Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 24 de julho de 2012

Cuba, o partido e a fé EM BUSCA DE UMA NOVA LITURGIA

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por Janette Habe



 Le Monde Diplomatique

Destinado a “atualizar o socialismo”, o processo de reformas levado a cabo pelo presidente cubano Raúl Castro o conduziu a escolher um interlocutor completamente inesperado: a Igreja Católica
  
Em centenas de cartazes agitados pela multidão, uma mesma mensagem: “Boas-vindas à Sua Santidade, o papa Bento XVI”. Estamos em Santiago de Cuba, bastião histórico das guerras de independência, onde o papa celebra uma missa para 200 mil pessoas. Entre os dias 26 e 28 de março, pela segunda vez em catorze anos, o mais alto dignitário da Igreja esteve em visita a um país que outrora teve seu líder histórico excomungado.

Em Cuba, o clero, única instituição nacional independente do governo, não é um interlocutor como qualquer outro. Aquilo que o diplomata Philippe Létrilliart classifica de “concorrência de universalismos”1 – catolicismo e castrismo – tem pouco a pouco dado lugar a uma coexistência pacífica. O político e o religioso agora precisam entrar em acordo. Sentado na primeira fila, durante a cerimônia celebrada por Bento XVI em Santiago de Cuba, Raúl Castro – à frente de um delicado processo de reformas e liberalização econômica – fez da reaproximação com a Igreja um dos eixos de sua presidência. Política que provoca ranger de dentes não apenas nas fileiras do Partido Comunista de Cuba (PCC), mas também entre cristãos e dissidentes.

“Desde a mudança da presidência, há quatro anos”,2 observa o cardeal Jaime Ortega, líder da Igreja em Cuba, “novos ministros e funcionários foram empossados. Uma enorme reforma econômica está em andamento. Ela atinge a agricultura, a construção de moradia, a legalização do trabalho independente, o crédito, a compra e a venda de casas e automóveis e a criação de pequenas empresas privadas”.3 Justamente o que a Igreja pedia em suas preces: “Há muito tempo dizíamos que era preciso mudar o modelo social, econômico, jurídico e político”, observa um editorial da revista católica Espacio Laical (out. 2010), que está no centro dos debates ideológicos e políticos, inclusive os mais delicados. Diante das desigualdades acentuadas pelas atuais reformas e pelo agravamento da pobreza, a Igreja tem algumas armas a oferecer. Com uma rede humanitária nos bairros pobres, ela se encarrega da distribuição de medicamentos e da organização de restaurantes populares. E, favorável à abertura econômica, eis que oferece cursos de contabilidade e informática aos pequenos empreendedores que o Estado tanto sonha ver.

A aproximação entre o partido e a Igreja também resulta de um aggiornamento da hierarquia católica, iniciado em 1986 no Encontro Nacional Eclesiástico Cubano. Para Enrique López Oliva, católico e professor de História das Religiões, “o episcopado cubano está agora dominado pelos partidários da negociação: uma nova geração que não participou dos conflitos das décadas de 1960 e 1970”, e que se distanciou da dissidência e dos cristãos engajados no combate ao regime. Para o cardeal Ortega, “a Igreja não tem por vocação ser o partido de oposição que falta a Cuba”. Lenier Gonzalez, jovem editor da Espacio Laical, confirma: a credibilidade da Igreja “vem do fato de que ela soube manter-se longe do governo cubano, da oposição interna, dos cubanos exilados e do governo norte-americano”.



Idas e vindas

Mas o incômodo, e até desacordo, é evidente entre alguns fiéis. Oswaldo Payá, à frente do Projeto Varela (que coletou mais de 11 mil assinaturas para exigir a revisão da Constituição) e vencedor do Prêmio Sakharov em 2002, considera que a voz da Igreja foi confiscada pela Espacio Laical, que, direta ou indiretamente, apoia o governo. Posição que não é unânime entre o “povo de Deus”: “Jaime [o cardeal Ortega] é meu pastor, eu o respeito, mas ele tem uma orientação política da qual não compartilho. Para ele, é preciso confiar em Raúl e apoiar as mudanças em curso. Isso é uma posição política”.4 O episcopado realmente tem dado muitos sinais de moderação. As “Damas de Branco”, que protestam contra o regime brandindo gladíolos pelas ruas de Havana, aos gritos de “Liberdade, liberdade”, não tiveram direito ao “minuto de audiência” solicitado a Bento XVI, quando este se encontrou com Fidel Castro, o amaldiçoado dos dissidentes. E foi o cardeal quem pediu que a polícia interviesse para acabar com a ocupação de uma igreja em Havana pelos opositores que queriam pressionar o papa.

Mas o clero cubano enfrenta muitas dificuldades. A primeira é o baixo envolvimento dos fiéis: 1% da população da ilha frequenta regularmente a missa de domingo. A segunda é o crescimento de cultos afro-cubanos. A repercussão, por meses, da procissão da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira mestiça de Cuba, evidencia uma religiosidade sincrética. Os líderes católicos querem integrá-la, até anexá-la, mas sem aceitar seus ritos. Terceira dificuldade: o crescimento das Igrejas evangélicas. Nesse contexto, a Igreja “não aspira a recuperar privilégios passados”, garante Jorge Cela, ex-superior da Companhia de Jesus em Cuba, nomeado presidente da Conferência dos Jesuítas da América Latina. Além de provavelmente sonhar em engrossar suas fileiras, “ela deseja simplesmente que seus fiéis encontrem um lugar em uma sociedade plural”.

A Igreja já conseguiu muita coisa. O governo restituiu-lhe imóveis confiscados na revolução de 1959. Em novembro de 2010, o cardeal Ortega inaugurou, na presença do presidente Castro, as novas instalações do Seminário San Carlos, onde se formam futuros sacerdotes, cujo número tem aumentado. O seminário também abriga o Centro Félix Varela, local de debate no qual às vezes se encontram oponentes. Num país em que nem os militantes críticos do PCC podem publicar suas opiniões no jornal do partido, a Igreja dispõe de uma rede de publicações ligadas às dioceses e paróquias (com cerca de 250 mil leitores) e de duas dezenas de mídias digitais. Mas gostaria de ter acesso regular à televisão e ao rádio. E, para o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, “ainda falta resolver o importantíssimo problema da escola”.5 A integração da educação católica ao serviço público é uma prioridade para o episcopado, que sonha em poder ensinar teologia e humanidades nas universidades. “O Estado deve reconhecer à Igreja o papel que lhe cabe na sociedade”, avalia o padre Yosvani Carvajal, reitor do Centro Félix Varela. Castro anunciou: a Sexta-Feira Santa passará a ser feriado.

O lugar dado à Igreja não é unanimidade dentro do PCC, no qual alguns entendem que a estratégia de Castro os enfraquece. Ao transformar a Igreja em mediador legítimo, o presidente cubano levou seu governo a aceitar “concessões possíveis, porém difíceis, muito difíceis de assumir de maneira direta”, resume o sociólogo Aurelio Alonso.6 Um exemplo: em 2010, diante de uma campanha midiática internacional para obter a libertação de 75 presos após a morte do dissidente Orlando Zapata, ao fim de uma greve de fome de 85 dias, o aparelho do PCC viu-se ainda mais desamparado quando outro opositor também começou um perigoso jejum. A Igreja permitiu então que o governo saísse da confusão organizando “entre cubanos” a libertação dos referidos prisioneiros, chegando a participar das negociações com a diplomacia espanhola.



O lugar do Partido Comunista

Os quadros do PCC entenderam muito bem – e alguns temem isto: o lugar da Igreja a partir de agora exige que se reflita sobre o lugar do partido (único) no cenário político. A conferência do PCC realizada em janeiro de 2012 deveria modernizar suas operações e renovar sua direção, aumentar seu prestígio e colocá-lo em ordem de batalha para enfrentar os desafios das reformas econômicas anunciadas há um ano. Embora a reunião tenha confirmado a limitação dos mandatos políticos a dois exercícios de cinco anos e a composição do Comitê Central deva ser renovada em 20% até o próximo congresso (cuja data não foi definida), ela está longe das mudanças anunciadas. Ocorre que o presidente tem 81 anos, e seu sucessor, segundo a Constituição, o número dois do governo, Machado Ventura, logo terá 82... “Renovar a direção do partido” é uma tarefa delicada “na ausência da sucessão geracional”, comentou Castro durante o VI Congresso do PCC, em 2011, parecendo esquecer que ele mesmo afastou dois dos principais dirigentes quinquagenários que poderiam sucedê-lo, Carlos Lage e Felipe Perez Roque, em 2009. Estaria ele considerando uma “mudança” que não passe mais exclusivamente pelo partido?

Cresce o fosso entre o PCC e a população, especialmente nas gerações mais jovens: as questões que ele coloca em nome do povo que deveria representar como “Partido da Nação” não são aquelas que preocupam a maioria dos cubanos. O partido fala em “atualizar o socialismo”; a rua, nas mil e uma maneiras de sobreviver.7 As mídias oficiais praticam um jargão que não diz nada – o teque teque, como dizem os cubanos –, enquanto as discussões abundam em revistas e sites, embora de acesso limitado (apesar da instalação, no ano passado, de um cabo submarino entre a Venezuela e a ilha). Incapaz de promover uma democratização do sistema, a máquina do partido vê sua credibilidade enfraquecer, ainda que Castro tenha o cuidado de sempre relembrar seu lugar “central”.

Apesar de o católico Roberto Veiga criticar “a burocracia que reina sobre o Estado e a sociedade”, os membros mais prudentes do clero não questionam a existência do partido único. Para monsenhor Carlos Manuel de Céspedes, vigário-geral de Havana e conselheiro de redação da Espacio Laical,8 “o partido único não se aborrece com a democracia, assim como o pluripartidarismo não garante seu funcionamento adequado. Mas para que o partido único permita uma democracia real, ele deve funcionar de maneira transparente e aceitar a livre discussão de todos os problemas”. Um pluralismo que a Igreja já pratica em suas revistas.



Aliança para a transição?

Reformar o antigo sistema e “salvar a revolução” supõe assim uma refundação ideológica e espiritual: “A pátria e a fé”, título de um artigo do jornal da juventude comunista Juventud Rebeldede 17 de março de 2012, será o novo credo. Segundo o jornal, “a unidade entre o pensamento revolucionário, a fé e os crentes está enraizada nos próprios alicerces da nação. O amor à pátria e a luta por uma sociedade mais justa não são contraditórios com uma concepção da vida que acredita na transcendência”. Ex-dirigente do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic) e personalidade histórica da revolução, Alfredo Guevara acrescenta: “Nesta imensa catedral que é a pátria, é preciso inventar uma liturgia para mobilizar as consciências”. Para ele, “a Igreja é um centro de elaboração intelectual, [...] um parceiro maravilhoso para semear a diversidade necessária ao desenvolvimento do país”.9

A transição cubana também se faz do outro lado do estreito da Flórida. Tudo indica que o governo vê com bons olhos a participação dos emigrados na mudança. O cardeal Ortega visitou Washington para pedir a flexibilização das sanções contra Cuba. Comentário do Washington Post, em 25 de março de 2012: “O cardeal cubano transformou-se em real parceiro de Raúl Castro”. A anticastrista Rádio Martí, em Miami, o chamou de “lacaio” (5 maio 2012). “A oligarquia da diáspora sonha com o colapso do país e trabalha para isso”, analisa Veiga. Assim, qualquer coisa que possa facilitar uma mudança comandada por Havana exaspera os exilados. O Vaticano, por sua vez, apoia o clero cubano, que poderia, segundo ele, encarnar um renascimento religioso, símbolo da reconciliação, fraternidade e defesa da soberania nacional. De Roma, a Igreja cubana é vista como mais bem colocada do que outras para enfrentar a concorrência dos protestantes e pentecostais.

Ainda que a palavra “transição” não seja dita, é possível imaginar a Igreja trabalhando em acordo com as Forças Armadas – que administram os setores-chave da economia – para prepará-la, de maneira não violenta e numa perspectiva de normalização com a diáspora? Como escreveu Max Weber, “entre o poder político e o poder religioso, a relação adequada é a do compromisso e da aliança com vistas a uma dominação comum, por uma delimitação de suas respectivas esferas”.10


Janette Habel é professora-doutora na Universidade de Marne-la-Vallée e no Instituto de Altos Estudos da América Latina (Institut des hautes études d'Amérique latina - IHEAL), de Paris.

Ilustração: Gabriel K.


1 Philippe Létrilliart, Cuba, l’Église et la révolution [Cuba, a Igreja e a revolução], L’Harmattan, Paris, 2005.
2 Raúl Castro tornou-se oficialmente presidente no dia 24 de fevereiro de 2008, após ter sido nomeado presidente interino em 31 de julho de 2006, em razão dos problemas de saúde de seu irmão Fidel.
3 L’Osservatore Romano, Cidade do Vaticano, 25 mar. 2012.
4 Citado por Fernando Ravsberg em seu blog Cartas desde Cuba (www.cartasdesdecuba.com), 27 mar. 2012.
5 La Stampa, Roma, 22 mar. 2012.
6 Espacio Laical, Havana, out.-dez. 2010.
7 Ler Renaud Lambert, “Ainsi vivent les Cubains” [Assim vivem os cubanos], Le Monde Diplomatique, abr. 2011.
8 Trineto de seu avô epônimo, o Pai da Pátria, que proclamou a independência de Cuba e libertou os escravos para lutar contra o domínio espanhol.
9 Espacio Laical, out.-dez. 2011.
10 Max Weber, Sociologie des religions [Sociologia das religiões], Gallimard, Paris, 1996, citado por Philippe Létrilliart, op. cit.






 









Mensalão: Jefferson é o que o PiG tem de melhor


Levar o Jefferson a serio dá uma medida do que o PiG é capaz de fazer para Golpear o Dirceu, o Lula e a Dilma.

Saiu no Globo:

Defesa de Roberto Jefferson dirá que Lula sabia do mensalão


Advogado do ex-deputado dirá no STF que ex-presidente ordenou esquema

RIO – A defesa do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), um dos 38 réus do mensalão, vai centrar fogo no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua sustentação oral no julgamento, previsto para começar no próximo dia 2, no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado de Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, dirá que Lula não só sabia da existência de todo o esquema como “ordenou” a sua execução:

— (Lula) Não só sabia (do mensalão) como ordenou toda essa lambança — revelou Barbosa ontem ao GLOBO. — Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora.

A tese da defesa, no entanto, contraria as declarações do próprio Jefferson, em 2005, durante seu depoimento na Comissão de Ética da Câmara. À época, antes de ter seu mandato cassado, o presidente nacional do PTB contou que foi ele quem avisou Lula sobre a existência do mensalão:

(…)




Jefferson é do tipo “diz qualquer coisa”.
Deu aquele FURO histórico à Folha (*), para denunciar o mensalão.
Depois disse que não existe mensalão.
Depois disse que o Lula não sabia.
Agora o advogado diz que ele sabia que o Lula sabia.
Agora, o que ele fez com os R$ 4 milhões que caíram no colo dele … isso ele nunca explicou.
Levar o Jefferson (e seu advogado) a serio dá uma medida do que o PiG (**) é capaz de fazer para Golpear o Dirceu, o Lula e a Dilma, num julgamento só.
Por que os mervistas globais não perguntam ao Jefferson (e a seu advogado) como funcionava a Lista de Furnas ?
Pergunta-se: que destino terá o PiG (**) e seu fanático mervismo, quando o Dirceu for absolvido ?




Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

ESPANHA : AGRURAS DO 'NOVO NORMAL'

*A liberdade é azul: PSDB quer  suprimir publicidade federal em blogs que criticam a agenda da coalizão demotucana; no caso dos veículos do dispositivo conservador, nada a obstar.




Uma aula com Samuel Pinheiro Guimarães

Para analisar a conjuntura da América Latina, um dos principais ideólogos da política internacional do governo Lula resgata a história da política estadunidense para a região antes de situar o golpe no Paraguai, a entrada da Venezuela no Mercosul e os desafios do Brasil em suas relações internacionais. Samuel Pinheiro Guimarães afirmou que renunciou à a alta representação do Mercosul por uma limitação institucional do posto. "Eu fiz um relatório com um diagnóstico do Mercosul e propostas, mas não houve maior atenção", afirma.

Brasília - Convidado pela Comissão Brasileira Justiça e Paz, CBJP, organismo da CNBB, para falar sobre a conjuntura política da América Latina, especialmente da América do Sul pós-golpe no Paraguai, o embaixador e alto representante geral do Mercosul até junho deste ano, Samuel Pinheiro Guimarães, expandiu o recorte territorial e histórico para introduzir sua análise. “Para compreender essa situação é preciso compreender a política dos EUA para região e para o mundo”.

Segundo o embaixador, o objetivo estratégico permanente dos EUA é integrar todos os países da região numa única área econômica e uma de suas primeiras manifestações neste sentido aconteceu em 1889 na I Conferência Internacional Americana, em Washington, quando propuseram um acordo de livre comércio nas Américas e a adoção do dólar por todos os países. “Um projeto perfeito: de um lado a maior potência industrial do mundo, do outro um grupo de países agrícolas, mineradores, muito pobres, com grandes concentrações de renda”, ironizou.

Durante a conferência houve a proclamação da República no Brasil e a nova delegação brasileira aceitou a proposta estadunidense. “Isto porque uma das características da República era a idéia do panamericanismo e o Brasil queria afastar o estigma do Império, muito ligado à Europa, aos ingleses, uma ameaça aos países vizinhos independentes”, explicou, acrescentando que a área de livre comércio não foi criada por oposição da Argentina. “O antagonismo que existe nos EUA contra a Argentina já vem de longa data”, salientou.

É no pós-Segunda Guerra Mundial, entretanto, que as ações estadunidenses se intensificam rumo aos vizinhos do sul, ainda que antes disto os EUA já tivessem se apropriado de dois terços do território do México, se imiscuído na Nicarágua, República Dominicana, Haiti e Cuba e criado um país, ao separar o Panamá da Colômbia. “A América do Sul era mais distante”, brincou o diplomata, mas “aproximou-se” com as condições criadas após o triunfo em 1945: a Europa e os impérios coloniais destruídos abriram campo para a expansão de seu poderio e a União Soviética, o seu mais novo inimigo número 1, era o sinal de que a tarefa deveria ser cumprida rapidamente. Com a Revolução Cubana, em 1959, os EUA intensificaram a atuação em seu “quintal”.

De um lado, programas de cooperação com a Aliança para o Progresso, de outro, o apoio às violentas ditaduras civis-militares . “Enfatizo o termo civil. Hoje diz-se só militares, mas elas foram apoiadas em grande medida por elites de diferentes setores e meios de comunicação”, destacou. Ao passo em que estes regimes perdiam força – e Guimarães aponta o fato da repressão ter chegado aos setores médios e altos da sociedade como determinantes nesse processo – os EUA passaram a defender a sua substituição, emplacando uma nova plataforma política em prol dos direitos humanos, da democracia e do apoio a partidos políticos no contexto de início do neoliberalismo e de queda da União Soviética.

Dominação pelo mercado
Com a redemocratização da América do Sul a partir da década de 1970 e 1980 e com a ascensão da China no mercado mundial, o objetivo histórico dos EUA aponta cada vez mais para a celebração de acordos econômicos bilaterais, estratégia desenvolvida também em nível multilateral na Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 1994, os planos dos EUA dão um salto com a incorporação do México, por iniciativa de seu então presidente Salinas de Gortari, no Tratado Norte Americano de Livre Comércio (Nafta), que contava também com o Canadá. “Causou certa perplexidade porque o México era um tradicional defensor das teses dos países em desenvolvimento, do tratamento preferencial. Aquilo teria um impacto muito grande sobre toda a política dos EUA de relacionamento com os países em desenvolvimento, porque o México era um grande líder com uma mudança de posição tão radical. No mesmo ano os EUA topou a negociação da Alca [Área de Livre Comércio das Américas]”, resgata Guimarães.

O projeto da Alca foi definitivamente arquivado em 2005, na Cúpula de Mar del Plata, Argentina, por atitude coordenada dos presidentes argentino, Nestor Kirchner, e brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva, segundo Guimarães. Mas os EUA lograram acordos bilaterais com Chile, Peru e Colômbia depois disto. As negociações com o Equador avançaram bastante, mas foram interrompidas com a vitória de Rafael Correia, assim como Hugo Chávez havia feito em 1999 na Venezuela.

O problema desses acordos, aponta o embaixador, é “estabelecer as mesmas normas econômicas sob uma pretensão de reciprocidade, como se houvessem grandes investimentos de um país menor em outro maior”, impedindo assim o desenvolvimento autônomo das economias mais fracas e levando, quase que automaticamente, a um alinhamento político com os EUA nas grandes questões internacionais. “O Uruguai, que celebrou um acordo desses com os EUA, está sendo processado por uma empresa de cigarros que alega que legislação de controle do fumo do país prejudica seus lucros”, exemplificou.

O problema trágico para os estadunidenses, destaca Guimarães, é que com
regimes democrático na América do Sul, com liberdade de expressão e eleições razoáveis, os presidentes eleitos tendem a ter programas progressistas, ainda que alguns não pretendam executá-los, ressalta. Porém, as elites tradicionais seguem com muita força para eleger seus representantes aos poderes legislativos, formando uma forte barreira de contenção, ao lado de veículos de comunicação, às políticas sociais e de desenvolvimento alternativo. “No Paraguai o presidente progressista sem nenhum apoio no Congresso não conseguiu fazer a sua política, perdendo prestígio junto à população por não executar as promessas de campanha e o próprio Congresso montou um golpe”, elucidou. Quando há maioria legislativa pró-governo progressistas, como na Argentina, onde mesmo os partidos de oposição aprovaram a suspensão do Paraguai e a entrada da Venezuela no Mercosul, por exemplo, o discurso é de que “não há democracia, eles controlam o Congresso”.

O golpe no Paraguai

Samuel Pinheiro Guimarães não hesita em qualificar a destituição de Fernando Lugo como golpe grosseiro. “Se fosse mais longo [o processo de impeachment] seria mais difícil contestá-lo e acabariam condenando do mesmo jeito. Eles foram receosos da reação dos vizinhos”.

O diplomata considerou a postura brasileira no episódio firme e prudente, discordando daqueles que qualificaram a posição do Brasil como “branda” em comparação com o ocorrido durante o golpe no presidente Manoel Zelaya em Honduras. “Lá em Honduras foi um golpe praticamente militar, tiraram o presidente do poder, colocaram em um avião e mandaram embora, morreram muitos jornalistas, a repressão foi muito forte. Por outro lado, a admissão da Venezuela era tudo que os paraguaios não queriam. Foi de certa forma uma punição. De outro lado, nossos interesses no Paraguai são muito reais. Há um número muito grande de descendentes brasileiros que moram no Paraguai, há a represa de Itaipu”, disse.

Porém, Guimarães salienta que os interesses do Paraguai nos países do Mercosul é de tamanha magnitude que dificilmente serão compensados com qualquer outro acordo internacional, nem mesmo pelos EUA. E caso o regime paraguaio recrudesça, o diplomata sinaliza que uma série de medidas podem ser tomadas de maneira gradativa, como a não aprovações de projetos do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) que estão em análise e, numa etapa seguinte, a suspensão de projetos que já estão em curso. “O Brasil é o principal contribuinte deste fundo com 70%, Argentina com 27%, Paraguai com 1% e Uruguai com 2%. E há importantes projetos para o sistema de transporte deles”, afirmou.

Venezuela

Mais do que o Paraguai perdeu os EUA com a entrada da Venezuela no Mercosul. Por definição, um país membro do bloco está impedido de celebrar um acordo de livre comércio pretendidos por Washington. “Isso é grave pros EUA. Apesar de estarem mudando suas fontes de abastecimento, explorando suas reservas internas, continuam muito dependentes do petróleo importado, em grande parte, do Oriente, uma área delicada. E eles tem a Venezuela, a maior reserva do mundo, aqui pertinho deles”, detalha.

A entrada da Venezuela no bloco consolida um determinado tipo de visão econômica, também é importante por dificultar um golpe de Estado que não raro é sondado no país.

Em um país relativamente rico, de grande mercado, com 20 milhões de habitantes, com recursos naturais preciosos, que está procurando construir sua infraestrutura e se industrializar e cujo comércio com o Mercosul cresceu volumosamente na última década. “Além de ser um país altamente consumidor de produtos agrícolas, o que é uma oportunidade para outros países do bloco”, acrescenta o embaixador.

Imperialismo à brasileira?
Questionado sobre um crescente sentimento contra o Brasil devido à atuação do capital nacional em países vizinhos, levando até mesmo a formação de uma articulação dos Atingidos pelo BNDES, Guimarães ratificou que é este o grande desafio da diplomacia e do governo de um país tão assimétrico como o Brasil é em relação aos seus vizinhos. “O Brasil é mais da metade do PIB da América do Sul, é quatro ou cinco vezes o PIB da Argentina, que é o segundo maior.

Um PIB muito grande significa empresas muito grandes. Imagina se as empresas estrangeiras aqui fossem brasileiras, o que já teria acontecido?”, indaga para, em seguida, recordar que o problema da desnacionalização também afeta o Brasil, citando como emblemática a recente transferência do controle da maior rede varejista do país, o grupo Pão de Açúcar, ao capital estrangeiro.

Para o diplomata, o Brasil deveria ter uma política que em hipótese alguma financiasse a aquisição de empreendimentos estrangeiros por brasileiros e que estimulasse a associação dos capitais locais. Porém, ressaltou que há uma diferença entre a atuação independente das empresas e o financiamento do Estado. “O governo não pode impedir que as empresas façam investimento no exterior, a legislação não permite. Mas, a legislação daquele país pode, reservando setores para empresas nacionais”, esclareceu, acrescentando que o Brasil, em geral, financiou empreiteiras para participarem de licitações internacionais de obras de infraestrutura. “E essas empresas não ficam no país”.

Um caso qualificado por ele como grave está na Argentina, onde empresas brasileiras compraram um grande número de frigoríficos, atividade tradicional e importante daquele país. “Isso ainda não leva a grandes dificuldades, mas levará. As empresas estrangeiras, em geral tendem a recorrer aos seus países para fazer pressão ao governo local, o que cria grandes atritos”, alertou.

Exército no Haiti

No que tange a atuação militar brasileira no Haiti, Guimarães descarta que o Brasil tenha uma ação imperialista. “Se houvesse caso de morte, de agressão de brasileiros a haitianos sairia todo dia aqui no jornal”, retruca e completa: “Na questão dos refugiados haitianos a posição tem sido correta, apesar de não divulgada.”

O diplomata recorda que foi o Conselho de Segurança da ONU quem criou da força de paz para o Haiti, sem a participação do Brasil, que posteriormente foi convidado a integrá-la, tal como já fez em países como Congo, Timor Leste e Angola. “Antes de aceitar, foram mandadas duas missões aos países do Caribe próximos para saber o que eles achavam e eles aprovaram. O Brasil comandou as forças nos dois primeiros anos e deveria ter rodízio, mas a própria ONU pediu que o Brasil continuasse e tem pedido até hoje. Se não fosse o Brasil seria outro país”, defendeu.

Política externa alternativa
Se por um lado o papel crescente do Brasil no cenário internacional o leva a questionamentos quanto a reprodução de relações de tipo imperialista, Guimarães salienta que há iniciativas concretas visando um modelo de integração de novo tipo, para além dos posicionamentos políticos progressistas. Ele destaca os bancos de leite materno e os programas contra a febre aftosa impulsionados em vários países, o aumento da presença de entidades brasileiras no mundo visando a cooperação sul-sul, tais como a Embrapa - com unidades de pesquisa em Gana e na Venezuela, a Fiocruz – com uma unidade de produção de medicamentos retrovirais em Moçambique, a Caixa Econômica Federal – com projetos de habitação na Venezuela e o Ipea, que deverá abrir um escritório em cada país do Mercosul.

Também entram na lista a criação da Universidade Federal Latino Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), com dois câmpus no Ceará e a cooperação na área da educação com o Timor Leste. “É preciso de mais recursos para a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), mas houve corte de dotação orçamentária”, cobrou o diplomata.

Saída do Mercosul
Por fim, Samuel Pinheiro Guimarães afirmou que renunciou à a alta representação do Mercosul por uma limitação institucional do posto. O cargo foi criado no final do governo Lula com a ideia de iniciar uma gestão do Mercosul acima dos governos, uma vez que o bloco não possui uma estrutura supranacional, como a União Europeia, que dinamize seu funcionamento. Mas, Guimarães não se sentiu respaldado, talvez por ser brasileiro, sugeriu: “O Brasil é um país tão assimétrico que gera sempre uma idéia de que o cargo não podia fazer propostas. Eu fiz um relatório com um diagnóstico do Mercosul e propostas. Mas não houve maior atenção, se não tem atenção não tem apoio, se não tem apoio não vale a pena”.

A Espanha está sentenciada de morte pelos mercados.Sete meses depois de submeterem o país a uma terapia tóxica que esfarelou direitos trabalhistas, penalizou a infraestrutura, corroeu serviços públicos e abandonou 25% da população ao desemprego, obsequiosos ministros de Estado admitiam nesta 2ª feira: "A situação escapa à ação dos  governantes". O descontrole condensa-se em juros da ordem de 7,5% exigidos pelos investidores para financiar o Tesouro espanhol, refém de elevadas captações até o final do ano. A receita fiscal foi corroída pela endogamia entre recessão e 'austeridade', cujo objetivo era ganhar 'a confiança dos mercados', que agora deixam a despesa pública ao desamparo de taxas asfixiantes. A bola de neve joga a Espanha na sebosa ladeira da moratória, onde se encontram os despojos da Grécia, Portugal e Irlanda. Algo tardio, o ministro da Economia, Luis de Guindos, criticou a 'irracionalidade dos mercados', enquanto cedia -a exemplo da Itália-- ao pecado da regulação, proibindo operações especulativas em Bolsa. O velório espanhol confirma: não existe saída para a crise dentro do marco neoliberal; por tabela, fulmina quem equipara o suicídio ortodoxo ao 'novo normal' da história. (LEIA MAIS AQUI). 

Mídia tenta intimidar Lula e o PT para proteger Serra da CPI

Na semana passada, este blogueiro participou de um lauto almoço em que o prato principal foi a CPI do Cachoeira. O repasto veio com um ingrediente especial: picadinho de José Serra ensopado com molho de Paulo Preto e Delta.
O que posso relatar é que vai se tornando inevitável que a CPI se debruce sobre os maiores contratos da Delta em todo país, os contratos de São Paulo, os quais estão sob escrutínio do Ministério Público.
A ocultação do escândalo pela mídia, aliás, é criminosa.  Um escândalo dessas proporções não aparece em parte alguma devido ao envolvimento de alguns veículos que, inclusive, estão cada vez mais próximos de ser acusados.
A convocação de Serra seria, também, um desastre eleitoral para a sua cambaleante candidatura a prefeito de São Paulo, recentemente ferida de morte pela crescente desmoralização da administração Gilberto Kassab.
É nesse contexto que entra Roberto Jefferson, o golden boy da mídia tucana, o patrono de toda a sua cruzada contra o PT desencadeada em meados da década passada e que até hoje constitui a grande aposta da oposição para ao menos se manter viva.
Jefferson, que teve seu mandato de deputado cassado por não ter conseguido comprovar a existência do mensalão e que, à época de sua denúncia, inocentou Lula, agora muda a versão e tenta envolver o ex-presidente acusando-o de ser o mentor de tudo.
A acusação de Jefferson está sendo fermentada pela mídia apesar de ser um nada, inverossímil e descartável, pois, à época da denúncia do mensalão, a Polícia Federal e todos os órgãos de controle investigaram Lula exaustivamente e nada encontraram.
A denúncia contra Lula é tão débil que nem a peça delirante do ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, construída exclusivamente sobre suposições, ousou sequer se aproximar do então presidente.
Todavia, como se sabe, o mundo midiático não precisa de fatos para construir suas campanhas difamatórias. É incontável o contingente de acusados pela mídia tucana que depois foram inocentados pela Justiça, mas que foram punidos antes do julgamento.
Um dos exemplos mais candentes é o ex-ministro do Esporte Orlando Silva, literalmente chacinado pela mídia e contra quem a Justiça nada encontrou que justificasse a sua demissão além das opiniões de pistoleiros midiáticos.
Como de costume, portanto, não faltaram esses pistoleiros de Serra na mídia a saírem disparando contra Lula por conta de uma declaração mal-explicada e sem qualquer elemento probatório, amparada apenas nas palavras vazias de Jefferson.
Pelo que sabe este blogueiro, porém, o esforço midiático é vão. O envolvimento de Serra e de outros paulistas no escândalo do Cachoeira, serão inevitáveis. A própria oposição, diante de fatos que ainda vão se tornar públicos, não terá como sequer reclamar.
O mês de agosto de 2012, assim, ficará marcado como um dos períodos mais conturbados da história política recente do país. Globo, Folha, Estadão e Veja já posicionaram seus principais pistoleiros para abrirem guerra contra Lula e o PT a partir da semana que vem.
Apesar do noticiário massacrante, porém, o fato é que a direita midiática está às portas de descobrir que o que começará a fazer a partir de agosto já era esperado e que, por conta disso, seus alvos se prepararam muito bem.
Aguardem.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Record denuncia negócios do dono do Globope

A reportagem do Domingo Espetacular mostrou como Montenegro ganhou bilhões de reais com negócios suspeitos com a exploração particular de um serviço público.

Montenegro: muitas explicações a dar à Globo


Saiu no R7:

Domingo Espetacular cai no Ibope em dia de denúncia contra dono do instituto


Reportagem mostrou negócios suspeitos do enriquecimento do presidente Montenegro

No dia em que o Domingo Espetacular apresentou reportagem com negócios suspeitos do presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, o índice de audiência do jornalístico registrou, segundo o instituto, um dos piores índices dos últimos anos.

O programa fechou com oito pontos em média no Ibope segundo dados prévios. Ficou em terceiro lugar durante a apresentação, atrás de Globo e SBT. Há mais de dois anos – desde fevereiro de 2010 – o programa não registrava audiência tão baixa no Ibope.

Neste ano, o programa chegou a registrar o dobro de audiência segundo o Ibope, como em março, quando fechou com média de 16 pontos e picos de 20. Em junho e julho, registrou média acima de 10 pontos.

A reportagem do Domingo Espetacular mostrou como Montenegro ganhou bilhões de reais com negócios suspeitos com a exploração particular de um serviço público, a taxa de gravames para carros financiados em todo o Brasil, e as aplicações de remessas de dinheiro em operações suspeitas em paraísos fiscais.

Montenegro criou a empresa GRV, que administra o gravame no Brasil. O gravame é um mecanismo que visa a garantir que ninguém passe adiante um carro financiado, que ainda não foi pago. Na prática, é um número que identifica o carro. Todo carro comprado por financiamento tem gravame, e isso vale para cerca de 70% de todos os carros vendidos no País.

Ou seja: um serviço público está sob controle de uma empresa privada, e sem que tenha havido concorrência pública. Isso gerou enriquecimento meteórico e questionável de Carlos Augusto Montenegro e seus sócios, rendendo cerca de R$ 180 milhões por ano. Mesmo tendo vendido a GRV em 2005 para outra empresa, a Cetip, em transação que rendeu R$ 2 bilhões, Montenegro e seus sócios continuaram influindo no negócio, ao manterem cerca de 5% das ações da nova empresa.

Pouco depois de assumir o serviço de administração dos gravames pelo Brasil, Montenegro abriu empresas em paraísos fiscais, como as Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. Pelos papéis obtidos pela reportagem, constata-se que as empresas de Montenegro no exterior trazem dinheiro para suas empresas no Brasil.

Um detalhe chama a atenção: Solange Montenegro, irmã do dono do Ibope, aparece nas duas pontas das transações. Ela é procuradora de uma das empresas sediadas em paraíso fiscal, de onde o dinheiro sai, e sócia de uma das empresas no Brasil, onde o dinheiro entra. A procuração para que ela possa movimentar esse dinheiro todo foi emitida por outra empresa de Montenegro em paraíso fiscal.

Um esquema semelhante ao utilizado por Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, investigado pela Polícia Federal. A exemplo do esquema montado por Montenegro, quem assina os documentos nas duas pontas da operação é um irmão de Teixeira, Guilherme Terra Teixeira. As revelações desse esquema derrubaram Ricardo Teixeira do comando do futebol brasileiro.

Cada ponto no Ibope corresponde a cerca de 60 mil domicílios na Grande São Paulo.

Assista à reportagem do Domingo Espetacular abaixo:


http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/domingo-espetacular-cai-no-ibope-em-dia-de-denuncia-contra-dono-do-instituto-20120723.html

SUS distribuirá remédio contra câncer. Chora, Kamel, chora !

Para disponibilizar o remédio em unidades públicas de saúde, serão necessários R$ 130 milhões ao ano.



Saiu no Valor (o PiG (*) chic):

SUS vai distribuir novo remédio de alto custo contra câncer de mama


O Ministério da Saúde informou nesta segunda-feira (23) que vai incorporar o medicamento Trastuzumabe, utilizado no combate ao câncer de mama, ao Sistema Único de Saúde (SUS). O remédio de alto custo reduz as chances de reincidência da doença e diminui em 22% o risco de morte das pacientes.

De acordo com a pasta, o medicamento é considerado um dos mais eficientes no combate ao câncer de mama e também um dos mais procurados.

Em 2011, o governo federal gastou R$ 4,9 milhões para atender a um total de 61 pedidos judiciais que determinavam a oferta do remédio. Este ano, já foram gastos R$ 12,6 milhões com a compra do Trastuzumabe por ação judicial.

Para disponibilizar o remédio em unidades públicas de saúde, serão necessários R$ 130 milhões ao ano.

A incorporação foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) para o tratamento de câncer de mama inicial e avançado e integra as ações do Plano Nacional de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Colo do Útero e de Mama, lançado no ano passado.

A partir da publicação no “Diário Oficial da União”, o SUS tem prazo de 180 dias para iniciar a oferta do medicamento.

Segundo o ministério, o câncer de mama é o segundo tipo mais comum no mundo e o mais frequente entre mulheres, com uma estimativa de mais de 1,15 milhão de novos casos a cada ano. A doença é responsável ainda por 411.093 mortes anualmente.

No Brasil, a estimativa é que 52.680 novos casos sejam detectados de 2012 a 2013. Em 2010, foram notificadas 12.812 mortes por causa da doença no país.

(Paula Laboissière | Valor)



Clique aqui para ler “Quem faz a cabeça da Globo: SUS ? Fecha !”.


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Record escancara os negócios suspeitos do dono do IBOPE

Ontem [22], o "Domingo Espetacular" - da Record - exibiu reportagem investigativa sobre os negócios suspeitos do dono do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro.


O 'NOVO NORMAL'

* Mercados tiram o couro da Espanha nesta manhã de 2ª feira: investidores exigem juros da ordem de 7,5% para financiar a nova 'grécia' do euro** Endinheirados brasileiros têm o equivalente a um terço do PIB nacional guardado em paraísos fiscais**é a 4ª maior soma mundial nessa modalidade de fuga e evasão fiscal, algo como US$ 520 bi, num volume global de cerca de US$ 9,3 tri (McKinsey/Tax Justice Network).




Ricos brasileiros têm quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais

Rodrigo Pinto Da BBC Brasil em Londres

Os super-ricos brasileiros detêm o equivalente a um terço do Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas do país em um ano, em contas em paraísos fiscais, livres de tributação. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.

A informação foi revelada este este domingo por um estudo inédito, que pela primeira vez chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore, sobre as quais as autoridades tributárias dos países não têm como cobrar impostos.

O documento The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) em paraísos fiscais.

O estudo cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor.

Em 2010, o Produto Interno Bruto Brasileiro somou cerca de R$ 3,6 trilhões.

'Enorme buraco negro'
O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais.

Henry estima que desde os anos 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$ $ 7,3 trilhões para US$ 9,3 trilhões a "riqueza offshore não registrada" para fins de tributação.

A riqueza privada offshore representa "um enorme buraco negro na economia mundial", disse o autor do estudo.

Na América Latina, chama a atenção o fato de, além do Brasil, países como México, Argentina e Venezuela aparecerem entre os 20 que mais enviaram recusos a paraísos fiscais.

John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais e que encomendou o estudo, afirmou à BBC Brasil que países exportadores de riquezas minerais seguem um padrão. Segundo ele, elites locais vêm sendo abordadas há décadas por bancos, principalmente norte-americanos, pára enviarem seus recursos ao exterior.

"Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm oferecendo este serviço. Como o governo americano não compartilha informações tributárias, fica muito difícil para estes países chegar aos donos destas contas e taxar os recuros", afirma.

"Isso aumentou muito nos anos 70, durante as ditaduras", observa.

Segundo o diretor da Tax Justice Network, além dos acionistas de empresas dos setores exportadores de minerais (mineração e petróleo), os segmentos farmacêutico, de comunicações e de transportes estão entre os que mais remetem recursos para paraísos fiscais.

"As elites fazem muito barulho sobre os impostos cobrados delas, mas não gostam de pagar impostos", afirma Christensen. "No caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam blefando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo".

Chistensen afirma que no caso de México, Venezuela e Argentina, tratados bilaterais como o Nafta (tratado de livre comércio EUA-México) e a ação dos bancos americanos fizeram os valores escondidos no exterior subirem vertiginosamente desde os anos 70, embora "este seja um fenômeno de mais de meio século".

O diretor da Tax Justice Network destaca ainda que há enormes recursos de países africanos em contas offshore.


  
Ao mesmo tempo em que demonstra  infinita capacidade de se multiplicar enquanto capital fictício, o capitalismo financeiro impõe normas e interditos à sociedade que a impedem de ativar seu pleno potencial produtivo. Esses limites ficam transparentes na crise. Nos EUA já se especula que uma taxa de desemprego da ordem de 8% seria o 'novo normal'. Na Europa, admite-se que uma década de atividade rebaixada, até a conclusão do ciclo de ajuste, seria o novo normal do euro.Eventos climáticos extremos são reportados como o novo normal, dada a impossibilidade de se carrear recursos para projetos globais de reordenação energética e controle de emissões. A fome que atinge 815 milhões de pessoas no século XXI seria, igualmente, um traço constitutivo dessa 'nova normalidade'. Ela evidencia uma espécie de corner histórico.
 

Desaprovação a Kassab é o grande fato da eleição em SP

Pela lógica, a eleição para prefeito de São Paulo – que se conecta com as eleições de 2014 – deveria estar decidida. Está no páreo José Serra, aquele que, depois de Lula, talvez seja o político mais conhecido hoje no Brasil. Essa “lógica”, porém, não está funcionando.
Ex-candidato a presidente duas vezes, ex-governador do Estado mais rico e ex-prefeito da capital paulista, do alto de uma carreira política de mais de 40 anos deveria surrar os candidatos neófitos que disputam consigo. Todavia, suas perspectivas parecem cada vez menos consistentes.
Pesquisa Datafolha sobre a sucessão municipal de São Paulo divulgada no fim de semana revela uma piora surpreendente das perspectivas de Serra. Para os outros candidatos, porém, a pesquisa foi inócua. Quase todos são ilustres desconhecidos, o que, com a TV, deve mudar em breve.
Para Celso Russomano, único razoavelmente conhecido, mas candidato por uma minúscula legenda de aluguel, a pesquisa não diz nada. É herdeiro dos eleitores que se afastaram de Serra e não sabem para onde ir. Segundo o Datafolha, grande parte de seu eleitorado vota tradicionalmente no PT e não sabe quem é o candidato petista…
O maior beneficiário do atual quadro eleitoral é Fernando Haddad. Quase 40% do eleitorado paulistano se diz disposto a votar no candidato indicado por Lula e esse é o percentual dos que não conhecem o candidato do PT. Seu espaço para crescimento é enorme.
Gabriel Chalita não tem padrinho político forte e seu partido, o PMDB, não tem tradição de chegada em São Paulo. Quanto a Soninha, não vale a pena nem gastar uma análise. Sua candidatura é uma invenção de Serra e vai virar pó rapidamente.
E quanto aos outros candidatos, nem mesmo pontuam nas pesquisas e não haverá o que mude isso.
Na origem desse quadro está o prefeito Gilberto Kassab. Sua administração mal-avaliada é o que está enterrando Serra. No início do ano, a aprovação do prefeito estava até melhor (22%). Em março subiu um pouco e se esperava que conforme fosse sendo lembrada a sua ligação com Serra, melhoraria.
Ocorreu o contrário. Após Kassab declarar publicamente seu apoio a Serra e de este anunciar que faria campanha pela “continuidade” em São Paulo, ambos perderam apoio. A aprovação do prefeito (20%) está menor que em janeiro, sua reprovação foi a 39% e a rejeição a Serra aumentou para 37%.
Tudo isso se conecta com o noticiário cada vez mais inevitável sobre a explosão da violência e da criminalidade em São Paulo e com o estado de espírito do paulistano diante de um cotidiano que já se tornou insuportável.
São Paulo está imunda, uma legião de moradores de rua vaga desorientada pela cidade, a sensação de insegurança já atingiu níveis alarmantes, enfim, não se consegue achar praticamente nenhum paulistano que se diga satisfeito com a sua cidade.
Tampouco se consegue achar quem defenda Kassab. Mesmo os antipetistas mais convictos não têm coragem de defendê-lo. Daí o inchaço de Soninha, quem só serve para os que votam com o fígado e não têm coragem de assumir voto no padrinho político da Geni da eleição deste ano.
A rejeição de Kassab perdeu o caráter apolítico que tinha no início de 2012. O paulistano manifestava desgosto pelo governo que elegeu mas não tinha sido provocado a pensar em sobre por que o elegeu. Agora, está pensando. E está se enfurecendo.
É o efeito Celso Pitta. Serra criou Kassab e, de certa forma, ao abandonar a prefeitura nas mãos dele foi como se tivesse dito a frase de Maluf sobre a sua criatura, de que se Pitta não fosse um grande prefeito ninguém deveria mais votar em si.
Quando a campanha começar mesmo, Serra terá o apoio costumeiro da mídia e o antipetismo de parcela expressiva do eleitorado paulistano será açulado. Todavia, em 2012 há um fator que não existiu em 2008 e muito menos em 2004: São Paulo não estava tão mal, naqueles anos.
Como já se disse incontáveis vezes nesta página, ninguém está agüentando mais viver em São Paulo. Uma pessoa que se atrasa para chegar em casa deixa a sua família em pânico. O cidadão sai estressado de manhã para trabalhar e à noite volta histérico para casa.
Não há antipetismo que resista a um cotidiano como esse. As pessoas estão propensas a refletir sobre novos rumos para a cidade.
O desastre político e administrativo de Kassab, portanto, é o que está causando essa indefinição no quadro eleitoral de São Paulo. Repito: não fosse a insatisfação do paulistano com a cidade, Serra, a esta altura, deveria estar praticamente eleito.
A julgar pelo anúncio feito inicialmente pelo tucano de que faria campanha pela “continuidade” administrativa em São Paulo – ou seja, por mantê-la no rumo em que está –, ele deve ter subestimado o descontentamento da população.
Pode-se prever, assim, que Serra tentará se afastar de Kassab durante a campanha. Se assumir sua ligação com ele, será suicídio. Todavia, desvincular-se de sua cria política parece praticamente impossível, a esta altura. Os outros candidatos não permitirão.

domingo, 22 de julho de 2012

O LINHÃO DO VIRA-LATA


É provável que o Discovery Channel faça um documentário sobre essa obra.
Na TV brasileira ninguém mostrou nada, o próprio governo não divulgou nada.
Uma das maiores obras desse tipo no mundo. É assim aqui no Brasil...
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Trecho C do Linhão de Tucuruí tem 76% das obras concluídas
O trecho C da linha de transmissão de energia que ligará o estado do Amazonas ao Sistema Interligado Nacional (SIN), chamada "Linhão" de Tucuruí, está com 76 por cento das obras concluídas, informou a Eletrobras em nota nesta quarta-feira.

Já as subestações do trecho estão com 83 por cento das obras concluídas.

"Com esse resultado, não mediremos esforços para que, até outubro ou novembro deste ano, o trecho Oriximiná-Manaus seja concluído", disse o diretor técnico do consórcio Manaus Transmissora de Energia, Paulo Sérgio de Oliveira, em nota divulgada.

O único obstáculo na construção do trecho, segundo Oliveira, são as chuvas, que já causaram atrasos principalmente em locais de difícil acesso como na região da Estrada da Várzea, no município de Itapiranga, e na região do Parque Nhamundá, em Nhamundá.

A estimativa da Eletrobras é que todo o Linhão de Tucuruí esteja concluído até o primeiro semestre do ano que vem, permitindo a conexão do Amazonas ao sistema interligado.

Fonte: Reuters / Por Anna Flávia Rochas
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Linhão Tucuruí-Macapá-Manaus
A linha de Transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus permitirá a integração dos estados do Amazonas, Amapá e do oeste do Pará ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Com aproximadamente 1.800 quilômetros de extensão total em tensões de 500 e 230 kV em circuito duplo, passará por trechos de florestas e vai atravessar o Rio Amazonas.
Por se tratar de uma obra complexa e realizada predominantemente na floresta amazônica foi definido um projeto compatibilizado com as orientações do órgão ambiental, buscando mitigar os impactos ambientais decorrentes, tais como alteamento de torres, uso deestruturas autoportantes e adoção de apenas picada para lançamento de cabos. Os investimentos previstos são da ordem de R$ 3 bilhões.

  • Linhão permitirá a integração dos estados do Amazonas, Amapá e do oeste do Pará ao Sistema Interligado Nacional (SIN)
Além de interligar sistemas isolados do extremo norte, a nova linha vai diminuir o custo com geração termelétrica. A conclusão da obra do “linhão”, como é chamada a linha detransmissão, possibilitará ao País uma economia de R$ 2 bilhões por ano. Com isso, o cálculo é de que a linha se pagará em pouco mais deum ano e o fornecimento predominante será de energia limpa e renovável. Com o fim do uso decombustível fóssil, cerca de 3 milhõesde toneladas de carbono deixarão deser lançados na atmosfera.
O edital para a licitação da linha foi publicado pela Agência Nacional deEnergia Elétrica (Aneel) em março de2008. A SPE Manaus Transmissora de Energia S/A vai construir o trecho Oriximiná / Silves / Lechuga, em 500 kV, com extensão de 586 km, nos estados do Amazonas e Pará. As empresas participantes são Eletronorte, Chesf e a espanhola Abengoa.
A empresa espanhola Isolux venceu os outros dois lotes, o lote “A” que liga Tucuruí a Jurupari, em 500 kV, e o lote “B” que liga Jurupari a Oriximiná, em 500 kV e Jurupari a Macapá, em 230 kV. Esses trechos têm conclusão prevista para junho de 2013 edezembro de 2012, respectivamente. Cerca de 4 mil operários trabalharam na execução da linha.
Em abril de 2011, foi concluída a montagem da primeira torre da linha de transmissão que ligará a Usina Hidrelétrica Tucuruí a Manaus, Macapá e dezenas de cidades do interior. A torre situada no trecho entre Oriximiná e a Subestação Engenheiro Lechuga, na capital amazonense, tem 62 metros de altura – o equivalente a um prédio de 20 andares, e pesa 24 toneladas.
O projeto da interligação faz parte do Programa de Expansão de Transmissão (PET) 2008-2012, desenvolvido com o objetivo de levantar as obras necessárias à expansão da redebásica. O “linhão” integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.
Os estudos preliminares sobre a viabilidade do projeto, que liga Tucuruí a Manaus e atende também o Amapá, surgiram no final dos anos 1980. Os levantamentos foram retomados em 2004, com a aprovação das leis que instituíram o novo marco regulatório do setor elétrico. Em 2007, o projeto do “linhão” foi apresentado.
Foram avaliadas várias alternativas para o traçado da linha para encontrar a que ofereceria menor impacto ambiental. Inicialmente foram consideradas seis opções. O tipo devegetação e o uso do solo foram pontos decisivos na escolha. Quando havia interferência em áreas legalmente protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação, foi feita mudança no traçado. Outro ponto importante do projeto diz respeito à travessia derios. O Amazonas, por exemplo, chega a ter até dez quilômetros de largura em alguns pontos. O sistema permite acrescentar um terceiro circuito à linha no futuro, usando o mesmo corredor.

PSOL replica e o Blog treplica em debate da candidatura Giannazi

Foi com satisfação que recebi carta do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) enviada em réplica à carta aberta ao candidato desse partido a prefeito de São Paulo, Carlos Giannazi, que escrevi há alguns dias. Quem assina a resposta é Maurício Costa de Carvalho, presidente do PSOL paulistano.
Quando menos, os termos em que os dois textos foram escritos constituem salutar exercício de debate político em alto nível, tão escasso nesta época de ataques rasteiros, maledicências, xingamentos, calúnias e tudo mais que vem degradando a política brasileira.
É sob tal espírito que este Blog publica – e treplica – a réplica do PSOL a considerações que fez não apenas sobre a (excelente) candidatura do professor e deputado estadual Carlos Giannazi – que só faz engrandecer a disputa pelo cargo de prefeito da capital paulista –, mas sobre o próprio partido.
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É possível mudar São Paulo sendo coerente
Caro Eduardo Guimarães,
Há alguns dias, após um debate promovido pela revista Fórum, você escreveu uma “carta aberta” ao candidato a prefeito do PSOL em São Paulo Carlos Giannazi. Embora teça elogios pessoais ao psolista, sentimos que a ideia da “carta” é mais um esforço de tentar colar em Giannazi a pecha de “bom político, mas incapaz de governar” e assim indiretamente ocultar as imensas contradições da candidatura Haddad que você defende.
Carlos Giannazi, a quem você tece elogios sinceros por sua trajetória irreparável de luta e coerência, não poderia ser candidato a prefeito nem estar em outro partido. O mesmo pode ser dito de Plínio de Arruda Sampaio, Marcelo Freixo, Luciana Genro, Heloísa Helena e tantos outros, muitos que saíram ou “foram saídos” do PT justamente pelo mais importante de suas histórias: a coerência com suas bases sociais e a convicção de que é possível fazer política sem se vender.
Por tudo isso faço questão de responder em nome do PSOL e de maneira respeitosa e franca a sua carta. Em respeito também àqueles moradores de São Paulo que acreditam na necessidade histórica de superar os seguidos desgovernos da direita elitista representada pelo PSDB, queremos discutir a necessidade de fortalecer uma alternativa que infelizmente o PT de Haddad não representa, precisamente porque fez a opção de moldar sua política na fôrma que tucanos forjaram.
Vamos aos pontos.
O preço das alianças
A afirmação de que o PSOL não faz alianças não é verdadeira e foi prontamente respondida por Giannazi durante a entrevista (aos 39min15s). O PSOL faz alianças, mas com limites e princípios. Vejamos o caso de Maluf. Maior corrupto brasileiro, criminoso procurado pela Interpol, já foi preso, teve seus bens bloqueados, foi condenado a devolver R$ 716 mi aos cofres públicos do estado e ainda deve outras dezenas de milhões que roubou da cidade de São Paulo em suas desastrosas gestões com Pitta e Kassab.
Esse sujeito e seu partido são entulhos da ditadura militar. Maluf construiu o Cemitério de Perus para abrigar as ossadas dos desaparecidos políticos e regularizou o centro de tortura do DOI-CODI. Estamos opostos a Maluf em termos humanitários, políticos, administrativos, éticos, morais… Como então nos aliarmos para um projeto de cidade? Para o PSOL é impossível, para o PT de Haddad não.
As alianças são muito mais do que divisões por tempo de TV. A de Lula com Maluf concedeu ao PP o Ministério das Cidades, terceiro maior orçamento da esplanada, responsável pelas obras da Copa e pela construção de metrôs nas cidades. Hoje é um duto de corrupção do pior tipo, em consórcio com as empreiteiras. Não por acaso as obras da Copa são um desastre e “falta verba” para o metrô em São Paulo. Fico me perguntando qual a secretaria ocupada por Maluf em um hipotético governo Haddad. Das finança$? Das obras? Da segurança, para colocar “a Rota na rua”? Ou da educação, para quem “professora não é mal paga, é mal casada”?
Na esteira da chapa petista a vereadores desse ano está gente como Wadih Mutran, com imensa coleção de escândalos na cidade, tendo “milagrosamente” dobrado seu patrimônio milionário em 4 anos. Qual a diferença entre eleger “a direita demo-tucana e seus satélites” e Mutran? Contando que a maioria dos vereadores da atual legislatura – inclusive vários do PT – são financiados por empreiteiras e construtoras que transformaram a prefeitura e a câmara em reféns, como fazer para mudar esse quadro? Nenhum vereador – do PSDB, do PT ou do PSD – teve coragem de lutar por uma CPI contra a Máfia dos Imóveis de Kassab. Por que será?
Para quem se administra?
Caro Eduardo, nossas diferenças com o PT não são administrativas, como você sugere, são estratégicas, de projeto. Você afirma em sua carta que a redução de gastos da educação em 6% e a criação de taxas que oneravam diretamente os pobres e os trabalhadores no governo petista seriam “medidas administrativas inevitáveis”. Tal visão reproduz uma velha máxima da direita tucana: distribuir as sobras do orçamento para os pobres quando a maré vai bem e retirar direitos dos mesmos – o elo mais fraco da corrente – quando vai mal.
Por que a prefeitura petista não engordou os cofres com a cobrança da imensa dívida ativa de grandes empresas e especuladores? Por que não taxou transações financeiras do município e as grandes fortunas paulistanas? Por que não atacou os corruptos? Diga-se de passagem, a redução de verbas da educação e a criação das taxas do lixo, da luz, etc. foram construídas por Haddad enquanto ele era chefe de gabinete de João Sayad, ex-secretário de Serra, ex-ministro de Sarney e o responsável no governo tucano de hoje por promover o desmonte que a TV Cultura vem passando.
É possível fazer mudanças reais com coerência
Como Haddad poderá ser o novo de São Paulo se recebe R$ 90 milhões na campanha das mesmas construtoras, empreiteiras, bancos e multinacionais que financiam Serra? Ser “factível, racional, prevendo todas as dificuldades” é saber especialmente o preço que se paga pelas opções e compromissos na política.
É justamente por sabermos o preço das alianças e das opções que são feitas na política que optamos por outro caminho, criterioso e coerente. O PSOL é o partido mais bem avaliado do Congresso não só porque tem excelentes quadros, parlamentares, com experiência parlamentar e administrativa como Chico Alencar, Ivan Valente, Jean Wyllys e Randolfe Rodrigues. Nossa virtude é que não abandonamos o que há de vivo na política: a organização independente da sociedade e o compromisso com o povo.
Aliás, foi fundamentalmente assim que Edmilson Rodrigues, atual candidato a prefeito de Belém pelo PSOL com 47% das intenções de voto, governou a cidade em uma experiência que muitos petistas abandonaram. Vale conhecer a história do Congresso da Cidade, da mobilização e dos enfrentamentos feitos por Edmilson que o tornaram a grande liderança popular na cidade. E, por favor, isso nada tem a ver com “um projeto autocrático sob discurso de que um prefeito pode fazer tudo o que quiser coagindo o Legislativo com grupos de pressão”. Essa “reginaduartização” da política não ajuda nem um pouco no debate.
Greve das federais: um exemplo
Cito outro caso que ilustra bastante nosso debate: a atual greve das universidades federais. São quase 100 dias de greve contra um modelo construído por Haddad que se iguala ao projeto educacional do PSDB no governo paulista na expansão precarizada da educação e no arrocho salarial dos profissionais de educação. Ainda pior: como na USP PSDBista, o PT mandou reprimir os estudantes e ainda propôs o corte de ponto dos grevistas. “Modernidade administrativa” você diria? “O pior do modelo de direita da criminalização das lutas sociais”, diríamos nós.
Aliás, pela gravidade do tema, aproveito para fazer um apelo. Nesse momento onde a mídia corporativa simplesmente se calou diante de uma das maiores greves universitárias da história, não consegui achar no seu blog da cidadania nenhuma linha de apoio, de solidariedade, de crítica ao governo por nem ao menos ter sentado para negociar com os professores e trabalhadores das universidades em meses.
A mudança que São Paulo quer
Por fim Eduardo, quero deixar claro que coincidimos em um ponto: São Paulo precisa de mudança e do fim da velha política de PSDB e satélites. Contudo é impossível ser “o novo” que a cidade precisa reproduzindo a essência dessa velha política no financiamento de campanha milionário, nas alianças, na política econômica, nas práticas corruptas, nos candidatos impostos desrespeitando a base partidária e a história do partido, como faz o PT.
A mudança que São Paulo precisa não pode ser pincelar um verniz do “novo” em uma estrutura devorada pelos cupins. E política não é guerra de torcidas, não é competição de marketing nem de quem tem mais tecnocratas. É disputa de projetos, de opções.
E nós acreditamos que é possível, caminhando com os pés firmes no chão, construir uma nova rota em direção a uma vida onde a justiça social e a liberdade não sejam mera fraseologia. Para tanto é necessário que as contradições do deserto do real sejam enfrentadas com independência, firmeza e coerência, o que falta à miséria da política que vemos hoje.
Como disse ao Rovai, espero uma nova oportunidade de debate sobre os projetos de Giannazi e do PSOL para São Paulo.
Saudações ensolaradas, 
Maurício Costa de Carvalho
Professor, geógrafo e presidente do PSOL na cidade de São Paulo.
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Tréplica do Blog ao PSOL de São Paulo
Caro Maurício,
Devo iniciar refutando vossos sentimentos (do PSOL, imagino) sobre a natureza da carta aberta que escrevi ao deputado Carlos Giannazi: não fiz esforço algum para tentar colar coisa alguma nele, até porque o desempenho eleitoral do PSOL, desde a sua criação, mostra que a “pecha” de partido com bons políticos, mas incapazes de governar, já está colada nele.
Não é por outra razão que o PSOL não tem um único vereador na capital paulista. A população de São Paulo, com efeito, ainda não sentiu confiança no partido para lhe dar sequer um assento no Legislativo, situação que se espraia pelo país, onde o PSOL tem uma representação para lá de diminuta, tendo apenas três deputados federais e um senador.
Tampouco defendo qualquer “contradição” da candidatura Fernando Haddad; apenas simpatizo com ela. No máximo, então, posso estar enganado quanto ao candidato no qual pretendo votar. Atribuir-me “defesa de contradições” de quem quer que seja é uma forma de desqualificar meus argumentos relativos a Giannazi e ao PSOL.
Sobre as “contradições” que o seu grupo vê na candidatura Haddad, Maurício, que, obviamente, referem-se ao desempenho do ex-ministro à frente da pasta que pilotou ao longo do mandato de Lula e durante o período inicial do atual governo do Brasil, discordo delas.
Em minha opinião, o desempenho de Haddad como ministro foi excelente. Destaco as cotas para negros e pobres nas universidades públicas, o Prouni e o Enem, políticas aprovadas por maioria esmagadora dos brasileiros e que estão produzindo um fenômeno que a sociedade já começa a perceber: os eternos excluídos do ensino superior finalmente estão chegando a ele.
Só esse ponto da obra de Haddad à frente do Ministério da Educação já mostra que não é verdadeira a sua premissa de que o PT “fez a opção de moldar sua política na fôrma que tucanos forjaram”, haja vista que estes combatem ferozmente as políticas afirmativas petistas que estão levando centenas de milhares de jovens pobres e negros à universidade.
Sobre o “preço das alianças”, em primeiro lugar há que dizer que foi inútil expor a este blogueiro quem é Paulo Maluf e tudo o que pesa contra ele, pois, afinal, estou entre aqueles que mais combateram esse político ao longo de mais de trinta anos. Isso sem falar que fui o primeiro a criticar a aliança entre o PP e o PT paulistanos, tendo, inclusive, feito denúncia contra Maluf um dia antes de ser formalizada a aliança com seu partido.
Apesar de concordar com você, Maurício, que essa aliança foi um erro porque agregará muito pouco benefício ao grande desgaste que gerou inclusive no próprio PT – o que mostra que o partido mantém sua coerência –, penso que o discurso do PSOL sobre alianças políticas é representativo da falta de visão do partido sobre a natureza da democracia representativa.
Vale registrar que é conversa que o PP ganhou o Ministério das Cidades por ter se aliado ao PT na capital paulista; esse ministério foi entregue ao PP muito antes de sua aliança com o PT ser formalizada.
Sobre alianças, há Malufs em quase todos os grandes partidos, menos no PT – aponte-me um só político como ele filiado ao PT, se puder. Se não puderem ser feitas alianças com os grandes partidos porque o povo decidiu eleger alguns desses Malufs a eles filiados, não sei como qualquer sigla governará qualquer coisa no Brasil…
Aliás, a quase inexistente experiência administrativa do PSOL desde a sua criação mostra exatamente isso, que, sem alianças, o máximo que um partido pode fazer é ficar gritando e acusando sem realizar nada.
Sem alianças, o Brasil não seria o que é hoje, em que pese tudo de descomunal que ainda resta fazer neste país. Preciso dizer quanto o Brasil mudou porque o PT aprendeu a fazer alianças? Não preciso, o povo brasileiro e o mundo, em maioria avassaladora, reconhecem o que foi feito. Se o PSOL não reconhece – assim como o PSDB, o DEM e a mídia –, paciência.
A democracia representativa, porém, obriga a classe política a respeitar mandatos concedidos pelo povo. Se o povo vota “errado”, é outra história. Maluf – bem como seus congêneres – foi brindado com mandato popular, ou seja, representa um setor da sociedade. Há que reconhecer esse fato e a Constituição brasileira, que nos obriga a tanto.
Outro fato que me preocupa, caro Maurício, é sua carta-resposta desconhecer a situação em que estava São Paulo quando Marta Suplicy assumiu sua prefeitura. Preocupa-me ainda mais você desconhecer a imensa obra social dela e um dos melhores projetos para a Educação, os CEUs, desmontados pela gestão demo-tucana posterior.
Pior ainda é você criminalizar as doações de campanha a Haddad como se ele fosse uma exceção. Ora, as regras do jogo são essas. Como ele ou qualquer outro político farão campanha sem dinheiro? Melhor seria defender o financiamento exclusivamente público de campanhas, um projeto que o PT, em boa parte, defende.
Sim, Chico Alencar, Ivan Valente, Jean Wyllys e Randolfe Rodrigues são excelentes políticos. Votaria em qualquer um deles, mas há bons políticos em várias legendas. Isso só mostra que não se pode criminalizar partidos inteiros. Quando muito, pode-se divergir de suas linhas programáticas.
O discurso moralista e acusatório do PSOL ainda não pode ser levado a sério. Só no dia em que o partido administrar cidades e Estados é que poderá ser testado. O PSOL, como você bem mostrou em seu texto, ainda não administrou praticamente nada, de forma que não se sabe que resultado teria sua política de não fazer alianças.
E, claro, só quando o PSOL começar a governar mesmo é que saberemos se é realmente esse partido de anjos como se apresenta ou se a natureza humana, que sempre abriga exceções desonestas, pode se fazer sentir nessa honrada legenda.
O mote de sua resposta, Maurício, é o de que é possível mudar São Paulo sendo “coerente”. Preocupa-me o que você chama de “coerência”, que pode ser outro nome para fundamentalismo. É coerente querer governar alguma cidade, Estado ou o país sem alianças políticas, só colocando o povo para pressionar parlamentares nas galerias?
Você me disse que Giannazi respondeu que o PSOL faz, sim, alianças, mas com “limites e princípios”. Ora, isso é muito vago. Ele não me respondeu com quem governaria São Paulo. Sendo franco: enrolou. Faria aliança com o PT, com o PSDB, com o DEM, com o PMDB ou com o PSD? Pelo que o PSOL diz desses partidos, não faria.
Ora, como vou entregar o governo da minha cidade – que está um caos – a um partido que não terá sequer base de apoio legislativo para mudar qualquer coisa? Explique-me, de forma convincente, e levarei a sério a candidatura do partido a prefeito de São Paulo.
Dê-me o direito de não acreditar nessa candidatura, meu caro. Até porque, infelizmente boa parte dos Legislativos é composta por representantes de setores organizados e poderosos da sociedade, sobretudo de grupos econômicos, de forma que a maioria dos vereadores daria uma banana à pressão das galerias e agiria sob os interesses que a elegeram.
Política é negociação. Não se pode, simplesmente, desconhecer que aqueles políticos daquele determinado partido receberam um mandato de um setor da população para representá-lo. Há que respeitar esses mandatos, por mais que se discorde de terem sido concedidos. Isso se chama democracia. É ruim? Talvez, mas ainda não inventaram nada melhor.
Quero lhe garantir, Maurício, que não tenho qualquer vínculo com o PT, com sindicatos, com movimentos sociais de qualquer tipo – menos com o Movimento dos Sem Mídia, do qual sou fundador e presidente. Dessa maneira, meu intuito é só o de ajudar a eleger o melhor candidato para São Paulo.
Estive no Pinheirinho, estive na Cracolândia, vejo o higienismo que a prefeitura demo-tucana promove em São Paulo. A nossa cidade está indo para o buraco, Maurício. Temos que livrá-la dessa gente. Todavia, ficará mais difícil se o PSOL fizer, mais uma vez, o jogo da direita, ajudando-a a derrotar o único candidato capaz de derrotá-la: Fernando Haddad.
Saudações “ensolaradas” a você também, companheiro.
Eduardo Guimarães

Celpa, a privataria tucana. Cadeia pra todo mundo !

Na privataria, o Grupo Rede é acusado de ter transferido R$ 700 milhões de reais da Celpa a outras empresas do grupo.


Saiu no Viomundo:

Cláudio Puty: Celpa, um caso clássico de Privataria Tucana


por Luiz Carlos Azenha

A Celpa, Centrais Elétricas do Pará, está em recuperação judicial.

No popular, faliu.

De acordo com o deputado federal Cláudio Puty (PT-PA), é um caso clássico de Privataria Tucana.

A Celpa foi privatizada em 1997. O presidente da República era Fernando Henrique Cardoso. O ministro encarregado da desestatização era José Serra. E o governador do Pará era Almir Gabriel.

O Grupo Rede comprou a Celpa em 1997 com dinheiro da União. O estado do Pará foi avalista do negócio.

Como a Celpa não pagou o que devia, o Fundo de Participação (FPE) do Pará tem sido descontado mensalmente.

Hoje um dos estados que mais produzem energia elétrica no Brasil, exportador de energia (segundo Lúcio Flávio Pinto) sofre com apagões.

Sim, o Pará da hidrelétrica de Tucuruí sofre com apagões.

O programa Luz Para Todos está paralisado no Pará.

Na privataria, o Grupo Rede é acusado de ter transferido R$ 700 milhões de reais da Celpa a outras empresas do grupo.

Segundo o deputado Puty, “isso fragilizou, de maneira mortal, as Centrais Elétricas do Pará”.

O deputado também denuncia a ação tíbia da ANEEL, a Agência Nacional de Energia Elétrica.

Terceiro escândalo, segundo Cláudio Puty: o interventor judicial da Celpa, indicado pela Justiça do Pará, é o advogado eleitoral do atual governador do Estado, Simão Jatene, que teve papel importante, lá atrás, em 1997, na privatização da empresa.

Trocando em miúdos: o governo tucano do Pará atua nas duas pontas do negócio, como credor e devedor da Celpa.

Cláudio Puty acredita que, agora, o objetivo é obter a re-privatização da Celpa, com o uso de dinheiro público e o aumento das tarifas cobradas dos consumidores de energia paraenses.

Por isso, ele defende que a Celpa seja federalizada.

Quanto ao quarto escândalo, está no fato de que o assunto ‘sumiu’ da imprensa do Pará.

Blogueiros paraenses, inclusive Lúcio Flávio Pinto, atribuem isso a dívidas que empresas de comunicação do estado teriam com a Celpa.

Para quem se interessar pela briga entre o Grupo Maiorana (Globo) e as empresas de comunicação de Jader Barbalho, no Pará, leiam isso.

O fato é que a Privataria Tucana, no caso da Celpa, ficará longe da mídia, a não ser que você nos ajude a difundí-la nas mídias sociais.

Para ouvi a entrevista, clique aqui.