Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Os imorais da “moralidade”

velhinha
Num editorial que só pode ser crível para a famosa e crédula Velhinha de Taubaté,do Luís Fernando Veríssimo,  O Globo sai hoje, outra vez, em defesa da institucionalização da corrupção nas campanhas eleitorais.
Diz o jornal que “entorta-se a discussão, partindo de episódios pontuais, para generalizar a questão” sobre o fato de empresas irrigarem, a seu gosto, com milhões de reais, a campanha eleitoral de candidatos a deputado, senador, prefeito, governador e Presidente da República.
“O problema não é a presença de empresas nas listas legais de doações. O que se deve combater é a falta de transparência, a tibieza dos mecanismos de controle, fiscalização e normatização, de modo a conter abusos”.
Mecanismos tíbios? A burocracia das comprovações de despesas eleitorais dos candidatos já se tornaram calhamaços contábeis impossíveis de examinar.
Se não houver um pilantra que faça, tirando o seu, a intermediação de recursos para candidaturas, como é que se vai provar que a empreiteira A ou o banco B “doou” aquilo que ganhou indevidamente em uma obra pública ou porque empresas a eles ligadas receberam concessões?
Basta “doar legalmente” e a propina estará absolutamente lavada, a menos que os tribunais analisem, uma a uma, as planilhas de custos de obras federais, estaduais ou municipais?
Ou serão os ladrões apanhados na roubalheira e a imprensa conservadora que decidirão quais serão as doações formais que são “espontâneas” e as que são produto de sobrepreços e  contratos marotos.
Ou o critério é “o que é do PT é manchete, o que é do PSDB não sai”, como pontificou o jornalismo da Rede Globo, estes dias?
O jornal chega a defender o “caixa-2″, que seria, embora deletério, ” um elemento da política”.
Bloquear as doações empresariais iria trazer  “o consequente incremento dos canais subterrâneos de irrigação de candidaturas”, argumenta candidamente o texto, como se o problema não fosse o dinheiro, mas a forma com que ele chega.
E, depois, como iria aumentar se, além do mais, isso exigirá uma operação criminosa complexa, para dar baixa em dezenas, centenas de milhões de reais de forma clandestina.
O editorial de O Globo só se presta para enganar os muito trouxas, aplaudir – envergonhadamente – a chicana jurpidica do “pedido de vista” feito por Gilmar Mendes que impede a aplicação já tomada pelo Supremo Tribunal Federal de proibir as doações empresarias e, acima de tudo, saudar a ação de Eduardo Cunha em colocar em votação uma reforma legal que torne inócua a decisão  judicial.
O importante, confessa O Globo , é barrar “uma ampla reforma política, agenda oportunista do PT, que abriga a proposta de financiamento público de campanhas como complemento da proibição a pessoas jurídicas.”
Assim, as empresas poderão continuar  a exercer sua “cidadania” (só aqui no Brasil empresa tem cidadania!) e a despejar recursos em quem quiserem, certamente em troca apenas de um sorriso e um “muito obrigado”.
Francamente, nem a Velhinha de Taubaté.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Guerra política contra Dilma prejudicará a todos “democraticamente”

dilma

Em 29 de junho de 2013, após três semanas seguidas de protestos diários pelo país, com centenas de milhares de pessoas indo à rua e promovendo o caos, o Datafolha divulgou pesquisa de opinião mostrando expressiva queda da aprovação a Dilma Rousseff, bem maior do que a verificada em pesquisa do mesmo instituto divulgada no último sábado.
Há cerca de um ano e meio, dos 57% de bom e ótimo que a presidente tinha antes de aqueles protestoseclodirem, o percentual caiu para 30%. Desta vez foi pior: Dilma perdeu 19 pontos percentuais, caindo de 42% para 23%, enquanto a taxa de ruim e péssimo explodiu, indo de 24% em dezembro para 44% agora.
O que é mais preocupante para a presidente é que, na pesquisa de junho de 2013, sua taxa de ruim e péssimo subiu de 9% para 25% e, agora, subiu de 24% em dezembro último para 44%. Desde o governo Fernando Henrique Cardoso que um presidente não tinha rejeição tão alta.
Apesar desse quadro tétrico, Dilma tem motivos para ter esperança de melhora. Assim como ela se recuperou do baque de junho de 2013 e acabou se reelegendo, ainda que por margem apertada, o mesmo pode acontecer ao longo do ano. Isso porque alguns dos motivos que estão presentes no novo desmoronamento de popularidade também estavam no anterior.
Análise ponderada dos fatos mostra que, assim como em 2013, desta vez também foi a esquerda que desencadeou a queda de popularidade acentuada da presidente. Mas não é só. Desta vez também está presente uma percepção popular sobre a economia que contribuiu para a queda de popularidade do ano retrasado.
Na pesquisa de junho de 2013, disparou para 44% a taxa dos que acreditavam que o desemprego iria aumentar; na pesquisa divulgada no sábado, o pânico com a economia foi ainda maior, com 60% temendo pelo emprego.
Em 2013, o medo da inflação também revelou uma das principais razões para a queda de popularidade da presidente. Em junho daquele ano, 54% acreditavam em disparada da inflação; hoje, o percentual, espantoso, é de 80%.
A grande semelhança entre os dois momentos é que em junho de 2013 tampouco havia razão material para o descontentamento da população com o governo federal. A população não se revoltava com o que estava acontecendo, mas com o que a induziram a crer que iria acontecer.
Hoje, como em 2013, o desemprego é baixíssimo, o salário subiu ainda mais e a inflação está controlada – terminamos 2014 com a inflação de novo dentro da meta.
Porém, assim como em 2013, de novo a esquerda (incluindo setores do PT) fomentou a revolta da população; essa esquerda (incluindo, de novo, setores do PT) desencadeou uma enorme ofensiva nas redes sociais contra nomeações de ministros considerados de direita – Katia Abreu, na Agricultura, e Joaquim Levy, na Fazenda.
A casa de Dilma começou a cair em novembro do ano passado, com manifesto de intelectuais que apoiaram a sua reeleição. Cerca de 30 dias após a presidente se reeleger, esses intelectuais fizeram uma acusação tácita a ela ao pedirem que cumprisse o programa de governo com o qual se apresentara nas urnas. Ou seja, acusaram-na de estelionato eleitoral.
Chega janeiro e Dilma nomeia os ministros Abreu e Levy, desencadeando uma onda de críticas à esquerda que foi aumentando mesmo após semanas das nomeações. Esperta, a mídia antipetista tratou de divulgar fartamente que o próprio PT e sua militância estavam acusando Dilma de estelionato eleitoral, enquanto Aécio dizia a mesma coisa.
A tese do estelionato eleitoral, agora coonestada por boa parte dos próprios correligionários de Dilma e por ex-simpatizantes da candidatura presidencial do PT, tornou-se uma tsunami que engolfou a opinião pública.
Além disso, a mídia tratou de ludibriar a população inventando uma crise de energia elétrica  – que não existe – e, tacitamente, culpou o governo federal pela crise hídrica em São Paulo, onde, segundo o Datafolha, 53% acreditam que Dilma e o prefeito Fernando Haddad são responsáveis pelo racionamento velado de água que a população vem sofrendo.
Por fim, alguns formadores de opinião conseguiram “viralizar” a teoria de que Dilma deveria usar rede nacional de rádio e televisão para se defender das críticas, o que não poderia fazer sob pena de ser acusada judicialmente de usar um equipamento público para fins políticos, já que rede nacional, por lei, só pode ser usada para comunicar assuntos de interesse da população, nunca para fazer política – e Dilma se defender em rede seria fazer política.
A boa notícia é a de que, se o governo conseguir impedir que os vaticínios catastrofistas sobre a economia se materializem, sua popularidade irá se recuperar. Se não houver aumento do desemprego e da inflação, a parcela da opinião pública que foi colocada em pânico tende a reverter sua posição política.
A má notícia é a de que tudo o que está acontecendo na política está influindo drasticamente na economia. O tratamento escandaloso que a mídia vem dando à Operação Lava Jato pode obrigar a Justiça a impedir que as empreiteiras acusadas operem as grandes obras em curso no país, o que irá fazer o desemprego explodir. Além disso, investidores, assustados com o quadro político, tendem a se retrair.
O bombardeio político de Dilma e seu enfraquecimento em sua base de apoio, portanto, podem causar um desastre econômico, fazendo explodir o desemprego e a inflação. Nesse contexto, o país seria tomado pelo caos. Ressurgimento de novas manifestações de rua seria mais do que provável.
Na grande mídia, vários analistas vinham dizendo que tudo de que o PSDB e a mídia precisam para propor o impeachment de Dilma ao Congresso é perda de apoio popular. Com o último Datafolha, a direita ganhou o instrumento de que precisava. Porém, a expectativa é que espere a situação se agravar mais um pouco.
O que Dilma pode fazer é tentar dialogar com o país e, sobretudo, com os movimentos sindical e sociais e com setores do PT e da militância partidarizada ou independente que, até aqui, dizem aos quatro ventos que se arrependeram do voto na presidente por conta das nomeações daqueles dois ministros e de algumas medidas de austeridade no seguro-desemprego e em mais alguns outros benefícios trabalhistas,
Outra possibilidade que pode melhorar a perspectiva do país é o instinto de sobrevivência do empresariado. Inclusive do grande empresariado. A política está destruindo a economia brasileira e, com isso, eles amargarão prejuízos astronômicos enquanto os trabalhadores mergulharão no desemprego e no arrocho salarial.
Ou seja: a qualquer um que tenha cérebro não interessa continuar pondo lenha na fogueira contra Dilma, seja essa pessoa de direita, de centro, de esquerda, do que for. Contudo, o país vive uma catarse. A política está sabotando a economia e até quem não quer o caos cedeu ao canto da sereia da mídia ou de formadores de opinião independentes.
Na atual situação, só um pacto pela governabilidade e pela defesa dos interesses de TODOS – trabalhadores e empresários, esquerdistas e direitistas – pode evitar uma tragédia econômica que jamais aconteceria sem essa maldita guerra política que vem prejudicando tanto um país que tem tudo para continuar melhorando como vinha fazendo há mais de uma década.
Uma distensão política permitiria que terminássemos 2015 sem ganhos econômicos, mas sem desastre. Se prevalecerem os interesses políticos dos derrotados na eleição de 2014, porém, aí todos terão motivos de sobra para se preocupar. E a queda de Dilma não resolveria nada, só agravaria, pois quem a sucederia seria bem mais duro nos ajustes econômicos.

Levy, a Merkel é o maior monstro da Europa​ Uma política de austeridade que não produziu nada, a não ser a ruína social em toda a Europa.



Amigo navegante sugeriu republicar essa traduçao de um artigo no Guardian inglês:


Merkel é o maiormonstro da Europa



Owen Jones, no The Guardian

Angela Merkel é a líder mais monstruosa da Europa Ocidental desta geração. Políticos que infligem  crueldade econômica em larga escala e destróem a vida de milhões de pessoas acabam não tendo que enfrentar a Justiça.

Mas, Merkel, sem dúvida, permanece sob julgamento e foi condenada no banco dos réus da História.

Sumos sacerdotes da austeridade da União Européia  evocam as palavras do inflamado discurso de Charlie Chaplin, no fim de “O Grande Ditador”: “Homens máquinas, com mentes máquinas e corações máquinas”.

Os gregos se rebelaram contra os homens e mulheres -máquina -  e estão clamando para que outros os sigam.

Aliviar a dívida da Grécia faz sentido econômica e moralmente

Merkel, os burocratas da União Européia e financistas internacionais são cruéis, mas não estúpidos: eles sabem que a esperança é um contágio, e farão tudo o que puderem para que o movimento Syriza pare de inspirar outros.

Merkel já exigiu que Alexis Tsipras, o novo primeiro-ministro grego, ignore o seu mandato democrático e apoie as medidas de austeridade impostas do exterior.

No período de preparação para a eleição, vazamentos de informação do governo alemão sugeriam  a saída da Grécia da Zona do Euro: uma mensagem clara para que o povo grego não votasse da maneira errada.

Para aqueles que querem que a Europa tenha um futuro que não seja o da queda do padrão de vida, aumento da insegurança e retirada da provisão social, é a política de Merkel e das elites podres que ela representa que deve se submeter a um ajuste de contas.

Considere a espetada que o ganhador do Premio Nobel, o economista Paul Krugman está dando na política que destruiu um quarto da economia grega.

Como observa Krugman, a troika – FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia – promoveram “uma fantasia econômica”, pela qual os gregos pagaram.

Eles projetaram que o desemprego atingiria o pico de 15% em 2012 e, em lugar disso, a projeção foi arremessada para mais de 25%.

Krugman despiu a mentira de que os gregos não se impuseram austeridade suficiente: os gregos, na verdade, cortaram ainda mais do que foi planejado e, como a economia entrou em colapso, também as receitas fiscais sofreram mais do que o planejado.

Os gregos têm que viver dentro de suas posses; eles estão sofrendo, agora, pelos  anos de libertinagem, ao contrário do austero Estado alemão – e assim segue o mantra.

A Grécia foi mais atingida pela fraude e a evasão fiscal do que a maioria das nações, e o Syriza promete uma repressão radical a ambos.

Porém, os mitos que sustentam a mal velada punição coletiva seriam destruídos.

Como um editorial da Bloomberg postou: “Cada devedor  irresponsável é legitimado por um banqueiro  irresponsável.”

A Alemanha mamou dinheiro em países como a Grécia e Espanha – essa é a “magia” dos mercados desregulados – e, dessa forma,  “emprestou mais do que os devedores  podiam pagar “.

Os bancos alemães e os políticos alemaes  deveriam saber que isso acabaria em desastre.

Então, por que não agiram? Simples: a ganância.

Como Kevin Drum, um analista norte-americano, explica: concederam “aos poupadores alemães um lugar para investir dinheiro” e “forneceram à periferia – Grecia, Espanha, Portugal … -   dinheiro barato o suficiente para construir um próspero mercado para as exportações alemãs”.

Quais foram os primeiros países da UE a desrespeitar os tetos do Orçamento ?

A Alemanha e França? Poderosas como eram, elas não enfrentaram qualquer represália.

Isso absolve as elites gregas – atenção, não o povo grego – de seu papel na calamidade ? Claro que não.

Mas, Merkel deveria estar pedindo perdão também.

Tudo o que os dirigentes europeus têm a oferecer são sociedades falidas e pessoas falidas.

Mais da metade dos jovens na Espanha e na Grécia estão sem trabalho, o que deixa marcas: além da angústia, eles enfrentam a possibilidade de desemprego e salários mais baixos pelo resto de suas vidas.

Direitos dos trabalhadores, serviços públicos, um Estado de Bem-Estar: o que foi conquistado com alto custo por pessoas fortes e de visão é agora destruido.

(…)

É por isso que a Grécia tem de ser defendida com urgência – não apenas para apoiar um governo democraticamente eleito e as pessoas que o colocaram lá. E

As elites europeias sabem que, se as exigências do Syriza forem cumpridas, então, outras forças de mesma opinião serão  encorajadas.

Na Espanha, o Podemos, um movimento anti-austeridade,  que está em alta, e deverá triunfar nas eleições deste ano.

O Syriza já conquistou mudanças: a limitada flexibilização quantitativa do Banco Central Europeu  é, em parte, uma resposta à sua ascensão.

Mesmo o conhecido radical Reza Moghadam,  Vice-Presidente do banco Morgan Stanley para mercados de capitais globais, e ex-chefe do Departamento Europeu do FMI, considera que o Syriza tem uma forte posicao de negociaçao.

O precedente de uma saída da Zona do Euro levaria o mercado a punir outros membros e, em consequencia, provocaria outros pedidos de perdão da dívida da Grécia.

A vitória da Grécia é possível, mas depende de pressão popular por toda a Europa.

Se o Syriza vencer,  será uma vitória impressionante para todas as forças anti-austeridade, e ajudará a mexer no equilíbrio de poder na Europa.

Mas, se a Grécia perder, os governos e os bancos  tentarão sufocar o Syriza  logo no inicio do Governo.

Será o triunfo da austeridade sobre a Democracia.

O futuro de milhões de europeus – gregos, franceses, espanhóis e também britânicos – será desolador.

Por isso, é importante um movimento para defender a Grécia em ruínas.

A  Alemanha derrotada se beneficiou do alívio da dívida em 1953, e temos de exigir o mesmo  para a Grécia hoje.

Devemos apoiar o pedido do Syriza para encerrar uma política de austeridade que não produziu nada, a não ser a ruína social em toda a Europa.
Posters do Syriza proclamavam:

“A esperança está a caminho”.

(…)

É um jogo de apostas altas: a derrota significará mais incontáveis anos de pesadelo econômico.

Esta reprise da década de 1930 pode ser encerrada – desta vez, pela Esquerda democrática, ao invés da Direita fascista e genocida.

A era de Merkel e os homens-máquina pode estar no fim.

Cabe a todos nós agir, e agir rapido.



Leia também:

Os pobres que se lixem. Piketty e o ajuste do Levy


Levy, deputados apoiam imposto sobre fortunas




 

Globo mandou remover todas citações a FHC em reportagens sobre Lava Jato

Globo mandou remover todas citações a FHC em reportagens sobre Lava Jato.

 Miguel do Rosário

O PIG - globo logo golpe golpista cópia

Trecho de post do Nassif, publicado hoje em seu blog:

O jogo da informação

É por aí que se entende a campanha da mídia em busca do impeachment.
Os vícios do modelo político brasileiro afetam todos os partidos. Mais ainda o governo FHC com a compra de votos e as operações ligadas ao câmbio e à privatização. A gestão Joel Rennó foi das mais controvertidas da história da empresa.

Ao tornar o noticiário seletivo, os grupos de mídia conspiram contra o direito à informação, centrando todo o fogo em uma das partes e blindando todos os malfeitos dos aliados.
Ontem, a diretora da Central Globo de Jornalismo, Silvia Faria, enviou um e-mail a todos os chefes de núcleo com o seguinte conteúdo:

“Assunto: Tirar trecho que menciona FHC nos VTs sobre Lava a Jato
Atenção para a orientação

Sergio e Mazza: revisem os vts com atenção! Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique”.

O recado se deveu ao fato da reportagem ter procurado FHC para repercutir as declarações de Pedro Barusco – de que recebia propinas antes do governo Lula.

No Jornal Nacional, o realismo foi maior. Não se divulgou a acusação de Barusco, mas deu-se todo destaque à resposta de FHC (http://migre.me/oyiwP) assegurando que, no seu governo, as propinas eram fruto de negociação individual de Barusco com seus fornecedores; e no governo Lula, de acertos políticos.

Proibiu-se também a divulgação da denúncia da revista Época (do próprio grupo) contra Gilmar Mendes.
*
Que primor de “isenção”!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Eduardo Cunha é a chave da privataria na Petrobrás

Eduardo Cunha

No primeiro domingo de fevereiro, estará em jogo o destino do Brasil nos próximos quatro anos. O homem que ocupará o terceiro posto na linha sucessória da Presidência da República começa a ser definido. Eduardo Cunha, do PMDB (RJ), Júlio Delgado, do PSB (MG), e Arlindo Chinaglia, do PT (SP), disputarão a Presidência da Câmara dos Deputados.
A intensidade da disputa pelo cargo vem surpreendendo o país. Com foco em apenas 513 eleitores, a campanha eleitoral para definir o novo presidente da Câmara vem mobilizando recursos dignos – se é que cabe o termo – de uma eleição para o poder Executivo. Fortunas estão sendo gastas com jatinhos, salões de convenção em hotéis e mimos de toda sorte aos eleitores.
O que mais impressiona é que até o candidato governista vem alardeando “independência” do Planalto. O que antes chegou a ser um ativo, proximidade com o Planalto agora virou demérito.
O favorito para presidir a Casa continua sendo o candidato do PMDB. Desafeto declarado do Planalto, está sendo apoiado (veladamente) pela maioria do PSDB, que, pró-forma, diz apoiar o candidato socialista de Minas. Mas como a eleição do presidente da Câmara deve ir para o segundo turno, Cunha será o beneficiário dos votos tucanos.
Mas o que tem a ver a eleição na Câmara com o processo de sabotagem que está esfacelando a maior empresa brasileira?
Ao longo de 2014, as ações da Petrobrás perderam cerca de 37% do valor em relação a 2013. A empresa perdeu R$ 87,182 bilhões em valor de mercado, caindo de R$ 214,688 bilhões em 2013 para R$ 127,506 bilhões em 2014. E, só em janeiro deste ano, a empresa perdeu mais 20% de seu valor de mercado.
Esse esfacelamento da Petrobrás, porém, não irá matá-la. Apenas irá tornar baratíssima uma empresa que, atualmente, controla uma das maiores reservas de Petróleo do mundo.
O petróleo pode oscilar de valor – no momento, o preço despencou –, mas, por ser um recurso finito, quem controla grandes reservas dessa commoditie sabe que cedo ou tarde irá auferir lucros estratosféricos.
Neste ponto, as lentes deste texto se voltam para a dita “grande imprensa” brasileira, a famigerada “mídia”. Meia dúzia de mega empresários controlam praticamente toda a comunicação de massa no Brasil e estão prestando um serviço inestimável àqueles que salivam diante da possibilidade de privatização da Petrobrás, pois, como deve ser, veem a empresa com os olhos postos no futuro.
A “grande imprensa brasileira” já se beneficiou de privatizações antes. Ao longo da famigerada “privataria tucana”, levada ao cabo no fim do século passado pelo governo Fernando Henrique Cardoso, veículos de comunicação que divulgavam editoriais furiosos em favor das privatizações foram os primeiros a comprar o que estava sendo vendido a preço de banana.
Quem quiser conferir melhor essa divisão do saque ao patrimônio público pode acessar o estudo “INVESTIMENTO E PRIVATIZAÇÃO DAS TELECOMUNICAÇÕES NO BRASIL: DOIS VETORES DA MESMA ESTRATÉGIA”. Esse estudo não contém opiniões, contém fatos – quem comprou o quê durante o processo de privatização do governo FHC.
Entre esses, esteve o jornal O Estado de São Paulo, por exemplo, que, durante a privataria do Sistema Telebrás, comprou parte da cobiçada Área 1, que incluía a região metropolitana de São Paulo.
A Bell South (operadora americana líder absoluta na telefonia celular da América Latina nos anos 1990) participou do consórcio BCP, que adquiriu a área 1 (região metropolitana de São Paulo), pagando um valor de R$ 2,647 bilhões pela concessão – isso mesmo, 2 bilhões e pouco de reais, acredite quem quiser.
O consórcio BCP virou operadora de telefonia com esse mesmo nome. O grupo que comprou o filé da telefonia brasileira a preço de banana foi formado pelo Banco Safra e pela OESP (grupo formado pelo jornal O Estado de São Paulo) e pela Splice (fabricante de telequipamentos sediado no estado de São Paulo).
Talvez por conta de justiça divina, porém, o negócio foi um mico e a difícil situação econômica do Estadão, hoje, deriva da negociata em que se meteu ao vender aos brasileiros que a privataria tucana lhes seria favorável só para que pudesse participar da pilhagem do Sistema Telebrás.
Todos os outros grandes grupos de mídia, de uma forma ou de outra, participaram da pilhagem do patrimônio público brasileiro pelo governo FHC. E, agora, esses mesmos grupos de mídia salivam diante das incomensuráveis reservas do pré-sal, controladas pela… Petrobrás!
Contudo, Dilma Rousseff tem um mandato de quatro anos pela frente – uma eternidade, por certos critérios. Um desses critérios é o prazo de maturação do pré-sal. Daqui a quatro anos, o Brasil estará sob uma chuva de dinheiro oriunda da exportação de Petróleo. Se a empresa continuar sendo patrimônio público, o petróleo financiará educação de boa qualidade para uma geração inteira e mudará o Brasil para sempre.
Porém, com Dilma no cargo não vai rolar. Podem atacar a Petrobrás de tudo quanto for jeito que não vai adiantar. O regime de exploração do pré-sal continuará sendo o de partilha (o Estado contrata empresas privadas para retirar o petróleo do mar e lhes paga comissão) e privatizar a empresa, nem pensar.
A “solução” para que a mídia e uma meia dúzia de expoentes do PSDB possam enriquecer de forma inimaginável com uma eventual privataria também na Petrobrás, é uma só: há que derrubar Dilma Rousseff e estraçalhar politicamente o PT. Aí estará aberto o caminho para o maior saque ao patrimônio público da história do Brasil.
É aí que entra Eduardo Cunha. Desafeto declarado de Dilma e do PT, lobista de empresas de telefonia e tantas outras, metido em transações obscuras, para se viabilizar como candidato à Presidência da Câmara ele teve que chegar ao ponto de, há poucos dias, negar que, vencendo a eleição, irá aceitar pedido de impeachment de Dilma – receber ou não um processo como esse é atribuição do presidente da Câmara.
Por outro lado, o ex-vice-governador de São Paulo Alberto Goldman, ao longo deste janeiro de 2015 declarou, mais de uma vez, que o seu partido está disposto a embarcar na aventura do impeachment da presidente da República.
Como não poderia deixar de ser, ninguém acredita em Cunha quando ele nega que irá patrocinar um processo de impeachment da presidente da República.
O jornal Folha de São Paulo deste sábado (31/01), por exemplo, publicou editorial em que reconhece que o peemedebista, presidente da Câmara, simboliza a instalação do processo contra Dilma.
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No mesmo jornal, no mesmo dia, o ex-porta-voz do governo Lula André Singer, filho do economista Paul Singer, concorda com o editorial em sua coluna sabática.
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Se o impeachment pode vingar caso Cunha seja eleito? Difícil dizer. Se persistir a atual situação de fragilidade política de Dilma, a dúvida de que essa aventura terá sucesso é pequena. O apoio político do novo governo, no momento, é relativo até em seu próprio partido. E com o juiz Sergio Moro tratando de tentar envolver a presidente e Lula, tudo se complica ainda mais.
Cunha, portanto, é a chave para que Globo, Folha, Veja e Estadão, entre outros menos favorecidos, lucrem fortunas imensuráveis com a privatização da Petrobrás e adquiram um poder quase de Estado em um eventual governo ultraconservador que pode advir da derrubada do atual governo e do esfacelamento do PT.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Entrevista de Rossetto a blogueiros valeu pelo que ele não disse

rosseto capa

A entrevista que o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rosseto, concedeu a blogueiros na última quinta-feira (29/01) deveria ser comemorada por todo aquele que vem reclamando do silêncio do governo diante de uma onda de ataques que vem sofrendo que congrega esquerda e direita, incluindo parcela significativa do PT.

Na primeira reunião da presidente Dilma Rousseff com o novo ministério, na semana que finda, ela quebrou o silêncio de algumas semanas – derivado da intensa agenda de trabalho gerada pela reorganização do governo, que formar esse novo ministério demandou – e deixou ver que o silêncio desse início de ano foi meramente estratégico e episódico.

Agora, o convite de Rossetto a blogueiros sinaliza a estratégia política do segundo mandato de Dilma. Aliado ao chamamento da presidente para que seus ministros “travem a batalha da comunicação”, o convite denota entendimento dela de que, sem priorizar essa comunicação, eventuais bons resultados de seu
governo poderão ser anulados e até revertidos.

Infelizmente, alguns que possam ter esperado demais da entrevista de Rossetto a blogueiros, acabaram se decepcionando. A repercussão da entrevista nas redes sociais não chegou a ser negativa, mas tampouco foi positiva devido à expectativa de que o ministro mais próximo da presidente da República desse esclarecimentos que sua posição não lhe permite.

Confira, abaixo, algumas opiniões sobre a entrevista que se viu nas redes sociais.
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A amostragem acima resume a forma como as respostas do ministro aos blogueiros foram recebidas. Até porque, o tom das perguntas foi de cobrança mesmo, inclusive por parte deste que escreve.

Este blogueiro tinha a obrigação de apresentar ao ministro os questionamentos que têm sido feitos não só à comunicação do governo, mas, também, à formação do novo ministério e às medidas da área econômica que, segundo a mídia tucana, a oposição e até setores do PT e dos movimentos sociais ligados ao partido têm feito em uníssono, como as mudanças no seguro-desemprego.

Além disso, questionei o tão alardeado desmonte de políticas anticíclicas que surgiram ao fim do governo Lula devido à crise econômica internacional, e que permearam os quatro primeiros anos do governo Dilma.
Para quem não sabe o que são políticas anticíclicas, para simplificar explico que são medidas destinadas a estimular a economia através de gasto público. Por exemplo, os juros subsidiados pelo BNDES, a grande oferta de crédito pelos bancos públicos, os programas de infraestrutura do PAC etc.

O ministro Rossetto, até pelo cargo que ocupa, não poderia avançar tanto no debate quanto seria esperável porque o que ele diz é imediatamente identificado com o que pensa a presidente, de modo que suas respostas foram mais protocolares do que se esperava – ainda que esperar mais não fosse correto.

Obviamente que ele negou desmonte das políticas anticíclicas que, aliás, chegou a ser anunciado pelo então ministro da Fazenda Guido Mantega durante a campanha eleitoral do ano passado. Além disso, Rossetto negou supressão de direitos trabalhistas e adoção de políticas neoliberais pelo segundo governo Dilma.

Apesar disso, as medidas de austeridade estão sendo tomadas. Os cortes no orçamento estão ocorrendo, os juros estão subindo.

A situação que leva o governo a adotar tais medidas não é tão difícil de entender. E, para entender, temos que analisar dados recentes da economia brasileira divulgados ao longo da semana que finda.

A inadimplência segue baixíssima no país, ao redor de 3%; o desemprego despencou em 2014, em relação a 2013, ficando em 4,8%; o salário médio do trabalhador continua subindo sem parar, atingindo, em 2014, mais de 2,1 mil reais. O crescimento da massa salarial em 2014 foi de quase 3% em relação a 2013.

Ora, são dados positivos, pois não? Mais ou menos. Para que a situação dos brasileiros continue melhorando de forma tão impressionante, a economia precisa crescer. Como pode o salário médio ter uma valorização de 3% se a economia não deve crescer nem 0,5% neste ano? Como podemos continuar gerando tantos empregos se as empresas não estão tendo crescimento de faturamento?

O que acontece é que ao longo da crise econômica internacional os cofres públicos vêm financiando a boa situação do emprego e do salário, preservando os brasileiros da crise. Porém, tudo tem um limite.

Para que o leitor entenda o que está acontecendo, usemos uma metáfora. O seu salário está estagnado. Há sete anos você não recebe aumento. Porém, como tudo sobe – até porque, há inflação –, a cada ano você gasta mais para pagar suas contas. Chega um momento em que você começa a ter que tirar dinheiro da poupança para complementar o seu salário.

É isso que o Brasil tem feito. Tem descapitalizado os cofres públicos para impedir queda no padrão de vida da população.

O Brasil não precisaria estar nessa situação. Se não fosse a política, já poderíamos estar crescendo e financiando de forma mais sadia a manutenção da progressiva melhora de vida que os brasileiros vêm experimentando. Porém, o país vem sendo sabotado pelos mesmos que reclamam do governo.

A partir de meados de 2013, o Brasil foi tomado por uma convulsão social. As (mal)ditas “jornadas de junho” assustaram o capital, os investidores, que paralisaram projetos diante da incerteza política. Os escândalos de corrupção e o terrorismo o econômico aprofundaram essa afasia investidora dos grandes capitalistas.

Sem investimento, não há crescimento. E a necessidade política de financiar o bem-estar da população, a despeito da anemia econômica, ajudou a desestimular os investidores.

A indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda constituiu-se em uma senha aos investidores, no sentido de que o Brasil irá diminuir o uso da “poupança” ou do “cheque especial” para impedir que a população sinta a crise.

As centrais sindicais, os movimentos sociais e até setores do próprio partido do governo esperneiam com certa razão . Se formos olhar o quadro única e exclusivamente pela ótica do trabalhador, os cortes de gastos irão impedir que sua situação continue melhorando de forma tão veloz quanto indicaram os números recentes sobre emprego e salário.

A retomada do investimento, porém, não depende apenas da política econômica. Na semana que chega ao fim, um colunista do jornal Folha de São Paulo comparou a presidente Dilma à Geni da célebre canção do compositor e cantor Chico Buarque.

Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!

Falar mal de Dilma Rousseff virou “cool”, coisa dos moderninhos, descolados. Até petistas aderiram. Enxovalhar a presidente virou uma espécie de “senha social”. Quem não malha é tido e havido como “adesista”, “governista”, “chapa-branca” etc.

Este blogueiro, nos últimos dias, chegou a ser chamado de “blogueiro governista” por ninguém mais, ninguém menos do que militantes do PT. É impressionante o linchamento que Dilma vem sofrendo.

Com essa situação política o investidor tem dúvidas sobre as condições do governo de implementar suas políticas de austeridade e investidor com dúvidas significa investidor que não investe, e sem investimento o país vai quebrar se continuar financiando melhora de salário e aumento do emprego.

Se a gritaria anti-Dilma ficar restrita à mídia oposicionista e à oposição, não é tão ruim. Há cerca de 12 anos que esse grupo político ataca de forma sistemática. É esperável. Mas quando supostos aliados do governo e até o partido da presidente atacam, a fraqueza desse governo torna proibitivo o investimento – há dúvida até sobre se Dilma conseguiria terminar seu mandato.

O fuzilamento público de Dilma, pois, é ruim para o país. Não estamos falando de críticas ponderadas, estamos falando do linchamento pessoal que ela vem sofrendo.

Nesse aspecto, a iniciativa do governo de entabular diálogo com setores que vêm se indispondo consigo revela que Dilma entende que precisa conseguir boa vontade onde é possível – não entre a oposição, não entre a grande mídia, mas entre a esquerda, entre os movimentos sociais etc.

Rossetto convidou um grupo plural de blogueiros. Entre os que estiveram consigo na última quinta-feira, alguns representam setores mais tolerantes e outros mais radicais da esquerda. Quem assistiu à entrevista, viu blogueiros que costumam ser chamados de “chapa-branca” criticando duramente as últimas medidas de austeridade.

A recente aproximação do governo com setores da esquerda que estão coonestando as críticas da direita busca fazer esses setores entenderem que aumentar o tom da gritaria anti-Dilma prejudica o país e não muda uma realidade: há que reativar os investimentos ou, do contrário, além de quebrar, o Brasil terá outro governo, que adotará medidas exponencialmente mais duras.

Rosseto não poderia fazer milagres em sua entrevista além de garantir que o governo fará tudo para que os ajustes sejam os menos duros que for possível. E, ao buscar o diálogo e admitir que algumas das medidas de austeridade poderão ser rediscutidas com a esquerda, abriu a porta para um entendimento de que o Brasil precisa desesperadamente.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Grécia suspende privatizações Tsipras avisa à Alemanha: a recusa em negociar poderá conduzir “a uma ruptura desastrosa recíproca”.

 Grécia suspende privatizações.
 
Tsipras avisa à Alemanha: a recusa em negociar poderá conduzir “a uma ruptura desastrosa recíproca”.
  


Os neolibelês queriam vender o porto do Pireu, com a Melina Mercouri junto...
Saiu no Publico, de Portugal:
 


Novo Governo grego anuncia suspensão de privatizações e promete resposta à crise social.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, iniciou o primeiro Conselho de Ministros assegurando que o novo Governo está pronto a “derramar o seu sangue” para “restabelecer a dignidade dos gregos”. Em cima da mesa desta reunião inaugural estão algumas medidas emblemáticas do programa eleitoral do Syriza, a começar por uma imediata suspensão de privatizações.

“Entre as nossas prioridades figura uma nova renegociação [da dívida pública] com os nossos parceiros para encontrarmos uma solução justa, viável e mutuamente benéfica, para que o nosso país saia do círculo vicioso de dívida e recessão”, declarou o chefe de Governo, na fase inicial da reunião, aberta à comunicação social. Numa resposta à torrente de avisos que chega de outros países da União Europeia, Tsipras avisou que a recusa em negociar poderá conduzir “a uma ruptura desastrosa recíproca”.

Com a bolsa de Atenas a cair e os juros da dívida a dez anos acima dos 11%, o novo executivo não parece querer perder tempo. À entrada para a reunião, Panayiotis Lafazanis, o novo ministro da Produção, Ambiente e Energia, anunciou que o Governo vai suspender “imediatamente” o processo de privatização das operadoras de electricidade. Já o vice-ministro da Economia, Jrístis Spirtzis, assegurou que serão travadas todas as privatizações que “sejam contrárias aos objectivos sociais” do Syriza, a começar pela “imediata suspensão” da venda de 67% do histórico porto de Pireu.

São igualmente esperados anúncios de medidas para melhorar a qualidade de vida dos gregos, incluindo a promessa de distribuição gratuita de energia às famílias em maior dificuldade, para as quais estão igualmente prometidas bolsas de alimentos. O executivo quer também pôr em marcha a lei para repor o salário mínimo nos 751 euros (contra os 580 actualmente em vigor), suspender o programa de avaliações e mobilidade na Função Pública e criar mecanismos que facilitem o pagamento de impostos em atraso, adianta a AFP.

Boa parte destas medidas invertem as reformas impostas à Grécia pela troika de credores (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) em troca dos dois empréstimos concedidos ao país. A última tranche do empréstimo – estimada em sete mil milhões de euros – deveria ser entregue a Atenas até ao final de Fevereiro, mas os credores tinham avisado que só seria paga mediante a continuação das reformas em curso.

“Somos um Governo de salvação nacional, o nosso objectivo é restabelecer a segurança e a dignidade dos gregos”, sublinhou Tsipras, assegurando que Atenas está totalmente disponível para negociar, mas “não para continuar a política de submissão” que marcou os executivos anteriores.

A reunião do Conselho de Ministros antecede a chegada a Atenas de dois dirigentes europeus: já na quinta-feira é esperado na capital grega o presidente do Parlamento Europeu, o social-democrata alemão Martin Schulz, e no dia seguinte é a vez de Jeroen Dijsselbloem, ministros das Finanças holandês e presidente do Eurogrupo.

Com a renegociação do programa de assistência financeira em cima da mesa – e sobretudo a exigência de Atenas para uma reestruturação da dívida –, Tsipras acredita que a reunião com Dijsselbloem será “crucial e produtiva”, mesmo que, de Bruxelas, de Berlim e de várias outras capitais europeias continuem a chegar avisos de que só haverá negociações se a Grécia “respeitar os seus compromissos”.



Em tempo: o Conversa Afiada aguarda ansioso o pronunciamento da Urubóloga sobre a nova Grécia … – PHA







O “mercado” vai punir a Petrobras por não fazer “chutes” contábeis

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O “mercado” está frustrado com a falta de uma baixa contábil no balanço da Petrobras.
Baixa que não podia ser feita porque, afinal, ninguém sabe o valor correto do que Paulo Roberto Costa et caterva roubaram ou fizeram a Petrobras perder em sobrepreços.

Qualquer fixação de valor ou mesmo provisão para este fim seria, afinal, um “chute”.
Mas o mercado ansia por que “aconteça” esta baixa, ainda que sem consistência com os fatos reais.
Ainda mais no quadro de turbilhão causado pela desvalorização em mais de 50% nos preços do petróleo, que altera todas as expectativas de precificação dos ativos.

Quem tiver dúvidas, leia os artigos da imprensa sobre as perspectivas da industria do petróleo frente à baixa de preço, com expressões que vão do “crua realidade” ao “chocante”.

Hoje veremos outra forte queda das ações da empresa.

Porque o mercado não quer uma Petrobras transparente, quer uma Petrobras fraca.
O funcionamento e a lucratividade presentes da empresa não estão, em hipótese alguma, comprometidos, tanto que as previsões de geração de receita subiram.

Embora seja muito grave, gravíssimo, o que se fez com a Petrobras, mais grave ainda é o que se quer fazer com ela.

Destruí-la.

JN amordaça oposição a Alckmin ao noticiar crise hídrica em SP

Eduardo Guimarães

oposição capa

Quando o Jornal Nacional noticia alguma suposta deficiência do governo federal, certas figurinhas carimbadas da oposição a esse governo têm espaço garantido para criticá-lo. Álvaro Dias (PSDB-PR) ou Agripino Maia (DEM-RN) já se tornaram figuras familiares para boa parte dos brasileiros devido à grande exposição que têm naquele telejornal cotidianamente.

O assunto pode ser o escândalo na Petrobrás, a suposta crise de energia elétrica no país, o baixo crescimento da economia, a inflação, seja lá o que for que o JN – e congêneres – noticiar sobre problemas de responsabilidade do governo federal, lá estará algum oposicionista – de preferência, os dois supracitados – para acusar Dilma, hoje, assim como fazia com Lula, ontem.

Nesta terça-feira 27, porém, a matéria do Jornal Nacional sobre a crise hídrica em SP mais do que justificaria que a oposição ao governo do Estado fosse chamada a opinar sobre o assunto, assim como a oposição a Dilma é chamada a comentar problemas que dizem respeito ao governo dela, como os citados no parágrafo anterior. Porém, como de costume, não rolou.

O vídeo abaixo mostra a gravidade do que foi anunciado pelo governo paulista em relação ao racionamento de água que deve começar a viger em São Paulo em mais algumas semanas. Poucos suspeitaram de que o problema fosse tão grave. Os paulistanos terão água na torneira apenas 2 dias por semana.





Já se tornou ocioso repetir que responsabilidade o governo Geraldo Alckmin tem sobre o problema. Além da imensa responsabilidade do PSDB por governar SP desde 1995 (VINTE ANOS ATRÁS) com o mesmo Alckmin e com José Serra, o atual governador agravou sua responsabilidade ao esperar passar o período eleitoral e as festas de fim de ano para tomar medidas mais drásticas para poupar água.

Alguns dirão que Dilma também não tomou as medidas econômicas que está tomando agora e que são impopulares. Pode-se discutir essa questão. Durante o processo eleitoral, porém, tanto o programa de governo de Dilma quanto seus principais expoentes disseram várias vezes que seria necessário desmontar a política anticíclica que ao longo dos últimos 5 anos impediu que o país sentisse o auge da crise econômica internacional.

Em 2 de janeiro de 2014, por exemplo, a três semanas da eleição presidencial em segundo turno, em entrevista ao portal G1, da Globo, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, com todas as letras, que seria preciso “(…) desmontar a política anticíclica, de expansão de gastos públicos para combater a desaceleração da economia (…)”.

Quem não prestou atenção na campanha de Dilma, paciência. Quem se informou direito sabia que as medidas de austeridade tomadas recentemente viriam, ainda que não tenham sido detalhadas na época, mas que eram imagináveis.

Seja como for, verdadeira ou não, a suposta contradição entre o que Dilma disse na campanha e o que fez após se reeleger foi apontada no Jornal Nacional, entre outros, por membros da oposição. Por que o mesmo Jornal Nacional não chama a oposição a Alckmin para comentar medidas como as que o governo dele acaba de noticiar, em relação à crise hídrica?

Então ficamos assim: o governo Alckmin adiou medidas urgentes por conta das eleições e, com isso, aumentou a dramaticidade do racionamento de água recém-anunciado pelo governo paulista. Os cinco dias sem água por semana poderiam ser três, talvez dois se, em meados do ano passado, o governo paulista tivesse feito o que era preciso.

Aliás, à oposição ao governo paulista caberia, também, dizer na Globo que a crise hídrica em SP é uma crise anunciada há mais de uma década, como mostram matérias da imprensa, à época.

O mais grave em tudo isso é que o amordaçamento da oposição a governos tucanos é regra na Globo. Só fala a oposição a governos petistas, sobretudo ao governo Dilma.

Nesse aspecto, em meados do ano passado o deputado estadual pelo PT de São Paulo Antonio Mentor deu entrevista a este Blog em que relatou a dificuldade da oposição ao governo Alckmin de se fazer ouvir pela mídia, sobretudo pela Globo, por falta de interesse desses veículos no que acontece em SP e, mais do que isso, no que tem a dizer essa oposição.

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Dessa forma, como foi possível ver no vídeo acima, o Jornal Nacional – e congêneres – deixa em branco o espaço para que o seu telespectador questione os governantes, já que, sem a crítica que o telejornal permite à oposição ao governo Dilma fazer, o governo tucano de SP acaba blindado.

Contudo, uma coisa é certa: se os paulistas não aprendemos pelo amor quem é que controla a distribuição de água em São Paulo – e, por isso, mais da metade de nós pensa que a responsabilidade é do governo federal –, aprenderemos pela dor durante o longo e penoso racionamento de água que temos pela frente. Cedo ou tarde, os paulistas vão se revoltar.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Por que Alckmin foge do racionamento da água como o diabo da cruz

Alckmin inaugurando o volume morto

Para o professor Júlio Cerqueira César Neto, o grande responsável pela atual crise da água é Alckmin: “É uma crise anunciada que começou a ser gestada em 2001, quando ele assumiu o governo de São Paulo”

por Conceição Lemes

24 março de 2014. Em entrevista ao Viomundo, o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto, professor aposentado de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica da USP, denunciou que Alckmin e a Sabesp já faziam racionamento de água nas áreas pobres da capital há mais de dois meses e mentiam:

“Apesar de o nível do sistema Cantareira diminuir dia após dia, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) insiste: o racionamento de água está descartado em São Paulo”.

“Na verdade, o racionamento começou há mais de dois meses. A Sabesp já está cortando água em vários pontos da cidade de São Paulo e em municípios da região metropolitana, como Osasco, Guarulhos, São Caetano do Sul. Em português, o nome desses cortes é racionamento”.

“Só que essa forma de fazer o racionamento me parece completamente injusta, pois é  dirigida aos pobres; vão deixar os ricos para o fim”.

“Ao não contar todas as coisas que está fazendo, o governador mente”.

“O sistema  de chuvas funciona de acordo com ciclos naturais da natureza. Esses ciclos de secas e enchentes, menos água, mais água – chamados de ciclos hidrológicos negativos –, ocorrem naturalmente. Nós não temos influência grande nisso. Nosso sistema de abastecimento de água, portanto, deveria ter sido feito de forma a prevê-los e superá-los. Não é o que aconteceu”

“O nosso abastecimento de água está totalmente insuficiente em função das disponibilidades que o meio ambiente nos fornece. Se o governo do Estado tivesse feito há mais de 10 anos as obras de reforço necessárias, nós não teríamos falta d’água hoje”.

14 de janeiro de 2015. Quase dez meses após a denúncia do Viomundo e de ter passado toda a campanha eleitoral de 2014 negando o racionamento de água, Alckmin admitiu-o:

“O racionamento já existe, quando a ANA [Agência Nacional de Águas] determina. Quando ela diz que você tem que reduzir de 33 para 17 [metros cúbicos por segundo] no Cantareira, é óbvio que você já está em restrição. O que estou dizendo é que se tirávamos 33 metros cúbicos por segundo [de água], e hoje estamos tirando 17, é óbvio que nós temos uma restrição hídrica”.

Foi após a juíza Simone Viegas de Moraes Leme, da 8ª Vara de Fazenda Pública, conceder liminar no dia anterior, 13 de janeiro, proibindo a cobrança de multa para quem consumisse água a mais.
Em menos de 24 horas, essa decisão foi cassada pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador José Renato Nalini.

A Justiça autorizou, assim, a cobrança de multa – a chamada sobretaxa — em 31 cidades atendidas pela Sabesp, inclusive a capital. A multa será de 40% para quem consumir até 20% acima da média registrada entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. Caso o consumo exceda a média de 20%, a multa será de 100%.

15 de janeiro de 2015. Um dia após admitir a toda a imprensa a existência do racionamento, Alckmin voltou atrás com a desculpa esfarrapada de que  foi mal interpretado:

“Estamos evitando o racionamento. O que é o racionamento? É você fechar o registro. Então, estamos procurando através de campanhas, de bônus, da utilização das reservas técnicas [o volume morto], da integração dos sistemas ultrapassar essa dificuldade da crise da seca”.

“Lamentável que o senhor Geraldo Alckmin tenha mudado de opinião de um dia para o outro”, critica o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto. “O governador não tem preocupação com a realidade e a verdade dos fatos. Ele só está preocupado em eleger o próximo prefeito e depois se eleger à presidência.”

“Será que o governador vai mudar de opinião amanhã ou depois de amanhã?” questiona o advogado Carlos Thadeu, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). “O governador, o presidente da Sabesp e o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos estão perdidos, pois não têm um plano B para a crise da água.”

MÍDIA FOI E CONTINUA SENDO CÚMPLICE E PARCEIRA DE ALCKMIN NA CRISE HÍDRICA

Em 1º de janeiro, no discurso de posse do novo mandato, o governador salientou:
Um dos pilares deste governo será o da inovação permanente, sempre a serviço do cidadão. Temos, a nosso favor, um histórico do qual nos orgulhamos.
Transparência absoluta: Portal da Transparência, Bolsa eletrônica, Indicadores Criminais, Salários dos servidores na internet.

Transparência absoluta?! Só se for em Marte, no Estado de São Paulo de jeito nenhum.

A crise hídrica é a maior prova. Desde o início, Alckmin a trata com sofismas, inverdades e dissimulações, porque tem a seu favor a mídia tradicional, que acoberta todos os seus malfeitos, inclusive os da água.
Primeiro, a grande mídia quase não divulgou a falta de água enquanto o problema atingia apenas a periferia. Tanto que praticamente ignorou-a durante o primeiro semestre de 2014.

Depois, relacionou a falta de água a apenas aspectos climáticos — “estiagem”, “seca”, “falta de chuvas”. Omitiu e passa por cima até hoje da falta de planejamento de Alckmin e de seu antecessor José Serra (PSDB).

“Com a complacência da mídia, o governo Alckmin passou toda a campanha eleitoral de 2014 , enviando sinal trocado em relação à crise da água”, observa Edson Aparecido da Silva, coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental. “Ao mesmo tempo em que pedia para economizar água, afirmava que ela não faltaria e tudo estava sob controle.”

Em português claro: a mídia “comprou” e” vendeu” a versão dos tucanos paulistas de que a culpa é de São Pedro, poupando a incompetência e a irresponsabilidade do governo Alckmin de não ter investido em novos mananciais, como estava previsto desde 1995.

Marzeni Pereira da Silva, oposição no Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema-SP), reitera denúncia feita ao Viomundo em novembro de 2014: “A mídia foi e continua sendo cúmplice e parceira do governo Alckmin na crise de abastecimento de água em São Paulo”.

Tanto que fez vista grossa às artimanhas tucanas para aprovação da sobretaxa.
AUDIÊNCIA NA ANTEVÉSPERA DO ANO NOVO: “MÁ-FÉ E JOGO DE CARTAS MARCADAS”

Em 18 de dezembro, sem ouvir órgãos de defesa do consumidor e entidades da sociedade civil que atuam em defesa dos recursos hídricos, Alckmin anunciou a criação da sobretaxa. Também disse que a Arsesp – a agência reguladora de saneamento e energia ligada ao governo do Estado – tinha aprovado naquele dia.

Não foi bem assim.

A Arsesp é a responsável pela autorização ou veto à sobretaxa proposta pelo tucano. Oficialmente ainda não tinha se manifestado sobre a questão.

Só no dia seguinte ao anúncio de Alckmin foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo o comunicado da Arsesp convocando uma audiência pública para deliberar sobre a tarifa de contigência na conta da água, que é como ela chama a multa, ou sobretaxa.

A Arsesp convocou a audiência para – pasmem! — 29 de dezembro de 2014.

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“A data foi proposital, de má-fé”, acusa o coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental. “Na antevéspera do Ano Novo, a possibilidade de mobilização é muito reduzida. O objetivo era que não fosse ninguém.”

Mesmo com a manobra da Arsesp, houve grande mobilização e compareceram, além do pessoal da casa (membros da Sabesp e da própria agência), 23 representantes de quatro entidades e cidadãos. A saber: Comissão de Direito do Consumidor da OAB-SP,  Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Proteste, Instituto Socioambiental  e Instituto Pró-cidadania.

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Na mesa da audiência pública só diretores da Arsesp. Da esquerda para a direita: Waldemar Bon Júnior (Relações Institucionais); José Bonifácio de Souza Amaral Filho (Regulação Econômico-Financeira e de Mercados); Antonio Luiz Souza de Assis (Regulação Técnica e Fiscalização dos Serviços de Distribuição de Gás Canalizado); e Anton Altino Schwyte  (superintendente de Análise Econômica Financeira)

Durante a audiência, depois em documento (na íntegra, ao final) enviado à Arsesp , as quatro entidades impuseram uma condição para aprovação da sobretaxa. A de que o governador Geraldo Alckmin decretasse oficialmente o racionamento, como determina o artigo 46 da lei federal do Saneamento Básico 11.445/07:

“Em situação crítica de escassez ou contaminação de recursos hídricos que obrigue à adoção de racionamento, declarada pela autoridade gestora de recursos hídricos, o ente regulador poderá adotar mecanismos tarifários de contingência, com objetivo de cobrir custos adicionais decorrentes, garantindo o equilíbrio financeiro da prestação do serviço e a gestão da demanda”

A Arsesp, desde sempre aparelhada pelos tucanos, simplesmente ignorou o documento das entidades e a determinação legal e autorizou a cobrança da sobretaxa da água.

“A audiência foi só para cumprir uma formalidade legal”, observa Edson Aparecido da Silva. “A decisão já estava acertada com Alckmin. Jogo de cartas marcadas. Desrespeito com as entidades que compareceram à audiência e com a sociedade em geral.”

“Decretar oficialmente o racionamento não é mera formalidade como tenta fazer crer o governador”, avisa Carlos Thadeu, do Idec. “Além de tornar legal a cobrança da sobretaxa para quem usar mais água, implica transparência de tudo o que está acontecendo. O consumidor tem o direito à informação.”

DNA DE ALCKMIN DESDE 2001, QUANDO TEVE INÍCIO A GESTAÇÃO DA ATUAL CRISE  

O fato é que o governador passou esse último ano escondendo e/ou maquiando a verdade verdadeira sobre a crise da água na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).

“Na verdade, o grande responsável por essa crise da água que estamos vivendo em São Paulo é o senhor governador Geraldo Alckmin”, afirma o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto. “É uma crise anunciada que começou a ser gestada em 2001, quando ele assumiu o governo de São Paulo, logo após a morte de Mario Covas.”

Alckmin, só para relembrar, foi governador de 6 de março de 2001 a 31 de março de 2006. De 2007 a 2010, o posto foi ocupado por José Serra, que também tem culpa no cartório. Não fez o que deveria. Em 1 de janeiro de 2011, Alckmin voltou a ocupar o Palácio dos Bandeirantes, onde está até hoje.

Não é à toa que ele foge do racionamento da água como o diabo da cruz. Quer evitar a todo custo o carimbo de governador do racionamento, ou do rodízio. Tal como aconteceu com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o apagão de energia elétrica, em 2001.

O DNA de Alckmin, porém, está ao longo de todo processo que desembocou na atual e gravíssima crise, como mostra o professor Júlio:

1985: Inaugurado o Cantareira, um sistema de Primeiro Mundo.  Capacidade de 66  m³/s, para uma demanda:51 m³/s. A RMSP tinha 14 milhões de habitantes.

2000: Capacidade disponível e demanda eram iguais: 66 m³/s.
Para uma população de 18 milhões, o sistema já estava meia boca, como diz o professor Júlio. Foi o início do déficit de abastecimento de água. Nessa altura, já deveria ter sido providenciado novo manancial de grande porte.

2003: Foi o primeiro alerta. Estiagem prolongada levou o sistema Cantareira à beira do colapso.

2004: Nesse ano foi feita a renovação da outorga (direito de utilização da água) do sistema Cantareira por 10 anos. No contrato, foram incluídas várias exigências que deveriam ser cumpridas pela Sabesp nesse período de dez anos. Entre elas, a implantação de novos mananciais para atender a região metropolitana, diminuindo, assim, a dependência do Cantareira no abastecimento dessa área.
A renovação da outorga venceu em agosto de 2014  e a Sabesp não cumpriu essa exigência.

2005: O DAEE (Departamento de Águas e Esgotos do Estado de São Paulo) concluiu as barragens de Biritiba-Mirim e Paraitinga e disponibilizou mais 5,7 m³/s do sistema Alto Tietê para a região metropolitana. Só que não pode ser usado porque a Sabesp não tinha ampliado a capacidade da Estação de Tratamento de Água de Taiaçupeba de 10 para 15 m³/s. Taiaçupeba só passou a usar essa vazão em 2012.

2007: A Sabesp declarou oficialmente que era gravíssima a situação da deficiência dos mananciais da RMSP e não tinha condições de superá-la.

A empresa solicitou então ao governo paulista que assumisse essa responsabilidade. O que ele fez. Para isso, contratou a elaboração do Plano Diretor de Recursos Hídricos da Macrometrópole Paulista. O prazo para execução era de 180 dias, mas somente foi concluído em outubro de 2013.

2012: Sabesp detectou o início do processo de estiagem através da diminuição das reservas nos seus reservatórios.

2014: A RMSP tem 22 milhões de habitantes. A capacidade disponível de água para abastecimento é de 72 m³/s enquanto a demanda era de 82 m³/s. Ou seja, sistema deficitário em 10 m³/s. Isso significa 2,7 milhões de habitantes sem água.

2014, janeiro: A Sabesp estava  preparada para dar início ao Plano de Racionamento Geral na Região Metropolitana. O governador, porém, vetou-o e assumiu pessoalmente o gerenciamento da crise.
“Quando o governador assumiu pessoalmente o comando e gerenciamento da crise, na prática, ele declarou oficialmente sua instalação”,  atenta o engenheiro Júlio Cerqueira César. “Alckmim vetou o plano da Sabesp e definiu um Plano Político para enfrentá-la.”  

Ele proibiu o racionamento e decidiu explorar todas as reservas de água disponíveis, inclusive as reservas técnicas (volumes mortos) até o seu esgotamento se necessário.  A expectativa era de que as chuvas voltariam em outubro de 2014, os reservatórios encheriam e a crise seria superada.

2015: As chuvas não aconteceram no volume esperado. A capacidade disponível de água está em 39 m³/s e a demanda em 82 m³/s. Déficit: 43 m³/s. É mais da metade da demanda numa hipótese otimista, porque estamos considerando a integridade do sistema do Alto Tietê. Caso o sistema do Alto Tietê não se recupere, o que não está fora de cogitação, o déficit atingirá 58 m³/s — 70% da demanda.

Não há solução estrutural de curto prazo para a crise. Para complicar, Alckmin esvaziou os espaços institucionais de gestão dos recursos hídricos, como os comitês de Bacia, o Conselho Estadual de Recursos Hídricos e o Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de São Paulo, que reúne os 39  prefeitos e representantes do governo do Estado.

“Alckmin precisa convocar urgentemente os prefeitos das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas e falar a verdade sobre a crise”, defende Edson Aparecido da Silva, da Frente Nacional Ambiental. “O governador não pode continuar agindo como se a situação estivesse sob controle. O ideal seria que ele decretasse estado de calamidade pública e apresentasse um plano de contingência sério, discutido com os prefeitos e representantes da sociedade, para enfrentar a situação.”

“Não consigo encontrar um adjetivo para qualificar o quadro que teremos de enfrentar”, arremata Cerqueira César. “Só posso dizer que o que enfrentamos hoje — principalmente a população mais pobre que é a mais afetada — será refresco perto do que teremos pela frente.”

 Em tempo 1: Por que Alckmin e Serra não fizeram as obras necessárias para que não estivéssemos na atual situação? Falta de planejamento, contando com São Pedro? Incompetência? Irresponsabilidade? Opção pelos investidores da Sabesp?

Em tempo 2: Onde foram parar os lucros da Sabesp? Em 2012, foi de R$ 1,9 bilhão. Em 2013, também R$ 1,9 bilhão. Em 2014, apesar da crise, o lucro até o terceiro trimestre foi de R$ 800 milhões. De 2003 a 2013, a Sabesp teve R$13,11 bilhões de lucros. Nesse período, pagou R$ 4,37 bilhões de dividendos. O percentual de pagamento na forma de dividendos em relação ao lucro variou de 27,9% a 60,5%,este em 2003.

Detalhe: o estatuto da empresa determina que se pague, no mínimo, 25% de dividendos. A Sabesp, para alegria dos seus investidores e azar dos consumidores, pagou sempre mais.



Leia também:

Argentina importa energia do Brasil. Imprensa ignora

:

Assim como fez o Brasil na semana passada, que importou 165 MW médios de energia elétrica do país vizinho, a Argentina importou ontem do sistema brasileiro 200 MW médios, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS); o fato, no entanto, não foi noticiado por nenhum veículo da imprensa; é comum que sistemas interligados de países vizinhos importem e exportem energia de acordo com demandas temporárias de cada um, mas apenas por aqui, e só quando o Brasil importa, o fato vira manchete, como na última quarta-feira 21, após o blecaute que atingiu 11 estados e o Distrito Federal 

247 – Importação e exportação de energia elétrica são comuns e frequentes entre sistemas interligados, de acordo com as demandas temporárias de cada um. Só no Brasil, no entanto, o fato vira manchete na imprensa. E apenas quando o Brasil é o país importador.

Prova disso é a notícia, de acordo com o site do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), de que a Argentina importou do Brasil, nesta segunda-feira 26, 200 MW "em função da redução não programada de disponibilidade de geração naquele país".

O fato, porém, não foi noticiado em nenhum veículo da imprensa brasileira. Bem diferente do que ocorreu na semana passada, quando o Brasil importou um pouco menos (165 MW) da Argentina. A transferência aconteceu um dia depois do blecaute que atingiu 11 estados e o Distrito Federal no País.

Apesar de ser comum países vizinhos partilharem suas redes, a exemplo de Estados Unidos e Canadá, a importação brasileira foi logo vinculada ao 'apagão', pela imprensa, e justificada pelos jornais pelo fato de o Brasil não ter energia suficiente para suprir o consumo brasileiro.

Para noticiar o fato da semana passada, a imprensa utilizou o IPDO (Informativo Preliminar da Operação) do ONS. Acesse aqui o IPDO de ontem, que noticia a importação de energia brasileira por parte da Argentina. A energia foi exportada pela estação de conversão Garabi 2, no Rio Grande do Sul.