Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Globo monta arapuca contra a Dilma



Foi uma trapaça

O Ali Kamel e o casal 45 trapacearam contra Dilma Roussef.

Entrevistaram a Dilma e só perguntaram sobre aborto e Erenice.

Ela, aliás, saiu-se muito bem.

Imediatamente após a entrevista, a Globo colocou no ar reportagem da Época e da Folha (*) com uma pseudo reportagem que mostra que o diretor da Eletrobrás tem um irmão.

Clique aqui para ler “Vem aí a próxima calhordice. Cardeal é namorado da Dilma ?”

A arapuca do jornal nacional chegou ao requinte de ignorar a carta em que o diretor da Eletrobrás trucida a Folha (*) e a Época.

A Globo é uma arapuca.

Bem faria a Dilma se não fosse ao último debate, porque ela poderia ser vítima de uma punhalada nas costas.

Por que o casal 45 não perguntou à Dilma, ali, ao vivo, na frente dela, sobre o diretor da Eletrobrás ?

A Globo é uma arapuca.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Leviatã engoliu a internet?


Miguel do Rosário

Há alguns anos, li uma notícia que me chamou muito a atenção. Cientistas ingleses provaram que o ser humano tem mais tendência a acreditar em boatos do que em fatos verdadeiros. Em outros termos, notícias fantasiosas agarram-se ao cérebro com mais insistência que episódios comprovados. Entretanto, a notícia verídica se consolida com o tempo, enquanto o boato, passado o momento inicial de grande difusão, tende a se diluir, sobretudo se confrontado diretamente.

Mas o primeiro momento de crença no boato, e sua superioridade, em termos de difusão, sobre as notícias que o contradizem, confere à mentira um grande valor político, sobretudo num regime democrático, onde a tomada de poder depende substancialmente de ondas temporárias de opinião. Um presidente da república não precisa necessariamente de apoio popular para se manter no poder. Esse apoio é imprescidível apenas durante o processo eleitoral. Na impossibilidade de arregimentar um apoio substancial para seu candidato, o grupo que aspira o poder dedica-se a demonizar o adversário. Uso o termo "demonizar" porque não basta desconstruir a imagem do candidato, urge convertê-lo numa ameaça terrível aos valores mais caros ao eleitorado.

No ano passado, escrevi um ensaio intitulado O poema de Gutenberg, cujas primeiras partes discorrem sobre a tese de Thomas Hobbes, instigante pensador inglês do século XVI, sobre o mito do Leviatã. Na época de Hobbes, os Estados nacionais se caracterizaram pelo totalitarismo. A história da humanidade, aliás, com exceção de breve período na Grécia Antiga, sempre foi marcada pela concentração de poder, que criava e desmantelava impérios ao sabor da imponderável fortuna.

Segundo a maioria dos intérpretes de Hobbes, o Leviatã era um arquétipo que simbolizava o Estado, com seus tentáculos pervadindo toda a sociedade.

Minha tese era a de que, com a consolidação da democracia no mundo ocidental, a imagem criada por Hobbes não simbolizaria mais o Estado... O monstro não se sentia mais à vontade nos salões de governo.

Oswald Spengler, em seu polêmico O declínio do Ocidente, que já teve seus momentos de brilho (sobretudo entre literatos, porque é um livro muito bem escrito) mas que hoje não é popular na Academia, aborda o aparecimento da imprensa de uma forma pessimista, negativa. Não concordo com ele, pois é claro que todo avanço tecnológico traz benefícios, de um lado, e riscos, de outro. A abordagem de Spengler sobre os riscos, porém, é válida. Segundo ele, a imprensa surgiu para facilitar a manipulação das consciências pelo poder. Antes dela, os reis tinham que apelar aos fuzilamentos para convencer os trabalhadores a se engajarem em suas guerras. Com o advento da imprensa, criava-se facilmente ondas de opinião em favor das guerras, levando os cidadãos a se encaminharem, alegres e submissos, a seu próprio matadouro.

Houve isso, de fato. As grandes guerras mundiais, que quase suicidaram a civilização ocidental, sempre foram precedidas por longas e bem feitas campanhas midiáticas, a maioria delas meticulosa e astuciosamente planejada por lideranças políticas.

As campanhas perduram até hoje. Acompanhei estarrecido o "progressista" New York Times abraçar a campanha pró-guerra que antecedeu a invasão do Iraque em 2003. Até hoje suspeito que, não fosse o intenso trabalho midiático daqueles meses, escondendo e diminuindo as gigantescas manifestações mundiais contra a guerra, e publicando sofismas espertos pró-guerra e denúncias absolutamente mentirosas sobre o Iraque, o governo americano não teria condições políticas de levar adiante aquela insanidade. Não deveria, contudo, me surpreender, visto que o New York Times apóia as guerras do governo americano desde sua fundação. Vinte anos depois o jornal pede desculpas, mas não deixa de apoiar a próxima aventura.

As instituições cristãs também não tem um saldo positivo no Ocidente. Foi omissa durante o nazismo, apoiou o fascismo, ajudou a dar condições para o golpe de Estado no Brasil em 1964 e depois omitiu-se. Sempre existiram padres de esquerda, revolucionários, mas as cúpulas católicas, com raras e honrosas exceções, sempre se posicionaram ao lados dos interesses mais retrógrados da sociedade brasileira.

Voltando ao Leviatã, a minha tese é que o monstro abandonou o governo, onde não suportou o ambiente democrático, e instalou-se nas salas de redação, onde encontrou condições para se fortalecer e se desenvolver. A partir da mídia, o gigante pode controlar toda a sociedade. Derruba governos, elege outros, cria ondas de opinião pública, influencia os tribunais superiores, controla a cultura.

O advento da internet assustou o Leviatã midiático, porque projetou holofotes sobre os milhares de guerreiros liliputianos que há tempos atuavam nos subterrâneos. Hoje eu vejo, porém, que o monstro, se antes encarava esses rebeldes com a condescendência que só o poder absoluto confere, hoje entendeu que eles representam um perigo real à sua hegemonia e iniciou estratégias para combatê-los, sobretudo através da criação de seu próprio exército de mercenários da web. Os grandes portais da mídia hoje abrigam uma quantidade inacreditável de blogueiros. Todos obedientes e bem comportados.

Semana passada, o colunista Paul Kruger, que escreve para alguns jornais norte-americanos, publicou um texto em que menciona a fala de um político do Partido Republicano, no qual este diz que não é a Fox que trabalha para seu partido, e sim os republicanos é que trabalham para a Fox. Ele se referia ao fato de muitos políticos republicanos, quando sem mandato eletivo ou cargo no governo, serem contratados como empregados pelas empresas do grupo controlado por Rupert Murdoch (dono da Fox).

Nessas eleições, portanto, está em jogo não apenas uma disputa simples entre PT e PSDB e sim, sobretudo, uma guerra de proporções épicas entre o Leviatã midiático e o exército independente de guerreiros liliputianos. E não me refiro apenas aos blogueiros e que comentam em blogs e sites, mas às consciências livres desse país, que tem coragem de pensar com suas próprias cabeças em vez de reproduzirem acriticamente a opinião lida num jornal ou revista. Obama ganhou as eleições porque Leviatã permitiu: a maioria dos grandes jornais, entre eles o New York Times, o apoiou. Dilma, ao contrário, tem oposição da quase totalidade da mídia brasileira, apesar do apoio majoritário que ela tem recebido do povo brasileiro, que por pouco não lhe dá uma massacrante vitória no primeiro turno. Estamos testemunhando algo realmente grandioso. Não é um momento fácil. A guerra só é bela vista de longe, muito de longe, e este momento será futuramente registrado em livros e filmes. Eu mesmo pretendo, se as musas me permitirem, escrever alguns. Queria, portanto, encerrar esse texto vos lembrando que os grandes momentos necessariamente requerem sacrifício e luta. Isso vale para a política, para a arte e para a vida. E enquanto formos vivos, seremos constantemente chamados para os campos de batalha, que nos dias de hoje, foram transplantados para o mundo virtual. Afinal, como disse Platão: o fim da guerra, só os mortos conhecem.

domingo, 3 de outubro de 2010

jornal nacional pensa que o Brasil é um aterro sanitário




Na foto, a “pesquisa” do jornal nacional
Na véspera de uma eleição com 136 milhões de eleitores, o telejornal de maior audiência é uma sucessão de “resultados” de pesquisas eleitorais.

O programa foi quase todo dedicado a um conjunto de hipóteses realizadas por duas instituições com um histórico de manipulação e erro.

Ao longo mesmo dessa eleição, o Datafalha e o Globope foram flagrados num e noutro caso: manipular e errar.

O Datafalha sempre esteve – como hoje – na companhia do candidato da elite branca (e separatista) de São Paulo.

E o Globope é uma “subsidiária” da Globo e de seus interesses.

NENHUM PAÍS DO MUNDO LEVA PESQUISA ELEITORAL A SÉRIO. SÓ O BRASIL.

Nenhum !

Por que o Brasil leva a sério ?

Porque três famílias controlam o PiG (*) e duas das quatro maiores empresas de pesquisa.

Essas duas empresas de pesquisa desfrutam da audiência do PiG (*) – maior do que a  audiência dos dois outros institutos, a Vox e a Sensus.

A pesquisa casada com o PiG (*) – especialmente a Globo e, especialmente o jornal nacional – é uma arma política.

Do PiG (*) – ou seja, da elite branca (e separatista, no caso de São Paulo).

O PiG (*) e seus institutos de pesquisa são, por definição, imunes a revisão.

Não há como refazer uma pesquisa.

Mas, é possível suspeitar dos “critério técnicos” do Datafalha, sobretudo, o que mais erra.

O Datafalha ouve mais eleitores do Serra.

O pesquisador do Datafalha submete o entrevistado a uma sessão de tortura.

O Datafalha tem tanta relação com o IBGE quanto com o Census Bureau americano.

E o Datafalha pesquisa por telefone.

Todas essas observações já foram feitas pelos blogs sujos, como este ordinário blogueiro e o Luis Nassif, por exemplo.

Este ordinário blogueiro, como se sabe, trabalhou na Rede Globo, trabalhou em cobertura de eleições e é testemunha de como o Globope “fecha” pesquisa em cima da eleição.

O Fernando Henrique se elegeu prefeito por São Paulo pelo Globope.

E por que foi possível chegar a esse ponto ?

Por causa da provisória supremacia da Globo e do PiG (*).

Eles, juntos, de propósito e por incompetência, conseguiram desidratar o debate político do Brasil.

O PiG (*) e especialmente a Globo não têm espaço para debater políticas públicas.

As tevês educativas e públicas foram devidamente desidratadas.

Os partidos políticos também desidrataram a política.

A política no Brasil se faz ao largo dos foros públicos, das arenas para confrontar ideias.

O PT saiu da rua.

O Governo Lula tirou o PT da rua.

E o PSDB tem medo da rua: quantos comícios fez o Serra nessa campanha ?

Resulta que as informações mais relevantes da campanha apareceram nos programas do João Santana no horário eleitoral da Dilma.

Desde o primeiro, ainda sem que a Dilma fosse candidata, quando o Santana pendurou o FHC no pescoço do Serra.

Tem culpa também essa excrescente legislação eleitoral.

Primeiro, revelou-se “imparcial”, como a Dra Sandra Cureau.

Segundo, inútil, porque teve que depositar a Ficha Limpa e os dois documentos no vácuo cinzento que fica entre as ilustres poltronas ministeriais do Supremo.

E terceiro, porque, com medo da parcialidade da Globo e do PiG (*),  permitiu que os partidos engessassem a cobertura da campanha – como fizeram com o debate.

Clique aqui para ler “por que o debate da Globo não presta”.

Só uma Ley de Medios dá jeito nisso.

Só uma Ley de Medios leva o debate para a rua.

Sem Ley de Medios, os eleitores da Dilma de hoje votarão no Berlusconi em 2014.

É o que o Wanderley Guilherme dos Santos também disse, em excelente artigo no Valor desta sexta-feira. 

Vamos, então, esquecer que esta foi uma eleição entre uma candidata trabalhista e dois conservadores, unidos pelas tripas.

Vamos relevar as diferenças ideológicas, óbvias, entre trabalhistas e conservadores.

Quem diz que “esquerda” e “direita” acabaram é a direita.

Vamos ficar nas figuras públicas, nas personas em disputa.

Nada mais “televisivo”, nada mais “notícia” do que “personagem”.

De um lado, José Serra, uma “spent force”, diriam os professores dele em Cornell.

(Como é que um exilado político, que saiu do Chile de Allende, foi parar nos Estados Unidos, assim, numa “nice” ?)

Gasto, “força desgastada”, superado, ideologicamente envelhecido.

Ancorou-se em 2002, quando teve 39% dos votos (contra 61% do Lula) e achou que venceu a eleição. 

Tanto que o PiG (*) sempre o tratou como “presidente eleito”, depois de 2002.

Faltava tomar posse. 

O Serra não percebeu que o Brasil mudou com Lula.

Que o Lula engordou a Classe C.

Para os tucanos de São Paulo, costuma dizer o Paulo Henrique Amorim, a “Classe C” fica entre a Business e a Primeira.

A ascensão social é mais do que uma questão econômica, que o IBGE possa medir.

Isso tem a ver com política, com visão de mundo.

É “cidadania”, como o Lula repete.

Ou, como diria o Albert Hirschman, que o Fernando Henrique leu e finge que não leu: o consumidor vira cidadão.

(Por falar nisso: cadê o Fernando Henrique ? Não vai segurar a alça do caixão ?)

Essa poderia ser uma discussão interessante, em torno de candidatos e personagens da Classe C.

Mas, o jornal nacional preferiu fazer uma tournée aero-rocambolesca para mostrar o que o Brasil tem de pior.

Um esgoto sanitário em cada esquina.

Bom mesmo, que este ordinário blogueiro tenha visto, o jornal nacional só achou em … onde ?, amigo navegante ?

Em São Paulo !

Em Lençóis Paulista …

O PiG (*) e a Globo poderiam falar do “verdismo” da Marina.

Como fez o meu amigo Mauro Santayana: a candidata de duas caras.

Pela frente, a pobrinha que anda num jato de US$ 50 milhões.

Por trás, os americanos e o James Cameron.

Como foi a jestão da Marina no Ministério ?

Um desastre ecológico, uma British Petroleum.

Além de traíra, ela é uma péssima administradora.

Como aquele outro traíra, o Cristovão Buarque, que foi mandado embora a tempo de salvar o programa educacional do Lula.

Por que a urubóloga Miriam Leitão acusava a Marina Ministra de desmatar o Brasil e, depois, viu nela uma cruza de Joana D’Arc com Angelina Jolie ?

Clique aqui para ler “Lucia Hippolito vota na Marina. Por que a Globo trocou de candidato ?”.

(Este post chega a dizer – que absurdo ! – que as eleitoras da Marina usam Kelly bag com sandália haviana verde ! 

Quá, quá, quá !)

A Dilma será a primeira mulher presidente da Brasil.

A Dilma será o primeiro presidente que é da primeira geração de imigrantes.

A Dilma será a primeira presidente que lutou na clandestinidade – e se orgulha disso ! – contra o regime militar.

E, muito importante, como ressalta o sábio Fernando Lyra – a Dilma se elege FORA da política partidária: ela nunca foi eleita para cargo nenhum.

Ela é uma renovação, nesse sentido também.

E o jornal nacional adora “pesquisa”. 

O jornal nacional de sábado e a sucessão de DUAS  “pesquisas” por estado, com “margens de erro” que engolem tudo (manipulação, despudor, imprecisão técnica etc etc ), são reflexo de uma eleição sem política.

O jornal nacional trata a eleição – como tentou fazer do Brasil, na tournée aero-rocambolesca – como se fosse um aterro sanitário.

Onde nada germina.

O jornal nacional vai ver o que germina hoje à noite.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Por que o debate da Globo não presta


    O debate presidencial, aquele que se considerava “decisivo”, porque o Serra ia “virar”, o debate foi ao ar às 22H35.

    Depois da novela em que se supõe que os personagens falem italiano.

    O debate foi no mesmo horário em que a Globo autoriza que os jogos do Brasileirinho se realizem.

    (A Cristina Kirchner comprou os direitos do campeonato argentino e distribui a todos os canais, que exibem na hora em que quiserem.)

    O debate da Globo é para o brasileiro que pode ir dormir depois da meia noite: ou seja, os ricos.

    O debate é uma chatice porque :
    1) as perguntas são sobre temas sorteados;
    2) quem faz as perguntas são os candidatos.

    Por isso, as perguntas não são perguntas, mas plataforma para o candidato dizer o que quer.

    E as perguntas são dirigidas ao adversário que esconda o maior rival.

    Quando a Dilma pergunta ao Plínio, é porque quer esconder o Serra.

    E o Serra só entrou no ar às 23H.

    O formato da Globo acabou por ser um tiro no pé do Serra.

    Quem sabe fazer pergunta é jornalista.

    Candidato sabe pedir voto – quando sabe, o que não é o caso do Serra.

    Candidato não sabe perguntar.

    Por isso, o debate ficou assim: insípido, inodoro e incolor.

    E por que ficou assim ?

    Porque os candidatos e os partidos quiseram fugir dos jornalistas.

    E por que fugiram dos jornalistas ?

    Porque os jornalistas brasileiros, em geral, não prestam.

    São partidários e, na maioria, tucanos.

    Como diz o Mino Carta: o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama o patrão de “colega”.

    Para evitar que o debate seja conduzido por perguntas do Jabor, da urubóloga ou do Waack, os partidos amarraram o debate.

    Criaram um formato imune à tensão.

    É como se a bola não pudesse passar da intermediária.

    É um debate do tipo “risco-zero”.

    O debate faz parte do sistema político brasileiro, em que não há discussão de políticas publicas.

    Não há confronto de idéias.

    O que mais informa acaba sendo, como a propaganda da Dilma, o horário eleitoral gratuito.

    A lei que regula a entrada de candidatos na televisão também é essencialmente idiota.

    Consiste em não aprofundar nada.

    Por que ?

    De novo, porque os partidos precisavam se proteger, antes de tudo, da parcialidade da Globo.

    E aí fica essa bobagem do “dia do candidato”.

    Em que o pobre espectador tem que ouvir a Bláblárina Silva – a candidata de duas caras, como disse o Santayana – dizer “é muito grave”, “é prioritário”, faremos “um plebiscito”.

    Nos Estados Unidos, por exemplo, os debates são no horário nobre.

    Patrocinados por entidades educacionais, geralmente.

    E quem faz as pergunta são jornalistas – que todo mundo reconhece como jornalistas sérios, imparciais.

    A Dilma aceitaria que só a Miriam fizesse as perguntas ?

    Ou o Jabor ?

    Melhor ir para o clinch – e não deixar o Serra respirar.

    Debate não decide eleição, como profetizou Don Hewitt, que, em 1960,  dirigiu o primeiro dos debates na tevê, entre Kennedy e Nixon.

    O máximo que faz é acentuar tendência que já prevalecia antes do debate.

    Cada um vê no debate o que quer ver. 

    Mas, poderia ser um instrumento de informação e formação.

    Se não fosse ao ar no horário do Brasileirinho.

    A presidente Dilma Rousseff não foge de uma responsabilidade que se impõe diante dela: promulgar a Ley de Medios.

    O brasileiro precisa conhecer, discutir seus problemas.

    Do contrário, o sucessor da Dilma será o Berlusconi.

    Paulo Henrique Amorim

    quarta-feira, 29 de setembro de 2010

    Deu APAGÃO no debate da Globo na hora do Alckmin falar

    Onde tucano mete o bico, o APAGÃO dá o ar de sua graça.

    Pois não é que no debate da Globo entre candidatos a governador de SP, na terça-feira à noite, deu APAGÃO no sinal da Globo no meio da fala de Alckmin (PSDB).

    No twitter, virou piada:

    Os tucanos iam culpar o PT.

    A Folha correrio para publicar manchete na capa: “Dilma é culpada pela queda de sinal da Globo no debate”.

    Terça-feira teve Mercadante tirando votos de Alckmin no debate da Globo

    Terça-feira a TV Globo promoveu debates de governadores em vários estados as 22:30 hs.

    Em São Paulo Mercadante está crescendo e Alckmin está caindo. O debate deve acelerar essa tendência, porque o legado e o discurso tucano em SP é ruim: pedágios abusivos, PCC, má qualidade do ensino, arrocho e pauladas nos professores, policiais e outros funcionários, atraso na entrega de remédios e superfaturamento, metrô atrasado, e desabamentos culminando com mortes na cratera, trânsito péssimo, alagões, apagões, cracolândias, população morando em áreas de risco, incêndios em favelas... ufa... tudo isso não anda pra frente com esses governos tucanos.