Do Facebook do meu sempre professor Nilson Lage, comentando que “o avanço da extrema direita europeia impulsionado pela recessão econômica é o bastante para estimular, aqui, a ressurreição dos meninos do Brasil“, copiando nota do blog de Marcos Espíndola, colunista de Cultura do Diário Catarinense, sobre o aniversário de nascimento de Adolph Hitler, ocorrido ontem:
Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
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quarta-feira, 23 de abril de 2014
Pra quem pensa que o nazismo morreu, os novos “meninos do Brasil”
Do Facebook do meu sempre professor Nilson Lage, comentando que “o avanço da extrema direita europeia impulsionado pela recessão econômica é o bastante para estimular, aqui, a ressurreição dos meninos do Brasil“, copiando nota do blog de Marcos Espíndola, colunista de Cultura do Diário Catarinense, sobre o aniversário de nascimento de Adolph Hitler, ocorrido ontem:
quinta-feira, 28 de março de 2013
REINALDO É O ÚNICO ALIADO QUE RESTOU A FELICIANO
Pastor homofóbico Marco Feliciano (centro) que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara já enfrentou dezenas de protestos, que incluíram até um beijo na boca lésbico protagonizado pela atriz Fernanda Montenegro; entre os nomes que pedem sua saída, estão artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Wagner Moura, sem falar na Anistia Internacional; o lance mais recente da debandada é a demissão em massa de servidores da comissão; mas, ao lado dele, consta um único defensor: ele mesmo, o blogueiro neocon Reinaldo Azevedo (esq.); uma ilha deserta faria bem aos dois?
28 DE MARÇO DE 2013 ÀS 21:29
247 - A lista é extensa. Já pediram a renúncia do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), a Anistia Internacional, milhares de manifestantes espalhados pelo Brasil afora, e artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Wagner Moura, além da atriz Fernanda Montenegro, diva do teatro brasileiro, que, ontem, protagonizou um beijo na boca lésbico em protesto contra Feliciano. Tanta rejeição ao pastor tem motivos óbvios. Por ser homofóbico, Feliciano não reúne condições mínimas para presidir uma comissão criada em defesa das minorias.
Na noite desta quinta, Feliciano recebeu mais um sinal evidente de que é a pessoa errada no lugar errado. Dos dezenove funcionários da comissão, nada menos que 17 pediram afastamento. Ou seja: Feliciano envergonha não apenas a Câmara dos Deputados, como seus seus próprios subordinados.
Mas ele, no entanto, ainda tem um único aliado. Ele mesmo, o porta-voz do movimento neocon no Brasil e blogueiro da revista Veja, Reinaldo Azevedo. Autointitulado Tio Rei, ele diz ser contra a "intolerância dos donos da tolerância" e prega ainda "o direito de ter uma opinião" (leia mais aqui).
Reinaldo, para variar, mais uma vez, está redondamente enganado. O pastor Feliciano pode ter a opinião que bem entender. Pode ser homofóbico e intolerante, talvez até como forma de autodefesa dos seus medos internos, desde que não cometa atos homofóbicos. Ele apenas não tem o direito de ocupar uma posição criada justamente para promover a tolerância, o entendimento e a proteção de minorias que são vítimas constantes da violência.
Feliciano já avisou que não irá renunciar e corre agora o risco de perder o próprio mandato, em razão de outros desvios de conduta, de natureza ética, como o uso de verbas da Câmara para pagamentos de despesas pessoais. Aferrado ao cargo, ele ainda não foi capaz de um mísero gesto de grandeza, talvez porque acredite que seja um herói da liberdade, como o retrata Reinaldo Azevedo.
Não, Feliciano e Reinaldo são apenas dois personagens patéticos que envergonham o parlamento e o jornalismo. Será que uma ilha deserta para ambos seria um bom destino?
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Agripino é eleito presidente do DEMo até 2014
O senador Agripino Maia (RN) foi confirmado hoje (6) na presidência do Democratas (DEMo), com mandato até dezembro de 2014. Para ele, o DEMo é, hoje, um partido consolidado e com pessoas que acreditam nas ideias e na formulação programática da legenda. Embora o partido tenha perdido alguns parlamentares para o PSB, Agripino desejou aos que saíram “boa viagem”.
“O Democratas vai sobreviver em nome de suas ideias porque temos autoridade moral para combater a corrupção, porque não convivemos com a improbidade”, disse Agripino. Segundo ele, a principal meta do partido é eleger em 2012 mais prefeitos do que os que tem atualmente e, em 2014, uma bancada na Câmara dos Deputados maior do que a da última eleição.
O líder do partido na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), disse que este é um momento muito especial para o DEMo, que hoje é integrado por pessoas que têm compromisso e propósitos, o que fez com que se consolidasse como o maior partido de oposição. “Em todos os episódios de corrupção do governo federal, o Democratas assumiu a dianteira. Fomos capazes de mostrar que existem políticos de bem neste país", afirmou.
A convenção nacional do DEMo foi realizada hoje, na sede do partido, no Senado Federal, e contou com a presença das bancadas na Câmara e no Senado, de líderes partidários como o ex-senador Marco Maciel, e a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, entre outras.
Durante a convenção, o deputado Onyx Lorenzoni (RS) foi escolhido secretário-geral do partido.
Iolando Lourenço
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terça-feira, 23 de agosto de 2011
José Serra segue ignorado. Mas sem lamúrias!
por Caipira Zé Do Mér
no imprenÇa
José Serra, ex-ministro, ex-governador, ex-prefeito, ex-candidato e atual presidente de um conselho político em seu Partido. Escreveu em seu blog os motivos pelos quais não foi até a assinatura de convênios entre governos Federal e Estadual em São Paulo, no último dia 18. A explicação não poderia ser mais divertida.
Embora eu saiba que sou dos poucos leitores do blog de José Erra, coisas divertidas podem ser retiradas de lá. Algum tempo atrás, na convenção nacional do PSDB, foi dito que o partido estava mais unido do que nunca! Claro, a Miriam Leitão e a Dora Kramer certamente acreditaram, relembre:
100
ex-
{{Crédito da foto diz que foi o onipresente Jose Serra quem tirou a foto...}}
Embora eu saiba que sou dos poucos
Pois bem. Vamos fingindo que acreditamos que o partido está unido e que o Serra e o FHC estão mesmo suuuuper felizes e o Aécio é o líder mais agregador que já existiu na história da humanidade, etc.
Partimos então para a tal assinatura do convênio… Onde ela ocorreu? No Palácio dos Bandeirantes em São Paulo, vulgo escritório do tio Alckmin:
A presidente Dilma Rousseff e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinaram nesta quinta-feira (18) no Palácio dos Bandeirantes, Zona Sul da capital, um plano de intenções para erradicar a extrema pobreza no estado.
{{não acredite em mim – folha de S. Paulo}}
Você certamente se lembra da INACREDITÁVEL fOLHA DE SÃO PAULO dizendo que a Dilma estava a flertar com as lideranças do grande partido da grande oposição . Pois vai daí que o nobilíssimo ex-um-monte-de-coisas resolveu escrever em seu blog os motivos pelos quais não compareceu ao evento {{alguém sentiu falta?!}}. Escreveu {{ou mandou alguém escrever}} assim:
inexistente
inexistente
Cheguei a ser criticado em editoriais por supostamente ter me recusado a participar. Antes de mais nada: não compareci porque não fui convidado. É simples assim. Isso não é reclamação ou desculpa; trata-se apenas de um fato objetivo.
{{não acredite em mim – José Erra em seu blog}}
Vamos ser bonzinhos e acreditar naquilo que está escrito, ok?! Ele não estava reclamando nem nada. Mas aí eu pergunto:
O Partido não estava unido?!
José Serra sabe, embora evite pensar no assunto, que está sendo levemente apagado pelo seu próprio partido. FHC está, como usualmente faz, fazendo qualquer coisa pela mídia; até elogiar a Dilma {{não acredite em mim}}. Alckmin está no governo, de modo que consegue mídia de forma mais natural.
Aécio Neves está…onde está mesmo Aécio Neves?! Ah, sim, no senado. Fazendo o quê?! Não se sabe, mas ao menos ele dá uma entrevista aqui e acolá.
José Erra, presidente do importante conselho político para fusão da oposição {{diziam que seria ele o responsável por fundir PSDB, DEM e PPS, mais provável é um outro verbo parecido com fundir…}}, mas é incapaz de ter alguma atenção da imprenÇa que, sabemos, ele tanto preza.
Ainda no mesmo artigo José Erra ao mencionar que Alckmin foi bem em seu discurso, afirmando que o PSDB já ajudava 5 milhões de pessoas com programas sociais {{naquela tese de que o PT copiou tudo do PSDB}}. Acontece que, segundo consta, só pelo bolsa-família foram 50 milhões de atendidos {{não acredite em mim}}. Estou excluindo o Minha Casa, Minha Vida; o Luz para todos e, a partir de hoje, o PNBL; para ficar no básico…
Serra está mesmo desesperado, alguém aí está disposto a jogar uma bolinha de papel?
100
ex-
Postado por René Amaral
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Uma catástrofe em múltiplos níveis
A rendição do Presidente Obama
Não se iludam: o que estamos presenciando aqui é uma catástrofe em múltiplos níveis.
Por Paul Krugman
Tradução de Idelber Avelar
Está sendo gestado um acordo para aumentar o teto da dívida federal. Se ele passar, muitos comentaristas dirão que se evitou o desastre. Mas eles estarão errados.
Porque o acordo mesmo, dada a informação disponível, é um desastre, e não apenas para o Presidente Obama e seu partido. O acordo vai causar danos a uma economia já deprimida; provavelmente tornará o velho problema do déficit estadunidense pior, não melhor; e, mais importante, ao demonstrar que a pura extorsão funciona e não traz custos políticos, ele leva os EUA mais perto ainda do estatuto de ´república bananeira´.
Comecemos com a economia. Temos, no momento, uma economia profundamente deprimida. É quase certo que continuaremos a ter uma economia deprimida ao longo do ano que vem. E provavelmente teremos uma economia deprimida ao longo de 2013, se não mais além.
A pior coisa que você pode fazer nestas circunstâncias é cortar os gastos do governo, pois isso deprime a economia ainda mais. Não preste atenção aos que invocam a fadinha da confiança, que argumenta que ações orçamentárias duras reasseguram os negócios e os consumidores, levando-os a gastar mais. Não funciona assim, isso é fato já confirmado por inúmeros estudos históricos.
Na verdade, cortar gastos quando a economia está deprimida não ajuda nem mesmo a situação orçamentária, e pode na verdade torná-la pior. Por um lado, as taxas de juros sobre os empréstimos federais são hoje bem baixas, portanto cortar gastos agora faz muito pouco para reduzir as futuras despesas com juros. Por outro lado, tornar a economia mais fraca agora também causa dano a suas chances a longo prazo, o que por sua vez reduz a receita futura. Portanto, aqueles que exigem cortes de gastos agora são como aqueles médicos medievais que tratavam os doentes sangrando-os, e assim adoecendo-os ainda mais.
Ainda por cima, há os termos do acordo, que se reduzem a uma rendição abjeta por parte do Presidente. Primeiro, haverá cortes de gastos, sem nenhum aumento de receita. Depois, um painel fará recomendações para mais redução de deficit – e se essas recomendações não forem aceitas, haverá mais cortes de gastos.
Os Republicanos supostamente têm um incentivo para fazer concessões desta vez, porque os gastos com defesa estarão entre as áreas a serem cortadas. Mas o Partido Republicano já demonstrou sua disposição de arriscar o colapso financeiro a menos que ele receba tudo o que seus membros mais extremos querem. Por que esperar que eles sejam mais razoáveis da próxima vez?
Na verdade, os Republicanos na certa se sentirão encorajados pela forma como Obama continua a se dobrar ante suas ameaças. Ele se rendeu em dezembro, ao estender os cortes de impostos de Bush; rendeu-se na primavera, quando eles ameaçaram fechar o governo; e acaba de se render de novo, em enorme escala, a uma pura extorsão no tema do teto do endividamento. Talvez seja só eu, mas vejo um padrão aqui.
O presidente tinha outra alternativa desta vez? Sim.
Em primeiro lugar, ele poderia e deveria ter exigido um aumento no teto do endividamento em dezembro. Ao ser perguntado por que não o fez, ele respondeu que tinha certeza de que os Republicanos agiriam com responsabilidade. Belo palpite.
E mesmo agora, a administração Obama poderia ter recorrido a manobras legais na questão do teto da dívida, usando qualquer uma de várias opções. Em circunstâncias normais, poderia ter sido um passo extremo. Mas, ante a realidade do que está acontecendo, ou seja, a extorsão crua por parte de um partido que, afinal de contas, só controla uma casa do Congresso, a medida teria sido totalmente justificável.
Pelo menos, Obama poderia ter usado a possibilidade de um impasse legal para fortalecer sua posição de barganha. Em vez disso, no entanto, ele eliminou todas essas opções desde o começo.
Mas será que uma posição mais dura de Obama não teria preocupado os mercados? Provavelmente não. Na verdade, se eu fosse investidor, eu me sentiria assegurado, não chocado, por uma demonstração de que o presidente é capaz de e está disposto a enfrentar a chantagem dos extremistas de direita. Em vez disso, ele escolheu demonstrar o oposto.
Não se iludam, o que estamos presenciando aqui é uma catástrofe em múltiplos níveis.
Trata-se, claro, de uma catástrofe política para os Democratas, que até poucas semanas atrás pareciam ter os Republicanos contra as cordas por tentarem desmantelar o Medicare: agora, Obama jogou tudo isso fora. E o dano ainda não acabou: ainda haverá mais pontos de estrangulamento com os quais os Republicanos podem ameaçar criar uma crise ao menos que o presidente se renda, e eles agora podem agir com a expectativa confiante de que ele se renderá.
A longo prazo, no entanto, os Democratas não serão os únicos perdedores. O que os Republicanos acabam de conseguir fazer põe em questão todo o nosso sistema de governo. No fim das contas, como a democracia estadunidense pode funcionar se o partido que está mais preparado para ser sangrento, ameaçar a segurança econômica da nação, ganha como prêmio o direito de ditar a politica? A resposta é: talvez não, talvez ela não possa funcionar.
Original AQUI.
Via O Esquerdopata
29/07/11
Os extremistas de direita nos EUA
luisnassif
Por Marco Antonio L.Da CartaCapitalExtremistas de direita estão em ascensão, apontam analistas
Redação Carta Capital 28 de julho de 2011 às 18:07h
Os atentados que aconteceram na sexta-feira 22 na Noruega provocaram questionamentos sobre a capacidade das agências policias federais dos Estados Unidos de reagir a possíveis reações similares da extrema direita americana. Com isso, policiais de todo o país têm reivindicado aumento no orçamento para poderem se dedicar à tarefa, segundo o Huffington Post.Funcionários do Departamento de Segurança Interna afirmam que o nível de atividade desses grupos se manteve constante ao longo dos últimos anos. Mas analistas entendem que a ameaça representada por extremistas americanos de direita está em ascensão e que as agências federais podem não estar dando-lhes a atenção necessária.
De acordo com reportagem do Huffington Post, as atividades dos grupos de extrema direita nos Estados Unidos aumentaram entre 2008 e 2009. Para o ex-analista de terrorismo da DHS, empresa que acompanha atividades deles, Daryl Johnson, em 2009 a produção de um relatório causou furor entre os políticos porque o documento alertava para uma onda de extremismo com a eleição do primeiro presidente negro do país e da recessão econômica. Johnson disse que o movimento vem estocando “armas e fazendo conspiração para matar funcionários do governo em Michigan e no Alasca”.
Para o analista, um incidente como o que aconteceu na Noruega “definitivamente poderia acontecer nos EUA “. “Os extremistas são muito mais capazes de cometer atos violentos aqui devido a seu acesso a armas e munições, que eles não têm na Europa.”
Esta conclusão é contestada por um funcionário oficial do DHS, que diz que o aumento da percepção da atividade extremista é baseado na maior conscientização da ameaça por parte do governo e do público. E que agora o extremistas de direita estão interconectados. “Eles eram muito isolados e agora eles estão conectados através do ambiente de rede social. Johnson diz também que o relatório, que nunca foi formalmente retirado, deveria ter sido revisto e re-lançado, o que nunca ocorreu.
De acordo com o Southern Poverty Law Center, havia 824 grupos de milícias nos EUA no ano passado. Um aumento significativo a partir do 149 contados em 2008. No seu relatório, o centro observou que os militantes foram inspirados por causa da preocupação sobre a imigração e pelo temor de que a composição racial dos Estados Unidos está mudando na medida em que os brancos são projetados para estar em minoria em 2050.
Redação Carta Capital 28 de julho de 2011 às 18:07h
Os atentados que aconteceram na sexta-feira 22 na Noruega provocaram questionamentos sobre a capacidade das agências policias federais dos Estados Unidos de reagir a possíveis reações similares da extrema direita americana. Com isso, policiais de todo o país têm reivindicado aumento no orçamento para poderem se dedicar à tarefa, segundo o Huffington Post.Funcionários do Departamento de Segurança Interna afirmam que o nível de atividade desses grupos se manteve constante ao longo dos últimos anos. Mas analistas entendem que a ameaça representada por extremistas americanos de direita está em ascensão e que as agências federais podem não estar dando-lhes a atenção necessária.
De acordo com reportagem do Huffington Post, as atividades dos grupos de extrema direita nos Estados Unidos aumentaram entre 2008 e 2009. Para o ex-analista de terrorismo da DHS, empresa que acompanha atividades deles, Daryl Johnson, em 2009 a produção de um relatório causou furor entre os políticos porque o documento alertava para uma onda de extremismo com a eleição do primeiro presidente negro do país e da recessão econômica. Johnson disse que o movimento vem estocando “armas e fazendo conspiração para matar funcionários do governo em Michigan e no Alasca”.
Para o analista, um incidente como o que aconteceu na Noruega “definitivamente poderia acontecer nos EUA “. “Os extremistas são muito mais capazes de cometer atos violentos aqui devido a seu acesso a armas e munições, que eles não têm na Europa.”
Esta conclusão é contestada por um funcionário oficial do DHS, que diz que o aumento da percepção da atividade extremista é baseado na maior conscientização da ameaça por parte do governo e do público. E que agora o extremistas de direita estão interconectados. “Eles eram muito isolados e agora eles estão conectados através do ambiente de rede social. Johnson diz também que o relatório, que nunca foi formalmente retirado, deveria ter sido revisto e re-lançado, o que nunca ocorreu.
De acordo com o Southern Poverty Law Center, havia 824 grupos de milícias nos EUA no ano passado. Um aumento significativo a partir do 149 contados em 2008. No seu relatório, o centro observou que os militantes foram inspirados por causa da preocupação sobre a imigração e pelo temor de que a composição racial dos Estados Unidos está mudando na medida em que os brancos são projetados para estar em minoria em 2050.
Postado por René Amaral
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
O PONTO A QUE CHEGAMOS:O MUNDO NAS MÃOS DO TEA PARTY
Os republicanos querem manter Obama sob rédea curta e aprovar uma elevação do endividamento público dos EUA suficiente para mais seis meses à base de pão e água. Depois, negociam mais meia cuia de água. Assim por diante, até Obama chegar às eleições de 2012 como um cachorro velho, mudo e sem dente. Um cão arrastado pelo rabo. Mas a extrema direita do partido, meia centena de membros do Tea Party, acha pouco e entornou o caldo da votação do pacote conservador na Câmara, deixando as finanças do mundo de cabelos em pé. O Tea Party quer recolher Obama/'a gastança' na carrocinha e é já. Um clamor uníssino de vozes cortou a narrativa dominante do Financial Times ao Globo, qualificando os indômitos seguidores de Sarah Palin de demenciais. É preciso cautela. O Tea Paty pode ser tudo, mas não é um hospício encastoado na alavanca republicana que embalou Bush, concluiu a desregulação das finanças até o colapso de 2008, dizimou o Iraque, retalhou o Afeganistão e agora incendeia a Líbia, entre outras miudezas do ramo. O neonazista norueguês que encravou balas dum-dum nas vísceras de um pedaço da juventude progressista do seu país tampouco é um demente, como querem rapidamente resolver o caso certos veículos e personagens do conservadorismo urbi et orbi. Tea Patty e Andres Behring Breivik são um produto refinado da história. De anos --décadas-- de ódios e pregação conservadora contra o Estado, contra a justiça fiscal; contra o pluralismo religioso; contra os valores que orientam a convivência compartilhada. Sobretudo, o princípio da igualdade e da solidariedade que norteia a destinação dos fundos públicos à universalização do amparo aos doentes, à velhice, aos desempregados, aos famintos, aos loosers brancos ou negros, nacionais ou imigrantes. Breivik e o Tea Party assimilaram o cânone. Se agora escapam ao criador, louve-se a competência da madrassa neoliberal. Na crise, ambos apenas confirmam a esférica densidade da formação que receberam e investem contra a desordem. Com fé no mercado e o dedo no gatilho.
(Carta Maior; 6º feira, 29/07/ 2011)
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quarta-feira, 27 de julho de 2011
O nazista norueguês e os racistas nativos
O neonazista Anders Behring Breivik, que já confessou à polícia ter recebido a ajuda de “outras células” terroristas nos atentados na Noruega, pode virar um herói dos racistas brasileiros. No manifesto publicado na internet poucas horas antes da ação criminosa, o direitista cita o Brasil, fazendo duras críticas à miscigenação racial existente no país.
A miscigenação no Brasil
No texto “Declaração Européia de Independência”, com 1.500 páginas, ele condena a pretensa “revolução marxista” no Brasil, que teria resultado na mistura de povos europeus, africanos e asiáticos. Na sua visão racista, esta mistura seria culpada pelos “altos níveis de corrupção, falta de produtividade e em um conflito eterno entre várias culturas”.
O neonazista também condena a existência de “mulatos e mestiços” no Brasil, afirmando que eles são “subtribos”. Os bárbaros atentados em Oslo e na ilha de Utoeya, que causaram 76 mortes (número oficial), objetivariam evitar esta miscigenação na Noruega. “É evidente que um modelo semelhante na Europa seria devastador”, concluiu o direitista.
A força do preconceito
Apesar de a mídia relativizar a ação criminosa do extremista, tratando-o como um maluco – como insinua a Folha no seu editorial de hoje –, as suas idéias têm força em vários países. Na Noruega, o Partido do Progresso, organização de extrema direita da qual o assassino foi militante, obteve 614 mil votos (23% do total) nas eleições de 2009. Nos EUA, os racistas estão presentes no Tea Party, a extrema-direita do Partido Republicano, que prega o ódio aos imigrantes.
Mesmo no Brasil, Anders Breivik tem os seus adeptos. Há grupos fascistas históricos, como a TFP e a seita Opus Dei, e também setores mais recentes, que ficaram indignados com as políticas distributivas do governo Lula. A campanha presidencial do ano passado confirmou a existência destes segmentos preconceituosos, racistas e homofóbicos.
Serra, a mídia e o ódio
Incentivados pelo discurso direitista do tucano José Serra, eles vieram à tona. Na internet, jovens da chamada classe média pregaram o ódio racial. “Mate um nordestino”, foi uma das mensagens mais difundidas pelas redes sociais. No período da eleição, várias agressões homofóbicas ocorreram na Avenida Paulista e outras partes da capital.
O preconceito também está presente na mídia burguesa. É só lembrar as declarações racistas de Boris Casoy, âncora da TV Bandeirantes, contra os garis; ou as bravatas elitistas do ex-comentarista da RBS, filial da TV Globo, contra o consumo de carros pelos “pobres”. Nos jornalões, nas rádios e TVs, as visões direitistas são totalmente hegemônicas.
"O terrorismo de cada dia"
Como aponta Luciano Martins Costa, no comentário “A mídia e o terrorismo de cada dia”, postado no Observatório da Imprensa, as sandices do direitista norueguês infelizmente “freqüentam o ambiente midiático” no Brasil. “Não são raros os articulistas e até mesmo editorialistas que acreditam em teses de supremacia racial”.
“Na mídia do sul do Brasil proliferam apresentadores de rádio e TV, colunistas e outros jornalistas que costumam debitar as históricas carências nacionais ao que consideram como o ‘peso’ do Nordeste. Mesmo com os altos índices de desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste, registrados nos últimos anos, o mote preconceituoso ainda acompanha, explicitamente ou de maneira velada, comentários sobre corrupção, violência e deficiência educacional”.
Como atento observador da mídia nativa, Luciano se mostra preocupado com o avanço das idéias racistas no país:
“Com a conivência da imprensa – que continua cedendo espaço ao que há de mais conservador por aí – a reiteração de raciocínios tortos contribui para desvalorizar a diversidade cultural e racial e estimular o preconceito... Um ato terrorista como o que atingiu a Noruega sempre produz reações de choque, mas o noticiário e o opiniário do dia a dia dissimulam o fato de que a intolerância amadurece até o ponto da explosão por meio da repetição de conceitos anti-humanitários através da mídia”.
Altamiro Borges
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
Grupo de extrema-direita ameaça Dilma de morte
Reproduzo e-mail que recebi do leitor F. O. contendo denúncia gravíssima.
—–
Eduardo,
encaminho e-mail que acabei de receber de um grupo denominado “Guararapes” (formado por militares). Está espalhando na internet. Achei grave. Em minha opinião, há uma ameaça expressa de morte a Dilma.
Talvez seja o caso de encaminhá-lo ao Ministério Público Federal ou à Polícia Federal. Afinal, trata-se de um e-mail enviado por uma associação registrada em cartório, conforme você verá a seguir.
F. O.
—–
O BURACO É GRANDE.
Doc. nº 43- 2011
Estamos começando o ano e o governo tapando os buracos deixados pelo o irresponsável que saiu. Tal é o ROMBO que o aumento do salário mínimo foi uma guerra. Ficou em R$545,00 e pronto; e quem foi contra pode ser expulso pelo “DEMOCRATA” PT.
O irresponsável continua a querer fazer comício pelo Brasil e mundo afora. Quer cobrar 200 mil por palestra. Quem vai sair de casa para ouvir analfabeto dizer que é Deus, só se for maluco, ou tolo enganado.
Não adianta querer cobrir o sol com a peneira. Em janeiro de 2003 a dívida total Brasileira (interna mais externa) era de 1 trilhão cento e 3 bilhões e em dezembro de 2010 de 2 trilhões trezentos e oitenta e oito milhões de reais, representando um aumento nominal de 98,31%. No período, gastou-se com o serviço da dívida a importância de R$1.665,2 bilhões.(Ricardo Bergamini)
A dívida externa que se tinha anunciado extinta – mas à custa da interna -, voltou a subir e já ultrapassa a casa dos 200 bilhões de dólares. A inflação torna-se uma preocupação e já chegou a cerca de 6%. Planejam-se os cortes possíveis, com prejuízo do resto. O BURACO DO DÉFICIT DO INSS CHEGOU A R$44,3 BILHÕES. O orçamento de 2010, para fechar, teve que passar uma importância acima de 72,4 bilhões de restos a pagar.
A grande maravilha de tudo isso é que o governo atual, responsavelmente, até, procura cortar despesas e determina um contingenciamento de R$50 bilhões e não deixa subir demais o salário mínimo para não aumentar a falência do maior número de municípios brasileiros, e da própria economia. Diz o IPEA: “em 2005 23,1% da população mais pobre estava desempregada e em 2010 passou para 33,3%, já na população mais rica o desemprego diminuiu 57,1%”. FOLHA DE SÃO PAULO de 20 – fev- 2011. E agora José o que dizer?
É de ficar com cabelo arrepiado quando se somam: serviço da dívida, déficit da Previdência, restos a pagar e todo mundo querendo ser empregado do governo. Sabe-se que o governo passado aumentou as despesas com pessoal irresponsavelmente, dando emprego a rodo, protegendo sobretudo a petralha ou com a intenção de compra de votos.
O GOVERNO ATUAL se encontra num beco sem saída. Se corre o bicho pega e se ficar a cobra morde. E agora José? Estamos precisando de coragem e de um estadista para salvar o Brasil. Os demagogos e ladrões estão de boca aberta, querendo engolir o maior pedaço do que resta do bolo.
Ricardo Bergamini nos informa o seguinte: De janeiro de 2003 até dezembro de 2010, apenas com Serviço da Dívida – R$ 1.665,2 bilhões (8,12% do PIB); Transferências Constitucionais e Voluntárias para Estados e Municípios – R$ 1.104,5 bilhões (5,39% do PIB); Previdência INSS – R$ 1.377,7 bilhões com 23,9 milhões de beneficiários (6,72% do PIB) e Custo Total com Pessoal da União – Civis e Militares – Ativos, Aposentados e Pensionistas – R$ 999,3 bilhões com 2.208.596 de beneficiários (4,87% do PIB) totalizando R$ 5.146,7 bilhões (25,11% do PIB), comprometeram-se 90,23% das Receitas Totais (Correntes e de Capitais) no período, no valor de R$5.704,0 bilhões (27,82% do PIB)
A PRESIDENTE OU APERTA OU O BICHO COME. A GUERRA COMEÇOU AGORA. PENSANDO NO BRASIL, SÃO MUITO POUCOS. SE ABRIR O COFRE PARA GANHAR VOTO NO CONGRESSO, MORRE.
VAMOS REPASSAR! A INTERNET É A NOSSA ARMA!
ESTAMOS VIVOS! GRUPO GUARARAPES! PERSONALIDADE JURÍDICA sob reg. Nº12 58 93. Cartório do 1º registro de títulos e documentos, em Fortaleza . Somos 1.780 civis – 49 da Marinha - 474 do Exército – 51 da Aeronáutica; 2.354. In Memoriam 30 militares e dois civis.
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30 . ABR. 2011.
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quarta-feira, 23 de março de 2011
Vergonha!
Soldados americanos exibem como troféus civis que mataram no Afeganistão
A revista alemã Der Spiegel publicou ontem reportagem com fotos como essa: "As imagens são repulsivas. Soldados sórdidos do Exército americano mataram civis inocentes no Afeganistão e posaram ao lado de seus corpos. O exército dos EUA pediu desculpas. Ainda assim, a OTAN teme reações violentas". São os mesmos que querem "salvar" a Líbia?
Postado por Hayle Gadelha
Postado por René Amaral
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quarta-feira, 9 de março de 2011
Revista VEJA mente e será processada por dano moral
O Projeto Emancipa já é um sucesso. As incrições ainda não terminaram, mas já temos mais inscritos do que as 100 vagas disponíveis. O apoio que temos recebido é enorme. Este apoio se expressou inclusive na imprensa gaúcha, que através de vários comunicadores e jornalistas ajudou a divulgar o projeto pela sua relevância social, não se prestando a reproduzir as “denúncias” da revista Veja . Todos sabem da lacuna existente na preparação dos jovens oriundos das escolas públicas que desejam entrar na universidade. Então, quem poderia querer detonar um projeto que oferece preparação para o vestibular e o Enem GRATUITAMENTE para estudantes de escolas públicas? Aqui no Rio Grande do Sul, só os “viúvos” de Yeda Crusius.
Entretanto, em respeito às pessoas que me apoiam e respeitam e que têm sido questionadas por quem não conhece a minha trajetória, esclareço:
- Vou processar a revista Veja por danos morais, visto que o jornalista que assina a matéria sequer me ouviu, publicando uma reportagem absolutamente fantasiosa sobre o Projeto Emancipa, coordenado por mim no Rio Grande do Sul.
- A Secretaria de Educação não me concedeu nenhum privilégio como insinua a reportagem. A direção do Colégio Júlio de Castilhos, assim como outras escolas estaduais, proporciona a execução de diversos projetos nas suas dependências. O Emancipa é um deles e paga à escola R$ 600,00 por mês pelas duas salas.
- Os (as) professores(as) não serão “bem remunerados” como maliciosamente diz a reportagem. Receberão R$ 20,00 a hora aula. Como são apenas duas turmas, a média de remuneração de cada professor deverá ser por volta de R$ 300,00.
- A cota de patrocínios do Emancipa está fechada com 5 empresas e não estamos em busca de mais

patrocinadores como mentirosamente afirma a reportagem.
- Sobre a Icatu Seguros, um empresa que atua no mercado gaúcho através do Banrisul há mais de 10 anos, muito me estranha que somente agora, para me atacar, a Veja levante suspeitas sobre esta relação. Eu não respondo pelas atividades de nenhuma empresa, mas a verdade é sempre útil: basta verificar o balanço 2010 do Banrisul, disponível na internet, para comprovar a mentira. A seguradora Icatu não tem contrato de exclusividade com o Banrisul. Além disso esta empresa apóia diversas OSCIPs e ONGs, não apenas o Emancipa.
- Quanto à afirmação de que “Luciana, que na política criticava o pai, na vida empresarial usa de seu prestígio para lucrar”, quem terá que se explicar é a Veja. E terá que fazê-lo no Justiça. Primeiro, porque não estou “lucrando” e nem sequer estou na “vida empresarial”. O Emancipa não é uma empresa e não pode dar lucro. Não é por que deixei de ser deputada que vou abrir mão de realizar atividades socialmente relevantes, mesmo que de forma privada, mas que respondam a interesses coletivos. Quanto ao suposto uso do prestígio do meu pai, Tarso Genro, minha trajetória me autoriza a ter certeza que os parceiros do Emancipa avaliaram em primeiro lugar o meu próprio prestígio para decidir pela participação no projeto.
Luciana Genro, ex-deputada federal (PSOL), é Coordenadora do Projeto Emancipa-RS.
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terça-feira, 1 de março de 2011
Eliane mente - Eliane Catanmerde
''A tesoura não perdoou o "Minha Casa, Minha Vida", carro-chefe do marketing de Dilma na campanha do ano passado. Serão cortados R$ 5,1 bi -40% do total previsto''.
Eliane 'Massa Cheirosa' Cantanhêde
Folha de S.Paulo
MInha Casa, Minha Vida, só terá cortes nas expectativas
Verbas serão de 1 bilhão a mais do que no ano passado
Há um certo terrorismo e leitura errada (sobretudo para quem se informa pelo PIG) dos cortes no orçamento anunciados pelo Ministério do Planejamento e da Fazenda.
O orçamento de 2011 estava com algumas verbas que continham a expectativa de um grande aumento de recursos em relação ao ano passado. Na maioria dos desses casos o aumento será menor do que expectativa, mas ainda assim haverá o aumento em relação ao ano passado. Portanto, a maioria dos cortes é na expectativa.
Em relação ao ano passado, mesmo com os cortes anunciados, houve aumento de verbas para os Ministérios da Educação, Saúde e Desenvolvimento Social.
No caso do programa "Minha Casa, Minha Vida", a Ministra Miriam Belchior, disse que este ano serão gastos R$ 1 bilhão a mais no programa do que foi no ano passado. Então não há risco de diminuição no programa, e os 2 milhões de casas planejados no governo Dilma serão realizados.
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A Folha de sempre
Muito interessante a reportagem abaixo: um alto funcionário do Estado de São Paulo que ocupa o cargo durante vários governos tucanos, vende dados sigilosos aos quais tem acesso por sua função ao próprio governo. Sujeira da grossa. Belo trabalho do repórter, mas vejamos o estilo editorial da Folha: quando é o governo da Bahia, é o governo petista, o governador petista, o sujeito "ligado ao PT". Lembrem-se do terrível episódio no Pará onde toda a mídia culpou a governadora PETISTA por atos bárbaros do judiciário e da polícia. Até aí tudo bem, mas por que quando um escândalo interessante como esse acontece no Tucanistão o governo, a priori, não tem culpa? O sujeito foi nomeado por Geraldo Alckmin, continuou no cargo com José Serra e seu poste Goldman e continua agora com o mesmo Alckmin e o jornal trata o governo como se fosse vítima da malandragem alheia.
Pesquisas mostram que um número imenso de leitores só dão uma olhada nas manchetes e não leem as matérias. "Governo" e "Funcionário da Estado" são termos muito ambíguos e geralmente associados com o governo federal. Notem a total ausência da sigla PSDB e do adjetivo tucano. Imaginem se exatamente a mesma coisa acontecesse, digamos, no Acre, quantos petistas, PT e ligado ao PT existiriam na manchete e no texto. Talvez até réu do mensalão aparecesse em algum lugar.
Estatístico do Estado vende dado sigiloso
Túlio Kahn, coordenador da Secretaria da Segurança de SP, disponibiliza informações criminais por meio de sua empresa
Ele já forneceu dados como furtos a pedestres na região de Campinas e os bens mais visados em roubos a condomínios
MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO
Um funcionário do alto escalão da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo vende serviços de consultoria por meio de uma empresa da qual é sócio e que disponibiliza dados que o governo considera sigilosos.
O sociólogo Túlio Kahn é desde 2005 sócio-diretor da Angra Consultoria e Representação Comercial, segundo documentos obtidos pela Folha. Ele detém 50% da empresa -a outra metade é de André Palatnik.
Desde 2003 Kahn é coordenador da CAP (Coordenadoria de Análise e Planejamento), o órgão que concentra todas as informações estatísticas sobre violência no Estado. Já atravessa três governos na função. Quem o nomeou para o cargo foi o secretário Saulo de Castro, no governo de Geraldo Alckmin (2003-2006).
Entre outros dados sigilosos, Kahn já forneceu, por exemplo, informações como furtos a transeuntes na região metropolitana de Campinas e os bens que são levados com mais frequência nos roubos a condomínios na cidade de São Paulo.
O levantamento sobre roubo a condomínios foi feito a pedido do Secovi (sindicato das empresas imobiliárias de São Paulo) e pago pela GR, uma das maiores empresas de segurança do Estado, segundo o próprio Kahn relatou à Folha. A GR nega ter feito pagamentos à Angra.
SIGILO
As informações sigilosas sobre a criminalidade na Grande Campinas constam de um relatório feito para a Agemcamp (Agência Metropolitana de Campinas), autarquia do Estado que auxilia o planejamento na região.
Foi a Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S/A), empresa do governo paulista, que contratou a Angra.
Ou seja, o governo pagou a uma empresa privada para obter dados sobre crimes que são desse mesmo governo.
No relatório para a Agemcamp, a Angra oferece informações do Infocrim que não são públicas, as quais "permitem um maior detalhamento da situação criminal da cidade de Campinas".
PÂNICO
Graças aos mapas de Kahn, é possível saber em que áreas se concentram os roubos de veículos e os locais onde ocorrem mais roubos a condomínios.
A secretaria se nega desde 2008 a fornecer à Folha informações similares, e de grande interesse público, como as ruas que concentram os roubos e furtos de veículos em São Paulo.
A alegação de Kahn para a negativa é que essas informações poderiam gerar alarmismo entre os moradores e desvalorizar a área.
Parte das informações criminais é publicada trimestralmente, de acordo com a resolução 160, que criou em 2001 as regras para divulgação de estatísticas.
A divulgação, porém, não inclui dados estratégicos, como o local do crime. Com isso, não dá para se saber a rua onde se mata mais na cidade de São Paulo ou as faculdades que concentram o furto de veículos. Não há esse veto para a clientela da Angra.
PREÇOS
Os valores dos contratos da empresa de Kahn variam de R$ 80 mil a R$ 250 mil.
Por exemplo: um projeto de pesquisa que ensina prefeituras a fechar bares para reduzir a violência, que inclui acesso a dados sigilosos de boletins de ocorrência, está orçado em R$ 100 mil.
Apenas uma empresa com livre trânsito no governo poderia oferecer "visitas às delegacias para consulta aos boletins de ocorrência". Delegacias vetam a consulta a boletins sob o pretexto de que haveria violação da intimidade das vítimas.
Em outro projeto em que a Angra aparece como intermediária, o Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo paga R$ 7.000 a dois funcionários para produzir estatísticas sobre roubo de cargas dentro da CAP. O sindicato diz que o acordo é legal.
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Marcos Dantas: “A mídia reage como fera acuada”
Professor de Comunicação da UFRJ, Marcos Dantas é um respeitado teórico da comunicação e tem uma rica trajetória ativista. Nesta entrevista exclusiva ao Vermelho, ele nos fala da luta pela democratização das comunicações no Brasil de hoje.
Por Wevergton Brito e Marcos Pereira
Começa a trabalhar como jornalista em 1970, sem ter sequer, devido às circunstâncias militantes da época, concluído um curso superior, como gosta de frisar. Passou por alguns dos mais importantes jornais do Brasil, dentre estes o Jornal do Comércio, onde trabalhou com Aloysio Biondi, e O Globo.
Dantas orgulha-se, particularmente, de ter escrito, com ajuda do então presidente do Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro, o hoje deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ) e do engenheiro e sindicalista Paulo Eduardo Gomes, hoje vereador em Niterói (RJ) pelo PSOL, o artigo que estabelecia o monopólio da Telebrás sobre as telecomunicações, depois revogado no governo FHC. “Tenho ódio eterno de FHC”, diz ele. “Imagina o orgulho que você pode sentir, ao abrir o livrinho da Constituição e poder dizer, 'este artigo fui eu que escrevi'”.
Em 2001, defende tese de doutoramento na Engenharia de Produção da COPPE-UFRJ, intitulada Os significados do trabalho. Toda sua investigação acadêmica sempre buscou relacionar os referenciais marxistas às transformações do capitalismo contemporâneo. Nesse entretempo, associando os compromissos políticos com as inevitáveis necessidades da sobrevivência, pôde participar de alguns momentos legislativos marcantes. Representando a Cobra (empresa de informática), esteve ativamente presente nos trabalhos da Constituinte de 1988, ajudando, junto com outros técnicos e professores, a redigir o capítulo sobre Ciência, Tecnologia e Comunicação.
Hoje Marcos Dantas é uma das principais referências do campo popular na luta pela democratização das comunicações, tendo representado a sociedade civil não-empresarial na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), como delegado do Estado do Rio. Clique aqui para conhecer um pouco mais sobre a trajetória de Marcos Dantas.
Vermelho - A mídia hoje está mais agressiva em defesa dos seus interesses?Marcos Dantas: A mídia hegemônica está quantitativamente mais agressiva. É que a estrutura corporativa que temos hoje, no Brasil, consolidou-se por volta dos anos 1970, na esteira de importantes transformações pelas quais passava a sociedade brasileira àquela época. A sociedade está passando por novas e grandes mudanças políticas, econômicas, tecnológicas, culturais, que não podem ser atendidas por aquela estrutura. Ela não está sabendo acompanhar as mudanças. Então reage parecendo fera acuada. Mas, ao longo da história, ela sempre atuou como bloco. No período pré-64, por exemplo, toda a chamada “grande imprensa” (O Globo, Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, etc.) apoiou o golpe. A única vez que a imprensa rachou foi na revolução de 1930, mas isso aconteceu porque a elite estava dividida e a imprensa expressou esse momento. Fora isso, a imprensa sempre atuou em bloco.
Vermelho - Muito se fala do poder de mobilização das novas ferramentas de comunicação. Alguns chegam a dizer que o que está acontecendo no Egito é a “revolução do twitter”. Como você vê esta questão?MD: No Manifesto Comunista de 1848, Marx e Engels escreveram que o telégrafo, então recém-inventado, seria um grande instrumento nas mãos do proletariado. Ou seja, cada vez que surge um meio novo e mais rápido de comunicações, surgem também essas esperanças revolucionárias. Evidentemente, Marx não era inocente. O que ele quis dizer é que quem inventou a telegrafia foi o capital, mas no momento em que essa tecnologia fica disponível, também as comunicações contra-hegemônicas podem ficar mais rápidas e mais baratas. O sujeito não precisava mais ir a pé ou a cavalo, de uma cidade para outra, para convocar os camaradas à luta. Tinha o telégrafo, tinha a ferrovia. Mas na mesma hora, claro, também tem a polícia esperando o militante na estação ferroviária. O meio continua nas mãos do capital! No caso do telégrafo, o que a burguesia fez? Adotou, em todos os principais países, leis que davam poder de censura ao funcionário dos correios, na ponta. Ele podia censurar uma mensagem se desconfiasse de alguma frase...
Na minha avaliação, a internet é o mais extraordinário panóptico que o capital já inventou. Tudo o que você escreve ali, pode ser visto por quem queira ver. Servidores de organizações como Google, Facebook e outras podem armazenar qualquer informação a respeito de qualquer internauta. É claro que eles preferem saber dos seus gostos e hábitos para lhe vender produtos e serviços. Mas talvez o FBI ou a CIA também gostem de saber dos seus gostos e hábitos... Há poucos anos, aconteceu um escândalo mundial, pouco divulgado no Brasil, devido a um sistema inventado pelos estadunidenses, denominado “Echelon”, pelo qual as suas grandes corporações podiam acompanhar as comunicações dos concorrentes e, com base nelas, tomar as decisões mais vantajosas.
Dizem que os EUA ganharam a licitação para montar o Sivam no Brasil graças a informações sobre os concorrentes obtidas via “Echelon”. Sei lá o que pode estar acontecendo agora nessa disputa pelos caças da FAB, mas eu não me admiraria em saber que as autoridades brasileiras, nas suas conversas a respeito, usam o Outlook Express, ou Gmail, ou Internet Explorer... Se você quer realizar uma revolução para valer, a primeira coisa a fazer é não usar internet. Nem celular. Os russos acertaram a cabeça de um líder checheno com um míssil guiado pelas frequências do seu telefone celular.
No fundo, essa prometida liberdade é um grande mecanismo de controle. Ela serve principalmente para falar muita abobrinha e, claro, para induzir comportamentos de consumo, como qualquer outro meio de comunicação. Mas isto não significa menosprezar ou desqualificar a internet. Uso muito, sou mesmo pioneiro (desde 1992, com linha discada) e já estudava o conceito de “ágora informacional” antes que a internet, enquanto tal, tivesse virado um fenômeno de massa no Brasil, depois de, não por acaso, ser apresentada ao país por uma novela da Globo. Certamente, o Google é uma extraordinária ferramenta de pesquisa. A minha velha Mirador, hoje em dia, apenas serve como belo enfeite de estante.
Trocar ideias pelo Twitter é muito interessante e divertido. É como uma reunião de amigos e amigas numa mesa de bar, todo mundo falando quase ao mesmo tempo frases entrecortadas, só que eu estou na minha casa, o outro no seu escritório de trabalho, um outro pode estar na Bahia ou Santa Catarina, até no Japão (se resistir ao fuso horário...). Aprende-se muito. A partir daí, penso que devemos disputar a internet, como também devíamos ter disputado o telégrafo ou a radiodifusão. Mas não é a internet que está moldando ou vai moldar a sociedade. É a sociedade, no bojo da luta de classes, que decidirá os rumos da internet. Sem essa consciência, a internet será aquilo que o capital quer que ela seja: um meio para acelerar negócios e, se necessário, de controle social. É fundamental disputar a democracia na internet, mas o discurso apologético acrítico conduz ao idealismo e não leva a nada realmente transformador.
Vermelho - No governo Lula foram poucos os avanços na comunicação. Em relação a esta área, qual a sua expectativa em relação ao governo Dilma?MD: Eu sou moderadamente otimista. Eu acho que é uma mudança grande colocar o Paulo Bernardo no Ministério das Comunicações. Mostra que esse Ministério terá no governo Dilma, uma dimensão estratégica que infelizmente não teve no governo Lula.
A questão é: qual roteiro vai seguir?
Ainda não ouvimos uma declaração programática do ministro. Ele parece estar, aqui e ali, soltando umas ideias para sentir como repercute. Pelo que está dito, banda larga e marco regulatório serão suas principais preocupações. Sobre a política de banda larga, sabemos o que o governo Lula deixou. Sobre o marco regulatório, sabemos que o governo Lula deixou algo, mas não sabemos o quê. Mas, sobre qualquer coisa, como o ministro integra o “núcleo duro” do governo, as decisões serão de governo, isto é, serão firmes, consistentes, duradouras (ao contrário, por exemplo, das decisões sobre TV digital no governo Lula), mas ainda não dá para termos clareza sobre os rumos.
No momento, a sensação que eu tenho é que o ministro Paulo Bernardo está ouvindo a todos. Isso é muito positivo, mas isso é uma característica do PT: ele ouve as forças políticas sociais, escuta o movimento social. O movimento popular tem um canal de interlocução. Mas não podemos esquecer que as comunicações envolvem interesses poderosos, o ministro também está ouvindo e não pode deixar de ouvir essas outras forças. O empresariado chega lá com propostas muito concretas, com temas objetivos. O movimento popular costuma chegar com bandeiras. Agora é hora de propostas, e propostas factíveis. É um cabo de guerra e não dá para saber ainda quem vai levar vantagem nisso.
Vermelho - Do ponto de vista da luta pela democratização da mídia, qual o tema mais importante hoje no Governo Dilma?MD: Sem dúvida, o marco regulatório é o debate mais importante. Todo mundo sabe, acho que isso já é consenso, que há um caos normativo no Brasil hoje em dia. Precisamos de uma legislação que contemple os avanços econômicos e tecnológicos dos últimos anos mas, ao mesmo tempo, introduza princípios democráticos e públicos. Toda reforma normativa no mundo tem sido feita em detrimento dos interesses públicos, conduzida pelas forças do capital. O Brasil, por suas características econômicas e políticas, poderia inovar aí, dando algumas aulas ao mundo. Mas isto vai necessitar, inclusive, de construção teórica, não apenas jurídica. Ao contrário do governo Lula, trata-se justamente de não fazer o óbvio.
Vermelho - No que consiste, a seu ver, a principal contradição entre as teles (empresas de telecomunicação como Oi, Telefônica, Sky) e as radiodifusoras (Globo, Bandeirantes, etc.).
MD: A principal contradição é a própria mudança no padrão de acumulação nas comunicações. Há um modelo decadente, esse da radiodifusão aberta, e outro ascendente, o dos “jardins murados”. Aquele se apoia na escassez de espectro, verdade até os anos 1970. Este se apoia no espectro ilimitado, na multiplicação ad infinitum de canais audiovisuais, no cabo, na atmosfera, no satélite, graças às tecnologias digitais. Se o objetivo é o lucro e se o lucro está na produção e programação de conteúdos, a apropriação desse lucro só é possível através de um novo modelo de negócios, baseado na assinatura ou no pagamento direto por serviço (pay per view).
Aí entram as teles: elas controlam a bilheteria de acesso aos “jardins”. Não é somente Oi ou Telefônica. As operadoras de celular estão vendendo conteúdo e somente conteúdo, elas não prestam mais um mero serviço telefônico. No entanto, são reguladas como operadoras de telecomunicações, não como provedoras de audiovisual. O problema dos radiodifusores é a ameaça de migração da audiência, da TV aberta para a TV por assinatura e internet.
O que acontece em todo o mundo mostra que essa TV aberta, generalista, que foi dominante na maior parte do século passado, está em decadência. No entanto, esse sistema, porque se apoiava num recurso escasso, era definido como serviço público, era publicamente regulado, dava ao Estado e à sociedade, nem que fosse teoricamente, um certo poder para influenciar nas elaboração de regras, inclusive regras quanto à missão cultural e educacional dos produtores e programadores. Por isso, temos os artigos da nossa Constituição.
Já os “jardins murados” são completamente controlados pelo capital financeiro. São vistos como investimento privado e externo a controles públicos. Assim, todos os princípios culturais, educacionais, éticos que devem condicionar a produção e programação de conteúdos deixam de estar subordinados a qualquer regulação pública. Isso virou um negócio exclusivamente privado. Se o movimento popular e democrático quiser intervir nessa situação tem que denunciar essa lógica e propor normas alternativas. Este é o nosso grande desafio. A cultura, a produção audiovisual e o entretenimento precisam continuar a ser regulados por critérios públicos, não importa se nos sete canais do VHF ou nos 300 canais do satélite.
Vermelho - Qual seria então, a principal bandeira?
MD: A minha proposta, considerando a atual correlação de forças, é estabelecer uma rígida separação entre quem transporta o sinal e quem produz ou programa o conteúdo. É até possível defender isso porque é algo parecido com o modelo inglês e da maior parte dos países europeus. Na Grã-Bretanha, a BBC não é “dona” da frequência de transmissão. A transmissão é feita por uma empresa operadora, contratada por licitação, de nome Crown Castle.
Essa separação, tanto no ar, quanto no cabo ou no satélite, permite que você defina regras assegurando o uso das vias também pelos produtores público-estatais e pelos demais agentes não-comerciais (sindicatos, associações comunitárias, etc.). E permite multiplicar as vias para os canais comerciais, abrindo espaço também para pequenos negócios regionais e locais. Na outra ponta, a produção e a programação poderão ser alvo de regulação própria, nelas aplicando-se os princípios da nossa Constituição. Trata-se de acabar com essa divisão “radiodifusão”/“telecomunicações”, introduzindo outra, mais adequada aos novos tempos, “conteúdo”/“continente”.
Vermelho - O Ministério das Comunicações vem dando grande destaque ao Plano Nacional de Banda Larga. Do que até agora tem sido divulgado, qual sua opinião sobre o PNBL?MD: Com todo o respeito ao César Alvarez (secretário-executivo do Ministério das Comunicações e um dos principais formuladores do PNBL) e ao Rogério Santana (presidente da Telebrás), eu tenho sido um crítico desse plano. Não somente porque 512 kbps não é verdadeiramente banda larga. É a sua própria concepção que eu critico. Vai se repetir aí o que já acontece em outros serviços, no Brasil: uma solução ruim para os pobres e outra, mais ou menos boa, para quem pode pagar. É a mesma coisa na educação, na saúde... Quem puder pagar para ter a banda larga da Oi, da Telefônica, da Net, da TIM, vai continuar pagando, quem não puder, mas tiver pelo menos 30 reais sobrando por mês, contente-se com 512 kbps.
Precisamos entender que a banda larga, por ar, cabo ou satélite será a futura infraestrutura de comunicação. O telefone de par trançado, o telefone fixo que só serve para voz ou fax, vai desaparecer daqui a pouco. Pela banda larga vai passar internet e televisão digital. Por isso, essa infraestrutura precisa ser universalizada. Isto não é o mesmo que massificar. Massificar significa estender o serviço ao máximo para quem pode pagar. Universalizar é determinar que, ao cabo de um certo período de tempo, digamos cinco anos, dez anos, com investimento público ou privado, dentro de um cronograma de médio e longo prazos, todos e todas terão direito à banda larga, conforme um determinado padrão de qualidade e por um certo preço regulado.
O governo, nos termos da lei atual, precisaria criar um serviço em regime público. A Conferência Nacional de Comunicações defendeu isso, com voto até do empresariado. Até do ponto de vista político-filosófico, trata-se de resgatar o princípio do serviço público, como eu discuti mais em cima. É isso que se espera de um governo de esquerda.
Vermelho - Como você vê o desenvolvimento futuro de uma mídia contra-hegemônica?MD: Você está falando de imprensa ou de “mídia”? Se “mídia”, isto engloba notícia, cultura, entretenimento, etc. Você quer um jornal para ser lido somente pela vanguarda, ou que tenha expressão na massa? Você quer um canal de TV que nem quem faz assiste, ou um canal para qualquer dona de casa assistir? A única vez que o nosso país contou com um poderoso jornal contra-hegemônico foi no governo Getúlio Vargas, que bancou a Última Hora. Como tinha dinheiro, a Última Hora pôde contratar os melhores profissionais da época.
Última Hora era um jornal igual aos outros: tinha esportes, polícia, espetáculos, coluna social, coluna de mulher “boa” (que fez a fama do Stanislaw Ponte Preta), tudo o que um jornal tem que ter para atrair o leitor comum, o leitor que não põe a política no primeiro lugar das suas preocupações, exceto em dia de eleições. Sem preconceitos. Ou com todos os preconceitos, se quiserem... (risos) Como era muito bem feito, foi um sucesso. Alcançou tiragens maiores do que os outros grandes jornais da época. Entretanto, o seu noticiário “sério”, vamos dizer assim, destoava do resto.
Na política e na economia (esta, à época, pouco importante no jornalismo), dava destaque para as notícias que interessavam ao governo e às forças que o apoiavam. Suas manchetes, títulos e lides, ou seja a técnica jornalística, eram usados para valorizar o que o restante da imprensa queria desvalorizar, para noticiar o que o restante da imprensa gostaria de esconder.
No entanto, apesar da sua enorme audiência, logo influência na formação da opinião pública, o jornal nunca foi um sucesso financeiro. Os grandes anunciantes o boicotavam. Sempre dependeu do apoio do governo e de alguns empresários que sustentavam a política de Vargas. Com o golpe de 1964, não demoraria a acabar. Talvez, hoje, com um governo de esquerda e, além disso, com os recursos que os sindicatos possuem, além de algumas alianças empresariais que podem ser feitas, talvez fosse possível edificar um jornal assim, ou melhor, um canal de TV assim, ou melhor ainda, um portal de internet assim, ou até tudo ao mesmo tempo, agora. No entanto, considerando as práticas corporativas dominantes, a mesquinharia da pequena política, o amadorismo, não vislumbro muito essa possibilidade no Brasil atual.
Vamos ter que continuar convivendo com jornais, revistas, sítios de internet feitos por nós para nós mesmos. Alguns até são bons, mas mesmo estes são mais opinativos do que informativos. O cidadão comum quer informação, mesmo que com algum tempero de opinião. Pode ser informação sobre a reunião ministerial de ontem, sobre o treino do Ronaldinho, sobre o paredão do BBB (arghh!!) ou sobre uma boa receita para o almoço de domingo, sem falar de filmes e espetáculos em cartaz. É informação que vende jornal, atrai audiência para a TV. Se quisermos construir uma mídia alternativa, temos que perder essa mania de ter opinião formada sobre tudo... (risos)
Vermelho - Para terminar, Dilma vai ou não enfrentar a mídia hegemônica?MD: Coragem ela tem. É determinada, racional. Mas, no governo, sabemos que pode não ser interessante acirrar os ânimos, muito menos agora, quando ela mal começou. Ela precisa de certa estabilidade. E precisa de apoio político. Na Argentina, Cristina Kirchner pôde fazer uma nova lei democrática, não porque vivia às turras com El Clarin, mas porque tinha povo na rua (eu disse, na rua, não no Twitter) e maioria real, não fisiológica, no Parlamento. Penso que a presidenta não colocou Paulo Bernardo no Ministério das Comunicações, à toa.
O governo terá uma política de governo, não de ministro, como era no tempo de Lula. Quero acreditar que ela, com o seu ministro, vai conduzir um reordenamento muito importante nas comunicações. O resultado vai depender de como o movimento popular vai conseguir intervir. Temos boas condições de formular propostas construtivas para ajudar o governo a enfrentar essa batalha mas, acho, que ainda falta melhor organização no nosso campo.
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