da inaguração da primeira etapa da Linha Vermelha, lligando a Ilha do Governador ao Centro do Rio e ao Elevado da Paulo de Frontin, fui ao apartamento de Leonel Brizola, conversar sobre assuntos de Governo.
Ele estava reunido com duas pessoas, uma delas o Secretário de Transportes. Sentei-me no sofá próximo à mesa redonda onde ele despachava e esperei.
À saìda do secretário, dei o bote.
- Dr. Fulano, foi ótimo o senhor estar por aqui: eu preciso divulgar quais serãos as linhas de ônibus que vão passar pela Linha Vermelha…
Eu sabia que uma empresa, a Paranapuã, detinha quase o monopólio dos ônibus na Ilha do Governador e não ia pegar nada bem se só ela pudesse usar a nova via.
- Olha, ainda está em estudos, porque é uma via segregada, temos de considerar a velocidade do tráfego, etc, etc…
E o velho Briza olhando…
- Mas Doutor, eu não sou técnico de transportes, mas fico pensando no sujeito ali, no ônibus lotado, pendurado no balaústre, suando e vendo os carros particulares ..zupt!…pela Linha Vermelha e o ônibus dele parado para pegar o engarrafamento da Avenida Brasil.. .Será que ele náo vai ficar chamndo o Brizola de fdp, que faz obra só para uem tem carro?
O homem ficou pasmo…
E o Brizola, que sacou tudo, não perdoou:
- Olha, Dr. Fulano, o Brito pega ônibus, escute o que ele fala…Há quanto tempo o senhor não pega um ônibus, Dr. Fulano?
Suba na moto, Presidenta.
Dirija seu próprio governo, acelere, até mesmo correndo riscos, porque risco se corre em tudo.
E ficar parado, sendo corroído pelo tempo, é o pior deles, porque tem 100% de possibilidades de acontecer.
Não havia uma história sobre não ter medo de ser feliz?
Por: Fernando Brito

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ministro acusado na Folha de ser “preguiçoso” ri da acusação

Encontrei um Brizola Neto animado no 11º andar do prédio do Ministério do Trabalho na rua Martins Fontes número 109, no centro de São Paulo, por volta das 16 horas da última segunda-feira (30). Não vi maior diferença do signatário do blog Tijolaço com quem conversei pela última vez no encontro de blogueiros de Brasília, em julho de 2011, há cerca de 1 ano.
Fui convocado às pressas para a entrevista que Brizola deu a blogueiros para alegadamente “retomar o contato” com um setor da comunicação de massa que nem a classe política nem a mídia ignoram ao lhe devotarem amor e ódio em proporções similares. Por sorte, estava indo ao centro cortar o cabelo e o barbeiro fica a quatro quadras do local da entrevista.
Brizola falou sobre as dificuldades que encontrou em um Ministério que ficou meses sob administração interina após a saída turbulenta do ex-ministro Carlos Lupi, seu correligionário no PDT. Falou sobre economia, sobre planos e atuações presentes de sua pasta, mas tudo isso você poderá ler na edição da entrevista feita pelo Luiz Carlos Azenha em seu Viomundo.
A propósito, participaram daquela entrevista, além do entrevistado, o próprio Azenha, eu, o Altamiro Borges, o Wagner Nabuco (Caros Amigos), o Igor Felippe (MST), o Paulo Salvador (Rede Brasil Atual) e o ex-co-editor do Tijolaço, Fernando Brito.
Quero reportar, pois, a parte política da entrevista. Brizola não se estendeu sobre ataque que recebeu, no mesmo dia, na Folha de São Paulo, que publicou artigo do historiador ligado ao PSDB Marco Antonio Villa que acusa o ministro do Trabalho de ser “preguiçoso” por “não aparecer para trabalhar”.
Villa pegou a agenda oficial do ministro e, com base nela, concluiu que os seus horários internos de trabalho que ali não estavam inscritos comprovavam que ele se dedica ao ócio. O texto é impressionante porque chega a perguntar se a presidente Dilma Roussef – cujo estilo de administrar todos conhecem – sabe que seu ministro não trabalha.
Sorridente, Brizola explicou que só registra oficialmente a sua agenda externa e que é uma piada achar que justo Dilma, que a mídia sempre retrata como uma administradora inflexível e exigente com os seus auxiliares, aceitaria um ministro que, segundo o articulista da Folha, nos últimos meses quase não apareceu para trabalhar.
Apesar de animado, achei Brizola meio baleado. E apressado, pois tinha que voltar a Brasília no fim da tarde porque a chefe exige resultados, o que, segundo afirma, obriga-o a “jornadas de 14 a 15 horas por dia”, o que me parece uma versão bem mais verossímil do que a de Villa, que praticou uma picuinha idiota, sim, mas que, se ninguém disser nada, pode virar carimbo.
A intenção da Folha, na opinião deste blogueiro “sujo e nazista”, foi exatamente essa: publicou uma imbecilidade tão grande que acredita que o ministro ou a sua pasta nem se darão ao trabalho de contestar, o que deixaria em Brizola o carimbo de “preguiçoso”.
Pergunta: alguém acredita que outras matérias virão em outros jornais batendo na mesma tecla?
Disse ao ministro Brizola – a quem todos os entrevistadores trataram por senhor e antepondo seu posto ao seu nome do começo ao fim do encontro – que estava estranhando a demora para ele começar a apanhar da mídia, isso por ter sido (?) um “blogueiro sujo”. Mas, pensando bem, não demorou, não.
Acredito que o interregno entre a posse do ministro e o ataque de segunda-feira na Folha foi apenas concessão de um tempo “decente” para começarem a atacá-lo. Para não dar na vista, entendem? E vou mais longe: tenho quase certeza de que a mídia não descansará até tirar Brizola do cargo.
A razão disso está na resposta do ministro a cobrança, em tom de brincadeira, que lhe fizeram aqueles que o entrevistaram, de que Dilma ainda não deu entrevista alguma a blogueiros. Com um ar matreiro e novo sorriso nos lábios, Brizola nos lembrou de que a presidente, em vez de dar entrevista a blogueiros, nomeou um deles como ministro.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Graça não está para gracinhas

Ao escrever o  post anterior, sobre o  machismo da nossa imprensa, ainda não havia tomado conhecimento das insinuações feitas pela revista Época de que a futura presidenta da Petrobras, Maria das Graças Foster, teria recebido vantagens indevidas na empresa por conta de uma nomeação retroativa.
E, acintosamente, apesar de ser ela reconhecida por todos como pessoa que construiu uma história de competência desde que entrou há quase 30 anos, por concurso na empresa, depois de ter sido estagiária, diz que ela só ascendeu na carreira por “ter ficado amiga de Dilma Rousseff”.
Já na primeira, provocação, Graça mostrou que não está para brincadeiras.
Além das explicações oficiais da empresa, a nova presidente desafiou a Época a examinar seus contracheques e ver se ela recebeu algo indevido.
Fez muito bem.
E fará muito bem se não se enganar pela boataria que os jornais – especialmente O Globo, que nutre um especial ódio pela Petrobras – andam fazendo sobre possíveis (e naturais) troca de ocupantes de cargos de direção, como tratou ontem o blog do Zé Dirceu. Embora a armação já de início não se sustente, porque tanto Graça quanto o ex-presidente do PT, José Eduardo Dutra são servidores de carreira da empresa, é bom estar atento a isso o tempo todo.
Porque O Globo não se pejou de dizer que “estava sendo criada uma diretoria” só para abrigar o petista, embora tivesse a função tivesse sido  anunciada publicamente antes mesmo da  eleição de Dilma Rousseff.
Hoje, no finalzinho da resposta de Dutra, o jornal se comporta como o lobo da fábula, ao reconhecer que a decisão é antiga, mas emendar dizendo que “está sendo efetivada apenas agora”.
Sabem como é: se não foi você foi seu pai, ou seu avô…

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Aécio é decepção.

Aécio Neves deixou de ser o "queridinho". Ao menos é isto que parte da imprensa paulista está disseminando na última semana. Lembremos que o queridinho de parte da imprensa paulista é José Serra. Mas, mesmo assim, Aécio tem enfrentado dificuldades reais. Destaco 4 obstáculos:

1) É mineiro, de fato e direito. Uma barreira para a grande imprensa paulista, a mais nacional do país. E também o faz muito "tímido" para os padrões da política nacional. Aécio tem dificuldades para aparecer publicamente com arma em punho, criticando, sendo agressivo. Quase sempre, aparece com pauta positiva. E conversa em demasia nos bastidores, o que o faz mais invisível ainda;
2) Esteve, nos últimos oito anos, sob a guarda de Lula, o político mais popular do país. Lula o blindou dos ataques petistas, o que vale dizer, de muitas ongs, redes sociais e movimento sindical. Agora, o cenário é outro e está apanhando para valer;
3) Não entra no nordeste. Este é principal obstáculo territorial. E o nordeste é o segundo colégio eleitoral regional do país. Sem nordeste, seu fôlego é curto. Para piorar, o DEM deve se fundir com o PMDB em 2013. Ou o PSDB faz uma proposta melhor ao DEM (com todos problemas advindos da disputa Serra-Aécio) ou...
4) Discurso anacrônico. Choque de gestão e privatização não dá mais. Foi agenda pré-crise 2008. Agora, alguma pitada de Keynes é ordem do dia. E Aécio nem sabe quem foi Keynes.

Rudá Ricci 

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PV reage e ensaia rebelião contra Marina Silva



·                                 Postado por Marçal, T. em 8 outubro 2010 às 10:34
·                                 Exibir blog de Marçal, T.

- As críticas de Marina Silva ao suposto apetite do PV por cargos, reveladas ontem pela Folha, provocaram uma rebelião no comando do partido. Próxima ao PSDB, a cúpula verde
ameaça boicotar a convenção marcada para o dia 17 e anunciar apoio a José Serra
na semana que vem, à revelia da ex-presidenciável.

Marina foi duramente atacada em reunião organizada às pressas pelo presidente da sigla, José Luiz Penna, em Brasília. Participaram cerca de 20 pessoas, algumas com cargos no
governo paulista e na Prefeitura de São Paulo, administrada pelo DEM. A
senadora não foi chamada. 


No encontro fechado, o grupo de Penna acusou a candidata derrotada à Presidência de desrespeitar a cúpula do partido, ao qual se filiou em agosto de 2009.

"Todos ficaram indignados". disse Marcos Belizário, secretário municipal da Pessoa com Deficiência em São Paulo. "Estou espantado. Acho um absurdo a pessoa
comentar isso de seus dirigentes, seus colegas, das pessoas que se dedicaram à
campanha dela." 


OFENSA

Segundo Belizário, aliado do prefeito Gilberto Kassab (DEM), Marina teria demonstrado desprezo pela direção partidária. "Do meu ponto de vista, foi uma grosseria dela. Eu me
senti ofendido", disse. 


Os dirigentes traçaram uma estratégia para demonstrar poder e minar os planos da senadora, que tem indicado que pretende se declarar neutra no segundo turno.

Penna convocou uma reunião da Executiva Nacional do partido na próxima quarta-feira, em Brasília. O encontro pode precipitar a decisão da legenda, que havia sido adiada para o
dia 17, a
pedido da candidata derrotada. 


Na Executiva, em que Marina tem apenas 10 de 60 votos, a tendência é pela aprovação do apoio a Serra, mesmo que os filiados sejam liberados para tomar outras posições em
caráter pessoal. 


Para reduzir a desvantagem numérica, a senadora havia convencido a cúpula partidária a transferir a decisão sobre o segundo turno a um colegiado mais amplo, com a
participação de ambientalistas, religiosos e militantes do Movimento Marina
Silva, incluindo delegados sem filiação ao PV. 


Ontem, a Folha revelou que, em reunião fechada com aliados, Marina criticou o apetite de dirigentes do partido por cargos. Ela ironizou a notícia de que o PSDB
ofereceria quatro ministérios em troca do apoio a Serra. 


"Quatro ministérios pro PV... Caramba! Do jeito que tem gente aí, basta pensar num conselho de estatal, já estaria muito bom. Certo? Tem esse tipo de mentalidade", disse
a senadora. 


Marina pretende divulgar hoje uma versão resumida de seu plano de governo, a ser entregue aos candidatos Serra e Dilma Rousseff (PT). 


A senadora dá sinais de que pretende influenciar o debate eleitoral e arrancar compromissos dos dois presidenciáveis sem se comprometer com apoio a um deles.

Se a ideia for levada à frente, Marina dirá que deu sua contribuição ao país e que quem votou nela no primeiro turno agora pode julgar livremente as promessas de Dilma e Serra para
fazer sua escolha. Na visão de aliados, a senadora poderia dividir seu
eleitorado e perder o discurso de terceira via ao declarar apoio a PT ou PSDB.

Ontem, Marina cancelou reunião com a direção do PV e não fez aparições públicas.

A assessoria de Penna disse que ele não foi localizado.


Bernardo Mello Franco – FSP / 08.10.10