Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Abaixo a censura fascista à exposição de arte LGBT



escrotinhos mbl capa
Quem decidiu se interessar pelo estudo da ascensão do fascismo na Alemanha dos anos 1920/1930, não perdeu tempo. O Brasil está percorrendo caminhos cada vez mais parecidos.
A diferença é que o Brasil contemporâneo não tem um só Hitler – são muitos os líderes fascistas atuando hoje no país e sem responder a um comando central.
Outra grande diferença do processo de ascensão do fascismo em nosso país para processo análogo ocorrido na primeira metade do século passado na Alemanha é a influência religiosa.
O fascismo é moralista no que diz respeito aos costumes, mas o moralismo fascista tupiniquim ecoa o fanatismo religioso que hipnotizou o Brasil.
Nos últimos dias, dois episódios surgem para simbolizar esse processo de “emburrecimento” que se abateu sobre o país.
Um deles é o cancelamento prematuro de exposição promovida pelo banco Santander.
A exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte da brasileira” reuniu obras de 85 artistas, incluindo os mundialmente conhecidos Alfredo Volpi e Cândido Portinari, no museu de Porto Alegre. A curadoria foi de Gaudêncio Fidelis, que foi curador da Bienal do Mercosul de 2015.
A exposição tinha como mote a diversidade e as questões LGBT, aos moldes de exposições estrangeiras como a Queer British Art, em Londres, na Inglaterra, e a Hide/Seek: Difference and Desire in American Portraiture, em Washington, nos Estados Unidos.
Mas, no Brasil, esse tema da diversidade é ridiculamente atacado por grupos religiosos fanáticos e aproveitadores de extrema direita que endossam as loucuras dessa gente para agradá-la e usá-la como massa de manobra política.
Esses grupos adquiriram grande poder de pressão. Nesse caso, por exemplo, fizeram a exposição ser cancelada pelo Santander Cultural após críticas de movimentos religiosos e do Movimento Brasil Livre (MBL).
“Há pouco tinha crianças olhando essa ‘arte’ escarnecendo a Cristo”, disse o blogueiro Felipe Diehl, durante o vídeo em que ele circula pela exposição e critica as obras acompanhado de outro blogueiro, Rafinha BK, do MBL de Porto Alegre. “Olha o Satanás no meio”, diz Rafinha sobre outra obra. No vídeo, os blogueiros censuram as imagens com um “borrão”.
exposição cristo
Há uma reação em curso, foi convocado um ato em Porto Alegre em repúdio a essa ofensiva literalmente nazista contra a liberdade de expressão – na verdade, o que aconteceu foi ilegal e cabe uma ação judicial contra os indivíduos que promoveram esse enorme prejuízo à sociedade, com perda de um espaço que oferecia livremente exibição de obras de artistas mundialmente renomados.
O ato ocorrerá nesta terça-feira 12 de setembro em Porto Alegre, na rua sete de setembro, no centro histórico, às 15:30 hs.
Mas essa é apenas uma das faces obscurantistas do momento que o país atravessa. Há movimentos defendendo que os pais passem a educar os filhos em casa para que não corram risco de ser “doutrinados por comunistas”.
Tudo isso começou com a tal história sobre “Escola Sem partido” e já está começando a enlouquecer até famílias de classe média e média baixa que não têm condições de educar filhos em casa, mas começam a querer tirá-los das escolas públicas por conta dessa história maluca de que haveria uma “doutrinação comunista” nas escolas brasileiras, tanto nas públicas quanto nas privadas…
Essas pessoas acham que TODAS as escolas brasileiras estão formando pequenos guerrilheiros comunistas. E isso não é brincadeira. Basta ver o que dizem nas redes sociais.
Os grupos fascistas, como é comum nas sociedades que se tornam alvos deles, já começam a impor sua vontade no grito.
O caso da exposição do Santander, que se curvou a esse movimento ridículo e obscurantista, exemplifica como uma sociedade se entrega como prisioneira do fascismo. E, como todos sabemos, é fácil de entrar nessa masmorra ideológica, mas sair é que são elas.
O processo em curso no Brasil precisa ser detido pelas pessoas mentalmente sadias e democráticas. A esquerda precisa se unir, parar de brigar entre si e combater a ameaça fascista que líderes como Jair Bolsonaro e João Doria representam.
Movimentos sociais, sindicatos, a própria intelectualidade brasileira está ameaçada por gente tosca, iletrada, profundamente ignorante e aparentemente violenta que decidiu impor sua vontade à sociedade através da intimidação e da agressão moral nas ruas.
Esse ato em Porto Alegre contra o cancelamento de uma exposição que trazia trabalhos de nomes renomados das artes plásticas, mundialmente reconhecidos, precisa ser apoiado e se transformar em um ato de resistência a essa barbaridade.
Ou o Brasil se mexe ou os discípulos de Hitler e Mussolini vão produzir no por aqui o que seus inspiradores produziram na Europa na primeira metade do século passado. Se você se omitir, depois não reclame.
No vídeo abaixo, a reportagem completa sobre esses casos escabrosos.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

MARIA INÊS NASSIF: 'MENSALÃO' TORTUROU A REALIDADE PARA EXTRAIR A 'PROVA' DO CRIME


*Indústria mostra maior vigor em abril; dólar estabiliza com ação do BC e inflação desacelera na 1ª quadrissemana de junho: o que sobrou para as manchetes desta 4ª feira? 

**Brasil enfrenta transição de ciclo de desenvolvimento, mas jogral midiático repete a mesma pauta desde 2002: restabelecer o ajuste ortodoxo e derrotar o PT

**A verdade que envergonha a USP: A Universidade de São Paulo e a Congregação do Instituto de Química demitiram a professora Ana Rosa Kucinski em 1975, 'por abandono de função', quando era amplamente conhecida a sua condição de desaparecida política 

** Morre, aos 90 anos, Jacob Gorender: historiador marxista e militante da resistência à ditadura 


Para justificar a denúncia de que o chamado Mensalão foi um
esquema do PT para comprar apoio de outros partidos no Congresso, para assuntos de interesse do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, partiu da tese de que o dinheiro do Fundo de Incentivo Visanet (FIV), que era usado pelo BB para promover a marca Ourocard e o uso dos cartões de débito Eléctron, financiou este esquema. Fazia as campanhas para o Banco do Brasil a agência de publicidade DNA, do empresário Marcos Valério, por força de uma licitação que datava do ano 2000. O então procurador-geral, Fernando de Souza, incluiu apenas o nome do diretor de Marketing do BB, Henrique Pizzolato, ligado ao PT, na denúncia apresentada ao STF e excluiu os outros três executivos da mesma área. Um deles era Claudio Vasconcelos. Se fosse aceita a tese de coautoria, os quatro teriam que ser denunciados - e, neste caso, a narrativa do 'mensalão' enfrentaria um grande complicador: três deles, os excluídos, estavam no BB antes do governo Lula, nomeados na gestão Fernando Henrique Cardoso. Pior, os procedimentos contábeis  considerados irregulares, reiterados pela denúncia de Souza ao STF, datavam de 2001, dois anos antes de Pizzolato assumir a direção de Marketing do banco.



A verdadeira agenda e os interesses da revista "The Economist"

Que o braço televisivo das empresas de entretenimento e desinformação da Globo assuma como suas as provocações da The Economist é um fato repetido que não merece nenhum comentário novo. O que merece uma menção é o reiterado uso, por parte de seus jornalistas, do adjetivo “prestigiosa”. Na verdade, essa publicação é um órgão ideológico e um instrumento político do capital transnacional que busca ficar com a maior parte dos excedentes da sétima economia mundial. O mais recente "capricho" da The Economist é querer derrubar o ministro Guido Mantega. Por Dario Pignotti.


“Nenhuma organização midiática carece de um conjunto de conteúdos para demarcar a agenda (que está ligada a seu país de origem)...nem a BBC, nem a CNN prejudicariam os interesses nacionais” da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, respectivamente, afirmou Liu Chi, editora-chefe da CCTV, a televisão estatal da China, que destinou 8,5 bilhões de dólares para a expansão de seu sistema de informações destinado especialmente ao público ocidental.

A tese de Liu Chi, sobre o vínculo umbilical entre grandes meios de comunicação, de projeção global, e seus interesses nacionais, é perfeitamente aplicável ao influente, mas já não tão infalível New York Times (que teve a credibilidade arranhada após seu alinhamento patriótico com George W. Bush, na Guerra do Golfo), ao The Wall Street Journal, ao Financial Times e também a essa velha dama de ferro do jornalismo, The Economist, que retornou ao centro da agenda noticiosa brasileira com seus disparos dirigidos contra o ministro Guido Mantega.

Ainda que antiga, a revista que este ano celebra seu 170º aniversário, não perdeu o ímpeto e segue pressionando de modo um tanto imperial as potências emergentes, aqueles países que, em sua opinião, precisam receber lições sobre como superar a idade da barbárie econômica (leia-se: populismo, desenvolvimentismo, nacionalismo, intervencionismo, esquerdismo, distribucionismo) para chegar a um estado civilizatório superior: o do livre mercado absoluto.

Por sua fé neoliberal (ou liberal, simplesmente), The Economist às vezes evoca aquela Margaret Thatcher enlouquecida na “missão” de impor seu modelo e os interesses representados pelo Partido Conservador, em uma cruzada tão exitosa que acabou por deglutir o ideário econômico dos outrora reformistas quadros do Partido Trabalhista, degradados na figura de Tony Blair ao triste papel de mensageiros do decálogo neoliberal.

A falecida primeira ministra Thatcher, provinciana e pouco erudita, aplicou na Grã Bretanha a política mais regressiva desde o pós-guerra por meio de reformas (melhor seria chamá-las de contrarreformas) legislativas e uma repressão pinochetista contra os mineiros que tentaram, em vão, impor algum freio a sua agenda em defesa de um Estado mínimo.

Bem escrita, cuidadosa nos adjetivos que usa, editada com maestria, refinada, mordaz e, sobretudo, anglo-saxã: The Economist é um produto de qualidade, muito distinto do às vezes vetusto The Wall Street Journal.

Mas essa fleuma não impede que The Economist seja um órgão ideológico e um instrumento político com seu programa e seus objetivos, como qualquer meio de comunicação de porte global. Seu compromisso é impor sua agenda radical no debate econômico e aniquilar todo vestígio do que considera ser populismo estatista.

Seu último capricho, que põe a prova sua capacidade de pressão, parece ser querer derrubar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em quem detecta um vestígio do pensamento e da ação econômica que julga uma “herança do atraso”: o risco de regressar a uma era pré-thatcherista.

Um editor e o colunista de economia do Jornal das Dez, da Globo News, concederam amplo destaque às recomendações escritas por The Economist em sua última edição, na qual, com um senso de humor impregnado de desprezo, disse que não recomendará mais a queda de Mantega, sabendo que a presidenta Dilma Rousseff rechaça imposições, como ela mesmo afirmou na cúpula do BRICS realizada na África do Sul, frente a primeira investida da publicação londrina.

Que o braço televisivo das empresas de entretenimento e desinformação da Globo assuma como suas as provocações da The Economist é um fato repetido que não merece nenhum comentário novo. O que merece uma menção é o reiterado uso, por parte de seus jornalistas, do adjetivo “prestigiosa”. 

Como já foi assinalado acima não está em discussão a qualidade dos textos, nem o rigor da informação publicada pelo semanário, mas seu principal traço, muito mais que o prestígio, é sua influência, e esta é filha da repercussão propagandística de seus ataques políticos na forma de artigos jornalísticos.

O que a política econômica personalizada em Mantega ameaça, para publicações como The Economist, Financial Times, The Wall Street Journal e para agências de risco como a Standard and Poors, não são ideias, mas sim a disputa do capital transnacional para ficar com a maior parte dos excedentes da sétima economia mundial.

Quando as multinacionais da informação, que elevam a The Economist à condição de bíblia, demandam “confiabilidade” e “segurança jurídica”, na verdade estão utilizando um eufemismo para chantagear governos periféricos para que renunciem a toda soberania econômica e eliminem todo tipo de regulações. O modelo a ser imitado é o Chile e, mais recentemente, a Aliança para o Pacífico.

Dessa forma, inventa-se uma espécie de Pensamento Único Econômico, um consenso imposto a força, que não é filho da liberdade de expressão ou do pluralismo, mas sim da imposição e dos ataques aos interesses nacionais de países do sul.

Está certo Mantega quando assinala que “The Economist aposta em uma política conservadora...porque critica as políticas de estímulo (à produção e ao consumo), que é uma política que dá resultados, como deram, por exemplo, em 2008”. Na contramão do grosso dos economistas, Mantega, não fugiu da polêmica com a publicação britânica, identificando-a como um órgão alinhado com a direita europeia.

A revista, disparou o ministro brasileiro, “deve ter a mesma opinião que o governo de seu país (Grã-Bretanha) e dos estados europeus em geral (cujas políticas econômicas) que tiveram um resultado o qual não preciso mencionar”. Como era de se esperar, as afirmações de Mantega não mereceram nenhuma repercussão nos veículos de imprensa dominantes em nível global, associados em sua maioria ao credo e aos interesses encarnados pela The Economist.

(*) Correspondente, Doutor em Comunicação e Mestre em Relações Internacionais (@DarioPignotti).

terça-feira, 11 de junho de 2013

Que tal um “Family-Bag”, pessoal da Economist?




Encontrei na BBC uma matéria que bem que poderia servir de pauta para uma capa da The Economist, que pediu a demissão do Ministro Guido Mantega, alegando que a economia está um caos no Brasil.
É sobre a pobreza na cidade inglesa de Nottingham, famosa como terra de Robin Hood, o herói que tirava dos ricos e distribuía aos pobres.
Diz a BBC que, por conta da renda baixa, a região se tornou um paraíso da agiotagem.
“Se você está desesperado com os filhos que não comem há três dias e alguém bate à sua porta oferecendo um empréstimo, ele é visto como um Messias”,disse Sharon Mills, do Meadows Partnership Trust, uma organização financiada pelo governo que oferece ajuda aos residentes do bairro pobre de Meadows.
Ele  chama os agiotas de  uma verdadeira “alcateia”, disposta a recorrer à intimidação para recupera seu dinheiro.
“Eles sabem até mesmo o dia em que as pessoas recebem seus salários e assim vem literalmente botando a porta a baixo em alguns casos”.
Quem sabe The Economist não acha uma versão do nosso Bolsa-Familia, um “Family-Bag” mais adequado para aqueles ingleses do que algum Robin Hood que queira aparecer?
Por: Fernando Brito

quarta-feira, 22 de maio de 2013

MAL-ESTAR NA INGLATERRA NÃO É DE FACHADA. É REAL


sábado, 9 de março de 2013

INGLATERRA PODE ABANDONAR CONVENÇÃO DE DIREITOS HUMANOS


sábado, 8 de dezembro de 2012

Dilma Rousseff, Vandana Shiva, Tony Blair e uma certa revista britânica


Vandana Shiva lidera, entre outros, o movimento contra a escravidão das sementes transgênicas

por Luiz Carlos Azenha

A revista britânica Economist sugeriu — e a mídia brasileira repercutiu com grande alarde — a demissão do ministro Guido Mantega.
O que me lembrou de outro episódio. Estava eu no simpático hotel Marvel, em Lahore, Paquistão, digerindo um apimentado nihari que quase me tirou de combate, quando decidi olhar a BBC, que em geral é vista em inglês nos sistemas de cabo das ex-colônias britânicas.
A BBC promovia um debate sobre pobreza que tinha como convidados, entre outros, o ex-primeiro britânico Tony Blair — o lapdog de George W. Bush — e a militante Vandana Shiva.
O problema — para Blair, obviamente — é que a BBC  tinha buscado representar na audiência o mundo como ele é, hoje: não um monopólio intelectual dos brancos de olhos azuis e suas ideias eurocêntricas, mas um apanhado de morenos, muitos dos quais de olhos puxados.
Havia acadêmicos malaios, indonésios, chineses e muitos africanos participando do debate.
A certa altura, Blair veio repetir a velha ladainha sobre como eliminar a pobreza na África: governança, reforma do Estado (leia-se privatizações) e outras sandices do Banco Mundial, já testadas na década de 80 e que fracassaram espetacularmente, deixando no rastro instituições ainda mais enfraquecidas diante do poder neocolonial das transnacionais.
Ninguém chegou a destacar o importante papel que a China teve na África, ao se colocar como mercado alternativo para as commodities locais e financiar obras de infraestrutura sem as famosas condicionalidades impostas pelo Ocidente — eu te dou uma grana do FMI desde que você privatize os portos, ou o petróleo, ou as minas de carvão.
Governança, governança, governança, insistia Blair, como se o déficit de democracia fosse a causa principal da pobreza e não, por exemplo, os subsídios agrícolas europeus e norte-americanos, que reduzem a competitividade da produção agrícola dos países mais pobres.
Até que a maravilhosa Vandana Shiva largou uma sapatada verbal nele: Tony, disse ela em outras palavras, se a governança proposta por vocês fosse tudo isso, a Europa não estaria hoje mergulhada numa profunda crise financeira e ameaçada de estilhaçamento político.
Silêncio constrangedor na plateia. Aqueles olhos todos se voltaram para Blair, fuzilando a condescendência dele. O ex-primeiro britânico ficou ainda menor na cadeira.
Fiquem com nossa mídia colonizada:
Dilma reage a crítica de revista britânica à economia brasileira
07/12/2012 – 16h42
Danilo Macedo e Renata Giraldi
Repórteres da Agência Brasil
Brasília – A presidenta Dilma Rousseff rebateu hoje (7) o artigo da revista britânica The Economist, que sugere a demissão da equipe econômica brasileira, sob comando do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Dilma disse que não se deixará influenciar pela opinião de uma revista estrangeira e destacou que a situação nos países desenvolvidos é mais grave do que a do Brasil.
“Em hipótese alguma, o governo brasileiro, eleito pelo voto direto e secreto do povo brasileiro, vai ser influenciado pela opinião de uma revista que não seja brasileira”, disse a presidenta, antes do almoço oferecido aos participantes da Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul, no Itamaraty.
Segundo Dilma, o Brasil cresceu 0,6% no último trimestre e crescerá mais no próximo, o que não motiva a recomendação da revista. “Não vi, diante dessa crise gravíssima pela qual o mundo passa, com países tendo taxas de crescimento negativas, escândalos, quebra de bancos, quebradeiras, nenhum jornal propor a queda de um ministro.”
Ao ser perguntada se a situação dos demais países era pior que a do Brasil, a presidenta foi enfática. “Vocês não sabem que a situação deles é pior que a nossa? Pelo amor de Deus!”, disse ela. “Nenhum banco, como o Lehman Brothers, quebrou aqui. Nós não temos crise de dívida soberana, a nossa relação dívida/PIB é de 35%, a nossa inflação está sobre controle, nós temos 378 bilhões de dólares de reserva.”
A presidenta reafirmou que é favorável à liberdade de imprensa, apesar de divergir do conteúdo publicado em alguns veículos. A reação de Dilma à publicação britânica ocorre em meio a discussões sobre regulação dos meios de imprensa na Argentina e no Equador, países cujos presidentes, Cristina Kirchner e Rafael Correa, respectivamente, estavam presentes nas reuniões de hoje.
“Eu sou a favor da liberdade de imprensa. Não tenho nenhum ‘senão’ sobre o direito de qualquer revista ou jornal dizer o que quiser”, ressaltou a presidenta. Para ela, a reação da revista britânica pode ter sido motivada pela queda dos juros no Brasil.
“[Será que] tudo isso se dá porque os juros caíram no Brasil? Os juros não podiam cair aqui? Aqui tinha que ser o único, como dizia um economista antigo nosso [Delfim Netto], ou o último peru de Ação de Graças?”, acrescentou a presidenta, referindo-se à hipótese de o Brasil só ter condições de baixar os juros quando todos os países da região já tivessem feito.
Edição: Nádia Franco


Regulação da mídia no Brasil só virá de baixo para cima



Neste sábado (8), a Comissão Organizadora do Movimento dos Blogueiros Progressistas reunir-se-á para discutir a conjuntura política, os novos passos a serem dados e, de minha parte, uma proposta para inserir esse debate na sociedade, pois, hoje, não é segredo para ninguém que a democratização da comunicação no Brasil está mais distante do que estava há um ano.
Como escrevi em posts anteriores, a regulação do setor no Brasil é uma questão de tempo, pois esse processo se espalha pelo mundo e, acima de tudo, pela América Latina. O problema é: quanto tempo? Em que ano irá vingar, por aqui, um arcabouço legal que retire da comunicação de massas o caráter de feudo de elites econômicas, regionais e étnicas?
Analisando a situação com frieza: isso pode demorar vários anos, ainda, enquanto que da Europa à América do Sul os países vão estabelecendo regras, não para calar, mas para, literalmente, democratizar as comunicações, ou seja, para que não tenhamos que ver as televisões difundirem, todas, as mesmas opiniões enquanto simplesmente bloqueiam as de quem pensa diferente.
A democratização das comunicações, per si, nada mais é do que o fim da censura que vige hoje contra quem pensa diferente das famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita, que, por exemplo, conseguem impedir que a sociedade discuta tema como a regulação da mídia, o qual, no resto do mundo, é discutido incessantemente nos meios de comunicação de massa.
Mas por que, no Brasil, essa discussão não avança? Como é que, à diferença da Argentina, da Venezuela, do Equador, da Inglaterra, da França ou dos Estados Unidos, empresários de comunicação conseguem impedir que a sociedade saiba que regular comunicação não é censura nem aqui nem em parte nenhuma, e que censura é o que vige hoje?
Dirão que em países como Argentina, Equador ou Venezuela o indutor do processo foi o Estado e que, como o Estado brasileiro, através da presidente Dilma e do Legislativo, é refratário à medida, aqui não está sendo possível fazer avançar um processo civilizador das comunicações.
Não é bem assim. Na Grã Bretanha, por exemplo, o governo parece pouco interessado nas propostas do relatório do juiz Brian Levenson. O primeiro ministro David Cameron tem dado declarações contrárias a propostas de regulação que avançam rapidamente – e que vão ganhando apoio da sociedade britânica – no sentido de regular até a imprensa escrita.
Como escrevi no post anterior, aqui, abaixo do Equador, não somos tão radicais como os britânicos. Ou melhor, não somos tão esclarecidos. No Reino Unido, a sociedade ficou indignada com os abusos do magnata Rupert Murdoch e seus pistoleiros e, assim, o relatório Levenson vai exprimindo um clamor da sociedade por limites à grande mídia.
Basta ver os comentários dos leitores “de direita” neste ou em outros blogs para notar que muitas dessas pessoas nem são tão de direita. Na verdade, conheço militantes do PSOL e até do PT que vivem papagaiando o PIG e que chegam a dizer que regulação seria censura, o que não é tão difícil de acreditar quando a própria presidente da República dá margem a essa interpretação quando se manifesta sobre o tema…
Dilma, porém, é política – muito mais do que supõe a nossa vã filosofia. Se pudesse dizer alguma coisa aos setores que pregam a democratização da comunicação via regulação da mídia, diria que nós é que temos que criar fatos políticos, pois, sem sombra de dúvida, não existe clima para tanto no Congresso e, provavelmente, muito menos no Judiciário.
Aí entra o Encontro de Blogueiros. Muitos já ouviram falar do FNDC (Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação). Para quem não conhece, aí vai um breve histórico da entidade, extraído de seu site.
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“Criado em julho de 1991 como movimento social e transformando-se em entidade em 20 de agosto 1995, o Fórum congrega entidades da sociedade civil para enfrentar os problemas da área das comunicações no País.
A retomada de suas atividades, a partir do final de 2001, coincidiu com o momento histórico em que um projeto nacional de caráter popular chega ao poder da Administração Pública Federal.
Simultaneamente, toda regulamentação da área das comunicações está sendo revista e a sociedade brasileira deve enfrentar o momento histórico de definir qual digitalização das comunicações será mais emancipadora para o Brasil.
Antecipando-se a este cenário, o Fórum formulou e apresentou ao governo federal um programa para a área das comunicações voltado para a construção da democracia, da cidadania e da nacionalidade no Brasil. O texto foi construído durante a realização de sua IX Plenária, ocorrida no Rio de Janeiro, entre 14 e 16 de junho de 2002.
De lá para cá, representantes FNDC passaram a atuar na base, com seus 12 comitês regionais instalados em nove estados da federação, e em espaços institucionais como o Conselho de Comunicação Social e o Comitê Consultivo do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD)”.
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Sejamos curtos e grossos: tanto o Encontro de Blogueiros quanto o FNDC e todos os que militam pela democratização da comunicação no Brasil estamos sentados à espera de que o governo tome iniciativas como as que foram tomadas na Argentina, no Equador ou na Venezuela, mas isso não irá ocorrer simplesmente porque o Estado brasileiro não está disposto a bancar essa iniciativa, até porque sabe que o Legislativo AINDA não está permeável a ela.
Há anos vimos nos reunindo em salões fechados reafirmando para nós mesmos, a cada fala, a cada documento, o que todos estamos carecas de saber. Ou seja: não falamos para a sociedade. Estamos praticando a boa e velha masturbação ideológica.
Não posso me furtar a dizer, até porque é preciso que alguém diga.
Conseguimos reunir milhares de pessoas na internet ou em fóruns fechados – a Conferência Nacional de Comunicação (da qual fui delegado), no final de 2009, reuniu esses milhares em Brasília –, mas não conseguimos levar essas pessoas à rua.
Por quê?
Aí você se perguntará: mas queremos ir à rua? Minha posição é a de que, se quisermos fazer a iniciativa da democratização das comunicações avançar, precisamos dizer à sociedade que esse debate existe, pois a grande maioria nem imagina o que seja e como é nefasto para uma sociedade que concessões públicas de rádio e tevê possam censurar tudo o que não querem que seja difundido.
Como fazer se não temos acesso à comunicação de massas? Que televisão já deu espaço ao debate sobre regulação da mídia? Globo? SBT? Bandeirantes? Record? Nenhuma. Nem a Record, porque é óbvio que o Bispo não quer uma legislação que o impeça de acumular plataformas de mídia justamente no momento em que ele as está adquirindo sem parar.
Só indo à rua, pois.
Ora, faculdades de jornalismo, movimentos sociais, sindicatos, leitores da blogosfera progressista, somados, somos dezenas de milhares. Aqui mesmo neste blog, milhares e milhares de pessoas já demonstraram, com nome e sobrenome, que entendem como é nefasta a concentração da propriedade de meios de comunicação.
UNE, CUT, MST, Blogs, todos estão afinados com a necessidade de democratizar a comunicação no país, mas essas forças não conversam entre si se o assunto for colocar gente na rua para dizer às pessoas o que a grande mídia – sobretudo a eletrônica – não quer que saibam.
Note, leitor, que é imensa a fragilidade do discurso contra a democratização das comunicações. Primeiro, porque o que se quer implantar aqui já existe em praticamente todos os países desenvolvidos – o combate duro a oligopólios e monopólios no setor. A Globo, por exemplo, é um oligopólio inaceitável em qualquer país civilizado.
Todavia, quando se fala em regulação da mídia ninguém sabe direito o que é. O que se pede aqui no Brasil?
A Argentina e outros países latinos estão retomando concessões que excedam o permitido por lei. A Inglaterra está remodelando o seu órgão regulador de jornais e revistas – impensável na América Latina – acabando com a autorregulação dos próprios veículos e transferindo a gestão desse órgão para um comitê independente do Estado e das empresas de comunicação.
No Brasil, nem isso se almeja. A proposta tímida que foi deixada pelo governo Lula, pelo que dela sei pelas palavras do ex-ministro Franklin Martins, nem pretende retomar concessões existentes, atuando, apenas, nas que forem distribuídas no futuro, até porque o avanço da tecnologia criará muita concessão nos próximos anos.
O resultado de um processo assim é que haveria muito mais vozes na comunicação de massas. A Globo poderia continuar vetando o assunto que quisesse, mas ao menos a tevê poderia ter canais que discutiriam, por exemplo, a regulação da comunicação não apenas pela ótica de quem é contra.
O primeiro passo para essa discussão ao menos se estabelecer na sociedade, é um só: se todos os que partilham do desejo de democratizar a comunicação de massas no Brasil forem às ruas será impossível impedir que  o debate prospere. Se prosperar, a direita midiática não tem argumentos para debater.
Como os inimigos do fim dos oligopólios de mídia poderão sustentar que é censura uma legislação que existe em países como Estados Unidos, Inglaterra, França etc.? Pois basta informar isso à sociedade – que disso não sabe – para triturar os argumentos dos que querem continuar censurando ideias com as quais não concordam.
Essa será a posição que levarei à reunião da Comissão Organizadora do Encontro de Blogueiros Progressistas. Na verdade, irei reiterar o que venho pregando há alguns anos. Tenho certeza de que conseguiremos fazer e tenho propostas nesse sentido. No momento, os defensores desse ideário não estão sequer sendo levados a sério, mas é possível mudar isso.