Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Com medo de morrer, delator do mensalão tucano fica em presídio de segurança máxima e se diz perseguido por Aécio


Monteiro: um encontro nos bastidores do Fórum

Por Lúcia Rodrigues, de Belo Horizonte*, especial para o Viomundo

Quem vê aquele homem de cabelo grisalho, algemado, com uniforme de presidiário e chinelo de dedo nos pés, sendo escoltado por dois policiais militares pelos corredores do Fórum Lafayette, no centro de Belo Horizonte, não tem ideia de que se trata da mesma pessoa que entregou à Polícia Federal um esquema de corrupção do PSDB.
Nilton Monteiro é a principal testemunha contra a cúpula do partido em Minas Gerais. Em 2005, revelou a trama urdida pelos tucanos para desviar dinheiro público para o financiamento das campanhas de Eduardo Azeredo à reeleição ao governo do Estado e de parlamentares de vários partidos, em 1998.
Preso desde maio de 2013, agora no complexo penitenciário de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de BH, sob a acusação de coagir testemunhas em um processo em que aparece como falsário, Monteiro decide denunciar quem tem interesse em vê-lo atrás das grades. Ele se declara inocente e jura ser vítima de uma armação de políticos denunciados no esquema do mensalão tucano, que querem mantê-lo na cadeia afastado dos holofotes.
O nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG) encabeça a relação. “Por detrás da minha prisão está o Aécio Neves… Eu fui operador do esquema junto com o Marcos Valério”, frisa.

A lista com os nomes dos políticos arrolados no mensalão tucano é extensa. O senador Aécio Neves, pré-candidato à Presidência da República, é um dos que aparecem, como beneficiário de R$ 110 mil.
O dinheiro chegou a suas mãos pelo esquema do publicitário Marcos Valério, que esquentava os recursos públicos nas agências de publicidade que comandava: a SMP&B e a DNA, as mesmas empresas acusadas de servir ao mensalão petista anos mais tarde.
Dois pesos e duas medidas
Apesar de a lista do mensalão tucano ou mineiro, como a grande mídia prefere classificar o escândalo, ter sido reconhecida por peritos da Polícia Federal como verdadeira, nenhum dos envolvidos no desvio de dinheiro público pelo esquema de corrupção do PSDB foi julgado até agora.
Em 2009, o relator do processo no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, atendendo a solicitação dos réus, entre eles Marcos Valério, desmembrou o inquérito e remeteu para Minas os casos dos envolvidos no mensalão tucano que não tinham foro privilegiado.
Desmembramento semelhante não aconteceu no caso dos petistas.
Quatro anos depois, Valério foi condenado por Joaquim Barbosa a mais de 40 anos de prisão em regime fechado pelo mensalão que teria sido encabeçado pelo ex-ministro José Dirceu. O crime pelo qual Valério foi julgado é absolutamente similar ao que teria cometido no esquema do PSDB. Nos dois casos, sua função era mesma: dar cobertura legal a esquemas de desvio de dinheiro público.
Neste caso, Valério será julgado pela justiça estadual mineira.
Em Brasília só permaneceram os casos do agora senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), do senador Clésio Andrade (PMDB-MG), além do ex-ministro do Turismo e das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia (PSB-MG), por terem foro privilegiado. Posteriormente, quando deixou a pasta ministerial, o processo de Mares Guia também seguiu para Minas. Ele teria se beneficiado da prescrição do crime ao completar 70 anos, no ano passado.
A conta-gotas
O processo que tramita na Justiça de Minas envolve 10 réus. O promotor de justiça de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte João Medeiros Silva Neto, responsável pela acusação, considera que os réus do mensalão tucano devem ser julgados no final de 2014, início de 2015. Ele considera o prazo plausível devido ao número elevado de testemunhas arroladas no processo.
Antecipa que vai pedir a condenação dos réus por peculato e lavagem de dinheiro. Esses crimes prevêem penas de dois a 12 anos e de três a 10 anos de reclusão, respectivamente.
“O Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470 fixou penas bem elevadas. Esperamos que isso sirva de parâmetro para as penas na justiça estadual”, ressalta o promotor.
Até agora só testemunhas foram ouvidas no processo. A próxima fase prevê o depoimento dos réus, mas ainda não há data marcada para que isso aconteça. No último dia 10, a oitiva de uma testemunha foi cancelada.
A reportagem do Viomundo procurou a juíza da 9° Vara Criminal, Neide da Silva Martins, no fórum de Belo Horizonte, para obter mais detalhes sobre o processo. Ela solicitou, por meio de sua secretária, que as perguntas fossem encaminhadas por escrito, mas ainda não retornou o contato.
Personagem conturbado
Nilton Monteiro tornou-se peça-chave no esquema de acusação contra os tucanos, conduzido pelas mãos de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha de Eduardo Azeredo e ex-secretário do governo de Minas.

De aliado político, Mourão passou a desafeto do ex-governador. O motivo seria uma dívida de campanha, da ordem de R$ 700 mil, que Azeredo não queria saldar com o filho do ex-secretário Mourão. Nilton Monteiro teria passado, então, a pressionar Azeredo com a lista de Mourão que denunciava o mensalão mineiro.
Azeredo entrou em acordo com Mourão e os dois reataram politicamente. O que eles não contavam é que Monteiro não devolvesse a lista, que em seu poder se transformou em instrumento de poder político.

Pressionados pelas denúncias, os tucanos passaram a desqualificar as acusações. Monteiro, de repente, começou a ser identificado por eles como aliado do PT, quando é cria do ninho tucano.

Apesar de afirmar que não se arrepende de ter denunciado o esquema de corrupção do PSDB, Monteiro viu sua vida virar de ponta cabeça. De braço direito do ex-empreiteiro e ex-deputado federal Sérgio Naya, hoje Nilton Monteiro dorme em um colchão no chão da cela que divide com outro detento e trabalha como jardineiro no presídio.
A escolha por uma prisão de segurança máxima foi dele, que teme pela própria vida. Ele acusa o delegado Márcio Nabak de comandar várias retaliações que já sofreu. Segundo Nilton, Nabak seria aliado de políticos denunciados no esquema de corrupção tucana.

O medo de retaliação à família também preocupa Monteiro. Ele quer a federalização de seus processos.

Nilton Monteiro não tem dúvida sobre o futuro difícil que terá pela frente.

Mesmo assim, o delator prefere partir para o ataque e denunciar o controle do PSDB sobre a mídia, para abafar denúncias contra quadros do partido.

A reportagem do Viomundo entrevistou Nilton Monteiro em uma sala reservada dentro do gabinete do juiz da 3° Vara Criminal de Belo Horizonte, Guilherme Sadi, no último dia 6, quando ele compareceu ao fórum da capital mineira para participar de audiência. O recinto é reservado para conversas entre réus e advogados.
Durante toda a entrevista Nilton foi mantido algemado e um policial militar permaneceu dentro da sala. A pedido do advogado de Nilton, William Souza, a reportagem garantiu que a fotografia do réu não o identificaria com as algemas.
*Os leitores do Viomundo financiaram a viagem e a série de reportagens de Lúcia Rodrigues a respeito do mensalão tucano. Para ajudar, clique aqui.

Outras reportagens financiadas pelos leitores:

Conceição Lemes: Tudo o que você precisa saber sobre o propinoduto tucano em SP
Tatiana Merlino: Viúvas da ditadura celebram Ustra e Fleury
Dario de Negreiros: Os médicos cubanos na cidade de pior IDH do Brasil

Aqui, a entrevista completa:

Os adoradores de BMW não acreditam no Brasil, mas a BMW acredita. Quem é o trouxa?

bmw
A imagem aí é de um imenso anúncio publicado pela alemã BMW, fabricante de carros de luxo, nas páginas 6 e 7 da Folha de S. Paulo.
Ela está instalando uma fábrica em Araquari, uma pequena cidade de Santa Catarina, até agora conhecida como capital do maracujá.
Apesar de operar em 140 países, com vendas, a BMW só tinha, segundo o Estadão, fábricas na própria Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos.
Vão gastar meio bilhão de reais, empregar mil pessoas diretamente e gerar 5 mil empregos em sua cadeia de fornecedores.
Não são bobos: esperam ganhar R$ 20 bilhões no mercado brasileiro até 2020.
A nossa elite, que acha o máximo os carros da BMW e faz o diabo para desfilar sua estultice nesses carrões, não pensa como a BMW.
Quer ir e não vir para o Brasil.
E se compraz com a “uruburologia” que prevê dias sombrios para a economia brasileira, a mesma na qual a BMW aposta.
A BMW diz que o Brasil é um BMW e que vai ser maior amanhã.
A elite, que o Brasil é uma carroça e não tem jeito, não tem amanhã melhor.
Quem será que está fazendo mau negócio?

Dilma lança a P-62. Petrobras bate recorde de novas plataformas e mira salto na produção


 Autor: Fernando Brito
p62
Enquanto os bobalhões da mídia se dedicam a reproduzir factóides – como o da maquininha virtual que foi transformada em “consultoria americana” para prever a falência da Petrobras, a piada do ano – a petroleira brasileira vai preparando a base para o maior salto já registrado de aumento de produção na indústria petrolífera.
Amanhã, a presidenta Dilma Roussef participa, no Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, da cerimônia de conclusão da P-62, um navio plataforma capaz de processar 180 mil barris de petróleo por dia, e que vai operar no campo de Roncador, na Bacia de Campos, o  mesmo da pior cena já vivida pela atividade petroleira no Brasil: o afundamento da P-36, no governo FHC.
É a nona plataforma construída apenas neste ano de 2013.
Juntas, elas tem uma capacidade de produção de quase 1,5 milhão de barris por dia. Ou 70% de tudo o que a Petrobras produz hoje.
Plataformas, entretanto, não são como comprar um carro na concessionária e sair dirigindo. É preciso tempo para contectá-las aos poços, iniciar o comissionamento de carga nas suas instalações lentamente, ajustar e apurar o funcionamento destas imensas bombas de óleo em pleno oceano.
Nada pode ser feitos às pressas, de qualquer maneira.
A entrada em produção plena leva meses e, em casos onde há poços produzindo próximos a outros em perfuração, até anos, enquanto funcionam com carga parcial.
Lentamente, de agora até 2020, nossa produção vai subir até cerca de 5 milhões de barris – em petróleo e em gás – o que significa simplesmente dobrar a produção atual.
Em 2014, mais 11 plataformas serão licitadas.
Reproduzo, aí embaixo, o filme publicitário que a empresa lançou no final de semana.
Que desperta amor ou ódio, na medida em que se ame ou odeie a ideia de um Brasil livre e rico, para seu povo.

CUIDADO ! FHC DO MÉXICO VENDEU A PETROBRAX Os mesmos entreguistas de lá estão aqui. Na moita !


Conversa Afiada não gostaria que o fim da semana ignorasse a importante decisão do governo de Príncipe da Privataria no México.

O Congresso mexicano aprovou projeto do Executivo que privatiza o petróleo e a energia elétrica.

O Senado já tinha aprovado e a Câmara – 353 deputados contra 134 -, nesta quinta-feira, confirmou decisão que o Presidente Enrique Peña Nieto tinha prometido na campanha.

Em 1938, ao fim de muitas greves de trabalhadores, o heroico presidente Lázaro Cárdenas expropriou os bens da Esso e da Shell e criou a PEMEX.

Fez da PEMEX uma das maiores empresas de petróleo do mundo.

E ajudou a desenvolver o México, já que a PEMEX contribui com fatia decisiva para o Orçamento do Estado.

Peña Nieto é a ressurreição do PRI, aquele partido que, segundo Vargas Llosa, governou o México por 71 anos como uma “ditadura perfeita”.

Mas, a “ditadura perfeita” sempre respeitou a PEMEX e a estatização do petróleo.

Peña Nieto ressuscita Salinas de Gortari, o Fernando Henrique mexicano.

Partiu de Salinas a ideia de se construir o NAFTA, o acordo de livre comercio com o Canadá e em que os Estados Unidos incorporaram o México à sua soberania.

Salinas seduziu o presidente Bush, pai, exatamente com a isca de entregar a PEMEX.

Os Bush são da indústria do petróleo.

Bush mordeu a isca.

Foi Clinton, o sucessor, quem assinou o NAFTA.

Mas, não deu tempo de receber a PEMEX na colo. 

Gortari, Fujimori no Peru; Llosada na Bolívia e Menem na Argentina sentam-se ao lado do Príncipe de Privataria no panteão do neolibelismo (*) que o Consenso de Washington construiu na América Latina.

Salinas vive escondido num bunker na cidade do México, com medo da Policia; Llosada fugiu às pressas para Miami, com o povo nos calcanhares, aos gritos de “pega ladrão!”; Menem só não vai em cana por causa do “privilegio de foro”.

E o FHC se leva a sério, a ponto de evocar as inesquecíveis palavras do Prates para enaltecer do herói de Jurerê, o Aécio.

FHC tentou criar a Petrobrax, rifou ações de Petrobrax em Nova York por meia duzia de centavos de dólar, e começou a fatiar a Petrobrax, para vende-la mais barato.

Foi o Nunca Dantes quem devolveu a Petrobras ao verdadeiro dono, o povo brasileiro.

Agora, com o leilão de Libra – e Franco é maior ! – a Petrobras se reafirma incontestavelmente.

Mas, aí reside o perigo.

O ansioso blogueiro dizia que a eleição de 2010 era sobre a Petrobras.

A de 2014 também será.

O México é uma advertência. 

Aos brasileiros.

FHC continua ativo (só no PiG **).

Aécio e Dudu já se disseram a favor da “flexibilização do regime de concessão.

Ou seja, tirar a Petrobras da jogada.

Os Peña Nieto estão aqui.

Na moita !

Clique aqui para ver como o Padim Pade Cerra prometeu o pré-sal à Chevron .

Em tempo: a Urubóloga, neste domingo, no Globo Overseas – cujo processo já foi para a PF - defende a “flexibilização da lei do salário mínimo”. Ideia de que o Dudu compartilhou na coletiva que deu à Folha, assim como a “flexibilização da aposentadoria – clique aqui para ver “Velhinhos, cuidado, o Dudu lê o Giambiagi !”.

E o Bessinha, hein, amigo navegante ? Ele é impiedoso !

Em tempo2: não esquecer que, num plantão de fim de ano, o Supremo vai lá e  “flexibiliza a Petrobras” com uma ADIN escrita pelo Adriano Pires, um dos “especialistas” da Urubologia …


Paulo Henrique Amorim




(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Tucanos enfrentarão 2014 com escândalo dos trens bombando

Acostumado a ser acobertado pela mídia e pela Justiça, o PSDB tratou de fazer um showzinho diante do agravamento do escândalo bilionário que eclodiu contra o partido nos últimos meses. Com a cumplicidade do Jornal Nacional, da Globo, os tucanos tentaram transformar uma tecnicalidade em indício de que o dito “trensalão” não passaria de invenção do PT.
No final de novembro, os tucanos começaram a alardear que o inquérito da Polícia Federal sobre licitações de metrô e trens de São Paulo incluiria um documento forjado, uma carta anônima datada de junho de 2008.
A carta, endereçada à Siemens na Alemanha, denunciava pagamento de propinas a “funcionários de governo”. Segundo os tucanos, o texto em inglês não citava partidos, mas a tradução para o português constante da denúncia do ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, à PF, conteria trechos nos quais “funcionários” teriam virado “políticos do PSDB”.
Com base nessa distorção dos fatos, colunistas e até manchetes de primeira página dos grandes jornais tentaram transformar todo o caso em um novo “escândalo dos aloprados”, a suposta tentativa do PT paulista de incriminar políticos tucanos durante as eleições de 2006.
Cardoso não tardou a responder. Em entrevista coletiva à imprensa e depois em audiências no Congresso negou que os documentos em inglês e em português fossem tradução uns dos outros. E meteu um processo nos tucanos que o difamaram acusando-o de ter feito uma tradução infiel da carta-denúncia.
Durante dias e dias, alguns parecem ter acreditado que seria possível enterrar o caso todo apenas com base nesse factoide usado pelo PSDB com a finalidade de desviar o foco das investigações, mas o caso é muito mais sério do que pensavam os tucanos e a mídia.
A evidência das múltiplas tentativas do PSDB, de grupos de mídia simpáticos ao partido e do Ministério Público Federal de São Paulo de tentarem enterrar o escândalo dos trens foi o que levou o presidente desse inquérito, o delegado Milton Fornazari Junior, da Delegacia de Combate a Ilícitos Financeiros (Delefin), a recomendar o envio do processo ao STF.
Fornazari diz, nos autos, que haveria “provas” de que “políticos vinculados ao governo do Estado de São Paulo receberam propina de cinco multinacionais por meio de lobistas”.
O envio do inquérito para o Supremo Tribunal Federal ocorreu na quinta-feira (12) e surpreendeu a mídia e o PSDB. E mais, preocupou-os seriamente, pois, fora da República de São Paulo, as condições de “controlar” o andamento das investigações diminuem fortemente.
A ministra Rosa Weber será a relatora da denúncia e terá que decidir se há indícios para abertura da investigação no Supremo. Em um momento em que se amontoam as críticas no mundo jurídico à dureza do STF contra petistas, o não reconhecimento por Weber de que o caso tem que ser tratado naquela instância torna-se quase impossível.
A virtual impossibilidade de Weber enterrar o caso devolvendo-o a São Paulo se dá em razão da imensa quantidade de provas materiais – com recursos rastreados, números de contas bancárias em paraísos fiscais, autodenúncia da Siemens etc.
A investigação foi parar no Supremo porque o nome do deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) surgiu nas investigações. Como ele tem foro privilegiado, as acusações têm que ocorrer no STF.
Além de Jardim, pelo menos três secretários do governo de Geraldo Alckmin apareceram nas investigações: José Anibal (secretário de Energia de São Paulo); Edson Aparecido dos Santos (secretário da Casa Civil do governo de São Paulo) e Rodrigo Garcia (secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo). Os três são deputados federais licenciados.
Mas o que há nesse inquérito que pode transformar as eleições de 2014 nas mais difíceis que o PSDB já enfrentou? O partido, em aliança explícita com a Globo e com a revista Veja – outros veículos foram bem mais comedidos ao tentarem ajudar os tucanos –, tentaram reduzir um caso que envolve bilhões de dólares a mera “armação do PT”.
Contudo, o tamanho da encrenca é tão grande que, sendo investigada fora de São Paulo, ficará praticamente impossível abafá-la. Um breve histórico do que está acontecendo sugere que o escândalo é muito grande para ser contido.
Em 2008, a Siemens teve que desembolsar US$ 1,6 bilhão em multas cobradas pelos governos americano e alemão de forma a se livrar da acusação de que promovera o mais vasto esquema de corrupção já descoberto no mundo.
Investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou que a empresa fez pagamentos bilionários em contas de empresas fictícias em paraísos fiscais para subornar funcionários públicos e políticos em dezenas de países.
No período entre 2001 e 2007, a Siemens gastou US$ 1,4 bilhão em propinas através de 4.283 pagamentos de suborno espalhados pelo mundo. Venezuela, Argentina, Bangladesh, China, Israel, Nigéria e Brasil foram alguns dos países em que a empresa corrompeu governos e políticos.  Notas fiscais falsas foram usadas para sustentar falsos contratos de consultorias que nunca foram prestadas.
Paralelamente à Siemens, a empresa francesa Alstom também foi flagrada operando pagamentos de propina. Como ambas atuam em áreas congêneres, descobriu-se que as duas, entre outras, formavam cartéis para faturar contratos públicos.
Tanto a Siemens quanto a Alstom pagavam propinas em contas secretas em paraísos fiscais em nome de laranjas. Esses recursos eram liberados sob a rubrica de “despesas úteis” após os executivos dessas empresas descobrirem quem tinham que subornar para conseguir os contratos.
Tudo começava com a busca de lobistas que tinham acesso a burocratas e políticos. Os lobistas, em outros países, não negociavam apenas com funcionários públicos, mas, também, com políticos que governavam aquele Estado ou aquele país e que haviam nomeado aqueles funcionários.
Por que, no Brasil, Alstom e Siemens operariam diferente?
O esquema funcionou assim em todas as partes que essas empresas atuavam: para que o dinheiro chegasse a quem autorizava os contratos os lobistas o recebiam da Siemens ou da Alstom em contas em paraísos fiscais, ficavam com uma comissão e repassavam o resto aos políticos e funcionários públicos que corrompiam.
Para disfarçar, Alstom e Siemens firmavam com os lobistas contratos de “consultoria”. Uma tática altamente conhecida. A Siemens confessou ao governo norte-americano ter fechado 2.700 contratos de “consultoria” ao redor do mundo. Aqui no Brasil não foi diferente.
Ora, seria impossível fechar contratos dessa envergadura sem que o alto escalão dos governos estaduais notasse alguma coisa.
Devido à grosseria do esquema, no escândalo brasileiro a Polícia Federal afirma haver “fartura” de provas – provas testemunhais, provas bancárias e provas contratuais. Nas obras da linha 5 do metrô de São Paulo, por exemplo, um único contrato chega a R$ 735 milhões em valores atuais.
Durante o governo Covas (2000), a Siemens da Alemanha assinou contratos de “consultoria” com os lobistas Arthur e Sérgio Teixeira. Pelo contrato, receberiam comissão de 8%, ou US$ 216.800. Há prova de que o dinheiro foi depositado nas contas do diretor de operações do metrô de São Paulo, João Roberto Zaniboni, na Suíça. No total, ele chegou a receber US$ 500 mil.
Esse é um entre vários funcionários do governo paulista que estão com as contas bloqueadas por terem sido flagrados recebendo valores desse porte.
Chega a ser ridículo quando vemos a mesma mídia que condenou petistas em 2005 – logo que foram feitas as denúncias do mensalão – dizer agora que “não se pode afirmar” que os políticos tucanos que nomearam esses funcionários também receberam dinheiro.
Aliás, já há evidências consideradas “fortes” contra ao menos um tucano: Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE), fundador do PSDB, coordenador da campanha de Mário Covas ao governo de São Paulo em 1994 e chefe da Casa Civil no governo tucano.
Marinho chegou a ter US$ 1 milhão bloqueado na Suíça em 2009 enquanto negava ter dinheiro no exterior e, simultaneamente, entrava com recurso na Justiça suíça para impedir acesso das investigações às suas contas bancárias em Genebra.
Segundo o Ministério Público suíço, o tucano Robson Marinho foi subornado pela Alstom, quando era conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, que tem por obrigação analisar como o governo do Estado de São Paulo gasta os impostos dos contribuintes.
Marinho considerou lícito um contrato de construção de estações de energia do metrô firmado entre o governo Covas e a Alstom com a Eletropaulo em 1998. A Justiça suíça enviou ao Brasil, entre outras provas, carta manuscrita com as iniciais “RM”, como sendo de autoria do intermediário entre a Alstom, um partido político não identificado, o TCE e a Secretaria de Energia do governo do Estado.
Marinho teria recebido comissão de 7,5%.
O potencial explosivo desse caso está na denúncia da Justiça suíça. Segundo reportagem recente da revista Época, “O mentor da propina nos contratos da Alstom é o lobista José Amaro Pinto Ramos”, ligado ao ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta. Amaro se apresentava como “assessor” do então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Em breve, o STF terá que decidir, através da ministra Rosa Weber, se irá investigar essas e muitas outras evidências contundentes contra o PSDB de São Paulo. E isso logo após a corte ter promovido condenações de expoentes do PT sob a teoria de que o que os subalternos deles fizeram era responsabilidade dos seus superiores hierárquicos.
Um tratamento diferenciado para casos que só não são iguais porque o caso que envolve o PSDB tem muito mais provas – inclusive materiais – e envolve muito mais dinheiro fundamentará denúncia contra a Corte nas instâncias de apelação internacionais, pois ficará evidente que o Judiciário brasileiro promove linchamentos e acobertamentos políticos.
Em tese, o STF não cometerá o erro de agir com parcialidade tão escancarada. Seria um suicídio, a prova final de que a Corte se tornou um órgão partidarizado, o que iria expor seus membros inclusive a ações penais, no futuro.
De tudo isso, portanto, pode-se concluir que, se a vida do PT – e, acima deste, da presidente Dilma Rousseff – não será fácil em 2014, a do PSDB deve se complicar muito mais. O PT já pagou o preço do mensalão e já se sabe, através de inúmeras pesquisas, que o eleitorado está separando uma coisa da outra.
Com o PSDB será diferente. Há quase dez anos esse partido acusa o PT furiosamente de ser corrupto enquanto se apresenta como uma espécie de vestal, acima de investigações ou meras suspeitas. Se não conseguirem deter a investigação no STF, durante o processo eleitoral será desencadeado um tsunami contra os tucanos. Um tsunami inédito.

PSB E REDE TOMARÃO RUMO DIFERENTE NOS ESTADOS (?)

Pó pará, Eliane!

Autor: Miguel do Rosário
popara
Reproduzo abaixo um texto de Mario Marona em seu blog. Eu acrescento alguns comentários em seguida.
PÓ PARÁ, ELIANE
Mario Marona
Eliane Cantanhêde está indignada porque os militantes do PT cantaram musiquinha relacionando a droga do helicóptero de Zezé Perrela aos tucanos. Ficou mais irritada ainda porque Lula, em vez de repreender os filiados, comentou:
– Se for comparar o emprego do Zé Dirceu no hotel com a quantidade de cocaína no helicóptero, pelo menos houve uma desproporcionalidade no assunto.
Eliane ficou tão contrariada que deu o seguinte título ao seu artigo de hoje na Folha: “A cocaína de Lula”.
A colunista afirma que Lula está contribuindo para que o PT traga este assunto a público.
Deve ser porque o artigo dela é muito curto. Se tivesse mais algumas linhas de espaço, Eliane poderia ter lembrado ao leitor que quem inaugurou este tipo de baixaria foi um amigo de Serra, que deu a um artigo no Estadão, dirigido ao então governador Aécio Neves, o título de “Pó pará, governador”.
Foi ali que começou uma guerra de dossiês entre os dois tucanos.
PS: brincadeira de mau gosto com título qualquer um pode fazer.
*
Admito que também fiquei preocupado com essa coisa de baixaria. Em conversa com amigos, cheguei a comentar, com sinceridade, que tinha pena dos Perrela. Só que logo assim que falei isso, eu mesmo comecei a rir histericamente, e todo mundo riu muito, porque a nossa mídia conseguiu blindar os Perrela de tal maneira que se transmitiu a ideia de que a apreensão de um helicóptero com meia tonelada de cocaína é uma coisa “normal”. Um acidente da vida que pode acontecer a qualquer um.
Quanto à baixaria, Cantanhede deveria lembrar a seus leitores dois fatores importantes:
1) Que o seu marido é marketeiro do PSDB e ela trabalha na Folha, um pasquim controlado e financiado pelos tucanos.
2) Que as baixarias maiores, de longe, vem da Folha. Ou ela não se lembra da ficha falsa da Dilma? Baixaria essa que foi seguida de outra, com o próprio Octavio Frias Filho insultando grosseiramente dois professores que enviaram cartinhas à Folha. Pior ainda: Eliane não se lembra da fofoca macabra do Cesar Benjamin, dizendo na Folha que Lula, na cadeia, tinha estuprado, ou tentado estuprar, um adolescente?
Lula está certo. E a militância também está certa em seu sarcasmo em relação ao caso. A direita e a mídia não fizeram o diabo quando pegaram um aloprado petista com dinheiro na cueca? O que é pior? Dinheiro na cueca ou meia tonelada de pó num helicóptero cinco estrelas?
Além disso, a história da cocaína está muito mal contada. O próprio desinteresse da imprensa, escancarado no texto da Cantanhede, é suspeito.

O que pretende Serra ao dizer que cocaína será tema em 2014?

Autor: Miguel do Rosário
popar
(Via Julio Cesar Macedo Amorim)
SERRA APUNHALA AÉCIO (MAIS UMA VEZ)
Por Leandro Fortes, no Facebook
Neste fim de semana, a velha mídia acionou seus mais bem aplicados colunistas da trincheira tucana para iniciar um processo de desestigmatização de Aécio Neves, cuja imagem vinculada ao uso de cocaína tornou-se um fato, sobretudo nas redes sociais.
No eixo UOL-Folha de S.Paulo, a vida loka de Aécio nas noites cariocas, que já lhe valeu uma fuga do bafômetro e um cambaleante vídeo de gorjetas de 100 reais, está sendo vendida como “alegria de viver”.
(pausa para as gargalhadas)
Neste domingo, a colunista Eliane Cantanhede assina um incrível artigo chamado “A cocaína de Lula”, cujo título não tem, literalmente, nada a ver com o texto escrito pela jornalista.
Na verdade, Eliane verbalizou uma reação tardia à fala do ex-presidente na abertura do 5º Congresso do PT.
Lula ousou comparar a desproporcionalidade entre a cobertura da mídia sobre a meia tonelada de cocaína encontrada no helicóptero da família Perrella, ligada a Aécio, e o emprego de José Dirceu em um hotel de Brasília.
Não é loucura minha, leiam aqui:
http://migre.me/h1o8g
Imagino que o próximo passo dessa lavagem de biografia seja mostrar Aécio colhendo flores no Morumbi e as entregando a pobres zumbis da cracolândia de São Paulo, em reportagem exclusiva do Fantástico.
Mas, aí, vem José Serra, tranquilo e infalível como Bruce Lee.
Porque quando o assunto é detonar Aécio Neves, Serra não falha e anuncia: 2014 vai ser o ano da cocaína!
Podem rir à vontade, agora.

Leitor desmascara manipulação de matéria sobre SUS

Autor: Miguel do Rosário
sus
O Nassif publicou neste sábado à noite um post interessante para se entender a manipulação sistemática das notícias, sempre com um objetivo político. Eu destaquei em negrito algumas passagens. Trata-se de uma situação triste, porque é evidente que o sistema de saúde precisa ser criticado, para melhorar. Mas também me parece evidente que as críticas devam ser construtivas, feitas com boa fé e sem ranço partidário. É um assunto grave demais para deixarmos que se contamine pelas paixões políticas. É a vida de nossas crianças, a nossa vida, que está em jogo.
*
Eduardo Fagnani | GGN Jornal de Todos os Brasis
A manchete da primeira página da Folha (9/12/13) não deixa margem à dúvida: “Ineficiência marca gestão do SUS, diz Banco Mundial”. A matéria destaca que essa é “uma das conclusões de relatório inédito obtido com exclusividade pela Folha”. Aos desavisados a mensagem subliminar é clara: o SUS é um fracasso e o Ministro da Saúde, incompetente.
A curta matéria da suposta avaliação do Banco Mundial sobre vinte anos do SUS é atravessada de “informações” sobre desorganização crônica, financiamento insuficiente, deficiências estruturais, falta de racionalidade do gasto, baixa eficiência da rede hospitalar, subutilização de leitos e salas cirúrgicas, taxa média de ocupação reduzida, superlotação de hospitais de referência, internações que poderiam ser feitas em ambulatórios, falta de investimentos em capacitação, criação de protocolos e regulação de demanda, entre outras.
Desconfiado, entrei no site do Banco Mundial e consegui acesso ao “inédito” documento “exclusivo”**. Para meu espanto, consultando as conclusões da síntese (Overview), deparei-me com a seguinte passagem que sintetiza as conclusões do documento (página 10):
Nos últimos 20 anos, o Brasil tem obtido melhorias impressionantes nas condições de saúde, com reduções dramáticas na mortalidade infantil e com aumento na expectativa de vida. Igualmente importante, as disparidades geográficas e socioeconômicas tornaram-se muito menos pronunciadas. Existem boas razões para se acreditar que o SUS teve importante papel nessas mudanças. A rápida expansão da atenção básica contribuiu para a mudança nos padrões de utilização dos serviços de saúde com uma participação crescente de atendimentos que ocorrem nos centros de saúde e em outras instalações de cuidados primários. Houve também um crescimento global na utilização de serviços de saúde e uma redução na proporção de famílias que tinham problemas de acesso aos cuidados de saúde por razões financeiras. Em suma, as reformas do SUS têm alcançado pelo menos parcialmente as metas de acesso universal e equitativo aos cuidados de saúde”. (tradução rápida do autor)
Após ler essa passagem tive dúvidas se havia lido o mesmo documento obtido pela jornalista. Fiz novos testes e cheguei à conclusão que sim. Constatado que estava no rumo certo continuei a ler a avaliação do Banco Mundial e percebi que as críticas são apontadas como “desafios a serem enfrentados no futuro”, visando o aperfeiçoamento do SUS.
Nesse caso, o órgão privilegia cinco pontos, a saber: ampliar o acesso aos cuidados de saúde; melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços de saúde; redefinir os papéis e relações entre os diferentes níveis de governo; elevar o nível e a eficácia dos gastos do governo; emelhorar os mecanismos de informações e monitoramento para o “apoio contínuo da reforma do sistema de saúde” brasileiro.
O Banco Mundial tem razão sobre os desafios futuros, mas acrescenta pouco ao que os especialistas brasileiros têm dito nas últimas décadas. Não obstante, é paradoxal que esses pontos críticos ainda são, de fato, críticos, em grande medida, pela ferrenha oposição que o Banco Mundial sempre fez ao SUS, desde a sua criação em 1988: o sistema universal brasileiro estava na contramão do “Consenso de Washington” e do modelo dos “três pilares” recomendado pelo órgão aos países subdesenvolvidos.*** É preciso advertir aos leitores jovens que, desde o final dos anos de 1980, Banco Mundial sempre foi prejudicial à saúde brasileira.
É uma pena que o debate sobre temas nacionais relevantes – como o sistema público de saúde, por exemplo – seja interditado pela desinformação movida pelo antagonismo das posições políticas, muitas vezes travestido de ódio, que perpassa a sociedade, incluindo a mídia.
Que o espírito reconciliador Mandela ilumine os brasileiros – e o pobre debate nacional.
BAIXE O DOCUMENTO DO BANCO MUNDIAL AQUI.
*Professor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (CESIT/IE-UNICAMP) e coordenador da rede Plataforma Política Social – Agenda para o Desenvolvimento (www.politicasocial.net.br).
** Twenty Years of Health System Reform in Brazil – An Assessment of the Sistema Único de Saúde. Michele Gragnolati, Magnus Lindelow, and Bernard Couttolenc. Human Development. 2013 International Bank for Reconstruction and Development / The World Bank 1818 H Street NW, Washington DC.
*** Consultar, especialmente: BANCO MUNDIAL (1990). World Development Report: Poverty. Washington, D.C; BANCO MUNDIAL (1991). Brasil: novo desafio à saúde do adulto. Washington, D.C. 1991; BANCO MUNDIAL (1993). World Development Report: Investing in Health. Washington, D.C; BANCO MUNDIAL (1994). Envejecimiento sin crisis: Políticas para la protección de los ancianos y la promoción del crecimiento. Washington, D.C; e BANCO MUNDIAL (1995). A Organização, Prestação e Financiamento da Saúde no Brasil: uma agenda para os anos 90. Washington, D.C.