Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Marcos Dantas: “A mídia reage como fera acuada”


Professor de Comunicação da UFRJ, Marcos Dantas é um respeitado teórico da comunicação e tem uma rica trajetória ativista. Nesta entrevista exclusiva ao Vermelho, ele nos fala da luta pela democratização das comunicações no Brasil de hoje.


Por Wevergton Brito e Marcos Pereira

Filho de um veterano comunista, o militar da Aeronáutica Sebastião Dantas, já falecido, Marcos Dantas desde cedo se interessou por política. Iniciou sua militância no PCB, indo pouco depois para a Dissidência da Guanabara (DI-GB) que mais tarde seria rebatizada de MR-8.


Começa a trabalhar como jornalista em 1970, sem ter sequer, devido às circunstâncias militantes da época, concluído um curso superior, como gosta de frisar. Passou por alguns dos mais importantes jornais do Brasil, dentre estes o Jornal do Comércio, onde trabalhou com Aloysio Biondi, e O Globo.

Dantas orgulha-se, particularmente, de ter escrito, com ajuda do então presidente do Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro, o hoje deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ) e do engenheiro e sindicalista Paulo Eduardo Gomes, hoje vereador em Niterói (RJ) pelo PSOL, o artigo que estabelecia o monopólio da Telebrás sobre as telecomunicações, depois revogado no governo FHC. “Tenho ódio eterno de FHC”, diz ele. “Imagina o orgulho que você pode sentir, ao abrir o livrinho da Constituição e poder dizer, 'este artigo fui eu que escrevi'”.

Em 2001, defende tese de doutoramento na Engenharia de Produção da COPPE-UFRJ, intitulada Os significados do trabalho. Toda sua investigação acadêmica sempre buscou relacionar os referenciais marxistas às transformações do capitalismo contemporâneo. Nesse entretempo, associando os compromissos políticos com as inevitáveis necessidades da sobrevivência, pôde participar de alguns momentos legislativos marcantes. Representando a Cobra (empresa de informática), esteve ativamente presente nos trabalhos da Constituinte de 1988, ajudando, junto com outros técnicos e professores, a redigir o capítulo sobre Ciência, Tecnologia e Comunicação.

Hoje Marcos Dantas é uma das principais referências do campo popular na luta pela democratização das comunicações, tendo representado a sociedade civil não-empresarial na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), como delegado do Estado do Rio. Clique aqui para conhecer um pouco mais sobre a trajetória de Marcos Dantas.

Vermelho - A mídia hoje está mais agressiva em defesa dos seus interesses?Marcos Dantas: A mídia hegemônica está quantitativamente mais agressiva. É que a estrutura corporativa que temos hoje, no Brasil, consolidou-se por volta dos anos 1970, na esteira de importantes transformações pelas quais passava a sociedade brasileira àquela época. A sociedade está passando por novas e grandes mudanças políticas, econômicas, tecnológicas, culturais, que não podem ser atendidas por aquela estrutura. Ela não está sabendo acompanhar as mudanças. Então reage parecendo fera acuada. Mas, ao longo da história, ela sempre atuou como bloco. No período pré-64, por exemplo, toda a chamada “grande imprensa” (O Globo, Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, etc.) apoiou o golpe. A única vez que a imprensa rachou foi na revolução de 1930, mas isso aconteceu porque a elite estava dividida e a imprensa expressou esse momento. Fora isso, a imprensa sempre atuou em bloco.

Vermelho - Muito se fala do poder de mobilização das novas ferramentas de comunicação. Alguns chegam a dizer que o que está acontecendo no Egito é a “revolução do twitter”. Como você vê esta questão?MD: No Manifesto Comunista de 1848, Marx e Engels escreveram que o telégrafo, então recém-inventado, seria um grande instrumento nas mãos do proletariado. Ou seja, cada vez que surge um meio novo e mais rápido de comunicações, surgem também essas esperanças revolucionárias. Evidentemente, Marx não era inocente. O que ele quis dizer é que quem inventou a telegrafia foi o capital, mas no momento em que essa tecnologia fica disponível, também as comunicações contra-hegemônicas podem ficar mais rápidas e mais baratas. O sujeito não precisava mais ir a pé ou a cavalo, de uma cidade para outra, para convocar os camaradas à luta. Tinha o telégrafo, tinha a ferrovia. Mas na mesma hora, claro, também tem a polícia esperando o militante na estação ferroviária. O meio continua nas mãos do capital! No caso do telégrafo, o que a burguesia fez? Adotou, em todos os principais países, leis que davam poder de censura ao funcionário dos correios, na ponta. Ele podia censurar uma mensagem se desconfiasse de alguma frase...

Na minha avaliação, a internet é o mais extraordinário panóptico que o capital já inventou. Tudo o que você escreve ali, pode ser visto por quem queira ver. Servidores de organizações como Google, Facebook e outras podem armazenar qualquer informação a respeito de qualquer internauta. É claro que eles preferem saber dos seus gostos e hábitos para lhe vender produtos e serviços. Mas talvez o FBI ou a CIA também gostem de saber dos seus gostos e hábitos... Há poucos anos, aconteceu um escândalo mundial, pouco divulgado no Brasil, devido a um sistema inventado pelos estadunidenses, denominado “Echelon”, pelo qual as suas grandes corporações podiam acompanhar as comunicações dos concorrentes e, com base nelas, tomar as decisões mais vantajosas.

Dizem que os EUA ganharam a licitação para montar o Sivam no Brasil graças a informações sobre os concorrentes obtidas via “Echelon”. Sei lá o que pode estar acontecendo agora nessa disputa pelos caças da FAB, mas eu não me admiraria em saber que as autoridades brasileiras, nas suas conversas a respeito, usam o Outlook Express, ou Gmail, ou Internet Explorer... Se você quer realizar uma revolução para valer, a primeira coisa a fazer é não usar internet. Nem celular. Os russos acertaram a cabeça de um líder checheno com um míssil guiado pelas frequências do seu telefone celular.

No fundo, essa prometida liberdade é um grande mecanismo de controle. Ela serve principalmente para falar muita abobrinha e, claro, para induzir comportamentos de consumo, como qualquer outro meio de comunicação. Mas isto não significa menosprezar ou desqualificar a internet. Uso muito, sou mesmo pioneiro (desde 1992, com linha discada) e já estudava o conceito de “ágora informacional” antes que a internet, enquanto tal, tivesse virado um fenômeno de massa no Brasil, depois de, não por acaso, ser apresentada ao país por uma novela da Globo. Certamente, o Google é uma extraordinária ferramenta de pesquisa. A minha velha Mirador, hoje em dia, apenas serve como belo enfeite de estante.

Trocar ideias pelo Twitter é muito interessante e divertido. É como uma reunião de amigos e amigas numa mesa de bar, todo mundo falando quase ao mesmo tempo frases entrecortadas, só que eu estou na minha casa, o outro no seu escritório de trabalho, um outro pode estar na Bahia ou Santa Catarina, até no Japão (se resistir ao fuso horário...). Aprende-se muito. A partir daí, penso que devemos disputar a internet, como também devíamos ter disputado o telégrafo ou a radiodifusão. Mas não é a internet que está moldando ou vai moldar a sociedade. É a sociedade, no bojo da luta de classes, que decidirá os rumos da internet. Sem essa consciência, a internet será aquilo que o capital quer que ela seja: um meio para acelerar negócios e, se necessário, de controle social. É fundamental disputar a democracia na internet, mas o discurso apologético acrítico conduz ao idealismo e não leva a nada realmente transformador.

Vermelho - No governo Lula foram poucos os avanços na comunicação. Em relação a esta área, qual a sua expectativa em relação ao governo Dilma?MD: Eu sou moderadamente otimista. Eu acho que é uma mudança grande colocar o Paulo Bernardo no Ministério das Comunicações. Mostra que esse Ministério terá no governo Dilma, uma dimensão estratégica que infelizmente não teve no governo Lula.

A questão é: qual roteiro vai seguir?

Ainda não ouvimos uma declaração programática do ministro. Ele parece estar, aqui e ali, soltando umas ideias para sentir como repercute. Pelo que está dito, banda larga e marco regulatório serão suas principais preocupações. Sobre a política de banda larga, sabemos o que o governo Lula deixou. Sobre o marco regulatório, sabemos que o governo Lula deixou algo, mas não sabemos o quê. Mas, sobre qualquer coisa, como o ministro integra o “núcleo duro” do governo, as decisões serão de governo, isto é, serão firmes, consistentes, duradouras (ao contrário, por exemplo, das decisões sobre TV digital no governo Lula), mas ainda não dá para termos clareza sobre os rumos.

No momento, a sensação que eu tenho é que o ministro Paulo Bernardo está ouvindo a todos. Isso é muito positivo, mas isso é uma característica do PT: ele ouve as forças políticas sociais, escuta o movimento social. O movimento popular tem um canal de interlocução. Mas não podemos esquecer que as comunicações envolvem interesses poderosos, o ministro também está ouvindo e não pode deixar de ouvir essas outras forças. O empresariado chega lá com propostas muito concretas, com temas objetivos. O movimento popular costuma chegar com bandeiras. Agora é hora de propostas, e propostas factíveis. É um cabo de guerra e não dá para saber ainda quem vai levar vantagem nisso.

Vermelho - Do ponto de vista da luta pela democratização da mídia, qual o tema mais importante hoje no Governo Dilma?MD: Sem dúvida, o marco regulatório é o debate mais importante. Todo mundo sabe, acho que isso já é consenso, que há um caos normativo no Brasil hoje em dia. Precisamos de uma legislação que contemple os avanços econômicos e tecnológicos dos últimos anos mas, ao mesmo tempo, introduza princípios democráticos e públicos. Toda reforma normativa no mundo tem sido feita em detrimento dos interesses públicos, conduzida pelas forças do capital. O Brasil, por suas características econômicas e políticas, poderia inovar aí, dando algumas aulas ao mundo. Mas isto vai necessitar, inclusive, de construção teórica, não apenas jurídica. Ao contrário do governo Lula, trata-se justamente de não fazer o óbvio.

Vermelho - No que consiste, a seu ver, a principal contradição entre as teles (empresas de telecomunicação como Oi, Telefônica, Sky) e as radiodifusoras (Globo, Bandeirantes, etc.).
MD: A principal contradição é a própria mudança no padrão de acumulação nas comunicações. Há um modelo decadente, esse da radiodifusão aberta, e outro ascendente, o dos “jardins murados”. Aquele se apoia na escassez de espectro, verdade até os anos 1970. Este se apoia no espectro ilimitado, na multiplicação ad infinitum de canais audiovisuais, no cabo, na atmosfera, no satélite, graças às tecnologias digitais. Se o objetivo é o lucro e se o lucro está na produção e programação de conteúdos, a apropriação desse lucro só é possível através de um novo modelo de negócios, baseado na assinatura ou no pagamento direto por serviço (pay per view).

Aí entram as teles: elas controlam a bilheteria de acesso aos “jardins”. Não é somente Oi ou Telefônica. As operadoras de celular estão vendendo conteúdo e somente conteúdo, elas não prestam mais um mero serviço telefônico. No entanto, são reguladas como operadoras de telecomunicações, não como provedoras de audiovisual. O problema dos radiodifusores é a ameaça de migração da audiência, da TV aberta para a TV por assinatura e internet.

O que acontece em todo o mundo mostra que essa TV aberta, generalista, que foi dominante na maior parte do século passado, está em decadência. No entanto, esse sistema, porque se apoiava num recurso escasso, era definido como serviço público, era publicamente regulado, dava ao Estado e à sociedade, nem que fosse teoricamente, um certo poder para influenciar nas elaboração de regras, inclusive regras quanto à missão cultural e educacional dos produtores e programadores. Por isso, temos os artigos da nossa Constituição.

Já os “jardins murados” são completamente controlados pelo capital financeiro. São vistos como investimento privado e externo a controles públicos. Assim, todos os princípios culturais, educacionais, éticos que devem condicionar a produção e programação de conteúdos deixam de estar subordinados a qualquer regulação pública. Isso virou um negócio exclusivamente privado. Se o movimento popular e democrático quiser intervir nessa situação tem que denunciar essa lógica e propor normas alternativas. Este é o nosso grande desafio. A cultura, a produção audiovisual e o entretenimento precisam continuar a ser regulados por critérios públicos, não importa se nos sete canais do VHF ou nos 300 canais do satélite.

Vermelho - Qual seria então, a principal bandeira?
MD: A minha proposta, considerando a atual correlação de forças, é estabelecer uma rígida separação entre quem transporta o sinal e quem produz ou programa o conteúdo. É até possível defender isso porque é algo parecido com o modelo inglês e da maior parte dos países europeus. Na Grã-Bretanha, a BBC não é “dona” da frequência de transmissão. A transmissão é feita por uma empresa operadora, contratada por licitação, de nome Crown Castle.

Essa separação, tanto no ar, quanto no cabo ou no satélite, permite que você defina regras assegurando o uso das vias também pelos produtores público-estatais e pelos demais agentes não-comerciais (sindicatos, associações comunitárias, etc.). E permite multiplicar as vias para os canais comerciais, abrindo espaço também para pequenos negócios regionais e locais. Na outra ponta, a produção e a programação poderão ser alvo de regulação própria, nelas aplicando-se os princípios da nossa Constituição. Trata-se de acabar com essa divisão “radiodifusão”/“telecomunicações”, introduzindo outra, mais adequada aos novos tempos, “conteúdo”/“continente”.

Vermelho - O Ministério das Comunicações vem dando grande destaque ao Plano Nacional de Banda Larga. Do que até agora tem sido divulgado, qual sua opinião sobre o PNBL?MD: Com todo o respeito ao César Alvarez (secretário-executivo do Ministério das Comunicações e um dos principais formuladores do PNBL) e ao Rogério Santana (presidente da Telebrás), eu tenho sido um crítico desse plano. Não somente porque 512 kbps não é verdadeiramente banda larga. É a sua própria concepção que eu critico. Vai se repetir aí o que já acontece em outros serviços, no Brasil: uma solução ruim para os pobres e outra, mais ou menos boa, para quem pode pagar. É a mesma coisa na educação, na saúde... Quem puder pagar para ter a banda larga da Oi, da Telefônica, da Net, da TIM, vai continuar pagando, quem não puder, mas tiver pelo menos 30 reais sobrando por mês, contente-se com 512 kbps.

Precisamos entender que a banda larga, por ar, cabo ou satélite será a futura infraestrutura de comunicação. O telefone de par trançado, o telefone fixo que só serve para voz ou fax, vai desaparecer daqui a pouco. Pela banda larga vai passar internet e televisão digital. Por isso, essa infraestrutura precisa ser universalizada. Isto não é o mesmo que massificar. Massificar significa estender o serviço ao máximo para quem pode pagar. Universalizar é determinar que, ao cabo de um certo período de tempo, digamos cinco anos, dez anos, com investimento público ou privado, dentro de um cronograma de médio e longo prazos, todos e todas terão direito à banda larga, conforme um determinado padrão de qualidade e por um certo preço regulado.

O governo, nos termos da lei atual, precisaria criar um serviço em regime público. A Conferência Nacional de Comunicações defendeu isso, com voto até do empresariado. Até do ponto de vista político-filosófico, trata-se de resgatar o princípio do serviço público, como eu discuti mais em cima. É isso que se espera de um governo de esquerda.

Vermelho - Como você vê o desenvolvimento futuro de uma mídia contra-hegemônica?MD: Você está falando de imprensa ou de “mídia”? Se “mídia”, isto engloba notícia, cultura, entretenimento, etc. Você quer um jornal para ser lido somente pela vanguarda, ou que tenha expressão na massa? Você quer um canal de TV que nem quem faz assiste, ou um canal para qualquer dona de casa assistir? A única vez que o nosso país contou com um poderoso jornal contra-hegemônico foi no governo Getúlio Vargas, que bancou a Última Hora. Como tinha dinheiro, a Última Hora pôde contratar os melhores profissionais da época.

Última Hora 
era um jornal igual aos outros: tinha esportes, polícia, espetáculos, coluna social, coluna de mulher “boa” (que fez a fama do Stanislaw Ponte Preta), tudo o que um jornal tem que ter para atrair o leitor comum, o leitor que não põe a política no primeiro lugar das suas preocupações, exceto em dia de eleições. Sem preconceitos. Ou com todos os preconceitos, se quiserem... (risos) Como era muito bem feito, foi um sucesso. Alcançou tiragens maiores do que os outros grandes jornais da época. Entretanto, o seu noticiário “sério”, vamos dizer assim, destoava do resto.

Na política e na economia (esta, à época, pouco importante no jornalismo), dava destaque para as notícias que interessavam ao governo e às forças que o apoiavam. Suas manchetes, títulos e lides, ou seja a técnica jornalística, eram usados para valorizar o que o restante da imprensa queria desvalorizar, para noticiar o que o restante da imprensa gostaria de esconder.

No entanto, apesar da sua enorme audiência, logo influência na formação da opinião pública, o jornal nunca foi um sucesso financeiro. Os grandes anunciantes o boicotavam. Sempre dependeu do apoio do governo e de alguns empresários que sustentavam a política de Vargas. Com o golpe de 1964, não demoraria a acabar. Talvez, hoje, com um governo de esquerda e, além disso, com os recursos que os sindicatos possuem, além de algumas alianças empresariais que podem ser feitas, talvez fosse possível edificar um jornal assim, ou melhor, um canal de TV assim, ou melhor ainda, um portal de internet assim, ou até tudo ao mesmo tempo, agora. No entanto, considerando as práticas corporativas dominantes, a mesquinharia da pequena política, o amadorismo, não vislumbro muito essa possibilidade no Brasil atual.

Vamos ter que continuar convivendo com jornais, revistas, sítios de internet feitos por nós para nós mesmos. Alguns até são bons, mas mesmo estes são mais opinativos do que informativos. O cidadão comum quer informação, mesmo que com algum tempero de opinião. Pode ser informação sobre a reunião ministerial de ontem, sobre o treino do Ronaldinho, sobre o paredão do BBB (arghh!!) ou sobre uma boa receita para o almoço de domingo, sem falar de filmes e espetáculos em cartaz. É informação que vende jornal, atrai audiência para a TV. Se quisermos construir uma mídia alternativa, temos que perder essa mania de ter opinião formada sobre tudo... (risos)

Vermelho - Para terminar, Dilma vai ou não enfrentar a mídia hegemônica?MD: Coragem ela tem. É determinada, racional. Mas, no governo, sabemos que pode não ser interessante acirrar os ânimos, muito menos agora, quando ela mal começou. Ela precisa de certa estabilidade. E precisa de apoio político. Na Argentina, Cristina Kirchner pôde fazer uma nova lei democrática, não porque vivia às turras com El Clarin, mas porque tinha povo na rua (eu disse, na rua, não no Twitter) e maioria real, não fisiológica, no Parlamento. Penso que a presidenta não colocou Paulo Bernardo no Ministério das Comunicações, à toa.

O governo terá uma política de governo, não de ministro, como era no tempo de Lula. Quero acreditar que ela, com o seu ministro, vai conduzir um reordenamento muito importante nas comunicações. O resultado vai depender de como o movimento popular vai conseguir intervir. Temos boas condições de formular propostas construtivas para ajudar o governo a enfrentar essa batalha mas, acho, que ainda falta melhor organização no nosso campo.

Respondendo a um babaca paulistano.Gleisi: mostra diferenças entre Dilma e Lula com FHC

Por que uma nova crise financeira é certa



A regulação se estabelece para assegurar que o sistema funcione adequadamente e para proteger as pessoas contra fraudes. Mas a atividade bancária é mais lucrativa quando não há regras, razão pela qual os líderes do setor e seus grupos de pressão seguem tentando impedir os esforços para introduzir reformas. E, em geral, tem conseguido. Os bancos seguem concedendo hipotecas a pessoas desempregadas com alta possibilidade de inadimplência, da mesma forma que faziam antes da crise. Obama sabe onde está o problema, mas também sabe que não será reeleito sem o apoio de Wall Street. É uma questão tempo até que haja outro crack. O artigo é de Mike Whitney.
No dia 9 de agosto de 2007, houve um episódio em um banco francês que desencadeou uma crise financeira que acabaria dissolvendo mais de 30 trilhões de dólares em capital, envolvendo o planeta na maior recessão desde os tempos da Grande Depressão. O evento em questão foi descrito em um discurso do diretor executivo da Pimco (administradora de fundos de investimento), Paul McCulley, na 19° edição da Annual Hyman Minsky Conference on the State of the U.S. and World Economies (Conferência Anual Hyman Minsky sobre o estado das economias dos EUA e do mundo). 

Eis um trecho da exposição de McCulley:

“Se tivesse que escolher um dia para assinalar o Momento Minsky, seria o 9 de agosto de 2007. E, de fato, não ocorreu aqui nos EUA. Ocorreu na França, quando o Paribas Bank (BNP) disse que não podia valorar os pacotes de ativos hipotecários tóxicos em três de seus produtos de investimento fora de balanço, e que, em função disso, os investidores, que acreditavam poder sair a qualquer momento, estavam presos. Lembro desse dia tão bem quanto do aniversário do meu filho. E este último ocorre uma vez por ano. Porque o desastre em cadeia começou neste dia. Foi um pouco mais tarde, neste mesmo mês, que cunhei o termo “Sistema Bancário paralelo” durante o simpósio anual do Federal Reserve, em Jackson Hole. Era só o segundo ano que eu assistia ao simpósio. Estava um pouco sobressaltado e basicamente me dediquei a escutar a maior parte dos três dias. Ao final, me levantei e (parafraseando) disse: o que está ocorrendo é bem simples. Temos uma fuga no Sistema Bancário Paralelo e a única dúvida é o quão rápido ela vai se retroalimentar a medida que seus ativos e suas obrigações vão regressando aos balanços do sistema bancário convencional”.

O BNP estava realizando atividades de intermediação creditícia, ou seja, trocava ativos que se constituíam com garantias de pacotes hipotecários (MBS, em sua sigla em inglês) por empréstimos de curto prazo nos mercados de derivativos. Soa tudo muito complicado, mas não é algo distinto do que fazem os bancos quando tomam os depósitos de seus clientes e os investem em ativos de longo prazo. A única diferença neste caso é que estas atividades não estavam reguladas, de modo que não havia nenhum órgão governamental encarregado de determinar a qualidade dos empréstimos ou assegurar que as distintas entidades financeiras estavam suficientemente capitalizadas para cobrir eventuais perdas. Esta falta de regulação acabou por gerar consequências catastróficas para a economia mundial.

Passou quase todo um ano desde que o calote das hipotecas subprime começasse a se propagar em massa, até que o mercado secundário (onde se trocam estes ativos “tóxicos”) colapsou. O problema era simples: ninguém sabia se essas hipotecas eram ou não seguras, de modo que era impossível fixar um preço para os ativos. Isso criou o que o professor de Yale, Gary Gorton chama um problema de e. coli (nome genérico para as bactérias que produzem enfermidades como a salmonela), ou seja, ainda que só uma pequena quantidade de carne seja contaminada, milhões de libras em hamburguers têm que ser retirados do mercado. A mesma regra se aplica aos MBS. Ninguém sabia quais delas continham os maus empréstimos. Assim, o mercado inteiro foi paralisado e trilhões de dólares em garantias começaram a perder valor.

As subprime foram a faísca que acendeu o fogo, mas o mercado das subprime não era suficientemente grande para atingir todo o sistema financeiro. Isso exigir tremores no sistema bancário paralelo. Eis um trecho de um artigo de Nomi Prins que fala de quanto dinheiro está envolvido aqui:

“Entre o ano de 2002 e o início de 2008, aproximadamente 1,4 trilhões de dólares em hipotecas subprime correspondiam a emprestadores que tinham quebrado como New Century Financial. Se esses empréstimos fossem nosso único problema, no papel a solução poderia ter sido que o governo subsidiasse essas hipotecas até um custo máximo destes 1,4 trilhões de dólares. No entanto, e segundo Thomson Reuters, outros 14 trilhões de dólares em produtos financeiros complexos se criaram a partir dessas hipotecas, precisamente porque os fundos de investimento estimularam tanto sua produção quanto sua dispersão. Desde modo, quando se chegou ao máximo de desembolso público em julho de 2009, o governo tinha sido obrigado a gastar 17,5 trilhões de dólares para sustentar a pirâmide de Ponzi de Wall Street, ao invés dos iniciais 1,4 trilhões (Shadow Banking, Nomi Prins,The American Prospect)”.

O sistema bancário paralelo foi criado para que as grandes instituições financeiras que dispunham de muita liquidez tivessem algum lugar onde colocar seu dinheiro no curto prazo com a máxima rentabilidade. Por exemplo, digamos que a Intel tem “sobrando” 25 bilhões de dólares. Pode entregar o dinheiro a um intermediário financeiro como Morgan Stanley em troca de uma garantia (os MBS ou os ABS), e obter em troca um rendimento razoável por seu empréstimo. Mas se aparece algum tipo de problema e se questiona a qualidade da garantia, então os bancos (neste caso, o Morgan Stanley) se vê forçado a realizar cortes e mais cortes que podem acabar colapsando o sistema inteiro. Isso é o que aconteceu no verão de 2007. Os investidores descobriram que muitas das subprimes eram fraudulentas, de modo que bilhões de dólares foram retirados rapidamente dos mercados financeiros e o Federal Reserve teve que intervir para evitar que o sistema entrasse em colapso.

A regulação se estabelece para assegurar que o sistema funcione adequadamente e para proteger as pessoas contra fraudes. Mas a atividade bancária é mais lucrativa quando não há regras, razão pela qual os líderes do setor e seus grupos de pressão seguem tentando impedir os esforços para introduzir reformas. E, em geral, tem conseguido. A lei Dodd-Frank (de reforma do sistema financeiro) está repleta de lacunas e não resolve realmente os problemas cruciais da qualidade dos empréstimos, da disponibilidade de capital e da diminuição dos riscos. Os bancos seguem podendo conceder tranquilamente hipotecas a pessoas desempregadas com muitas possibilidades de não poder pagá-las, da mesma forma que faziam antes da crise. E seguem utilizando-as para produzir complexos instrumentos de dívida sem manter nem sequer 5% do valor original do empréstimo (esta questão segue em disputa, de fato). Além disso, as agências governamentais não poderão forçar as instituições financeiras a incrementar sua capitalização apesar de seguir existindo o perigo de que uma pequena turbulência no mercado possa quebrá-las, colocando em sério perigo o resto do sistema. Wall Street saiu ganhando de novo e agora a oportunidade para um novo impulso regulador já passou.

O presidente Barack Obama entende onde radica o problema, mas também sabe que não será reeleito sem o apoio de Wall Street. É por isso que há apenas duas semanas prometeu no Wall Street Journal que seguiria reduzindo a “gravosa” regulação que afeta a Wall Street. Sua coluna tratava de antecipar-se à publicação do informe final da Comissão de Investigação da Crise Financeira (FCIC, Financial Crisis Inquiry Commission), que possivelmente fará recomendações em defesa da regulação pública do setor. Obama torpedeou esse esforço ao ser colocar ao lado da grande finança. Agora é uma questão tempo até que haja outro crack.

Este é um trecho de um informe especial do Banco Federal de Nova York sobre o sistema bancário paralelo:

“Na véspera da crise financeira, o volume de crédito intermediado pelo sistema bancário paralelo era próximo aos 20 trilhões de dólares, ou seja, quase o dobro dos 11 trilhões que o sistema bancário tradicional intermediava. Hoje, essas mesmas cifras são de 16 trilhões e 13 trilhões, respectivamente. A debilidade dos administradores de fundos não surpreende quando só se dispõe de muito pouco capital para respaldar suas carteiras de ativos e, em troca, os investidores têm tolerância zero em relação às perdas (“Shadow Banking”, Federal Reserve Bank of New York Staff Report)”.

Assim que, quando o Lehman Brothers se desintegrou, entre 4 e 7 trilhões de dólares simplesmente viraram fumaça. Quantos milhões de empregos foram perdidos em função de uma má regulação? Quando se reduziu o PIB, a produtividade e a riqueza nacional? Quantas pessoas vivem agora dos cheques de alimentação estatais, ou dormem ao relento, ou tratam de evitar a falência de seus negócios porque algumas instituições financeiras desreguladas puderam dedicar-se à intermediação do mercado de crédito sem que o governo as supervisionasse?

Ironicamente, o Federal Reserve de Nova York nem sequer tenta negar a origem do problema: a desregulação. Eis o que dizem em seu informe: “Manejar a regulação foi a razão última da existência de muitos bancos no sistema paralelo”. O que isso quer dizer. Quer dizer que Wall Street sabe perfeitamente que é mais fácil ganhar dinheiro sem regras...as mesmas regras que protegem o público da depredação por parte de especuladores e gananciosos.

A única forma de arrumar o sistema é submeter à necessária regulação a qualquer instituição que atue como um banco. Sem exceções.

(*) Mike Whitney é um analista político independente que vive no estado de Washington e colabora regularmente com a revista norteamericana 
CounterPunch.


Tradução: Katarina Peixoto

DESCONSTRUINDO LULA: A NOVILÍNGUA DIZ QUE BOM É RUIM. O QUE INCOMOD


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18 dias de protestos põem fim a 30 anos de ditadura.

Financiamento imobiliário bate recorde em 2010; vendas no varejo tem a maior alta em nove anos. Geração de emprego bate recorde em 2010: 2,5 milhões de vagas formais. População ocupada atinge 22 milhões de pessoas em 2010, maior patamar desde 2002; total de desempregados -- 1,6 milhão de pessoas-- é o menor da série. Produção industrial cresce 10,5% em 2010 : a maior expansão desde 1986. .. Como diz o insuspeito Delfim Netto, "Não importa qual seja nossa orientação ideológica ou nossa pretensão científica sobre a melhor receita para a boa governança econômica, é impossível deixar de reconhecer que quase 90% de aprovação popular (num regime de plena liberdade de expressão, mídia alerta e, felizmente, inquisidora) tem pouca probabilidade de ser um acidente..."
(Carta Maior, 3º feira, 15/02/2011)

Sob o silêncio desesperador da mídia e em meio à escuridão da noite.ISRAEL BOMBARDEIA GAZA SOB O SILÊNCIO DESESPERADOR DA MÍDIA


Enviado por luisnassif, seg, 14/02/2011 - 21:29
Por João V., de Portugal
Juan Santiago e Fernando Casares. Rompiendo Muros/Rebelión 11/02/2011.
            Sob o silêncio desesperador da mídia e em meio à escuridão da noite, exatamente à uma hora da manhã, Israel lançou 7 ataques contra a Faixa de Gaza. Duas bombas de caças F16 (de fabricação estadunidense) caíram na fábrica de suprimentos médicos Al-Querem, em Jabalya, norte de Gaza. O prédio está totalmente destruído, do mesmo modo que os suprimentos e as matérias-primas. A Faixa de Gaza já se encontra em estado crítico por falta de suprimentos médicos e este bombardeio significará que as mais básicas necessidades médicas continuarão sendo impossíveis de serem atendidas na Faixa de Gaza. O prédio era o terceiro em importância e armazenamento desses suprimentos.
            Os demais ataques foram contra edifícios em Khan Yunis, Zaytoon e na área de Rafah.
sp;           Nesses momentos em que o mundo observa com suma atenção os acontecimentos no Egito, as forças sionistas parecem aproveitar a situação para arremeter mais uma vez contra a população da Faixa de Gaza. Neste caso, atacando alvos-chave da necessidade da população, como são os medicamentos.
            Ao mesmo tempo, a rebelião popular no Egito mantém fechada a passagem de fronteira de Rafah desde o dia 30 de janeiro, porta de oxigênio de Gaza por cujos túneis entram todo tipo de matérias-primas e combustíveis. Quem costumava contrabandear combustível não está mais fazendo isso ou se uniram à rebelião popular. O contrabando diminuiu a seu nível mais baixo desde a época em que se intensificaram os enfrentamentos entre a população do norte da península do Sinai e as forças de segurança.
            “Gaza precisa de 800.000 litros de diesel, dos quais 200.000 são para a principal usina de energia, e 300.000 litros de gasolina todos os dias”, sublinhou Mahmoud Al-Shawa, presidente da junta de diretores da Autoridade de Recursos Naturais e Energia da Palestina. Agora só chega a metade. A maior parte dos combustíveis entra pelos túneis entre o Egito e a Faixa de Gaza, já que o que chega de Israel não só é pouco, como é caro demais para a maioria dos moradores da Faixa de Gaza.
            “Um litro de diesel egípcio custa 45 centavos de dólar, bem menos do que o 1,66 dólar que custa o de Israel”, sublinhou Al-Shawa.
            “Peço ao primeiro ministro Salam Fayyad, designado pela ANP, e a Abbas que eliminem os impostos para que a população possa comprar gasolina. Já faz quatro anos que Gaza suporta o bloqueio israelense e o povo não tem trabalho”, acrescentou. “Temos um problema grave. Peço ao mundo e aos Estados Unidos que lembrem de Gaza. Haverá um desastre se não fizermos nada”, alertou.
            Antes do dia 30 de janeiro, a passagem de Rafah estava aberta cinco dias por semana para os estrangeiros e palestinos que circulavam para receber cuidados médicos, visitar familiares e estudar. Por dia, saíam cerca de 400 moradores da Faixa de Gaza e voltavam uns 200. Agora o terminal está vazio, todos os funcionários e encarregados foram embora.
            De acordo com as declarações de Ken O’Keefe que mora na região, há pelo menos uma criança morta nos ataques do exército israelense a Gaza.

PODEROSO CHEFÃO DA RBS É PROCESSADO POR LAVAGEM DE DINHEIRO



O empresário gaúcho Nelson Pacheco Sirotsky, presidente doGrupo RBS, conglomerado mafiomidiático que opera 20 emissoras de televisão (afiliadas à Rede Globo), 21 emissoras de rádio e oito jornais diários em dois estados brasileiros (RS e SC), foi denunciado, em Ação Penal movida pelo Ministério Público Federal, como incurso no artigo 21, § único, da Lei 7492/86. Trata-se da Lei dos Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Seu sócio no império, Carlos Eduardo Schneider Melzer, também é réu no mesmo processo.
Se condenado, o capo pode amargar até quatro anos de xilindró.
O caso está na Justiça Federal da 4ª Região, 1ª Vara Criminal de Porto Alegre, e pode ser acompanhado aqui.

.

Para quem não sabe, Nelsinho, verdadeira reserva moral de nossa pátria, também preside a ANJ (Associação Nacional de Jornais) e aABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão).

PODEROSO CHEFÃO DA RBS É PROCESSADO POR LAVAGEM DE DINHEIRO



O empresário gaúcho Nelson Pacheco Sirotsky, presidente doGrupo RBS, conglomerado mafiomidiático que opera 20 emissoras de televisão (afiliadas à Rede Globo), 21 emissoras de rádio e oito jornais diários em dois estados brasileiros (RS e SC), foi denunciado, em Ação Penal movida pelo Ministério Público Federal, como incurso no artigo 21, § único, da Lei 7492/86. Trata-se da Lei dos Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Seu sócio no império, Carlos Eduardo Schneider Melzer, também é réu no mesmo processo.
Se condenado, o capo pode amargar até quatro anos de xilindró.
O caso está na Justiça Federal da 4ª Região, 1ª Vara Criminal de Porto Alegre, e pode ser acompanhado aqui.

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Para quem não sabe, Nelsinho, verdadeira reserva moral de nossa pátria, também preside a ANJ (Associação Nacional de Jornais) e aABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão).

PODEROSO CHEFÃO DA RBS É PROCESSADO POR LAVAGEM DE DINHEIRO



O empresário gaúcho Nelson Pacheco Sirotsky, presidente doGrupo RBS, conglomerado mafiomidiático que opera 20 emissoras de televisão (afiliadas à Rede Globo), 21 emissoras de rádio e oito jornais diários em dois estados brasileiros (RS e SC), foi denunciado, em Ação Penal movida pelo Ministério Público Federal, como incurso no artigo 21, § único, da Lei 7492/86. Trata-se da Lei dos Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Seu sócio no império, Carlos Eduardo Schneider Melzer, também é réu no mesmo processo.
Se condenado, o capo pode amargar até quatro anos de xilindró.
O caso está na Justiça Federal da 4ª Região, 1ª Vara Criminal de Porto Alegre, e pode ser acompanhado aqui.
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Para quem não sabe, Nelsinho, verdadeira reserva moral de nossa pátria, também preside a ANJ (Associação Nacional de Jornais) e aABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A hipocrisia do Ocidente




Quando os árabes querem dignidade e respeito, quando gritam por seu próprio futuro que Obama assinalou em seu famoso – agora suponho que infame – discurso no Cairo, nos lhes faltamos com o respeito. Ao invés de dar as boas vindas às suas exigências democráticas, os tratamos como se fossem um desastre. Queremos que sejam como nós, desde que fiquem de lado. E assim, quando provam que querem ser como nós, mas não querem invadir a Europa, fazemos o que podemos para instalar outro general treinado nos EUA para que os governe. O artigo é de Robert Fisk.
Não há nada como uma revolução árabe para mostrar a hipocrisia de nossos amigos. Especialmente se essa revolução é marcada pela civilidade e pelo humanismo e é impulsionada por uma enérgica exigência para ter o tipo de democracia que desfrutamos na Europa e nos Estados Unidos. As indecisas tolices sussurradas por Obama e Clinton durante estas últimas duas semanas são apenas uma parte do problema. Da “estabilidade” à “tormenta perfeita” passamos ao presidencial “agora-significa-ontem” e “transição ordenada”, que se traduz assim: nada de violência enquanto o ex-general da força aérea Mubarak é levado a pastar para que o ex-general de inteligência Suleiman possa assumir a chefia do regime em nome dos EUA e de Israel.

A Fox News já disse a seus telespectadores nos EUA que a Irmandade Muçulmana – um dos grupos islâmicos mais “suaves” no Oriente Médio – está por trás dos valentes homens e mulheres que se animaram a resistir à polícia de segurança do Estado, enquanto a massa de “intelectuais” franceses silencia: as aspas são essenciais para nomes como Bernard-Henri Levy que se converteu, segundo o Le Monde, na “inteligência do silêncio”.

E todos sabemos a razão. Alain Finkelstein fala de sua “admiração” pelos democratas, mas também da necessidade de “vigilância” – e este é um ponto baixo em qualquer “filósofo” – “porque hoje todos sabemos sobretudo que não sabemos qual será o resultado”. Esta citação quase rumsfeldiana é dourada pelas próprias palavras ridículas de Lévy: “é essencial levar em conta a complexidade da situação”. Curiosamente, isso é exatamente o que os israelenses dizem quando algum ocidental insensato sugere que Israel deveria deixar de roubar terra árabe na Cisjordânia para suas colônias.

Na verdade, a própria reação de Tel Aviv aos importantes eventos no Egito – que este pode não ser o momento adequado para a democracia no Egito (permitindo assim manter o título de “a única democracia no Oriente Médio”) – tem sido tão inverossímil quanto contraproducente. Israel estará muito mais seguro rodeado por verdadeiras democracias do que por ditadores e reis autocráticos. Para seu enorme crédito, o historiador francês Daniel Lindenberg disse a verdade esta semana. “Devemos admitir a realidade: muitos intelectuais acreditam, no fundo, que o povo árabe é congenitamente atrasado”.

Não há nada de novo nisto. Aplica-se a nossos sentimentos recônditos sobre todo o mundo muçulmano. A chanceler Angela Merkel, da Alemanha, anuncia que o multiculturalismo não funciona, e um pretendente à família real da Baviera me disse, não faz muito tempo, que há turcos demais na Alemanha porque “não querem fazer parte da sociedade alemã”. No entanto, quando a Turquia – o mais perto da mistura perfeita de islamismo e democracia que se pode encontrar hoje no Oriente Médio – pede para ingressar na União Europeia e compartilhar nossa civilização ocidental, buscamos desesperadamente qualquer remédio, não importa quão racista seja, para evitar que isso aconteça.

Em outras palavras, queremos que sejam como nós, desde que fiquem de lado, a uma distância segura. E assim, quando provam que querem ser como nós, mas não querem invadir a Europa, fazemos o que podemos para instalar outro general treinado nos EUA para que os governe. Assim como Paul Wolfowitz reagiu à negativa do Parlamento turco em permitir que as tropas dos EUA invadissem o Iraque desde o Sul da Turquia perguntando se “os generais não tem nada a dizer sobre isso”, agora somos obrigados a ouvir o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, destacar a “moderação” do exército egípcio, aparentemente não se dando conta de que o povo do Egito, que está propondo a democracia, é que deveria ser elogiado por sua moderação e não violência e não um monte de brigadeiros.

De modo que, quando os árabes querem dignidade e respeito, quando gritam por seu próprio futuro que Obama assinalou em seu famoso – agora suponho que infame – discurso no Cairo, nos lhes faltamos com o respeito. Ao invés de dar as boas vindas às suas exigências democráticas, os tratamos como se fossem um desastre.

(*) De The Independent da Inglaterra, especial para Páginal12. Tradução: Celita Doyhambéhère. Tradução para a Carta Maior: Katarina Peixoto.

Obama - Grande Filho da Puta




O Coveiro dos Pobres, Obama, propõe que sejam cortados as ajudas para o consumo de energia dos pobres.

Ave, Grande Obama!

Os ricos e brancos te reverenciam como um verdadeiro negro submisso.

O frio intenso está aí para matar a metade desses pobres indesejados.

Ave, Grande Obama!

Crescer com juízo e sem inflação


blog cidadania- Eduardo Guimarães
Há mais ou menos uns trinta anos, descobri que precisava me entender com o economês – e, depois, com economia – para poder nadar neste mar ultra capitalista em que havia se convertido o Brasil de minha juventude, ainda que, até hoje, alguns caras-de-pau digam que falta capitalismo ao Brasil. Não falta capitalismo a este país; sobra.
Na segunda metade do século passado, fomos atirados em um capitalismo selvagem, desumano, em que só o lucro interessava e no qual o homem se tornou peça de sustentação do sistema, arcando com todo o peso de um modelo econômico voltado a concentrar renda explorando o filão de­ mão-de-obra barata e submissa, incapaz de pensar mudanças profundas para que o cidadão comum voltasse a ser o objetivo do Estado.
Política e economia revelaram-se a mim quando mal me havia casado e já tinha a primeira filha a caminho. Tais questões me explicavam por que, naquele 1982, não conseguira trabalho melhor do que o de estoquista de uma indústria de autopeças, apesar de já ser um sujeito letrado, informado, dinâmico e, acima de tudo, jovem.
Desde 1982, portanto, decidi ler tudo o que pudesse sobre economia, dia após dia, sem falhar um só, enquanto assistia a tudo acontecer neste país em termos de evolução do processo econômico, tendo aprendido a ter o cuidado de comparar o que diziam e haviam previsto os versados em economês, de um lado, com os efeitos dessa retórica, do lado oposto.
Devo ser honesto: julgo que não entendo nem mais nem menos de economia do que os analistas especializados das mídias que oferecem sempre a mesma versão tenebrosa do futuro se isto ou aquilo não for feito, simplesmente porque não se discute economia, no Brasil, sem injunções políticas, estando amplamente misturado o que deveria permanecer separado em benefício da coletividade.
Vejam a questão dos juros e da temperatura da economia, equação que determinará o apoio político do novo governo necessário a quem tem que enfrentar uma direita midiática convencida de que com esse grupo político que vai iniciando o terceiro mandato na governança do país perderá negócios da China que poderia fazer se o país voltasse a ser governado só para os dez por cento mais ricos.
O nível da taxa básica de juros da economia, a Selic, virou peça de discurso político, pois a mídia tenta – e consegue – fazer os formadores de opinião se convencerem de que pagam mais juros com taxa maior, mesmo que o que determine os juros de mercado não seja a taxa interbancária e, sim, o fantástico spread que os bancos cobram no Brasil.
Spread, a taxa de risco que os bancos cobram. Risco de você, leitor, não pagar o empréstimo usurário que recebeu daquela instituição financeira, nem que seja por uma semana. A taxa de risco é que determina os juros de mercado, e não a taxa Selic. E a taxa de risco pode cair quando a taxa básica aumenta. Isto é fato. Inquestionável.
O efeito da Selic sobre os juros de mercado se dá no encarecimento de uma taxa que os bancos cobram uns dos outros ao fim dos trabalhos das câmaras de compensação das movimentações do dia, quando uns terminam aquele dia com ou sem liquidez total para saldar contas devedoras ou para emprestar àquela instituição que esteja temporariamente descoberta.
Entretanto, a despeito de alguns pontos a mais na Selic, o sistema financeiro nacional já provou que pode ignorá-la por conta de uma taxa de risco imposta ao resto da economia que chega a ultrapassar em muitas vezes a taxa básica. Para entender isso, basta pensar sobre onde alguém conseguiria dinheiro a 10% ao ano, no Brasil, e comparar com o custo de mercado mínimo do dinheiro em um ano, neste país, que não baixa muito de 50%.
Essa diferença se deve ao spread e mostra por que os bancos brasileiros nem piscaram diante da crise econômica internacional, o que não deixa de ser uma prova de que até os lucros exagerados de poucos, obtidos nas costas de muitos, podem, eventualmente, ter um papel positivo, por mais absurda que pareça a idéia.
Então é bobagem dizer que a Selic terá o condão, sozinha, de modular definitivamente o nível de crescimento, impedindo ou incentivando decisivamente que o país cresça ou não. Ora, o governo Lula, durante o ano passado, desencadeou um processo de alta gradual da Selic em pleno processo eleitoral e, além de ter elegido a sucessora, o país ainda bateu recorde de crescimento.
Onde, então, está o problema provável da economia, se é que existe? A presidente Dilma disse qual é nem faz muito tempo: na inflação. Afirmou que sob hipótese alguma permitirá que retorne. Porque essa, sim, anularia o crescimento e os ganhos de renda que os Brasileiros vêm experimentando há anos com Selic alta e tudo.
A inflação está subindo, no Brasil, assim como está subindo em países que visitei não faz muito tempo, como Argentina ou Venezuela, imersos em processos inflacionários perversos mesmo crescendo, como o primeiro país, ou em situação de estagnação, como no caso do segundo.
No caso do Brasil, a alta internacional do preço das commodities (produtos básicos como arroz, feijão, petróleo, carne, minérios etc.) é compensada pela queda dos preços dos produtos industrializados que vai se dando mundo afora. O que, então, está produzindo inflação de tudo, no Brasil? Sobem, atualmente, de carne a aluguel e produtos industrializados ou serviços.
O que está causando inflação no Brasil, portanto, é a lei da oferta e da procura, que ninguém jamais conseguiu revogar. Ou seja: há muita gente com dinheiro no bolso pra comprar de tudo e o mercado vai tendo que conseguir rapidamente o que entregar em troca dessa dinheirama, o que evidentemente permite que se cobre mais.
Aumentar a Selic pura e simplesmente, então, não resolve, ainda que não se possa abrir mão da política monetária. O crédito ainda é farto, apesar das medidas do governo para diminuir a oferta, tomadas no fim do ano passado, e, enquanto for farto, o brasileiro, esse otimista incorrigível, continuará realizando sonhos de consumo sem pensar no futuro.
É óbvio para qualquer um que tenha a menor noção de economia que o Brasil não tem condições de crescer a 8% ao ano, ao menos já. O que sustenta uma economia com demanda crescente por tudo que o dinheiro pode comprar é o investimento, tanto o público quanto o privado, e o nosso nível de investimento ainda é baixo.
Segundo os “especialistas”, o país precisa de uma taxa de investimento ao redor de 24 ou 25 por cento para sustentar a demanda, pois sem um parque industrial e agroindustrial adequado ao tamanho dessa demanda a lei da oferta e da procura continuará se fazendo notar. Hoje, a taxa de investimento, no Brasil, está em 18 ou 19 por cento.
Dilma promete que até 2014 chegaremos a esse patamar de investimentos públicos e privados. A conferir.
A conclusão inevitável, enfim, é a de que o Brasil, se quiser se manter na rota dos últimos oito anos, terá que continuar adotando o mesmo modelo econômico. Não há como manter o consumo nos patamares atuais, então. Os efeitos da gastança já se refletem nos preços relativos da economia de forma cada vez mais pronunciada.
No início de 2010, havia mesmo que deixar a roda da economia girar mais à vontade porque vínhamos de uma crise que, por menor que tenha sido no Brasil, fez o PIB estagnar, ainda que o mercado de trabalho tenha se comportado bem, com poucas e episódicas demissões, mas com significativa redução do crescimento.
No ano passado, o Brasil recuperou o que perdeu na crise. Estamos com o país em um processo tão dourado de atividade econômica que já chegamos ao pleno emprego em montes de setores da economia e profissões. Podemos muito bem, pois, agüentar um crescimento menor neste momento, para que a inflação não corroa os ganhos que tivemos.
Dessa maneira, na opinião deste blog, o problema mais imediato do Brasil é como reduzir o nível de crescimento sem medidas draconianas como restrição muito forte ao crédito e aumento muito grande da taxa básica de juros. Por conta disso é que o governo hesita em deixar o salário mínimo subir muito agora depois de ter subido expressivamente nos últimos anos.
O poder de gerar consumo do salário mínimo ainda é muito grande. Dar um aumento expressivo ao piso salarial do país, agora, seria um tiro no pé. Após anos de recomposição salarial de todos os setores da economia, o Brasil pode muito bem esperar alguns meses a fim de arrumar a casa antes de dar outro salto no crescimento.
E ninguém está falando em não crescer. Um crescimento ao redor de 5% neste ano, que é o que deve acontecer se o governo conseguir reduzir um ímpeto de crescimento tão forte quanto está se vendo, seria mais do que adequado.
Os investimentos estão aumentando, tanto o público quanto o privado. A capacidade da economia de crescer, assim, irá aumentar progressivamente e é progressivamente que temos que pensar o crescimento. O Brasil precisa crescer com juízo para crescer sem inflação e sem solavancos políticos inerentes ao recrudescimento inflacionário.

Aluna e professora do Gilmar trabalha para o PFL. Contra cotas na universidade


A professora/aluna do Gilmar e divindade provincial (em SP)

Recentemente, o New York Times se referiu às relações do Ministro da Suprema Corte americana Antonin Scalia com o movimento de extrema direita Tea Party: Scalia levou a partidarização política a extremo jamais visto em meio século (da Corte).

O mesmo diria esse ansioso blogueiro sobre Gilmar Dantas (*).

Veja só.

Amigo navegante de Brasília é especialista em Gilmar Dantas (*).

Ele nos deu a honra de sua audiência, leu o post,e percebeu que uma das professoras é a ilustre Dra Roberta Fragoso Menezes Kaufmann:

CORPO DOCENTE – Entre os diferenciais da EDB estão o corpo docente, formado por um elenco de autoridades. Além do ministro do STF Gilmar Mendes, são professores na instituição o ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho) e conselheiro do CNJ Ives Gandra da Silva Martins Filho, os procuradores da República Paulo Gonet e Inocêncio Mártires Coelho (este doutor em Direito Constitucional) e os juristas Flávio Dino, Pierpaolo Cruz Bottini, Paulo Roberto Roque Antônio Khouri e Roberta Fragoso Menezes Kaufmann.


Observou também o amigo navegante que a ilustre professora da escolinha do Professor Gilmar foi aluna dele, na pós-graduação.

E que a ilustre professora prestou importante serviço ao PFL, ou melhor, ao partido do DEMO: entrou com uma ADIN (que o Supremo julgará) para acabar com as cotas nas universidades.

( O ex-Supremo Ministro Supremo se considerará impedido ?)

(É muito provável que a ilustre professora se ilustre com a pseudo-ciência do Ali Kamel, que se considera um especialista na matéria. Este ansioso blogueiro preferiria que a ilustre professora lesse o Altamiro Sena, personagem deste post: “Secretário de Justiça da Bahia associa Kamel ao racismo”).

Como se sabe, estreitas são as ligações (telefônicas) entre Gilmar Mendes e o DEMO.

Gilmar e o senador Demóstenes Torres, do DEMO de Goiás, se falavam ao telefone quando foram grampeados – segundo o insuspeito testemunho do ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo.

Lamentavelmente, até hoje, o Dr Corrêa não achou o áudio do grampo.

O amigo  navegante poderá acompanhar aqui textos que tratam da edificante carreira da ilustre professora Kaufmann.

Notará também que ela mereceu espaço significativo num órgão do Sistema Dantas de Comunicação.

(Esse órgão do Sistema Dantas de Comunicação tinha o privilégio de fazer saraus no Supremo Tribunal Federal, quando presidido pelo Supremo Presidente Supremo.)

Paulo Henrique Amorim

Ação contra as cotas na UnB


Samanta Sallum

Da Equipe do Correio


DEM entra com pedido de liminar no STF para suspender o registro dos 652 cotistas aprovados no último vestibular da universidade. Matrícula está marcada para amanhã


O sistema de cotas para negros nas universidades públicas está ameaçado por uma ação judicial que será julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). E, se for acatado o pedido de liminar, a matrícula de 652 candidatos cotistas aprovados no último vestibular da Universidade de Brasília (UnB) será suspensa. O autor do processo é um partido político, o Democratas (DEM). Mas a iniciativa coube à advogada Roberta Fragoso Menezes Kaufmann, que também é procuradora do Distrito Federal e assina a ação. Ela sustenta que o sistema de reserva de vagas fere o princípio da igualdade, e que o obstáculo para o negro chegar ao ensino superior no Brasil não é racial. Mas, sim, o econômico.


O registro das matrículas para o segundo semestre letivo da UnB está marcado para amanhã e sexta-feira e será realizado. Quem vai apreciar o pedido de liminar é o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. Na noite de ontem, ele assinou despacho dando prazo de cinco dias para que a Advocacia Geral de União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República se manifestarem. Se a liminar for acatada depois disso, o registro das matrículas dos cotistas será anulado.


http://www.conjur.com.br/2007-jul-29/cotas_negros_podem_aumentar_racismo_excluir_quem_nao_merece



(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.